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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

200 - Pastelaria A Serrana

Continuando a mostrar alguns estabelecimentos comerciais da Cidade do Porto e o que à sua arquitectura,decoração e antiguidade dizem respeito, batemos hoje à porta da  Pastelaria A Serrana, localizada na Rua do Loureiro, quase em frente da saída lateral da Estação Central de Caminho de Ferro de S. Bento
Já tinha aflorado um pouco este estabelecimento quando "passamos" pela Rua do Loureiro numa postagem anterior. (Ver a nº 30)
O interior foi-me "apresentado" pelo meu amigo Álvaro das Gatas em 13 de Julho de 2007. Entramos para tomar uma loirinha e mandou-me olhar em volta, mas para o ar.
Depois disso entro periodicamente não só para "fazer despesa" como para mostrar esta preciosidade aos amigos. E bater mais uma chapa.
Numa das ocasiões que por lá passei, creio que em Setembro de 2009, troquei umas impressões com um senhor, que não sei se faz parte da sociedade. Das coisas que falamos sobressaiu o restauro que custou uma "pipa de massa" conforme agora é moda dizemos por cá
.
Pormenores não sabia mas agora sei de alguns, desde que vi um capítulo dos Caminhos da História do Porto Canal, apresentado pelo Prof. Joel Cleto. Uma das minhas fontes sobre História da minha-nossa Cidade e não só.

Encontra-se num edifício provavelmente do séc. XVIII que sofreu remodelações no séc. XIX, com habitações nos andares e os baixos com lojas.

Em 31 de Janeiro de 1981 abre neste espaço a Ourivesaria Cunha que é remodelada em 1911-12.

Presumo ser dessa altura que o actual interior é projectado pelo Arquitecto Francisco de Oliveira Ferreira (1884-1957), sendo as esculturas da autoria do irmão José de Oliveira Ferreira (1883-1942)

 A tela do tecto é da autoria de Acácio Lino (1878-1956). 

Nos finais do séc. XIX e durante o início do séc. XX o Mosteiro de S. Bento de Avé-Maria é demolido e começam as obras para a construção da Estação de S. Bento no mesmo local. Devido ao estaleiro em que se transformou esta zona da Rua do Loureiro, o sr. Cunha da Ourivesaria muda para um edifício na Rua de 31 de Janeiro, que ainda existe com o nome de Ourivesaria Machado desde 1915.

 Para a nova ourivesaria já com o nome de Cunha & Sobrinho levam os móveis e outros acessórios.    Iremos um dia visitá-la se nos permitirem.

 Entretanto o espaço conhece novos donos e actividades como uma loja de fazendas e um restaurante  até que é comprado pela actual sociedade em 1952 mantendo toda a decoração interior.

 Olhando os pormenores, estão presentes o ferro na escada, nos postigos e no varandim, coisa  inovadora, os estuques, as madeiras, as pinturas, tudo arte nova.



 Diz-se que as Bolas de Berlim são a grande especialidade e as melhores do Porto. Francamente  nunca  provei, até porque é doce que não sou aprecio.
 As fotos são de várias épocas.  

Uma curiosidade a título de aviso; só podem ser utilizados os quartos de banho por quem faz  despesa. 

Não liguem à por vezes má cara que a senhora que atende ao balcão nos faz. Sempre a conheci assim. Mas depois isso passa-lhe.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

171 - A Casa-Oficina de António Carneiro

Passava há dias com uns amigos pela Rua de António Carneiro, ao Bonfim, (antigamente era a continuação da Barros Lima) e junto da Casa-Oficina do Pintor que deu o nome à Rua, perguntei-lhes se algum a conhecia. A resposta foi negativa. O mesmo deve acontecer a muitos Portuenses e não só. O Porto é uma cidade escondida para os seus habitantes e os da área metropolitana, onde raramente se divulga o que tem entre portas. Há as excepções, claro, principalmente alguns, poucos, templos católicos. E o Majestic e a Lello e a Torre dos Clérigos e a Ribeira. Mas os carolas da net lá vão divulgando o que temos cá dentro. 

Recordo que visitei a Casa-Oficina em Setembro de 2009 logo na sua reabertura ao público. Já não me lembro se foi por casualidade ou por ter lido alguma informação. Esteve encerrada desde 1998 para obras de remodelação. É propriedade da Câmara Municipal desde 1973, embora tivesse vindo a adquirir parcelas desde 1958. 

António Carneiro, auto-retrato. Um dos muitos que produziu.
S. Gonçalo de Amarante, 16 de Setembro de 1872. Porto, 31 de Março de 1930.

Oriundo de uma família pobre, foi abandonado pelo pai aos 7 anos e pouco tempo depois ficou órfão de mãe. É em 1879 encaminhado para o Asilo do Barão de Nova Sintra (a 100 metros desta casa) onde fez a instrução primária. Começou a desenhar copiando desenhos de ilustrações de textos.
Reconhecida a sua vocação, ingressou na Academia Portuense de Belas Artes em 1884 com o apoio da Santa Casa da Misericórdia, tutelar do Asilo.


A casa foi construída entre 1925-1930 segundo projecto de Álvaro Miranda, um não arquitecto amigo do António (que projectou e restaurou o Hotel e várias vivendas na Granja, Vila Nova de Gaia) . Para além do atelier foi a casa de habitação da familia: esposa Rosa Carneiro com quem casou em 1893 e os filhos Cláudio, músico e grande compositor chegando a ser director do Conservatório de Música do Porto (1895-1963) 
Maria Josefina (1898-1925); Carlos, também pintor (1900-1971) 

Na Academia fez o curso de Desenho Histórico, frequentou Escultura que abandonou após a morte de Soares dos Reis em 1889 e transferiu-se para Pintura. Em 1896 terminou o Curso de Pintura da História com 18 valores.

As obras do conjunto foram concluídas em 1930, tendo o pintor António Carneiro falecido nesse ano em 31 de Março.

Em 1895 reencontrou-se com o pai, recém-chegado do Brasil e vai com ele a Amarante onde conhecesse o poeta Teixeira de Pascoaes.  Em 97 parte para Paris após receber uma bolsa patrocinada, onde frequenta a Academia Julien. 
Regressa ao Porto em 1911. É convidado a leccionar na Academia Portuense de Belas Artes e em 1918 é investido na qualidade de Professor de Nomeação Efectiva, responsável pela Cadeira de Desenho de Figura. Em 1929 foi nomeado Director mas nunca chegou a exercer.  
A par das actividades de Pintor, Professor, Poeta fez parte desde 1911 da Renascença Portuguesa desenhando o logo-tipo usado em todas as edições, nomeadamente na Revista Águia  da qual era coordenador literário e ilustrador. Aos interessados remeto-os para a minha postagem: http://portojofotos.blogspot.pt/2012/03/123-rua-dos-martires-da-liberdade.html 
Entre 1893 e 1929 expôs individual ou colectivamente em Portugal e em várias Cidades Brasileiras ( Rio de Janeiro, S. Paulo, Curitiba) e participou nas Exposições Universais de Paris (1900), Saint Louis (1904) e ainda na Internacional de Barcelona de 1907.
Pormenor da Sala principal. A casa sofreu alterações para expôr o espólio do Artista que a Câmara Municipal vinha adquirindo e creio que também dos filhos, oferecido pelo neto Nuno Carneiro. O primeiro andar onde foram os aposentos da Residência estão vedados ao público. Ou estavam na altura da minha visita.
A foto do Artista com o quadro que pintava. Presumo que os retratados eram a filha e o filho Carlos, mas já não me lembro da descrição.
Este é o original pronto. 
À esquerda o material usado por António Carneiro

 Lembro-me de ler que é um Estudo. Não sei qual mas se a memória não falha, o trabalho final está no Palácio da Bolsa.

 Sé Catedral, Sacristia

 Porto Azul visto da Vitória

 Presumo que se chama A Última Ceia

 Camões lendo os Lusíadas aos Frades de S. Domingos

 À esquerda o tríptico de A Vida

A exposição é constituída por outros acervos como livros, fotos, documentos, objectos pessoais.

Há uma sala reservada para alunos de Pintura. Algumas das suas obras não acabadas estavam bem visíveis.


Nos pequeno jardim da entrada, na altura ainda não tratado bem como os outros, estava um trabalho e mais uma vez fico na incerteza. Mas julgo que se chamava Homem amarrado. Também as árvores estavam amarradas com vários materiais.  

António Carneiro, foi um retratista por excelência (Guilhermina Sugia, Antero de Quental, Correia de Oliveira, Teixeira de Pascoaes, foram alguns dos amigos retratados) mas as suas paisagens são muito singulares. Tem obras espalhadas em Museus e colecções particulares. Destaque a decoração produzida para a Sala de Leitura da Associação Comercial do Porto, no Palácio da Bolsa.

António Carneiro, é consagrado como precursor do Simbolismo, uma corrente que não teve continuadores. Foi o artista "mais para o sentimento do que para a razão; mais emocionar do que explicar". 

Pesquisa em alguns link's  e especialmente:



quinta-feira, 28 de abril de 2011

74 - A Avenida Rodrigues de Freitas

Antiga Rua de Reimão, posteriormente Rua de S. Lázaro, é uma das artérias da Cidade do Porto que mais percorro. Aqui está localizada a segunda sede do Bando do Café Progresso. No Café Cifrão. Ou não fosse esta artéria também considerada a Rua dos Cafés. Mas já por aqui andei muito antes, principalmente na minha meninice e juventude, quando apanhava o 20 para o Marquês ou descia a Rua das Fontaínhas para atravessar o Rio no prémio que recebi de meu Pai: Aprender a nadar no Borras ou no Aurélio. Começa a Avenida na Rua Entreparedes, onde no número 80 morei periòdicamente. Depois de Duque de Loulé estava a Garagem Galiza, (à direita na foto) onde apanhei um "Expresso" para a região de Paiva, local das minhas primeiras férias, durante 4 dias. Passou-se isso no verão de 1963.
Não tenho a certeza, mas no princípio do séc. XX creio que era aqui a garagem da Ford. Do senhor que subiu com um carro "sportivo" a Calçada da Corticeira. Encontrei uma foto que demonstra essa proeza.



Para além do Barbeiro que ainda lá se encontra - provàvelmente de outro proprietário - à direita estava o Ramos, a outra "tasca" da cidade aberta até às tantas. Julgo que era pertença do mesmo patrão do Ginjal do Bonjardim/Largo Tito Fontes.
Não parece, mas esta Rua, agora Avenida, tem muito que apreciar e visitar. Foto velhinha do princípio do séc. XX, mostra-nos uma das quatro entradas do Jardim de S. Lázaro e do Colégio das Órfãs.
O edifício monumental foi o acolhimento das meninas órfãs de Nª Sra. da Esperança, criado em em 1724 e pertença da Santa Casa da Misericórdia. A partir dos anos 40/50 do século passado foi uma Escola seleccionada para meninas da alta sociedade (como quási todas as instituições mais ou menos ligadas à religiosidade). Hoje creio que é uma escola pública. A Igreja é atribuída a Nasoni e construída entre 1746 e 1763 no local onde existia o Hospital de S. Lázaro, destinado a recolher os Lazarentos. Desde tempos remotos, aqui se comemorou e durante muitos anos, os Lázaros, espécie de romaria, no primeiro domingo de Abril se não estou em erro e que aliava o pagão com o religioso.
O Jardim de S. Lázaro, hoje de Marques de Oliveira, homenageando o Mestre da Pintura, foi o primeiro Jardim Municipal da Cidade do Porto. Inaugurado em 1834, sofreu várias alterações. No entanto ainda se podem ver árvores do tempo do seu nascimento. Camilo Castelo Branco recebeu aqui a Comenda da Ordem da Rosa das mãos do Imperador D. Pedro II do Brasil.Grupos escultóricos estão espalhados pelo jardim, provàvelmente não sendo alheia a antiga Escola de Belas Artes, hoje Faculdade, ali a dois passos.
Camélias, Cedros, Magnólias, Tílias e até uma Palmeira compõem a Flora do Jardim a par de belos canteiros de flores.
Os Pintores Marques de Oliveira e Silva Porto estão homenageados em bustos da autoria de Soares dos Reis e Barata Feyo. Acho que não estou errado em relação aos escultores.
Uma fonte do séc. XVI que se encontrava na Sacristia do Convento de S. Domingos foi para o Jardim trazida em 1838. Granito, mármores rosa e branco e ardósia preta compõem o conjunto.
Aspecto nocturno do Jardim.
Em frente, a Biblioteca Publica Municipal do Porto. Fundada em 1833, por ordem de D. Pedro IV como Real Biblioteca, ocupou as instalações do antigo Hospital do Convento de S. António da Cidade, edifício do século XVIII, desde 1842. É, a partir de 1876, estabelecimento municipal.


























Foi seu segundo bibliotecário Alexandre Herculano. Possui um dos mais valiosos espólios do mundo desde a Idade Média até aos nossos dias. Reúne a maioria das Bibliotecas dos Conventos e Mosteiros de Portugal. Estão disponíveis consultas desde periódicos a bibliografias. Possui diversos serviços fàcilmente disponíveis bem como uma Biblioteca Infantil/Juvenil. Chegou a ser durante anos o primeiro Museu Nacional, igualmente criado por D. Pedro IV, onde estiveram expostas muitas pinturas e esculturas, sem condições, até serem mudadas para o actual Museu Nacional de Soares dos Reis. Entre o estudo nos cafés e esta Biblioteca passei muitas horas do meu tempo de estudante. Aqui aprofundei conhecimentos sobre Camilo e as Invasões Francesas em Portugal. Que esqueci posteriormente em três anos de "degredo". Nos claustros estão expostos amostras de azulejos retirados dos Conventos e Mosteiros a Norte de Coimbra. Desde o séc. XVII. Periòdicamente promovem exposições.












Mas a Avenida tem muito mais coisas para ver. Desde antiquários com peças e espólios valiosos...




...até aos marmoristas com peças e esculturas para os Cemitérios. E o do Prado Repouso ali bem perto. Mas logo encontramos o Palacete dos Forbes ou Braguinha, como é mais conhecido, do séc. XIX. Adquirido pelo Estado para albergar a Escola de Belas Artes, actual Faculdade. Tem um jardim - cá para nós um pouco maltratado - onde estão expostas esculturas de antigos alunos: Soares dos Reis, Lagoa Henriques, Teixeira Lopes, José Rodrigues, Gustavo Bastos e tantos outros.O átrio da entrada tem duas esculturas, cópias das de Miguel Ângelo: Escravo Muribundo e Escravo Rebelde. Desconheço o autor.









Dignos de visita o Museu e as exposições. Podemos passear pelo Jardim, visitar as salas de aula, as oficinas. Ver os alunos trabalhar ao ar livre ou nas oficinas. A arquitectura desligou-se desta escola nos princípios de 90, criando a sua própria Faculdade. Mas por aqui passaram Marques da Silva, no princípio do séx. XX e Siza, Soutinho e tantos outros de reconhecimento internacional. Muita pena por ver os novos edifícios de aulas a precisarem de pintura. E os grafitis eram escusados, pois não acrescentam nada à Faculdade. Coisas de uma geração à rasca...






À esquerda o palacete do Visconde da Gândara, também do séc. XIX, hoje ocupado pela Associação dos Ourives.



Uma foto do princípio do séc. XX, que roubei ao blogue http://doportoenaoso.blogspot.com/ de Ricardo Araújo Figueiredo - isso sim, é que é falar -escrever- sobre o Porto e não só - , vendo-se o muro do antigo Jardim do Palacete Braguinha à direita e o Palacete do Visconde da Gândara à esquerda.



Todo este correr da Avenida tem edifícios de interesse público. Quási todos bem conservados.



São obras arquitectónicas do séc. XIX que merecem ser olhadas.













No final da Avenida encontramos o Largo Soares dos Reis. Ao fundo o Museu Militar, outro edifício do séc. XIX comprado pela Estado para albergar a famigerada PIDE, posteriormente DGS. De "grandes" recordações para, pelo menos, duas gerações à rasca. O meu amigo Quim Soares parece que vinha em passo acelerado.
Um pequeno memorial recorda Virgínia Moura, grande lutadora contra o regime do Estado Novo implantado em 1928. Várias vezes foi "residente" naquela casa, mas nunca vendeu a alma ao diabo.
À direita, o cemitério do Prado de Repouso, o primeiro público da Cidade. Digno de uma visita pois possui diversos e interessantes mausoléus e túmulos. Destaque para o túmulo dos Mártires da Pátria e o Mausoléu aos Revoltosos Republicanos de 31 de Janeiro de 1891, inaugurado em 1897. Um busto de meio corpo, homenageia um dos Almadas. Talvez a homenagem seja extensiva a todos eles, pois muito fizeram pela Cidade do Porto no séc. XVIII