Pesquisar

Mostrar mensagens com a etiqueta Santa Marinha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Santa Marinha. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de março de 2012

121 - A Capela do Senhor d'Além, Vila Nova de Gaia

Escreveu-me uma estudante de arquitectura sobre uma visita que fez e partilhou à Capela do Senhor d'Além, ofertando umas fotos dum sítio que deveria estar preservado. Até porque agora passa bem próximo a nova via pedonal que vem desde a saída da Ponte Luíz I (Rua do Cabo Simão) até ao Areiinho.

Esta uma imagem com quási três anos que fiz quando ainda não existia a tal via.

Mas leia-se o que me escreveu a amiga:

Foi com interesse que li no seu blogue sobre a referida capela. Sou estudante de arquitectura e no ano passado foi-nos dado um trabalho de projecto a realizar em toda a área da escarpa da Serra do Pilar. Inicialmente é feita uma pesquisa da área e um levantamento de todas as tipologias e edifícios de interesse arquitectónico e patrimonial e assim, tanto a capela do Senhor d’Além e o antigo convento carmelita foram assuntos bem discutidos nas aulas, de como estes “pedaços vivos de história” são deixados ao abandono quando na realidade deveriam ser revitalizados e integrados em circuitos turísticos e culturais, sendo sempre uma mais valia para a identidade e história da própria cidade...enfim, o resultado de anos de indiferença está á vista.
Procurei informação na net e em livros dias a fio, mas as fontes eram sempre semelhantes e pouco ou nada acrescentavam. Tinha imensa curiosidade em ver a tão falada talha dourada, os acessos á torre sineira, as dependências complementares e o real estado de abandono em que a capela se encontrava. Procurei fotos do seu interior e não encontrei nada para grande desconsolo meu. Passei por lá várias vezes e espreitava sempre á fechadura, era mais forte que eu.
Até que um dia, enchi-me de coragem com um colega de faculdade e saltamos por uma porta lateral, percorremos pela traseira da igreja até encontramos uma janela aberta.
Era estreita e alta, comunicava para uma sala que era de apoio á sacristia. Por cima desta sala, em péssimo estado, estava um piso de habitação com cozinha e dormitório, tudo velho e a abandonado, claro, devia ser onde pernoitava o sacristão ou sacerdote.
Esta era a tal dependência anexa ao lado direito da capela que comunicava directamente com a torre e com o interior da própria capela. 

O convento dos Carmelitas é o edifício em ruínas mesmo em frente á capela. O da segunda foto que mostrou é uma fábrica abandonada (ver meu blogue, poste 36)

Entramos e com cuidado fotografamos tudo o que conseguimos, tudo mesmo. Saímos de lá sempre rápido pois sabíamos que era errado estar ali e não fosse aparecer algum delinquente ou assim.

Fotos que consegui tirar depois de subir ao cimo da torre , tal como a talha dourada, da qual não se encontram fotos em lado nenhum... Bem, a meu ver são fotos tristes porque mostram um abandono e a falta de respeito pelo património arquitectónico, mas por outro lado são úteis na medida em que nos forçam a imaginar o “como era” ou o “como teria sido”, ou então tanto que seja só pelo curiosidade de ver o que trancam ali.




(um aparte meu: esta inscrição é curiosa pois a data não aparece nos escritos referentes à Capela actual nem à primitiva. Quererá referir-se a outra coisa ?)


Junto á fabrica ainda nos foi possível entrar nas pequenas habitações mesmo ao lado que pertenciam aos operários. Os objectos pessoais bem como outros bens eram variados.

... outras fotos da fábrica abandonada á beira rio na mesma rua da capela. É fácil identificá-la por quem passa do lado do Porto por ter uma espécie de "seta" na fachada, como mostra uma das fotos. O estado de conservação é semelhante senão pior, além de ter muitos lixos abandonados...


 ...fico sempre com aquela impressão de que saíram todos á pressa e deixaram tudo para trás.
Porque não vá o diabo tecê-las e de acordo com a nossa autora, a sua identidade ficará registada apenas como Palmela S. A quem desejo as maiores venturas para a sua futura vida profissional. E não só, claro.

Pormenor da escarpa da Serra do Pilar e a Capela

Uma nota minha: ... junto à capela do Senhor de Além – 5-3-1739 – cinco frades carmelitas calçados, fundaram um hospício que funcionou até 1832.
O edifício do hospício, depois de 1834, foi vendido e nele chegou a funcionar uma fábrica de louça.
Presentemente todo o edifício está em ruínas.
A actual capela, que mantém o culto, foi edificada, no lugar da antiga, em 1877.

Tem benfeitores muito fervorosos. (onde estão eles ?)
Este texto retirei-o http://www.lendarium.org/narrative/lenda-da-imagem-do-senhor-jesus/ tendo como fonte de origem Carlos Valle in Revista de Etnografia 26, Tradições Populares de Vila Nova de Gaia - Narrações Lendárias Porto, Junta Distrital do Porto, 1969 , p.426-428

terça-feira, 27 de setembro de 2011

96 - Santa Marinha, Vila Nova de Gaia, onde é Proibido fotografar

Santa Marinha é uma freguesia da actual Vila Nova de Gaia, (Até mil oitocentos e tal pertenceu ao Porto) enorme em superfície, onde a par das Caves do Vinho do Porto possui monumentos importantes. De destacar o ex-libris Mosteiro da Serra do Pilar, que quer queiram quer não, foi Filipe II, ou já o III, não tenho a certeza, durante a usurpação Filipina de Espanha, que mandou reconstruir o convento vindo desde o séc. XII, de evocação a S. Nicolau. E mudou o seu nome, bem como à Serra que se chamava Monte da Meijoeira e também Serra de Quebrantões. Esse Filipe era apegado à Senhora do Pilar e então, por isso, toma lá de mudar tudo. Presumo que é Monumento Nacional, mas embora se escreva que tem mundos e fundos únicos - como a Igreja circular e o claustro -, está vedado aos olhos de quem o gostaria de conhecer. A Igreja, presumo que abre para a santa missa ao domingo. Mas vale a pena subir o monte só para ver a cidade do Porto, pois não há mais nada para ver.
À beira rio, existe o Convento que sempre chamamos das Freiras, mas que é do Corpus Christi, restaurado e usado como um espaço cultural a par de uma empresa gaiense. Escreveram: O Espaço Corpus Christi é constituído pelo coro alto, coro baixo, ante -coro e capela do séc. XVII. Exemplo ímpar da Arquitectura e da Arte, a capela conventual é invulgar, pela planta octogonal de inspiração italianizante, coberta por uma cúpula de pedra, cuja traça é de autoria de Pantaleão Vieira.
No passado lugar de culto, hoje lugar de cultura. Exposições, concertos, espectáculos de expressão corporal, seminários e congressos fazem parte da sua programação.
Um espaço a re-descobrir (Nova ortografia?).
Quer dizer que não é um templo ? É um espaço constituído por tantas coisas que formaram um templo ? Devo ser eu que estou desactualizado com os novos espaços.
E a rapaziada lá foi redescobrir e a primeira coisa descoberta, foi que era proíbido fotografar.
As fotos a seguir são, pode-se dizer, roubadas, porque feitas às escondidas. E de qualquer forma, só para chatear. Mesmo assim, a cicerone apanhou-me com a boca na botija, duas vezes, mesmo que a rapaziada amiga a tenha tentado distrair. Por isso não há mais história sobre o Convento. 

O tecto do coro alto é lindíssimo.
Na zona onde as freiras ficavam escondidas para assistir aos actos religiosos, a bela imagem de uma máquina fotográfica se destaca. E as cadeiras para re-descobrir o espaço são de muito bom gosto.
 Constou-se que este cristo era do séc. XVI. É uma maravilha de perfeição para a época...

À saída mais um roubo. Daqui não me podem proibir, mas nunca se sabe...
Um pouco para oriente, a Igreja Matriz. Também onde é proíbido fotografar. Não sei se toda a Vila Nova de Gaia é assim proibitiva nos seus monumentos. Paciência. Por isso nem me dá prazer contar a sua história.
Fica uma foto feita em andamento, ao nivel da barriga. Logo uma Santa, que estava de costas a ornamentar um altar, me berrou que era proíbido fotografar. Ainda estou para perceber como ela me viu a máquina na barriga a disparar. Sem flash... Depos levei outro puxões de orelhas, quando lhe perguntei que capela era esta. Indignada, respondeu-me que não era capela mas sim a igreja matriz. Se eu soubesse não lhe perguntava, não era...
Na porta da entrada do espaço religioso, o cartaz bem visível de uma máquina fotográfica. Só que não tem o tracinho vermelho da probição. Este, em princípio é o da permissão. Santa Marinha tem de rever as proibíçoes e os sinais.

Santa Marinha uma coisa não pode proibir. É que se veja a cidade do Porto em toda a sua Glória e Beleza.
Como prevê o meu amigo Jorge Félix: e se um dia tivermos de pagar para fotografar ?

domingo, 22 de agosto de 2010

36 - A Capela do Senhor d'Além

Quem olha a Serra do Pilar, seja do Largo Mosteiro para baixo, ou da Avenida Gustavo Eiffel do lado Porto, vê uma Capela (do Senhor d'Além) com história e estórias de centenas de anos. Que já foi o centro de romarias e tradições seculares. Mas a quem o pessoal não ligava muito. Agora não sei como é. Amanhã os jornais devem referir algo. Porque hoje é o seu dia. Por isso há que dar a palavra à Junta da Freguesia de Santa Marinha para sabermos a sua história. A actual Capela foi construída em 1877 e é a sucessora do Hospício Carmelita do século XVI. Merecem destaque a talha dourada de grande ornamentação no altar e a "Milagrosa Imagem".
Quando o bispo do Porto, D. Pedro Rabaldio, mandou erigir, no ano de 1140, no sítio em que, presentemente, vemos o edifício do mosteiro da serra do Pilar, um convento de monjas, foi achada uma imagem do Senhor Crucificado.
O mesmo Bispo mandou erigir uma ermida no mesmo local onde hoje se encontra esta Capela, para guarda da imagem achada no Convento. Mas os escritos (e datas) são sempre confusos e concluo que a imagem deve ter recolhido à Igreja do Convento, que acabou por ser extinto. O actual Convento mandado construir pelos frades de Grijó, tinha 3 imagens, entre elas o tal Cristo Crucificado, que o Bispo (do Porto ?) da altura, D. Baltazar Limpo ordenou fossem recolhidas à capela do Senhor de Além, já reformada e ornamentada, para tal fim, pelos monges de Grijó, cerimónia que se realizou no dia 24 de Agosto de 1500, depois das mesmas imagens serem conduzidas, processionalmente, em barcos pelo rio Douro.
E a estória continua confusa, pois já não sei quantas imagens existiam. Ora vejamos a continuação: A primitiva imagem do Senhor Crucificado existente na capela foi, certa vez, levada à cidade do Porto, por motivo de fazer-se preces ad preltendam pluviam – rezar a queda de chuvas – sendo conduzida em fervorosa procissão pelas ruas da mesma cidade. E como sucedesse chover, os cónegos da Sé do Porto recolheram a imagem e não mais a deixaram vir para a sua capela, facto que redundou em grande arrelia para os Gaienses.
Por fim, em virtude do prelado mandar erigir um altar para a imagem do Senhor de Além, no claustro da Sé, os devotos de Gaia mandaram fazer outra nova imagem e a colocaram, com todo o luzimento, no mesmo lugar em que era venerada a primitiva. A nova imagem, em outras ocasiões, chegou a ser conduzida, em barcos, até à foz do Douro, por motivo de preces; mas os Gaienses nunca mais permitiram que ela fosse à vizinha cidade. Anos depois, junto à capela do Senhor de Além – 5-3-1739 – cinco frades carmelitas, calçados, fundaram um hospício que funcionou até 1832.
O edifício do hospício, depois de 1834, foi vendido e nele chegou a funcionar uma fábrica de louça. Presentemente todo o edifício está em ruínas. Quer dizer que a Capela actual é posterior a esta venda. Mas sobre isso nada se lê.
Não sei se será este o edifício referido...
... Ou este, pois toda aquela zona está em ruínas. E a Capela também não está nada bem conservada, embora se leia que mantém o culto. Não sei em que dias nem as horas. Nada nos informa. Mas que tem benfeitores fervorosos. Será que tem ? Olhem para as imagens da Capela e há algumas com 2 anos de diferença entre si.
Mais informa a Junta que se realiza a festa em honra do Senhor de Além sempre, no domingo seguinte em que se celebra a festividade à Senhora do Pilar, no penúltimo domingo de Agosto.
Quer dizer que é hoje.
Mas será que a imagem (que pelas minhas contas e dedução tem 970 anos só de achamento) ainda estará na Sé do Porto ? Ou ter-lhe-à acontecido o mesmo que às relíquias de S. Pantaleão que foram deslocadas (obrigadas) da Igreja de Miragaia também para a Sé ? Mas para onde ?Alguém sabe, para além dos eruditos, o que quer que seja ?
O Rio Douro, uma parte da Serra do Pilar e a Capela do Senhor d'Além.
O texto em itálico foi copiado directamente do site da Junta de Freguesia de Santa Marinha, de Vila Nova de Gaia.