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domingo, 28 de dezembro de 2014

202 - As mentiras dos jornais

De dentes afiados, esfregando as mãos e o resto cheio de frio, levantou-se um senhor de madrugada pensando que iria ter um dia feliz e contente. Eu.

Tinha sido anunciado na véspera do Dia de Natal no que já foi um grande jornal da Cidade, o J.N, que o Palácio da Bolsa, pertença da Senhora Dona Associação Comercial do Porto, abriria magnanimamente a sua residência para a população a puder visitar livremente na data do seu aniversário. Hoje, dia 27.12.2014.

Já esquecido do último anúncio flop também através de um Jornal , creio que no Público, da subida à Torre dos Clérigos por elevador construído para esse fim - que afinal não funciona, nem a Torre ainda está livre de obras interiores - acreditou este vosso amigo mais uma vez num jornal . E levou atrás o camarada Jorge Peixoto.

Pensamos que seria hoje o dia de uma visita à borla ao templo sagrado do associativismo do comércio e afins da mui nobre, invicta e sempre leal Cidade do Porto.

Programada a visita para a hora da refeição do meio-dia, pensando na possível menor afluência do Povo, quando para nossa espanto ficamos a saber pelo portas que as visitas teriam de ser marcadas com antecedência. Há muito que estavam esgotadas.

Eram precisamente 12h40m. Encontramos duas pessoas na bilheteira, mais duas ou três que deveriam estar com a mesma cara de burrinhos-crentes como nós que acreditam em tudo que lêem. Digo-escrevo que deveriam estar porque não consegui ver a minha, embora imaginando-a.

Vimos através do vidro, atrás do cordão divisória e do portas, um grupo talvez de 10 visitantes em ordem unida no Pátio das Nações seguindo o ou a cicerone. Como as visitas contínuas, segundo o dito jornal, terminavam às 17 horas, estranhamos tanta-pouca gente por ali. Mas quem sabe, o horário contínuo tenha diferentes interpretações, ou que cada circuito demore (demorasse, demoraria) umas 4 horas. Ou talvez mais tarde chegassem outros inscritos. Sabe-se lá. Isto de gente fina a visitar palácios é outra coisa...

Ficamos a rogar ao Infante que não aponte apenas mas mande deitar ao mar quem escrevinha artigos nos jornais sem os complementar com informações precisas. Posto isto, lá demos às de vila-diogo.

E fomos procurar onde comer.

Se o dia estava mau, piorou. Conta-se breve. Porque estávamos a uns 300 metros a subir, combinamos ir ao Olho, porque ao sábado também há tripas. Olho, fechado. Passamos pela Mercearia das Flores, fechada. Pensamos na Adega do Marco, mas como era mais a subir, optamos para ir ao Quim. Fechado. Pelo caminho olhamos o Serrano, fechado. Finalmente, o Viseu estava aberto.
Boas Tripas, má vitela - diria vaca das antigas - assada. A pomada da casa de S. João da Pesqueira - seria ? - bebeu-se.
Despedidas, infelizmente por más notícias para o Peixoto e lá fui eu fazendo umas fotos para tentar ganhar o dia.

Um pouco de paciência não faz mal a ninguém, mesmo com uma multidão na baixa. Incluindo imensidões de turistas.
Para a posteridade um dos cavalos da Praça de D. João I. Mais o másculo e a gaivota

 A Rua de Santa Catarina e os seus artistas...
 ...e a multidão para a Batalha...
...e para o Marquês.

Caros amigos, costumamos dizer não há duas sem três. Não sei bem o que isso quer dizer, mas fui enganado nestes últimos 15 dias duas vezes por causa dos jornais. Não acreditem em tudo o que neles se escreve. Devem ser estagiários a quem entregam um gravador, depois transcrevem o que ficou registado . A seguir falta o chefe, o editor, um amigo, que lhes ensine como dever, antes de mandarem para a redacção um artigo, terem de o confirmar para bem informar.
Esta era a escola dos velhos tempos. Mas os jornalistas estão em fase de extinção. Hoje, pouco se importam se o público lê jornais seja em papel seja na internete; as pequenas ou as grandes notícias. Desde que tenham um rótulo a negro em destaque, mesmo que o título não corresponda à notícia verdadeira. Se é que ainda há notícias verdadeiras.

Para o caso não interessa nada. Nem a mim que não vou cair na terceira esparrela jornalística. Penso eu de que...


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

168 - Casualidades

A historieta ou estorieta que vai ser escrita por aqui abaixo ao correr da pena é ligada por puras casualidades. Nem duvidem. Tenho testemunhas.
O Peixoto que está a maior parte do tempo no ar condicionado do Parque de Campismo de Medas, (ontem deve ter levado com um susto dos antigos), telefonou-me a informar que viria ao Porto. Encontro definido para o Bolhão cerca das 13 horas. Isso foi a 29 do mês passado se a memória não falha.
Telefonemas para os amigos, uns de férias, outros nem sim nem não, mas claro dei a primazia ao querido Presidente do Bando do Café Progresso, Jotex como lhe chama o Zé Catió, que depois de ter demorado uma infinidade de tempo a consultar a sua agenda chegou à conclusão não lhe ser possível alterar compromissos já assumidos anteriormente.
O encontro demorou um pouco mais a acontecer devido a um acidente na Marginal e já o Zé Catió me tinha feito umas tantas chamadas de confirmação e porque também andava perdido ou cousa que o valha, mais o seu compadre Romualdo Silva.
Onde vamos matar a desalmada foi resolvido de imediato. Pessoalmente já andava com saudades de umas tripas e a lógica ia dar ao Olho. Já os meus queridos amigos e leitores conhecem a História desta casa centenária, mas sempre se descobre uma relíquia, neste caso, de um grupo de amigos que já não devem estar deste lado do mundo e gravaram para a posteridade a sua passagem por aqui.
Por falar nisso as Tripas estavam como habitualmente, o melão também, o bagaço é que o Sousa torceu o nariz e lá veio uma Ponte de Amarante, que caté o Peixoto achou uma delícia de doce. Quando um gajo já tem o casco muito lavado por anos de utilização diz cada coisa caté assombra.
Tudo casualidades e adiante.

 Aos poucos, a zona envolvente ao Olho vai sendo recuperada e alindada.

Problemas seguintes eram os programas para desenfartar. O compadre do Zé anulou uma visita à Justiça para os lados de Gonçalo Cristóvão. Um problema a menos. O Zé queria ir à Rua Escura bater umas chapas para incluir no seu Livro de Memórias. O Peixoto, nim, e eu queria ir à Alfandega ver como era O Porto dos Comes e da Cerveja artesanal para provar, recomendada por um amigo Faceboqueiro. Que em breve espero conhecer pessoalmente. Ganhei desempatando no último minuto com o argumento, Subir à Sé com este calor e a falta de água que há por causa dos incêndios nem pensar. É desenfardanço a mais. Na Alfândega não falta água, até porque o Rio Douro lhe banha os alicerces.  
Começamos a descer Mouzinho da Silveira e em S. Domingos o Peixoto encontrou o que procurava há anos: Um fogareiro em ferro fundido, como os de antigamente. Reserva efectuada e prossigamos.

Toda a zona de Mouzinho, S. Domingos, Ferreira Borges está um rebuliço. Os arranjos das Ruas fizeram surgir coisas que os arqueólogos tratam com carinho. Lá estivemos um pouco a ver a calma daquela gente a limpar as pedrinhas. Já o Prof. Joel Clero fez uma reportagem filmada embora pequena dos arcos e gravações agora descobertos e descobertas junto ao Rio da Vila, que passa bem próximo.

Lembrei-me então de uma troca de emails que tive há relativamente pouco tempo com uma senhora brasileira a viver nos USA, descendente de alguém que foi importante no séc. XVI ou XVII e que viveu na antiga Rua da Ferraria de Baixo ou Ferraria Nova conforme também era conhecida.
Sinceramente, esqueci o nome da Família e perdi o contacto com a Senhora. Na altura enviou-me uma foto de um edifício amarelo onde terá nascido ou vivido o seu familiar.  Hoje lamento o facto, mas nada posso fazer, a não ser que ela me volte a encontrar aqui.
Uma imagem da Rua, descendo-a, de quem vem da Ferreira Borges 
O nome actual da Rua vem-lhe do Jornal O Comércio do Porto que aqui teve as suas instalações por volta de 1857. O Jornal saiu com o nome de O Commércio em 2 de Junho de 1854, era trissemanário e até à sua extinção em 30 de Julho de 2005 sempre foi assim conhecido. 151 anos de publicação, era o segundo Jornal mais antigo do País, depois do Açoreano http://www.acorianooriental.pt/  a quem desejo longa vida.
Era o Jornal que meu pai comprava às segundas-feiras por causa do Desporto. Lembro-me das grandes reportagens do domingo anterior, com três fotos magníficas na última página. Duas na horizontal e a do meio na vertical. Comprava-o também à quinta-feira. E como eu gostava dos quadradinhos com as aventuras do Ferdenand'.

É uma rua com belos prédios e em bom estado de conservação, salvo uma ou outra excepção. Entretanto descobri que Bento Carqueja, sobrinho do fundador do Jornal também aqui morou, saído da sua terra natal, Oliveira de Azeméis, com 10 anos para viver com os tios Francisco e Paulina. Foi ele o grande impulsionador do Jornal, mas creio que as suas instalações seriam só as redactoriais, pois ele imprimia-se numa Tipografia em Belmonte. Mas isso a História do Jornal, na net, não nos confirma. O seu arquivo está à guarda da Câmara de Gaia e o título pertence à mesma empresa do Faro de Vigo.
Bento Carqueja é uma referencias da Cidade do Porto. Além das obras sociais que nos legou - ou o seu Jornal - e não só no Porto como em Gaia e especialmente em Oliveira de Azeméis. Nasceu em 6 de Novembro de 1860 e faleceu na Rua do Molhe, à Foz do Douro em 2 de Agosto de 1935.
Foto de Bento Carqueja roubada do blogue http://anaisagaleria.blogspot.pt

Mais um bonito edifício com a fachada em azulejo relevado

E descobri mais. O grande Agostinho da Silva foi Portuense de nascimento e morou nesta rua. Nascido no Porto em 1906, foi nesse mesmo ano para Barca D'Alva e regressou ao Porto 6 anos depois, onde iniciou a primária na Escola de S. Nicolau. Passou pela Escola Industrial Mouzinho da Silveira e depois pelo Liceu Rodrigues de Freitas. Fez Filologia Clássica na Universidade do Porto e é doutorado em 1929. Pouco depois partiu para o Mundo e creio que nunca mais viveu no Porto.

As imagens dos edifícios estão colocadas de modo aliatório conforme desciamos a Rua. Não sei onde viveram as personagens referidas nem as instalações do Jornal, porque não há placas identificativas. E podem crer que passei muito tempo a olhar para o ar. A Câmara Municipal do Porto não tem tempo para minudências.
Só por curiosidade refiro que a Ferraria de Baixo é topónimo antiquíssimo e ferreiros que aqui trabalhavam estiveram na construção da armada que foi conquistar Ceuta em 22 de Agosto de 1415. Embora não tenha ligação directa com este escrito, cá vai a lembrança: é a partir desta data que somos conhecidos por Tripeiros. Só faltam 2 anos para se comemorarem os 600 anos dessa efeméride. Espero nessa altura, se cá estiver, assistir a Grandes Comemorações Tripeiras e não só.
Mas a rua só começa a ser edificada no séc. XVI.

Hospital da Ordem de S. Francisco é dos anos 30-40 do século XVIII,
e foi sofrendo aumentos sucessivos.

A Janela que é uma referência artística 

Passando por S. João Novo só para lembrar que a norte do largo está um Palácio a desfazer-se. Alberga, segundo a Câmara Municipal, o Museu de Etnografia de Entre-Douro e Minho. O que eu não acredito, pois lá nada se passa. Onde pára o seu espólio que entendidos dizem ser o mais valioso do género em Portugal ?

Pormenor da Rua, vista de baixo para cima. O Hospital à direita

Continuando a descer, depois de passarmos a Rua da Bolsa e quási em frente, podemos apreciar a magia do Sr. Manuel Andrade. 
Interessados em artesanato em madeira é só contactar pelo telefone 918606369 
Algumas peças em exposição


Mais alguns pormenores da Rua

Cá está O Bom Talher há 30 anos a servir comidinhas. Não tem nada que enganar. Está localizado próximo do princípio da Rua que nasce na Rua da Alfândega. Do lado direito de quem desce. Preços bem razoáveis para cozinha muito portuguesa. A especialidade é o Polvo mas na montra apresentava alguns espécimenes de Gadus morhua originais, de lombo do alto. Vi a etiqueta que não engana. Este veio dos Mares do Norte. E o nosso Fiel Amigo é servido com honras de Liberdade.
Para quem reclamar, é-lhe apresentada a original bengala de Baião, terra da D. Natércia  
Gente ilustre tem passado por esta respeitável casa. O saudoso Prof. Hermano Saraiva foi seu cliente assíduo. O salão não é grande, mas muito acolhedor e aceita reservas pelos telefones 222056232 e 964049935.

Chegados à Rua de S. Francisco, na parte baixa, impossível não olhar para o edifício de mais de 40 metros e que foi a antiga Fábrica dos Chumbinhos. 

Mas nesta Rua de S. Francisco também há com que satisfazer as necessidades dos Pescadores. Pensei que a rapaziada se tinha perdido, mas descobri que estavam todos lá dentro a fazer compras.

É quási o fim, ou correctamente dizendo, o princípio da Rua do Comércio do Porto. Mais uma foto,  e então reparei na única placa da rua, salvo melhor visão, que poderia identificar um edifício.

Afinal é uma placa vaidosa publicitando um prémio de arquitectura. Dentro é soturno, uma mesa e uma senhora, dois cavalheiros a quem me dirigi para saber o que albergava o edifício. Pois alberga mais uma instituição camarária, cujo nome esqueci. Mas conversa vai, conversa vem, fiquei conhecedor de uma história.
Há algum tempo esteve aqui (no edifício) uma senhora que disse ter ele pertencido a um seu familiar antigo. E até chorou. Eles não sabiam absolutamente nada sobre antigos ou recentes proprietários, nem se lembravam já do episódio que só por acaso lhes ressuscitei. E a Senhora também não lhes ficou na memória. 

Não podemos passar sem recordar a antiguidade do Forno Velho. Beco, Calçada ou Escadas, não interessa, porque teve ou tem todos estes topónimos. Na placa identificativa é Calçada. Por aqui existiu um forno que terá sido dos tempos Judaicos ou Arménios mas só referenciado em 1584 em prazos da Misericórdia. 
Os Judeus foram expulsos de Portugal nos finais do séc. XV e não custa a crer que o forno já existisse, pois bem próximo há a Rua de ou da Atafona que quer dizer do árabe Tamane, moer, ou do hebraico Tahane, mó, lembrando moinho de cereais. 
Em 1590 parece que o Forno Velho pertencia a Isabel da Costa, Dona Viúva e era na Boavista, como se conhecida então o Monte de Belmonte, hoje mais ou menos S. João Novo. Este caminho seria a serventia para chegar ao Forno. Coisas lidas aqui e ali.
Esse Forno cozeu pão para a guarnição militar que servia na Porta Nova, que foi aqui ao lado, em Miragaia.
Caminhos já percorridos neste espaço, mas que gosto de recordar.
 
O início da Rua do Comércio do Porto é aqui. Prontos. A Junta de Freguesia de S. Nicolau, daqui a menos de um mês vai-se unificar com algumas outras da Cidade. É o que provoca a desertificação humana, políticas de pé-de-escada sem senso nem consenso e o deixa andar. Toda a gente vai ganhar, menos a população. Mas isso não vem ao caso por agora. O edifício não sei para que vai servir. Depois vê-se.

Hora de tomar rumo à Alfândega. Toda a Rua Nova da Alfândega e o que lhe está próximo é um atulho arqueológico que por medo ninguém lhe quer mexer. Para o caso não interessa nada porque me encantam as gentis condutoras dos nossos eléctricos. Todas elas já me devem conhecer, de vista claro, mas sempre param o seu transporte para mais uma foto.

Chegados finalmente  à Alfandega. Surpresa a recepção por gente "Pombalina". Juro que é um instantâneo. Quando pedi a pose, não ficou tão natural. Era a publicidade à Vindouro, Festa Pombalina que passou no último fim de semana em S. João da Pesqueira. Lá no coração do Douro, pois claro.

Comes e bebes logo à entrada, mas só para comprar.

Mas os olhos começaram a mandar sinais quando viram estes belos queijinhos.

Um prazer ver as obras do meu amigo AlBerto que se dedica ao artesanato. Uma beleza. Aqui fica o seu contacto: Tel: 917023268;  http://www.asdrovia.pt.vu/ e as imagens de outros artesanatos.

Outras publicidades. Mas para quem não saiba, aqui fica a sugestão: No Edifício da Alfândega está uma bela Colecção de automóveis antigos digna de uma visita. Para além do original da Ribeira Negra de Júlio Resende e do Museu das Comunicações. A não perder.

Um olhar sobre um pouquinho da histórica Miragaia

Voltando aos comes e bebes do Agosto no Porto esta é a Sala à Sombra. 

A Sala ao Sol deve ser boa a partir do Pôr do Sol.
Ou para quem goste de banhos do dito.

Um amigo tinha-me falado numa Cerveja artesanal fabricada no Porto e foi com a promessa da prova que convidei os amigos para os copos na Alfandega. Segundo me informaram, a tasquinha que vendia a cerveja só esteve alguns dias. Portanto, para a provar, fico à espera de um convite.

Mas claro que os queijinhos nos deram fome. Junto a um salpicão saborosíssimo acompanhado por pão do mesmo calibre, lá fomos acertando os roncos estomacais. Cerveja só a desenxabida Sagres. Meio litro 3 €. Um roubo. Ainda se fosse Super-Bock, a gente perdoava pelo bem que nos saberia. 

Antes que esqueça, o queijo, o salpicão e o pão vendiam-se numa loja de sabores transmontanos. Vinho só se vendia em garrafas de 75 cl. Seria mais a contento do Peixoto, mas sobrava muito e ele não queria levar a sobra para o campismo. E como ele é um nim, passou sede que se fartou. 

Para a posteridade a foto da praxe. 
Desculpem outros amigos por não ter havido convites mais extensivos. Mas na realidade foi tudo uma rápida e grande casualidade. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

158 - O Infante

Como muitas vezes acontece, circulamos pela cidade e nem nos apercebemos do que nos rodeia.
Quero apresentar-vos, caros leitores e amigos, a Praça e a Rua do Infante D. Henrique, ou simplesmente o Infante, local de uma grandeza ímpar, tanto arquitectónica como histórica do Porto.
Homenageia a figura talvez a mais emblemática da Cidade, que segundo a lenda nasceu aqui, na Casa do Infante, antiga Alfândega Régia, onde hoje está guardado o Arquivo Histórico Municipal e é também um Museu de Arqueologia, do Comércio e não só.
Que só por si tem assunto para outras Vidas em Fotos.
Uma panorâmica do Google e vamos começar pela Praça
Mas antes uma reprodução de uma planta do mesmo local de 1839
Elaborada por Joaquim da Costa Lima Júnior (1806-1864)
O nº 24 era o Convento de S. Francisco e a Rua dos Ingleses é actual Rua do Infante D. Henrique.

O terreno que constitui a Praça é de grande declive e foi construído em parte das cercas dos antigos Conventos de S. Domingos, a Norte e S. Francisco a Oeste. Mas não foi pacífica a vida entre os Frades das duas Ordens, o Clero e os Reis. Adiante e vamos ver o que a rodeia.

Do Convento da Ordem de S. Domingos apenas existe pouco mais do que a fachada, voltada para o Largo que tomou o mesmo nome da Ordem.
O estabelecimento dos Frades Dominicanos no Porto, seguidores de S. Domingos de Gusmão (Burgos, 1170 - Bolonha, 1221) e que estavam em Portugal desde 1217, deve-se a uma luta entre o Bispo e os Frades Franciscanos.
Para tentar sanar os problemas entre as duas ordens, o Rei S. Sancho II (1209-1248) declarou-se fundador e padroeiro do Convento em 1239.
É, ou foi, melhor dizendo, o Mosteiro mais antigo do Porto e o terceiro de Portugal, fundado em 1238 (que podia ter sido em 1239 ou 1240, depende dos historiadores ou da forma como nos é apresentado) mas em 1245 já estava concluído embora seguissem obras. Recebeu o nome de Convento de Nossa Senhora dos Fieis de Deus do Porto. Mas tudo se deve, inicialmente ao Bispo do Porto D. Pedro Salvadores, que lhes deu igreja, casas e terras. Foi um local privilegiado por causa das Ruas novas que à sua volta se foram construindo mas especialmente pelas que já existiam desde o séc. XV, como a Rua das Flores, nome actual e que começou por se chamar Santa Catarina das Flores. Teve o largo uma intensa actividade económica e nos claustros do Convento chegaram a reunir a Câmara Municipal bem como o Tribunal. Centro, portanto, de grandes decisões para a Cidade.
A Igreja de 3 naves foi destruída por um incêndio em 1777. Em 1832 um novo incêndio danificou o conjunto conventual, já incorporado na Fazenda Nacional derivado à lei da expulsão das Ordens Religiosas.
Há muita mais história sobre a Congregação, mas o que nos interessa é o que resta do Convento. Foi filial do que viria a chamar-se anos mais tarde Banco de Portugal, sede da Companhia de Seguros Douro, hoje agregada a outras e agora, depois de recuperado de uma enorme ruína, é uma espécie de local onde expositores de variadíssimas formas de arte aos sábados comparecem a encher as salas. No interior, para além das recuperações, podemos ver uma enorme porta blindada de um cofre. Outras histórias. Chama-se Casa das Artes.

Uma das Ruas novas é a de Ferreira Borges (1786/1838) uma homenagem ao liberal convicto que exerceu variadíssimas actividades políticas e jurídicas, mas é provavelmente o Código Comercial Português, aprovado por Decreto de 18 de Setembro de 1833, a sua obra maior. Parcialmente ainda em vigor, foi a causa de uma zanga, no meu tempo de estudante, com o famoso Professor Restivo.
Concretamente não sei em que ano a rua foi aberta, mas já existia em projectos de 1835. Vem do Largo de S. Domingos até à Praça do Infante. Ou vice-versa.
O Hotel da Bolsa é uma magnífico edifício, no cimo da Rua, inicialmente pertença da Companhia de Seguros Garantia. Inaugurado em 1907, tem influencias beaux-arts e um bar simpático com preços bem acessíveis. Pelo menos eram, há uns anos.
Mas é talvez o edifício onde está instalado o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto que mais nos chama atenção. Foi construído em estilo neoclássico em 1843 para a instalação do Banco Comercial do Porto e adquirido em 1933 pelo então chamado Instituto do Vinho do Porto. É um espaço de promoção dos vinhos, com loja de vendas, sala de provas e um circuito de visita destinado a dar a conhecer o processo de certificação dos Vinhos do Porto e Douro.

No topo da Praça está o Mercado Ferreira Borges, construído entre 1885-88 é uma jóia da arquitectura do ferro. Destinado a substituir o Mercado da Ribeira, nunca o foi por recusa dos comerciantes em abandonar o local.
Entre 1939 e 1978 foi mercado abastecedor de frutas e entrou em ruína. Teve várias propostas para a sua destruição. Recuperado há pouco mais de 2 ou 3 anos, é um centro de lazer.

Continuando pelo lado esquerdo de costas para o Rio, encontramos o chamado Palácio da Bolsa, pertença da Associação Comercial do Porto.A sua construção foi iniciada em 1842 em estilo neoclássico. Ao longo de três gerações, muitos mestres mestres e artífices trabalharam para a edificação desta jóia arquitectónica do séc.XIX, classificada como Monumento Nacional.

O Palácio da Bolsa, visto do miradouro dos Grilos.
E também parte da Igreja de S. Francisco, à esquerda.
Grandes nomes da arquitectura, da escultura, da pintura, do mobiliário, das artes decorativas contribuíram para este espólio e património únicos. É um dos ex-libris da Cidade.

Autentica sala de visitas, aqui se realizam a maioria das recepções oficiais do Estado no Norte de Portugal. A sua memória remonta ao Cerco do Porto e especialmente à noite de 24 de Julho de 1832 (ou será de 1834 mas também pode ter sido em 1833, datas que podem ser lidas no folheto editado pela Câmara do Porto e referente ao Património de S. Nicolau...) quando um enorme incêndio destrói o Convento de S. Francisco, tragédia a que apenas sobrevive a Igreja. É nas ruínas que se vai erguer este edifício, beneficiando também da expulsão da Ordem pelo tal decreto antes referido.  

O famoso Salão Árabe e o imponente Pátio das Nações.
Custo das visitas: 7€
Estudante e Seniores: 4€
Crianças até aos 12 anos, grátis. 

Pegado, fica a Igreja do Convento de S. Francisco, cujo edifício primitivo começou a ser construído em  1233 sofrendo muitas alterações ao longo dos séculos. O conjunto conventual seria terminado em 1410. A pedido de alguns devotos, chegaram ao Porto São Zacarias e outros Frades Menores da Ordem de São Francisco em 1233 no meio de uma guerra entre o Rei e o Bispo pela posse da Cidade. Que só terminaria lá para o séc. XIV. Os Franciscanos chegaram a levar no "pêlo" por ordem do Bispo D. Martinho Rodrigues. O seu sucessor D. Pedro Salvadores, o tal que chamou os Dominicanos, seguiu-lhe o caminho. Mas continuaram a vida com o apoio dos vários Reis. E do Papa.
É o único templo gótico da Cidade, embora incorpore outros estilos que lhe foram sendo adicionados.
Daqui saiu a notícia do casamento do Rei D. João I com D. Filipa de Lencastre em 1385.
Aquando das invasões francesas, em 1809, o mosteiro foi vandalizado e roubados uma parte dos seus bens. A igreja serviu de cavalariça e nas colunas foram deixadas as marcas e argolas das amarras dos cavalos. Para memória futura.
Não me admira que no Louvre e em outros museus franceses ou até mesmo em casas particulares estejam expostas obras roubadas em Portugal.
Uma foto da Igreja, chamada Museu, do arquivo da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco. Monumento Nacional desde 1910, é de uma riqueza ímpar sobressaindo o revestimento a talha  trabalhada desde o séc. XVII até meados do séc. XVIII.
Junto à Igreja do Convento, existe a Igreja da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, construída entre 1794 e 1805, que substituiu um Templo de 1676, dos Terceiros Franciscanos instituídos em 1633.  
Faz parte do Museu, a Casa do Despacho da Ordem de S. Francisco. Da autoria de Nicolau Nazoni, começou a ser construída em 1726. O seu interior é composto por Sala de Sessões, Sala do Tesouro, Sala Exposição e Cemitério Catacumbal.
Não sei o preço actual do custo das visitas: Há cerca de 6 anos eram de 3€. Para visita geral ao Museu.

Vamos atravessar a Rua do Infante D. Henrique, que aqui termina, mais ou menos centímetros e ver o que ela nos proporciona.

A história desta Rua começa nos finais do séc. XIV, mandada abrir por ordem de D. João I. o Pai do Infante D. Henrique, (11.Abril.1357 - 14.Agosto.1433). Demorou cerca de 100 anos a sua abertura.
De uma largueza invulgar mesmo no contexto europeu, foi Centro Cívico durante séculos, palco de vaidades e até terreiro de touradas, actividade que veio a ser repudiada pelo costume portuense.
Outra curiosidade verdadeiramente invulgar para a época era que todas as casas deveriam obedecer a uma ordem de arquitectura previamente definida. Claro que ao longo dos séculos muitas alterações aconteceram.

Começou a ser chamada de Rua Nova, roubando a toponímia à actual Rua Escura; em 1406 é Fermosa (ou Formosa) nome dado pelo Rei D. João I; Nova de S. Nicolau em 1418; Nova dos Inglezes em 1794, ou simplesmente dos Inglezes em 1891. Não sei desde quando tomou o nome actual mas deve ter sido ou em finais do séc. XIX ou em princípios do séc. XX.

Imagens obtidas em alguns sites e também no Porto Turismo - Património da Humanidade. 
Presumo que a foto superior direita estará invertida.
Esta Rua terá sido construída como uma provocação do Rei D. João I aos senhores feudais do Clero, cujas divergências entre Reis e Bispos já vinham desde o séc. XIII. Terão acabado com uma negociação, pela "posse da Cidade" a troco de dinheiro, em 1405 (em Montemor-Novo, próximo de Évora) entre o Rei e o Bispo do Porto de então, D. Gil Alma.
Junto à Rua estavam e estão com outras serventias, a Alfandega (Velha) Régia, a Casa da Moeda, e a primitiva Bolsa. O Rei teve um empenho pessoal nesta rua dotando o burgo, que florescia, com um eixo regulador. Muitos estrangeiros aqui pernoitavam e a burguesia mercantil ganhava crescente prestígio.
Mas quem a pagou foram as gentes do Porto e do seu termo (circunscrição alargada) que talvez nunca soube sequer onde ficava a rua.
Foi criado um imposto, chamado ou apelidado de Fintas, criado pelo Rei ou/e pela vereação Camarária. Li uma frase que se lhe deveria aplicar perfeitamente: Impostos ad-hoc. Conclusão, o património do Rei aumentou sem lhe custar nada e ajudou a retirar das mãos do Bispo o senhorio da Cidade. Que para os grandes mercadores foi um benefício, pois as "burocracias" terminaram e os custos baixaram.  


Mesmo em frente à Praça do Infante, quási no princípio da Rua, situa-se a Igreja de S. Nicolau. No séc. XIII a freguesia da Sé, a única do burgo, foi dividida em quatro e de entre elas criou-se a de S. Nicolau.
Os serviços religiosos eram feitos numa ermida que foi demolida em 1671 para dar lugar a uma nova Igreja, que sofreu um incêndio em 1758. A sua reconstrução foi concluída em 1762 num estilo misto neoclássico-barroco. Em 1832 foi acrescentado um adro gradeado para protecção das sepulturas. A frontaria foi guarnecida de azulejos em 1861
Um pormenor do casario do lado direito da Rua, em frente à Praça.
Sabemos que o célebre Tratado de Aliança Luso-Britânico (mais conhecido como Aliança Inglesa) em vigor desde 1373 e confirmado em Windsor em 1386, embora a "coisa" já viesse desde 1294, foi reforçado com o casamento do Rei D. João I e a D. Filipa de Vilhena em 1387. Muita história pelo meio, guerras, sucessões, dinheiros, enfim, coisas que não interessam por agora.
Para o caso interessa que os Ingleses paulatinamente foram "tomando" conta do Porto. Os vinhos, o comércio, a arquitectura, os clubes. Muitas coisas que hoje ainda perduram.
Uma curiosidade que quero partilhar. Por causa deste Rua, comprei o livro Uma Família Inglesa, da autoria de Júlio Dinis (Joaquim Guilherme Gomes Coelho, Porto, 14 de Novembro de 1839 / 12 de Setembro de 1871, médico e escritor). Já o tinha lido há muitos anos e fiquei com a recordação de histórias passadas nesta Rua àquele tempo. Um pormenor da introdução: Entre os subditos da rainha Victoria, residentes no Porto, ao principiar a segunda metade do seculo dezenove, nenhum havia mais bemquisto e mais obsequiado, e poucos se apontavam como mais fleugmaticos e genuinamente inglezes, do que Mr. Richard Whitestone. O quotidiano apparecimento do negociante estrangeiro na Praça—nome que entre nós se dá ainda á rua dos Inglezes, principal centro de transacções do alto commercio portuense—festejavam-o benevolentes sorrisos, rasgadas e pressurosas reverencias, phrases de insinuante amabilidade e affectuosos shake-hands, segundo o mais ou menos adiantado grau de familiaridade, que cada qual mantinha com elle.
Os amigos interessados em ler o original na net podem fazê-lo:


Vamos atravessar a Rua da Alfandega e deixar a Casa do Infante para outra altura, e deter- mo-nos sobre a Casa da Moeda e a antiga Bolsa de Valores. É o edifício central na foto.
O primeiro documento de que há conhecimento sobre a cada da Moeda é uma carta régia de D. Fernando datada de 1370, em que concede privilégios aos Oficiais. Em 1391 é confirmada por D. João I. Estava directamente ligada à Alfândega para que os metais preciosos não levassem desvios. 
Os funcionários eram considerados pessoas de grande valor, zelosos e tinham um estatuto próprio. O popularmente chamado de Pedro Vaz de Caminha, que afinal era Pero, ou em Galaico- Português Pero Uaaz de Camjnha, (Porto, 1450 - Calecute, Índia, 15(ou 16 ou 17) de Dezembro 1500), sucedeu ao pai em 1476 de quem herdou o cargo de mestre da balança. Uma espécie de escrivão e tesoureiro.
Este escritor notabilizou-se nas funções de escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral e foi ele que redigiu a Carta do Achamento do Brasil ao Rei D. Manuel I. Segundo as crónicas, morreu em combate em Calecute. 

Podemos visitar o local das antigas instalações da Casa da Moeda onde se processava a cunhagem e existiam os vários departamentos, com a entrada pela Casa do Infante. Claro que não se pode perder a parte museológica e não só desse período.
Uma informação adicional: Inicialmente, o edifício era apenas da Bolsa de Valores onde ainda se podem ver as armas medievais da Casa de Aviz. Foi reconstruído no reinado de D. Afonso V (1432-1481), passando também a servir de entrada para a Casa da Moeda, da qual se conserva a porta seiscentista. Ora bem, coisa de leigo, se a casa foi reconstruída no séc. XV e conserva a porta, escrever seiscentista é correto ?
Com o andar dos anos a capital do reino, Lisboa, tomava mais força. Afinal a culpa primeira terá sido de D. Afonso Henriques, que em vez de ir tomá-la aos mouros e incorporá-la no reino, melhor seria ter-se interessado pelo Norte, aqui tão perto. D. João I também fez o mesmo erro, (desinteressar-se do Norte da Península Ibérica), mas enfim seguiu a linha da dinastia anterior.
Pagamos, o Porto e o Norte, ainda hoje as favas dessas conquistas mouriscas primitivas. A Casa da Moeda passou para Lisboa em 1721, no reinado de D. João V (1689-1754), Cavaleiro da Ordem de Cristo, o Magnânimo ou Rei-Sol português, ou ainda o Freirático (o safadinho gostava de freiras de quem teve filhos, os célebres Meninos da Palhavã) que à custa das riquezas das colónias principalmente do Brasil - lembram-se, amigos, dos célebres Quintos ? -  e da escravidão do povo, esbanjava tudo o que tinha em luxos.
É certo que tentou matar a sede a Lisboa, iniciando a construção dos Aquedutos das Águas Livres e deu em doido com o Convento de Mafra.
Por causa dele as revoltas no Brasil foram-se sucedendo iniciadas pela famosa Inconfidência Mineira. Dizem historiadores que foi o pior Rei de Portugal. Dele escreveu Saramago: Megalómano, infantil, devasso, libertino e ignorante. Escreve Veríssimo Serrão que era senhor de uma vasta cultura bebida com os Padres da Companhia de Jesus. Sabia línguas, conhecia os autores clássicos, tinha boa cultura científica e amava música. Coisa de Historiadores. Para mim, leigo ignorante me confesso, apenas um exemplo das nossas desgraças e maldições. Mas também teve coisas boas. Tudo para Lisboa, pois claro. Vão ler a Biografia do Homem em http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_V_de_Portugal
Seguindo.

Em outras alturas já me referi ao imóvel de interesse público, edifício do séc. XVIII, que foi do Restaurante Commercial, inaugurado em 1894 - informação camarária - (no Igespar lê-se que foi em 1833) pelo espanhol Manuel Recarey Antello, famoso pela sua cozinha e pelo Bife à Inglesa. Nome dado por causa da numerosa colónia britânica e à rua do mesmo nome, que na altura ainda era a dos Ingleses. Foi transformado em Casa de Chá e Pastelaria em finais da década de 60 do século passado, comprado posteriormente para agência bancária. Hoje está a arruinar-se fechado. Parece que é (ou era) uma jóia art-nouveau, sofreu modificações em 1982. Mas isso não interessa nada, porque datas e nomes e alterações e arquitectos surgem em tantas páginas e tão desencontradas que o melhor é ficar apenas com a ideia de uma restaurante e de um edifício que foi marcante na época. Na minha memória de infância ainda retenho algo dele, mas não sei o quê. Uma certeza, a de me ter sido apontado pelo meu pai.  
Quási em frente da Casa da Moeda-Bolsa de Valores e do ex- Restaurante Comercial, situa-se a Feitoria Inglesa. Não sei a quem pertence actualmente o edifício construído entre 1785 e 1790, sob risco do cônsul inglês John Withehead (Lencashire-Inglaterra, 1726 - Porto, 16.Dezembro.1802), senhor de muitos ofícios e de vários projectos, ou acompanhamento deles. 
Construiu o Cemitério Protestante, mais conhecido pelo Cemitério dos Ingleses próximo da Maternidade Júlio Dinis, onde está sepultado.
É a única das muitas Factory House que se espalharam pelo mundo que sobrevive. É formosa a sua escadaria interior e a clarabóia bem como os estuques e são fabulosas a Sala de Baile e a Cozinha monumental conservando todo o equipamento original e baixelas. Destaque para a vasta biblioteca e um espólio notável de mobiliário, faianças e porcelanas. Segundo li.
Presumo que só abre para festas e recepções particulares.

Chegamos ao fim da Rua, que agora não está emparedada como antigamente. Abre-se para o Túnel da Ribeira. Antes, à esquerda, com uma parte visível na foto antiga -e em outras fotos acima postadas-, um edifício do séc. XVI que ainda ostenta o brasão de armas dos Ferrazes e Madureiras.
Túnel da Ribeira que começou a ser escavado em 1947 (foto superior esquerda, vista da Ponte Luís I,) e inaugurado em 1950. Na minha memória e ainda há dias conversando com amigos sobre ele, estava convicto que a sua inauguração foi a 28 de Maio de 1952, o mesmo dia da inauguração do Estádio das Antas. Sei que nesse dia de manhã aqui passou o General Craveiro Lopes em cortejo e eu estava lá a ver  com a minha avó. Que depois me levou a comer um arroz de morcela a uma tasca de Gaia que nunca mais esqueci. Confusão de datas, talvez. Da inauguração do Estádio não, pois os meus pais foram ver a festa a partir do Monte Aventino. Por isso o passeio com a minha avó.
Sobre este Túnel não há uma história pequena que seja, publicada na net, -pelo menos não consegui encontrar- a não ser o pequeno apontamento acima e que a Câmara Municipal aceitou usar a toponímia de Túnel da Ribeira apenas em Outubro de 2011.
Os meus queridos amigos e amigas e visitantes do blogue já se devem ter apercebido que nós, Portuenses, chamamos às artérias e/ou locais da Cidade nomes simples de identificação, muitos deles vindos de séculos atrás. Não tem nada que enganar.
Propositadamente deixei para o fim desta enorme blogagem o regresso ao Infante, ao seu centro, a Praça e à Estátua. De cuja história não fazia a mais pequena ideia até há uns dias atrás. Porque é bastante interessante, deixo um resumo. 
Tudo começou com a ideia do cidadão alemão Eduard von Hafe radicado no Porto ( Presumo que terá sido Jacob Edward de Hafe, nascido em Hamburgo em 18.05.1829, falecido no Porto em 16.07.1908,   continuador do antigo Colégio Alemão na Rua da Torrinha e fundador da Casa Von Hafe que teve as instalações na Rua 31 de Janeiro ou Santo António, como se queira) em lembrar o quinto centenário do nascimento do Infante D. Henrique com uma homenagem. E não o da morte, como também li, pois o Infante nasceu aqui, no Porto, em 4 de Março de 1394. E morreu em 1460 em Sagres. 
E precisamente em 4 de Março de 1894 foi colocada a pedra fundamental, trazida das escarpas de Sagres e que desde a barra do Douro até ao Cais da Praça da Ribeira foi transportada por uma réplica simbólica de uma caravela construída nos estaleiros de Gaia. Ao acto estiveram presentes o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia e a cidade viveu festejos e competições desportivas nos dias 3 e 4. 
Igualmente os esposos reais estiveram presentes na inauguração do monumento em 20 de Outubro de 1900, aproveitando a estadia para lançar a primeira pedra da futura Estação de S. Bento. Não pude confirmar. A página da Fundação Marques da Silva-Estação de S. Bento nada refere sobre este pormenor, mas também não é importante. 
Ora bem, voltemos atrás um pouco e sobre a ideia da homenagear o Infante. As comissões para estudar e desenvolver o projecto, escolhê-lo, enfim essas coisas burocráticas, foram seis desde o início, que presumo terá sido em 1892. Lisboa revoltou-se pois queria a homenagem lá, junto aos Jerónimos. O historiador portuense Joaquim Vasconcelos (1849-1936) em carta ao Diário de Notícias datada de 9 de Maio de 1892, explicou tim-por-tim porque Lisboa não tinha direito a tal coisa. Sempre Lisboa a meter-se na vida dos humanos nortenhos.  Na pior das hipóteses, explicou o historiador, seria Sagres a ter esse direito. Sabemos que muitos anos depois Lisboa ficou com aquele Monumento aos Descobrimentos e Sagres com uma singela homenagem ao Infante, tendo os escultores portuenses sido preteridos. Coisas da Vida.
Entretanto e retomando o tema da estátua, cujo concurso público foi editado em 24 de Agosto de 1893, não sei bem porque foi escolhido o projecto de Tomás Costa. Parece que era o pior de todos, segundo me apercebi durante as minhas investigações. E excluídos os projectos de Miguel Ventura Terra, José Marques da Silva, António Teixeira Lopes (que apresentou 3) José Joaquim Teixeira Lopes, Adães Bermudas e um anónimo Utile Dulce. 
O projecto inicial propunha que a estátua ficasse voltada para a Bolsa. O que provocou alterações, pois resolveu-se que teria de ficar voltada para Sul. E daí, o braço direito indica as rotas africanas e o Globo Terrestre em vez do céu. O baixo relevo deveria ser alusivo à Escola de Sagres mas foi substituído pela alusão da conquista de Ceuta. Manteve-se o que aludia à passagem do Cabo Bojador, mas quási desapareceram as proas dos barcos que lateralmente ornamentavam o torreão.
Entretanto os Ingleses fizeram-nos o Ultimato em 1890 sobre as colónias de África, especialmente relacionado com o célebre Mapa cor de Rosa, em que Portugal fez a ligação de costa-a-costa, ligando o Atlântico ao Indico. No Porto teve grande repercussão, os Republicanos saltaram em cima do rei D. Carlos por se ter humilhado perante os Ingleses, caiu o Governo, e vai daí nasce  a origem do nosso Hino Nacional, a Portuguesa (Heróis do Mar. Nobre Povo...Contra os Canhões marchar, marchar...) com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil como símbolo patriótico. 

  Não será muito fora do contexto colocar aqui a versão da musica e a letra. Sou Português do Hino

Mas o que isso tem a ver com a Estátua ? Pois, foi rejeitada a oferta do cidadão britânico Tait do mármore das suas ilhas...para a sua construção.
Não sei se repararam, caros leitores, amigos e amigas, que estas deambulações pela "minha" história, há Ingleses e Alemães.
E prontos, assim acabo o que já não era sem tempo. Só um parênteses. Acontecimentos e muitas datas que encontrei eram desencontradas com os factos. Adaptei o melhor que pude mas não quer dizer que estejam correctas, mas foi o que presumi de melhor. 
Alguns link's que me ajudaram a saber a história desta zona da Cidade: O Infante:
http://doportoenaoso.blospot.pt
http://www.portoantigo.org/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ultimato
http://www.portoturismo.pt

No meio de tanta leitura, esqueci de registar algumas fontes. Mas se é que vozes de burro chegam aos céus, queria fazer chegar aos editores da Câmara Municipal do Porto dos folhetos sobre o Património das Freguesias do Centro Histórico do Porto, Património Mundial da Humanidade, o pedido de os corrigirem. Ler tantas inexactidões até dói. Pelo menos a este Tripeiro.