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sábado, 24 de outubro de 2015

229 - Dia de testes

Dou comigo a pensar o que hei-de fazer a umas fotos que estavam arquivadas  desde o Dia do Bando, isto é, ou melhor foi, a 14 passado.
Andava em testes com meu novo brinquedo Canon gentilmente ofertado - quem tem amigos nunca morre na cadeia e deixem-me lembrar deles e agradecer-lhes porque sempre ocorrem aos meus Helps - e fui recolhendo imagens por onde andei.
Íamo-nos encontrar (o tal Bando) com o amigo Fernando Súcio vindo dos belos Trás-os-Montes e um xixi é sempre recomendado antes de iniciar qualquer caminhada.
Para teste na escuridão nada como registar uma pedra no urinol no lugar Homens do terminal dos autocarros vindos daquela linda região. Uma grande galhofa com a rapaziada que expelia os líquidos depositados na bexiga e os exportava pela uretra, cada um para a sua pedra lá em baixo, perguntando-se para que serviria a dita cuja.

Um passeio de fazer horas na Praça de Francisco Sá Carneiro, antiga Velásquez.
Ora por casualidade, em resposta de hoje a uma querida amiga sobre o que era um Carocha, lembrei-me que foi aqui, antes da muita urbanização desta Praça e Ruas contíguas, que um amigo (lá está, amigos sempre) me meteu nas mãos um dito carocha ou para nós portugueses o Fusca, para preparar a futura carta de condução, que nunca tirei.
Coisas que me vieram do tempo de África e ficaram.
Para o caso não interessa nada.  
Como era dia de testes, captei esta curiosidade em zoom, não pelas gaivotas pois elas agora são gourmets e vivem a quilómetros do Rio Douro e do Mar Atlântico mas sim pelos tracinhos brancos que são a água da irrigação do jardim.
Recuando anos largos na memória, muito antes das aventuras com o VW, foi aqui que aprendi a andar de bicicleta, alugada na Rua do Lima. Já não me lembro quem era o dono, mas julgo não ter sido o grande Império dos Santos, que deixou descendência famosa no ciclismo, pois esse tinha a sua casa junto ao Cinema Vitória em Rio Tinto, bem próximo da Estrada da Circunvalação do Porto.
Nessa altura, era seguir pela novel e rica Avenida dos Combatentes, entrar nos Campos Amarelos e andar à vontade pois não havia trânsito automóvel.
Só por curiosidade, a Praça em meados dos anos 50 do século passado. Os Campos Amarelos presumo que assim se chamava ao arruamento  por estarem próximos da Quinta Amarela localizada uma parte, a meio da foto do lado esquerdo. Ao fundo o Estádio das Antas. Para os Portuenses uma outra nota: A Igreja de Santo António das Antas ainda não tinha torre sineira.
Voltando à Praça, o miserável site actual da Câmara Municipal do Porto não nos dá a Toponímia da Cidade. Lê-se algures que foi construída em 1948 com o nome de Velásquez, famoso pintor espanhol (Sevilha, 6-Junho-1599 / Madrid, 6-Agosto-1660) de nobre ascendência Portuguesa, sendo os avós paternos naturais da Cidade do Porto.
A Praça tomou o nome de Francisco de Sá Carneiro em 1981e ergueram-lhe uma memória. Foi um político natural do Porto que chegou a primeiro ministro, um dos fundadores da Ala Liberal no período Marcelista, desaparecido num acidente de avião em Dezembro de 1980.
Depois do 25 de Abril de 1974, foi também um dos fundadores do Partido Social Democrata, hoje qualquer coisa como partido e mais conhecido como antro de podridão.

Não se esqueçam, meus amigos e queridas amigas, visitantes e leitores e leitoras, que estava num dia de testes. Enquanto o referido Bando se dessedentava bem próximo, no Café Progresso, andava eu a olhar o que me rodeava. Resolvi perseguir estas jovens lindas, todas prá-frentex, a atravessar a Praça dos Leões.
Não me enganei. Que eram lindas e prá-frentex e ainda por cima espanholas e olé.

Sempre encanta olhar o edifício da Reitoria da Universidade e a Fonte dos Leões. As suas histórias foram já por mim contadas neste espaço que me dão, umas vezes aberto, outras nem por isso.

Distraído com os testes, quase levei em cima com o truca-truca do comboio branco.

A velha Palmeira da Praça não parece ter sinais de doença da peste que vem do Egipto. No conjunto, o Edifício da Reitoria, o Jardim das Oliveiras e a Torre dos Clérigos. Os queridos e queridas visitantes podem pesquisar no blogue as suas histórias.

O piso da calçada e da Praça é que não tem meio de ser arranjado. Pobres das senhoras que por aqui passam calçando sapatos de salto.

Cá estão as queridas espanholas e olé, pedindo uma foto caprichada.
Eu não disse que eram umas guapas prá-frentex ? Não sei o que beberam nem me interessa. Deixei-as com os raios do sol-poente e as canecas rústicas pousadas.

Retornando ao convívio dos amigos do Bando um registo da Rua de Sá Noronha e do Reitoria. Não há revista de Fugas e de Comes e Bebes e afins que não diga bem da Casa.
Encostado ao Progresso, continuando a Rua que já foi a história Moinho de Vento, notam-se os edifícios muito bonitinhos depois das obras.

As Gentes e a Cidade no Largo que não sei se é do Moinho de Vento ou é a Rua de Sá de Noronha, senhor violinista e compositor, nascido em Viana do Castelo em 1820 e falecido no Rio de Janeiro em 1881.

Saio dos testes com o poente na Avenida dos Aliados.

sábado, 17 de janeiro de 2015

206 - Histórias de mais espaços interiores

A saga (narrações, histórias, lendas, verdades, segundo uma enciclopédia) é o meu lema do momento para ir seguindo figuras heróicas (no sentido figurado) que habitam no mundo de um povo com cultura.
Filósofo, poeta, romântico ? Nada disso. Apenas olho o que me rodeia dentro dos muros da minha Cidade e aqui vai disto. O resultado só os meus queridos e queridas visitantes definirão.
Para já, o prazer é meu em dá-lo a conhecer.

As pesquisas são para aprender e conhecer novas coisas. Precisava de uma foto que mostrasse o lado sudoeste do Mercado do Bolhão.
Que a história do Mercado já vem desde a primeira metade do séc. XIX, creio que os Portuenses e não só, sabem. A sua abertura primitiva é de 1850 e ao longo dos anos sofreu muitas alterações. Um dia hei-de desenvolver a sua história se para tal tiver competência; mas por agora o que me interessava conhecer (para vos elucidar convenientemente, caros e caríssimas leitores e leitoras) era a imagem após a finalização do edifício em meados da década de 10 do século XX.

 Tudo tem a sua razão de ser. Não me farto de o dizer e escrever. Fui espreitar - embora já o tenha feito diversas vezes - a Hortícola do Bolhão. Casa que foi aberta ao público em 1921. Mas antes dela que comércio existiu aquando da abertura do remodelado edifício ? Uma charcutaria, a Internacional, fiquei a saber.
Tanto o exterior como o interior mantêm a sua traça arquitectónica original.
Mais um interior comercial da minha-nossa Cidade do Porto lindíssimo, bem preservado nos seus mármores e estuques pintados.
De realçar a simpatia com que somos recebidos, embora conheça há muitos anos o Zé, o que provoca sempre uma pequena conversa para recordar velhos tempos.
Não sei quantas vezes entrei nesta casa e nunca tinha reparado na fonte que lá está e cuja origem se desconhece.
Como não farto de dizer, há sempre algo de novo mesmo que passemos inúmeras vezes pelo mesmo lugar ou espreitemos as mesmas coisas.
Desejo longos anos de vida à Hortícola do Bolhão.


Ahh, e onde podemos comprar o Seringador e o Borda d'Água, revistas com tradições antiquíssimas nas Agriculturas e Floriculturas. E não só...

Mudemos de ambiente e vamos até ao Âncora D'Ouro.
Escrito assim, ficarão os meus amigos Portuenses na dúvida ? Mas se escrever PIOLHO ? de certeza  já sabem ao que me refiro.

Pois é, estamos próximos do edifício da Reitoria da Universidade do Porto, encostados a Carlos Alberto, ao Carmo e aos Leões. Locais de referência da Cidade, com tradições antigas.
Antes de mais, vai daqui um abraço aos meus queridos amigos Vasco da Gama e João Miranda, velhos (antigos) frequentadores desta "Universidade da Vida".

O Âncora D'Ouro tomou o nome de Piolho - cá está, não sei se lenda se verdade - porque era o único café na zona frequentado pelos feirantes do extinto Mercado do Anjo, ali bem próximo, onde iam tomar o pequeno almoço com a sua caneca.
Feirantes sujos, sinónimo de piolhos, doença muito comum em épocas sinistras da Cidade, logo o apelido. Ou apenas como um aglomerado de pessoas que se acotovelavam no espaço.
Também há quem afirme que o apelido derivou dos estudantes universitários (a Academia era no actual edifício da Reitoria da UP) que faziam do Café o seu local habitual, desde a hora do pequeno almoço. No fundo, o mesmo aglomerado de gente e vai dai, seriam os Piolhosos.
Na minha-nossa Cidade do Porto, existe a palavra Piolhoso para definir pessoa de baixos instintos; ou incapaz de ajudar um amigo; ou ainda porque não alinha seja para o que for, bom ou mau.
Um exemplo: Amigos encontram-se e propõem um passeio. Há quem não alinhe, logo é considerado "és um piolhoso".
Adiante.
O Piolho fez 100 anos há 5 anos, mais coisa menos coisa, o que o torna num dos cafés mais antigos da Cidade.
Mas é muito difícil ter a certeza de alguma coisa. Existiria em 1889 um botequim com o nome de Âncora D'Ouro, comprado pelo casal Francisco e Cremilda Lima que inauguram o novo café na véspera de S. João de 1909, ainda sem licença.
Mobiliário com a Âncora gravada, marca do Café.
Também na divisória dos sanitários.
Recordações do passado.
Pelas paredes do café estão placas alusivas a cursos de estudantes que por aqui passaram e se formaram.

A mais antiga é de 1947 mas não a consegui localizar.
Não se sabe desde quando tomou o apelido Piolho, mas sabe-se que era frequentado especialmente por alunos de Medicina, a que se foram juntando os das outras Faculdades. Oposionistas ao governo de Salazar e também de agentes infiltrados da PIDE, a polícia política de repressão. Mas isso será desde os anos 40 do século passado, porque história mais antiga não consegui encontrar.

Esta a única foto antiga que encontrei do café, deve ser dos anos 70 e roubada do blog amigo
http://doportoenaoso.blogspot.pt/ um dos melhores blogs sobre a Cidade.

Em 1974 o café foi vendido a um grupo de brasileiros e perdeu muito do seu carisma.
Creio que cerca de 5 anos depois foi novamente vendido à empresa actual, que o remodelou mas mantendo a estrutura.
Mas não confirmo esta informação, que para o caso não interessa nada.

terça-feira, 19 de março de 2013

154 - Lendas, Estórias e História da minha Cidade do Porto

Os nossos olhos não negam o que vêm. Verdade ou ficção, é História, está escrito como tal, embora a História nem sempre é (foi) conforme a interpretamos. E na continuidade dos séculos, muita da História se mudou ( muda-se ainda) conforme os interesses do momento.
No meu caso de leitor de História - pobre de mim - busco conhecer o que se publicou sobre factos que podem ter muito de Lendas. Para completar o que vou conhecendo escrito, os meus olhos e a câmara fotográfica, companheira inseparável enquanto nos vão deixando, tentam registar, bem ou mal, a realidade de hoje.
Assumo que sinto uma certa emoção quando estou próximo de algo com muita História, mesmo que tenha Lendas à mistura. Mas sabemos que tudo teve um início, talvez nunca correctamente descrito, por ignorância, por desleixo ou por interesses. Principalmente no que se refere à Cidade do Porto, tento olhar em volta e perceber o que me rodeia. Descreverei como factos reais, mas não acreditem pois muito das narrativas que li estão cheias de "ses, mas, talvez, supõem-se".
Sei que vou repetir algumas descrições das imagens abaixo representadas, mas organizei este conjunto para poder dar uma pálida ideia do que podemos encontrar sobre o que ajudou a fazer a História desta velha Cidade.  
   
Na Sé Catedral, encontra-se do lado esquerdo do transepto, o altar de Nossa Senhora de Vandoma. Também conhecida por Nossa Senhora do Porto e Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação. É uma das invocações à Virgem Maria, representada no Brasão da Cidade.
A sua devoção tem origem num episódio por volta do ano 990 quando uma armada originária da Gasconha (Região Basca Francesa) comandada pelo nobre Português Munio Viegas, ajudou a expulsar os Mouros da Região do Porto.
Junto estava o Bispo da localidade de Vendôme, D. Nonego, que trouxe com ele uma cópia da imagem de Nossa Senhora que havia na Catedral. Após a expulsão dos Mouros, as muralhas da Cidade foram reconstruídas e numa das quatro portas da fortificação, que passou a denominar-se de Vandoma, foi colocada a Imagem trazida de França. Aí começou a devoção a Nossa Senhora de Vandoma que a população venerava levando a imagem em procissão, principalmente em épocas de epidemias. Foi consagrada Padroeira da Cidade do Porto.
Notas à parte: A sua devoção chegou ao Brasil centenas de anos mais tarde, como Nossa Senhora do Porto, tornando-se orago das Cidades de Andrelândia e Senhora do Porto, em Minas e Morretes no Paraná.
A Porta de Vandoma foi demolida em 1855 e próximo do local onde existiu (entrada da Rua Chã/Avenida da Ponte) pode ver-se numa reconstituição do séc. XX um cubelo e um pouco de pano muralhado. Estas muralhas foram edificadas pelos romanos no séc. III.
A imagem actual sofreu várias alterações nas cores das roupas, conforme os interesses políticos reinantes em cada época. 
Li que esta mesma imagem é a mesma que os Gascões trouxeram. Uma inverdade e se existiu deve ter desaparecido há muito. A imagem actual e que esteve no Arco de Vandoma é do séc. XIV. 

Quero agradecer ao meu amigo leitor Fernando Ribeiro os esclarecimentos que nos deixou em comentário há duas ou três postagens atrás, quando escrevi sobre uma imagem em pedra junto ao altar da Nossa Senhora da Silva, na Rua dos Caldeireiros. E também o link que me vai ser de muita utilidade.
Pois bem, a Nossa Senhora da Silva tem como história o achamento de uma imagem nos silvados junto à primitiva e futura Sé do Porto. No séc. XII. Há quem escreva que foram os pedreiros que faziam os alicerces. Há quem escreva que foi D. Mafalda, esposa do nosso primeiro, D. Afonso Henriques.
Até agora, não consegui encontrar nada que nos refira outra origem para o nome desta Senhora. 
Comparando as duas imagens que conheço da Senhora da Silva, não têm nada em comum. A da esquerda encontra-se no bonito altar voltado para a Rua dos Caldeireiros; informa-nos o Fernando Ribeiro, porque lhe foi dito durante uma visita à capela a qual tem a dimensão de um quarto de dormir,  que foi assim construído por não haver espaço para o colocar dentro.
A imagem é do séc.XVIII e já teve a acompanhá-la as imagens evocativas de S. João Baptista (lembrança do antigo Hospital) e S. Baldomero, francês do séc. VII, mártir cristão e padroeiro dos Ferreiros. 
A outra imagem está no transepto da Sé Catedral do lado direito. E vejam lá o que encontramos para ler:  Será uma imagem do séc. XIV/XV. Mas também pode ser a primitiva, porque é em pedra.
Certo é que está registado em 1623 pelo Bispo D. Rodrigo da Cunha o legado da Rainha D. Mafalda à Santa.
Uma nota: este Bispo inquisidor não deixou grandes recordações na população. No entanto foi um oposicionista aos governos dos Filipes espanhóis quando tentaram integrar Portugal em Espanha e um dos governantes de Portugal até à coroação de D. João IV a quem jurou fidelidade.

A Capela dos Alfaiates, assim conhecida, era da Irmandade dos oficiais desta arte e que se constituiu no séc. XVI num andar de uma casa pertença do Cabido, na Sé e desde então veneram Nossa Senhora de Agosto e São Bom Homem. É Monumento Nacional. Não sei se a Irmandade ainda existe.
Começou a ser erigida a Capela em meados daquele século, demorando muito anos a sua construção. Ao longo da vida recebeu vários melhoramentos, mas acabou por ser desmantelada em 1936 para a abertura do Terreiro da Sé e reconstruída no local actual em 1953, na bifurcação das Ruas do Sol e de S. Luís, entre a Praça da Batalha e o Convento de Santa Clara.
O retábulo composto por oito quadros pintados da vida da Virgem, segundo uns de 1565, segundo outros de 1590/1600 são do Pintor Francisco Correia, mas levantam-se dúvidas se serão todos da sua autoria. 
Foi restaurado em 1950 pelo Pintor Abel Moura.
Foi-me contada no local uma estória como verdadeira e corroborada por uma informação escrita, sobre a imagem em calcário de Nossa Senhora de Agosto, do séc. XVI. A imagem sofreu um restauro e os técnicos opinaram que o braço direito estava totalmente deteriorado. Então substituíram apenas a mão por uma em madeira, que está carunchenta, e colocaram-na presa ao manto, deformando a imagem. O braço e a mão originais estão em exposição, devidamente protegidos e bem de saúde, que registei na medida do possível. É a foto à direita, ao fundo da qual embora com fraca visibilidade se vê uma reprodução a preto e branco da imagem como era antes do restauro. 
A imagem de Santo Bom Homem, o outro patrono.
Presumo que é uma imagem do séc. XV
Em 1140 nasceu em Cremona, Itália, Homobono, que viria a ser o Padroeiro dos Alfaiates, Costureiras e Comerciantes de tecidos. Na vida profissional a justeza foi o seu lema, além de muito caritativo com os pobres. É-lhe atribuído um milagre de multiplicação dos pães. Faleceu em 13 de Novembro de 1197, subitamente enquanto assistia à missa.
Casou com uma mulher muito má, que após o milagre da multiplicação se converteu e passou a ser boazinha.

A Igreja de Nossa de Campanhã, da segunda década do séc. XVIII, arrasada e saqueada pelas tropas francesas durante as Invasões, mais precisamente em 1809, e muito danificada durante as lutas civis-liberais-fratricidas de 1832/34, possui uma imagem de Nossa Senhora a quem são atribuídos vários milagres. 
No entanto e primitivamente, tudo começa com a reconquista da região do Porto aos mouros. Estará ou não associada a outras lendas (depende do historiador) com a mesma reconquista, como a da Senhora da Batalha, cuja capela da sua evocação existiu no local junto ao actual Cine-Teatro S. João; Com Contumil (conto mil) e Rio Tinto - Tinto de cor vermelha pelo sangue derramado nessas lutas.
Certo é que Campanhã, ou Villa Campaniana é de origem antiquíssima da qual Rio Tinto fazia parte e Contumil lhe pertence.
No dia da batalha Mouros versus Cristãos em Contumil, foi achada uma imagem a quem o povo atribuiu a razão da vitória cristã. Mandou erguer uma ermida com o nome de Santa Maria de Azáres, passando mais tarde a chamar-se de Nossa Senhora da Entrega. Presume-se que terá sido esta a primeira Matriz.
A imagem da Senhora de Campanhã, do séc.XIV, esculpida em calcário, estofada e policromada, sofreu algumas alterações e restauros ao longo dos séculos, está envolvida em aparecimentos. Presumo que terá a ver com o primitivo aparecimento da tal imagem no dia da batalha em Contumil. Mas não tenho referencias, embora a estória venha do séc. X.
A devoção à Senhora de Campanhã era tal que a sua imagem só podia ser vista em dias especiais com luzes e toques de órgão. Saía em Procissão (pelas doenças, condições atmosféricas por exemplo) e tocá-la poderia ser perigoso ou milagroso.
Num dia de 1722, ano de grande seca, saiu a Procissão e a imagem caiu do andor em Bonjoia partindo a mão. Nesse local brotou água e povo construiu uma fonte e um cruzeiro. Que ainda hoje existem. Em 1967 foi inaugurada próximo do local uma capela.
Restaurou-se a imagem com uma mão em madeira.
Em apontamento diga-se que na Igreja existe uma linda imagem da Senhora do Rosário em pedra ançã do séc. XIV/XV. 
  
As relíquias de São Pantaleão chegaram à Cidade do Porto, trazidas pelos Arménios em meados séc. XV, fugidas à ocupação turca de Constantinópola em 1453 e deixadas em S. Pedro de Miragaia onde se passou a celebrar a sua memória.
Entre ordens reais de D. João II e depois de D. Manuel I para que se construísse um túmulo, foram as relíquias passadas para a Sé em 1499 por ordem do Bispo D. Diogo de Sousa. O Santo passou a ser Patrono da Cidade substituindo S. Vicente, até 1963.
A urna de prata foi roubada em 16 de Novembro de 1841. Ficaram as relíquias que se guardam no altar-mor da Sé. Mas um pequeno osso está na Igreja de S. Pedro de Miragaia dentro de um braço em prata. A Cabeça-Relicário foi para Lisboa para ser desenhada pela Rainha D. Amélia. Depois da implantação da República ficou no Palácio das Necessidades, donde passou para o Museu de Arte Antiga. Regressou ao Porto e foi colocada no Museu Nacional de Soares dos Reis, onde andou perdida até há pouco tempo. No seu interior encontraram-se vários fraguementos de madeira e tecidos e um pequeno osso do crânio. 
Um prezado leitor da minha postagem 47, teve a gentileza de colocar este comentário:

Gostaria de acrescentar, sendo nascido e educado em Constantinopla (Istanbul) que Sao Pantoleão é um santo do qual o nome é um épitéto, uma alcunha é a tradução de Aghios Pantéleimon que etimologicamente significa o homen que "elei" dá a piedade à todos em grego o tous pantas-eleei...era de Nicemedia da Bythinia hoje Izmit cidade turca cerca de 90 km à leste de Istanbul...Os arménios que troceram as reliquias eram Hay-Horom (ou seja armenios ortodoxos) dos que não se separaram da cristiandade depois do concil ecumenico de Khalkidon Calcedonia...alguns historicos sustentam que primeiro o feretro do santo em prata e ouro foi transportado de Nicomédia à Heraclia (uns 20 km à oeste de Nicomedia) que hoje se chama Hereke e sempre foi um porto de mercadorias e pesca e tb de exportação da seda e dos texteis Conhecidos no sec 18 e 19 como soie de Brousse (hoje Bursa) que rivalizavam os de Lyon e os de Milão, como dos tapetes orientais finos em seda com mais de 150000 nós por metro quadrado..Havia lá uma fabrica tb pertencente ao grupo industrial de Sümerbank que jánãoexiste...Há ca de duas decadas esta peq cidade foi arasada e praticamente desaparecida por um seismo..há alguns indicios que estes arménios byzantinos foram dos que tentaram se revoltar com os byzantinos gregos depois da queda de Constantinopla em 1453 em 29 de maio
A Igreja Ortodoxa venera o Santo Pantoleão em 27 de Julio(novocalendaristas) e 13 dias depois os do velho calendario juliano..A paroqui ortodoxa do Porto é dedicada à S Pantoleão
Lefteris Zygopoulos (Lisboa)
A
Muitas coisas nos acontecem quando percorremos caminhos. Há dias, entrei na Igreja de S. Lourenço, vulgarmente conhecida como dos Grilos e em conversa com um senhor, de quem infelizmente não anotei o nome, foi-me mostrada esta imagem. Decapitada, bem como o Menino, não se sabe desde quando. 
É uma imagem do séc. XV/XVI de Nossa Senhora do Ferro que se encontrava no antigo Recolhimento do Ferro, (o actual encontra-se no Codeçal desde o séc. XVIII) junto à desaparecida Porta da Muralha Primitiva - ou Românica - de S. Sebastião. Na altura conhecida como Porta do Ferro ou ainda da Sapataria, porque o culto a S. Sebastião é quinhentista. Por isso a Rua de S. Sebastião chamava-se Rua da Çapataria, documentada já em 1286. Teve outros nomes até chegar ao actual em 1570, mais coisa menos coisa. São outras estórias da história.

O que me levou à Igreja de S. Lourenço foi tentar descobrir a imagem de Santa Ana que esteve no Altar do Arco e Porta da Muralha Primitiva com o mesmo nome. Tinha lido que a imagem foi para a antiga Capela de Santo Isidro e após a sua demolição veio para esta Igreja, onde está exposta no Museu de Arte Sacra, localizado anexo à Igreja.
Foi-me indicada a imagem e o meu espanto foi grande ao ver que também foi vandalizada. Alguém roubou o menino...
Outra desilusão seguiu-se quando li na informação junto à imagem que esta é do séc. XVIII. Esperava uma imagem muito mais antiga, especialmente porque a Santa se venerava naquele local pelo menos desde o séc. XV. E ainda hoje se venera juntamente com S. Joaquim, seu marido. Na Rua de Santana.
Mas serviu também para conhecer a história da Santa, uma referencia para os Católicos.
Uma nota. Visitem esta Igreja e este Museu. Na minha opinião de leigo, há algumas raridades a par de muita história.

A escultura em madeira da imagem de Nossa Senhora da Vitória na Igreja do mesmo nome terá cerca de 120 anos de existência, mais ou menos. Porque os fieis não gostaram do rosto da Santa, foi retirado o primitivo e encomendado um novo. Não ao mesmo escultor. O autor foi o grande Soares dos Reis  que esculpiu um rosto lindíssimo, o de sua mãe. Era uma Santa que não podia ser Santa. Os fieis têm às vezes atitudes bem desagradáveis. Se seguissem esse caminho, hoje não haveria uma obra de que gostassem. Mas os fieis agora não mandam nada.

Tudo pode ter retórica. Explícita ou mentirosa a arte de bem falar, escrever, neste caso, também nos confunde. Quem diz sim, pode receber um não mas a retórica pode nem ser verdadeira. E/ou incompleta. É não porque é não e pronto.
Escreveram os antigos que a Igreja primitiva de S. Pedro de Miragaia ou no local da actual, foi a primeira Sé do Porto mandada construir por S. Basílio na primeira metade do nosso primeiro século. Então aí está um não, mas o porquê do não, não sei. 
Pela data presumo que este S. Basílio foi o Bispo de Braga (anos 60 a 95); nessa altura o bispado do Porto estava dependente de Braga. Mas se a eventual Sé foi mandada construir por ele na primeira metade do séc. I, nessa altura o Bispo era S. Pedro de Rates, o homem da Póvoa de Varzim (anos 45 a 60). 
Não sei ser retórico, mas alguém nos legou uma pedra, colocada no exterior da actual igreja do lado direito, com uma inscrição que foi recuperada. Verdade ou lenda, é história.

No corredor voltado para a Praça dos Leões do edifício da Reitoria da Universidade, uma verdade fóssil. Que sensação tocar numa coisa com 150 Mil Anos.
Uma nota: Merecem uma visita os Museus de História Natural, o de Mineralogia e a Exposição Egípcia, que julgo vai ficar permanente. Bem como o interior principalmente até onde nos é permitido e as escadas que conduzem à Sala da Reitoria.
 
História e muita é a dos Judeus do Porto. Embora se refiram muito as Judiarias de Miragaia e depois a da Vitória, o certo é que os Judeus foram parte integrante da população do Porto desde muito antes da fundação da nacionalidade. 
Esta placa colocada na parede do antigo Mosteiro de S. Bento da Vitória, do lado da Rua com o mesmo nome, simboliza a sua memória e a desculpa da Cidade, que embora reagindo ao Decreto de D. Manuel I, a igreja cumpriu com uma tenaz perseguição.
Uma das humilhações impostas aos Judeus foi o contributo para a construção da Igreja de Santa Maria da Vitória, ali bem próxima, no local onde existiu uma Sinagoga. Vitória, da Igreja sobre os Judeus.

Neste conjunto estão três símbolos de épocas bem distintas. A Casa da Câmara, ou dos 24, ou como era conhecida à época, Torre da Rolaçam, tem a sua origem no séc. XIV. Aí se reuniam os representantes dos 24 mesteres - ofícios - da Cidade e foi como que a sede do poder autárquico.
A primeira Câmara era em madeira e em 1350 foi acordado mandar-se construir uma em Arcos sobre a Muro Velho, ou seja a Muralha Românica. 
O edifício de 100 palmos de altura e a 7 metros da parede da Sé, localizado no cemitério (ou adro) da Igreja sofreu vários acidentes e por isso muitos restauros e até mudança de lugar (séc. XV). A edilidade entretanto reuniu em vários locais, incluindo no Convento de S. Domingos. 
No ir e vir, acabou por abandonar as instalações em 1784, mudando para uma parte do Colégio de S. Lourenço (Grilos) tendo arrendado parte do edifício. Mas mandou demolir até ao primeiro andar para aproveitar a pedra e barras de ferro para a construção da Cadeia. As barras pesavam 30 quintais, 2 arrobas e 20 arráteis (Livro das Vereações, 19 de Agosto de 1795).
Em 25 de Abril de 1875 houve um enorme incêndio destruindo o edifício. Na altura, no rés-do-chão funcionava uma fábrica de refinação de açúcar e no primeiro andar era a sede da Associação dos Latoeiros.
A partir daí as ruínas ficaram ao abandono quási um século. No local procederam-se a escavações arqueológicas que revelaram vários achados e provando a ocupação do Morro de Pena Ventosa nos séc. IV e III a.C.
Não sei ao certo, mas a recuperação das ruínas fizeram-se já nos anos 80 do século passado.

Para recordar a Casa da Câmara, ou dos 24, nos anos 90 foi edificado um "mamarracho" (é a minha opinião) sobre parte das ruínas da antiga, julgo que só respeitando apenas a altura.
O autor, arquitecto Fernando Távora referiu que era para termos uma ligação à Cidade, espraiando a vista. Claro que não espraiamos vista nenhuma pois apenas se deslumbra um pequeno território entre ameias para os lados dos Clérigos. O resto são cimos de telhados. Isto é se entrarmos no edifício e a porta interior estiver aberta para passarmos ao passadiço sobre as ruínas.

Ainda por cima resolveu castigar o nosso Porto, voltando-o para os vidros sujos e coloridos do "mamarracho". Era para melhor visão da Cidade para além do Porto, estátua.
Esta estátua esteve desde Agosto de 1819 no cimo dos Paços do Concelho, edifício alugado na Praça Nova - actual Praça da Liberdade - demolido para a abertura da Avenida dos Aliados.
Passou depois para o Largo Actor Dias - creio que se chama Jardim Arnaldo Gama - e posteriormente para o Palácio de Cristal, junto ao Castelo, no Bosque, se a memória não me falha.
Foi seu autor o Mestre Pedreiro João da Silva, de Pedrozo (Pedroso, Vila Nova de Gaia) e custou trezentos quarenta e três mil e duzentos réis, pagos em três prestações iguais, sendo uma delas adiantada.
Estória ou não, esta estátua pode ter sido criada para reabilitar a imagem d'O Porto, sobre a qual escreveu Garrett no Arco de Santana "...estamos junto à veneranda estátua do velho Porto que rodeado de assopradas tripas, olha, como do próprio trono, para sobre os domínios da sua juridisção..."
Essa Estátua que Garrett referiu era conhecida como Pedra do Porto e estava em 1293 na Rua das Eiras (Rua Chã actual). Passou para o cimo dos Açougues Reias na altura, nos Palhais (Rua de Pena Ventosa actual) algures entre essa época e 1503 onde tomou o nome de O Porto "...um mui mal trabalhado e até monstruoso homem todo feito de pedra..." que faz lembrar uma estátua tardo-romana, de aspecto guerreiro, talvez Marte, que ficaria bem associado à Cidade. O rasto dela perdeu-se quando o edifício dos Açougues foram demolidos no séc. XIX para a abertura do Largo de Penaventosa, hoje Largo de Pedro Vitorino.

Propositadamente não refiro as minhas fontes de leitura, que foram imensas. Algumas já as nomeei em outros escritos. É verdade que há cópias umas das outras, parágrafos inteiros. Outras induzem-nos em erro. Mas descobrem-se novos pensamentos e estórias.
Dessa amalgama de leituras retirei o que pude para completar as imagens. Com a intenção principal de conseguir que os meus leitores se entranhem um pouco em alguma História da minha Cidade. E das  suas Estórias e Lendas.