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domingo, 4 de dezembro de 2016

260 - Vieira do Minho - Aldeia de Campos

Após um belo almoço junto à barragem do Alto Rabagão ou Pizões, é indiferente, composto de umas entradas, posta barrosã e sobremesa, acompanhado de um tinto muito razoável,  terminando em cafés e bagaço (velhos tempos em que me sabia bem tomá-los), combinamos ir dar um passeio até ao Gerês.
O Prato principal

A paisagem começou a ser de sonho. Mas não fomos à descoberta de Campos pois nem sequer sabia que existia. Seguíamos na estrada em direcção à Caniçada, quando um palpite nos fez seguir uma tabuleta. Viramos à esquerda para o interior e encontramos Campos, Uma Aldeia de Portugal.
A primeira descoberta foi de uma Pracinha sem referências, uma capela, torre sineira e coreto. 
Pensava eu que era uma Aldeia pequena, simples e bem arejada.
 O interior da Capela
Em lugar de destaque, um Espigueiro que deve servir como símbolo da Aldeia pois estava muito "limpinho" e ainda com pedras desarrumadas. Vamos reparando nas caleiras que passam ao lado das ruas cheias de água.
Campos foi uma freguesia portuguesa do concelho de Vieira do Minho, extinta (agregada) pela reorganização administrativa de 2012/2013, sendo o seu território integrado na União das Freguesias de Ruivães e Campos.
No início da Nacionalidade, Campos estava incluída no Julgado de Borba de Barroso, foi vigararia da apresentação do reitor de Viade até à extinção dos coutos, passando depois para a Coroa e por doação, à Casa de Bragança.
Abraçada pela Serra da Cabreira, esta aldeia bem preservada, pelo menos até onde a percorremos num dia de chuva.
Belos enquadramentos verdejantes, lameiros para boa agricultura de cereais. E olhando em redor, paisagens de sonho.
 Não sei a raça nem a utilidade destes cavalos. Mas são belos.
 São 49 os Canastros ou Espigueiros espalhados pela freguesia.
As mós têm forma de mesa granítica e assentam nos pés. As padieiras, colunas e cápeas são também de granito. Os balaústres laterais são quase todos em madeira.
Alminhas de Nossa Senhora da Piedade.
Foram construídas no ano de 1848. Conforme conserva a memória da população de Campos, foram construídas pela família Lopes, como promessa feita a Nossa Senhora da Piedade pela existência de água para rega dos campos de lavoura.
A figura da esquerda está no altar e a inferior é uma das da fachada.
Encantámo-nos pelas pequenas e rústicas ruas empedradas, pelos seus edifícios em granito 
As casas da aldeia de Campos são bons exemplares da tradição rural minhota. Mostram-se na sua faceta mais prática, com o andar de cima como habitação e o de baixo reservado aos animais e lida agrícola
 O granito sempre a imperar

Rebentam nascentes de água pura que se junta numa série de poças.
Parte depois para os campos de milho e lameiros, por regos e levadas.
Existe o que resta de 24 moinhos de água fixados nas suas margens, mas quase na totalidade em ruínas.

São construídos em granito. A água é conduzida em caleiras e rampas estruturadas fazendo rodar a mó para moagem de milho, trigo e centeio.

Sei agora que muita coisa ficou por descobrir. Compenso com fotos e textos que copiei nas páginas da ex-freguesia e das Aldeias de Portugal. Destaque para o cruzeiro, a igreja, a ponte romana, o forno comunitário.

Outrora funcionava na freguesia o forno do povo, onde a população cozia o pão, levando consigo lenha para o abastecer. Foi recuperado e é para demonstração turística ou para os residentes que neles queiram avivar a tradição.
O forno situa-se perto da Igreja Matriz, é composto por dois arcos, bem defumados (?), que servem para assentar o telhado feito de grandes padieiras de pedra. Para além de servir para cozer pão, servia também para abrigar mendigos ou pessoas que estavam de passagem e não tinham onde pernoitar. Devido às temperaturas quentes do forno, este espaço acabava por ser acolhedor para passar a noite.
 Pelourinho - sem referências
Igreja Matriz de São Vicente do princípio do séc. XVIII. 
É construída em cantaria granítica de aparelho pseudo – isódomo.
Eiras, eirados e celeiros são elementos que se encontram pelo lugar, reveladores do passado ligado à terra e à agricultura. Malhar o Milho depois de seco
A Freguesia é banhada por um curso de água, a que chamam de Rio Lage e sobre ele existe uma ponte de um arco, estilo românica, muito antiga, que outrora serviu assiduamente as populações.

Uma agradável surpresa se nos deparou em pleno coração da Aldeia.
 Um rústico mas bonito estabelecimento de Padaria-Confeitaria.
Na sua página na Internet pode ler-se: O seu serviço de padaria e pastelaria inclui uma variedade de deliciosos produtos de fabrico próprio, entre os quais se destaca o pastel de nata.


E assim foi a descoberta de mais um pequeno lugar neste nosso Portugal. Textos e fotos copiados de:
http://www.freg-campos.pt/?id=38
http://www.aldeiasportugal.pt/sobre/22/#.WERT4NSLSXY

E lá seguimos para novos rumos.

domingo, 2 de junho de 2013

159 - De novo Trás-os-Montes e Alto Douro. 1ª parte

O meu querido amigo Fernando Súcio tem um hábito muito simpático de convidar o pessoal para lhes dar a conhecer as belas regiões Transmontanas -de onde é filho natural- e Durienses. 
Já por várias vezes andei à boleia dos seus convites. Como a meteorologia parecia querer ajudar e esta é uma época excelente, lá fui eu todo feliz da vida. Embora me tivesse custado a levantar da cama, ainda era de madrugada.
O ponto de encontro era Vila Real. Com a Ferrovia extinta, o transporte utilizado foi a camioneta da Rodonorte, que em termos de comodidade é excelente. E também dá a vantagem de oferecer um desconto à terceira idade. Enquanto se faziam horas, há que aproveitar para tirar uns bonecos para futuras quaisquer coisas. E chegou a hora da partida, 11 em ponto. 
Infelizmente começou a cair uma chuva meiguinha, que volta e meia engrossava.

Foi assim quási toda a viagem, a estragar a paisagem. A partir de Amarante aumentou de intensidade. Em alguns troços da estrada IP4 ou A4, nunca sei como estas coisas se chamam, vêm-se obras e desvios, sinal de que a Estrada para o Nordeste avança, com ou sem polémica sobre o túnel do Marão.
O último desvio levou-nos para a velhinha N15 e por ela entramos em Vila Real. Um pouco de frio estava à nossa espera juntamente com o Fernando. Só tempo de fumar um cigarro e lá vamos a caminho da Campeã, a cerca de 15 km.

Nada melhor para o almoço que um excelente Galo à Moda da D. Graça. Acompanhado de um perfeito arroz solto e a gentileza da revelação de segredos culinários para quem gosta de aprender. Mas os donos da casa excederam-se em muitas outras gentilezas, ao ponto de apresentarem umas entradas em que sobressaíram queijos da Serra (da Estrela, pois claro) cremoso e um de ovelha curado, salpicão e chouriço que nem sei se vos diga se vos conte, caros leitores. Branco e Tinto, engarrafado pelo amigo Fernando, e mai'nada. Houve ainda uns ós'pois mas a barriguinha já não estava esfomeada. Café e bagaço do nosso - branco e amarelo - e prontos.
Regressou a chuva e desta feita já não era para brincadeiras. Mas promessa tem de ser cumprida e os de P'ra lá do Marão não faltam à palavra. Pelas fraldas (ou faldas) da Serra, coloridas pelo amarelo das giestas, fomos subindo até lugares de recordações de muita vida do amigo Fernando.
Chegados a Montes, lugar que pertence à freguesia da Campeã, a chuva era mais intensa e o vento muito forte. De guarda-chuva e gorro, com boa vontade sempre se fixam recordações. Uma singela capela surge no meio de um pequeno largo.
Há algumas habitações novas no meio das velhas casas, umas em ruínas outras bem conservadas.
O vento intenso acabou por levar os guarda-chuvas e encharcados como um pinto é a frase adequada para a situação super-húmida em que ficamos. Mas não esmorecemos.

Velhos espigueiros, também chamados de canastros. Uma terra que é um paraíso para fotógrafos e caminheiros mesmo com chuva e vento e molhados até aos ossos. Não ficaram registados os melhores bonecos, mas o importante é mesmo que se dê a conhecer o que ainda temos.

Água é coisa que não falta neste lado da Serra do Marão. Pelas encostas desliza e cai em cascatas, vindas do interior da terra ora se mostrando ora terminando num dos muitos ribeiros que aqui abundam.
Existiram alguns moinhos, vendo-se aqui e ali apenas algumas pedras que sobraram das suas construções.

Descemos e subimos para chegar a Cotorinho, outro lugar (ou aldeia) da Campeã, de habitações com as mesmas características. Bem assinaladas as pequeninas ruas e um largo famoso. Não tem que enganar. A palavra Pecado, quer dizer isso mesmo. Como foi determinado pelos Padres ou sob a sua influência, não nos restam dúvidas sobre os Pecados que deveriam ser lembrados para não serem praticados. Tá--se mesmo a ver...

Cerejas quási no ponto de amadurecimento. Mas não são as únicas frutas que por aqui se produzem.

Uma pequena levada apanhada em andamento. A chuva embora tivesse diminuído de intensidade não permitia caminhadas. O terreno também não. E a roupa estava a secar...

Vamos no sentido de Santa Marta de Penaguião, a chuva parou e podemos apreciar um pouco melhor o que nos rodeava.

Estrada de montanha em bom estado de conservação. O Fernando recorda os tempos dos caminhos em que só a cavalo se transitava entre estes lugares.

Sempre um pára-arranca para olhar em volta, fazer os bonecos e seja o que Deus quiser.

Estamos na freguesia de Fontes, elevada a Vila, a maior do concelho de Santa Marta, local de muita história que vem desde o início do séc.XII. Há documentação e um monumento que prova ter existido um povoamento castrejo, depois muito romanizado.
Paramos para um café e logo se nos deparam bem destacadas, coisas portistas, incluindo uma foto da equipa campeã nacional e se a memória não me falha é referente à época 84/85. 
É tempo de olhar mais belezas e especialmente a atmosfera onde um arco-íris já começava a desfazer-se. Nem sei como a velha Sony DSC-V3 registou a imagem. (Um abraço para o amigo Álvaro). E não há photo-shop. É limpinha. Como todas as outras.
Já estamos em pleno Douro Vinhateiro. As fotos não nos dão minimamente a ideia da grandeza da paisagem em volta.  
Do alto, que já não é muito, conseguimos ver alguma luminosidade sobre os lugares espalhados 
pelos montes e vales.
Entramos na estrada principal que leva ao centro de Santa Marta. Uma luz extraordinária incide sobre os montes e não permite sequer a cor correta do casarão que é de um amarelo quente. Sobressai o céu plúmbeo em contraste com a terra.
A meia dúzia de quilómetros está a Quinta da Senhora da Graça, cuja visita ando a prometer há muito tempo. Devido ao adiantado da hora e porque não gosto de aparecer sem pelo menos avisar, ainda não foi desta que levei o abraço àquela gente boa que dá pelo nome de Zé Manel, Luísa & Companhia. E nesta altura até que ainda devem estar necessitados de muito apoio e amizade.   

Apoio e amizade que sentimos em quaisquer fins do mundo. Terras de Santa Marta sempre presentes.

O lugar da Veiga, na freguesia e Vila da Cumieira, ainda território de Santa Marta, merece um profundo olhar de respeito. Um grande zoom só para se poderem distinguir as casinhas lá no fundo do vale.
Nicolau Nazoni andou por aqui em 1739, a expensas do senhor 3º Morgado de Mateus, provavelmente no intervalo da construção do Solar (que fica a 2 km de Vila Real) pintando na Igreja Matriz da Freguesia as paredes e abóbadas hoje desaparecidas, assim se lê no site do Concelho de Santa Marta/Freguesia da Cumieira. Fico sem saber o que realmente desapareceu. Mas não havia tempo para procurar a Igreja. Era quási noite.
O lugar da Veiga teve foral concedido por D. Manuel I em Dezembro de 1519.

A caminho de Vila Real, de regresso a casa, não podemos deixar de apreciar mais uma ponte. Sei que são muitas nesta região, já atravessei algumas, mas impressiona vê-las a ligar os vales a altitudes surpreendentes. Pelo menos nesta parte do nosso Portugal, o dinheiro da rapaziada não foi mal empregue. O pior são os acordos e os atrasos nas construções e o resto que eu não sei, mas imagino...

Por razões diversas, tenho de dividir o passeio-turístico em diversos temas e por vários tipos de espaços. Ainda não pensei a sério como será, pois primeiramente tenho de rever o trabalho feito, depois pesquisar, depois, depois logo se verá.
Ficam agora estas simples memórias passadas num dia de forte assédio temporal.  

Tenho de meter este àparte. A roupa já tinha secado, a pele também, mas o frio era "catastrófico". Nada melhor do que uma lareira junto à qual saíem umas conversas, alinham-se umas coisas sobre o Dia do ex-Combatente P'ra cá do Marão, em Justes, aqui bem próximo, no dia 15; guardam-se as fotos do dia num CD e na perfeita companhia das tais branquinhas e amarelinhas da casa. 2 da manhã, ei, horas de deitar.

 E foi assim o trajecto deste dia razoável, mau, péssimo, suficiente, excelente.