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domingo, 6 de setembro de 2015

226 - Moeda ao ar

Tive na sexta-feira uma missão a cumprir. Aliás, foi um dia de missões a cumprir e  por isso levantei-me "muito de madrugada". Eram 7 horas. Mas esta missão era muito importante porque foi imposta à ordem de um certo Bando do Café Progresso.

Saí do transporte público na Capela das Almas e dirige-me à Batalha. Pelo caminho nada de interessante a registar. A multidão continua a encher a Rua e as Esplanadas. Os restantes Comércios quase às moscas. Reparei neste mural feito de reproduções de reproduções de pinturas serigráficas que muitas vezes estão na rua expostos. Deve ser recente pois a cola ainda os mantém unidos. Adiante.

Depois da missão cumprida, que foi exactamente no Parque das Camélias de onde partem serviços de transportes públicos com destino a Sul, principalmente para Gaia e arredores, sentei-me à sombra das Muralhas Fernandinas, nos Guindais.
Estava no Largo Actor Dias e comecei a olhar em volta.
A pequenina Estátua de Arnaldo Gama, no local onde esteve a do Porto que agora está na Praça da Liberdade, é fotografada com carinho. Reparem no estilo da pequenina fotógrafa. É assim que começa o vício.
Não estranhei pessoas  no elevador que sobe e desce até ao elevador dos Guindais. Só mais tarde li nas portas do dito elevador dos Guindais, na Ribeira, que estava encerrado. Sem mais informações. Lamentável é apenas o que tenho a dizer.

As ruínas daqueles arcos pertenceram a um palacete que serviu durante dezenas de anos à Escola Comercial de Oliveira Martins, onde fiz algumas cadeiras há muitos anos. A entrada era pela Rua do Sol e os terrenos estendiam-se até à Alameda das Fontainhas, mas foram utilizados para a construção do Viaduto que creio chamar-se Rua Duque de Loulé. 

 Já que estava à sombra das Muralhas, não custava nada registar um pormenor mesmo sentado.
A casa era a do antigo Elevador dos Guindais que um dia se desprendeu e foi por lá abaixo 
até à beira do Rio Douro.

Sem qualquer razão, nunca fotografei exclusivamente o Chafariz nem o incluí nos meus "trabalhos" sobre Fontes e Chafarizes do Porto. Também não descobri qualquer referência sobre ele, mas sei, pelo menos, que é anterior a 1910.
Cansado de descansar dei comigo a pensar o que fazer a seguir. Apetecia-me tanta coisa que resolvi atirar uma moeda ao ar e ela que resolvesse o destino: descer os Guindais ou ir até à Sé.

Os Guindais são um fascínio para olhar a Ponte D. Luís. Mas enfiando pelos seus cantos, temos miradoiros extraordinários sobre o Douro e Gaia. Existem dois clubes, o Cultural e o Guindalense, a meio e no fim respectivamente, que têm cervejinhas frescas a bom preço. Mas ainda era cedo, a viagem relativamente curta e a sorte da moeda acabou por determinar a  Sé, ali a uma centena de metros.
Aproveitando o trajecto, espreito a Igreja de Santa Clara que está em restauros e por isso fechada. Mas quem quiser dar um saltinho às Muralhas não perde nada.

O que chamamos de Sé é não só a Catedral mas o que a envolve.
O Miradouro no Largo ou Calçada de Vândoma é outro fascínio que não podemos recusar. Lembremo-nos que estamos no Alto de Penaventosa onde tudo começou desde logo o nome Portugal e alonguemos a imaginação e a vista, pensando no primitivo povoado Celta sem data verdadeiramente definida mas de alguns séculos A.C. ali aos nossos pés; na era Romana e as suas muralhas que os historiadores dizem terem sido edificadas por eles da qual resta um pequeno cubelo bem próximo à entrada de Vândoma e em que ninguém repara; um pouco mais além a Cidade Medieval antiga que se foi alargando até à Vitória e Miragaia, registos existentes em monumentos e nas muralhas do séc. XIV que sobraram. Dos Mouros que nos invadiram e foram donos da Cidade e da Região, parece que a história só nos relata o sangue das muitas batalhas travadas até os expulsarmos no séc. IX depois de 150 anos de usurpação. Mas ainda demorou mais 50 anos para definitivamente serem despachados.
Gostava de saber exprimir o que sinto para descrever aos amigos o que são os meus olhares sobre estes casarios, as torres das igrejas e conventos que se descobrem, os séculos de história que se tentam preservar.
Para Norte, mandado desbravar pelos Almadas, entre as torres da Cidade moderna vislumbro a torre da Igreja de Nossa Senhora da Conceição no ponto geograficamente mais alto da Cidade, o Marquês para os Portuenses e que foi a minha zona de vida durante 17 anos.

O registo de um Casamento na Sé. 

Outro miradoiro que nos deixa abismados está mesmo em frente, do lado esquerdo superior da foto, junto à Igreja de Nossa Senhora da Vitória. É uma pena aquela casa-torre e os fios que ela segura, tapar uma parte do bom visual para estes lados.

Descendo 50 metros encontramos outro miradoiro. Fica abaixo do Largo do Terreiro da Sé. À esquerda na foto, a Igreja de S. João Novo em Belmonte, com Miragaia aos pés para o outro lado. Para cá é S. Nicolau.
Apraz-me duas coisas. Ver muitas casas restauradas e saber que a Casa da Mariquinhas reabriu e com uma novidade, Fados à Tarde em alguns dias da semana. Vamos lá, amantes do Fado. É aqui em S. Sebastião de onde estou a olhar o que me rodeia.

 Baixamos os olhos para o Rio Douro e encontramos S. Nicolau e a sua Igreja, embocando para a Alfândega Nova a caminho de Miragaia.
Do outro lado do Rio, os restos do que foi um grande estaleiro, servindo hoje para restauros e arranjos dos Rabelos que ancoram no Cais de Gaia.
Chegados aqui, antes ou depois de visitarmos a Sé e a Igreja de S. Lourenço, ou dos Grilos como lhe chamamos, pôem-se a questão se pretendermos ir para a Ribeira.
Pela direita, dois itinerários. Vamos pelas Ruas das Aldas, de Santana, Penaventosa ? Ou pela Rua Escura, Bainharia, Souto, Pelames, Mercadores ? É certo que as podemos entre-cruzar em vários pontos. Umas estavam fora outras dentro das primitivas Muralhas, a dos Romanos.
A moeda ao ar escolhe a esquerda.
Retorno ao Terreiro da Sé, desço as escadas encostadas ao Palácio Episcopal, encontro a Rua de D. Hugo.

O muro do Seminário não deixa ver o Rio, mas a imagem sobre Gaia e as Caves de Vinho do Porto é magnífica.

 Finjamos não ver a arruinada Capela da Senhora das Verdades, descemos mais umas escadinhas e entramos na Rua do mesmo nome. Se seguirmos em frente vamos dar ao Codeçal. Dá para recolher uma imagem da Ponte D. Luíz, das Muralhas e do Convento de Santa Clara. Pormenores, claro.
O que resta do antigo aqueduto que levava a água das Fontaínhas até ao Convento de S. Lourenço (ou dos Grilos como dizemos)  o Arco das Verdades, está meio encoberto pelo entaipamento de uma casa em reconstrução.
Mas sem a moeda determinar, vamos voltar à direita e percorrer o Barredo

Entra-se pelas Escadas do Barredo, o bairro de gentes tão acarinhadas pelo Padre Américo. E que foi restaurado rua a rua, casa a casa, pela CRUARB que o ex- Presidente Rui Rio resolveu despachar.
A descida é íngreme pelas Escadas mas que nos há-de levar à Ribeira após atravessarmos ruelas que se entre-cruzam no interior do Bairro.

 Jovens turistas acompanharam-me um pouco na descida. A meio das Escadas apaixonaram-se pelo gatito que estava sossegado à sombra.

 Olhando para fachadas, algumas das quais com nichos que deveriam ter tido imagens de Santos.

Algum caminho descido e um olhar para trás dá-nos ideia do que é subir este morro.

Pensei que o altar do Senhor da Boa Fortuna na Rua do Barredo já lá tivesse uma imagem representativa. Um escrito do Prof. Germano Silva publicado há pouco levou-me a isso. Boato falso. Tudo como da primeira vez quando visitei o Barredo interior há mais de 8 anos.
As festividades em honra deste santo costumavam ser em finais de Agosto, principalmente na Vitória. Não sei se a tradição se cumpriu.

Este é o Largo do Padre Américo onde umas senhoras da melhor idade desenham e pintam.

Por entre o casario de cores quentes, vê-se Vila Nova de Gaia.

Pormenores entre ruas que se cruzam

A Casa Torre é um dos edifícios mais antigos da Cidade e sem dúvidas do Barredo. Remonta ao séc. XII ou XIII.

O Largo do Terreirinho e o Fontenário restaurado.
Diga-se de passagem, os puristas da língua exigem que se escreva Fontanário, porque vêm do latim Fontana, fonte + ário, sufixo que exprime função. Mas por dissimilação achamos que Fontenário está bem dito e a palavra foi registada nos dicionários. 

Ruínhas estreitas, com escadas entre desníveis do caminho onde o sol nunca bate. Mas onde pára a população, senhores ? Se não fossem as passagens de um ou outro habitante, um ou outro turista, as roupas a secar às janelas, diríamos que estamos no meio de paredes sem vida. E nota-se perfeitamente que há casas desabitadas.
Há anos perguntei a uma jovem que encontrei numa destas ruas, o porquê da desertificação. Resposta simples: o custo do aluguer das casas restauradas, os idosos sem posses foram viver com as famílias, outras que desajoladas para outros locais não quiseram regressar após os restauros. Campanhã e os seus bairros sociais receberam a maioria que por lá ficaram. Tanto quanto eu saiba, não houve e continua a não haver uma política de reintegração populacional nesta parte da zona histórica. E em algumas casas começa a notar-se a degradação.
Ali em baixo está a balburdia da Ribeira.
Reparem nas lajes gastas por gentes que aqui viveram anos difíceis, mas se calhar mais alegremente do que hoje.

Mesmo em frente da famosa casa das Iscas da D. Ermelinda, que por sinal estava fechada, era escusada esta visão.

Chegamos à  Ribeira, onde o homem-estátua-sapateiro provoca a admiração das crianças acabadas de chegar de um passeio de barco.
Por cada moeda ofertada, o bater na sola do sapato assusta a meninada.

As fachadas das velhas casas do Muro da Ribeira

O movimento da Ribeira

Encaminhando-me para o bar meu preferido, reparei na Sardinha da fachada desta casa. Quase poderei jurar que não estava lá há 15 dias. 
Pegada, a casa onde nasceu o Comandante Carvalho Araújo heróico marinheiro na 1ª Guerra Mundial.

Enquanto descansava e me dessedentava, estendia o olhar em volta. Os famosos Meninos Saltadores da Ponte.

Nunca havia visto este elegante barquito. Não deve pertencer a estas paragens, mas nunca se sabe.

De repente, vi passar lentamente um caíque que não me pareceu estranho. Será mestre Gastão, ex-companheiro e seguidor do Duque que fazia a ronda do rio ?
Há pouco teve direito a reportagem e entrevista num jornal que publiquei na minha página do Face. Um homem de grande exemplo para a humanidade.

O Codeçal termina ou começa, conforme as situações, junto à Ponte D. Luíz. E o painel publicitário do novo Porto não fica nada bem esticado no paredão que sustenta a parte ribeirinha do morro. Mesmo reconstruído em pedra moderna, tira-lhe a majestade e fere a visão.
Bem que podiam tratar melhor a página da Cidade na internet em vez de andarem a espalhar em sítios menos próprios painéis modernistas com a nova imagem que na minha opinião se parece com tudo menos com a Cidade do Porto.

A seguir não podemos deixar de olhar a Ribeira Negra. Este painel nunca fere susceptibilidades visuais.

Para montante do Douro, novos olhares, novas Pontes. E bem no alto do morro das Fontaínhas o Colégio dos Orfãos, local de lutas acesas com as tropas napoleónicas durante as Invasões Francesas e também durante o Cerco do Porto.
Mas como diz o Prof. Joel Cleto, isso são já outras histórias.
Meus amigos e amigas, queridos e queridas visitantes. Este passeio não custa nada se for feito no sentido "sempre a descer". É o lema que uso e utilizo também como arma.
Mas é só mais um passeio turístico como tantos que temos na Cidade. Se conseguir meter um pouquinho na alma o Ser Tripeiro e Portuense o "aroma" é diferente.

sábado, 26 de julho de 2014

190 - Novos espaços públicos - 2. A Antiga Praça de Lisboa

Não sei como se chama agora este espaço. Ou continua como Praça de Lisboa ou será Passeio dos Clérigos. De qualquer forma é um espaço novo num velho espaço, com centenas de anos. O Olival.
Foto aérea de parte da Cidade do Porto. 
Ao centro, em baixo, era o que restava do Shoping da Praça de Lisboa.

Comecemos pelo fim. 
A Câmara Municipal do Porto em Janeiro de 2007 abre concurso para a concepção, projecto, construção, manutenção e exploração do espaço a que chamávamos Praça de Lisboa, ganho pelo Gabinete do arquitecto Pedro Bolonhas.
 Este espaço desde 1839 e até 1952 foi o Mercado do Anjo.
Após o fecho do Mercado abriram uma Central de Camionagem. Espero não estar a laborar em erro. Mas sei que na Praça de Lisboa, assim se passou a chamar o lugar, estacionavam camionetas de aluguer para transporte de mercadorias. Inúmeras vezes liguei para a central a pedir camionetas para fazerem serviços à Empresa Litografia Artistas Reunidos (onde comecei a trabalhar em 1959 e durei até 1978).
Anos mais tarde foi o ponto de chegada e partida de autocarros que transportavam militares de todos os lugares do País que faziam o seu gozo de fim de semana. 
Muito bisbilhotei na net mas não consegui uma única foto desse tempo.
Nos anos 80 do século passado, acabou a Praça de Lisboa como estacionamento de camionetas e foi edificado um tal de Shoping Clérigos. Boa intenção mas mau fim.

Vamos recuando no tempo e olhemos o Mercado do Anjo. Repetindo-me, foi aberto em 1839 após a revolução liberal e presumo sob os seus auspícios.
Segundo as crónicas da época era um belo mercado, onde senhoras e serviçais faziam as suas compras de frescos, com a ceirinha no braço.
Começou a ser demolido em 1952. Não me lembro de lá ter ido alguma vez, mas lembro-me bem das minhas avó e mãe falarem dele com saudade. Por altura da demolição tinha 6/7 anos.

Já me referi algumas vezes a este espaço aqui no blogue. É o lugar do Olival e o espaço presente é uma pequena parte da superfície que ocupou durante séculos.
Nas fotos, em cima, o mercado ainda exitia; Em 2006  parte superior do Shoping estava ajardinada.
Em baixo, já estava vedado o espaço com obras e  como é actualmente.

Evolução das obras do lado dos Clérigos

Recuando no tempo, o Lugar do Olival pertencia ao Bispo do Porto. Não sei se doado pela Rainha D. Teresa, mãe do nosso primeiro Rei, D. Afonso Henriques. O Bispo D. Vasco Martins em 1331 cedeu à Câmara do Porto este espaço com a cláusula de não ser destinado a feira. No entanto em 1682 foi criada a Feira de S. Miguel, mais ou menos onde os cordoeiros se estabeleceram em 1661, ficando esta parte do Olival a ser conhecida como Cordoaria. Que ainda se mantém, embora o Jardim se chame de João Chagas.
Estou a fazer fé no site da Câmara do Porto  http://www.cm-porto.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=cmp.stories/372 . A história - ou que se lê dela - é um pouco confusa. Mas para o caso não interessa nada de momento.
Seria este o Campo do Olival. Para uma orientação mais ou menos definida dos dia de hoje em espaço - a foto é de 2007 - digamos que ia desde a Torre dos Clérigos a Sul até para lá da Praça de Carlos Alberto a Norte (ainda existe a Rua das Oliveiras); e a Cordoaria (hoje com Jardim) a Oeste, até a Igreja dos Clérigos a Leste.
Um dia ainda hei-de fazer um Roteiro desta Zona pois para além de ser uma das mais importantes da Cidade é digna de ser visitada. Ver para crer.
Antes e agora
Devido a um acidente sofrido por sua esposa D. Mafalda neste lugar do Olival quando se dirigia para Guimarães, D. Afonso Henriques prometeu mandar erigir uma capela em honra de S. Miguel-o-Anjo se a Rainha ficasse curada. Assim aconteceu e o Rei cumpriu a sua palavra e até hoje, para nós tripeiros o lugar é o do Anjo. Já lá vão mais de 800 anos.
No local da Capela foi erigido um recolhimento (do Anjo) em 1672 para albergar senhoras nobres sem bens. Foi, acho eu, o Convento de S. José e de Santa Teresa das Carmelitas Descalças, demolido após o Cerco do Porto - Guerra Liberal entre D. Pedro IV e D. Miguel - foi então transformado no Mercado do Anjo. Ficou o nome da Rua Das Carmelitas e da Praça de Santa Teresa, mais tarde mudada para Praça de Guilherme Gomes Fernandes, o Bombeiro. Mas na nossa identificação de Portuenses, continua a ser a Praça de Santa Teresa. 
 Então vamos seguir para o presente.
Ainda não percebi como se permite estacionar neste local havendo um parque de estacionamento a cerca de 50 metros. Estão lá os mecos em ferro a vedá-lo (melhor "dizendo" estão lá alguns) mas não adianta. 

O tal concurso que a Câmara abriu e publicou em 2007 até à abertura do novo espaço, decorreram 7 anos. É certo que a parte pedonal foi aberta em meados de 2013. Mas só dei fé de há cerca de 2 meses o Jardim das Oliveiras, na parte superior, ter sido aberto.
A obras iniciaram-se em 2010 e o prazo para a abertura seria na primavera de 2012. Os custos também derraparam, coisa normal em qualquer obra no País. Tanto quanto eu saiba, a Câmara não teve nada a ver com o assunto. Mas sobre isso já escrevi antes.
Reconstituição da Porta do Olival

Lê-se no site da Câmara atrás referido que a Farmácia tem 200 anos. São dignos de ser vistos o tecto e os móveis. O Café da Porta do Olival funciona com este nome desde pelo menos 1853. No entanto deve ter derivado de um antigo botequim, o Botequim de Adães que já existia há anos, segundo podemos ler num escrito do Prof. Germano Silva no Jornal de Notícias e reproduzido no blogue do amigo http://cadernosdalibania.blogspot.pt/2014/01/cafe-da-porta-do-olival.html
Neste café podem ver-se algumas pedras da antiga Muralha Fernandina e existe ainda um pouco da Porta do Olival que se abria para o Morro da Vitória e a sua Judiaria. A talhe de foice, diga-se que vale a pena descansar da jornada neste café e comer entre outros petiscos um delicioso lombo de porco assado. O meu preferido.

Pormenor da passagem inferior que liga os Clérigos às Carmelitas. 
Creio que se chama Passeio dos Clérigos.

Os edifícios das Carmelitas vistos do Jardim. 
Destaque para a Livraria Lello.

Alguns dos edifícios sofreram melhoramentos e limpezas das fachadas.
Já agora gostava de saber porque é que em alguns locais onde foram plantadas as oliveiras ao qual o público não tem acesso por estar vedado, se plantaram também uns arbustos que mais parecem mato selvagem. É para o pessoal não "saltar o muro " julgando que se vai picar naquelas ervinhas ? Se é para imitar um "monte" de oliveiras, é erro do tamanho da Torre dos Clérigos. Tanto quanto fui apreciando ao longo do País em terrenos cultivados com oliveiras, estes estão sempre limpos. Se estou errado, os meus amigos podem-me corrigir.  
 No centro do Jardim um bar de apoio aos visitantes.Tem música, mas acho que é só à noite.

Olhando para a Velha Senhora. 
O Jardim relvado e bem tratado, para já pelo menos, serve de descanso e as oliveiras dão sombras. E dá um bem melhor aspecto do que as "ervinhas".

De dentro do espaço do Bar, uma panorâmica incluindo o lado Leste do 
edifício da Reitoria da Universidade

Olhando para Sul e o casario que veio substituir os Muros da Muralha Fernandina. Enfim não sei se serão dessa época, mas a Muralha corria por aqui. Mais metro menos metro.
Uma Oliveira com frutos ainda verdes. 

A entrada para o Jardim pelo lado dos Clérigos. A estátua memoriza D. António Ferreira Gomes, o grande Bispo do Porto. Pormenores e história já referidos neste blogue.
A rodear o pedestal cá estão as tais ervinhas. Mas que me lembre sempre existiram flores no outro canteiro. Porque não agora ?

Do lado da antiga Porta do Olival, obras recuperam edifícios. À direita a estátua do Camilo vestido e a mulher (uma das suas muitas mulheres, mas qual ? não interessa) nuinha da silva. É uma memória ao Amor de Perdição. Já mostrei a minha indignação ao autor da obra pela nudez da mulher. Ainda se estivessem os dois nús, vã que não vá. Mas o escultor tem um gosto muito especial por mulheres nuas. Pelo menos em esculturas...É só ver as suas obras. Claro que se houvesse uma explicação talvez entendesse melhor.

Os turistas que enchem a Cidade aproveitam para trabalhar o bronze. Para nós, é uma delícia a sombrinha, onde a loirinha não aquece de repente.
Vale a pena espreitar os vitrais da Garrafeira dos Clérigos.
E olhar as suas montras onde a Torre se reflecte apreciando os nossos vinhos, digestivos e não só.

E lá vai o 22  caminho da Batalha

Tenho de terminar que esta coisa já vai longa. Sei que vos é difícil aturarem estas minhas deambulações. Mas tenho de deixar uns apontamentos.
Atrás escrevi que a zona é digna de ser visitada. Não tenho dúvidas. Se não vejamos, Torre e Igreja dos Clérigos; o edifício do antigo Tribunal e Cadeia da Relação; Por trás é a Rua de S.Bento da Vitória com a sua Igreja Paroquial e o antigo Convento de S. Bento. Resquícios da Judiaria do Olival e um miradouro com vistas espectaculares. 
Voltando à frente e a seguir à Cadeia, é a Igreja de S. José das Taipas. Podemos apreciar a casa onde nasceu Almeida Garrett e os Casarões com história dos Brito e Cunha e dos Sandeman. Digamos que fizemos um percurso pelo sul. 
Voltando à direita e é o Palácio da Justiça com um miradouro nas traseiras sobre as Virtudes e o Hospital de Santo António. Voltamos à direita e encontramos um pequeno Jardim com o busto dedicado a Júlio Dinis, em frente a Faculdade de Medicina e as majestosas Igrejas do Carmo e dos Carmelitas. A seguir é a Praça de Carlos Alberto, tendo à esquerda o belo painel lateral da Igreja do Carmo em azulejos. No centro da Praça as Estátuas do Soldado Desconhecido e do General Humberto Delgado. Por trás o Palácio de Balsemão e o Centro de Materiais de Construção. Pela direita, é a Rua das Oliveiras que ainda nos recorda o Olival, bem como a Fonte que esteve neste local mas passou para umas dezenas de metros mais à frente. 
Regredindo, estamos na Praça dos Leões - este topónimo nunca será esquecido - com a sua bela Fonte e o edifício da Reitoria da Universidade do Porto, que alberga exposições temporárias e os Museus de História Natural, há pouco tempo aumentado e o de Mineralogia.
À esquerda inicia-se a Rua das Carmelitas com belos palacetes e vamos olhar a Livraria Lello, agora com visitas programadas. Do lado direito, estão dois dos mais antigos cafés da Cidade: O Universidade e o Âncora Douro, mais conhecido por Piolho.
Seguindo este percurso, podemos repousar no Jardim da Cordoaria. Enfim, já não é um jardim como foi, mas paciência. Novas arquitecturas paisagísticas ao abrigo do Porto, Capital Europeia da Cultura. Para a esquerda, passando o Jardim, encontramos o novo Olival. 
Para os amigos interessados, podem ir ver no índice cada uma destas relíquias. Só é preciso tempo e paciência, que parece não existir nos dias de hoje.