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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

251 - Sugestões para visitantes - Roteiro 1

De vez em quando amigos escrevem-me a pedir sugestões para visitar o Porto, a minha/nossa Cidade.
Há uns anos fiz umas publicações aqui no blogue com sugestões de roteiros e também em formato pps mas entretanto a cidade foi mudando. Claro que os seus monumentos não mudaram nem a sua história.
Nem sempre é fácil dar sugestões porque tudo é relativo dependendo do gosto e do tempo dos nossos visitantes mas vou deixar algumas ideias que depois de misturadas podem ser aproveitadas.

MORRO DE PENAVENTOSA - Marcas pré-históricas estão espalhadas pela Região, mas a História da Cidade do Porto começa neste morro e num Castro Celta, o primeiro povo que o habitou. Lêem-se outras histórias mas não é importante para o nosso caso. Umas muralhas defendiam o castro.
Pormenor do Morro de Penaventosa visto do miradouro da Vitória. Casario, Sé Catedral, Paço Episcopal e Igreja de S. Lourenço, mais conhecida como Igreja dos Grilos.

A Romanização: A partir do séc. II a. C. (há quem escreva que é a partir do séc. IV a.C.) a progressiva influência cultural e a ocupação romana do território originam inúmeras transformações.
Hoje já não há dúvidas que o antigo Castro foi rodeado por uma muralha romana, há quem escreva construída sobre os muros duma muralha velha. Existe um pequeno pano e um cubelo recuperados há uma vintena de anos, junto à Casa de D. Hugo. No entanto, está perfeitamente identificada a cerca conforme podemos ler e ver na planta da página  http://www.portopatrimoniomundial.com/a-muralha-romana.html.

A referida Casa de D. Hugo, a segunda casa mais antiga da Cidade, era de traçado gótico e foi destruída mas aproveitaram uma das suas paredes para a construção de um novo edifício. Durante as escavações detectaram-se vinte camadas arqueológicas integrando ruínas arquitectónicas  e objectos desde o séc. IV-III a. C. Foram identificados vestígios do castro pro-histórico que esteve na origem do centro urbano bem como das ocupações romanas e alti-medieval que lhe sucederam: Visigodos, Vândalos, Árabes...
Visita com marcação no Museu Guerra Junqueiro, na mesma Rua, que iremos visitar.
As fotos já têm uns anos, mas podemos confirmar que há novas escavações e achados na página:
http://www.visitporto.travel/visitar/paginas/viagem/DetalhesPOI.aspx?POI=1333

Casa Museu Guerra Junqueiro e Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro - Luís Pinto Mesquita de Carvalho Guerra.
A Rua estreitinha de D. Hugo separa dois edifícios-museus dedicados ao Poeta Guerra Junqueiro. 
Casa Museu instalada num edifício construído no segundo quartel do séc. XVIII recria o ambiente privado da sua residência.
Apresenta das mais notáveis colecções de artes decorativas da Cidade, tanto nacionais como estrangeiras.
Exposição de mobiliário, têxteis, ourivesaria, cerâmicas, etc entre os séc. XV e XIX podem ser apreciadas em toda a sua beleza.
 A Fundação completa a exposição das colecções do Poeta.
Ambas devem ser visitadas porque se completam mas os horários de funcionamento são diferentes.

Seguindo a Rua de D. Hugo até ao fim, encontrámo-nos no Terreiro da Sé.
Todo este enorme espaço era composto de ruelas com casas em avançado estado de degradação e de feição medieval que foram demolidas. A Casa Torre Medieval, na imagem, foi descoberta, reinterpretada e reconstruida uns metros para sul do local de origem, incluindo uma varanda gótica na fachada Norte que segundo escrevem foi criada pelo arquitecto Rogério de Azevedo.
Mantiveram-se mais ou menos, os traçados de algumas das ruas medievais. A elas voltaremos.
Sé Catedral: Igreja, Altar-mor e Altar do S.S. em Prata, Capelas, Arqueologia, Claustros, Azulejaria, Casa do Cabido, Tesouro e a fantástica colecção de escultura religiosa, com imagens desde o séc. XII-XIII. Vale a pena ir à descoberta.
A construção da Sé começou no séc. XII e prolongou-se até ao início do sé. XIII. Sofreu imensas alterações ao longo dos tempos, mantendo o carácter geral da época românica na fachada e no corpo da Igreja de três naves. O gótico e o barroco estão bem representados.
É um dos Monumentos mais antigos de Portugal
 Salas do Cabido
Sacristia
Logo abaixo do Terreiro, encostado ao paredão do miradouro, encontramos o Chafariz da Rua Escura. Foi transferido para este local em 1940.
Também conhecido como Fonte de S. Sebastião é uma obra do séc. XVII.
Colégio, S. Lourenço ou d'Os Grilos:
Caminhando um pouco pelo Largo, encontramos as Escadas do Colégio já existentes no séc. XVI, que nos leva ao Largo do Colégio e ao antigo Convento e Igreja de S. Lourenço, mais conhecida como a Igreja dos Grilos. 
Com início da construção pelos jesuítas em 1577, em estilo maneirista barroco, o conjunto de edifícios pertence actualmente ao Seminário Maior que os ocupa desde 1834.
 Capela-Mor
Por qualquer razão, esta Igreja tão próximo da Sé, é pouco visitada. Uma pena, pois a sua história, a arquitectura e as artes de pedreiro, de entalhador, de pintura deveriam ser mais apreciadas. Falta uma verdadeira divulgação. 
Fabuloso Retábulo na Capela de Nossa Senhora da Purificação em talha dourada que entre outros elementos cénicos nos apresenta nichos relicários. Informaram-me pessoalmente que cada nicho tem a imagem do Santo devoto de cada uma das confrarias que estiveram sediadas na Igreja.
Numa ala seiscentista do antigo Colégio está instalado o magnífico Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição.
No domínio da Escultura, destaque para a Sala Irene Vilar 
(Matosinhos, 11.12.1930 - Porto, 12.5.2008)
No nosso imaginário todo este conjunto de edifícios estava dentro das Muralhas Primitivas, as de origem Romana. Que para além do pano visível estão no sub-solo muitas marcas devidamente identificadas.
O Porto urbano foi-se expandindo para além destas Muralhas e que rodeavam o Morro de Penaventosa. No séc. XIV o Rei D. Afonso IV mandou construir uma nova cerca que só ficou concluída cerca de 1370 e no reinado de D. Fernando I, seu neto. Por isso estas muralhas medievais são mais conhecidas por Fernandinas e limitavam uma área de 44,5 hectares.
Nas proximidades do Morro de Penaventosa desde as Muralhas, podemos apreciar belas paisagens sobre o Rio Douro e o casario dos bairros que se encontram à volta. 
Encostado às Muralhas do lado interior, foram construídos o Convento e a Igreja de Santa Clara concluídos em 1457, substituindo um pequeno e velho convento do séc. XIII.
Com a morte da última freira no séc. XIX o convento foi extinto mas recuperado pelo Estado Português e adaptado para instituições de cariz social.
 Portal da entrada da Igreja
Uma visita é obrigatória. Juntamente com a Igreja do Convento de S. Francisco são denominadas as Igrejas forradas a ouro do barroco joanino. Impressionante o trabalho da talha dourada executado entre 1730 e 1744.
Actualmente está em restauros mas não sei se é permitida a entrada. Vale a pena tentar depois de um passeio pelas Muralhas.

Partindo do Morro de Penaventosa, temos várias alternativas para seguir em direcção ao Rio caminhando por ruas, escadas, estreitas com traçados medievais. E pequenos largos que marcam encruzilhadas. Os vários miradoiros permitem-nos olhar os casarios, muitos deles recuperados a partir da traça primitiva.




Vista desde o Morro de Gaia, da Ribeira até Penaventosa.

Os Arcos de S. Sebastião, encostados à Torre Medieval, pertenceram à Porta de Vandoma. Quem o escreve é Prof. Germano Silva e que podemos ler na íntegra no blogue amigo http://cadernosdalibania.blogspot.pt/2016/07/os-arcos-de-vandoma.html

Casa Torre na Rua de Baixo, no Barredo. Considerado o edifício mais antigo da Cidade, construído provavelmente no séc. XIII.
Para descansar e comer uma verdadeira Isca da Ribeira, recomendo a casa da D. Ermelinda e da sua filha. Mas costuma ter outros petiscos: Polvo cozido, moelas, fígado de cebolada, etc. e tal.
Foi-me apresentada pelo meu querido amigo Álvaro há cerca de 9 anos. 

Caros amigos e amigas, ilustres visitantes. Este é o primeiro roteiro que vos proponho. Não me alonguei em pormenores, pois serão vocês que os terão de descobrir. E Penaventosa ou Pena Ventosa merece.
Até ao próximo

domingo, 18 de outubro de 2015

228 - Eu, cicerone na minha Cidade - Parte II

Depois de umas chuvadas, o ambiente fica mais limpo e daí o que nos rodeia mostra-se com outras cores mesmo estando o céu encoberto.
Prosseguindo o meu ciceronear por algumas lugares do meu-nosso Porto retorno às Fontaínhas do S. João, o santo da nossa alegria pelo menos uma vez por ano. Lugar onde se encontravam ribeiros vindos de várias nascentes da Cidade .
A velha Fonte que no S. João é transformada em Cascata onde o Baptista baptisma Cristo. Imagem por demais conhecida dos Tripeiros e não só.
A água de um desses ribeiros seguia pelo aqueduto - do qual ainda podemos ver uma parte no Arco das Verdades - para o Convento de Santa Clara e depois para o Colégio de S. Lourenço (mais tarde convento dos Frades Agostinhos, mais conhecido como dos Grilos). Hoje é o Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição, anexo à Igreja.

As árvores da Alameda ainda não mostram vestígios do Outono.

A longo do Percurso da Alameda e do Passeio das Fontaínhas, a paisagem sobre o Douro e Gaia é fascinante.
Voltando a imaginar as Carqueijeiras subindo a Calçada com aqueles fardos enormes com que se acendiam os fornos da Cidade.
Zona muito habitada ao longo da escarpa, com sérios riscos de desabamento e de deslocamento de pedras.
Vale a pena percorrer o Passeio até aos Guindais superiores.

 Cenas do cotidiano. Figuras, câmaras ao ombro e mapas na mão, estão por todo o lado na Cidade.

A histórica Rua de Cimo de Vila foi percorrida desde a Praça da Batalha até à não menos histórica Rua Chã. Na postagem nº 28 descrevo o que aprendi sobre todo este espaço que vem desde Vandôma e existia no interior das Muralhas Fernandinas.
A foto é só para relembrar o que julgo ter sido a entrada do Paço da Marquesa, casa com recordações desde o séc. XIV.
 No Largo da Rua Chã, entre as Ruas de Cimo de Vila e do Cativo a velha fonte que terá substituído uma primitiva que não se encontrava neste local, mas a poucos metros de distância.
Do lado direito vê-se o Teatro Nacional de São João. E à esquerda a Igreja da Ordem de Nossa Senhora do Terço.
Entre a referida postagem nº 28 e esta, estão cinco anos pelo meio. Se os meus queridos amigos Portuenses e não só se derem ao trabalho de comparar as diferenças dos textos e das duas fotos notarão que algo já não existe: o urinol.

Atravessada a Avenida da Ponte - monstro para uns, inútil para outros, que não ata nem desata com o que quer que seja, mesmo depois de uma quantidade de projectos -  entramos no Morro de Penaventosa pela Vandoma.
Os turistas apreciam a paisagem do casario, provàvelmente desconhecendo o que foi este lugar primitivo, com presença humana desde há 2.500 anos. Depois vão até à Catedral, descerão à Ribeira pelas ruelas que ligam ao bairro da Sé, ou, ou, ou. Não interessa para o caso.
Os Guias humanos não têm a preocupação de lhes mostrar a belíssima galilé de Nasoni que está à frente dos olhos, nem os folhetos turísticos lhe dão grande relevo.
Ora, e muito menos lhes mostram o que resta visível da primitiva muralha, definitivamente reconhecida como romana, não querendo dizer com isto que outras muralhas não existam no sub-solo do Morro e que os arqueólogos tratam de desvendar.
E o que está por trás dela, a Casa de D. Hugo, primeiro bispo do Porto a quem D. Teresa entregou o Burgo e o Couto em 1120 do ainda então Condado Portucalense.
Nesta casa está à mostra a sequência da vida humana que nos leva ao séc. IV antes de Cristo.
Tudo isto já referi nestas páginas (que vaidoso sou, até parece que estudei ) anteriormente e por isso é só uma lembrança.

Sempre que há uma oportunidade temos de a aproveitar. Em S. Sebastião, enquanto falava de outras coisas e por contágio da Casa da Mariquinhas, apanhei uma abertura da porta para pedir autorização e entrar, tentando matar saudades de tempos idos. Era a hora da limpeza mas mesmo assim fiquei com a imagem. Conversa vai e vem e com o jovem senhor que nos autorizou a entrar troquei palavras sobre velhos amigos e do espectáculo que tinha acontecido dias antes no Coliseu, recordando a Amália, ao qual tive o prazer de assistir convidado.
 
Do Miradouro de S. Sebastião não se vê se a porta da Igreja dos Grilos (S. Lourenço verdadeiro nome) está aberta. Um grito a perguntar para um senhor que passava no Largo do Colégio, foi-nos confirmado que sim. Não sei como fiz chegar lá a baixo a minha pergunta, mas sei que foi respondida.
É sempre impressionante olhar a fachada da Igreja seja de onde for. Descemos as velhas Escadas do Colégio e entramos.
Andavam por lá dois casais de turistas talvez ainda não tenham chegado à melhor idade; mas só se riam. Entendi que falavam francês mas não sei o motivo do riso neste templo extraordinário.
Continuam a não ser bem identificadas as várias secções - chamemos-lhe assim -  nem o belo Museu de Arte Sacra. O senhor que por lá se encontra, provàvelmente um extraordinário conhecedor ligado à Igreja, também não está muito interessado em dar uma ajuda ficando sentado na sua secretária de canto.
Gosto de visitar esta Igreja e o Museu e as secções. Esteve em tempos provàvelmente um seminarista, com uma mesinha na entrada, que nos recebia simpaticamente e tratava logo de nos dar informações e encaminhar.

Por casualidade, uma luz extraordinária deixava-nos ver e perceber toda a beleza do retábulo em talha dourada da Capela de Nossa Senhora da Purificação, irmandade criada em 1886.
Passamos à  Sacristia Nova
 Pormenor num dos painéis
 Pormenores em paramentos expostos em vitrinas

 Pormenor do relógio cuja origem continuo a desconhecer.
Escrevi vários textos (ai de mim...) sobre esta Igreja dos Grilos ou S. Lourenço, aqui neste espaço. A primeira vez que a visitei foi com o meu falecido irmão há cerca de oito anos. Fiz alguns trabalhos sobre ela, porque realmente é uma igreja que me fascina bem como o Museu de Arte Sacra.

Depois é só descer um pouco até ao miradouro e apreciar o que a vista alcança.

 Descanso para tomar uma loirinha no Fado Menor e olhar Vila Nova de Gaia ao final da tarde.

Impressiona sempre olhar o casario desde cá de baixo, apoiado ma pedreira, que não parece mas é enorme.

Foi mais um passeio, que embora com algumas repetições nos trás coisas novas.


domingo, 6 de setembro de 2015

226 - Moeda ao ar

Tive na sexta-feira uma missão a cumprir. Aliás, foi um dia de missões a cumprir e  por isso levantei-me "muito de madrugada". Eram 7 horas. Mas esta missão era muito importante porque foi imposta à ordem de um certo Bando do Café Progresso.

Saí do transporte público na Capela das Almas e dirige-me à Batalha. Pelo caminho nada de interessante a registar. A multidão continua a encher a Rua e as Esplanadas. Os restantes Comércios quase às moscas. Reparei neste mural feito de reproduções de reproduções de pinturas serigráficas que muitas vezes estão na rua expostos. Deve ser recente pois a cola ainda os mantém unidos. Adiante.

Depois da missão cumprida, que foi exactamente no Parque das Camélias de onde partem serviços de transportes públicos com destino a Sul, principalmente para Gaia e arredores, sentei-me à sombra das Muralhas Fernandinas, nos Guindais.
Estava no Largo Actor Dias e comecei a olhar em volta.
A pequenina Estátua de Arnaldo Gama, no local onde esteve a do Porto que agora está na Praça da Liberdade, é fotografada com carinho. Reparem no estilo da pequenina fotógrafa. É assim que começa o vício.
Não estranhei pessoas  no elevador que sobe e desce até ao elevador dos Guindais. Só mais tarde li nas portas do dito elevador dos Guindais, na Ribeira, que estava encerrado. Sem mais informações. Lamentável é apenas o que tenho a dizer.

As ruínas daqueles arcos pertenceram a um palacete que serviu durante dezenas de anos à Escola Comercial de Oliveira Martins, onde fiz algumas cadeiras há muitos anos. A entrada era pela Rua do Sol e os terrenos estendiam-se até à Alameda das Fontainhas, mas foram utilizados para a construção do Viaduto que creio chamar-se Rua Duque de Loulé. 

 Já que estava à sombra das Muralhas, não custava nada registar um pormenor mesmo sentado.
A casa era a do antigo Elevador dos Guindais que um dia se desprendeu e foi por lá abaixo 
até à beira do Rio Douro.

Sem qualquer razão, nunca fotografei exclusivamente o Chafariz nem o incluí nos meus "trabalhos" sobre Fontes e Chafarizes do Porto. Também não descobri qualquer referência sobre ele, mas sei, pelo menos, que é anterior a 1910.
Cansado de descansar dei comigo a pensar o que fazer a seguir. Apetecia-me tanta coisa que resolvi atirar uma moeda ao ar e ela que resolvesse o destino: descer os Guindais ou ir até à Sé.

Os Guindais são um fascínio para olhar a Ponte D. Luís. Mas enfiando pelos seus cantos, temos miradoiros extraordinários sobre o Douro e Gaia. Existem dois clubes, o Cultural e o Guindalense, a meio e no fim respectivamente, que têm cervejinhas frescas a bom preço. Mas ainda era cedo, a viagem relativamente curta e a sorte da moeda acabou por determinar a  Sé, ali a uma centena de metros.
Aproveitando o trajecto, espreito a Igreja de Santa Clara que está em restauros e por isso fechada. Mas quem quiser dar um saltinho às Muralhas não perde nada.

O que chamamos de Sé é não só a Catedral mas o que a envolve.
O Miradouro no Largo ou Calçada de Vândoma é outro fascínio que não podemos recusar. Lembremo-nos que estamos no Alto de Penaventosa onde tudo começou desde logo o nome Portugal e alonguemos a imaginação e a vista, pensando no primitivo povoado Celta sem data verdadeiramente definida mas de alguns séculos A.C. ali aos nossos pés; na era Romana e as suas muralhas que os historiadores dizem terem sido edificadas por eles da qual resta um pequeno cubelo bem próximo à entrada de Vândoma e em que ninguém repara; um pouco mais além a Cidade Medieval antiga que se foi alargando até à Vitória e Miragaia, registos existentes em monumentos e nas muralhas do séc. XIV que sobraram. Dos Mouros que nos invadiram e foram donos da Cidade e da Região, parece que a história só nos relata o sangue das muitas batalhas travadas até os expulsarmos no séc. IX depois de 150 anos de usurpação. Mas ainda demorou mais 50 anos para definitivamente serem despachados.
Gostava de saber exprimir o que sinto para descrever aos amigos o que são os meus olhares sobre estes casarios, as torres das igrejas e conventos que se descobrem, os séculos de história que se tentam preservar.
Para Norte, mandado desbravar pelos Almadas, entre as torres da Cidade moderna vislumbro a torre da Igreja de Nossa Senhora da Conceição no ponto geograficamente mais alto da Cidade, o Marquês para os Portuenses e que foi a minha zona de vida durante 17 anos.

O registo de um Casamento na Sé. 

Outro miradoiro que nos deixa abismados está mesmo em frente, do lado esquerdo superior da foto, junto à Igreja de Nossa Senhora da Vitória. É uma pena aquela casa-torre e os fios que ela segura, tapar uma parte do bom visual para estes lados.

Descendo 50 metros encontramos outro miradoiro. Fica abaixo do Largo do Terreiro da Sé. À esquerda na foto, a Igreja de S. João Novo em Belmonte, com Miragaia aos pés para o outro lado. Para cá é S. Nicolau.
Apraz-me duas coisas. Ver muitas casas restauradas e saber que a Casa da Mariquinhas reabriu e com uma novidade, Fados à Tarde em alguns dias da semana. Vamos lá, amantes do Fado. É aqui em S. Sebastião de onde estou a olhar o que me rodeia.

 Baixamos os olhos para o Rio Douro e encontramos S. Nicolau e a sua Igreja, embocando para a Alfândega Nova a caminho de Miragaia.
Do outro lado do Rio, os restos do que foi um grande estaleiro, servindo hoje para restauros e arranjos dos Rabelos que ancoram no Cais de Gaia.
Chegados aqui, antes ou depois de visitarmos a Sé e a Igreja de S. Lourenço, ou dos Grilos como lhe chamamos, pôem-se a questão se pretendermos ir para a Ribeira.
Pela direita, dois itinerários. Vamos pelas Ruas das Aldas, de Santana, Penaventosa ? Ou pela Rua Escura, Bainharia, Souto, Pelames, Mercadores ? É certo que as podemos entre-cruzar em vários pontos. Umas estavam fora outras dentro das primitivas Muralhas, a dos Romanos.
A moeda ao ar escolhe a esquerda.
Retorno ao Terreiro da Sé, desço as escadas encostadas ao Palácio Episcopal, encontro a Rua de D. Hugo.

O muro do Seminário não deixa ver o Rio, mas a imagem sobre Gaia e as Caves de Vinho do Porto é magnífica.

 Finjamos não ver a arruinada Capela da Senhora das Verdades, descemos mais umas escadinhas e entramos na Rua do mesmo nome. Se seguirmos em frente vamos dar ao Codeçal. Dá para recolher uma imagem da Ponte D. Luíz, das Muralhas e do Convento de Santa Clara. Pormenores, claro.
O que resta do antigo aqueduto que levava a água das Fontaínhas até ao Convento de S. Lourenço (ou dos Grilos como dizemos)  o Arco das Verdades, está meio encoberto pelo entaipamento de uma casa em reconstrução.
Mas sem a moeda determinar, vamos voltar à direita e percorrer o Barredo

Entra-se pelas Escadas do Barredo, o bairro de gentes tão acarinhadas pelo Padre Américo. E que foi restaurado rua a rua, casa a casa, pela CRUARB que o ex- Presidente Rui Rio resolveu despachar.
A descida é íngreme pelas Escadas mas que nos há-de levar à Ribeira após atravessarmos ruelas que se entre-cruzam no interior do Bairro.

 Jovens turistas acompanharam-me um pouco na descida. A meio das Escadas apaixonaram-se pelo gatito que estava sossegado à sombra.

 Olhando para fachadas, algumas das quais com nichos que deveriam ter tido imagens de Santos.

Algum caminho descido e um olhar para trás dá-nos ideia do que é subir este morro.

Pensei que o altar do Senhor da Boa Fortuna na Rua do Barredo já lá tivesse uma imagem representativa. Um escrito do Prof. Germano Silva publicado há pouco levou-me a isso. Boato falso. Tudo como da primeira vez quando visitei o Barredo interior há mais de 8 anos.
As festividades em honra deste santo costumavam ser em finais de Agosto, principalmente na Vitória. Não sei se a tradição se cumpriu.

Este é o Largo do Padre Américo onde umas senhoras da melhor idade desenham e pintam.

Por entre o casario de cores quentes, vê-se Vila Nova de Gaia.

Pormenores entre ruas que se cruzam

A Casa Torre é um dos edifícios mais antigos da Cidade e sem dúvidas do Barredo. Remonta ao séc. XII ou XIII.

O Largo do Terreirinho e o Fontenário restaurado.
Diga-se de passagem, os puristas da língua exigem que se escreva Fontanário, porque vêm do latim Fontana, fonte + ário, sufixo que exprime função. Mas por dissimilação achamos que Fontenário está bem dito e a palavra foi registada nos dicionários. 

Ruínhas estreitas, com escadas entre desníveis do caminho onde o sol nunca bate. Mas onde pára a população, senhores ? Se não fossem as passagens de um ou outro habitante, um ou outro turista, as roupas a secar às janelas, diríamos que estamos no meio de paredes sem vida. E nota-se perfeitamente que há casas desabitadas.
Há anos perguntei a uma jovem que encontrei numa destas ruas, o porquê da desertificação. Resposta simples: o custo do aluguer das casas restauradas, os idosos sem posses foram viver com as famílias, outras que desajoladas para outros locais não quiseram regressar após os restauros. Campanhã e os seus bairros sociais receberam a maioria que por lá ficaram. Tanto quanto eu saiba, não houve e continua a não haver uma política de reintegração populacional nesta parte da zona histórica. E em algumas casas começa a notar-se a degradação.
Ali em baixo está a balburdia da Ribeira.
Reparem nas lajes gastas por gentes que aqui viveram anos difíceis, mas se calhar mais alegremente do que hoje.

Mesmo em frente da famosa casa das Iscas da D. Ermelinda, que por sinal estava fechada, era escusada esta visão.

Chegamos à  Ribeira, onde o homem-estátua-sapateiro provoca a admiração das crianças acabadas de chegar de um passeio de barco.
Por cada moeda ofertada, o bater na sola do sapato assusta a meninada.

As fachadas das velhas casas do Muro da Ribeira

O movimento da Ribeira

Encaminhando-me para o bar meu preferido, reparei na Sardinha da fachada desta casa. Quase poderei jurar que não estava lá há 15 dias. 
Pegada, a casa onde nasceu o Comandante Carvalho Araújo heróico marinheiro na 1ª Guerra Mundial.

Enquanto descansava e me dessedentava, estendia o olhar em volta. Os famosos Meninos Saltadores da Ponte.

Nunca havia visto este elegante barquito. Não deve pertencer a estas paragens, mas nunca se sabe.

De repente, vi passar lentamente um caíque que não me pareceu estranho. Será mestre Gastão, ex-companheiro e seguidor do Duque que fazia a ronda do rio ?
Há pouco teve direito a reportagem e entrevista num jornal que publiquei na minha página do Face. Um homem de grande exemplo para a humanidade.

O Codeçal termina ou começa, conforme as situações, junto à Ponte D. Luíz. E o painel publicitário do novo Porto não fica nada bem esticado no paredão que sustenta a parte ribeirinha do morro. Mesmo reconstruído em pedra moderna, tira-lhe a majestade e fere a visão.
Bem que podiam tratar melhor a página da Cidade na internet em vez de andarem a espalhar em sítios menos próprios painéis modernistas com a nova imagem que na minha opinião se parece com tudo menos com a Cidade do Porto.

A seguir não podemos deixar de olhar a Ribeira Negra. Este painel nunca fere susceptibilidades visuais.

Para montante do Douro, novos olhares, novas Pontes. E bem no alto do morro das Fontaínhas o Colégio dos Orfãos, local de lutas acesas com as tropas napoleónicas durante as Invasões Francesas e também durante o Cerco do Porto.
Mas como diz o Prof. Joel Cleto, isso são já outras histórias.
Meus amigos e amigas, queridos e queridas visitantes. Este passeio não custa nada se for feito no sentido "sempre a descer". É o lema que uso e utilizo também como arma.
Mas é só mais um passeio turístico como tantos que temos na Cidade. Se conseguir meter um pouquinho na alma o Ser Tripeiro e Portuense o "aroma" é diferente.