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segunda-feira, 28 de março de 2016

242 - Quinta-Feira Santa - II Parte - Igrejas

Recordando a Quinta-Feira Santa da minha mocidade e a visita às Igrejas, lembro-me que se deviam visitar números ímpares: 1, 3, 5 e por aí fora. No caso de ser impossível, deveríamos sair da Igreja e voltar a entrar, completando-se assim os números ímpares de visitas. Mas as visitas podiam completar-se entre a Quinta e a Sexta-feira. Se não estou errado, foi este o conceito que me foi pregado.

As visitas eram feitas acompanhando a minha Avó e por vezes a senhora a quem ela governava a casa, a vida e a mãe. Lembro-me que conheci a Igreja de Santo Ildefonso mesmo antes de conhecer a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Marquês. A do meu lugar.
Talvez uma ou outra visita com o meu Pai mas se o foi aconteceu por curiosidade e casualidade. Ele gozava o fim de semana a partir de Quinta-feira à tarde e por uma razão simples: a dona da empresa onde trabalhava em Campanhã (D. Ilda Paranhos, da Fábrica de Moagem da Granja) era muito religiosa e concedia esse privilégio ao pessoal.

Acabei de saber que é costume antigo visitarem-se 7 Igrejas correspondendo a iguais Passos, com origem provavelmente em Roma. Não sei o que se deve fazer durante a visita. Reparo agora que, curiosa e involuntariamente, visitei 7 Igrejas.
Outra curiosidade, é que se a Igreja de Nossa Senhora da Vitória estivesse aberta, seriam oito. Nesse caso, eu seria castigado por ter contrariado a tradição ?
Deixemos o assunto e vamos à parte séria pois é isso que me faz publicar com prazer nesta página.

O seguimento das imagens estão exactamente pela ordem que visitei as Igrejas.

Igreja dos Congregados
Construída em 1703 no local onde existiu uma Capela dedicada a Santo António (1662-1694). Estava anexa ao Convento da Congregação do Oratório, vulgo os Congregados, construído em 1660.
Durante o Cerco do Porto (Julho1832-Agosto1833) serviu de quartel e arsenal ao Exército Libertador.
Conta-nos Germano Silva que os frades desta Congregação assistiram das janelas do Convento ao enforcamento dos 12 liberais condenados pelos absolutistas de D. Miguel e no local onde temos a Praça da Liberdade, regozijando-se e comemorando comendo Pão-de-ló e bebendo Vinho do Porto.

A Capela-Mor foi reconstruída no séc. XIX recebendo as pinturas murais de Acácio Lino dedicadas à vida de Santo António.

Os azulejos da fachada, igualmente dedicados à vida de Santo António, são da autoria de Jorge Colaço, de 1920.
No alto da fachada, num nicho encontra-se uma imagem do Santo.

Igreja dos Clérigos
Tem como Padroeira Nossa Senhora da Assunção. A Igreja faz parte com a Torre e o antigo Hospital de uma unidade construída por Nicolau Nasoni, obra máxima do Barroco em Portugal.
A primeira pedra da Igreja foi lançada em 23 de Junho de 1732 e a primeira missa rezada em 28 de Julho de 1948.

Ao cimo da Rua dos Clérigos e no patamar das escadas que dão acesso à Igreja, encontra-se uma Capela subterrânea dedicada a Nossa Senhora da Lapa. A imagem feita por Mestre Custódio, custou 11$200 reis foi colocada num retábulo feito por Luíz Pinto e que custou 57$600 reis, em Janeiro de 1756.
Esta capela visível ao público foi desatulhada e restaurada há talvez uns 4 anos.

A construção do templo sofreu muitos revezes, especialmente dirigidos pela Irmandade de Santo Ildefonso, ciumenta da grandeza do conjunto.
Presume-se que a obra tenha sido dada como concluída em 1750.
A monumentalidade do espaço interior acentua-se através do retábulo da Capela-Mor, executado entre 1767 e 1780 pelo arquitecto Manuel dos Santos Porto.

Embora o número de visitantes seja muito grande em qualquer época eram demasiados os que vi. Tentei subir às galerias e à parte museológica, mas a fila para comprar ingresso era tão grande que desisti da ideia.

Dei um saltinho ao Carmo pois pretendia fotografar as fachadas das Igrejas do Carmo e Carmelitas como são mais conhecidas por nós. Uma fotografia capaz é de dificuldade máxima devido aos cabos aéreos, aos sinais de trânsito e outros. Acabei por entrar nas Igrejas embora já as tivesse fotografado anteriormente com intenção única de ver o que se passava no interior.

As igrejas geminadas são Monumento Nacional desde 2013 sendo a dos Carmelitas Descalços - do lado esquerdo e que pertencia ao antigo convento, agora ocupado pela Guarda Nacional Republicana - a mais antiga. A primeira pedra foi lançada em 1619, a igreja concluída em 1628 mas a campanha decorativa só foi dada por concluída em 1650.

Segundo www.monumentos.pt/Site/APP - Igreja e Convento dos Carmelitas, as esculturas da fachada são de barro pintadas a branco a fingir calcário.

A Torre Sineira encontrava-se do lado direito, deslocada para o lado contrário durante a edificação do templo da Ordem Terceira do Carmo, construído em terrenos cedidos pelos Carmelitas em 1751. A primeira pedra da Igreja foi lançada em 1756 e concluída em 1762, depois do aval de Nasoni.
Algumas imagens da Igreja do Carmo:

O retábulo da Capela Mor é de 1773.

 As campanhas decorativas prolongaram-se por muitos anos.

Os Retábulos das seis Capelas laterais remontam a 1771

A fachada é profusamente decorada e o corpo principal ladeado por nichos com as imagens dos profetas Elias e Eliseu. Num nicho central superior a imagem de Sant'Ana em jaspe. Acho estranho, mas se as páginas oficiais o relatam, é porque é.

Muitos visitantes em ambas as Igrejas, formando-se cordões para entrar e sair. Irrita-me um pouco o barulho provocado, nada condizente com as atitudes de reflexão e respeito que se devem ter nos templos de todas as religiões, praticando-as ou não. 

Convido agora para uma visita à Igreja vizinha dos Carmelitas Descalços.

No interior do tempo predomina a talha dourada que extravasa os retábulos das seis capelas laterais e estende-se a determinadas zonas da abóboda. A capela-mor exibe um retábulo de 1767 desenhado pelo Padre Joaquim Teixeira Guimarães e executado por seu pai José Teixeira Guimarães, dois personagens incontornáveis da Cidade do Porto presentes na arte do desenho, cenografia e entalhamento de algumas das igrejas da Cidade, nomeadamente S. Nicolau e da do Convento de S. Francisco. Há ainda o artista José Pereira Campanhã que com ambos colabora na vizinha Igreja do Carmo e também na Vitória. Se estou errado me corrijam.

As pinturas, os entalhes, o ouro ou a prata, as imagens que os santeiros criaram, não adianta tentar explicar porque um leigo não sabe explicar mas sente e julga apreciar a beleza que o rodeia.

Julgava que conhecia estas igrejas e o que elas nos revelam. Puro engano. Há sempre algo novo a descobrir.
  
Regressei ao exterior e para olhar o que nunca cansa ver: O extraordinário painel lateral em azulejos da Igreja do Carmo representando cenas alusivas à fundação da Ordem Carmelita e ao Monte Carmelo. Desenhado por Silvestre Silvestri, pintado por Carlos Branco e executado nas Fábricas do Senhor d'Além e da Torrinha em Vila Nova de Gaia datados de 1912 é uma obra de referência da Azulejaria Portuguesa.

Propus-me um intervalo para refeição e a seguir descer até Belmonte.
No local designado de Boa Vista onde passava a Muralha Fernandina de que se podem ver alguns pormenores e se abria a Porta da Esperança, os Eremitas Calçados de Santo Agostinho iniciaram entre finais do séc. XVI ou princípios do séc. XVII a construção de um Convento e Igreja no local onde existia uma Ermida dedicada a S. João de Belmonte. As obras foram dadas como terminadas apenas em 1779.

A capela mor é coberta por uma abóbada de pedra e o altar foi mandado construir pelo Bispo D. Frei António de Sousa, um frade que pertenceu à ordem.

Capela de Santa Rita de Cássia decorada com azulejos sobre a sua vida.

Não se encontravam visitantes. Uma senhora que deveria pertencer à Igreja e eu éramos os únicos humanos. A única iluminação era dada pela luz que entrava pelas janelas, mas esta minha máquina fotografa até onde não há luz.

 Segui a caminho do Rio e espreitei em S. Nicolau

No local de uma antiga ermida do séc. XIII, foi construída a Igreja de S. Nicolau entre 1671 e 1676. Sofreu um incêndio em 1758 e sua reconstrução terminou em 1762.
No alto da fachada encontra-se um frontão cortado por um nicho contendo a imagem do Padroeiro.
Os azulejos são de 1861.
A igreja está em obras e na altura praticava-se um serviço religioso.

A nave é coberta por uma abóboda de tijolo.

Pormenor de um dos altares laterais, cujos retábulos em talha rococó artisticamente lavrados, são de 1816.

Quase em frente localiza-se a Igreja de S. Francisco, que pertenceu ao extinto Convento onde se encontra o Palácio da Bolsa. Para ela me dirigi e completar o ciclo.

 Monumento Nacional de extraordinária grandiosidade e beleza. Há cerca de 8 anos e meio visitei a Igreja.

Nessa altura (como hoje) não era permitido fotografar e a vigilância não me largou de vista só porque levava a máquina na mão. Era a velha Olympus made in China que fez no dia 9 precisamente 9 anos que a comprei. Fez também precisamente 6 anos que avariou. No dia 10.
Conclusão, porque não me deixaram fotografar a Igreja, raramente me referi a ela. Mas mudei o meu pensamento, mesmo continuando a ser proíbido fotografar.
Entrei de corpo feito e a brincar com o porteiro. Talvez pela quantidade de turistas não me ligou grande importância.
Fui conseguindo algumas imagens entre o aglomerado de pessoas e não ligando importância à luz que é péssima. São as imagens possíveis que não são grande coisa. Não sei se há câmaras de vigilância, mas tive o receio de sentir de um momento para o outro uma mão sobre o ombro, e zás.
Também não sei se irei ter algum problema com a Irmandade por causa da publicação das fotos. Seja o que Deus quiser mas a Igreja fica a ganhar pois resolvi fazer-lhe publicidade.

Profissionalmente, já tinha visitado a igreja em meados dos anos 80 do século passado.
  
Na imagem as duas Igrejas de S. Francisco: à esquerda a da Ordem e à direita a do antigo Convento dos Frades Observantes de S. Francisco.
A sua edificação terá começado em 1244 mas por várias razões arrastou-se no tempo e apenas terá sido construído um pequeno templo de uma só nave.

Nave Central e Capela-Mor
O templo que hoje subsiste teve início em 1383, ano da morte do Rei D. Fernando que concedeu bastante protecção aos Franciscanos. O seu estilo gótico tem características especiais, muito regionais.
A principal campanha de remodelação do templo aconteceu na época barroca, conferindo-lhe o estatuto de Igreja forrada a Ouro.

Uma  má imagem do extraordinário Retábulo na Capela de Nossa Senhora da Conceição e dedicado à Árvore de Jessé, reformulado entre 1718 e 1721 sobre uma obra já existente.

Capela de S. João Baptista
Construída na década de 30 do séc. XVI desenhada por Diogo de Castilho. Num à parte, fico na dúvida se não será João de Castilho, seu irmão. Ambos trabalharam em vários Monumentos em Portugal ligados ao Manuelino. Diogo está escrito na placa informativa junto à Capela, mandada edificar pela família Carneiro. João está referido como o autor na página do Património Cultural referente a S. Francisco.

Pormenor por baixo do Coro Alto e à esquerda o Retábulo dos Santos Mártires de Marrocos.

Foram estas as Igrejas que visitei na Quinta-feira Santa. Se tudo correr normalmente, juntamente com outras Igrejas do meu/nosso Porto farão parte de uma trabalho que há muito ando a programar.
Não lhes senti neste dia aquela mística própria de um templo. Os turistas eram imensos, o barulho bastante e o caminhar pelo corredores distraim, provàvelmente, quem não estava verdadeiramente a fazer turismo.

Mas na passada quinta-feira encontrei outros motivos interessantes que mais tarde contarei e mostrarei.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

168 - Casualidades

A historieta ou estorieta que vai ser escrita por aqui abaixo ao correr da pena é ligada por puras casualidades. Nem duvidem. Tenho testemunhas.
O Peixoto que está a maior parte do tempo no ar condicionado do Parque de Campismo de Medas, (ontem deve ter levado com um susto dos antigos), telefonou-me a informar que viria ao Porto. Encontro definido para o Bolhão cerca das 13 horas. Isso foi a 29 do mês passado se a memória não falha.
Telefonemas para os amigos, uns de férias, outros nem sim nem não, mas claro dei a primazia ao querido Presidente do Bando do Café Progresso, Jotex como lhe chama o Zé Catió, que depois de ter demorado uma infinidade de tempo a consultar a sua agenda chegou à conclusão não lhe ser possível alterar compromissos já assumidos anteriormente.
O encontro demorou um pouco mais a acontecer devido a um acidente na Marginal e já o Zé Catió me tinha feito umas tantas chamadas de confirmação e porque também andava perdido ou cousa que o valha, mais o seu compadre Romualdo Silva.
Onde vamos matar a desalmada foi resolvido de imediato. Pessoalmente já andava com saudades de umas tripas e a lógica ia dar ao Olho. Já os meus queridos amigos e leitores conhecem a História desta casa centenária, mas sempre se descobre uma relíquia, neste caso, de um grupo de amigos que já não devem estar deste lado do mundo e gravaram para a posteridade a sua passagem por aqui.
Por falar nisso as Tripas estavam como habitualmente, o melão também, o bagaço é que o Sousa torceu o nariz e lá veio uma Ponte de Amarante, que caté o Peixoto achou uma delícia de doce. Quando um gajo já tem o casco muito lavado por anos de utilização diz cada coisa caté assombra.
Tudo casualidades e adiante.

 Aos poucos, a zona envolvente ao Olho vai sendo recuperada e alindada.

Problemas seguintes eram os programas para desenfartar. O compadre do Zé anulou uma visita à Justiça para os lados de Gonçalo Cristóvão. Um problema a menos. O Zé queria ir à Rua Escura bater umas chapas para incluir no seu Livro de Memórias. O Peixoto, nim, e eu queria ir à Alfandega ver como era O Porto dos Comes e da Cerveja artesanal para provar, recomendada por um amigo Faceboqueiro. Que em breve espero conhecer pessoalmente. Ganhei desempatando no último minuto com o argumento, Subir à Sé com este calor e a falta de água que há por causa dos incêndios nem pensar. É desenfardanço a mais. Na Alfândega não falta água, até porque o Rio Douro lhe banha os alicerces.  
Começamos a descer Mouzinho da Silveira e em S. Domingos o Peixoto encontrou o que procurava há anos: Um fogareiro em ferro fundido, como os de antigamente. Reserva efectuada e prossigamos.

Toda a zona de Mouzinho, S. Domingos, Ferreira Borges está um rebuliço. Os arranjos das Ruas fizeram surgir coisas que os arqueólogos tratam com carinho. Lá estivemos um pouco a ver a calma daquela gente a limpar as pedrinhas. Já o Prof. Joel Clero fez uma reportagem filmada embora pequena dos arcos e gravações agora descobertos e descobertas junto ao Rio da Vila, que passa bem próximo.

Lembrei-me então de uma troca de emails que tive há relativamente pouco tempo com uma senhora brasileira a viver nos USA, descendente de alguém que foi importante no séc. XVI ou XVII e que viveu na antiga Rua da Ferraria de Baixo ou Ferraria Nova conforme também era conhecida.
Sinceramente, esqueci o nome da Família e perdi o contacto com a Senhora. Na altura enviou-me uma foto de um edifício amarelo onde terá nascido ou vivido o seu familiar.  Hoje lamento o facto, mas nada posso fazer, a não ser que ela me volte a encontrar aqui.
Uma imagem da Rua, descendo-a, de quem vem da Ferreira Borges 
O nome actual da Rua vem-lhe do Jornal O Comércio do Porto que aqui teve as suas instalações por volta de 1857. O Jornal saiu com o nome de O Commércio em 2 de Junho de 1854, era trissemanário e até à sua extinção em 30 de Julho de 2005 sempre foi assim conhecido. 151 anos de publicação, era o segundo Jornal mais antigo do País, depois do Açoreano http://www.acorianooriental.pt/  a quem desejo longa vida.
Era o Jornal que meu pai comprava às segundas-feiras por causa do Desporto. Lembro-me das grandes reportagens do domingo anterior, com três fotos magníficas na última página. Duas na horizontal e a do meio na vertical. Comprava-o também à quinta-feira. E como eu gostava dos quadradinhos com as aventuras do Ferdenand'.

É uma rua com belos prédios e em bom estado de conservação, salvo uma ou outra excepção. Entretanto descobri que Bento Carqueja, sobrinho do fundador do Jornal também aqui morou, saído da sua terra natal, Oliveira de Azeméis, com 10 anos para viver com os tios Francisco e Paulina. Foi ele o grande impulsionador do Jornal, mas creio que as suas instalações seriam só as redactoriais, pois ele imprimia-se numa Tipografia em Belmonte. Mas isso a História do Jornal, na net, não nos confirma. O seu arquivo está à guarda da Câmara de Gaia e o título pertence à mesma empresa do Faro de Vigo.
Bento Carqueja é uma referencias da Cidade do Porto. Além das obras sociais que nos legou - ou o seu Jornal - e não só no Porto como em Gaia e especialmente em Oliveira de Azeméis. Nasceu em 6 de Novembro de 1860 e faleceu na Rua do Molhe, à Foz do Douro em 2 de Agosto de 1935.
Foto de Bento Carqueja roubada do blogue http://anaisagaleria.blogspot.pt

Mais um bonito edifício com a fachada em azulejo relevado

E descobri mais. O grande Agostinho da Silva foi Portuense de nascimento e morou nesta rua. Nascido no Porto em 1906, foi nesse mesmo ano para Barca D'Alva e regressou ao Porto 6 anos depois, onde iniciou a primária na Escola de S. Nicolau. Passou pela Escola Industrial Mouzinho da Silveira e depois pelo Liceu Rodrigues de Freitas. Fez Filologia Clássica na Universidade do Porto e é doutorado em 1929. Pouco depois partiu para o Mundo e creio que nunca mais viveu no Porto.

As imagens dos edifícios estão colocadas de modo aliatório conforme desciamos a Rua. Não sei onde viveram as personagens referidas nem as instalações do Jornal, porque não há placas identificativas. E podem crer que passei muito tempo a olhar para o ar. A Câmara Municipal do Porto não tem tempo para minudências.
Só por curiosidade refiro que a Ferraria de Baixo é topónimo antiquíssimo e ferreiros que aqui trabalhavam estiveram na construção da armada que foi conquistar Ceuta em 22 de Agosto de 1415. Embora não tenha ligação directa com este escrito, cá vai a lembrança: é a partir desta data que somos conhecidos por Tripeiros. Só faltam 2 anos para se comemorarem os 600 anos dessa efeméride. Espero nessa altura, se cá estiver, assistir a Grandes Comemorações Tripeiras e não só.
Mas a rua só começa a ser edificada no séc. XVI.

Hospital da Ordem de S. Francisco é dos anos 30-40 do século XVIII,
e foi sofrendo aumentos sucessivos.

A Janela que é uma referência artística 

Passando por S. João Novo só para lembrar que a norte do largo está um Palácio a desfazer-se. Alberga, segundo a Câmara Municipal, o Museu de Etnografia de Entre-Douro e Minho. O que eu não acredito, pois lá nada se passa. Onde pára o seu espólio que entendidos dizem ser o mais valioso do género em Portugal ?

Pormenor da Rua, vista de baixo para cima. O Hospital à direita

Continuando a descer, depois de passarmos a Rua da Bolsa e quási em frente, podemos apreciar a magia do Sr. Manuel Andrade. 
Interessados em artesanato em madeira é só contactar pelo telefone 918606369 
Algumas peças em exposição


Mais alguns pormenores da Rua

Cá está O Bom Talher há 30 anos a servir comidinhas. Não tem nada que enganar. Está localizado próximo do princípio da Rua que nasce na Rua da Alfândega. Do lado direito de quem desce. Preços bem razoáveis para cozinha muito portuguesa. A especialidade é o Polvo mas na montra apresentava alguns espécimenes de Gadus morhua originais, de lombo do alto. Vi a etiqueta que não engana. Este veio dos Mares do Norte. E o nosso Fiel Amigo é servido com honras de Liberdade.
Para quem reclamar, é-lhe apresentada a original bengala de Baião, terra da D. Natércia  
Gente ilustre tem passado por esta respeitável casa. O saudoso Prof. Hermano Saraiva foi seu cliente assíduo. O salão não é grande, mas muito acolhedor e aceita reservas pelos telefones 222056232 e 964049935.

Chegados à Rua de S. Francisco, na parte baixa, impossível não olhar para o edifício de mais de 40 metros e que foi a antiga Fábrica dos Chumbinhos. 

Mas nesta Rua de S. Francisco também há com que satisfazer as necessidades dos Pescadores. Pensei que a rapaziada se tinha perdido, mas descobri que estavam todos lá dentro a fazer compras.

É quási o fim, ou correctamente dizendo, o princípio da Rua do Comércio do Porto. Mais uma foto,  e então reparei na única placa da rua, salvo melhor visão, que poderia identificar um edifício.

Afinal é uma placa vaidosa publicitando um prémio de arquitectura. Dentro é soturno, uma mesa e uma senhora, dois cavalheiros a quem me dirigi para saber o que albergava o edifício. Pois alberga mais uma instituição camarária, cujo nome esqueci. Mas conversa vai, conversa vem, fiquei conhecedor de uma história.
Há algum tempo esteve aqui (no edifício) uma senhora que disse ter ele pertencido a um seu familiar antigo. E até chorou. Eles não sabiam absolutamente nada sobre antigos ou recentes proprietários, nem se lembravam já do episódio que só por acaso lhes ressuscitei. E a Senhora também não lhes ficou na memória. 

Não podemos passar sem recordar a antiguidade do Forno Velho. Beco, Calçada ou Escadas, não interessa, porque teve ou tem todos estes topónimos. Na placa identificativa é Calçada. Por aqui existiu um forno que terá sido dos tempos Judaicos ou Arménios mas só referenciado em 1584 em prazos da Misericórdia. 
Os Judeus foram expulsos de Portugal nos finais do séc. XV e não custa a crer que o forno já existisse, pois bem próximo há a Rua de ou da Atafona que quer dizer do árabe Tamane, moer, ou do hebraico Tahane, mó, lembrando moinho de cereais. 
Em 1590 parece que o Forno Velho pertencia a Isabel da Costa, Dona Viúva e era na Boavista, como se conhecida então o Monte de Belmonte, hoje mais ou menos S. João Novo. Este caminho seria a serventia para chegar ao Forno. Coisas lidas aqui e ali.
Esse Forno cozeu pão para a guarnição militar que servia na Porta Nova, que foi aqui ao lado, em Miragaia.
Caminhos já percorridos neste espaço, mas que gosto de recordar.
 
O início da Rua do Comércio do Porto é aqui. Prontos. A Junta de Freguesia de S. Nicolau, daqui a menos de um mês vai-se unificar com algumas outras da Cidade. É o que provoca a desertificação humana, políticas de pé-de-escada sem senso nem consenso e o deixa andar. Toda a gente vai ganhar, menos a população. Mas isso não vem ao caso por agora. O edifício não sei para que vai servir. Depois vê-se.

Hora de tomar rumo à Alfândega. Toda a Rua Nova da Alfândega e o que lhe está próximo é um atulho arqueológico que por medo ninguém lhe quer mexer. Para o caso não interessa nada porque me encantam as gentis condutoras dos nossos eléctricos. Todas elas já me devem conhecer, de vista claro, mas sempre param o seu transporte para mais uma foto.

Chegados finalmente  à Alfandega. Surpresa a recepção por gente "Pombalina". Juro que é um instantâneo. Quando pedi a pose, não ficou tão natural. Era a publicidade à Vindouro, Festa Pombalina que passou no último fim de semana em S. João da Pesqueira. Lá no coração do Douro, pois claro.

Comes e bebes logo à entrada, mas só para comprar.

Mas os olhos começaram a mandar sinais quando viram estes belos queijinhos.

Um prazer ver as obras do meu amigo AlBerto que se dedica ao artesanato. Uma beleza. Aqui fica o seu contacto: Tel: 917023268;  http://www.asdrovia.pt.vu/ e as imagens de outros artesanatos.

Outras publicidades. Mas para quem não saiba, aqui fica a sugestão: No Edifício da Alfândega está uma bela Colecção de automóveis antigos digna de uma visita. Para além do original da Ribeira Negra de Júlio Resende e do Museu das Comunicações. A não perder.

Um olhar sobre um pouquinho da histórica Miragaia

Voltando aos comes e bebes do Agosto no Porto esta é a Sala à Sombra. 

A Sala ao Sol deve ser boa a partir do Pôr do Sol.
Ou para quem goste de banhos do dito.

Um amigo tinha-me falado numa Cerveja artesanal fabricada no Porto e foi com a promessa da prova que convidei os amigos para os copos na Alfandega. Segundo me informaram, a tasquinha que vendia a cerveja só esteve alguns dias. Portanto, para a provar, fico à espera de um convite.

Mas claro que os queijinhos nos deram fome. Junto a um salpicão saborosíssimo acompanhado por pão do mesmo calibre, lá fomos acertando os roncos estomacais. Cerveja só a desenxabida Sagres. Meio litro 3 €. Um roubo. Ainda se fosse Super-Bock, a gente perdoava pelo bem que nos saberia. 

Antes que esqueça, o queijo, o salpicão e o pão vendiam-se numa loja de sabores transmontanos. Vinho só se vendia em garrafas de 75 cl. Seria mais a contento do Peixoto, mas sobrava muito e ele não queria levar a sobra para o campismo. E como ele é um nim, passou sede que se fartou. 

Para a posteridade a foto da praxe. 
Desculpem outros amigos por não ter havido convites mais extensivos. Mas na realidade foi tudo uma rápida e grande casualidade.