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segunda-feira, 10 de maio de 2010

12 - Muralhas Fernandinas

Vou-me referir apenas à Muralha Fernandina ainda existente, na zona da Sé. Mais concretamente nos Guindais. A parte de Miragaia, ficará para outros passeios.
Mas tudo tem um princípio.
Existia já uma muralha (ou cerca velha) presumivelmente construída pelos romanos e referenciada no séc. IX ou X. Aquando da conquista da cidade aos sarracenos por Vimara Peres no ano de 868, deverá ter ficado bastante danificada e por documentos posteriores, refere-se a reconstrução dessa muralha. Existe ainda um pequeno pano e torreão próximo da Sé. Essa estória fica para outra altura.
A cidade entretanto expandiu-se e em meados do séc. XIV, no reinado de D. Afonso IV iniciou-se a construção da nova Muralha que só viria a concluir-se em 1370, no reinado de D. Fernando. Daqui a origem do nome porque ainda hoje é conhecida: "Muralhas Fernandinas". Mas Cerca Nova ou Muralha Gótica são outras designações que se lhe aplicam. Cientificamente parece que mais correctas.Pormenor da maqueta do Porto Medieval existente na Casa do Infante. Infelizmente a iluminação que refere os vários pontos de interesse está avariada (?) há meses.

Em finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, a muralha estava em ruínas.
Parte do pano e um dos torreões junto à escarpa dos Guindais.
Os Guindais e parte da Muralha vista da Serra do Pilar
Se estamos na Ribeira, ou subimos a pé, que diga-se de passagem custa um pouco, ou pelo elevador. Pormenor junto à entrada para os Guindais
Saindo do elevador, encontramos a última Torre, junto ao antigo Convento de Santa Clara, hoje instalações do Instituto Ricardo Jorge
Pode-se passear e visitar o interior das muralhas. Creio que das 9 às 17 horas. É o mesmo horário das instituições de solidariedade que se encontram no interior. Mas a entrada faz-se pelo antigo Convento de Santa Clara e de acesso à Igreja. Voltamos à esquerda e encontra-se a porta de entrada .
A subida para a Muralha faz-se ùnicamente por esta escadaria. Flores e ervas daninhas acompanham-nos. À direita, um belíssimo laranjal e ninhos de gaivotas e outras aves.
Ao longo da muralha vamos desfrutando das vistas sobre Gaia e o Douro. A Ponte D. Luíz está logo ali bem como o Codeçal, à direita.
Para trás o Convento e Igreja de Santa Clara
O laranjal e as aves que por ali abundam. Cuidado com as gaivotas que gostam de atacar
Porta de acesso a um dos Torreões
Pormenores
A Ponte do Infante e o Rio Douro
A Ponte D. Luíz I e Gaia em fundo
A Sé Catedral e as traseiras dos edifícios da Rua de D. Hugo
Pormenor dos Guindais
Pormenor de uma das 3Torres
Pormenor nocturno desde o adro da Igreja do Mosteiro da Serra do Pilar.
É um belo passeio que recomendo.


















terça-feira, 4 de maio de 2010

10 - Convento e Igreja de Santa Clara - Porto

Anteriormente referi aqui o convento (ou mosteiro) de Santa Clara e a Igreja (Ver postagem 2). Acontece que vou deambulando e as coisas não têm um seguimento, porque sou assim mesmo. As sequências aparecem quando têm de acontecer. Mas regressei ao Largo 1º de Dezembro e ao Convento (ou Mosteiro). Então aqui vai um pouco de história.
Em 1457, o mosteiro foi concluído. Tal deveu-se a um pedido das freiras franciscanas clarissas que pretendiam substituir o mosteiro anterior, do séc. XIII, mais pequeno e modesto.
Segundo me foi contado, a construção acabou por não ter custos, pois as freiras fizeram um contrato com o construtor: As obras só seriam pagas se o prazo fosse cumprido. Como não foi...
Freiras espertas, digo eu. Se hoje se seguisse esta ordem, nenhuma das obras feitas em Portugal custariam os nossos impostos.
Mas sigamos com a história.
Com a supressão de vários mosteiros mais pequenos nas diversas localidades do País, entre o séc. XV e o séc. XVI, as freiras foram-se agregando em Santa Clara levando para lá as suas rendas, (leia-se impostos cobrados) sendo uma delas uma portagem por todas as mercadorias que passavam pelo Rio Douro. Que lucros fabulosos, digo eu.
No finais do séc. XIX, com a morte da última freira, o mosteiro foi extinto o que causou alguma degradação do edifício.

As ruínas, vistas do lado dos Guindais, nos princípios do séc. XX.
(as Muralhas Fernandinas estão em grande plano)
Posteriormente, dezenas de anos depois, o Estado Português tomou conta do Convento, ou Mosteiro. Hoje alberga várias instituições de solidariedade nacional e o Instituto Ricardo Jorge

No outro corpo do edifício, alberga serviços da Polícia, e no corpo à direita na foto (em degradação), existiu uma central dos Correios. Tenho dúvidas se este edifício pertenceu realmente ao Convento, mas garantiram-me que sim.

Passagem no Convento para a Igreja A entrada da igreja é feita através de uma porta barroca, datada de 1697 e reformulada no século XVIII, com elementos renascentistas com colunas salomónicas e capitéis coríntios.
No interior podemos vislumbrar toda a magnificiência desta igreja, toda coberta por talha dourada da primeira metade do séc. XVIII
Não há um pequeno espaço que seja, sem talha dourada. Há cerca de 25 anos, profissionalmente, visitei a Igreja. Estava em restauro, que deve ter demorado anos a fazer e custado uma fortuna. Mas valeu a pena.
A sacristia e todo o interior, incluindo o piso superior pertencente ao convento, de onde as freiras assistiam, através de janelas gradeadas, aos rituais religiosos, está interdito a visitas. Presumo que está totalmente degradado.
Ao fundo, a entrada para o Convento. Fechada

Pormenor visto do lado sul

Parte do Convento e da Igreja vistas das Muralhas Fernandinas

Entre as traseiras do Convento para sul e o espaço de passagem para as Muralhas Fernandinas, existe este elemento, que presumo tenha sido uma fonte ou chafariz. Não sei o seu valor nem a idade. Sei que poderia ser aproveitado condignamente.
É certo que está num parque de estacionamento, presumo que exclusivo para o pessoal que trabalha naquele local. Mas mesmo assim não ficava mal se estivesse mais bonitinho. É que está na passagem de quem vai passear pelas Muralhas.
Um aparte: A igreja não tem exposto os horários de visitas. Se estiver fechada provàvelmente a senhora (empregada de limpeza, cicerone, ajudanta do padre) foi lanchar. Dêem a volta por trás, entrem no centro social e perguntem.
Sobre fazer fotos, a coisa piorou. O Sr. Padre acha que alguém está a ganhar dinheiro.
Eu não, podem ter a certeza. Por gentileza da senhora e porque já sou conhecido da casa, fiz estas três interiores.
Vi turistas franceses tristes, sem poderem levar uma recordação. Para além do tempo de espera para visitar a Igreja. São coisas à pior moda do Porto.












domingo, 28 de março de 2010

2 - Porto - Edifícios com história - Freguesia da Sé

Quem vai da Sé para a Batalha, atravessando a antiga Avenida da Ponte, (mudou tantas vezes de nome que agora nem sei como se chama), entramos na Saraiva de Carvalho e logo deparamos com o Largo Primeiro de Dezembro e uma série de edifícios que marcaram a história da cidade.
À direita, Património do Estado, aparece-nos o que foi o antigo Convento (ou Mosteiro) de Santa Clara de meados do séc. XV, que esconde ao fundo a Igreja, digna de visita e não só por causa da magnificiencia da sua talha dourada. Recuperado todo o edifício, hoje alberga um centro de saúde e uma instituição de cariz social e outros organismos públicos. Atravessando a porta que nos leva à Igreja, à esquerda cruzamos outra porta e podemos percorrer por dentro o que resta das Muralhas Fernandinas aqui nesta zona. A não perder, pois a paisagem é de sonho e quási agarramos a Ponte D. Luíz I. Os telhados dos Guindais estão logo ali por baixo de nós.
A zona é a dos Guindais e a Rua Arnaldo Gama, onde se podem observar parte dos panos e dois dos torreões das Muralhas.
A seguir temos o Largo Actor Dias, iniciando um trajecto até às Fontaínhas, com vistas magníficas sobre o Douro e a Serra do Pilar.
Mas estamos centrados na história da Cidade nesta zona e encontramos o Recolhimento da Porta do Sol, hoje uma universidade privada. Construído numa das entradas da Cidade junto às Muralhas Fernandinas, A Porta do Sol, recolheu as crianças orfãs motivado pelo Desastre da Ponte das Barcas, aquando das invasões francesas no ano de 1809. A Capela é posterior a esta data, bem como a ampliação do edifício.
Do outro lado, aparece-nos o Palácio dos Condes de Azevedo do séc. XVII/XVIII, comprado pelo estado em 1887 e que alojou serviços públicos. Não sei se ainda aloja alguma coisa, tal o estado de degradação em que se encontra. Uma vergonha. Faz parte do Roteiro do Património Arquitectónico da Câmara Municipal.
Separado pela Rua Portas do Sol, encontramos o antigo Edifício do Governo Civil.
Construído no final do séc. XVIII, no local onde foi demolida a Muralha Fernandina, era destinado para funcionamento da Casa Pia, que nunca chegou a ser criada. O edifício alojou desde então diversos serviços públicos, entre os quais o Governo Civil. Faz também parte do Roteiro, mas infelizmente é mais uma vergonha da cidade, tal o estado de degradação.
A Rua Porta do Sol, com o Teatro Nacional S. João, na Batalha, ao fundo. Esta rua separa os dois edifícios antes referidos e como se pode ver o seu estado é triste.
Pesquisas feitas na Wikipédia e Portal da Câmara Municipal do Porto