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sábado, 28 de setembro de 2013

172 - O Couto Mineiro de S. Pedro da Cova

Há tempos o meu amigo Fernando Súcio disse que gostava de conhecer as Minas de Carvão de S. Pedro da Cova. Proporcionou-se a visita e fomos de abalada até lá. Melhor será dizer, ex-minas porque já não se explora o Carvão há muitos anos.
As ruínas do Couto Mineiro. Pormenor.
Já escrevi sobre S. Pedro da Cova em http://portojofotos.blogspot.pt/2013/01/149-s-pedro-da-cova-e-o-couto-mineiro.html#links e a história das Minas.

Digamos que são um complemento estas fotos. A inscrição refere-se à data da construção do Cavalete, o ex-libris de S. Pedro da Cova.
Também tivemos a ousadia de arriscar esquecendo a nossa segurança e ir até ao patamar onde os mineiros subiam umas estreitas escadas até ao topo do Cavalete cuja caixa do elevador os levava até à profundeza das minas. E, claro, no sentido inverso também.
Num àparte, foi mesmo um risco especialmente para mim, quando tivemos de descer as escadas sem corrimão e atravessar a ponte. Entrei quási em pânico. 
A entrada do Poço de S. Vicente.

Aquando da minha visita anterior, só tinha andado pelos chãos. Daqui, do patamar, temos uma noção diferente do que nos rodeia.
Se as escadas tivessem corrimões, talvez nos arriscássemos um pouco mais. Segundo nos informaram, para além das ruínas e do lixo e do mato, tudo o que era possível roubar, o foi.
As ruínas de algumas instalações e lugares de São Pedro da Cova.


 Alguns montes formados pelos resíduos do carvão. 
Os meus amigos Fernando Súcio, Fernando Jorge Teixeira e Manuel Cibrão Guimarães.

Um grupo de amigos das Minas numa visita de reconhecimento.
Se algum fotógrafo desse grupo vir este escrito, que nos envie fotos se nos tiver apanhado.

Lugares de S. Pedro
No alto é Tardariz. Ali tive o meu último negócio


A imagem de Santa Bárbara que esteve no Poço, devidamente preservada.

Metêmo-nos à conversa com esta gentil senhora, a Dona Aurora, um encanto de 87 anos. Contou-nos algumas histórias da vida pessoal e das gentes. Falou-nos das greves mineiras, dos comícios, de pessoas que eram presas das quais algumas nunca mais foram vistas. Foi britadeira, teve um acidente que o seguro só cobria parcialmente, mas o patrão conseguiu a incapacidade de 100%.
Valeu a pena o tempo ganho a ouvir as suas histórias. Um abraço de amizade para a Dona Aurora.

Recomendo a visita ao Museu Mineiro para completar e melhor ajuizarmos o que foram vidas e a indústria e comércio do Carvão de S. Pedro da Cova
Recomendo também a visualização do filme de 1917 ou 19, a seguir referenciado, recuperado pela Cinemateca. http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=3078&type=Video .
Se não abrir directamente, copiem o link, colem no navegador, clicar em enter e já está

Porque foi num dia de festa com amigos e ex-camaradas, a foto recordação do grupo fica melhorada com o cartaz que pode  muito bem ser utilizado para promover a história e a requalificação das Minas de S. Pedro da Cova. Assim os políticos queiram.
Um agradecimento à minha amiga Carminho pela homenagem. A montagem está perfeita.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

169 - Campanhã - A Oriente da Cidade do Porto

Continuando o roteiro das Grandes Quintas de Campanhã, ou o que resta delas, apresento-vos a da Lameira e a da Bela Vista.
Tendo como eixo a Rua de S. Roque da Lameira, a partir do séc. XVIII foi-se instalando nesta zona essencialmente agrícola da Cidade, a alta burguesia estabelecendo Quintas de Recreio em algumas das propriedades.
As Quintas da Lameira e da Bela Vista 
olhadas de muito próximo da ex-Quinta de Vila Meã ou do Mitra.
Estão localizadas no ponto geográfico mais alto da Cidade, cujos terrenos e proprietários são já referidos no séc. XIX, mas as datas são coisas confusas. Mas comecemos pelo princípio que é a Quinta da Bela Vista formada por uma reunião de três propriedades: A Quinta da Lameira de Cima, a Quinta da Lameira e a terceira parcela não sei qual foi.
Em 21 de Dezembro de 1911 as duas primeiras Quintas são compradas pelo médico José de Oliveira Lima que adquire logo depois a tal terceira parcela. 
Remeto-vos, queridos leitores e amigos para uma minha postagem anterior e o especial interesse dos comentários de Manuel Lima, neto do Dr. Oliveira Lima, nela inseridos. A referência é :

Mais ou menos o espaço que ocupam as Quintas.
Mas ainda sobre a Bela Vista, o belíssimo edifício começou a ser construído expressamente para funcionar como estabelecimento de ensino, que tomou o nome de Instituto Moderno. Instalações modelares e de higiene e métodos de ensino avançadíssimos para a época. Um filme de cerca de 30 minutos foi recuperado pela Cinemateca e pode ser visto - com alta recomendação - em:

A escola, chamemos-lhe assim, só funcionou entre 1914/18 encerrando por dificuldades económicas. Nesse ano, um surto de tifo exantemático assolou a Cidade. Os Hospitais ficaram super lotados e as suas instalações foram requisitadas para funcionar na dependência do Hospital Joaquim Urbano,  o célebre Goelas de Pau, que lhe fica relativamente próximo. 
Em Agosto de 1919 o edifício é comprado pela GNR, mas não há qualquer documentação que comprove o pagamento/recebimento. Actualmente as instalações e terrenos pertencem à PSP.

Vamos agora para a Quinta da Lameira.
Entrada pela Rua de S. Roque da Lameira
É um pouco confuso ler-se que foi propriedade da Família Calém, tendo António de Oliveira Calém vivido desde o seu casamento em 15 de Dezembro de 1912 até ao falecimento em 27 de Maio de 1962. Ora ela tinha sido adquirida pelo Dr. Oliveira Lima um ano antes (Dezembro de 1911). Terá sido vendida logo a seguir ? Não sei e para o caso não interessa nada.

Sabe-se que a quinta tinha um casa de dois andares, talvez de 1792. Não sei se o palacete actual é a casa original. Há algum tempo estava muito degradada e albergava umas instalações camarárias - mais uma - creio que ligadas ao Urbanismo. Já lá não entro há talvez três anos. Não sei como está nem sei se ainda alberga alguma coisa.
A Câmara adquiriu aos Herdeiros Calém em Agosto de 1978, 11.900 m2 correspondentes ao palacete e alguns terrenos anexos incluindo os jardins.
Na parte superior da foto podem ver-se instalações construídas para o Instituto Moderno e ainda usadas.
  Em Maio de 1979 a Câmara compra a restante parte correspondente a 30.000 m2.

Cria-se então o Parque de S. Roque, na Quinta da Lameira com mais de 40.000 m2 que custou na totalidade, reparem, 9.700.000$00. Menos de 50.000 € !!! É o que li na monografia da Junta de Freguesia de Campanhã. Na época, o equivalente a um apartamento T2.
  
Não sei o que foi recuperado, restaurado e/ou construído de novo. A primeira vez que visitei o Parque, e juntei o útil ao agradável porque fiz um pic-nic, foi no princípio dos anos 80 e não me lembro minimamente do que existia e de como estava. Mas lembro-me bem de se poder caminhar facilmente. 
Os Jardins estão construídos em patamares, com acessos por caminhos e escadas. Embora as minhas fotos sejam de várias épocas e anos, desde 2007, costumam estar lindos, floridos, enfim, bem tratados.
As fotos acima são dos dois primeiros patamares. Só não há árvores de fruto como antigamente. 
Vamos subindo e os canteiros de flores encantam-nos.É outro Jardim num nível superior.Existe um parque infantil do lado esquerdo.

O ex-libris do Parque, o famoso labirinto construído por sebes (Buxus sempervirens)


De vários locais podemos olhar o Vale de Campanhã. Este é só um pormenor que a máquina alcançou.

Em algumas épocas do ano, ao poente podemos apanhar cores extraordinárias.
O grande lago, que infelizmente só tem alguma água no Inverno. 
Encontramos muitas Cameleiras com flores de várias cores. Ou não fosse a Camélia a Flor Raínha do Porto. Lá iremos brevemente.
Num patamar superior logo acima do lago, uma pequena casa acolhe a juventude mais antiga para bater umas cartas e beber umas loirinhas.
Há instalações sanitárias, sensivelmente a meia encosta em casas de granito. Nunca as utilizei porque quando precisei encontrei-as fechadas. Creio que fecham às 5 horas da tarde. Mas já lá vi três funcionários(as), três, todos juntinhos(as) a bater uns papos.
Outono, a minha estação preferida. Mas já lá andei no Inverno e com chuva. 
Recantos, encantos, miradouros, um Parque muito agradável.
Quási à saída pelas Antas, montaram esta Capela que foi transferida do Largo Actor Dias. Parece que houve uma antiga que desapareceu. Não sei o que representam os três arcos. Não há mas podia haver uma informação do conjunto. Minudências...
Saída ou Entrada, como se queira, pelo lado da Travessa das Antas. 
Todas esta Zona é conhecida como Monte Aventino. Não sei se terá alguma relação com uma das sete colinas de Roma com o mesmo nome e onde Hércules matou Caco. Ali se refugiava a plebe fugindo dos patrícios. Séculos depois refugiaram-se deputados italianos, acabando com a Secessão Aventiniana. Acho que foi na época do Fascismo ou do seu final. 
A casualidade levou-me a escrever isto, sem saber nada de nada. Mas leiam a seguir:

A Rua do Monte Aventino existe desde 1 de Janeiro de 1951, presumo, pois até 30 de Dezembro de 1950 chamava-se Rua da Colónia de Antero de Quental. Ora bem, conta-nos a História que era aqui que se concentravam os trabalhadores em greve da forte zona industrial do Bonfim.  
A semelhança da utilização trouxe a semelhança do nome.  (In. O Tripeiro, 7ª série - Ano XXIV - nº 3 de Março de 2005 ). Mas tudo se interliga.

Se os meus queridos amigos e amigas, leitores e leitoras, leram a postagem anterior, permitam-me fazer uma ligação à Rua Comércio do Porto. Como escrevi, o Senhor Bento Carqueja e o seu Jornal tiveram uma acção social e humanitária muito grande na Cidade, talvez as maiores o de mandarem construir diversos Bairros habitacionais para operários, espalhados por diversas zonas. Também com a ajuda de emigrantes brasileiros a quem foi pedida uma subscrição. Pois bem, aqui, de onde a foto foi feita para o Parque é uma rua de um desses bairros, construído entre 1904 e 1908. Chamava-se Bairro do Bonfim e o local Monte das Antas. 
Vali-me, pois claro, do meu amigo Gabriel editor do 

As Ruas que o formam têm o nome dos vários Senhores Carqueja que de qualquer maneira estiveram ligados ao Jornal, bem como a Do Bairro do Jornal do Comércio do Porto.

Antas, porque existiu, provàvelmente, uma comunidade da Idade Neolítica e/ou do Bronze e terão sido achados monumentos funerários. Um aparte: Ao antigo Estádio das Antas - substituído em 2004 pelo do Dragão - chamávamos-lhe o Cemitério das Antas. Coisas portuenses, ligadas ou não, nunca soube porque assim se chamava, a não ser pelas derrotas muito, muito antigas do Futebol Clube do Porto. Coisas da pré-história...
Adiante.

Mas do Monte Aventino houve mais recordações: O terminal aéreo das minas de carvão de S. Pedro da Cova - http://portojofotos.blogspot.pt/search/label/S.%20Pedro%20da%20Cova - e dos grandes bailes no Dramático do Monte Aventino, colectividade fundada em 24 de Outubro de 1924. Vão espreitar em http://omonteaventino1.com.sapo.pt/ 

Existe desde há uma dúzia de anos um complexo desportivo, com restaurante e bar. Não se está mal. 

Caríssimos, é tudo por hoje. Não demoro, até porque as Camélias nos esperam. 



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

149 - S. Pedro da Cova e o Couto Mineiro

S. Pedro da Cova é uma localidade (prefiro chamar-lhe assim até ver, em vez de Freguesia e ou Vila para não confundir os amigos leitores) integrada no concelho de Gondomar, com várias lugares. Está a cerca de uma dúzia de quilómetros distanciada da Cidade do Porto.

A primeira vez que fui a S. Pedro da Cova foi há mais de 45 anos, teria os meus 20 sensivelmente, com a rapaziada de S. Roque da Lameira, mais concretamente do Ilhéu, em Campanhã. Nenhum de nós tinha ido à tropa, creio mesmo que nem à inspecção. Num sábado à tarde, apanhamos o eléctrico 10 com traço na paragem à porta do Café Juvenil, nosso paradeiro, e resolvemos ir até Boloi, um dos belos lugares dessa terra.
Fica para depois a história, aliás coisa simples e passemos aos factos.
S. Pedro da Cova foi doada por D. Afonso Henriques (o nosso primeiro Rei), em 1138 ao Bispo Pedro Rebaldis, sucessor do famoso Bispo do Porto D. Hugo.
Em 1379 a doação foi confirmada por D. Afonso III do Couto de S. Pedro da Cova no julgado de Gondomar.
Com a extinção dos Coutos em 1820, passou a concelho até 1836, sendo extinto nessa altura para integrar Gondomar.
Lê-se na história da localidade, que cada um dos seus lugares possui uma identidade própria, fruto de enraizadas tradições.
Fica localizada num fundão, entre serras cujos nomes desconheço com excepção da de Santa Justa, esta já pertença do concelho de Valongo.
Bairro Mineiro
Tendo sido uma região de cariz essencialmente agrícola, actividade que ainda se mantém embora numa escala de subsistência familiar - penso eu - as Minas descobertas em finais do séc. XVIII vieram desenvolver e muito significativamente a localidade.
Percorri alguns caminhos dos seus lugares, onde se nota a sua ruralidade, mas com acessos muito bons.
Embora o declínio e extinção das Minas nos anos 70 do século passado tenha tido aspectos sócio-económicos gravíssimos, o certo é que S. Pedro da Cova passou a ser um território mais populacional, até considerado um dormitório do Porto.
Mantendo a agricultura tradicional, paralelamente várias industrias vieram aqui instalar-se, algumas seguindo a tradição gondomarense como a ourivesaria e a marcenaria.
Depois do 25 de Abril de 1974 e com a autonomia - enfim, chamemos-lhe assim - dadas às populações representadas nas Freguesias e Concelhos, S. Pedro da Cova beneficiou de acessos rodoviários muito razoáveis, desenvolveu-se e criou mesmo pólos industriais.
Já há uns anos que não visito a região e com a crise não sei mesmo como está a sua indústria.
Toda esta minha lenga-lenga começou porque fui a Boloi nos anos 60 do século passado. E passados estes anos todos resolvi revisitar o lugar. Realmente lembro-me do açude e da pequena bacia de água, onde tomavam banho muitas pessoas naquele dia.
Aqui passa o Rio Ferreira e digo-vos, caros amigos leitores, o lugar é muito bucólico. Para um viajante pedreste como eu, apanha-se o autocarro 10 da Gondomarense - agora não sei bem como é, devido às alterações dos transportes - no Largo da Covilhã e o motorista deixa-nos próximo do lugar.
Podemos caminhar ao longo do rio, não sei se por muita distância, porque apenas quis focar um pouco da minha memória.
Recordar é viver como disse Vitor Espadinha.
Um apontamento só pela curiosidade, naquela dia dos anos 60, ao fim da tarde entramos numa tasca, o Ferreira, que tinha uns petiscos razoáveis. Debaixo da ramada tomamos umas malgas e comemos, uns, iscas de bacalhau, outros, rojões. Isso nunca esquece.
Perguntei a várias pessoas nesta agora minha pequena viagem se conheciam e onde ficava a tasca do Ferreira. Acreditem, ninguém me soube responder. Não sei sequer se ainda existe.
E a viagem continuou.
As andanças recriadas fotogràficamente, foram feitas em dois dias. E já no longínquo verão de 2009.
Por isto ou por aquilo, conforme diz o povo, fui dar a esta Igreja, que presumo ser a de Nossa Senhora de Fátima, com a certeza absoluta de ser recente. Como não poderia deixar de ser, visitei o seu interior e francamente achei lindo, especialmente por causa dos seus vitrais.
Não entendo nada de arte seja qual for a espécie ou categoria catalogada. Mas esta igreja ficou-me na memória.
Com uma sorte danada, não sei se os amigos que me visitam terão a mesma opinião, mas esta foto da Sala do Baptismo saiu-me na "rifa" da fotografia.
Garanto-vos que não tem nem uma pontinha de photoshop.

Tudo o que venho descrevendo não é uma história de caminhos e caminhadas em S. Pedro da Cova. O princípio foi apenas relembrar Boloi, mas acabou por ser uma curiosidade que me levou a interessar pelas Minas extintas.

Recomendo uma visita não só ao Couto Mineiro como depois ao Museu Mineiro. Mas cada coisa a seu tempo.
Tudo começa no Lugar ou Largo da Covilhã. Presumo que é o ponto mais fundo de S. Pedro da Cova.
Quem vem do Porto vai a Fânzeres até ao Soldado - nome dado ao Largo onde se encontra a estátua homenageando o Soldado do Ultramar -  sóbe (se é erro de acentuação, é de propósito. Não quero que leiam sôbe e fiquem cheios de dúvidas...) depois imenso até ao Alto da Serra. É o cruzamento com a Estrada de D. Miguel (toponímica que tem a ver com a Guerra Civil e o Cerco do Porto)
e agora é preciso descer e de que maneira, até à Covilhã.
Encontramos duas homenagens-recordações. No centro do Largo a estátua ao Mineiro. Encostado ao quartel dos Bombeiros, num pequeno espaço ajardinado com água o simbolismo dos anos de funcionamento das Minas. Isto é dedução minha, pois não vi qualquer informação sobre o que representa. E as minas deixaram de funcionar em 1970, segundo li.
Então comecemos pelo antigo Couto Mineiro, não esquecendo que as fotos são de Agosto de 2009.

O Cavalete do Poço de S. Vicente.
É o ex-libris de S. Pedro da Cova, uma ruína que o povo quer ver restaurado.
Na minha opinião, não seria só este Monumento que o deveria ser mas pelo menos uma parte do Couto Mineiro.
Em 1921 abriu-se o Poço de S. Vicente que atingiu 157 metros de profundidade; em 1935, aprofundado e com um altura de 13 pisos foi construída a actual e arruinada Torre-Cavalete que se ergue acima do poço com a altura de 6 andares. Os homens desciam para a mina por um elevador (a jaula) nela encastrado. Levavam o farnel ao ombro, o gasómetro numa mão e o machado na outra. (pormenor de uma entrevista a uma ex-mineira, já bem idosa).
O local foi descoberto em fins do séc. XVIII por Manuel Alves de Brito no sítio do Enfeitador. Presumo ter sido nuns terrenos que pertenciam a um Padre por doação de uma viúva. Só consegui ler este pequeno parágrafo na apresentação de uma página na pesquisa da Internet mas que não abriu. Aliás, isso acontece em muitas outras. Mas adiante.
Foi-lhe concedida a extracção de Antracite - o mineral Carvão - que mais tarde viria a revelar-se como a maior zona carbonífera do País.
O Estado pouco depois retirou-lhe a concessão, que veio a vender a uma empresa bancária que falida passou-a a outra e enfim lá seguiram as explorações mineiras de companhia em companhia.
Até 1804 ...a extracção foi irregular com a produção pouco abundante e nociva pelo muito combustível que a má direcção de trabalhos inutilizou...
Iam os trabalhos até aos 100 metros de profundidade.
Um relatório de 1890 lamentava e descrevia que o "...concessionário tem relutância em introduzir os melhoramentos aconselhados pela moderna arte das minas... e que uma mina auferindo tãos bons resultados continue a seguir uma rotina vergonhosa". Texto rigorosamente copiado do relatório.
As ruínas do Campo Mineiro
A produção em 1900 era calculada em 6 mil toneladas. Em 1914 atingiu 25 mil toneladas. Em 1932 cerca de 183 mil. Em 1941, em plena guerra atingiram-se 360 mil toneladas de carvão.
Pormenores do Cavalete de S. Vicente
Chegaram a ser empregadas 1.600 pessoas de ambos os sexos, incluindo rapazes e raparigas.
As duras condições de trabalho provocaram muitos acidentes, doenças e mortes. Talvez por isso e com o movimento e a organização sindical a apoiar, os mineiros e as gentes desta terra, ficaram com a fama de promover fortes lutas laborais contra o regime Salazarista por melhores condições de trabalho. Entre outras, ficaram famosas as greves de 1923 contra o período de 16 horas de trabalho consecutivas (acho que é uma forma de dizer pois deveria haver um intervalo, pouco que fosse, para o lanche, embora comido no interior da mina) e a de 1946 contra o "patronato nazi-fascista" .
Uma senhora procurando e recolhendo pequenos pedaços de carvão
existentes no meio dos caminhos. Assim me disse.

Descobri uma página, não sei qual pois não anotei, que no tempo da II Grande Guerra (época de racionamentos) a empresa exploradora criou uma cooperativa onde vendia produtos abaixo do custo, uma cantina e promovia o ensino obrigatório para adultos. Creio que é um excerto de uma entrevista a um ex-mineiro.
Construíram também um bairro residencial, hoje restaurado e todo habitado, o Bairro Mineiro (cuja foto publiquei acima), e as Casas da Malta onde habitavam os trabalhadores que vinham de vários pontos do País para as Minas. Uma delas foi adquirida pela Junta de Freguesia que a restaurou e nela instalou o Bonito, Instrutivo e Simbólico Museu Mineiro, além de serviços sociais para a terceira idade, essencialmente composta por ex-mineiros.

Na ficha pessoal de uma trabalhadora, pode ler-se um castigo aplicado por faltar às aulas. E também o pagamento de um subsídio de 100 escudos por maternidade. Não me lembro se nos tempos salazarentos este subsídio era obrigatório ser dado pelas empresas. Sei que era dado um subsídio mas pela nossa "Caixa", que eram várias, cada qual referente a indústrias e comércios específica(o)s. Hoje é a Segurança Social, totalmente controlada pelo Estado Português, mas isso são outros contos que não vêm para o caso.

Há sensívelmente 4 anos levantou-se a questão do depósito em 2001 e 2002 de resíduos perigosos a céu aberto nos terrenos da Mina, vindos da Siderurgia Nacional, localizada na Maia. Chegou-se em 2010/2011 à conclusão que sim, são perigosos e esperava-se a abertura de uma linha de financiamento comunitário para os retirar. Analisaram serem 88 mil toneladas de resíduos, mas parece que ninguém acredita, incluindo um CDS (Altino Bessa) que diz ter o Estado pago o transporte de 327 mil toneladas. E a exigir uma investigação.
Enquanto isso...
Por casualidade vi uma camioneta a descarregar... terra ?

Imagem de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, que se encontrava no fundo do poço. Foi recuperada e construída uma capela para a acolher.
Imagem do Google de 2012 dos terrenos, ou parte deles do antigo Couto Mineiro.

No término da linha do eléctrico 10 com traço a qual chegou a S. Pedro da Cova (no lugar do Passal ?) em 1918, foi feito um desvio para o Couto Mineiro, onde as Zorras (carros eléctricos preparados para transportar mercadorias e que aqui se chamavam "Viúvas" pela sua cor negra e sujidade) recolhiam o carvão e transportavam-no para o Porto com destino à Central Hidro-Eléctrica de Massarelos, inaugurada em 1915 e que veio substituir a da Arrábida.
Em 1914 (ou terá sido 1916 ?), foi instalado um cabo aéreo com a extensão de 9 quilómetros que transportava o carvão até ao Monte Aventino, no Porto, no Lugar das Antas e também para a Estação dos Comboios de Rio Tinto.
Vi uma foto da freguesia de Medas ( ou será Melres ?) onde também passava este cabo aéreo. Porque foi verdade que ao longo da margem direita do Rio Douro, haviam cais onde se embarcava carvão.
O Monte Aventino era um depósito da companhia mineira com cerca de 42.000 metros quadrados, de onde seguia o carvão que abastecia a cidade do Porto. Os compradores utilizavam as Zorras, camionetas ou carros puxados a animais.
A rapaziada do meu tempo ainda se deve lembrar bem das cestinhas do carvão, principalmente os da zona de Campanhã e os que acompanhavam o futebol no Estádio das Antas, inaugurado em 28 de Maio de 1952, pois por baixo da pala da bancada lá estava o cabo aéreo e as redes de resguardo.
O actual Parque de S. Roque está encostado ao Monte Aventino que daquela época já pouco terá, talvez as Ruas mais ou menos modernizadas. No espaço primitivo, ou parte dele, estão o complexo desportivo e uma central eléctrica. 
Central Termo-Eléctrica de Massarelos. Hoje, parte das instalações são o Museu do Carro Eléctrico, "A Recolha" e presumo que ainda estão guardadas e em perfeito estado muita da maquinaria e fornos utilizados à época.
As "Andorinhas", enormes roldanas que estavam colocadas na Torre-Cavalete.
Encontram-se no terreno anexo ao Museu Mineiro.
O Museu Mineiro e uma Zorra
Lembro que todas as minhas fotos são de Agosto de 2009. As que se seguem, captadas no Museu Mineiro, já não corresponderão totalmente à verdade, pois segundo li, foi restaurado e remodelado em 2012, com nova estrutura museológica.
Presumo, no entanto, que se deve manter o material que na altura vi exposto.

 Maqueta do Couto Mineiro.

O simbolismo do que era uma galeria.
O cabo aéreo com a cestinha, uma vagoneta, uma pedra de antracite e o transporte para as zonas de trabalho.


Vários equipamentos pessoais, instrumentos, documentação, enfim, muito do que existia e era usado.
O logótipo do Museu "foi roubado" da página do dito.

Fósseis animais e vegetais e na foto de baixo, à direita, antracite e várias espécies de carvão. Creio que eram 5 as espécies.

             
Duas fotos apanhadas na página do Museu. Na superior, a frontaria do Museu, não sei se após a remodelação.

A maioria das fotos a preto/branco, fotografei-as directamente dos quadros expostos no Museu.
Outras fui-as apanhando na net ou em blogues de amigos, bem como os textos, cujos Links vão a seguir referidos. Algumas datas, bem como o tamanho do poço e a altura do cavalete diferem ligeiramente em alguns blogues e/ou páginas.
Mas o importante é a história da Mina e do Povo de S. Pedro, e não só, que se deve preservar.

Por casualidade, fui encontrar um filme sobre estas Minas, que é um testemunho impressionante de realismo. Produzido, pois claro, pela Invicta Filmes, não sei se com fins publicitários. Está à nossa disposição e recomendo vivamente o seu visionamento. Eis o Link:

Outras referências:

Junta de Freguesia de S. Pedro da Cova.
Museu Mineiro
JN- Publicado em 9.11.2009 por Inês Schereck

http://olhares.sapo.pt/s-pedro-da-cova-foto2684134.html


Para o final deixo esta foto fabulosa da autoria de Suzano Magalhães a quem pedi autorização tipo "vou-lhe roubar esta foto para publicar". Não recebi a resposta, mas seja o que Deus quiser.