Pesquisar

A carregar...

terça-feira, 9 de agosto de 2016

250 - Rio Tinto: Lugar, Freguesia, Vila, Cidade

O Comboio: Rio Tinto era uma povoação essencialmente rural perdendo-a parcialmente com a chegada das Linhas Ferroviárias do Minho e do Douro em 1875. Por essa altura teria cerca de 5 mil habitantes.

Antigo edifício da Estação, localizado no lado oposto ao actual. Foi demolido em 1935 por ter ficado ultrapassado. A população seria já de cerca de 16 mil habitantes.
Foto publicada na Gazeta dos Caminhos de Ferro nº 1130 e digitalizada pela Hemeroteca Municipal de Lisboa. (in Wikipédia, Estação Ferroviária de Rio Tinto)

Edifício da actual Estação, restaurado há pouco.  
Está decorado com belíssimos painéis de azulejos da autoria do pintor João Alves de Sá (1878-1972) e produzidos pela Fábrica Viúva Lamego, de Lisboa.

Cerca da Estação foram-se construindo armazéns (um ou outro ainda se encontram) onde aguardavam embarque produtos originários da região tais como madeiras, mobílias, vinho, cereais e o carvão de S. Pedro da Cova, que seguiam para todo o País.
Os movimentos de passageiros e de mercadorias aumentavam progressivamente obrigando à construção de uma nova estação.

As duas linhas férreas de apoio à principal foram encerradas nos anos 90 do século passado e o espaço deu lugar a um parque de estacionamento.

A Indústria:  Pouco industrializado, Rio Tinto viu nascer algumas indústrias afastadas da zona do caminho de ferro, mas próximo das principais vias rodoviárias.

Fábrica de Cabanas:

Na Rua do Infante D. Henrique
(Entre Soutelo de Cima e a Venda Nova)
Edifício construído de raiz para albergar uma fábrica têxtil  que começou a laborar nos anos 20 do século passado, propriedade do Grupo de Manuel Pinto de Azevedo (bem como a Fábrica Aliança no outro extremo de Rio Tinto, na Areosa , junto à Estrada para Guimarães). Dizem-me amigos que cerca de mil trabalhadores, uns residentes na freguesia outros vindos de vários lugares de Gondomar e Valongo e acredito que também do Porto aqui labutaram. No entanto, encontrei uma referência vaga que apenas teve 400 trabalhadores.
Era famoso o ronco de aviso dos horários que se ouvia a quilómetros de distância e a enorme chaminé que ainda se mantém ao alto.
Encerrou a actividade nos anos 60.
Para além de terrenos vendidos a um grupo retalhista alimentar há cerca de 20 e poucos anos, estão várias actividades espalhadas pelas instalações: Fábrica de Tintas, Torrefacção de Café, Armazenistas Chineses e Distribuir de Produtos Alimentares.

Mondex
Em Chão Verde, junto à Estrada Nacional 15 
A Fábrica de Malhas Mondego começou a laborar na Rua Justino Teixeira no Porto em finais dos anos 40. A necessidade de expansão levou à compra de um terreno agrícola no lugar de Chão Verde para a construção de um edifício mais adequado. A primeira fase iniciou-se em 1955 e a laboração começou no ano seguinte. Duas empresas nasceram no mesmo edifício (Ritex e Calcex) que chegou a ter 180 teares, 1000 máquinas de costura e onde labutavam cerca de 3.000 operários. No Site de Gondomar, Património Cultural refere apenas 2.200.
Em 1978 foi vendida ao grupo Melo que encerrou a laboração em 1987 com muitos problemas. 

 Arqueologia industrial de uma antiga torrefacção de cereais e café junto a Soutelo de Cima que laborou até finais dos anos 70 ou princípios de 80. 
Creio que a empresa transferiu a produção para uma zona industrial do Porto. 

Antiga oficina dos Gravadores Associados - Gracel - na Rua Infante D. Henrique

De referir ainda em actividade a Fundição de Sinos de Rio Tinto, fundada em finais do século XIX, no Porto, vindo para Rio Tinto onde ocupou instalações próximo da Estação e posteriormente para as actuais, segundo entendi o que li. Num site do Município de Gondomar diz que já encerrou...
Só existem duas fundições de sinos em Portugal por acaso ligadas por laços familiares: Esta e a de Braga.

O Rio: Tinto de seu nome, estará na origem do topónimo antiquíssimo da actual Cidade. Nasce, melhor, nascia porque já não escorre água da sua nascente, no lugar de Nossa Senhora da Mão Poderosa na vizinha freguesia de Ermesinde, a Norte e vai desaguar no Rio Douro, no Porto, junto ao Esteio de Campanhã. Percorre uma distância total de 11,7 quilómetros, mas apenas 5,4 atravessam a Cidade.
Fotos mais ou menos do Lugar do Caneiro, próximo da Estação Ferroviária onde o Rio era desviado para mover dois moinhos e as lavadeiras tratavam das roupas.

Crescem as críticas aos autarcas porque o Rio já não é Rio, mas sim um poderoso esgoto, alvo de agressões ambientais tais como a deposição de aterros e de todo o tipo de lixos, a destruição da vegetação ribeirinha, o entubamento de troços do rio e o despejo de efluentes domésticos e industriais.
Em quase toda a Cidade, a construção habitacional e o desenvolvimento demográfico cresceram sem ordem trazendo problemas de ordenamento do território.

Vamo-nos chegando ao lugar de Campainha onde o Rio semi-entubado passa a subterrâneo voltando a céu aberto no Lugar da Levada, depois da Igreja Matriz, juntamente com um Rio de Esgotos.

Noutros tempos havia abundância de peixes, nos campos cultivavam-se variedades de produtos agrícolas. Nas margens funcionavam um grande numero de moinhos, dos quais ainda nos apercebemos de algumas ruínas.

Imagens do Rio no Lugar da Levada e na do lado inferior direito regista-se a sua passagem no Lugar da Ponte, relativamente próximo de Campanhã, no Porto.

A Lenda: Uma batalha travada em 920 entre Cristãos e Muçulmanos por altura da Reconquista Cristã, no lugar do Caneiro fez tal mortandade que as águas do rio ficaram tintas de vermelho do sangue.
Painel de azulejos na Estação Ferroviária, recorda a Batalha. Foto encontrada na net da autoria de Henrique Matos. (https://commons.wikimedia.org/wiki/User:Henrique_Matos)

A batalha nunca aconteceu e o Prof. Joel Cleto diz-nos que nesse ano já havia morrido o Cristão Conde de Gutierres que governava da Galiza até Coimbra tendo como centro o Porto.
As águas de cor avermelhada deviam-se à natureza do solo abundante em grés vermelho que a corrente forte transportava. Conta-se uma outra história, que quando o rio estava tinto de vermelho, as mulheres do Lugar da Ranha (que significa Choro) vinham para junto do Rio clamando e chorando, pois era sinónimo de desgraça.
Há quem escreva que o topónimo da Cidade é anterior à data da lenda do Rio Tinto. Pormenores insignificantes para o nosso caso.

Igreja Matriz e o Mosteiro Beneditino de S. Cristovão. Curiosas as dúvidas que se levantam sobre a data da fundação do mosteiro, sem grande relevância para o caso destes apontamentos, e que terá sido entre os anos 58 e 62 do século XI. Apresentaria as características de uma edificação religiosa típica deste período fundada por família abastada, neste caso da de  D. Diogo de Tructesindes.
Segundo outras opiniões, o mosteiro terá sido fundado pela influencia dos avós do patrono, o abade Gomes Jeremias em data anterior a 1058.
Segundo José Mattoso, o mosteiro seria albergue primordial para jovens excluídas do casamento e iniciou a sua existência como dúplice (albergando monges e monjas) durante os meados do séc. XII após o que passou a ter uma obediência exclusivamente feminina.
Quinta das Freiras e as Piscinas Municipais
Santa Mafalda, filha de D. Sancho I, terá morrido no mosteiro em 1 de Maio de 1256.

A organização dos seus líderes era de forma hereditária. As abadessas tiveram alguma preponderância a nível nacional. Destaque maior talvez para Aldonça Rodrigues de Sá que viveu em meados do séc. XIV e princípios do séc. XV e foi mãe de Martim Afonso de Sousa, fidalgo que combateu ao lado do Infante D. Henrique; Bisavó do governador de Angola, Fernando de Sousa; O trineto também chamado de Martim Afonso de Sousa foi governador da Índia; Descente da abadessa, Tomé de Sousa foi o primeiro governador geral do Brasil em 1549.

O Rei D. Manuel I pediu ao Papa a extinção do Mosteiro em 1516, autorizada só 19 anos depois, já no reinado de D. João III. As freiras foram incorporadas no Convento de São Bento de Avé-Maria, no centro do Porto. No local encontra-se a Estação Ferroviária de S. Bento desde fins do séc. XIX.

Pormenores da Quinta das Freiras
O mosteiro esteve edificado entre os meados dos séculos XI e XVI junto ao Rio Tinto, (agora encontra-se entubado) com grandes espaços verdes florestais e agrícolas e deixou marcas profundas na comunidade cujo núcleo urbano se foi desenvolvendo em volta do mosteiro.
Não se sabe ao certo a área que ocupava, mas presume-se que terá sido onde hoje se encontram a Quinta das Freiras (nome adoptado só a partir de 1950) e talvez a a Igreja Matriz.
Chegaram as freiras a possuir imensos bens, espalhados por vários lugares alguns bem distantes (interessante ler https://umolharsobreriotinto.wordpress.com/patrimonio-construido/patrimonio-material/mosteiro/).
Todo o riquíssimo património foi incorporado no Convento de S. Bento.
Parece que não existem vestígios materiais do mosteiro.

Edifício da Junta de Freguesia entre a Igreja Matriz e a Quinta das Freiras

A origem da Igreja de Rio Tinto encontra-se a partir do Mosteiro de S. Cristovão. Já existiria uma antiga Igreja mas tal como acontece com o Mosteiro não há documentação que confirme.
A primitiva Igreja de 1768 tinha uma só torre e colocada no cimo de uma escadaria de quatro lanços. Entre 1931 e 1935 foi-lhe acrescentada uma torre e toda a frontaria foi alterada. E a escadaria também.



Os azulejos foram montados provavelmente em 1937 e as imagens representam, da esquerda para a direita, Nossa Senhora do Rosário de Fátima; S. Cristóvão, padroeiro de Rio Tinto; S. Bento (das Pêras, transformação popular do latim de "petra", significado de pedra, segundo o monge beneditino do mosteiro de S. Bento da Vitória e professor na Faculdade de Letras do Porto, Frei Geraldo; e Santo António de Lisboa.
A festa maior é em honra de S. Bento e realiza-se durante a segunda semana de Julho. Incorpora-se a homenagem ao Padroeiro S. Cristóvão continuando na semana seguinte.

A Fundição de Sinos de Rio Tinto executou o carrilhão composto de 17 sinos com o peso de 4 toneladas e foram transportados em 18 carros de bois em 25 de Maio de 1947.

Destaque para o belíssimo e imponente altar-mor de talha dourada e o arco-cruzeiro com dossel igualmente em talha dourada encimado por uma coroa e medalhão com o símbolo heráldico dos beneditinos.

À esquerda o altar de S. Bento, riquíssimo em trabalho de talha dourada. Curiosa a imagem, perdendo-se no tempo o porquê de alguém a ter vestido de Bispo com as vestes condizentes e a colocação da Mitra. É o chamado Abade Mitrado.

S. Bento nasceu em Múrcia no ano 486 e morreu em 547. A 11 de Julho de 963 foi trasladado para Monte Cassino. É esta a data da comemoração maior.

Respeitando o acto religioso que se estava a realizar na altura da minha visita à Igreja, não fotografei pormenores que bem merecem ser divulgados com as histórias que os acompanham. Fica para outra vez.

Quintas e Casas: Rio Tinto é o prolongamento da zona Oriental da Cidade do Porto, Campanhã, para Ocidente, entre o Pego Negro e a Areosa ao longo da Estrada da Circunvalação. (Confina também com as freguesias do Concelho da Maia, Pedrouços e Águas Santas; e as freguesias de Baguim do Monte e Fânzeres, do Concelho de Gondomar.) É a chamada zona dos Brasileiros, os torna-viagem como lhes chamou Camilo e Júlio Dinis definiu as suas casas n'Uma Família Inglesa.
Rio Tinto teve algumas destas Casas e Quintas, mas quase todas desapareceram para dar lugar a ruas e urbanizações, algumas autênticas aberrações. Mas a seu tempo cada coisa, que incluirá apenas uma parte do espaço da agora Cidade, aquele que melhor conheço e defini como prioritário nesta minha aventura.

A Quinta da Campainha deu o nome à rua onde está instalada tendo sido muito importante na produção agrícola.
A Casa tem na frontaria gravada 16 94 (escreve o autor da minha fonte que é assim mesmo, separada a data), e ainda possui o espaço muitas fontes e árvores. A água da mina é que já não é potável, devido aos inúmeros esgotos dos prédios das redondezas, cujas urbanizações nasceram em terrenos alienados à própria Quinta.
A Capela privativa é dedicada a Nossa Senhora da Conceição e terá sido construída na data gravada na pedra que encima a porta.

Casa e Quinta de Chão Verde.
O torna-viagem foi António Lourenço Correia, nascido em 31 de Março de 1828 no lugar do Outeiro na vizinha freguesia de Fânzeres. Emigrou para  o Brasil regressando 35 anos depois mandando construir a Casa e Quinta cujo início foi em 1864. Seria a casa de férias pois mandou construir para residir habitualmente uma outra casa em Mijavelhas-Poço das Patas-Campo 24 de Agosto.
Faleceu em Chão Verde em 31 de Outubro de 1879.
Um àparte: Ou foi bébé para o Brasil ou as datas de nascimento e do início da construção da casa não serão muito correctas.

Homem extravagante, foi satirizado por Camilo Castelo Branco no livro A Corja na figura do Arara. Mas talvez a personalidade do António não desse para se preocupar com isso, interessando-lhe mais os seus gostos do que a opinião de terceiros, especialmente de Camilo que vivia em permanente desassossego.
Camilo também satirizou a Casa e as suas Cores - O Senhor do Paço de Ninães - mas se há bizarrias elas estão nas zonas discretas que da Rua não avistamos.
Parece que nada falta, segundo as citações de Júlio Dinis sobre o que é uma Casa de Brasileiro.
Há cerca de 10 anos a Casa foi restaurada, não sei se completamente. Gostava de conhecer este conjunto e o Jardim que segundo li tem elementos decorativos únicos e espaços muito bem organizados.
Nota: Ainda não li a Corja que tenho em PDF, mas confio na minha fonte.

Espaços, árvores e casas cuja origem e donos desconheço.
Mas nota-se que as urbanizações em volta foram construídas em terrenos que lhes pertenceram

Belíssima casa localizada em frente à Igreja Matriz muito bem conservada.
O pequeno terreno nas traseiras é cultivado com espécies de produtos hortícolas dependendo da época do ano.

Casa da Quinta das Freiras erguidas pelo seu proprietário Santos Monteiro na década de 1940/50. Herdada a propriedade pela filha e marido tomou nessa altura o nome porque ainda é hoje conhecida.
O espaço foi adquirido pela Câmara de Gondomar em 18 de Março de 1965. É o Centro Cívico de Rio Tinto mas está muito mal aproveitado.

Quinta do Perdigão cuja casa senhorial e algum terreno se avistavam entre os buracos do portão do lado da Estrada Nacional 15. Creio que lhe pertenciam os terrenos que foram sendo urbanizados entre a referida estrada e a Rua de S. Sebastião.
Quinta do Perdigão entre a Estrada Nacional 15 e a antiga Travessa de S. Sebastião. 
Foto de 28 de Maio de 2007
Pertencia à Quinta das Freiras e ao Paçal da Igreja sendo nessa altura conhecida por Quinta Pequena fazendo parte da Quinta Grande da Venda Nova. Foi comprada por um torna-viagem. 

Ficava a Quinta por trás da Capela de S. Sebastião. Mais adiante me referirei a esta Capela.
Há poucos anos o que restava da Casa e Quinta foi destruído e no seu lugar construído um supermercado e um fast-food.
A foto da esquerda é de 28 de Maio de 2007 e a da direita de 23 de Abril do ano corrente.

Capela e Quinta de Nossa Senhora do Amparo
Situada logo a seguir ao Largo da Venda Nova e junto à Estrada Nacional 15 no sentido de Valongo, faz parte da já muito reduzida quinta do mesmo nome. Tem instalado o Centro Empresarial de Gondomar, seja lá isso o que for.

A Agricultura: Região essencialmente agrícola como já referi (os muitos moinhos junto ao Rio, moleiros e os lavradores em lutas constantes por causa da retenção das águas são exemplos, como também e muito mais recentemente a fábrica de Moagem que já não existe) foi perdendo os seus terrenos para a Urbanização, com mais força nos últimos 40 anos. Lá irei.
Não sei se foi a crise ou apenas o gosto de passar o tempo, que levou alguns habitantes a fazer umas hortas, normalmente pouco visíveis. Temos de entrar nas Quelhas (a do Matarujo e da Faneca são só algumas delas) para as descobrir e apreciar.
A bem conhecida Quelha da Faneca, actualmente Rua da Venda Nova. Do lado esquerdo algumas casas eram de lavradores tendo sido adaptadas a residências e até oficinas.

Próxima do Lugar da Levada, na margem direita do Rio.
Dizem que não vai há muito que pastavam ovelhas em qualquer lugar. Ainda as podemos ver, mas não tenho a certeza se pertence a Rio Tinto ou a Fânzeres o terreno onde pastam (ou pastavam) as da foto, que julgo chamar-se Rua da Presa.

Terreno que já foi cultivado e agora abandonado. Mas tem donos. A foto inferior é de Março de 2007 e superior é recentíssima.

Urbanizações: Rio Tinto é uma freguesia que integra a Cidade elevada em 1995, onze anos depois de ter sido elevada a Vila.  Com cerca de 9,5 km2 de superfície já foi Concelho por um mês de 10 de Dezembro de 1867 a 14 de Janeiro de 1868. Pertence ao Município (Concelho) de Gondomar.
A freguesia de Baguim do Monte, com cerca de 5 km2. foi criada em 1995 por desagregação de Rio Tinto e faz parte da Cidade; pessoalmente não sei para que serve ser Cidade se não é Concelho.

Uma cidade inclui , ou deveria incluir vários critérios. Rio Tinto Cidade só tem o da população que cresceu. Assim como cresceu em Portugal em determinado período da última década do século XX  a febre da elevação de vilas e cidades de qualquer aglomerado populacional. Os partidos políticos ao serviço dos clientes.

Rio Tinto tornou-se um dormitório principalmente da Cidade do Porto e a urbanização cresceu em grande parte sem qualquer ordem e infra-estruturas e a poluição em todas as vertentes disparou.
Sem qualidade de vida, houve a preocupação de fazer um grande centro comercial junto à circunvalação com cinemas e tudo o que normalmente faz parte de uma estrutura idêntica.
A população de Rio Tinto em 1960 incluindo Baguim era de aproximadamente 27 mil habitantes e em 2010 cerca de 50 mil. Excluindo Baguim que terá actualmente cerca de 15 mil. Comparativamente, a Cidade do Porto no mesmo período tinha 303 mil e 238 mil habitantes aproximadamente; e o Município de Gondomar 85 mil e 168 mil, respectivamente.
Mas não sei até que ponto estarei certo no apontamento deste último parágrafo, pois nada nos informa o que são verdadeiramente a  Cidade e as Freguesias.

Urbanizações que fui fotografando para arquivo.
Urbanização de Cabanas.  Construída sobre um terreno agrícola retalhado inicialmente pelo extinto Fundo Fomento da Habitação seguindo-se outros retalhos para a construção de uma escola,  de um Centro Social para todas as idades, a abertura da Avenida da Conduta. A primeira fase até foi bem organizada em termos construtivos.
Posteriormente vieram as aberrações, com destaque para a monumental Torre de 11 andares e r/chão.

Transportes Públicos. Vou-me apenas referir ao lado oriental, porque além de desconhecer outras zonas da Cidade em pormenor, esta parece-me a mais importante.

Excluirei o Comboio pois já o apresentei.
O Metro serve 8 ou 9 estações em Rio Tinto e Baguim, ligando Fânzeres, o término, ao Aeroporto, Matosinhos, Maia e Póvoa, seguindo a sua rota normal de 4 linhas directas ou com transbordos.
Carreiras (linhas) de Autocarro, tanto dos Transportes Colectivos do Porto como de outras Empresas que trabalham em concessão, têm horários curtos e deixam-nos na Baixa do Porto em menos de meia-hora tomando como ponto de partida Venda Nova e Soutelo, os limites da Cidade a Oriente.
Outras linhas deixam-nos igualmente com relativa rapidez junto aos Hospitais de S. João (803, 804 e ainda a 69 ou 68 agora fiquei na dúvida) com itinerários que atravessam vários pontos da Cidade e Baguim do Monte, Areosa e por aí fora. A Linha 801 deixa-nos junto ao Hospital de Santo António e termina desde S. Pedro da Cova a sua marcha na Cordoaria.
Passam pela Cidade, para Norte, as Carreiras de Valongo, Sobrado, Ermesinde e para Leste Gondomar e S. Pedro da Cova.
Do lado da Venda Nova - Estrada Nac. 15 - também passam carreiras com destino a lugares dentro da Região Metropolitana do Porto: Paços de Ferreira, Penafiel, Paredes, por exemplo.
Lógicamente que as viagens são também no sentido inverso.

O mapa possível para este espaço espero que dê uma ideia do que tentei transmitir. 
Mas é Estrada Nacional 15 dentro dos limites de Rio Tinto que me mereceu um pouco de atenção pela sua história.
É bem no coração da Cidade do Porto que vamos encontrar o início deste itinerário: Santo Ildefonso, Bonfim, Campanhã. 
Já Camilo Castelo Branco quando esteve preso na Cadeia da Relação, escrevia a um seu amigo contando-lhe como era triste a sua situação e as saudades ao ver a Igreja do Bonfim onde tomava a mala-posta para Vila Real.
Chama-se Estrada de Trás-os-Montes e Douro ou a Transmontana pois faz a ligação entre Porto/Rio Tinto e estas regiões atravessando o Marão até Vila Real e prosseguindo até Bragança. Já não tem a mesma importância  na longa distância pois a IP4, a Auto-Estrada A4 e o Túnel do Marão secundarizaram-na, mas muito importante para as populações estabelecidas ao longo do seu percurso na região metropolitana do Porto.

 Limites entre Porto na Zona de Campanhã e Rio Tinto.
É o Lugar da Ponte e a Rua Afonso de Albuquerque. Aqui começa a Estrada Nacional 15 que só a partir de 1910 tomou este nome, pois antes as E.N. eram designadas por Estradas Reais. Foi pensada em 1781 integrada na Rede Nacional como necessidade prioritária para ligação ao interior nordestino. Não sei quando começou a ser construída.

Mas foi também via romana secundária, que ligava Cale a Tongobriga: Quer dizer Porto a Freixo de Marco de Canavezes, com ligações para onde são hoje os Concelhos de Penafiel e Paredes, lugares com imensa história e legados materiais da romanização.
Esta estrada servia a exploração mineira (ouro) da zona que abrangia Gondomar e Valongo.
Vinda do lugar da Macêda-S. Roque da Lameira, atravessaria o Rio Tinto próximo da actual Travessa da Ponte.
Teria mais ou menos o trajecto da actual E.N.15. por S. Caetano, (cruzamento para Gondomar à direita) Rua do Calvário ou a paralela E.N. chamada Rua Pedro Álvares Cabral, Chão Verde, Cavada Nova.

 Chão Verde.
O cruzamento da Avenida da Conduta / Av. Dr. Domingos Gonçalves de Sá com a EN 15 que toma o nome de Rua Fernão de Magalhães.

Logo à frente é a Rua de S. Sebastião que seria o itinerário da via romana. Actualmente segue mais ou menos paralela à Estrada Nacional 15. 
Temos o início da Rua de S. Sebastião até ao casarão dos "antigos telefones".

Continua mais uns 150 metros até voltar a encontrar-se com a estrada junto ao Dramático.

E estamos na Venda Nova.
Largo da Venda Nova.
Por trás de mim é a Ferraria por onde a via romana terá seguido no sentido da Carreira.
Entramos na Estrada Nacional 15 quase no final do percurso dentro de Rio Tinto.
Tem a toponímia Rua Nossa Senhora do Amparo

Ao alto é Valongo. Pelo vale segue a E.N. 15 e a Via Romana seguia para o alto, abrindo dois percursos. Um para a Serra de Santa Justa e as suas minas de ouro principalmente no Fojo das Pombas que se encontra aberta e recebe  visitas guiadas; outro para o seu destino a  norte, atravessando os Rios Ferreira e Sousa. Outras histórias.
Carreira. À esquerda encurtamos caminho para chegar a Baguim do Monte; à direita segue a velha EN 15 em direcção ao Alto de Valongo.
No edifício ao meio da foto encontra-se uma placa homenageando uma Professora.

Curiosidades:
Divisórias entre Rio Tinto e Fânzeres; Em cima, no alto de Soutelo com seguimento para S. Pedro da Cova e Gondomar; Em baixo e à esquerda, a Rua de Cabanas, cortada pela Avenida da Conduta, à direita.
Fontanário do Caneiro: Encontra-se desactivado junto à passagem inferior da linha-férrea. Recebia água da Fonte do Sebastião algures no Caneiro. Não se encontra muito longe do anterior local.

Passeando pela Rua da Boavista, entre a Cavada Nova e a Igreja
Edifício de 1909 da Associação de Socorros Mútuos de S. Bento das Pêras de Rio Tinto. 
Aprovada por alvará régio de 24 de Março de 1898 
Antiga Eschola de Rio Tinto. O edifício tem gravado o ano de 1870. 
É uma creche-infantário-sala de estudos.
Centro Cultural de Rio Tinto Amália Rodrigues.
Espaço do Cidadão
Capela de S. Sebastião
É pertença da Paróquia, edificada em 1623. Era uma Capela de pequenas dimensões limitadas pelo espaço que será hoje o da Capela-mor. Teve vários restauros e foi ampliada nos anos 60 do século passado.
Desde a sua construção inicial que os lavradores, donos do espaço envolvente - sempre da mesma família, tanto quanto sei - não permitiam maiores construções para que fossem possíveis manobras perfeitas com os carros de bois. Mesmo assim, o cruzeiro recebeu um acidente. 
Pela Rua com o nome do Santo passava a estrada romana que se dirigia para Valongo e posteriormente a Estrada Real. A Estrada Nacional 15 foi construída a cerca de 50 metros à esquerda.

Escrevi alguma coisa sobre Baguim do Monte. Percorri algumas vezes a pé a estrada que atravessa a freguesia e que liga Rio Tinto à Igreja de Santa Rita em Ermesinde. Mas não conheço o lugar. Conheci bem e apenas o Restaurante o Cardeal que foi de um antigo camarada de armas e profissão, mas já há muito que não visito.
Na foto, a Igreja Matriz, retratada em 8 de Novembro de 2007.

Provando cerveja artesanal durante uma feira medieval na Quinta das Freiras.

Uma dedicatória especial ao camarada e amigo Manuel Cibrão que me aturou algumas vezes mas ajudando-me a construir este ligeiro memorial.

Páginas lidas:
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/143.pdf
http://biblioteca.cm-gondomar.pt/Patrim%C3%B3nioCultural.aspx
https://umolharsobreriotinto.wordpress.com/
file:///C:/Documents%20and%20Settings/User/Os%20meus%20documentos/Downloads/A%20ornamenta%C3%A7%C3%A3o%20cer%C3%A2mica%20da%20Casa%20do%20Ch%C3%A3o%20Verde.pdf
http://www.viasromanas.pt/ Porto (CALE) - Valongo - Penafiel - Marco de Canaveses - Freixo (TONGOBRIGA)
http://www.riotinto.pt/