Pesquisar

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

207 - Comércios novos em velhos Comércios

Depois de deixarmos o Café Piolho que tantas recordações trouxe a amigos que me enviaram mensagens de saudade, continuamos na zona, concretamente no Carmo que faz parte da memória da Cidade do Porto há centenas de anos. Era uma área do Campo do Olival e que a partir de 1619 se começou a designar Carmo.
Lá estão as Igrejas dos Carmelitas e de Nossa Senhora do Carmo mais o seu Hospital, o quartel da GNR nas instalações do velho Convento do Carmo, o Hospital de Santo António e a Escola de Ciências Biomédicas em edifícios que são um marco da arquitectura centenária da Cidade.
Mais histórias existem do Carmo e Carmelitas sobretudo durante as invasões napoleónicas (1809)  onde as tropas invasoras se alojaram e saquearam o que era Carmelita e se trataram no Carmo.

Vamos visitar a Garrafeira do Carmo, no gaveto da Rua e Travessa do Carmo a qual se chamava em 1755 Viela dos Poços das Traseiras da Cordoaria e quatro anos mais tarde passou a Rua.
Em conversa agradável como o actual dono, o senhor Ramos, a dona a quem comprou o edifício, senhora na altura com mais de 80 anos, disse-lhe que já a bisavó morava aqui. Presume-se que a casa terá a sua origem no século XVIII.
 O alvará de comércio mais antigo que se lhe conhece data de 1904 e era de uma sapataria. Posteriormente foi latoaria (funileiro em Portuense) e depois uma charcutaria e mercearia fina, a Casa Ramos. A Garrafeira foi inaugurada em 1990.
Foram mantidas as estruturas iniciais embora se tivessem feito obras grandes, pois a casa precisava delas.
 Mobiliários bem adaptados, obras de arte, fotos, cartazes antigos, peças de utilidade doméstica e de comércios estão à disposição dos olhares de quem gosta apreciá-los.
O sortido de bebidas nacionais e estrangeiras para venda é grande. Destaque para os vinhos portugueses e especialmente para a enorme variedade dos Vinhos do Porto, onde encontramos relíquias com séculos.
Um prazer olhar à nossa volta, e sentir a gentileza como fui recebido. No intervalo, sempre se ouvem conversas com clientes. E posso confirmar que os preços comparados com os das grandes superfícies, da mesma marca, são bem inferiores.
Deixo a sugestão para compras aos amigos que nos visitam. Variedade, bons preços e gentileza. E fazem entregas ao domicílio.
Espreitem a página http://www.garrafeiracarmo.com/

A história do Carmo foi colhida nos escritos do Prof. Germano Silva.

Vamos para a baixa, mais concretamente à nossa Sala de Visitas.
Na Praça da Liberdade, o Café Imperial - que já não o é e não deveria ter sido permitido colocarem-se as letras da nova proprietária, pelo menos com este destaque - foi um símbolo da Cidade na Baixa.
Foi inaugurado na década de 30 do século passado, destacando-se de imediato a Águia Imperial da autoria do escultor Henrique Moreira (Avintes, 1890-1979) que tantas obras deixou espalhadas pela Cidade do Porto, incluindo os Meninos da Avenida.
A imponência da fachada do Imperial ainda nos anos 70/80 
(foto recolhida na página de Susana Faro - http://www.porto24.pt/memoria/viagem-ao-centro-porto/ )

No interior mantêm-se as decorações originais. Espelhos de Cristal e por cima um friso de baixos relevos em gesso representando motivos de dança, também da autoria de Henrique Moreira, mas mudaram-lhe as cores originais.
 Ao fundo por cima do enorme balcão e área de serviço, um vitral representando o ciclo do café, do Grão à Chávena, da autoria de Ricardo Leone, vitralista que recuperou a arte do vitral em Portugal, falecido em 1971.
(Ver  http://sigarra.up.pt/ffup/pt/web_gessi_docs.download_file?p_name=F-1152441855/O%20Vitral.pdf )
Hoje o extraordinário vitral encontra-se parcialmente escondido dos olhares. Comparar com o pormenor da foto, em baixo.
Foto recolhida em http://porto-desaparecido.blogspot.pt/2014/07/cafe-imperial.html 

 A iluminação está muito diferente, bem como o mobiliário. Sofás de couro estavam ao longo das paredes. Não sei se desde a origem mas sentei-me muitas vezes neles.
Ao fundo a entrada para os andares. 

Para irmos ao salão dos bilhares, tínhamos de passar pelos "engraxadores", uma fila de várias cadeiras,  já não me lembro de quantas,  que tinham sempre clientela para puxar o lustro aos sapatos.
Foto recolhida na página do amigo http://doportoenaoso.blogspot.pt/

Fui um frequentador assíduo deste café durante anos. Primeiro no salão de bilhares que existia, creio, no segundo andar e mais tarde na salão do café, principalmente após a saída do trabalho para o cimbalino do relaxe. Na altura do 25 de Abril era à porta que se compravam os jornais da tarde para saber as últimas. Saudades do Norte, conforme apregoavam os ardinas.
Aqui conheci Virgínia Moura.
No andar inferior, totalmente modificado agora, era um restaurante bem frequentado. Ali recebi uma festa-jantar de despedida ofertada por companheiros de trabalho nos anos 70. O prato foi Polvo à Bordalesa.

No passeio do outro lado, já na Avenida dos Aliados, encontra-se o Guarany. Conhecido como o Café dos Músicos, pois era aí que paravam esses profissionais antes e depois dos espectáculos diários que se ofereciam à noite na Cidade nas muitas e diversas casas.
Isto sou eu a contar pelas recordações que ouvi do meu Pai. Mas é verdade porque na página do Café lá está referido em destaque.
Inaugurado em 29 de Janeiro de 1933, foi obra do Arquitecto Rogério de Azevedo - já escrevi neste espaço sobre o homem e parte da obra dele. A decoração foi de Henrique Moreira.
O nome do Café relembra os índios da América Meridional e é uma alusão ao Brasil dos anos XX , o primeiro produtor mundial de Café.
O Café Guarany teve um período difícil a partir dos anos 80. Foi recuperado em 2003 , restaurados mobiliários, candeeiros, apliques, cobres. Quase voltou aos anos 30 do século anterior.
A pintora Graça Morais ( n.1948 em Vieiro - Vila Flor - Trás-os-Montes ) produz os painéis Os Senhores da Amazónia para a inauguração pós recuperação.

De destacar o ÍNDIO, relevo em mármore de Henrique Moreira.
Foto recolhida na página do Café Guarany.
http://www.cafeguarany.com/pt/Utilidades/Homepage.aspx

Outras fotos recolhidas na página do Café



Meus amigos, leitores e seguidores. Minhas amigas, leitoras e seguidoras.
É mais uma página de interiores e não só, de estabelecimentos comerciais da minha-nossa Cidade do Porto que podem apreciar. Boas visitas.

5 comentários:

  1. Obrigada Jorge,

    Realmente revivemos momentos passados com estas imagens.

    Lembra-me do último café que eu e o marido tomamos no Imperial nos fins de Fevereiro de 1979, dias antes de virmos para os Estados Unidos. Connosco estava um amigo de infância e colega de escola do meu marido, que embarcarva também por essa altura mas para a Venezuela...
    Coitado a sorte não o acompanhou, ou já seria o destino dele. Soubemos uns meses mais tarde que alguém o tinha assassinado empurrando-o do prédio onde trabalhava. Pouca sorte!....

    Obrigada uma vez mais pela partilha que me tráz recordações deliciosas.

    Beijinhos,

    Aida :)

    ResponderEliminar
  2. Estimado amigo e querido irmão Jorge, gostei muito deste teu trabalho, como de todos os teus trabalhos desta série. Através deles estou, não só voltando a conhecer o Porto, como até a conhecê-lo melhor.
    Lendo o teu texto para a "Garrafeira do Carmo" que reza "O sortido de bebidas nacionais e estrangeiras é grande", me lembrei do meu tio J.Pinto Grijó que era chegado a uma bebidinha e morreu de cirrose hepática em 1934 num hospital do Porto alcunhado de "Goelas de Pau", e que uma vez me disse: "Me acusam de beber demais de tudo o que tem álcool, mas não é verdade. Eu apenas bebo dois tipos de bebida: nacionais e estrangeiras."
    Valeu Jorge! Eu continuo te agradecendo o me enviares os teus trabalhos, que eu muito aprecio.
    Com amizade, o abraço fraterno do
    Luiz Grijó

    ResponderEliminar
  3. Mais saudades, desta vez bem aumentadas, afinal meus tios moravam bem perto desse local,
    como já disse antes, na Rua Conde Vizela, na Foto Cine Alegre que infelizmente não existe mais,
    já vai para uns dez anos mais ou menos!
    Desde que me conheço por gente andava tudo por ali sózinha, e sem ter medo de nada, tudo bem
    tranquilo naquele tempo.
    Eu Morei na Rua Luís de Camões, bem em frente de minha casa existia um fontanário !
    Quando aí voltei não o vi mais, depois morei na travessa da Lapa, e por ultimo como meu avós tinham uma fotografia e uma ourivesaria, na Rua Antero de Quental Nº 374 a ??? não lembro o outro numero, agora é uma loja, e da casa fizeram vários apartamentos, moramos com meus avós maternos um ano e meio, eu meu irmão e minha mãe,que foi o tempo
    de meu pai vir na frente, e depois nos mandar vir também!
    Meu Deus fico a maça-lo com minhas lembranças, desculpe amigo!
    Um forte abraço!
    Obrigada pelas belas imagens, quando aí vou gosto muito de andar por aí, pela baixa ,aí estão muitas recordações.
    Sem falar nas festas, meus avós não perdiam uma, e eu sempre colada, mas isso já é conversa para outro dia ,ou vou começar tudo outra vez rsrsrs
    Boa Noite Amigo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Jorge,
      Acessei teu blog e confesso-lhe que terei imenso prazer em dedicar um tempo valioso para deliciar-me com as matérias e fotos, pois o "aperitivo" já me encantou.
      Abraço, aqui da Amazônia!

      Eliminar