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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

113. Ainda a Quinta da Prelada e Nasoni

Sinto um prazer enorme quando publico o que quer que seja e os meus amigos ou leitores correspondem com uma opinião. E principalmente quando rebatem sobre um tema que me obrigue a reflectir.
Com raras excepções, fotografo conforme caminho e se resolvo que é bom para divulgar, vou tentar pesquisar para juntar às fotos vivências passadas minhas e histórias reais. Pelo menos, presumo que o sejam.
Vem isto ao caso, porque recebi do meu amigo Borges Ferraz umas informações sobre o Chafariz de Nasoni. Não sei o nome correcto deste monumento nacional, mas parece, que segundo o IGESPAR será Chafariz do Passeio Alegre e que desde há uns anos se encontra neste Jardim.
Na minha postagem anterior sobre a Quinta da Prelada, escrevi duvidosamente onde estaria este Chafariz inicialmente. Conhecia algumas versões pelo que tinha lido. Mas situei-o na Quinta da Prelada para onde teria saído para o Jardim do Passeio Alegre.

Escreve-me o amigo Borges Ferraz, com o tema Quem fala verdade, as seguintes transcrições:
1. Segundo Germano Silva in "Fontes e Chafarizes do Porto" pág.146 e 147 refere :

"o chafariz que está no Passeio Alegre pertenceu ao extinto mosteiro de S.Francisco que existiu onde está agora o Palácio da Bolsa".

2. Segundo o Dr. Hélder Pacheco in "Porto" Editorial Presença, pág.198 e 199 diz:

" No Jardim do Passeio Alegre, admiramos o mais harmonioso e monumental chafariz portuense. É nítida a sua configuração de elemento arquitectónico monástico. De facto pertenceu à cerca do extinto convento de S.Francisco, nos terrenos do qual foi construído o Palácio da Bolsa. O chafariz é, mais do que obra de arquitectura, uma verdadeira peça escultórica, com o seu corpo central, donde jorra a água através das bicas existentes em várias carrancas, finamente lavrado em granito. (Joaquim Antunes : »Para alguns autores a fonte teria vindo do Convento de S.Domingos e ainda para outros do Convento de Monchique. Que grande confusão!»)".

Entretanto, na página do Igespar http://www.igespar.pt/en/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70686/
encontramos a seguinte leitura: Projectado pelo arquitecto que mais marcou o barroco portuense, Nicolau Nasoni, o Chafariz que actualmente decora um trecho do Passeio Alegre foi inicialmente concebido para os jardins da Quinta da Prelada, numa solução cenográfica que deveria integrar outros elementos decorativos a acompanhar o monumental chafariz.
No século XX, com a compra da Quinta pela Câmara Municipal do Porto, a obra de Nasoni acabou por ser desarticulada do conjunto onde se inseria, transitando em seguida para o Passeio Alegre, onde actualmente se encontra, seguindo o mesmo percurso dos dois obeliscos também projectados por Nasoni, que se encontram à entrada do passeio.
Artisticamente, o chafariz é uma obra monumental, salientando-se a enorme coluna central, profusamente decorada em secções de motivos de vegetalistas e zoomórficos, terminando num fogaréu. A água brota de quatro carrancas situadas numa taça média que ladeia a coluna, descarregando para uma taça inferior, situada ao nível da cota do terreno. Esta última delimita o próprio chafariz, exibindo em planta uma forma de trevo, hoje realçada pela posição de realce que ocupa no próprio jardim, definindo um largo, e constituindo um dos eixos do percurso.

Tentei saber algo mais e seguindo o conselho recebido na Livraria Alfarrabista Chaminé da Mota, onde primeiramente tentei encontrar algo sobre o Chafariz, fui ao Arquivo Histórico da Cidade na Casa do Infante. Iniciei as pesquisas por Robert C. Smith e Nasoni. No capítulo da Quinta da Prelada não tem qualquer referência ao Chafariz. Mesmo na Planta não se o vislumbra (nem a Fonte de Bruguel). Mas estão documentadas as Entradas, a Casa, o Labirinto, a Torre e o caminho principal que tudo unia.
Segui novo conselho, agora da simpática bibliotecária (?) e consultei Aquedutos, Fontes e Chafarizes do Velho Porto, Boletim Cultural, Vol. 24, que na pág 201 descreve ... do Convento de S. Francisco... dele saiu o Chafariz que até 1834 estava onde se encontra o Palácio da Bolsa.
Não refere o autor do projecto.

Ainda em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6526.pdf  pode-se ler que o Chafariz veio de S. Francisco e é da autoria de Nasoni.

Posto isto, como diz o meu amigo Borges Ferraz, historiadores há muitos.

Bom, quer tenha vindo da Prelada, dos terrenos comprados pela Câmara (a quem, à Santa Casa da Misericórdia ou ao último herdeiro ? e se é verdade, quando ?) ou do convento de S. Francisco, uma certeza temos: são de Nasoni. A data da construção do Jardim do Passeio Alegre e a destruição do convento de S. Francisco, a data da construção do conjunto da Prelada e a doação dos terrenos, tudo junto não seria um ponto de partida para sabermos algo mais ? Mas quem se interessa por isso ? Se Agatha Christie fosse viva, talvez criasse o Mistério do Chafariz, desvendado por Poirrot.

Mas valeu a pena a pesquisa, porque aprendi novas coisas e descobri outras. 
Referi na postagem anterior que desconhecia a origem desta pedra na Rua dos Castelos, sensivelmente a meio e quando a rua faz uma ligeira curvatura para a direita de quem vem do Carvalhido.
Na biografia de Nasoni de Robert C. Smith, li ... a 214 metros da Casa, foram colocados 2 Pedestrais de 3,15 m que acabam com a figura de uma Torre.
Francamente, não olhei para o outro lado da Rua, não sei se está lá o outro. Mas já agora e em escrita corrida, a Câmara ou a Junta de Freguesia poderiam retirar a placa Carvalhido que não serve para nada. Melhor, serve para desfeiar o Pedestral.
Também fiquei a saber que no Muro do Terreiro... lembrando o Chafariz de Matosinhos, ...as cores realçam os ornamentos florais, ...tinham uns assentos...
As cores já não existem nem os assentos.
Não entendo como se deixam construir muros colados a este muro, que na minha pobre opinião é uma obra escultórica de grande valor e como tal deveria ser realçada.
  
Se as dúvidas sobre a localização do Chafariz persistem, quantos a estes dois elementos já não as tenho. 

5 comentários:

  1. De um amigo recebi a informação de que no sábado passado a quinta estaria aberta ao público.
    Infelizmente não me foi possível visitá-la.
    O mesmo amigo escreveu que valeu a pena visitá-la.
    Imagino que sim.

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  2. sabe o que lhe digo ,meu amigo ,o melhor é organizar na Primavera que se aproxima uns passeios com essas descrições extraordinárias ......
    Isto antes que a Merkel venha arrebatar em Leilão........e já sejamos todos TROIKIANOS OU CHINESES....SEM EIRA NEM BEIRA!

    Obrigada,desculpe a brincadeira.....mas......até já houve a destruição dos Budas na Ásia!

    Olga

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  3. Na verdade aquele muro, o novo, claro, está a destuar aquela relíquia do passado. A meu ver, a CM deveria preservar o muro a que te referes e até, colocar um pequeno painel informativo com alguma informação para que, quem por ali passa e não conhece, ficar a saber a sua origem.

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  4. Bom dia , estou ha muitos anos no Luxemburgo e sou nascido e criado na cidade do Porto , precisamente zona do carvalhido que pude recordar nos seus ultimos posts, tenho seguido com bastante interesse e prazer o seu trabalho permitindo-me recordar e ao mesmo tempo conhecer certos recantos da cidade aonde nasci, mas o meu pedido era se poderia por algo sobre a escola primaria 105 na rua de monsanto aonde estudei e que gostava de poder mostrar aos meus filhos, ja faz quase 20 anos que nao me desloco ao Porto uma vez que tenho casa na Ericeira e regra geral esse é o meu destino, por isso se pudesse por algo sobre a minha antiga escola eu ficar-lhe ia muito agradecido.
    Muito atenciosamente



    JOAO VALE

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  5. Ricardo Gomes de Oliveira15 de maio de 2012 às 23:26

    É com satisfação que constato as variadíssimas preocupações com aspectos históricos, arquitectónicos relacionados com a zona do Carvalhido/Castelos/Prelada. No entanto, ao longo dos últimos 25 anos foram executadas de forma abusiva uma imensidão de obras clandestinas e outras em que o planeamento urbano foi esquecido, descaracterizando assim por completo esta zona, cuja história se encarregou perpetuar.
    Gostava de um dia poder voltar a percorrer a Quinta da Prelada desde a Casa da Prelada até à Torre, brincar no labirinto, sentar-me junto ao lago da Torre...
    Julgo que a C.M.P. tem um papel preponderante, pelo que deverá actuar em conformidade e zelar pelos valores históricos e arquitectónicos desta zona.

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