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terça-feira, 18 de março de 2014

183 - Massarelos. Do Bom Sucesso ao Rio




terça-feira, 18 de Março de 2014


183 - Massarelos. Do Bom Sucesso ao Rio

No episódio referente à primeira etapa, escrevi que trazia na cabeça um plano mais ou menos definido para um passeio por Massarelos. Esta parte foi cumprida e vamos à segunda, mas devo dizer-vos, caros leitores e leitoras, por desconhecimento, houve alterações de última da hora. Mas nada inultrapassável.
Vamos deixar o lugar do Bom Sucesso tal como o conhecemos actualmente e descer a Rua com o mesmo nome.
Não esqueçamos que toda esta zona era um arrabalde da Cidade e foi transformada em quintas de recreio, principalmente a partir do séc. XVIII e cujos proprietários foram maioritariamente os ingleses do Vinho do Porto. Era conhecida como a Cidade dos Ingleses, segundo o nosso historiador, Prof. Germano Silva.
Chegamos ao cruzamento com a Rua do Campo Alegre e à direita encontramos a antiga Casa de Vilar ou dos Kopke Van Zeller, grande quinta da família do primeiro Conde de Vilar, Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840)
Uma obra prima do trabalho em ferro.
O terreno foi sendo reduzido em sucessivas vendas de lotes e o restante, bem como a casa, vendidos em 1984 à Congregação das Religiosas do Amor de Deus, a quem já estavam arrendados desde 1939.
 Um balcão do lado da Rua do Bom Sucesso.
Actualmente a propriedade vem até à Rua da Raínha D. Estefânia e os edifícios estão dentro da mesma. Não sei se são instalações do Colégio. Nas minhas costas, está a Rua da Piedade.
Para a esquerda é a Rua de Vilar, o Seminário e a Quinta de Vilar de Cima ou do Castanheiro. Já documentada no séc. XVII, emprazada à família Pacheco Pereira por 300 anos. Serão outros caminhos para novo passeio.
No meu programa estavam incluídas tentativas de descobertas de umas "coisitas" que têm a ver com água. Lá chegarei. E começou com uma descoberta que como tal, não conhecia: Uma fonte à entrada, digamos assim, da Rua de Vilar.
A Fonte de Vilar. Não consegui referências dela e curiosamente o nosso Historiador, o Professor Germano Silva, não a refere no seu escrito O Rio e as Azenhas de Vilar publicado no JN em Novembro de 2009.
Passamos por detrás da Fonte e descobri uma rua pequena sem saída. 

Recuei e entre dois edifícios, descobri um miradouro onde mesmo com o dia enevoado podemos ver o Vale de Massarelos com a Rua de D. Pedro V à direita. Ao fundo estão umas ruínas industriais, que presumo terem sido de antigas fundições.
Uma das razões do meu passeio era descobrir a Rua dos Moinhos e a Fonte do Caco. 
A Rua dos Moínhos é um topónimo antigo e o seu nome é derivado aos moínhos que existiam ao longo do Rio de Vilar (um encontro de águas no local mais ou menos onde se situa a Escola Infante D. Henrique, agora um fio de água que ainda corre a céu aberto) e conhecidas como Azenhas de Vilar. 
Nada nos informa se a Rua é ao lado esquerdo da foto, um caminho pelo meio dos terrenos ou aquele pequeno caminho do lado direito. 
Sensivelmente a meio da foto vê-se uma casa que até poderá ser a reconstrução de um desses moinhos antigos. Em 1758 havia nove a funcionar e mais antiga referência que se conhece é de 1559 à Azenha do Moreira do Casal. (Prof. Germano Silva)
Como não há saídas é preciso voltar à Rua de D. Pedro V que começa a descer para o Rio Douro.
Presumo que foi aberta em 1883 e o seu nome anterior foi de Lugar das Azenhas de Vilar. Mas também Rua do Bispo em 1933. Coisas que a Câmara Municipal informa, ou talvez desinforme nos seus vários roteiros da Cidade.
Muros altos graníticos em quási todo o lado direito. Do lado esquerdo o que resta do Vale de Vilar ou de Massarelos.
Vamos então descê-la e entre os dois lados da Rua da Pena, à direita, duas belas casas.
Não posso saber tudo, mas sei que aqui existiu a Quinta da Pena. Se estou certo, a casa - qual delas ? - é de 1885 mandada construir pelo Dr. Augusto Ferreira Novais em terrenos de família. Juntamente com a Quinta de Pacheco Pereira, na encosta em frente, dividiam entre si o Vale.
As informações camarárias no Roteiro de Massarelos não são precisas. Há a Rua da Pena, a dividir as duas casas e terrenos.

Para trás ficam as edificações características desta zona.
Descendo a Rua, espreitamos o local onde se encontra a Fonte do Caco, assim chamada porque primitivamente tinha um caco a fazer de bica para a água cair nos tanques. Esse caco poderia ser uma telha redonda, ou algo parecido.
A sua construção é do século XVIII e foi restaurada em 1899. 
Um grande zoom, permite-nos ver muito mal a Fonte do lado esquerdo, os tanques e o Rio. Estão colocados sob o muro de sustentação da Rua de Vilar cujo vão foi aberto em 1909 para albergar os lavadouros públicos. 
Não desci o caminho para ver a Fonte de perto, porque encostados ao paredão um grupo de estudantes de capa e batina encontrava-se lá e não quis interromper os seus rituais. Até porque um pau com uma careta espetada "marcava" o limite.

 Um olhar para as hortas ao longo do vale.

Do outro lado, os muros graníticos do Monte da Pena. Pela Viela do Picoto, vamos dar à Rua da Pena onde há alguns anos os instruendos da condução automóvel iam treinar. Ao alto as traseiras da Faculdade de Letras. Adoçada ao muro vamos encontrar outra Fonte.
É a Fonte da Rua de D. Pedro V construída em 1884 para aproveitar a abundância das águas da zona.
Numa grande parte da Rua de D. Pedro V, onde não há edifícios e muros, existiram durante anos vedações em chapa que nos escondiam o vale. Escrevi há cerca de 2 anos e meio que achava um perigo, pois com um encosto mais forte sofreríamos uma queda de muitos metros. Reparei agora que em vez da chapa estão arames e há aberturas de "portões" sinal que vão haver obras. Por entre os arames podemos ver as hortas e o alto de Vilar. 
Entre os telhados do primeiro plano e a casa alta, presumo que seja a Rua dos Moinhos.
A D. Pedro V olhada de baixo para cima. À esquerda são residências estudantis. Bem próximo, há as Faculdades de Letras e de Arquitectura, esta um pouco mais longe.
A dois terços da descida, encontramos uma rua industrial cujo nome homenageia um dos mais honestos militares da Revolução de 25 de Abril: Capitão Salgueiro Maia.
Muito ao longe temos Gólgota e as ruínas da Capela que deve ter pertencido à Quinta. Nos seus terrenos está implantada desde 1983 a Faculdade de Arquitectura. Cá está um tema para novos passeios.
Finalmente chegamos ao Rio e verifica-se que o antigo edifício do Frigorífico do Peixe e Lota do Pescado está a ser restaurado. No futuro será mais um hotel. Foi após o 25 de Abril centro de dia da terceira idade e creche, dirigidos pela Associação de Moradores de Massarelos.
Estava já muitíssimo degradado. Não sei se esta Associação tem novas instalações.
Construído entre 1930 e 34, possuía os métodos mais inovadores da conservação e refrigeração do pescado. As instalações frigoríficas eram ligadas ao cais, julgo que era o do Bicalho ou uma sua extensão, por um túnel.

No exterior, baixos-relevos com motivos alusivos à vida piscatória. Espero que sejam recuperadas.

Do outro lado está o actual Museu do Carro Eléctrico, aberto em 1992, instalado na antiga central termo-eléctrica de Massarelos.
Tema para outra viagem. 
Junto ao Rio Douro a neblina mantinha-se o que nem nos permitia ver a Ponte da Arrábida. 
E aqui termina mais uma etapa, que não o passeio da manhã e novas descobertas por Massarelos me aconteceram.
Vamos deixar o lugar do Bom Sucesso tal como o conhecemos actualmente e descer a Rua com o mesmo nome.
Não esqueçamos que toda esta zona era um arrabalde da Cidade e foi transformada em quintas de recreio, principalmente a partir do séc. XVIII e cujos proprietários foram maioritariamente os ingleses do Vinho do Porto. Era conhecida como a Cidade dos Ingleses, segundo o nosso historiador, Prof. Germano Silva.
Chegamos ao cruzamento com a Rua do Campo Alegre e à direita encontramos a antiga Casa de Vilar ou dos Kopke Van Zeller, grande quinta da família do primeiro Conde de Vilar, Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840)
Uma obra prima do trabalho em ferro.
O terreno foi sendo reduzido em sucessivas vendas de lotes e o restante, bem como a casa, vendidos em 1984 à Congregação das Religiosas do Amor de Deus, a quem já estavam arrendados desde 1939.
 Um balcão do lado da Rua do Bom Sucesso.
Actualmente a propriedade vem até à Rua da Raínha D. Estefânia e os edifícios estão dentro da mesma. Não sei se são instalações do Colégio. Nas minhas costas, está a Rua da Piedade.
Para a esquerda é a Rua de Vilar, o Seminário e a Quinta de Vilar de Cima ou do Castanheiro. Já documentada no séc. XVII, emprazada à família Pacheco Pereira por 300 anos. Serão outros caminhos para novo passeio.
No meu programa estavam incluídas tentativas de descobertas de umas "coisitas" que têm a ver com água. Lá chegarei. E começou com uma descoberta que como tal, não conhecia: Uma fonte à entrada, digamos assim, da Rua de Vilar.
A Fonte de Vilar. Não consegui referências dela e curiosamente o nosso Historiador, o Professor Germano Silva, não a refere no seu escrito O Rio e as Azenhas de Vilar publicado no JN em Novembro de 2009.
Passamos por detrás da Fonte e descobri uma rua pequena sem saída. 

Recuei e entre dois edifícios, descobri um miradouro onde mesmo com o dia enevoado podemos ver o Vale de Massarelos com a Rua de D. Pedro V à direita. Ao fundo estão umas ruínas industriais, que presumo terem sido de antigas fundições.
Uma das razões do meu passeio era descobrir a Rua dos Moinhos e a Fonte do Caco. 
A Rua dos Moínhos é um topónimo antigo e o seu nome é derivado aos moínhos que existiam ao longo do Rio de Vilar (um encontro de águas no local mais ou menos onde se situa a Escola Infante D. Henrique, agora um fio de água que ainda corre a céu aberto) e conhecidas como Azenhas de Vilar. 
Nada nos informa se a Rua é ao lado esquerdo da foto, um caminho pelo meio dos terrenos ou aquele pequeno caminho do lado direito. 
Sensivelmente a meio da foto vê-se uma casa que até poderá ser a reconstrução de um desses moinhos antigos. Em 1758 havia nove a funcionar e mais antiga referência que se conhece é de 1559 à Azenha do Moreira do Casal. (Prof. Germano Silva)
Como não há saídas é preciso voltar à Rua de D. Pedro V que começa a descer para o Rio Douro.
Presumo que foi aberta em 1883 e o seu nome anterior foi de Lugar das Azenhas de Vilar. Mas também Rua do Bispo em 1933. Coisas que a Câmara Municipal informa, ou talvez desinforme nos seus vários roteiros da Cidade.
Muros altos graníticos em quási todo o lado direito. Do lado esquerdo o que resta do Vale de Vilar ou de Massarelos.
Vamos então descê-la e entre os dois lados da Rua da Pena, à direita, duas belas casas.
Não posso saber tudo, mas sei que aqui existiu a Quinta da Pena. Se estou certo, a casa - qual delas ? - é de 1885 mandada construir pelo Dr. Augusto Ferreira Novais em terrenos de família. Juntamente com a Quinta de Pacheco Pereira, na encosta em frente, dividiam entre si o Vale.
As informações camarárias no Roteiro de Massarelos não são precisas. Há a Rua da Pena, a dividir as duas casas e terrenos.

Para trás ficam as edificações características desta zona.
Descendo a Rua, espreitamos o local onde se encontra a Fonte do Caco, assim chamada porque primitivamente tinha um caco a fazer de bica para a água cair nos tanques. Esse caco poderia ser uma telha redonda, ou algo parecido.
A sua construção é do século XVIII e foi restaurada em 1899. 
Um grande zoom, permite-nos ver muito mal a Fonte do lado esquerdo, os tanques e o Rio. Estão colocados sob o muro de sustentação da Rua de Vilar cujo vão foi aberto em 1909 para albergar os lavadouros públicos. 
Não desci o caminho para ver a Fonte de perto, porque encostados ao paredão um grupo de estudantes de capa e batina encontrava-se lá e não quis interromper os seus rituais. Até porque um pau com uma careta espetada "marcava" o limite.

 Um olhar para as hortas ao longo do vale.

Do outro lado, os muros graníticos do Monte da Pena. Pela Viela do Picoto, vamos dar à Rua da Pena onde há alguns anos os instruendos da condução automóvel iam treinar. Ao alto as traseiras da Faculdade de Letras. Adoçada ao muro vamos encontrar outra Fonte.
É a Fonte da Rua de D. Pedro V construída em 1884 para aproveitar a abundância das águas da zona.
Numa grande parte da Rua de D. Pedro V, onde não há edifícios e muros, existiram durante anos vedações em chapa que nos escondiam o vale. Escrevi há cerca de 2 anos e meio que achava um perigo, pois com um encosto mais forte sofreríamos uma queda de muitos metros. Reparei agora que em vez da chapa estão arames e há aberturas de "portões" sinal que vão haver obras. Por entre os arames podemos ver as hortas e o alto de Vilar. 
Entre os telhados do primeiro plano e a casa alta, presumo que seja a Rua dos Moinhos.
A D. Pedro V olhada de baixo para cima. À esquerda são residências estudantis. Bem próximo, há as Faculdades de Letras e de Arquitectura, esta um pouco mais longe.
A dois terços da descida, encontramos uma rua industrial cujo nome homenageia um dos mais honestos militares da Revolução de 25 de Abril: Capitão Salgueiro Maia.
Muito ao longe temos Gólgota e as ruínas da Capela que deve ter pertencido à Quinta. Nos seus terrenos está implantada desde 1983 a Faculdade de Arquitectura. Cá está um tema para novos passeios.
Finalmente chegamos ao Rio e verifica-se que o antigo edifício do Frigorífico do Peixe e Lota do Pescado está a ser restaurado. No futuro será mais um hotel. Foi após o 25 de Abril centro de dia da terceira idade e creche, dirigidos pela Associação de Moradores de Massarelos.
Estava já muitíssimo degradado. Não sei se esta Associação tem novas instalações.
Construído entre 1930 e 34, possuía os métodos mais inovadores da conservação e refrigeração do pescado. As instalações frigoríficas eram ligadas ao cais, julgo que era o do Bicalho ou uma sua extensão, por um túnel.

No exterior, baixos-relevos com motivos alusivos à vida piscatória. Espero que sejam recuperadas.

Do outro lado está o actual Museu do Carro Eléctrico, aberto em 1992, instalado na antiga central termo-eléctrica de Massarelos.
Tema para outra viagem. 
Junto ao Rio Douro a neblina mantinha-se o que nem nos permitia ver a Ponte da Arrábida. 
E aqui termina mais uma etapa, que não o passeio da manhã e novas descobertas por Massarelos me aconteceram.

sábado, 15 de março de 2014

182 - Massarelos e o Bom Sucesso

Aproveitando o primeiro dia de sol a sério e o calor dos 16 graus que a Cidade do Porto me (nos) ofereceu, carreguei as baterias da máquina, levantei cedo sem sacrifício, apanhei o 803 e saí no Bom Sucesso com um programa na cabeça mais ou menos definido.
O programa será em várias etapas dado a conhecer aos meus queridos leitores e leitoras, mas vamos à primeira, que é essencialmente sobre o Mercado do Bom Sucesso.
Os terrenos que circundavam o Mercado ainda foram durante bastante tempo terrenos agrícolas.
Lembro-me perfeitamente deste monte em meados da década de 50 pois estudei na 
Gomes Teixeira e no Infante, a dois passos
Foi aprovado e projectado em  1950, as obras iniciaram-se em 51. Juntamente com o do Bolhão, passariam a ser os principais mercados da Cidade. 
Construído sobre o Campo das Caveiras, parte da antiga Quinta do Bom Sucesso, local onde o Sporting Clube de Vilar treinava e chegou a realizar alguns jogos. Francamente, é a primeira vez que tomei conhecimento deste clube, mas está impresso num folheto da Câmara. Sobre ele, não encontrei qualquer referência. 
O Mercado na versão antiga, há talvez meia dúzia de anos.
Foto da Internet
Curiosamente, o Mercado está ligado a duas cousas. No mesmo dia em que foi aprovado o projecto é também aprovada a demolição do antigo Palácio de Cristal. Um cataclismo que a Cidade não esquecerá. E a inauguração seria ao mesmo tempo da do Estádio das Antas. Este foi inaugurado pelo Presidente da República, General Craveiro Lopes em 28 de Maio de 1952. O mercado foi-o a 27. 
Empreendimento de 10 mil metros quadrados com 132 lojas e 760 Bancas. Parecem-me bancas a mais, mas...
Há pouco mais de três anos, a autarquia resolveu remodelar o mercado e entregou-o a uma empresa para o requalificar. Diziam que estava muito degradado e sem condições. Não sei, pois a última vez que lá entrei já foi há cerca de 6 anos. 
Também não sei as condições do contrato, mas para o caso não interessa nada.   
Abriu em meados do ano passado, com três pisos, o último é um  Hotel dito Low Cost, mas segundo investigação uma dormida custa 70 euros. 
Muito linda, sem dúvida, toda a área. E como agora é fino dizer-se, um novo conceito, zona de restauração gourmet e etc.
No piso inferior, num desnível pequeno, as tradicionais lojas de alimentação.




Panorâmicas do piso intermédio, visto do primeiro piso
Um aviso aos visitantes: se se sentarem nos bancos espalhados por este piso, não se cheguem muito à frente. São de tal maneira mal concebidos que podem cair. Eu sei do que fálo.

Como foi negociada a sorte dos comerciantes antigos, não faço ideia.
Como já referi, esta zona era a antiga Quinta do Bom Sucesso, mandada construir em finais do séc. XVIII por António de Almeida Saraiva, um comerciante burguês da Cidade, para veraneio e recreio.  
Edificou uma casa de linhas simples com toques de ruralidade e uma capela barroca dedicada a Nossa Senhora do Bom Sucesso. 
O avançar da Cidade não poupou os terrenos, que foram utilizados para a construção de edifícios de habitação, comerciais e de serviços.
Resta a Casa transformada em Restaurante-Bar, mantendo exteriormente a traça original; e a Capela foi reaberta ao culto cuidado pelos Missionários da Fraternidade Verbum Dei.
Entre o sol tímido e o nevoeiro matinal, aqui fica parte de uma viagem com algumas memórias. Que há-de continuar, pois Massarelos tem muita história. E eu pouco a dei a conhecer neste espaço.
Massarelos, que é a minha freguesia de nascimento. Mas que o deixou de ser por causa das alterações impostas pelo governo. Coisas feitas sem pés nem cabeça. À Portuguesa.
Gostava de saber, se eu fosse agora para a tropa, onde iria buscar os papeis ?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

181 - Porto e o Museu do Vinho do Porto

Embora me pareça muito pobrezinho, é o Museu que temos na Cidade sobre a História do Vinho do Porto. Há o da Régua sobre o mesmo tema, que não conheço mas um dia hei-de visitá-lo.
O nosso está instalado na cave de um edifício com uma história enorme, muito interessante a meu ver, toda ela ligada ao Vinho do Porto.
Se tiverem paciência, caríssimos e caríssimas visitantes, acompanhem-me num pequeno resumo.
Está localizado próximo do Rio Douro em Monchique, Massarelos, junto ao antigo Convento das Clarissas que serviu em parte para o enredo do livro de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição.
O edifício começou a ser construído em 1750 para habitação de José Pinto da Cunha Pimentel, senhor abastado de Provesende, antigo Concelho, hoje freguesia de Sabrosa, Vila Real.
Talvez porque Provesende tenha perdido a sua força com a extinção do concelho em 1753, este fidalgo estabeleceu-se no Porto, habitando a casa desde 1756 (?). Casou com uma fidalga galega, D. Clara Saavedra, e o filho primogénito José Pinto Godinho da Cunha Saavedra já nasceu em S. Nicolau, freguesia do Porto, em 1756. 
Nesse mesmo ano de 1756 foi fundada por ordem do Marquês de Pombal a Real Companhia Velha, nome popular da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, sendo José Pimentel membro da primeira mesa administrativa.
Com a morte de José Pimentel, foi ao seu irmão Pantaleão que coube ser tutor dos filhos menores. Este ampliou a Casa e iniciou a construção dos armazéns em 1781. Mas foi já o filho primogénito que em 1798 terminou a construção dos amplos armazéns para depósito dos vinhos provenientes das suas herdades no Douro. Por essa altura, o primogénito José Pinto Saavedra era membro da 7ª Mesa da Companhia Velha. 
A construção do Cais Novo no Rio Douro (ainda hoje é assim conhecido) foi obra da família, e era aí onde os seus barcos atracavam para descarregar as pipas. A casa passou a ser conhecida como do Cais Novo, assim como os armazéns.
Uma ordem da Companhia Velha, não sei em que ano e quem a "decretou", obrigou que em 48 horas parte dos armazéns servissem igualmente a Companhia. A família cedia ou ficava sem eles. Presumo que aconteceu em finais do século XVIII. O Marquês de Pombal já tinha morrido há muito.
Em 1822 os armazéns tornaram-se o principal depósito alfandegário dos géneros provenientes das colónias e do Brasil. A velha alfândega do Porto (actual Casa do Infante) já não tinha capacidade. Passou a ser conhecida como a Alfândega de Massarelos. Mesmo assim as instalações já não correspondiam às necessidades do comércio marítimo.
A cidade começou a pensar numa Nova Alfândega que foi sendo construída e em 1872, após a sua abertura, foram os armazéns da Companhia, do Cais Novo ou do Saavedra,- nome porque também eram conhecidos por causa do casamento do primeiro proprietário com a senhora galega - devolvidos à família.  
Ocorreram obras de requalificação do edifício entre 1999-2001 e realizaram-se intervenções arqueológicas no interior dos armazéns. Descobertas interessantes, muita específicas desta actividade foram encontradas.
No que se refere a espólio, foram encontrados vidros, metais e fragmentos cerâmicos com uma cronologia vinda desde o séc. XVI.
No espaço para adaptação ao Museu do Vinho do Porto, foram realizadas obras entre 2001 e 2004, tendo sido inaugurado nesse ano. 
Agora, vamos ao Museu em si. Uma visita que recomendo.  
Os vários tipos de Barcos utilizados no Rio Douro
 para transporte de pessoas, pipas de vinho e outros bens.  
Cerâmicas utilizadas na época.
Arqueologia achada na Casa do Cais Novo
Espólios de épocas, de uso corrente 
Reconstituição de pormenores da vida duriense. 
Evolução da Garrafa do Vinho do Porto e elementos de publicidade. 
Garrafas de cristal para onde se decantava o Vinho.

Registos de propriedades, de exportação de vinho, de colheitas e papeis bancários.
Arte
A espessura da parede da frente que dá para o Cais. 

Algumas opiniões, se me permitem:
Finalmente, li primeira vez palavra Douriense em vez de Duriense, num documento oficial.
Não sei se a casa ainda pertence à família. Não li nada sobre a compra dos armazéns pela Câmara Municipal. Visto da rua, no primeiro andar nota-se alguma actividade .
O painel da entrada, refere 250 anos depois. Mas sabemos que em 1678 há a primeira referência escrita ligada ao Vinho do Porto exportado pela Alfândega da Cidade e referente ao vinho Douriense.
A descoberta do Vinho do Porto foi uma coincidência, quando após várias experiências para conservar o Vinho durante as longas travessias marítimas, se adicionou aguardente.
Voltando ao Museu, transmite a história de Três Portos: Porto Cidade, Porto Vinho, Porto do Rio Douro.
A minha opinião sobre outros aspectos: A entrada é (era) cara. Não sei agora o preço pois o portal da Câmara não o define. Falhas permanentes de uma Câmara que deveria saber usar os meios de que dispõem.
Os Vinhos que têm para venda são caríssimos.
Em alguns sites o Armazém é chamado da Companhia Velha, quando nunca foi pertença da empresa.
Mas isso são pormenores insignificantes nos dias de hoje. Que não da História.