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domingo, 25 de dezembro de 2011

106 - 21.12, um dia em grande

Para mim, ter nesta época conversas em dia é difícil. Os compromissos sociais surgem de repente e a alguns não posso (nem devo) fugir. E a minha velha máxima de Um dia de cada vez, hoje é o futuro amanhã logo se verá, está sempre actualizada.
Na agenda estava programada a despedida dos 65 do Bando, para a noite. Para o almoço pensava ir até Matosinhos à Tabanca. Mas um telefonema intimativo, fez-me deslocar para Terras por detrás do Sol-Nascente, ainda por cima por uma rota mal alinhavada. Coisas que se desculpam só a Régulos.
Não foi pelo menu apresentado à la Telephone que abdiquei de uma coisa para seguir outra. Isso para mim - o menu - é o que menos conta. (Exclui-se o cozido, francamente, não vou lá muito nele. Desculpa lá ó meu querido Presidente).
Depois de umas dezenas de quilómetros (será que esta ortografia é correcta ?), percorridos num belo e limpo machibombo, cujo motorista teve a amabilidade de abrir a porta para eu descer antes do destino, - vê-se logo que não é funcionário de uma empresa estatal ou municipal - só porque vi os dois compadres de Penafiel a quási ultrapassarem a fronteira, sem se darem conta do perigo que corriam.
Salvos a tempo, inverteram a marcha e seguiram-me até ao abrigo onde a companhia se deveria reunir. Lá estavam companheiros de outras guerras, do velho Paço dos Fados, desenfiados por momentos, porque era dia de trabalho.   
Para além dos aperitivos habituais nestas coisas de comidinhas, esperava-nos um leitão apetitoso. Claro que o vinho só poderia ser o Pedro Milhanos do nosso querido Zé Manel Vinhateiro. Que infelizmente não estava nos seus dias.
A mesa estava bonita, mas o Carmelita quis fazer uma demonstração de como se fotografa, fotografando.
Ora fotografando, foi nem mais nem menos do que a nossa gentil hospedeira, que permitiu a sua foto registada pela máquina do Carmelita.
Um abusador este Peixoto, que não se limitou a uma simples salada de frutas. Tudo em grande para o nosso amigo.
Os dois compadres, já refeitos do susto e com a barriguinha cheia, apanham o belo Sol de Inverno.
O Mano Carvalho Velho pensa do Silva: Será que está, que vai, que fica...deixa p'ra lá...
A rapaziada pôsando, para mais tarde recordar.

E logo começa o mercado paralelo. Mas que não é não senhores. É (Foi) a gentileza do Zé Manel a ofertar umas tantas garrafinhas. Pessoalmente agradeço a sua generosa prenda de anos, pois ele sabe bem como gosto daquela bagaceira. Coisa única. Já bebi uns tragos à tua saúde, Zé.
O Cancela que não capina sentado, logo andou a ofertar as suas abóboras. Quanto a mim, se elas vierem transformadas em belos docinhos, ainda lá vou...
Porque o dia de trabalho do Carvalho ainda não tinha acabado, fomos acompanhá-lo até à Sede do Regulado de Medas. Meia hora de seca, mas ainda a tempo para lhe fazer a foto da futura campanha. Todos aqueles papeis já lá estavam. E o dicionário também, que deve ser um Porto Editora com mais de 45 anos. Tudo na imagem é natural e instantâneo.
Estes rapazes apanham-me sempre desprevenidos, porque a seguir a Festa continuou na Casa do Senhor Régulo.
Que por sinal tens uns animais domésticos com certos tiques. Cála-te boca, que nem sou de cá...
Depois de uns quatro miausinhos, vem de lá o "cãozão-chefão", que faz umas acrobacias dignas dos maiores artistas de circo. A única pose possível do actor, depois de ter estragado aí umas 10 chapas.
Em exibição no outro pedaço, estavam estas belezas, cujo chefe mantém em respeito. Chefe é Chefe e o harém obedeça.
Notem como o guardião do templo segue a rapaziada e mantém um olhar intimidatório que assusta o mais afoito.
Mas é neste cantinho que me dou bem.

Guardada à minha espera está sempre uma bagaceira de 5 estalos. E a máxima do Carvalho é: não perguntes nada...
Por cima da lareira, uns belos salpicões esperam a sua hora.
O fogo da lareira é reactivado, prometendo surpresas.
Nos entretantos, sai uma suecada.
Os compadres de Penafiel julgavam-se os maiores. Até eu e o Carmelita entrarmos. Mas fui logo avisando. E mai'nada...

Um pôr do Sol é sempre uma beleza, mesmo com o Cancela pelo meio. Ou por isso mesmo...Um sol refletindo noutro...Lindo, digo eu.

Pena o Zé Manel estar em baixo. Não tocou nos camarões, nem no salpicão, nem nas alheiras. Mas quem tem amigos não morre na Cadeia e logo o Carvalho lhe preparou uma mixórdia, que o deixou chegar a casa em melhores condições. Assim me disseste e eu acredito, nosso caro poeta.
Uma foto do camarada Silva, antes do Carmelita me levar para outras bandas, onde outros bandalhos me esperavam.
Assim se demonstra como um simples telefonema pode mudar um projecto em menos de 2 horas.
Só para finalizar, uma das várias e lindas peças de artesanato que enfeitam a sala da
Junta de Medas.
Merece destaque e aplausos.

 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

105 - Um dia com azia qualquer um tem

Exma Senhora Directora
da Fundação...

Fiquei surpreso quando V. Exª me acusou de desvendar para o exterior (entendi, creio, o mundo global da internet.) as obras que estão expostas na Fundação.

Na altura da minha visita, expliquei o que faço em favor da minha Cidade, tentando dá-la a conhecer ao Mundo. Nunca com fins comerciais. Ofereci sempre as minhas possibilidades fotográficas às Juntas de Freguesia e outros organismos, mas até hoje nenhum (nenhuma) se interessou. Como escrevi, sem quaisquer outros interesses que não sejam os da divulgação da minha Cidade.

Vou caminhando sózinho, lendo aqui e acolá o que consigo, mas como Portuense, aliado ao prazer de fotografar e bisbilhotar, acho-me no dever de divulgar o que temos de bom. De mau também, mas isso são outras crónicas.

V. Exªa disse-me que escrevi um erro grave sobre a proprietária do edifício. Teria escrito que era da Câmara. Acontece que verifiquei os meus escritos e não vejo qualquer referência a esta afirmação.

No entanto, devo dizer, que basta ler numa edição da Câmara sobre o Património da Freguesia da ... o seguinte:

Casa dos ....


... séc. XVII-XVIII /1978 / Pedro Ramalho, arqº (reabilitação)


Casa nobre típica do Porto, do período barroco, apresenta linhas contidas, nobilitadas no eixo central com o portal e brazão-de-armas (esquartelado: I Coutinho, II Pereira, III Andrade, IV Bandeira). É provàvel que na origem tenha estado o arcediago Luís Magalhães da Costa, instituidor do Morgado de Oliveira do Douro e avô materno de António Mateus Freire de Andrade Coutinho Bandeira, Fidalgo da Casa Real e membro da Junta do Governo do Reino (1808). A Casa manteve-se na sua descendência, nos Barões de Pombeiro de Riba-Vizela, que a venderam à Câmara Municipal do Porto. Actualmente alberga a Fundação ...

Exmª. Ssenhora Directora.
Nos vários sites da internete estão escritos o que os Museus, Fundações, Igrejas, contêm. Não será por eu fotografar que os "bandidos" vão assaltá-las. Coitados do Louvre, do Prado, do Metropolitan, da Sagrada Família, da Capela Sistina, enfim, se resolvessem seguir os pensamentos das nossas instituições.

Então fechem-se todas as portas, coloquem-se pelotões de segurança, não deixem ninguém entrar e assim as obras que os artistas e coleccionadores produziram e adquiriram estarão, talvez, em segurança. O povo de hoje não as conhecerá, e ficarão todas após a morte do último humano, religiosamente sepultadas entre quatro paredes. E quem sabe, vindos de Marte ou Saturno chegue aqui alguém que vai arquelogicamente desvendar que houve povos que fizeram e guardaram umas coisitas fechadas a sete chaves para ninguém saber que existiram.

Quem sabe, um dia vão roubar Conímbriga, ou a Capela dos Ossos, ou o Mosteiro dos Jerónimos e vendê-los para um outro sistema planetário.

Mas ninguém se importa com o que os ladrões dos Franceses roubaram durante as Invasões. Nem com os roubos que aconteceram há uma dezena anos na Bélgica e há dias na América (ou Alemanha, já não me lembro bem), de obras portuguesas valiosíssimas. Saberá alguém o paradouro dessas obras ? Ouvimos ou lêmos em que pé estão as investigações ?

Exmªa Senhora Directora
O nosso Património está esquecido e não é divulgado. O turista acidental vem visitar a Sé e olhar a Torre dos Clérigos. Tomar um Café no Majestic e fotografar o interior da Lello (que agora já é proíbido a não ser com pedidos prévios para o fazer das 8 às 9 horas da manhã. E acho muito bem). Já vai indo à Estação de S. Bento e almoçar à Ribeira. E o resto do nosso património ? Vamos continuar a escondê-lo ?

Agora até o miradouro por detrás da Igreja de Nª Sraª da Vitória está vedado. Propriedade particular.

Tenho feito a minha parte e continuarei a fazê-lo. Não me tenho dado mal. Talvez por isso, levei amigos a interessarem-se por concertos na Casa da Música, a visitar os Jardins do Palácio, olhar para o interior das nossas Igrejas seculares, a admirar Teixeira Lopes, Silva Porto, Marques da Silva, Garret e Camilo e Eça e Ferreira de Castro e Agustina e Sofia e Manoel de Oliveira e Rui Veloso. E a viver o nosso S. João, a comer uma sardinha no pão e a olhar as Alminhas da Ponte.

Peço-lhe imensa desculpa, Exmª Senhora Directora, pelos meus desabafos.

Queira receber os meus cumprimentos

sábado, 19 de novembro de 2011

104 - Andanças de fim de estação

Agora que as andanças não podem ser muito prolongadas, pois os dias pequenos e a chuva não o permitem, é preciso rever o material armazenado e expô-lo aos amigos.
A casualidade e a amizade permitiram-me, do terraço do Seminário de Vilar voltado para o Douro, conhecer a Rua dos Moinhos, em Massarelos. E a Fonte do Caco ou Fonte das Azenhas e dos Lavadouros, cuja água era desviada do Rio de Vilar. Localizada nas traseiras da Rua D. Pedro V. Penso que este é um dos Roteiros do Romântico 

O imenso matagal ali existente já não mostra o riacho que deveria correr por aqui. E as Azenhas cujas Mós moíam cereais, há muito que se foram. Mas a primeira notícia sobre elas data de 1559. Certo que ao fundo da Rua existe ainda uma fonte e um lavadouro. Lixo também. 
Quando passamos pelas Escadas do Codeçal, impressiona ver o Tabuleiro superior da Ponte Luíz I por cima das nossas cabeças a uma dúzia de metros. Pergunto-me sempre, o que foi construído primeiro: A Ponte ou as Casas ? Repare-se que nesta esquina, a casa está cortada.

Já por várias vezes lamentei a posição de "castigo" do nosso Porto, a escultura que esteve no cimo da antiga Câmara Municipal, na actual Praça da Liberdade. Provàvelmente tentando uma alegoria a outra escultura que dataria dos primeiros séculos da nossa era, conforme nos lembra o Almeida Garrett, no Arco de Santana. E de "castigo" porque contrariando a versão do arquitecto Fernando Tâvora, que deveria estar voltada para a Cidade, não o está, mas sim voltada para o mamarracho (não sou só eu que o digo...) criado por este arquitecto, que tão caro ficou e de beleza nenhuma, mesmo recriando a antiga Casa da Câmara ou dos 24, com 10 dos 30 palmos de altura, originais, gravados na pedra e em parte construída sobre os seus alicerces.  
Começando a descer para S. Sebastião, mas ainda junto ao Vimara Peres, um pormenor da Rua Escura, com tantas tradições e história. Encostada pelo exterior às Muralhas Primitivas, já existia em 1301, conhecida como Rua Nova e 100 anos após passou para a toponímia actual. E já era calcetada. Pelo meio chamou-se também Rua do Recolhimento de Nossa Senhora do Ferro, pois este aqui se encontrava antes de ser transferido para o Codeçal em 1757. A Casa da Câmara ou dos 24 e o que resta dela, faziam parte da Rua, bem como o Chafariz que se encontra na base do Terreiro da Sé, voltado para os Grilos. Ainda lá está a Capela do Senhor dos Passos, mas o Cárcere da Inquisição (processos contra o Judaísmo) mandado instalar pelo Bispo Frei Baltazar Limpo por ordem de D. João III em 1541, do qual saíram para as fogueiras 4 encarcerados, há muito foi destruído.

Descendo a Rua Escura e logo a seguir ao cruzamento com as Ruas dos Pelames e Bainharia entra-se na Rua do Souto e logo à esquerda encontramos a Viela do Anjo. Tudo ruas antiquíssimas. A reabilitação urbana relativamente recente, criou ali um largo a que foi dado o nome de Duque da Ribeira. Se não fora a marginalidade ali existente à vista de quem passa a qualquer hora, o espaço até seria simpático, pois para além do casario tradicional, reabilitado, foram criados locais para comércio, fechados... O Largo tem saída para a Rua Mouzinho da Silveira.
Ao centro, tem duas paredes em forma de L, que não sei o que representam. Talvez tenham sido utilizadas numa edificação velhinha, pois entre as novas pedras, encontram-se duas com aspecto bem antigo.
Uma delas tem inscrito uns caracteres difíceis de decifrar. Para mim, claro.

Junto ao Mercado de S. Sebastião, edificado num alto, poderia ser mais um ponto de "observação" sobre S. Bento e Congregados. Mas não há acessos a não ser para pessoal com boa vontade que saiba fazer escaladas e use galochas especiais  para não pisar em toda série de detritos. 
Na Rua do Corpo da Guarda foram reabilitados vários edifícios. Tudo bonitinho, sem dúvida, pelo menos exteriormente. Mas vazios. Também pelos preços anunciados (desde 180 mil euros o T0), quem vai comprar ali um apartamento ? Será assim que se reabilita e povoa a baixa ? Ainda por cima, o comércio que por lá se pratica, não será muito do agrado de quem gostaria de viver ou trabalhar descansado. 
Entrando na Rua dos Pelames, placas sobre obras não faltam. Embora com anos de exposição ao ar.

Os prédios degradados são seguidos. Mas que fazer ? Reabilitam-se e depois não se pode viver neles...
Não tenho nada com isso, mas no Largo dos Loios e Rua das Flores vai acontecer o mesmo. Os quintais que haviam nas traseiras foram eliminados. Poucas pessoas lá moram e o comércio quási desapareceu. Li que os preços por m2 serão a 2.000 euros. Isto publicado há 2 anos. O estacionamento por baixo da Praça que aqui se está a edificar e que fica nas traseiras do Hotel Intercontinental, parece que já funciona. Mas será grátis para quem eventualmente adquira um apartamento ou um comércio ? Deixa-me rir...conforme diz o Jorge Palma
Tenho apontado em vários sítios da net, incluindo no Cidadão Repórter do JN (que ainda não publicou mas também não sei se publicará), o vandalismo que fizeram à cabeça do Dragão, no antigo Escudo da Cidade do Porto, colocado na Base da Estátua de D. Pedro V.
Presumo que o infeliz cidadão, ou cidadã, ou um grupo deles, sei lá, que praticou esta acção, não deve(m) ser portuense(s). Se o fossem, saberiam (ou talvez não...) que o monumento foi construído com o dinheiro do Povo. E nesse não se mexe (deixa-me rir, outra vez...). Aquando do restauro do Monumento, uma das duas placas em bronze que estavam de cada lado da base da estátua, foi roubada. Ficou  tudo caladinho sobre este roubo. Que se fosse bem investigado não custaria a descobrir o autor da façanha. Mas parece que ninguém deu fé a não ser no dia da inauguração do restauro. Isto é suposição minha, pois o local onde a placa estava colocada foi coberto com um pano preto durante meses após a inauguração. Felizmente havia o desenho original que deu para fazer uma segunda reprodução.
Foi o que li. Mas não custa a crer. Só que esse ladrão, ou ladra, ou um grupo, que praticou essa acção não foi para vender na sucata. Como diz o outro, Penso eu de que...  



sábado, 29 de outubro de 2011

103 - O Bom, o Mau e o Vilão

Filme que ainda hoje acho de culto, não só pelos extraordinários actores e realização, mas também pelo tema musical, - mas é só a minha opinião - adaptado perfeitamente para o meu tema de hoje. Quer dizer, só o título. E vão já ver (ler) porquê.
Tudo começa com um convite para ter a liberdade de fotografar o Museu Guerra Junqueiro. Que mete pelo meio um casal brasileiro de amigos que vêm visitar o Porto. História de Arte e Museologia. E a Dra. Eva Rocha (o nome é dificíl não lembrar) com uma grande simpatia e disponibilidade.
É "Por Detrás da Sé", um dos nomes desta Rua que agora é de D. Hugo. Telefonema a marcar a possibilidade da visita, logo aceite. Mas que calhou mesmo no dia do temporal, quarta-feira passada. Mas não desisti.
A foto não mostra o temporal, mas só eu sei os trabalhos que passei para a fazer. Mas gosto de recordações. Porque queria também mostrar os dois edifícios, naquela rua que fez parte do Crasto da Idade do Ferro:  A Fundação e o Museu.
O tema Guerra Junqueiro ( Freixo de Espada à Cinta, 17.Setembro.1850 - Lisboa, 7 de Julho de 1923) é vastíssimo. Por isso fica para outras "obras".
Logo me foi recomendado que deveria complementar a futura "obra" com uma visita à Fundação a que a Senhora sua filha e genro deram nome.
O que fiz hoje, dia magnífico com um calorzinho de 18 graus. Também aqui a disponibilidade foi grande, não só para me guiarem numa visita completa e de quem conhece a fundo a obra da filha de Junqueiro, a Fundação, como todos os aspectos da vida do poeta, escritor, jornalista, político e coleccionador. Como me permitiram fotografar o que entendesse. Sou mau para fixar nomes. Mas a amabilidade da Senhora Directora - francamente não sei se deverei chamá-la assim - e da Senhora que posteriormente me acompanhou, usando o vocabulário actual, não há palavras para descrever.
Por hoje vão os pormenores à entrada de ambos os edifícios, hoje pertença da Câmara Municipal do Porto. Por doação da filha de Guerra Junqueiro, o do Museu. (O da Fundação, não sei bem se já era da Câmara). Como também de todo o acervo que podemos admirar. 
Agora vem a disponibilidade dos camaradas bandalhos.
Acontece... (que saudades deste programa da RTP2 e do Carlos Pinto Coelho), da parte do Bando recebi uma chamada na terça-feira, estava eu sossegadinho às voltas com o Castelo de Gaia. Vai p'ra lá vem pr'a cá e ficou marcado almoço para quarta, com encontro no Bolhão. Até aí, tudo bem. Frango Galeto de primeira e Tripas à Moda do Porto, óptimas, no Pedro dos Frangos. Muita conversa após repasto, até que são horas de "nos metermos ao temporal".
Na rua não se podia andar, então fomos parar ao novo estabelecimento de café, chás e afins, descoberto pelo Quintas e pelo Peixoto. E aí vem a desilusão.
Para fazermos a foto da praxe, a gentil empregada disponibilizou-se totalmente. Mas vem de lá "uma cara de pau", por sinal feia (aí somos conforme Deus nos deu, nada a fazer ) e com cabelo de quem se tinha posto naquele momento a pé da cama, rezingar com a mocinha.
Todo o mundo percebeu que era proibido fotografar. Além da falta de chá, embora estivessemos numa casa onde ele é rei, a senhora foi infeliz da maneira como se dirigiu à empregada. Esta gente moderna... Só para chatear fiz a foto acima, porque nem tudo é mau naquela casa.
Contradições do Fraichaising e da Tradição Portuense. Já na casa dos Cafés Delta, ao Bolhão, fui proibido de fotografar. Escrevi aos Cafés mostrando a minha tristeza. Sem resposta ao fim de mais de três semanas.
Agora devem, caros amigos, terem compreendido a minha história associada ao filme. O Bom - Museus, Fundações, Casas de Tradição (vamos excluir a Lello até saber da história direitinho). O Mau, os que nos proíbem de fotografar umas coisitas sem importância. E o Vilão, eu , e já agora os meus amigos que andam comigo nestas "cenas" e só se riem...

domingo, 23 de outubro de 2011

102 - Galeria da Vista Alegre, no Porto

Uma casualidade levou-me a entrar na Galeria da Vista Alegre, no Porto, a Fábrica de Porcelanas, em Ílhavo, próximo de Aveiro, fundada no séc. XIX por José Ferreira Pinto Basto. E de cujo grupo agora fazem parte as Fábricas Bordalo Pinheiro das Caldas da Rainha e a Atlantis (antiga Crisal) de Alcobaça.
Esta Galeria está instalada no antigo Palacete do Conde de Vizela, de inicíos do séc. XX da autoria do grande arquitecto Marques da Silva, voltada para as Carmelitas, esquina com Cândido dos Reis
Este espaço era um antigo entreposto onde as mercadorias da Fábrica de Vizela esperavam ordem de embarque para o estrangeiro e ex-colónias portuguesas.
Foi adaptado para Galeria e Loja de Vendas das Fábricas Vista Alegre, Bordalo Pinheiro e Atlantis, em vários níveis e andares, mas mantendo muito das estruturas primitivas.
Peças de mobiliário totalmente português, umas novas outras recuperadas e restauradas.
Nos andares inferiores, são bem patentes os muros de suporte em pedra de granito, característica da construção portuense. Alguns arcos de suportes estavam e continuam entaipados.
Outros abriram-se prolongando os espaços e visitas a salas de exposição de louças com diferentes características.
Alguns mmobiliários e adereços, faianças e vidros, fazem-nos lembrar um Museu Vivo.
Neste sala podem ver-se os "barrotes" de madeira que sustentavam o tecto primitivo.
Uma peça da Bordalo Pinheiro, que correu mundo na net e foi um enorme sucesso de vendas: O Tomas à Moodys, gesto bem português do Zé Povinho, representando a revolta e a insolência, criado por Rafael Bordalo Pinheiro. Surgiu pela primeira vez na 5ª edição do periódico "A Lanterna Mágica" a 12 de Junho de 1875.
Popularizou-se com a cerâmica da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, a partir do último quartel do século XIX.
Bendita a casualidade que me levou a este espaço. Os amigos Percival e Laura é que foram os culpados. Tenho de agradecer ao colaborador da Empresa VAA (infelizmente não fixei o nome) que se dignou acompanhar-me na visita e mostrando pormenores, prestando todos os esclarecimentos que lhe pedi. Com um prazer que se reflectia no rosto. Embora a hora de fechar a Galeria tivesse passado há muito.
O Porto ainda tem destas coisas...
Visitem http://www.vistaalegreatlantis.com/

Uma nota: Não sei se Bordalo se escreve assim ou assim Bordallo:

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

101 - Proibido Fotografar a Livraria Lello

Fiquei surpreendido quando há dias o amigo Peixoto me disse que era proibído fotografar no interior da Lello.
Rebati que não podia ser, pois o lema da Lello era É Proibído Proibir.
Ontem entrei na Lello com o Percival e a Laura, casal amigo brasileiro, ambos ligados ao ensino e à cultura (onde está à venda um livro sobre a Cultura Portuguesa na América do Sul com fotos do   Percival) e realmente confirmei que era Proibido fotografar e/ou fazer vídeos.
Casa cheia mesmo olhando ao tardio da hora, quási 19 horas. No passeio, turistas olhavam o estabelecimento. 
Fiquei chocado pela proibição. A amiga Laura, inconformada, dirigiu-se à recepção e perguntou o porquê da proibição.
Uma explicação simples como resposta: Caiu nas escadas uma senhora que fotografava.
A senhora colocou um processo em tribunal contra a Livraria, culpando-a da queda.
O processo trouxe complicações para a Lello. Então, acabaram-se as fotos.
No momento até concordei com a atitude. Sei por experiência própria o quanto é difícil fotografar em locais públicos fechados. Não há respeito pelo local nem com os utentes, sejam outros caçadores de imagens ou apenas simples uso-frutuários momentâneos ou clientes. 
Especialmente nesta casa, as pessoas atropelam-se, incomodando muitas vezes quem está a ver um livro ou a comprar. Não respeitam minimamente o local. E refiro-me em especial a turistas estrangeiros, (espanhois e orientais são o máximo) que empurram e fazem tanto barulho como se estivessem no mercado do Bolhão.
Caindo em mim e mais a frio, lembrei-me haver (ou pelo menos havia) um seguro de acidentes que abrangem os clientes. Não sei como decorreu o caso. Provàvelmente não foi bom para a Livraria para tomarem esta atitude extrema. 
Apenas sei que fico triste porque a considerada terceira mais bela livraria do mundo tem as suas portas encerradas para os fotógrafos.
Sinceramente espero que a situação mude. O mundo precisa de ver esta obra de arte. E que os fotógrafos amadores mudem também a sua atitude.
E quero voltar a saber que é Proíbido Proibir.