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segunda-feira, 6 de junho de 2016

246 - Matosinhos: Festas e Romarias, Lendas e História

Uma breve passagem por Matosinhos durante a realização das suas Festas em homenagem ao Senhor de Matosinhos. Mas não só.

Monumento Tragédia do Mar, esculturas recordando o maior naufrágio da costa portuguesa 
ocorrido em 2 de Dezembro de 1947 em Matosinhos. 

Diz-se-se que foi aqui a origem da Vieira, símbolo de Santiago de Compostela. Isso leva-nos ao ano 44 e ao dia em que Cayo Carpo, grande senhor romano e pagão, do lugar de Bouças (nome anterior ao de Matosinhos) casou. A festa é no imenso areal da Praia do Espinheiro até que o noivo desafia os restantes cavaleiros: Quem conseguisse chegar mais longe dentro de água com os cavalos, ganharia. Cayo vê uma nau e segue mar a dentro. A nau transporta o corpo do apóstolo São Tiago. Ao sair da água, o corpo de Cayo Carpo está matizadinho de vieiras. A praia passou a chamar-se de Matizadinho e as Vieiras ficam associadas à devoção e aos Caminhos de Santiago.

Nestas praias durante três dias e nos últimos anos, tem a Câmara Municipal feito a recriação histórica daquela época romana. Feira de artesanato, mercado de escravos, reconstituição do casamento de Cayo e Claudia, banquetes, coisas para os romanos mais pequenos, etc. É hoje domingo, data em que escrevo, o último dia de festa.

Bem perto, na Praia do Espinheiro no lugar de Matosinhos, outro monumento - nacional - a Ermida do Senhor do Padrão que nos recorda o lugar onde apareceu a imagem do Nosso Senhor Bom Jesus de Bouças.
Deverá ser anterior a 1733, mas não há nada que indique a sua construção.
Mas junto ao monumento, encontra-se uma construção em pedra que encerra uma fonte, resposta divina à súplica de uma crente ao Senhor do Padrão para o seu mal de pele. Banhando-se na água obteve a cura. Esta fonte terá surgido em 1726, levando a crer que o Monumento é anterior.

A Romaria e Festa do Senhor de Matosinhos tinham terminado há poucos dias, mas as tendas que vendem as tradicionais loiças ainda funcionavam.

Na antiga Rua da Igreja encontrei esta fonte que ninguém me soube dizer nada sobre ela. Mas é tudo muito simples: Dois amigos mandaram-na construir o que marcou o fim de séculos em que o abastecimento de água era feito através de poços.
Onde pesquisei lê-se que foi em 1853. Na Fonte - que já não deita água - está gravado o ano 1863.

Vamos visitar a Igreja Matriz de Matosinhos.

 Um frondoso parque envolve todo o adro a Igreja.

 De cada lado do Parque, três capelas invocando alguns Passos da Paixão

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Imagens nas Capelas

 O parque possui várias espécies de árvores, fontes, coreto, lago, chafarizes.

O edifício sede da Santa Casa da Misericórdia, a Casa dos Milagres e o Museu, encontram-se à volta do Parque.
Árvores revestidas com belas toaletes.

Igreja Matriz de Matosinhos
Erigida no século XVI, a mando da Universidade de Coimbra que desde 1542 possuía o padroado de “Sam Salvador de Bouças”, a actual igreja de Matosinhos veio substituir um velho e arruinado templo até aí existente, a algumas centenas de metros de distância, no lugar de Bouças – local onde, na Idade Média, existira um mosteiro.

Segundo a lenda, foi um burro que encontrou o local onde foi erigida a nova Igreja

A obra de construção do novo templo renascentista foi entregue, em 1559, a um célebre imaginário/arquitecto de então: João de Ruão. O prazo inicialmente previsto foi de quatro anos. Demorou vinte! E na fase final da edificação, entre 1576 e 1579, um outro famoso artista da época, Tomé Velho, juntou-se a João de Ruão.
Embora as dimensões da igreja não se tenham alterado significativamente, resta muito pouco desse templo inicial.  À excepção das colunas que dividem interiormente as três naves, não nos é possível observar muitos vestígios dessa primeira época. 
Foto encontrada na net de autor desconhecido
Todo o resto do corpo do edifício seria significativamente alterado, a partir de 1743, pelo arquitecto italiano Nicolau Nasoni que levantou as paredes laterais e produziu uma fachada barroca totalmente nova.
Durante o século XVIII o interior da igreja foi coberto, de um modo significativo, por talha dourada, ao gosto do barroco, abrigando algumas das melhores obras-primas dessa arte no nosso país.  
 No transepto e do lado da Epístola a Capela do Senhor dos Passos.
A talha dos seus retábulos e frontispício terá sido executada pelo mestre entalhador portuense Domingos Martins Moreira, na sequência de contrato estabelecido em finais de 1746. O douramento e a pintura desta obra terão sido executados, poucos anos depois, por um outro mestre da cidade do Porto: José da Mota Manso.
Pintura de um painel lateral representando o Senhor da Caninha Verde.

Curioso o facto de um senhor que trabalha na Igreja me dizer que desconhece e não acredita que o seja. Mas eu acredito no Prof. Joel Cleto. Confirmado também pelas vestes da figura.
Chamado de Ecce Homo ou Nosso Senhor Bom Jesus da Pedra Fria, ou apenas Senhor Bom Jesus da Pedra como em Vila Franca do Campo, nos Açores.

No Brasil existe uma piedosa tradição portuguesa que narra ter a Cana-de-açúcar perdido os espinhos ao ser colocada nas mãos de Jesus.
Não sei se é o Santo Padroeiro da agricultura, mas no Brasil merece muita devoção nesta área. 

 Pormenor da Capela Mor

 O Arco do Cruzeiro é encimado pela imagem do Senhor São Salvador, orago de Matosinhos.
Não obstante a imagem do Bom Jesus de Matosinhos ser o centro das atenções desde a construção da igreja no século XVI, a verdade é que, embora algo despercebida, a imagem daquele que é, efectivamente, o padroeiro de Matosinhos desde as mais antigas referências medievais ao lugar, continua a ser a que se encontra colocada no nicho mais elevado do templo. 
Capela-Mor
Considerada como uma das mais marcantes intervenções da talha portuguesa, esta obra-prima, incluindo o arco-cruzeiro, foi arrematada em 1726 por um dos melhores mestres do seu tempo, Luís Pereira da Costa, do Porto, e dourada entre 1731 e 1733 pelos mestres douradores Bento de Sousa e seu filho Caetano de Sousa Coutinho, de S. Cristóvão de Refojos, e João Lopes da Maia e seu filho José Lopes, de Braga.
Nas ilhargas da capela, a Paixão de Cristo é narrada em fabulosos painéis esculpidos pelo mestre Ambrósio Coelho, de Braga, transmitindo uma emoção verdadeiramente inserida no espírito barroco.

 Imagem do Bom Jesus de Matosinhos 

É a mais antiga representação existente em Portugal, esculpida em madeira, de um Cristo crucificado em tamanho natural, cerca de 2 metros de altura.
Foi restaurada há pouco tempo.

Embora tipologicamente seja possível enquadrar esta escultura na transição do românico para o gótico, e datá-la entre os últimos anos do século XII e os primeiros do XIV, a origem lendária deste crucifixo está profundamente enraizada na comunidade e na tradição popular. 


Segundo esta, o autor da imagem é Nicodemos, personagem bíblica que, com a ajuda de José de Arimateia, retirou Cristo da cruz e o depositou no sepulcro. Impressionado com os acontecimentos que testemunhara e porque era bastante dotado para o trabalho em madeira, Nicodemos resolve esculpir diversas imagens de Cristo crucificado, sendo auxiliado nesse seu trabalho pela circunstância de possuir o santo sudário – o tecido que, por ter envolvido o ensanguentado corpo de Cristo, reproduzia fielmente a imagem e as feições de Jesus.



Estas imagens não permanecerão muito tempo na sua posse. Sendo comprometedores indícios face às perseguições de que os cristãos são vítimas por parte dos judeus e romanos, Nicodemos lança as suas imagens às águas do Mediterrâneo.
A mais bela e perfeita de todas, a que melhor reproduzia a face de Cristo – por sinal a primeira que havia sido esculpida – depois de cruzado o estreito de Gibraltar e sulcado o Atlântico junto às costas portuguesas, acabou por ser depositada pelas águas na praia do Espinheiro, junto ao lugar de Matosinhos. Estávamos, ainda segundo a lenda, no dia 3 de Maio do ano 124.

Recolhida a imagem na praia pela população, constatou-se, contudo, que lhe faltava um dos braços. No local não se encontrou o membro em falta e, por muitos braços que se tenham mandado fazer aos melhores artífices, nenhum encaixava de forma perfeita no ombro amputado. E assim, resignados, deixam ficar a imagem resguardada no Mosteiro de Bouças, localizado não muito longe do local do seu aparecimento. Até que...

Cinquenta anos depois, na praia, uma pobre mulher recolhe lenha. De regresso a casa observa, estupefacta, que um grande pedaço de madeira teima em, milagrosamente, saltar do fogo sempre que para ele era lançado. Milagre reforçado por ter sido uma jovem filha a indicar à mãe que a lenha em questão era o membro ausente na imagem do Senhor guardado no Mosteiro de Bouças. Facto que em si não encerraria nada de especial não fosse a circunstância de, até aquele momento, a miúda ter sido surda-muda de nascença...

Aplicado no crucifixo, de imediato se constatou estar em presença do braço até aí extraviado. Começava assim a veneração desta imagem que, desde muito cedo, fez rumar a Bouças e, depois da sua transferência no século XVI para a nova igreja, a Matosinhos, inúmeros peregrinos e romeiros fascinados com a fama crescente dos seus milagres que, desde então, não deixaram de se multiplicar.

Independentemente da lenda, a referência histórica e documental mais antiga, até agora conhecida, à imagem e à devoção que lhe está associada data de 1342.

Retábulo da Árvore de Jessé
Considerada uma das mais belas “Árvores de Jessé” existente em Portugal, é das mais emblemáticas obras artísticas deste monumento, sendo seu provável autor o entalhador portuense Domingos Martins Pereira, por volta de 1752. Este retábulo barroco, em talha dourada de estilo joanino, terá sido igualmente dourado e pintado pelo mestre José da Mota Manso, dadas as semelhanças com os outros retábulos da igreja que sabemos terem sido por si trabalhados.
Deitado e servindo de raiz, a figura de Jessé (ou Isai), pai de David. Dele nasce uma árvore que representa, iconograficamente, a genealogia de Jesus. Do tronco da árvore saem ramos com os reis de Judá ou, por vezes, os Profetas. Culminando no seu topo com uma representação da Virgem com o Menino, tal como se pode observar na igreja de Matosinhos.

Retábulo de S. Pedro
Obra provável do entalhador Domingos Martins Moreira, concluído em 1751 com a aplicação do dourado por José da Mota.
A Imagem de S. Pedro é datável do séc. XVIII e aparece representado com o Papa, envergando uma indumentária profusamente decorada e policromática. Ressaltam não só as luvas vermelhas e a cruz processional de três travessas que empunha, mas também a tiara que com as suas três coroas - triregnum - é um atributo exclusivo dos Papas.

Outros três retábulos merecem referencia, mas nada como uma visita a esta bela Igreja, que inspirou artistas como o Aleijadinho. Bem como o Santuário de Bom Jesus de Braga. Mas isso são muitas outras histórias.

Alguns textos foram copiados de obras publicadas pelo Prof. Joel Cleto, especialmente das suas páginas na internet como por exemplo: http://joelcleto.no.sapo.pt/textos/IgrejadeMatosinhosAgenda2005.htm


sábado, 1 de setembro de 2012

139 - Vila do Conde

Em Vila do Conde comi no dia 1 de Maio de 1975 as melhores fêveras de que me lembro. Foi numa tasquinha de "portas à texas" mesmo em frente aos antigos estaleiros. A dona, simpática senhora já de alguma idade e vestida de preto, foi de uma gentileza enorme.
Hoje as tascas desse tempo são restaurantes onde os preços são 5 estrelas. A comida não faço ideia de como é, mas na tasquinha com esplanada no Mercado, come-se bem por uma média de 9 euros, incluindo vinho, cafés e bagaços. Encerra às segundas-feiras.
Quero com isto dizer que gosto de Vila do Conde.

É uma cidade linda, aberta, com vários Monumentos Nacionais, Igrejas e Capelas, Museus e Feiras e muitas tradições antigas. As ruas atapetadas de flores no Corpo de Deus são um exemplo. As freguesias do concelho, exteriores à Cidade, possuem também belos monumentos como é o caso de Azurara, do outro lado do Rio Ave. A pré-história deixou muitas lembranças, por aqui espalhadas. Foi uma área de passagem e depois de fixação de povos.

Vila do Conde é uma localidade antiquíssima. Onde está localizado o Mosteiro de Santa Clara terá existido um Crasto da Idade do Ferro. O Crasto de S. João

O Rio e o Mar foram juntamente com a Agricultura, as riquezas dos naturais. Desenvolveu-se a Construção Naval e os seus estaleiros foram famosos.

O Mosteiro de Santa Clara foi fundado em 1318 por D. Afonso Sanches e sua esposa D. Teresa Martins que entrou em ruínas séculos depois. O edifício que hoje conhecemos é uma construção do séc. XVIII, mas só entre 1929 e 1932 a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais levou a cabo obras de intervenção e conclusão das fachadas. Resta a Igreja, o Chafariz e parte do Aqueduto.

Tudo isto não se vê interiormente, pois está fechado. Pelo menos, das várias vezes que aqui vim, nunca vi nada aberto.

Junto ao açude, do outro lado Rio, existe uma velha Azenha quinhentista, que os Marqueses de Vila Real mandaram construir no séc. XVI

Ruas estreitinhas descem do monte. Lá no alto outros monumentos e edifícios para além do Mosteiro bem como da sua Igreja.

Vários edifícios em bom estado de conservação, mostram a beleza da cantaria e do ferro.

Nunca tinha encontrado a Casa-Museu José Régio aberta. Foi desta vez e por 1,04 euros podemos apreciar as belas colecções que o escritor legou a Vila do Conde. Mas fotografar não se pode, o que é um desperdício por não se poder mostrar o conteúdo.
Só para recordação fiz esta foto - não sei se fui autorizado - na recepção, situada na casa onde nasceu o escritor em 17-09-1901. Na foto anterior, é o edifício da esquerda. O da direita foi onde viveu depois do seu regresso de Portalegre onde leccionou desde 1928 a 1967, até à sua morte em 22.12.1969.
O acerbo é essencialmente de cariz popular na sua maioria Arte-Sacra. Digno de ser visitado.
  
No pequeno jardim chamou-me a atenção uma romãzeira de pequeno porte. Ainda em floração mas com bastantes frutos. Menos de metade do tamanha das romãs que conhecemos. Não me souberam dizer há quantos anos foi plantada.

Hora de passeio ao longo do Rio, com Azurara do outro lado. O Rio vem criando presumo que são algas ou jacintos, não sei, tornado-o extremamente poluído. Parece não haver cura para este mal.

Terminou há dias a Feira de Artesanato.Vi todo o Portugal Continental representado com inúmeros stands, incluindo o já bem conhecido de venda de Queijo da Serra e Presunto. Uma delícia aquelas sandes em pão de que não soube a origem. Não me lembro de ver se as Ilhas estavam representadas.
Na próxima semana começa a Feira de Agricultura.
A não perder uma visita, que são três incluídas no mesmo pacote: Alfândega Régia, Nau Quinhentista e Casa do Barco. Lembrei-me de apresentar a idade e tive desconto. Acho que foi 1,06 euros o seu custo.   
A Alfândega Régia de Vila do Conde foi criada por D. João II em 27 de Fevereiro de 1487 no coração da zona ribeirinha onde existiam os estaleiros navais.
A exposição apresenta três vertentes: A Navegação Portuguesa, especialmente aquela que teve origem e destino em Vila do Conde; A História da Alfândega, o funcionamento, seus oficiais, produtos desalfandegados; A História da Construção Naval, tipos de Barcos aqui construídos e as respectivas técnicas e processos utilizados na construção naval de madeira.
Uma grande variedade de produtos e especiarias e as suas origens estão em exposição.

O edifício é de final do séc. XV e durante o séc. XVIII sofreu várias ampliações para colmatar as necessidades que o imenso tráfego comercial obrigava.

Passamos à Nau Quinhentista, uma réplica perfeita das que aqui se constuiram no séc. XVI.

Por entre os cabos, avistamos ali próxima a Capela de Nª Sª do Socorro, mandada construir em 1599 pelo piloto-mor das Carreiras da Índia, China e Japão, Gaspar Manuel e sua esposa que aqui estão enterrados. Curiosa a abóbada da cobertura, talvez lembrando um pagode oriental.  Possui um magnífico painel de azulejos do séc. XVIII.
Vista de longe, a mim parecia-me um edifício com raízes árabes.

Dentro da Nau, temos a ideia de como era a vida a bordo, as cargas que transportava, os instrumentos de navegação, armamento, etc. Não faltam também as lembranças das pedras que transportavam e que serviam de lastro, bem como elementos de construção para casas e dos padrões simbolizando a descoberta de cada terra.
Uma visita interessantíssima. Faltam apenas as velas. A cesta da gávea, mais conhecida segundo a Academia Portuguesa de Letras por "Caralho" era o ponto mais instável do barco e para onde normalmente se enviavam os castigados, algumas vezes, por dias. A palavra apenas é usada nas línguas ibéricas - excluindo o Basco -, e já era conhecida no séc. X. Representava algo de muito mau. Como expressão foi-se adaptando às Linguas, mas hoje tanto pode significar o mau como o bom.

O pacote de visitas termina na Casa do Barco. Lembro-me que o meu amigo Carmelita quando me levava em passeio de reconhecimento por esta bela terra, referia-se a ela como um mamarracho. Realmente, localizada num amplo largo com jardim e casas antigas onde ficavam os antigos estaleiros, não me parece feliz a arquitectura.
O interior recorda-nos a importância das pescas e outras actividades de vocação marítimas O motivo central é uma réplica do gasoleiro, uma embarcação tradicional de pesca. De um lado está totalmente construído, do outro vêm-se o casco e pormenores da construção.

Tanto na Alfândega como nesta Casa existem imensas miniaturas de barcos, bem como apetrechos do cotidiano ligados à actividade marítima e às das tradições populares.
Uma exposição fotográfica documenta o que foi a actividade económica ligada ao mar.
Não faltam as embarcações actuais incluindo as de actividades desportivas, fabricadas pela Empresa  Vilacondense Nelo, mundialmente conhecida.

Os Bilros são uma tradição Vilacondense pelo menos desde o séc. XVI e segundo me disseram, vale a pena uma visita ao Museu o que não foi possível desta vez. Parece que chegaram aqui vindos da Flandres, trazidos por marinheiros e comerciantes.

Quem sai - ou entra - na estação do metro de Vila do Conde-Santa Clara, encontra um terreno que deve ter tido uma fábrica. Resta-lhe a enorme chaminé. Aliás há vários por aqui no mesmo pobre estado.
Ao fundo, parte da arcaria do aqueduto que transportava a água desde Terroso, já pertencente à Póvoa de Varzim, até ao Mosteiro. Inicialmente com 999 arcos e cerca de 4 km, é o segundo maior de Portugal.
Foi construído entre 1705 e 1714.
Vila do Conde é muito mais. Tem uma costa marítima grande, linda e bem tratada. Freguesias bem tradiccionais, como Azurara onde ainda existe um estaleiro, e Caxinas de tradição piscatória.
Conheço relativamente bem, muito por culpa do Carmelita, a quem envio o meu abraço. Extensivo ao Carlos Vinhal.