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terça-feira, 7 de julho de 2015

221 - Histórias e Historiadores; Ajudas e boas leituras

Poderá ser confuso o conjunto destes apontamentos. Mas tudo tem uma razão de ser. E as confusões fazem parte da vida. De preferência com fotos.
Na última postagem, referi-me à imagem acima visível num dos espaços da Sé de Braga. Escrevi que não há uma informação sobre a mesma o que é de lamentar.
Mas quem tem amigos não morre na Cadeia - sempre o disse e não me canso de o afirmar - a minha amiga Conceição meteu pés a caminho e foi à Sé perguntar quem representa a figura.
Informaram-na e ela passou-me que é de Santo Ovídio. Que estava num altar de onde foi retirada para se colocar lá outro santo.
Ora na Wikipédia lê-se que Ovídio foi um cidadão romano de origem siciliana e segundo a tradição o Papa Clemente enviou para Bracara Augusta na Galécia, onde foi terceiro Bispo no ano 95. Foi mártir pela sua Fé no ano 135. Foi sepultado na Sé de Braga.
Segundo as Memórias Gaienses, tem Festa no primeiro domingo de Setembro. O culto remonta pelo menos ao séc. XVIII. Curioso como festejam em Setembro se o dia do Santo é em 3 de Junho. Para o caso não interessa nada mas interessa que na tradição religiosa popular é conhecido como Santo Ouvido, advogado contra as dores de ouvidos e maridos infiéis.
Os fieis com os males e na esperança de serem atendidos, faziam-lhe promessas de oferendas em dinheiro, objectos de cera como ouvidos e cabeças e telhas. Estas últimas também era de tradição ofertarem-se a outros Santos.
Falta-me saber que objectos ofertavam contra os maridos infieis. Mas a história ou os historiadores nunca nos contam tudo, não é verdade ? Provàvelmente por causa das vergonhas.

Mudando de temas e passando para as leituras curiosas que vou fazendo.
Li na página de um jornal dedicado à gastronomia que os pimentos têm sexo. Se tiverem três maminhas, são do feminino. Se tiveram 4 são do masculino. A recomendação tem a ver com o picante. Já não me lembro qual é o mais e o menos. No caso dos pimentos femininos deve-se dizer pimentas ? Como raramente encontro um (ou será uma ) mais ou menos picante, pelo contrário são sempre adocicados, presumo que só cômo um dos sexos. Desculpem o uso da cartolinha mas é para não os fazer voltar a trás para entenderem a frase direitinho. 
Como não sei qual é - estávamos a pensar em sexos, não se distraiam meus amigos e amigas - fui investigar os meus pimentos e as minhas pimentas. Acreditem, fiquei todo baralhdo. Então não é que encontrei 5 maminhas ? Por isso não escrevo que me apareceu um pimento ou uma pimenta, pois não sei o sexo. Os gourmetes ou gourmetas que definam.
Tal como na história do Santo Ovídio ou Ouvidos os estes ou estas também escondem muita coisa debaixo do avental da sua sapiência.

Continuando no tema comida ou as suas origens, li  na Revista de domingo passado do Jornal Público uma reportagem excelente de Alexandra Prado Coelho - muito bom o seu blogue mais olhos que barriga e também a página http://.publico.pt/autor/alexandra-prado-coelho - sobre o Bacalhau.
A foto abaixo sem a devida autorização para a publicar está na Revista do Jornal Público. Espero que não se zanguem comigo, bem como a Alexandra.
Os meus amigos e amigas se se deram ao cuidado de ler esta reportagem (não se esqueçam de dizer se querem que continue a enviar o jornal ), estarei a repeti-la. Mas prometo que a finalidade destas linhas tem o seu quê de político e pouco a ver com o nosso Fiel Amigo da reportagem. Lá irei.
A história da reportagem passa-se na Islândia, aquele País nórdico insular com uma ilha maiorzita e algumas pequenas localizadas no Oceano Atlântico Norte. Tornou-se independente reconhecido da Dinamarca em 1 de Dezembro de 1908. Tem cerca de 320 mil habitantes (mais ou menos a população da minha-nossa Cidade do Porto... há 30 anos) para uma área de aproximadamente 103 mil quilómetros quadrados.
Segundo a autora, Portugal seria para a grande maioria dos Islandeses talvez uma palavra. Mas para a população da localidade de Hûsavik na costa norte significa Bacalhau e Economia.
Aqui entra o que eu referi o seu quê de  político. Per capita em Portugal consumimos 7 kg/ano de Bacalhau o que acho muito pouco ou há imensos portugueses que não comem bacalhau. E ainda temos os turistas e a exportação não sei se está incluída. Mas há muito português que infelizmente só deve comer bacalhau no Natal durante as refeições de solidariedade. À minha parte tenho a certeza de comer cerca de 10 a 12 Kg./ano.
De qualquer forma, comemos 30% do Bacalhau Pescado no Mundo. O que quer dizer que fazemos felizes e econòmicamente favorecidas milhares de pessoas perdidas lá no Norte do Mundo.
Independentemente da solidariedade dos nos governantes, brincadeirinha, o Povo Português é muito mais do que aquilo que nos pintam. E não só cá dentro...Mas claro que a história e os historiadores não nos contam tudo...
Preparem-se os amigos Brasileiros (e amigas, pois claro) porque a empresa que promoveu o encontro de jornalistas na Islândia, está a preparar um produto especificamente para o Brasil.
Leiam a reportagem na íntegra. Se quiserem saber mais, tenho um pps sobre a história (historiei o que li) do Bacalhau num pps ao vosso dispor.

E como é bom um bacalhau assado na brasa com pimentos ou pimentas ou assim-assim. E que S. Martinho seja pródigo no bom acompanhamento.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

195 - Aveiro

Há pouco tempo, na companhia de bons amigos, antigos camaradas de armas, tive o prazer de revisitar a bela Cidade de Aveiro.
A primeira vez que a visitei muito ao de leve, foi nos princípios dos anos 60 do século passado, num Primeiro de Maio, durante uma confraternização de trabalhadores (como agora se diz) da empresa Artistas Reunidos. O almoço foi no Restaurante Galo d'Ouro. Não sei se ainda existe. Coisas que nunca esquecemos.
Quem chega actualmente a Aveiro por comboio desembarca numa estação nova. Mas tem de reparar forçosamente na velha estação.
Poucos portugueses - e quem sabe, estrangeiros - repararam na revista norte-americana Travel &Leisure uma publicação elegendo a Estação de S. Bento, no Porto, uma das mais bonitas do mundo ferroviário. Creio que a 12ª mais bonita.
Para mim, existem no meu-nosso Portugal estações de caminho de ferro belíssimas. Conheço algumas para falar de "cátedra".

Aveiro possui uma dessas belas estações portuguesas, com cerca de 150 anos. A sua arquitectura é característica das casas portuguesas, revestida de azulejos e grande número de painéis reproduzindo motivos regionais: Paisagens da Ria, Vindimas na Bairrada, o Hotel Palace do Buçaco, trechos da Linha do Vouga, retratos de Pescadores e Tricanas. A maioria são da Fábrica da Fonte Nova de 1916, Fábrica esta que presumo ter sido fundada em 1882 e encerrada em 1937 destruída por um violento incêndio. Mas já há anos que não laborava.

Deixo aqui um apelo à CP, REFER, CÂMARA MUNICIPAL. Ou a quem manda nisto tudo. Não gostei do aspecto desleixado e meio ruinoso da Estação. Não merece este desleixo.

Saindo da Estação e logo no início da actual Avenida Dr. Lourenço Peixinho, deparamos com um belo edifício, que tinha de ser estragado no seu aspecto visual pelo mamarracho que lhe implantaram ao lado.
Belos edifícios não faltam em Aveiro. Mas não vou publicar todos os que fotografei, pois quero que os meus amigos os vejam por si quando visitarem esta linda cidade. Basta estar atento ao que nos rodeia.

O edifício de uma antiga Escola que já foi também a Capitania de Aveiro, as águas do Canal Central passam-lhe por baixo e ao lado. A partir daqui é o Canal do Côjo.

Por muito que bisbilhotemos na net - infelizmente Aveiro está pobremente referenciada e descrita - não posso confirmar se as minhas imagens se referem ao mesmo edifício da foto antiga. Sou um maluquinho por fotos antigas e tento imaginar aquelas épocas comparando-as com a actualidade. Erro ou não, vale a pena olhar o actual Hotel e passar pelas arcadas e ver os seus comércios, olhar os edifícios e o chão. É a calçada chamada portuguesa em toda a sua beleza e que Aveiro nos deixa pisar.

É um saltinho até ao Mercado do Peixe construído em 1938 junto ao Cais dos Botirões. A foto antiga, no canto direito superior, li que é da época anterior à construção do Mercado. No entanto podemos ver a parte superior do Chafariz, cuja data da sua construção desconheço.
Nunca percam, meus amigos, a visita ao Mercado e à  zona envolvente.

Vamos para os canais de Aveiro. Este é o Central. Na minha opinião atravessa a Cidade. Mas tem três toponímias.  Aos poucos lá iremos.
Mas têm de entrar também no Moliceiro para os percorrer. Um custo de 7 € bem empregues.

Eu e os amigos tomamos o Moliceiro no Jardim do Rocio. Local que já não é da Feira de Março. Não visitamos o lado esquerdo, mas do lado direito são dignos de visita os edifícios Arte Nova. Num está instalado o Museu da Cidade e noutro os Serviços de Turismo. Que não tem Guias de informação turística em Português.
Para o caso não interessa nada.

Vou falar (escrever) mais ou menos de memória e nas informações que recebemos do nosso cicerone. Ao fundo do Canal Central, que se chama Canal das Pirâmides, salvo erro, (vai do Jardim do Rocio até à Comporta-Pirâmides) e antigamente ligava directamente à Ria, existem umas comportas. Foram construídas não sei quando para nivelar a água dos Canais, evitando assim uma possível inundação como uma que aconteceu que quási arrasou a cidade baixa.
Na foto direita superior pode-se ver uma das duas pirâmides e um montinho de sal.
Nesta foto, cuja data desconheço, podemos ver o Canal a que chamam das Pirâmides ainda ligado à Ria. Os montinhos brancos são de sal. As Pirâmides presumo que seriam como uma espécie de limite. Não consegui encontrar qualquer referência a elas. Mas li que  o Canal das Pirâmides foi construído no séc. XIX. Apenas isto é o que posso informar.
Se os meus queridos leitores e visualizadores deste espaço, que muito prezo,  repararem, à direita na foto, ao longo do muro, aparece uma espécie de triângulo pintado a branco. É a entrada do Canal de S. Roque. Lá iremos.

Salinas com a cidade em fundo. Que foto excepcional.

Agora vamos entrar no Canal de S. Roque e o nosso Cicerone assinala a passagem com toque num búzio. É como uma espécie de sinal de trânsito. Se é para turista ver e ouvir, não interessa nada.

O Canal de S. Roque teve ao longo das suas margens, salinas, cais de descarga de sal, armazéns, casas de Pescadores e Marenotos e de gentes ligadas ao trabalho na Ria.
Não devemos esquecer que o moliço era uma das riquezas para adubo das terras. E esta gente foi lavradora também. E o moliço era apanhado na Ria e transportado pelos moliceiros.
 Hoje já não há salinas aqui, mas um parque municipal. Ainda há alguns armazéns, as casas foram requalificadas e há restaurantes.
O canal também foi requalificado e é essencialmente uma via turística.
A Ponte dos Namorados, chamada também de Carcavelos , foi uma estrutura em madeira que caiu em 9 de Setembro de 1942 quando estava apinhada de gente para ver uma corrida de bateiras integrada nas Festas de Nossa Senhora das Febres.
Foi reconstruída em betão.

A partir do edifício da antiga Capitania de Aveiro, entramos no Canal do Côjo. Chamou-se antigamente Ribeira das Azenhas devido à quantidade destes engenhos que aqui existiam. 
A indústria Cerâmica na Região é muito antiga. Presume-se iniciada no séc. X antes de Cristo. Depois foram os Celtas-Lusitanos que a continuaram até que vieram os Romanos e a desenvolveram.
No Canal do Côjo existiu uma fábrica cerâmica fundada em 1775, a qual tomou o nome do Canal. Muitas voltas deu a vida e várias fábricas foram fundadas. No final do Canal, apareceu em 1896 a fábrica Jerónimo Pereira Campos e dois filhos. Também um ramal da linha férrea passava por aqui.
As pontes foram alteradas e levantadas para os barcos moliceiros de turismo puderem passar pelo Canal, que também foi alargado para o mesmo efeito.
As margens foram requalificadas e há um novo parque urbano.

 Aveiro viu nascer muitos artistas. Muitos outros estiveram e estão a ela ligados. Vou destacar o Zé Penicheiro que conheci pessoalmente há muitos, muitos anos. Embora nascido em Tábua, a meninice passou-a na Figueira da Foz. Em Aveiro fundou o Círculo de Artes Plásticas O Aveiro/ Arte. Os dois postais-caricaturas são dele. Vejam a sua biografia em http://anexosjopf.blogspot.pt/2012/04/ze-penicheiro.html
Quanto às Tricanas, elas existem (ou exisitiram) nas terras da orla marítima do norte. Senhoras elegantes, com seu xaile negro e porte esbelto. Muitas até seriam de origem humilde, filhas de pescadores e de lavradores que pela sua beleza inflamavam os corações dos homens. Uma ou outra chegou a ser apresentada no Paço Real. Mas que sei eu sobre a Tricana, pois não consegui saber a origem verdadeira ? Quanto muito a tricana seria o vestuário da mulher do litoral que foi evoluindo a partir de 1870.

Algumas recordações tenho de Aveiro, mais pelos seus petiscos. A Sopa do Mar no Centenário era um regalo. E os Ovos Moles humm...
Mas não sendo rigorosamente de Aveiro são da sua região e da Ria que tenho as melhores recordações ligadas sobretudo às pescarias. Uma vezes no Triângulo, que para lá chegar tínhamos de tomar o bote do Mestre Tempestade (ou seria Ventania ? Desde essa altura nunca acertei com o apelido do senhor, que já tinha perto de oitenta anos)  , cuja travessia, ida e vinda custava 10 tostões (1 escudo); e onde apanhávamos os maiores mexilhões que já vi; ora em S. Jacinto, ora na Torreira.

No entanto, as mais célebres eram realizadas a bordo de um moliceiro que alugávamos. Sempre no dia 10 de Junho. A primeira foi feita em 1969 ainda eu não fazia parte deste grupo. Estava longe, noutras terras alagadiças. Em 1970 tive o primeiro convite. O patrão do moliceiro dias depois emigrava para a América. Mas deixou um descente, o Sr. António, que durante uns 4 ou 5 anos foi o nosso mestre. Numa das fotos aparece o filho, uma boa companhia e já um pequeno mestre.

O farnel era imenso, composto de sardinhas e fêveras de porco. As primeiras eram compradas no mercado da Murtosa, logo pela manhã bem cedo. Salgadas no barco, ficavam de estalo. As segundas, iam preparadas de casa pelo mestre Germano Silva. Tudo grelhado no carvão, a bordo. Os garrafões de vinho e as caixas de cervejas eram amarradas ao barco e lançadas na água da ria para refrescar. Não faltava o café feito em cafeteira e coado naqueles sacos que muitos de nós-vós ainda se devem lembrar. E claro o Bagacinho, normalmente ofertado pelo Zé Brito (que a terra lhe seja leve) fabricado nas suas propriedades de Santa Marta de Portuzelo. E ía logo pela goela abaixo de manhãzinha para esquentar. Sim, porque o frio e a humidade da Ria são de arrepiar.
Para o final da tarde estavam reservados uns chouriços assados no dito bagaço, num dos pinhais já a chegar a Espinho.

Embarcávamos no bico da Murtosa. E quando desembarcávamos logo fazíamos a distribuição do pescado. Sarguetas, douradas, enguias, pequenos robalos, um ou outro safio. Caranguejos que apanhávamos com uma rede circular engodado com cabeças de sardinhas eram em quantidades industriais. Só escolhíamos os maiores, o resto voltava para a ria. 
Quando a maré não dava, (para a pescaria) fazíamos passeios pela ria de vela erguida, cujo vento produzia uma velocidade impressionante. Então dava para atracar ao cais da Pousada da Torreira para tomar um café ou uma loirinha.

Vi umas fotos recentes na página da Murtosa do Bico e como aquilo está lindo. 

Gostava de ter o dom de exprimir sucintamente o que é Aveiro e a Ria. Mas isso não é para todos, muito menos para mim. Vejam este pequeno vídeo cujo link vai a seguir

http://videos.sapo.pt/7J7RVS3TtUBkNFdF5ZAj

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

145 - Memórias da Póvoa de Varzim

Prometi trazer de novo a Póvoa de Varzim a este espaço. Pois cá estou.

Não me lembro rigorosamente quando fui a primeira vez à Póvoa, mas julgo que andaria pelos meus 10 anos de idade numa excursão de camioneta com meus pais e padrinhos, excursões essas que se chamavam de 20 amigos. Era como os remediados pobres dos anos 50 e 60 do século passado poderiam conhecer um pouco de Portugal. Cotizavam semanalmente durante um ano para poder ter o prazer de usufruir de um domingo diferente.

Com o passar dos anos, fui visitando a Póvoa, principalmente em grupos de amigos de trabalho. Naquela altura era obrigatória a paragem para tomar o pequeno almoço num dos cafés junto à praia. O Diana Bar, hoje transformado em Biblioteca Pública, é um bonito edifício que segundo os escritos foi onde o José Régio (Vila do Conde, n. 17 de Setembro de 1901. f. 22 de Dezembro de 1969) escreveu parte das suas obras.

Não muito afastado, o Bar da Praia era o outro Café. 

As camionetas aparcavam num espaço que já não existe, muito lindo e ajardinado, se bem me lembro, próximo da Estátua do Cego do Maio. Notava um certo respeito quando os adultos olhavam esta estátua e aqui se faziam as primeiras fotos para mais tarde recordar.
Hoje é fácil sabermos que o Cego do Maio (José Rodrigues Maio, ou Ti'Mário) foi um herói Poveiro, nascido em 8 de Outubro de 1817 e falecido em 13 de Novembro de 1884. Pescador e Salva- vidas, será a figura mais representativa desta bela terra, galardoado com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração do Estado. Naquela altura, Reino.
Diz a lenda que quando D. Luís I o condecorou, o Cego do Maio retribuiu o presente com um punhado de conchinhas, dizendo: Tome lá ó Ti'Rei, uns beijinhos para as suas crianças brincarem.

Avenida dos Banhos
O Concelho actual, digamos assim, tem marcas arqueológicas que remontam a 200 mil anos antes de Cristo. As populações foram-se fixando no território entre 4 a 6 mil anos atrás. O mar e o comércio, depois as pescas, tornaram esta região apetecível, pelo que foi fundada uma cidade fortificada cerca de 900 anos A.C.
Vários forais reais lhe foram sendo concedidos, reconhecida que foi a importância deste território.

As águas fortemente iodadas e as praias de longos areais, desde o séc. XVIII tornam a Póvoa num centro balnear de excelência. O maior e melhor do Norte de Portugal.

Estádio do Varzim Sport Clube
Outras visitas fui fazendo à Póvoa, algumas profissionalmente, outras por causa do futebol. Campo de difícil deslocação para as equipas visitantes, o Varzim Foot-ball Club, assim foi baptizado em 25 de Dezembro de 1915, alterado em 25 de Março de 1916 para Varzim Sport Club, é a primeira filial do Futebol Clube do Porto.
Lembro de alguns nomes que por este clube passaram, no meu tempo, claro: Noé, Fonseca, Horácio, (um dos bébés do Leixões no tempo do Pedroto) Quim, Sidónio, Salvador (tive uns minutos de conversa com ele em Setembro de 2007), Camolas ("meu instruendo" na GACA 3, em Paramos-Espinho e que precisava de licenças para os treinos, dizia ele e sempre concedidas). E do grande Meirim, o treinador que conseguiu feitos louváveis no clube. Lembro-me de ter eliminado o Porto em pleno estádio das Antas da Taça de Portugal, e a um honroso 4º ou 6º lugar, já não lembro, num campeonato da I Divisão.
Se estiver errado, os Poveiros ou amantes do Futebol que me ponham a cabeça no sítio.
Um àparte, fora do contexto: Para mim, José Mourinho, o Number One, será um produto da Escola que Meirim criou. Com a diferença de Meirim nunca ter insultado árbitros ou adversários e muito menos agredi-los. Foi um senhor do Futebol. Conheço alguma gente que lhe passou pelas mãos e nunca ouvi uma palavra de reprovação.

Mas a Póvoa de Varzim tem muito mais que as belas praias, as esplanadas, os passeios. E refiro-me especialmente à Cidade, pois o concelho tem muito por onde passear e descobrir.
A Igreja Matriz actual, ou Igreja de Nossa Senhora da Conceição, foi inaugurada em 1757, obra barroca que marca a vocação marítima da Cidade e a protecção de Nossa Senhora em complementaridade com a Capela existente na Fortaleza.

Os Paços do Concelho, foram aprovados por D. Maria I por indicação de Francisco Almada e Mendonça (Lisboa, 30 (?) de Fevereiro de 1757- Porto, 18 de Agosto de 1804) o homem forte do Porto e do Norte, filho de João de Almada e Melo (Monção, 15 de Agosto de 1703 - Porto, 30 de Outubro de 1786), familiar do Marquês de Pombal e que em 1757 veio para o Porto por causa da revolta dos vinhateiros do Douro e não só, acabando por se fixar definitivamente empenhando-se no desenvolvimento da Cidade, que seu filho continuou.
O edifício em estilo neo-clássico foi inaugurado em 1807. Em 1910, ofertado pelos Amorins, foram-lhe aplicados azulejos que retratam a História da Póvoa desde o séc. X.
Na altura desta foto, em Setembro de 2007, estava a Praça do Almada, o centro cívico, em obras. Ladeada de belas casas tradicionais tem um coreto belíssimo  presumo que de finais do séc. XIX ou princípios do séc. XX.

Da mesma altura a foto possível do pelourinho da Póvoa de Varzim, Monumento Nacional, erigido em 1514 e representa a sua emancipação municipal.

Do outro lado da Praça o Monumento a Eça de Queiroz, administrador público, diplomata e romancista enorme, nascido num dos edifícios que a compõem a 25 de Novembro de 1845. Faleceu em Paris em 16 de Agosto de 1900 e os seus restos mortais encontram-se em Santa Cruz do Douro.

A Basílica do Sagrado Coração de Jesus foi dada como concluída em 31 de Outubro de 1948, embora prosseguissem obras em dois altares e na colocação dos 24 sinos das torres.
É um templo Jesuíta, cuja ideia da construção começa em 1888. Os Jesuítas  regressaram depois da sua expulsão em 1761, onde na Póvoa tinham uma irmandade de certa grandeza na Fortaleza. Voltaram a ser expulsos aquando da implantação da República em 1910 e novamente regressaram após a Revolução de 28 de Maio de 1926. A obra que tinha sido iniciada em 31 de Agosto de 1890 entrara em ruína, mas foi retomada a construção em 1927.
Alberga actualmente uma pequena comunidade.

A Fortaleza da Póvoa, cuja história contei no meu escrito anterior.

Como escrevi na altura, estava todo entretido a fotografar lá dentro quando um agente da GNR me veio proibir de o fazer. Esta é a foto da altura, em Setembro de 2007 e reproduz uma parte da parada interior.

As fotos eram bem simples, só queria apanhar umas vistas naquele dia de nevoeiro intenso, do alto das muralhas.
Esta é de uma parte do Porto a Norte e da Lota.
As origens do Porto remontam ao séc. XI que não deixou de crescer, mas é com o foral de D. Dinis de 1308, mandando incentivar a agricultura e a utilização do porto para transporte de produtos além da pesca, da qual o Rei tirava os maiores proveitos, que muito se desenvolveu.
No século XVI os pescadores passaram também a desempenhar actividades marítimas como pilotos e mareantes devido aos seus elevados conhecimentos náuticos. Em 1506 os pescadores de Entre-Douro e Minho já pescavam na Terra Nova. Lógicamente, a partir daí o Bacalhau chegou às nossas mesas.
Também se desenvolveram os estaleiros e aqui foi contruída a nau Nossa Senhora de Guadalupe comandada pelo capitão poveiro Diogo de São Pedro que se celebrizou na esquadra reunida em Lisboa para restaurar Pernambuco no dia 15 de Março de 1631, que os holandeses tinham ocupado. Um seu irmão, António Cardia foi piloto-mor da armada portuguesa e já se tinha destacado na defesa e libertação da cidade da Bahía, também dominada pelos holandeses.

A Póvoa guarda outros heróis mareantes, como o Patrão Lagoa (Manuel António Ferreira - Póvoa de Varzim, n. 14 de Junho de 1866/f. 7 de Junho de 1919) especialista em resgates de navios para além de passageiros e tripulantes.

Está na História o do S. Rafael, da Armada Portuguesa naufragado na Foz do Rio Ave em 20 de Novembro de 1911 e do Veronese, Barco a Vapor Inglês, com emigrantes principalmente Galegos, naufragado próximo a Leça da Palmeira. Um relato deste naufrágio e o salvamento de passageiros e tripulantes pode ser lido
http://artigosvozdeleca.blogspot.pt/2008/02/evocao-do-naufrgio-do-veronese.html

Mas há muito mais gente ilustre desta Póvoa de Varzim, que prometo desenvolver num outro trabalho.

Em frente à Baía, o monumento às Peixeiras, uma homenagem à Mulher Poveira que sempre teve grande preponderância na comunidade piscatória.

Para Sul, o bairro piscatório e a nova marina.

Para o fim desta pequena visita à Póvoa Cidade, a Junqueira. Uma espécie de Centro Comercial nascida no séc. XIX, não apenas da Rua com o seu nome mas de uma área que vem desde a Praça do Almada e vai até ao Mar.
Aqui foram encontrados vestígios da época romana. Mas a história da artéria-zona é tão linda e extensa, que proponho aos meus caríssimos leitores - e caríssimas leitoras, pois claro - visualizem http://pt.wikipedia.org/wiki/Rua_da_Junqueira

Uma visita à Capela de S. Roque fundada em 1582, mas que talvez os varzinenses conheçam mais como de S. Tiago. Isto porque uma imagem do santo possivelmente do séc. XV, apareceu na praia e fez crescer o seu culto. A Capela foi reformada e aumentada em 1887 e modificaram-lhe a invocação.

Esta é a Rua da Junqueira, desde 1955 tornada pedonal sendo provàvelmente se não a primeira uma das mais antigas ruas pedonais de Portugal.
Deve o seu nome aos muitos juncos que aqui haviam. Por ela e pela zona passam ainda algumas ribeiras, agora encanadas. Após a implantação da República, desde Julho de 1912 até Janeiro de 1966 chamou-se de 5 de Outubro, retomando o seu nome antigo após esta data.
Para além de outras gentes, aqui nasceu no numero 3, Leonardo Coimbra, filho, em 9 de Abril de 1914, falecido na Guiné (actual Guiné Bissau) em 25 de Julho de 1970 num desastre de helicóptero, quando como deputado se ía inteirar dos assuntos daquela Província Ultramarina Portuguesa. Foi uma pessoa dedicada à Família e à Criança. Não sei se seguiu a filosofia espírita de seu Pai, nascido na Lixa.
No próximo trabalho, prometo umas fotos antigas dos casinos e hotéis que aqui existiram e onde o Camilo fazia grandes paródias, principalmente no Chinês. É o que está escrito.

Agora vou falar de amigos.
Em primeiro lugar, do meu Presidente Bandalho, o Jorge Teixeira, que me alertou para o facto de ter andado por aqui a namoriscar umas primas, pois um seu tio morava na Rua da Junqueira. Só por isso, destinava-se a rua ser histórica.
Lògicamente que me falou de recordações "bacanas". E de boas férias.
Este capanga Teixeira, sempre que dou um passo, lá vem ele com histórias da sua numerosa família. Presumo, pelo menos a Norte do Porto, não haver uma localidade em que tenha nascido, vivido ou vivam parentes do grande amigo.


No dia 14 de Setembro de 1967 conheci pessoalmente dois amigos internautas. O João Carlos, natural da Póvoa, a trabalhar no Brasil. Através de uma amiga que infelizmente já nos deixou.
Há dias andamos de novo a navegar pela região. Já regressou ao Brasil e daqui lhe mando o meu abraço fraterno.
O Quim Verdegaio, residente há muitos anos na Póvoa, foi a Guiné que nos aproximou. Para ele também um grande abraço.

Uma pequena história. Nesse dia de Setembro, depois de uma volta pela Cidade e quando vinha apanhar o Metro, parei num quiosque na Praça do Almada e comprei em promoção A Mensagem do Fernando Pessoa. Passado algum tempo lembrei-me do livro e não o encontrei. Julguei tê-lo deixado no quiosque e telefonei ao Quim a contar o meu desassossego. Uns dias depois, não me lembro como, chega-me o livro às mãos. Hoje, salvo erro, é pertença da Família Teixeira de Matosinhos.

Até breve, boa gente. Espero que venham à Póvoa. Está, pelo menos até final do ano, a 2€65 do Porto, de Metro, o equivalente mais ou menos a 50 minutos. 




terça-feira, 18 de janeiro de 2011

57 - Da Restauração ao Infante, via Foz

Depois de uns tantos dias de chuva seguidos, na quinta-feira 13 o sol apresentou-se pleno de luz e o ar mais ou menos límpido. Sem qualquer programa definido, entre autocarros e eléctricos, meti pés ao caminho, que me levaram até ao Carmo. Um esticão até à Restauração para ver se havia alguma coisa de novo. Nada de especial, mas sabe-me bem ficar ali por Sobre o Douro olhando as Ruínas do Convento de Monchique e Gaia lá ao fundo.
Mas também se olha para cima para ver o morro do Palácio, a Casa do Roseiral e as Palmeiras da Califórnia. Faltam duas na imagem, mas não se pode ter tudo.
Mais abaixo, recordei os meus tempos de menino, olhando o caminho que trepava para entrar no Palácio sem pagar os 10 tostões da ordem. Hoje o muro está bastante alto e com uma pala que protege os passantes das derrocadas que possam acontecer. No alto, o Castelo.
Em frente, ou quási, reparei nesta placa com um poema (?) de José Viana. Presumo que se refere ao falecido artista de teatro e pintor. Francamente, não gosto nada do texto, principalmente dos dois versos. Ainda por cima com uma referencia a Lisboa.
Como lá vinha o eléctrico, resolvi esperar por ele para seguir até Massarelos. Depois fui de 500 até à Foz.
Uma jovem oriental, saltava de um lugar para o outro de máquina em punho. Bonito.

Saudades do mar que já não via há uns dias.

Numa tarde agradável é bom gozar um pouco de sol e saborear a lourinha da ordem.

Caminhar pela Foz Velha e apreciar alguns dos edifícios que ainda restam do princípio do século passado, construídos aquando da abertura daquelas ruas e ruelas.
Casas pequeninas que outrora eram alugadas aos veraneantes que íam do Porto e não só, a Banhos para a Foz.
A Foz Velha ainda tem o seu encanto.


Na marginal, esta ruína é que não condiz nada com o ambiente geral.

O mar sempre alteroso entre os Faróis de Felgueiras e o do novo promontório.

O espaço dos Homens no Urinol misto do Jardim do Passeio Alegre.

Avenida D. Carlos I. Que foi Avenida das Palmeiras até 1949. Hoje é conhecida apenas pelas Palmeiras. A título de curiosidade, D. Carlos I - penúltimo Rei de Portugal - e sua esposa, a Rainha D. Amélia, apadrinharam o nascimento do Futebol Clube do Porto em 28 de Setembro de 1893, data em que os monarcas também comemoravam a data do seu nascimento.
No arranjado espaço junto ao Rio, ainda se conserva a tradição da pesca desportiva nas Palmeiras.
O Jardim do Passeio Alegre, antigo local onde os pescadores guardavam e consertavam as suas redes. É um jardim romântico, oitocentista, que demorou cerca de 20 anos a construir.
Igreja de S. João Baptista, ou de S. João da Foz, do séc. XVII, mas tendo sofrido várias alterações ao longo do tempo. Está localizada no alto de uma pequena subida iniciada próximo do Jardim.
A Barra do Douro ao final da tarde. Presumo que este Farolim não é o da Cantareita. Assunto para investigar no futuro.

Alguns edifícios na Rua do Passeio Alegre

O Pôr do Sol e a Foz do Douro, desde o Jardim do Calém

Aves residentes e/ou imigrantes no Rio Douro

A Ponte da Arrábida ao final do dia. Em primeiro plano, o antigo Cais do Ouro, aguardando há anos por uma solução de requalificação.
Observar e fotografar as Aves é um prazer.
Do eléctrico para o Infante, obtêm-se panorâmicas lindíssimas da Ponte da Arrábida e de toda a orla fluvial.
Já não há luz do dia no Infante. Pormenor voltado para a Arrábida.

Um último olhar voltado para o Cais de Gaia.
Desejo-vos, caros amigos e visitantes, muitos e belos passeios.