Poderá ser confuso o conjunto destes apontamentos. Mas tudo tem uma razão de ser. E as confusões fazem parte da vida. De preferência com fotos.
Na última postagem, referi-me à imagem acima visível num dos espaços da Sé de Braga. Escrevi que não há uma informação sobre a mesma o que é de lamentar.
Mas quem tem amigos não morre na Cadeia - sempre o disse e não me canso de o afirmar - a minha amiga Conceição meteu pés a caminho e foi à Sé perguntar quem representa a figura.
Informaram-na e ela passou-me que é de Santo Ovídio. Que estava num altar de onde foi retirada para se colocar lá outro santo.
Ora na Wikipédia lê-se que Ovídio foi um cidadão romano de origem siciliana e segundo a tradição o Papa Clemente enviou para Bracara Augusta na Galécia, onde foi terceiro Bispo no ano 95. Foi mártir pela sua Fé no ano 135. Foi sepultado na Sé de Braga.
Segundo as Memórias Gaienses, tem Festa no primeiro domingo de Setembro. O culto remonta pelo menos ao séc. XVIII. Curioso como festejam em Setembro se o dia do Santo é em 3 de Junho. Para o caso não interessa nada mas interessa que na tradição religiosa popular é conhecido como Santo Ouvido, advogado contra as dores de ouvidos e maridos infiéis.
Os fieis com os males e na esperança de serem atendidos, faziam-lhe promessas de oferendas em dinheiro, objectos de cera como ouvidos e cabeças e telhas. Estas últimas também era de tradição ofertarem-se a outros Santos.
Falta-me saber que objectos ofertavam contra os maridos infieis. Mas a história ou os historiadores nunca nos contam tudo, não é verdade ? Provàvelmente por causa das vergonhas.
Mudando de temas e passando para as leituras curiosas que vou fazendo.
Li na página de um jornal dedicado à gastronomia que os pimentos têm sexo. Se tiverem três maminhas, são do feminino. Se tiveram 4 são do masculino. A recomendação tem a ver com o picante. Já não me lembro qual é o mais e o menos. No caso dos pimentos femininos deve-se dizer pimentas ? Como raramente encontro um (ou será uma ) mais ou menos picante, pelo contrário são sempre adocicados, presumo que só cômo um dos sexos. Desculpem o uso da cartolinha mas é para não os fazer voltar a trás para entenderem a frase direitinho.
Como não sei qual é - estávamos a pensar em sexos, não se distraiam meus amigos e amigas - fui investigar os meus pimentos e as minhas pimentas. Acreditem, fiquei todo baralhdo. Então não é que encontrei 5 maminhas ? Por isso não escrevo que me apareceu um pimento ou uma pimenta, pois não sei o sexo. Os gourmetes ou gourmetas que definam.
Tal como na história do Santo Ovídio ou Ouvidos os estes ou estas também escondem muita coisa debaixo do avental da sua sapiência.
Continuando no tema comida ou as suas origens, li na Revista de domingo passado do Jornal Público uma reportagem excelente de Alexandra Prado Coelho - muito bom o seu blogue mais olhos que barriga e também a página http://.publico.pt/autor/alexandra-prado-coelho - sobre o Bacalhau.
A foto abaixo sem a devida autorização para a publicar está na Revista do Jornal Público. Espero que não se zanguem comigo, bem como a Alexandra.
Os meus amigos e amigas se se deram ao cuidado de ler esta reportagem (não se esqueçam de dizer se querem que continue a enviar o jornal ), estarei a repeti-la. Mas prometo que a finalidade destas linhas tem o seu quê de político e pouco a ver com o nosso Fiel Amigo da reportagem. Lá irei.
A história da reportagem passa-se na Islândia, aquele País nórdico insular com uma ilha maiorzita e algumas pequenas localizadas no Oceano Atlântico Norte. Tornou-se independente reconhecido da Dinamarca em 1 de Dezembro de 1908. Tem cerca de 320 mil habitantes (mais ou menos a população da minha-nossa Cidade do Porto... há 30 anos) para uma área de aproximadamente 103 mil quilómetros quadrados.
Segundo a autora, Portugal seria para a grande maioria dos Islandeses talvez uma palavra. Mas para a população da localidade de Hûsavik na costa norte significa Bacalhau e Economia.
Aqui entra o que eu referi o seu quê de político. Per capita em Portugal consumimos 7 kg/ano de Bacalhau o que acho muito pouco ou há imensos portugueses que não comem bacalhau. E ainda temos os turistas e a exportação não sei se está incluída. Mas há muito português que infelizmente só deve comer bacalhau no Natal durante as refeições de solidariedade. À minha parte tenho a certeza de comer cerca de 10 a 12 Kg./ano.
De qualquer forma, comemos 30% do Bacalhau Pescado no Mundo. O que quer dizer que fazemos felizes e econòmicamente favorecidas milhares de pessoas perdidas lá no Norte do Mundo.
Independentemente da solidariedade dos nos governantes, brincadeirinha, o Povo Português é muito mais do que aquilo que nos pintam. E não só cá dentro...Mas claro que a história e os historiadores não nos contam tudo...
Preparem-se os amigos Brasileiros (e amigas, pois claro) porque a empresa que promoveu o encontro de jornalistas na Islândia, está a preparar um produto especificamente para o Brasil.
Leiam a reportagem na íntegra. Se quiserem saber mais, tenho um pps sobre a história (historiei o que li) do Bacalhau num pps ao vosso dispor.
E como é bom um bacalhau assado na brasa com pimentos ou pimentas ou assim-assim. E que S. Martinho seja pródigo no bom acompanhamento.
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terça-feira, 7 de julho de 2015
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
174 - Irene Vilar
A Igreja dos Grilos, como os Portuenses lhe chamam, mas de seu nome verdadeiro Igreja de S. Lourenço, logo abaixo da Sé, infelizmente mal conhecida, faz parte obrigatória dos meus roteiros e que apresento aos amigos visitantes.
Encerra à segunda-feira, pois também tem a sua época de Inverno. O mesmo vai acontecer a outras Igrejas, incluindo a Sé.
Deveria ter dado a conhecer há mais tempo a Exposição de Arte Religiosa de Irene Vilar, numa das Salas do belíssimo Museu de Arte Sacra, anexo à Igreja. Mas também não sei se a Exposição é permanente pois li que a obra da artista doada à Fundação SPES, está confiada ao Seminário Maior do Porto. Esta sala, ainda segundo a minha leitura foi inaugurada a 14 de Maio de 2011, mas só este ano a vi. Pormenores em http://realfamiliaportuguesa.blogspot.pt/2011/05/sar-dom-duarte-de-braganca-esteve.html
Irene Vilar nasceu em Matosinhos a 11 de Dezembro de 1930 e faleceu no Porto em 12 de Maio de 2008. Desde os 19 anos que viveu próximo da Foz do Douro na Rua onde chegou a ter dois atelieres.
Este é o seu currículo exposto na Sala. Foi professora de Desenho e Artes Visuais nas Escolas Gomes Teixeira - talvez a tenha conhecido, quem sabe - Aurélia de Sousa e Clara de Resende onde terminou a sua carreira de docente em 1987.
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As obras acima estão expostas no Museu de Arte Sacra.
Uma das fases da vida da escultora foram trabalhos em madeira.
Uma das fases da vida da escultora foram trabalhos em madeira.
Na minha opinião, este Cristo está mal colocado. De costas para uma janela, o contra-luz não nos permite distinguir os pormenores extraordinários da escultura.
No meu arquivo descobri imagens de obras da artista que fui captando ao longo dos anos.
No meu arquivo descobri imagens de obras da artista que fui captando ao longo dos anos.
Busto de Camões, na Foz do Douro.
Artilheiro, no antigo RAP em Vila Nova de Gaia. Homenagem aos Combatentes do Ultramar.
Garcia da Orta, próximo da Avenida da Boavista, Fonte da Moura, Porto
D. Fernando, O Belo ou Formoso (o tal que terminou as Muralhas Fernandinas no séc. XIV) e D. Leonor. Em frente do Mosteiro de Leça do Bailio (tomou o nome de Balio em 1999), Matosinhos.
O Universo, no Jardim dos Serviços Municipais das Águas, no Porto
A escultora trabalhando no Mensageiro.
Foto recolhida na internet
O Mensageio ou O Anjo, conforme os Portuenses lhe chamam. Entre a Cantareira e o Jardim do Calém.A biografia de Irene Vilar pode ser lida em http://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?P_pagina=1000733
E as suas obras estão referenciadas (muito mal) em http://sigarra.up.pt/up/pt/WEB_BASE.GERA_PAGINA?P_pagina=1000729
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segunda-feira, 19 de março de 2012
121 - A Capela do Senhor d'Além, Vila Nova de Gaia
Escreveu-me uma estudante de arquitectura sobre uma visita que fez e partilhou à Capela do Senhor d'Além, ofertando umas fotos dum sítio que deveria estar preservado. Até porque agora passa bem próximo a nova via pedonal que vem desde a saída da Ponte Luíz I (Rua do Cabo Simão) até ao Areiinho.
Esta uma imagem com quási três anos que fiz quando ainda não existia a tal via.
Mas leia-se o que me escreveu a amiga:
Foi com interesse que li no seu blogue sobre a referida capela. Sou estudante de arquitectura e no ano passado foi-nos dado um trabalho de projecto a realizar em toda a área da escarpa da Serra do Pilar. Inicialmente é feita uma pesquisa da área e um levantamento de todas as tipologias e edifícios de interesse arquitectónico e patrimonial e assim, tanto a capela do Senhor d’Além e o antigo convento carmelita foram assuntos bem discutidos nas aulas, de como estes “pedaços vivos de história” são deixados ao abandono quando na realidade deveriam ser revitalizados e integrados em circuitos turísticos e culturais, sendo sempre uma mais valia para a identidade e história da própria cidade...enfim, o resultado de anos de indiferença está á vista.
Procurei informação na net e em livros dias a fio, mas as fontes eram sempre semelhantes e pouco ou nada acrescentavam. Tinha imensa curiosidade em ver a tão falada talha dourada, os acessos á torre sineira, as dependências complementares e o real estado de abandono em que a capela se encontrava. Procurei fotos do seu interior e não encontrei nada para grande desconsolo meu. Passei por lá várias vezes e espreitava sempre á fechadura, era mais forte que eu.
Até que um dia, enchi-me de coragem com um colega de faculdade e saltamos por uma porta lateral, percorremos pela traseira da igreja até encontramos uma janela aberta.
Era estreita e alta, comunicava para uma sala que era de apoio á sacristia. Por cima desta sala, em péssimo estado, estava um piso de habitação com cozinha e dormitório, tudo velho e a abandonado, claro, devia ser onde pernoitava o sacristão ou sacerdote.
Esta era a tal dependência anexa ao lado direito da capela que comunicava directamente com a torre e com o interior da própria capela.
O convento dos Carmelitas é o edifício em ruínas mesmo em frente á capela. O da segunda foto que mostrou é uma fábrica abandonada (ver meu blogue, poste 36)
Entramos e com cuidado fotografamos tudo o que conseguimos, tudo mesmo. Saímos de lá sempre rápido pois sabíamos que era errado estar ali e não fosse aparecer algum delinquente ou assim.
Fotos que consegui tirar depois de subir ao cimo da torre , tal como a talha dourada, da qual não se encontram fotos em lado nenhum... Bem, a meu ver são fotos tristes porque mostram um abandono e a falta de respeito pelo património arquitectónico, mas por outro lado são úteis na medida em que nos forçam a imaginar o “como era” ou o “como teria sido”, ou então tanto que seja só pelo curiosidade de ver o que trancam ali.
(um aparte meu: esta inscrição é curiosa pois a data não aparece nos escritos referentes à Capela actual nem à primitiva. Quererá referir-se a outra coisa ?)
... outras fotos da fábrica abandonada á beira rio na mesma rua da capela. É fácil identificá-la por quem passa do lado do Porto por ter uma espécie de "seta" na fachada, como mostra uma das fotos. O estado de conservação é semelhante senão pior, além de ter muitos lixos abandonados...
...fico sempre com aquela impressão de que saíram todos á pressa e deixaram tudo para trás.
Porque não vá o diabo tecê-las e de acordo com a nossa autora, a sua identidade ficará registada apenas como Palmela S. A quem desejo as maiores venturas para a sua futura vida profissional. E não só, claro.
Uma nota minha: ... junto à capela do Senhor de Além – 5-3-1739 – cinco frades carmelitas calçados, fundaram um hospício que funcionou até 1832.
O edifício do hospício, depois de 1834, foi vendido e nele chegou a funcionar uma fábrica de louça.
Presentemente todo o edifício está em ruínas.
A actual capela, que mantém o culto, foi edificada, no lugar da antiga, em 1877.
Tem benfeitores muito fervorosos. (onde estão eles ?)
Este texto retirei-o http://www.lendarium.org/narrative/lenda-da-imagem-do-senhor-jesus/ tendo como fonte de origem Carlos Valle in Revista de Etnografia 26, Tradições Populares de Vila Nova de Gaia - Narrações Lendárias Porto, Junta Distrital do Porto, 1969 , p.426-428
Esta uma imagem com quási três anos que fiz quando ainda não existia a tal via.
Mas leia-se o que me escreveu a amiga:
Foi com interesse que li no seu blogue sobre a referida capela. Sou estudante de arquitectura e no ano passado foi-nos dado um trabalho de projecto a realizar em toda a área da escarpa da Serra do Pilar. Inicialmente é feita uma pesquisa da área e um levantamento de todas as tipologias e edifícios de interesse arquitectónico e patrimonial e assim, tanto a capela do Senhor d’Além e o antigo convento carmelita foram assuntos bem discutidos nas aulas, de como estes “pedaços vivos de história” são deixados ao abandono quando na realidade deveriam ser revitalizados e integrados em circuitos turísticos e culturais, sendo sempre uma mais valia para a identidade e história da própria cidade...enfim, o resultado de anos de indiferença está á vista.
Procurei informação na net e em livros dias a fio, mas as fontes eram sempre semelhantes e pouco ou nada acrescentavam. Tinha imensa curiosidade em ver a tão falada talha dourada, os acessos á torre sineira, as dependências complementares e o real estado de abandono em que a capela se encontrava. Procurei fotos do seu interior e não encontrei nada para grande desconsolo meu. Passei por lá várias vezes e espreitava sempre á fechadura, era mais forte que eu.
Até que um dia, enchi-me de coragem com um colega de faculdade e saltamos por uma porta lateral, percorremos pela traseira da igreja até encontramos uma janela aberta.
Era estreita e alta, comunicava para uma sala que era de apoio á sacristia. Por cima desta sala, em péssimo estado, estava um piso de habitação com cozinha e dormitório, tudo velho e a abandonado, claro, devia ser onde pernoitava o sacristão ou sacerdote.
Esta era a tal dependência anexa ao lado direito da capela que comunicava directamente com a torre e com o interior da própria capela.
O convento dos Carmelitas é o edifício em ruínas mesmo em frente á capela. O da segunda foto que mostrou é uma fábrica abandonada (ver meu blogue, poste 36)
Entramos e com cuidado fotografamos tudo o que conseguimos, tudo mesmo. Saímos de lá sempre rápido pois sabíamos que era errado estar ali e não fosse aparecer algum delinquente ou assim.
Fotos que consegui tirar depois de subir ao cimo da torre , tal como a talha dourada, da qual não se encontram fotos em lado nenhum... Bem, a meu ver são fotos tristes porque mostram um abandono e a falta de respeito pelo património arquitectónico, mas por outro lado são úteis na medida em que nos forçam a imaginar o “como era” ou o “como teria sido”, ou então tanto que seja só pelo curiosidade de ver o que trancam ali.
(um aparte meu: esta inscrição é curiosa pois a data não aparece nos escritos referentes à Capela actual nem à primitiva. Quererá referir-se a outra coisa ?)
Junto á fabrica ainda nos foi possível entrar nas pequenas habitações mesmo ao lado que pertenciam aos operários. Os objectos pessoais bem como outros bens eram variados.
... outras fotos da fábrica abandonada á beira rio na mesma rua da capela. É fácil identificá-la por quem passa do lado do Porto por ter uma espécie de "seta" na fachada, como mostra uma das fotos. O estado de conservação é semelhante senão pior, além de ter muitos lixos abandonados...
...fico sempre com aquela impressão de que saíram todos á pressa e deixaram tudo para trás.
Porque não vá o diabo tecê-las e de acordo com a nossa autora, a sua identidade ficará registada apenas como Palmela S. A quem desejo as maiores venturas para a sua futura vida profissional. E não só, claro.
Pormenor da escarpa da Serra do Pilar e a Capela
O edifício do hospício, depois de 1834, foi vendido e nele chegou a funcionar uma fábrica de louça.
Presentemente todo o edifício está em ruínas.
A actual capela, que mantém o culto, foi edificada, no lugar da antiga, em 1877.
Tem benfeitores muito fervorosos. (onde estão eles ?)
Este texto retirei-o http://www.lendarium.org/narrative/lenda-da-imagem-do-senhor-jesus/ tendo como fonte de origem Carlos Valle in Revista de Etnografia 26, Tradições Populares de Vila Nova de Gaia - Narrações Lendárias Porto, Junta Distrital do Porto, 1969 , p.426-428
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012
108 - As Muralhas Fernandinas, a Porta Nobre e a Alfândega Nova
Fazendo parte da Zona Histórica e do Património Mundial da Humanidade, Miragaia está excluída do Mapa Verde da Câmara Municipal do Porto. Daí talvez venha o meu carinho por esta bela freguesia.
Nas minhas pesquisas fui encontrando novas histórias sobre o que ela possuiu. E também adquiriu. Fotos antigas e desenhos roubei aqui e acolá para comparar com o que é hoje a parte leste/sul da Freguesia. E claro, tinha de encontrar por casualidade um site com a história do Porto, desde a época dos Godos, para saber mais algumas coisas sobre Miragaia.
Mas apenas me interessa referir, por agora, a Porta Nova ou Nobre e a Alfandega Nova. Para melhor orientar os meus pacientes leitores, começo por apresentar o mapa retirado do Google:
1. Passeio das Virtudes. Por aqui existiu uma porta nas Muralhas que desciam das Taipas em direcção ao Rio Douro. Alguém escreveu que era no local onde está a Igreja de S. José das Taipas, 100 metros mais acima. Para o caso não interessa muito, pois é a partir daqui que quero contar a minha história:
A. Ao longo da Rua Francisco Rocha Soares, pode ver-se um cubelo que ainda existe, sabendo-se que as traseiras das casas de habitação, pelo menos uma grande parte, estão encostadas às muralhas. Esta Rua vem dar ao largo de S. João Novo (4.), onde um palácio que já foi museu está abandonado e a cair, e à Igreja e Convento que deu o nome ao Largo. Mesmo na esquina para quem desce para Belmonte, mora o Fado. Esta zona pertence à freguesia de S. Nicolau.
5. Bem como a Capela de Nossa Senhora da Esperança, do séc. XVIII, encostada à Igreja de S. João Novo e às Muralhas, ligada às gentes do Rio e do Mar. Todo este conjunto está à espera de qualificação (?) do IGESPAR desde 2003, que de despacho em despacho o prorrogou até 31.12.2012. Mas sigamos porque é outra a minha história.
Aqui existiu uma porta onde o Rei D. Manuel I por volta de 1522 mandou construir um Baluarte que durou até 1874.
6. Dobramos a Capela pela esquerda e encontramos de novo as muralhas, que descem para o Rio seguindo por íngremes escadas que se chamam do Caminho Novo. Servem as duas freguesias: S. Nicolau e Miragaia, segundo a toponímia da Câmara Municipal.
7. O final das Escadas, na Rua da Alfândega.
7. O (as Escadas do) Caminho Novo visto da Rua da Alfândega.
Estamos no que outrora foi a Praia onde havia um postigo, chamado da Praia, que o Rei D. Fernando mandou construir e colocou as suas armas e o Rei D. Manuel I mandou demolir, em 1522, construindo, em seu lugar, uma porta mais ampla que por isto se chamou, Porta Nova. Por aqui passavam solenemente então as figuras principais da Nobreza e Clero que entravam no Porto.
Dois aspectos interpretados por autores diferentes do que seriam as muralhas que iam até ao Rio Douro, com os postigos.
D. Manuel, na reconstrução desta porta, mandou colocar sobre o arco as armas de D. Fernando I, que estavam no postigo e tinham 13 castelos. Sobre esta porta foi construída uma casa para a Guarda, que posteriormente serviu para inspecção sanitária das "toleradas". Sobre a porta da entrada estavam as armas de Portugal. Em 1872 foi demolida esta porta e as pedras com as armas de D. Fernando e de D. Manuel (que estavam no Baluarte da Esperança) foram enviadas para o Museu Allen no actual Largo do Viriato e posteriormente para o Museu Nacional de Soares dos Reis.
As Muralhas e a Porta foram demolidas para a construção da Nova Alfândega e a Rua que lhe dá acesso e ficaram soterradas até hoje. Ninguém se atreve a mexer na arqueologia do sítio. Tentaram há alguns anos abrir um parque automóvel subterrâneo, mas ficou tudo em águas de bacalhau.
O aspecto actual da rua, terrenos e Alfândega. Da rapaziada do meu tempo e claro, os ainda mais temperados de idade, lembramo-nos do que era esta zona que incluía uma linha de caminho de ferro percorrendo toda a circunvalação exterior até Leixões. O túnel que existia está emparedado. Como era bom a CP - ou Refer, não sei - conseguir a reabertura desta linha, uma outra forma turística de percorrer o Porto e as Cidades vizinhas por caminhos rurais.
Duas fotos com mais de um século de permeio e a história de Miragaia/S. Nicolau: 1. Igreja do Convento de S. Francisco; 2. S. João Novo; 3. O que ainda restava da Porta Nobre na foto antiga e na actual o local onde existiu.
Uma outra comparação, cujas fotos foram obtidas quási do mesmo local: o Lugar do Castelo de Gaia.
Nas minhas pesquisas fui encontrando novas histórias sobre o que ela possuiu. E também adquiriu. Fotos antigas e desenhos roubei aqui e acolá para comparar com o que é hoje a parte leste/sul da Freguesia. E claro, tinha de encontrar por casualidade um site com a história do Porto, desde a época dos Godos, para saber mais algumas coisas sobre Miragaia.
Mas apenas me interessa referir, por agora, a Porta Nova ou Nobre e a Alfandega Nova. Para melhor orientar os meus pacientes leitores, começo por apresentar o mapa retirado do Google:
1. Passeio das Virtudes. Por aqui existiu uma porta nas Muralhas que desciam das Taipas em direcção ao Rio Douro. Alguém escreveu que era no local onde está a Igreja de S. José das Taipas, 100 metros mais acima. Para o caso não interessa muito, pois é a partir daqui que quero contar a minha história:
2.e 3. Antiga Casa dos Padres Bernardos de 1619. Posteriormente foi adquirida, em 1923, pelo Clube Inglês. Entrou em ruína, foi recuperada e hoje alberga uma instituição de solidariedade social.
Ao longo do parque, podem ver-se panos das Muralhas em belíssimo estado de conservação. Do alto, uma paisagem magnífica.A. Ao longo da Rua Francisco Rocha Soares, pode ver-se um cubelo que ainda existe, sabendo-se que as traseiras das casas de habitação, pelo menos uma grande parte, estão encostadas às muralhas. Esta Rua vem dar ao largo de S. João Novo (4.), onde um palácio que já foi museu está abandonado e a cair, e à Igreja e Convento que deu o nome ao Largo. Mesmo na esquina para quem desce para Belmonte, mora o Fado. Esta zona pertence à freguesia de S. Nicolau.
5. Bem como a Capela de Nossa Senhora da Esperança, do séc. XVIII, encostada à Igreja de S. João Novo e às Muralhas, ligada às gentes do Rio e do Mar. Todo este conjunto está à espera de qualificação (?) do IGESPAR desde 2003, que de despacho em despacho o prorrogou até 31.12.2012. Mas sigamos porque é outra a minha história.
Aqui existiu uma porta onde o Rei D. Manuel I por volta de 1522 mandou construir um Baluarte que durou até 1874.
6. Dobramos a Capela pela esquerda e encontramos de novo as muralhas, que descem para o Rio seguindo por íngremes escadas que se chamam do Caminho Novo. Servem as duas freguesias: S. Nicolau e Miragaia, segundo a toponímia da Câmara Municipal.
7. O final das Escadas, na Rua da Alfândega.
7. O (as Escadas do) Caminho Novo visto da Rua da Alfândega.
Estamos no que outrora foi a Praia onde havia um postigo, chamado da Praia, que o Rei D. Fernando mandou construir e colocou as suas armas e o Rei D. Manuel I mandou demolir, em 1522, construindo, em seu lugar, uma porta mais ampla que por isto se chamou, Porta Nova. Por aqui passavam solenemente então as figuras principais da Nobreza e Clero que entravam no Porto.
Dois aspectos interpretados por autores diferentes do que seriam as muralhas que iam até ao Rio Douro, com os postigos.
D. Manuel, na reconstrução desta porta, mandou colocar sobre o arco as armas de D. Fernando I, que estavam no postigo e tinham 13 castelos. Sobre esta porta foi construída uma casa para a Guarda, que posteriormente serviu para inspecção sanitária das "toleradas". Sobre a porta da entrada estavam as armas de Portugal. Em 1872 foi demolida esta porta e as pedras com as armas de D. Fernando e de D. Manuel (que estavam no Baluarte da Esperança) foram enviadas para o Museu Allen no actual Largo do Viriato e posteriormente para o Museu Nacional de Soares dos Reis.
As Muralhas e a Porta foram demolidas para a construção da Nova Alfândega e a Rua que lhe dá acesso e ficaram soterradas até hoje. Ninguém se atreve a mexer na arqueologia do sítio. Tentaram há alguns anos abrir um parque automóvel subterrâneo, mas ficou tudo em águas de bacalhau.
O aspecto actual da rua, terrenos e Alfândega. Da rapaziada do meu tempo e claro, os ainda mais temperados de idade, lembramo-nos do que era esta zona que incluía uma linha de caminho de ferro percorrendo toda a circunvalação exterior até Leixões. O túnel que existia está emparedado. Como era bom a CP - ou Refer, não sei - conseguir a reabertura desta linha, uma outra forma turística de percorrer o Porto e as Cidades vizinhas por caminhos rurais.
Duas fotos com mais de um século de permeio e a história de Miragaia/S. Nicolau: 1. Igreja do Convento de S. Francisco; 2. S. João Novo; 3. O que ainda restava da Porta Nobre na foto antiga e na actual o local onde existiu.
Uma outra comparação, cujas fotos foram obtidas quási do mesmo local: o Lugar do Castelo de Gaia.
Pormenor de Miragaia com parte das Muralhas bem destacadas.
As Cidades têm de viver com o progresso, que quási sempre provoca estragos irreparáveis na sua história, na sua monumentalidade, na sua cultura, nas suas gentes. Não sei se muito do que foi pura e simplesmente destruído na Cidade do Porto, com outras pessoas a dirigi-la, teria sido evitado. Por outro lado resta a esperança que um dia apareça algum iluminado Presidente que ajude a redescobrir e a retomar a História da nossa Cidade.
Para os curiosos quer gostem ou não da minha Cidade recomendo estes espaços
Das fotos e desenhos desconheço os autores.
Pequenas Notas: Porta Nova ou Porta Nobre é a mesma. Dependia conforme o povo lhe chamava.
Ao longo da Muralha que circundava a Cidade Medieval e que demorou 40 anos a construir, existiam Portas ou Postigos de acesso. Alguns Postigos foram demolidos para darem lugar a Portas por darem melhor passagem de carros. Hoje apenas resta um Postigo, o do Carvão, junto ao Cais da Estiva no Muro dos Bacalhoeiros na zona chamada da Ribeira.
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