Pesquisar

Mostrar mensagens com a etiqueta Castelo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Castelo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Guimarães - Parte III

Para terminar o pequeno percurso pelo Centro Histórico de Guimarães acompanhem-me da Oliveira até ao local da peregrinação na zona do Castelo.
O Zé Ferreira, com aquele ar de sonso e de quem não faz mal a uma formiga, pôs-me a caminhar indicando de longe e dedo apontado "olha" ou "é por ali".

A última imagem da postagem anterior (Guimarães - Parte II) mostrava umas arcadas que agora vamos ultrapassar e que são de ligação entre a Praça de S. Tiago e o Largo da Oliveira.

Os baixos da Casa da Câmara, edifício do séc. XVI-XVII ocupando o mesmo local de uns primitivos Paços construídos no séc.XIV no reinado de D. João I. Presumo que actualmente está instalado o Posto de Turismo.

Realçam-se as cinco janelas da sacada, o alpendre sustentado por cinco arcos góticos e uma estátua na fachada que representa Guimarães.
Olhemos em volta.
Estamos no Largo da Oliveira, destacando-se a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, o Padrão do Salado e a árvore Oliveira. Para além do casario envolvente.
A Igreja teve as suas origens num mosteiro fundado por Mumadona Dias cerca de 950 e dedicado à Virgem de Santa Maria e aos Santos Apóstolos. A construção primitiva terá sido iniciada em 1387 impulsionada por D. João I, fervoroso devoto da Senhora da Oliveira. O altar que levou para Aljubarrota é a ela dedicado e pode ser visto no Museu Alberto Sampaio.
Vários Reis e épocas ditaram os seus estilos ao longo dos séculos.
O Largo, antigamente chamado de Praça de Santa Maria, está ligado às géneses de Guimarães e foi um terreiro implantado defronte do mosteiro.

Diz a Tradição ou a Lenda, que existia uma velha Oliveira seca ao lado onde foi construído o Padrão do Salado. Três dias após a construção deste, a oliveira refloresceu considerando o povo que foi milagre.
A árvore subsistiu até a Câmara a mandar cortar em 1870. Terá sido a mesma ? acho que é muita idade para esta árvore. Aquando da recuperação do Largo há 25 anos, foi plantada a Oliveira que podemos ver hoje.

O Padrão do Salado (ou de Nossa Senhora da Vitória) de 1340 relembra a vitória de D. Afonso IV sobre os mouros em 30 de Outubro desse ano na Batalha do Salado, província de Cádis no sul da actual Espanha. Uma ajuda preciosa ao seu genro Afonso XI de Castela que não sabia o que fazer à vida perante a situação.
A Cruz gótica representa de um lado Cristo crucificado e do outro a Virgem Mãe. No plano inferior quatro esculturas representando S. Vicente Apóstolo, S. Filipe Mártir, S. Torcato e o Anjo da Guarda. Foi oferecida em 1342 pelo vimaranense Pedro Esteves. É Monumento Nacional desde 1949.

Em comemoração da Batalha de Aljubarrota, todos os anos a 14 de Agosto saíam em procissão Câmara e Cabido, rezando-se missa no Padrão, expondo-se a Pelote de D. João I. Era chamada a Missa da Pelote. Não sei se ainda há esta tradição.

Igreja de Nossa Senhora da Oliveira de arquitectura religiosa românica, gótica, manuelina, maneirista, neoclássica e revivalista, assim a considera o SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, que não sei se ainda existe com este nome. No entanto, nos restauros do séc.XX no interior o neoclássico foi praticamente retirado devolvendo o estilo gótico original.
O portal é encimado por um janelão que originalmente possuiria um caixilho pétreo com a forma da Árvore de Jessé. Agora tapado, ou cego como escreve o SIPA. É enquadrado por cinco arquivoltas decoradas e ritmadas por anjos coroados.

Quem entra na igreja pela direita, encontra esta máquina da qual não descobri a sua serventia. Talvez o Zé Ferreira ajude pois passou muito tempo à volta dela e tenha descoberto qualquer referência.

O interior da Igreja e altar-mor. Na altura realizava-se um serviço religioso.

 Altar do Santíssimo Sacramento

Orgão superiormente decorado, "feito em 1838 por Luis António de Carvalho Guimarães, desta Vila"

À esquerda, escuríssima, a Capela dos Pinheiros e as arcas tumulares de Pedro Esteves e esposa Isabel Pinheiro. À direita a arca tumular de Inês de Guimarães uma descente em 3º ou 4º grau de D. Pedro I e de D. Inês de Castro. Mais uma conjuntura minha.
Só uma nota para confundir. Ou este Pedro Esteves com Capela e Túmulos teve uma vida longuíssima ou não é o mesmo que ofereceu a cruz que se encontra no Padrão do Salado. Pormenores de datas e de "serviços" levam-me a essa conclusão, embora pelas leituras das páginas consultadas incluindo a Geneall.net/pt se depreenda que é o mesmo.

Museu de Alberto Sampaio, instalado nos edifícios anexos da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, formando o conjunto da antiga Colegiada de Guimarães posterior ao Mosteiro, do qual restam duas alas do Claustro e a Sala do Capítulo. Mas do Mosteiro do séc. X parece que nem vestígios existem.
Pela antiga Casa do Cabido faz-se o acesso ao Museu. Não o visitei, pelo que as fotos são meio-clandestinas. Isto é, pelo que consegui ver da entrada foquei e apontei para posterior visita.
Guarda no seu interior obras de mestres ourives, acervos históricos como o loudel usado por D. João I na Batalha de Aljubarrota, peças, tesouros de valor incalculável. É Monumento Nacional desde 1910.

 À saída do Museu uma das Capelas dos Passos, creio que são 5, que existem em Guimarães.

Uns passos caminhados e surge-nos uma imagem interessante a meia encosta da subida para o Monte de Penha. É a Igreja do Mosteiro de Santa Marinha da Costa. Segundo a tradição, o mosteiro (hoje é um Hotel) foi fundado em 1154 pela Rainha D. Mafalda, esposa do nosso primeiro, o D. Afonso Henriques e doado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, cuja ordem foi substituída pela de S. Jerónimo em 1528.
Admite-se que tenha sido erguido sobre um pequeno templo de características únicas do séc. IX que por sua vez foi construído sobre um estabelecimento romano. Também se supõe que tenha sido este o local do Paços Condais Portucalenses e que a Igreja tenha sido a Capela Palatina.
Todo o conjunto foi alterado e ampliado ao longo dos séculos.

Depois de toda a caminhada anterior - não foi tão pequena como o conjunto das fotos parece demonstrar- o Zé Ferreira foi buscar o carro mandando-me subir uma rua íngreme e que nos encontraríamos no Castelo.
Lá fui subindo a desalmada, se não estou em erro é a Avenida Alberto Sampaio e reparei que ainda há um troço de Muralhas em Guimarães, coisa que não imaginava. Lá atrás, o Paço dos Duques de Bragança.

Pois agora também sei que o início da construção da muralha que circundou o primitivo povoado foi no reinado de D. Sancho I, o segundo de Portugal, nos séc. XII-XIII e só terminou no reinado de D. Dinis, antes de 1322. Era a parte alta.

Tem histórias de cercos: Em 1322 o Infante D. Afonso luta contra o pai D. Dinis;

Em 1369, Henrique II de Castela (que fundou a dinastia de Trânstamara e andou metido na Guerra dos Cem Anos - apoiado pelos franceses à sucessão do trono de Castela enquanto o irmão Pedro, sucessor legal era apoiado pelos ingleses e portugueses e que veio a morrer assassinado - cercou a vila depois de já ter tomado Braga. Talvez pelo apoio dado por Portugal ao meio-irmão, talvez por causa de uma história antiga de assassínio da mãe, amante do Rei Afonso XI de Castela, por ordem da Rainha Maria de Portugal sua esposa legítima. Isto são deduções minhas.

Por causa desses amores, a Rainha Maria regressou a Portugal separando-se do marido Castelhano e acolheu-se a Évora. Mas acabou por exercer muita influência junto do pai D. Afonso IV para ajudar o ex-marido  Afonso XI de Castela, perdido na luta contra os mouros.
Lembrem-se, queridos e queridas visitantes que têm a paciência de me ler, o que escrevi sobre o Padrão do Salado, atrás referido.

Novo cerco desta vez por D. João I em 1385 durante a crise iniciada em 1383 e que durou dois anos. O alcaide Aires Gomes da Silva mantinha o apoio a Castela e a Henrique II. Em 1389 D. João I unifica o lugar - a parte alta (Castelo) e a parte baixa (villa de Santa Maria) - ordenando que fossem ambos um só povo doravante Guimarães.

Na chamada agora Zona do Castelo iniciava-se a parte alta, quando no século X a Condessa Mumadona Dias, viúva do Conde Hermenegildo Gonçalves que governou os domínios de Portucale e cheio de posses, fundou um Mosteiro no sopé do Monte Largo.
Castelo de Guimarães
Local de peregrinação, sujeito às investidas pelo sul dos muçulmanos e dos normandos oriundos do mar do Norte através dos rios de boa navegabilidade, para defesa do núcleo monacal e para recolhimento das gentes necessitadas, a Condessa mandou construir um Castelo que é doado em 958 aos religiosos.
Acredita-se que a estrutura então erguida, sob a invocação a S. Mamede, fosse bastante simples, composta por uma torre envolvida por uma cerca.
Destaque para a monumental Torre de Menagem
Um século após, a povoação Vimaranes era dos domínios de Afonso VI de Leão e Castela que a doa em favor de Henrique de Borgonha, formando o Condado Portucalense, mas seu vassalo.
Casou este com Teresa, filha ilegítima do rei Afonso VI tomando o castelo por residência o qual foi sendo ampliado.
Do casamento nasceu talvez em 1109, talvez em 1111 como refere a cronologia dos Reis de Portugal, talvez no verão (não se sabe se em Viseu, Coimbra ou Guimarães) o que viria a ser o nosso primeiro rei, Afonso Henriques, D. Afonso I de Portugal, o Fundador, iniciando a Dinastia Afonsina ou de Bolonha.

Uma história simples de poder: Morreu o pai ao Afonso e a mãe amantizou-se com um galego, o Conde de Trava. O jovem talvez influenciado pelo arcebispo de Braga D. Paio Mendes, tão novinho que ele era, presumo que tinha três anos quando recebeu as primeiras influências, contrário à ligação e ao desejo do Trava de tomar a soberania do espaço galaico-portucalense, arranjou uns amigos fidalgos que armaram uns guerreiros que lutaram contra o exército da mãe derrotando-o na célebre Batalha - há quem lhe chame Torneio - de S. Mamede, um campo próximo do Castelo.
Claro que se andou nisto alguns anos, fugido com o arcebispo e com D. Egas Moniz - há quem escreva na história que talvez seja ele o pai do futuro rei - até receberem o perdão da mãe Teresa. Com umas traições pelo meio, mas são já outras histórias. Certo é que devido a esse primeiro passo acabou por nascer Portugal.

O Castelo também serviu de Cadeia no séc. XVI e palheiros do Rei no século seguinte. Esteve quase a ser destruído em 1836 pela Câmara para apagar a imagem de prisão dos fieis de D. Pedro IV durante as Lutas Liberais. Foi salvo por 1 voto.
É Monumento Nacional.

Próximo do Castelo a Igreja ou Capela de S. Miguel do Castelo. A lenda diz que D.Afonso Henriques, o nosso primeiro, foi nela baptizado o que é impossível visto o templo ter sido sagrado pelo Arcebispo de Braga em 1239 e a sua construção de indefinida data será das primeiras três décadas do séc. XIII.
O estudioso de arte românica Manuel Monteiro concluiu que se trata de uma construção um tanto ilegal devido à simplicidade da capela e outros pormenores que o levaram a essa conclusão.
Talvez por isso, houve oposição do Arcebispo de Braga (terá sido Silvestre Godinho ?) à Colegiada de Guimarães, os autores da construção, chegando a haver troca de armas.

Na parte inferior da colina no sentido do centro da Cidade, encontramos o Paço dos Duques de Bragança, imponente casa senhorial mandada construir no séc.XV por D. Afonso, futuro Duque de Bragança, filho ilegítimo do rei D. João I, que aqui viveu com a segunda mulher D. Constança de Noronha.
Foi progressivamente abandonado entrando numa quase ruína até ao séc. XX. Entre 1937 e 1959 realizou-se um ampla e complexa intervenção de reconstrução segundo um projecto do Arquitecto Rogério de Azevedo. Paralelamente foram adquiridas peças que compõem o recheio actual, datadas principalmente dos séc. XVII e XVIII.
Monumento Nacional desde 1910, integra um museu, uma ala destinada à Presidência da República e uma área destinada a eventos culturais.

Do outro lado da colina fica o antigo Convento de Santo António dos Capuchos edificado no séc. XVII. Foi comprado pela Misericórdia em 1842 para instalar o seu Hospital. Hoje é Museu e segundo me informaram também uma clínica privada.

Tudo o que escrevi nestas três postagens foi colhido em variadíssimas páginas. Também tentei cruzar dados e daí algumas dúvidas. Acabei por não perceber quantos Mosteiros a Senhora Mumadona Dias mandou construir.

Claro que a "corda dada aos meus pedantes" foi accionada pelo Zé Ferreira. Ele sabe muito mas raramente se abre.

Ainda houve luz para subirmos ao Monte da Pena. Mas isso é outra história e é já a seguir.

Fica um apelo, visitem Guimarães. Vale a pena.

domingo, 10 de agosto de 2014

192 - CRESTUMA DE NOVO

Poderia dizer que a Meteorologia me ia arruinando um dia que acabou por ser mais um aprendizado de história. Explicando tudo tim-tim por tim-tim.
Depois das minhas visitas a Crestuma nos últimos dois meses com os meus amigos e camaradas Bandalhos do Bando do Café Progresso - ver reportagens em   http://bando-do-cafe-progresso.blogspot.pt/ - ficou combinado que o camarada Zé Ferreira, mais conhecido como Zé Catió, me iria ciceronar por Crestuma, sua terra de adopção.
Tudo combinado para ontem (enfim, já foi há 3 dias) dia 7 mas eis que a página da Meteorologia nos informa que vai haver chuva da grossa, principalmente de tarde. De manhã seria tempo de nuvens pesadas.
Telefonema para o Zé a pedir para adiar, mas o rapaz andava na pesca dos achigãs com o compadre Romualdo para os lados de Foz Coa. Já era madrugada quando conseguimos contacto. Expus-lhe a situação meteorológica. Tás maluco, não podemos adiar. E que vou fazer às Tripas que encomendei ? diz de lá do outro lado do fio telefónico, o Zé. Falou em Tripas, arrumou-me. Tá bom Zé, eu vou. Espera-me na paragem do Metro do Corte Inglês. Pensei para mim, se não poder fotografar, nem tudo se perde, sempre vão as Tripinhas.
Agora vamos para o Dia da História de Crestuma.
No centro da Cidade do Porto caíam umas pinguinhas mixurucas. Fui até à Trindade apanhar o Metro para Gaia, servi de cicerone durante a viagem as uns companheiros camones ocasionais que queriam ir tomar um aperitivo às Caves de Vinho do Porto. Estavam no transporte errado mas se caminhassem desde o Jardim do Morro até à Ribeira de Gaia não lhes faria mal algum.
Quando saímos do Túnel de S. Bento e entramos na Ponte Luís I já o sol estava a dar um ar da sua graça.
Clube Náutico e o Parque Botânico do Castelo
à direita o Rio Douro
Foto feita em 10.60.2014
À minha espera também o amigo Romualdo. Então resolvemos começar a viagem pelo Parque Botânico do Castelo

Não sou muito bom a subir e sei que me espera uma caminhada de respeito. Encho o peito de ar e lá vamos nós.
Devido ao acidentado do percurso, foram criados uns apoios em ferro. Era um caminho de carro-de-bois que saíam da antiga Quinta para trabalho na Fundição. Lá iremos

A elevação é um esporão rochoso em xisto com a altitude de 57 metros. Vamos vendo o que o homem deixou por ali.
Entre degraus, umas escavações que parecem assentos.

 A flora está devidamente referenciada. 
A elevação cai abrupta sobre a margem do Rio Douro. Nos vários patamares foram criados lugares de descanso e de lazer.

 Pégadas ou o ensino de como se dever subir o Monte.

Nos muros de suporte dos socalcos vêm-se numerosas pedras aparelhadas, de granito, matéria prima estranha ao local.

Escavações arqueológicas ocorrem no mês de Agosto desde 2010. Este mês ainda não chegaram os arqueólogos. Talvez por falta de dinheiro.


Uma Oliveira que a natureza foi comendo


Provavelmente uma conduta de água

 Da meia encosta, uma panorâmica sobre o Douro e a Barragem de Crestuma-Lever.

Pressupõem-se que este lugar foi intensamente ocupado entre os séculos IV e VII da nossa era. Isto é, entre finais do Império Romano e os começos da Idade Média. No entanto já anteriormente deveria ter sido ocupado por outros povos.

Por toda a elevação  são numerosos os entalhes, aplainamentos  e buracos onde se supõe que seriam colocados postes para formar as casas e suportar os telhados.

Pelos vestígios encontrados será de supor que as casas teriam telhados formados por telhas romanas, cada peça de razoáveis dimensões. Caixas com 1m3 contêm os achados arqueológicos já encontrados.

A Casa da Eira. Recuperação de uma edificação já existente. Este espaço pertencia a uma quinta em ruínas e recuperada pela Câmara de Gaia. O seu dono era o mesmo da Fundição lá em baixo, cuja parte do edifício foi aproveitado para instalar o Clube Náutico de Crestuma.

Uma recordação com o amigo Romualdo

Um buraco escavado provavelmente para a fixação de um poste de uma casa. A enorme árvore tem parte das suas raízes à mostra.

Embora com dificuldade de acesso um pouco alto, os caminhos estão devidamente sinalizados. Os serviços recomendam cuidado com as crianças e não aconselhado a deficientes motores e idosos.
É um prazer caminhar pela mata e observar os detalhes que os homens foram deixando ao longo de séculos.
Um pormenor sobre o Rio Douro a caminho da Foz, no Porto.

Na praia de Favaios, prevê-se que existiu uma estrutura portuária ou de atracagem. Há poucos anos, na maré baixa, conseguiram fazer recuar as águas e verificar debaixo da areia placas que poderão indicar ter havido um porto. 
Podem ler-se os relatos dos trabalhos em http://www.portugalromano.com/2012/09/cais-romano-de-crestuma-vila-nova-de-gaia/cais-romano-2/, que publicando fotos cedidas pelos responsáveis edílicos, não nos permite copiar. Bem hajam Ó Portugal Romano.
Talvez estas enormes pedras formando um muro seja uma antiga fortificação para defesa da área portuária.

 Vamos caminhando para o ponto de apoio que é o Clube Náutico de Crestuma.

Este caminho seria uma primitiva passagem para o Castelo com ligação ao Rio Douro. Provavelmente utilizado depois pelo pessoal da Fundição.

 O descanso e retempero de forças do caminhante escalador.
Mas não choveu

Aproveita-se uma volta pelas instalações do Clube para ver o Galardão que é ofertado para o melhor clube Português durante 4 anos.

 Já retemperado, uma pequena caminhada pelo sopé do Monte do Castelo.

 Uma árvore está suspensa no monte fronteiro.

 Na Ribeira da Arroba, um velho moínho recuperado.
Um recanto para se usufruir da natureza mesmo com o tempo triste

 Olhando para o Parque Botânico do Castelo

Vamos a caminho do almoço situado no lugar do Maroco,  um dos muitos altos de Crestuma. Já o Alberto nos esperava ansioso há mais de uma hora. Mas o trabalho não podia esperar, amigo. Fomos desculpados.

 E as prometidas Tripas à moda Porto, estavam deliciosas. 
Não podia haver melhor recuperação e preparação para as novas etapas 
que nos esperavam.

Do alto do Maroco a paisagem é soberba. Foto antes do almoço com o tempo nublado. Mas sem chuva.
Enquanto seguíamos com os digestivos, a Dona Rosinha fixou-nos para recordação futura. O Alberto, eu, o Zé e o Romualdo. Grandes companheiros e grandes conhecedores de Crestuma.
 A Dona Rosinha, cozinheira de mão cheia.
Vamos arrancar para nova etapa, não sem antes registar mais uma panorâmica sobre a enorme vastidão que a foto não consegue alcançar. Já há sol aberto, embora com algumas nuvens dispersas, que dão um toque de elegância à foto.

Homenagem ao Poeta Crestumense Eugénio Paiva Freixo autor da letra do Hino do Clube Náutico

Pormenores crestumenses durante a "caminhada".
Antigas fábricas desactivadas. Em grande plano a Fiação A. C. da Cunha Morais

Foz do Rio Uima no Douro, que nasce nas Terras da Feira. Juntamente com a palavra Crastum, que terá existido no Castelo, deu inicialmente Crastuima que foi derivando etimologicamente até chegar a Crestuma.
Crestuma foi couto do Bispo do Porto D. Hugo, doado pela Rainha D. Teresa - princípios do séc. XII - e confirmado pelo filho D. Afonso Henriques, o nosso primeiro, ao sucessor Pedro Rabaldis.
O primeiro documento escrito sobre Crestuma é de 922 e refere uma ermida como seu cemitério, no mosteiro e na vila.
Mas caminhando passamos pela casa do comendador Pimenta da Fonseca. Hoje está tudo em ruínas e alguns terrenos abandonados. Embora hajam alguns edifícios em recuperação e outros espaços com oficinas instaladas nas antigas instalações. Quanto à fábrica de fiação que fundou lá iremos.

Mas por agora vamos visitar exteriormente a Companhia de Fiação de Crestuma e contar um pouco da sua história. Mas segundo li em http://gaiserv.com.sapo.pt/livro_cale/pagina3.htm estes terrenos pertenciam na altura a Lever. Crestumenses e Leverenses passavam a vida aos tiros e às bombas entre si pela delimitação das terras. Ainda não vão muitos anos e os portugueses devem-se lembrar da guerra entre Lever e Crestuma por causa da barragem. Que meteu pelo meio boicote de eleições aquando da candidatura de Mário Soares. 
Tudo sanado hoje em dia até porque fazem parte da mesma associação de freguesias que os nossos inteligentes governantes de Lisboa assim decidiram.
Adiante.
Na margem direita do Rio Uíma, no morro encontramos dois canhões miguelistas (recordo aos meus queridos amigos e leitores a Guerra Civil nos anos 20/30 do séc. XIX entre os manos D. Pedro I e D. Miguel, bastas vezes referenciada nos meus pobres escritos) que ninguém sabe de onde vieram. Presume-se que ultimamente serviam de decoração da alameda que levava à Fábrica por este lado.
Os meus amigos e cicerones gentilmente retiraram as silvas que os cobriam para poder registar mais em pormenor o brasão de D. Miguel e a data da construção. Presume-se.
Voltemos à história do edifício e como chegou à Companhia de Fiação de Crestuma. Inicialmente eram as instalações de um moinho para produção de energia hidráulica. A Real Companhia Velha também conhecida por Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, no séc. XVIII aproveitou as instalações para adaptar uma fundição para produzir os arcos em ferro para as pipas do Vinho do Porto que era orientada por um senhor de nacionalidade russa.
Edifício do Corpo de Bombeiros privativo criado pela Companhia de Crestuma

O Palacete do Pimenta da Fonseca visto do lado da Fábrica.

Continuando a história. Por estes lados haviam muitas fábricas de fundição de ferro e D. Miguel escolheu esta também para o fabrico de armamento. Visitou-a em Dezembro de 1832.
Em 1854, tudo que existia foi adquirido pela Companhia de Fiação de Crestuma.
O pedestal vandalisado onde assentava um busto do Comendador Pimenta da Fonseca que desapareceu.

Mais uma voltinha e fomos parar a Lever para tomar uma loirinha e aprender mais coisas. Uma árvore - ou será arbusto ? - mesmo junto a nós dá-nos o prazer de olhar as suas belas flores.

Homenagem à Tecedeira. Crestuma foi um grande e muito importante centro têxtil. Em fundo uma das unidades fabris extintas.

Vista de um outro lugar a Companhia de Fiação de Crestuma. O dono, Comendador Pimenta da Fonseca, construiu um edifício grandioso onde o azulejo é rei na Rua de Santa Catarina no Porto. Conhecido como Castelo de Santa Catarina é agora uma unidade hoteleira.
Alguns edifícios recuperados ou em fase de recuperação.
Quási a chegar ao Rio Douro, a enorme Fábrica de Fiação de A.C. da Cunha Morais. A história da família Cunha Morais é interessantíssima. E actividades dos seus membros muito rica,  incluindo fotografia, vidas em África e Brasil, maçonaria e republicanismo, bombismo e ligação a grandes intelectuais. A quem interessar pode ser lida em http://dited.bn.pt/29544/578/754.pdf
Uma última caminhada até à Fonte Velha cuja água vai dar a um riacho. E cá está mais um parque de lazer.
Tenho de agradecer aos meus cicerones Zé Ferreira, Alberto e Romualdo. Não é todos os dias que encontramos amigos destes.