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terça-feira, 28 de outubro de 2014

197 - Por Trás-os-Montes, lembrando Miguel Torga



Tanto quanto me recordo, desde menino fui influenciado pela leitura, um vício que meu pai me entranhou. O começo foi  Salgari e as aventuras do Sandokan.

Com a idade escolar veio o estudo da História e da Geografia e a localização dos palcos das grandes aventuras.

A idade foi avançando e chegou-me Camilo pela influência de uma senhora livreira- alfarrabista (quer dizer cebo para os irmãos brasileiros) com loja na Rua do Almada. Que foi tema de debates já adolescente em aulas de Português. Bem ditos os professores que me aturaram.

Hemingway, que conheci em 1963, levou-me um dia a Ávila, Espanha, em princípios dos anos 80 para ficar hipnotizado a olhar o horizonte para a Serra dos Gredos, relembrando a descrição geográfica e humana em Por Quem os Sinos Dobram e as lutas fratricidas do Povo Espanhol. E a recordação do velho entroncado e sólido, vestindo a blusa dos camponeses, calças cinzentas e alparcatas de lona e corda. O Anselmo.
Tive de ser arrastado para sair da letargia.

Também dele, Paris é uma Festa, obrigou-me a conhecer essa Cidade imaginada pelo seu roteiro. Inclusive a olhar para a casa onde morou na Rua Jacob, por cima de uma carvoaria em S. Germain dés Prés, no Quartier Latin.
Culpas a meias com o George Simenon e o seu Inspector Maigret.
O meu amigo Fernando Ribeiro quase me matava no fim do dia dessa minha primeira viagem à Cidade-Luz. E ainda faltava a Place Blanche, de cima a baixo, pela noite dentro.

Ferreira de Castro e a Selva apareceram num momento difícil em 1969. Inesquecível.

Miguel Torga andava  -anda - entranhado em mim. Li pouco dele mas alguma coisa sobre ele. Não sou dado à poesia mas ele não foi só poeta.  Gosto dos seus Bichos (que ainda não os li todos) e da Criação do Mundo (são 6 dias a Criação). Aos Diários o meu dinheiro não lhes chega.
Ainda não li os Três Últimos Dias da Criação do Mundo mas por causa do Primeiro Dia quis sentir de perto o que terá sido um pouco da sua infância. E o que escreveu anos depois sobre ela. Mas não só.
É uma viagem pequena, cheia de encantos e novos conhecimentos. Ah, Trás-os-Montes e Douro, quanto guardas à vista de todos.
Com a complacência do meu amigo Fernando Súcio.

Miguel Torga nasceu em S. Martinho de Anta em 12 de Agosto de 1907, no Concelho de Sabrosa e distrito de Vila Real a poucos quilómetros da Cidade.
Em 1960 foi remodelado "o solar da família, térreo, de telha vã, encimado pelo seu brasão de armas esquartelado, com enxadões em todos os campos".
A Casa Paterna. A matriz sagrada da Família. 
A filha acaba de a doar ao Estado Português. Oxalá façam obra de jeito.


A escola ao fundo do povo tinha mimosas à volta. 
A instrução primária fê-la com o professor Sr. Botelho e o exame da 4ª classe na escola de Sabrosa, passado com distinção. 
A rua actualmente chama-se Fundo do Povo.


 Na Capela Paroquial em 21 de Setembro de 1907 foi-lhe dado o baptismo e o nome de Adolfo Correia da Rocha.

 O Largo do Eiró mantém o nome primitivo.

 No Largo plantou com os restantes alunos da quarta-classe dos pequenos plantadores um Negrilho (Olmo Negro) o  herói festivo do dia da Árvore. Os meus versos são folhas dos seus ramos. O declínio da árvore deu-se com o poeta ainda vivo, acabando por morrer aos 80 anos. Dizem que a árvore não resistiu à morte do poeta.
Junto ao pobre Olmo, encontram-se uma homenagem  de amigos e o poema dedicado ao Negrilho.
Lá está, no largo do povo, alto e frondoso como o sonhámos então.

 Mestre da inquietação serena, único poeta da terra onde ambos haviam nascido.

 Subindo o caminho que sai do largo para a Serra da  Azinheira.

 A Capela da Senhora da Azinheira a branquejar no alto da Serra empoleirada na sua   fraga a chorar ainda o filho  crucificado.

 É debaixo do chão que me procuro...

 Homenagem à Geminação de S. Martinho de Anta e Vila Nova- Miranda do Corvo para onde se mudou em meados de 1934, já formado.
Desta terra sou feito
Fragas são os meus ossos
Húmus a minha carne
Tenho rugas na alma
E correm-me nas veias
Rios impetuosos
Dou poemas agrestes
E fico também longe
No mapa da nação
Longe e fora de mão

Paisagens soberbas sobre o lugar S. Martinho de Anta e o que o rodeia.

Como íamos às escuras, tivemos de fazer perguntas. Um agradecimento ao senhor de camisola verde, que se levantou para nos elucidar sobre o que queríamos saber e a tudo nos respondeu.

Miguel Torga, aliás, o pequeno Adolfo, aos 10 anos foi servir para o Porto durante um ano para a casa de uns parentes da família, a quem sua mãe já servira. Despedido acusado de ingratidão só porque o rapaz se revoltava contra a injustiça que o rodeava.

Foi então internado no Seminário de Lamego.

Percorrendo a estrada que julgo ser a que foi aberta no caminho por ele feito quando frequentou o Seminário.
Liga S. Martinho de Anta ao Pinhão, aqui saía no Comboio vindo da Régua onde o pai o mandava esperar pelo (fulano de tal, de quem não me recordo o nome) com o jumento que o levava à terra. (in a Criação do Mundo, Primeiro dia). Cito de cor.
Os Montes de Sabrosa. Na beleza viril de uma paisagem onde sempre me apetece parir ou morrer. 
Descendo para o Pinhão

A estação do Pinhão e os seus belos azulejos.

Perdida a vocação, (medularmente religioso faltava-me, contudo, a humildade necessária para acreditar) emigrou para o Brasil aos 12 anos, onde foi aceite pelo tio, irmão do pai, indo trabalhar  na sua fazenda em Minas Gerais.

A Trás-os-Montes, ao Douro e ao Doiro, dedicou poemas, imagens escritas como as suas Vindimas, conto e romance, (o amor, a natureza, a pobreza, o trabalho árduo, as classes sociais, a religião) e só quem atravessa estas bandas pode compreender a beleza deste Excesso da Natureza, onde ainda na última vindima o trabalho foi pago ao arregimentador dos "jornaleiros" entre 30 e 40 euros diários por cabeça.
Quanto foi pago a cada um e a cada uma não sei. Nem sei as regalias que lhes foram dadas - seguro, alimentação, transportes, acomodações - e qual o tempo diário de trabalho. Mas isto é só um exemplo do meu conhecimento directo, numa quinta familiar em Sabrosa.
Também sei que em algumas quintas tal como antigamente, uma grande parte dos trabalhadores são ou foram emigrantes. Só que actualmente e como vem acontecendo desde há anos são do leste da Europa. E portugueses da etnia cigana.

A caminho do monte de S. Leonardo de Galafura onde Miguel Torga se perdia em contemplações.


Subindo a cerca de 650 metros de altitude, só temos de ficar sossegados e olhar o que nos rodeia.





Lá do alto, voltados para Norte, vemos o lugar de Galafura que foi mudado de local, creio na época ou mourisca ou romana já não me lembro (deve ser a idade...), por causa de um ataque de formigas.

Mas estas minha memórias, ligadas a Adolfo-Torga, também passaram pelo Santuário de Panóias, que não havia até então entendido. Nem mesmo agora, pois são coisas muito complexas quando começamos a ler a História. Mas pelo menos uma parte compreendemos.

Antes de nos dirigirmos para o Santuário um olhar a velhas casas infelizmente em ruínas. É em Vale de Nogueiras, a poucos quilómetros de Vila Real. Para quem o quiser visitar (menos à segunda-feira) tem de seguir pela estrada que vai para o Palácio de Mateus e seguir com calma porque indicações precisam-se. Mas o Súcio sabe todos os caminhos.

O Santuário ou Fragas de Panóias remonta aos finais do séc. II ou princípios do séc. III depois de Cristo.
Parece que chegou a ser a primitiva Vila Real. Escrevem e dizem que foi construído pelos romanos, (concretamente pelo senador Gaius c. Calpurnius Rufinus)  não se sabendo de onde vieram mas sabe-se que era para aqui que queriam vir.
Porquê aqui, não se sabe.

 Já existiriam neste local rituais, praticados por povos mais antigos na Cividade dos Lapiteas. Mas foram os romanos que construíram os seus templos em cada uma das três fragas com rituais dedicados ao Deus Serápis.
Serápis, o Deus Masculino Universal a quem o culto lhe terá sido dedicado inicialmente em Alexandria no séc. IV antes de Cristo e adoptado séculos depois pelos Greco-Romanos.
As inscrições encontradas em Panóias e traduzidas mostram-nos três em latim e uma em grego.

Em cada uma das três fragas encontramos "buracos" em perfeita ordem, tamanhos e feitios, destinados à matança da vítima, sempre animais, o sacrifício do sangue, a incineração das vítimas, o consumo da carne, a revelação do nome da autoridade máxima dos Infernos e por fim a purificação.


Deve-se esta interpretação a Geza Alfoldy (historiador húngaro-1935/2011).

Mas Torga deixou-nos uma mensagem: “Panóias, 6 de Outubro de 1951 Volto a este livro de pedras, onde o passado deixou gravadas as suas devoções. Estou nisto: coisas que falem, que respondam. Marcos, estrelas ou fragas com inscrições, mesmo delidas, onde a gente soletre uma intenção, um protesto, um voto. O pasmo bovino da natureza movimentado, contrafeito, reduzido pela compreensão a palavras ou caracteres inteligíveis. Paisagem com voz, que dialogue.” 
Diário VI, Coimbra, 1953

Pois é meus amigos, a humanidade deixou-nos heranças que grandes homens e a natureza nos apresentam diante dos olhos para descobrir todos os dias. É aproveitar o que podermos, deixarmo-nos levar pela imaginação e regredir no tempo até onde for possível. E valorizar o ontem e o hoje. São compatíveis na minha opinião.

Como sempre andei a pesquisar em várias fontes. Em cada uma que aparece encontramos outra. São como as cerejas. Mas para quem gosta vale a pena ganhar tempo e ler, ler, ler.

No entanto, para conhecer um pouco de Miguel Torga, a sua vida e obra, é só clicar em:
http://purl.pt/13860/1/ . Vão encontrar também alguns poemas e contos. Vale a pena conhecer este rude transmontano.



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

140 - O Nosso Douro Lindo

Velhos amigos combinaram fazer um almoço fora do ambiente tradicional da nossa Cidade do Porto e aproveitando os descontos que ainda a terceira idade usufrui na CP, escolheram a Régua como destino.
Em Campanhã esperámos o comboio e na linha onde devia parar vindo de S. Bento, o painel informativo não informava nada sobre ele mas sim sobre um sem paragem. Pensámos que seria um comboio para a recolha. A hora estava a aproximar-se e a informação continuava. Chegou um comboio que parou. Como levava passageiros, entramos. Não havia dúvidas, era o nosso. E a informação lá continuou no painel.
Preparamo-nos para a viagem e olhar o que a natureza tem para nós guardada.

Mesmo com os vidros sujos das janelas, não se pode deixar de colher algumas imagens. Para o Peixoto eram apenas campos.

O Rio Tâmega vindo desde a Galega Ourense, depois de fertilizar a belíssima Veiga de Chaves, lança-se em direcção a Entre-os-Rios onde vai abraçar o Douro.

Depois do Marco de Canavezes, entra-se no troço do Juncal ligando à Régua, concluído em 1879. Passado o túnel, o comboio chega-se ao Rio Douro e em cada volta do caminho, uma surpresa.

É difícil controlar o ímpeto e não deixar de fazer mais um boneco.

A Estação de Aregos, ou de Caldas de Aregos, tomou o nome de Tormes inventada por Eça de Queiróz na Cidade e as Serras, onde o Jacinto e o Zé Fernandes desembarcaram, vindos da Boémia Paris, atravessando a Espanha onde as malas se perderam no transbordo. Era a referência à Linha Ferroviária do Douro Internacional. Aos amigos interessados, posso ofertar via net, esta obra magnífica, que o autor já não foi a tempo de corrigir totalmente, levado cedo pela morte. É editado o livro em 1901, postumamente. Aqui é Santa Cruz do Douro onde está sepultado. (Eça de Queiróz - Póvoa de Varzim, 25.Nov.1845 / Paris, 16.Agosto.1900)  
Nesta Estação desembarcava quem ia para as famosas e antiquíssimas Termas, do outro lado do Rio cujas águas medicinais a 60º já eram bem conhecidas dos Romanos. Consta-se que foi aqui que D. Afonso Henriques curou a sua perna e a Rainha sua Esposa mandou construir um lazareto.
Eram barqueiros que faziam a travessia, em barcos a remos, de pessoas e bens. Hoje é uma lancha que o faz e as Termas são um belíssimo complexo turístico.

Desta vez o horário foi cumprido e também vinha bem composto de passageiros, principalmente estrangeiros. A senhora dos Rebuçados da Régua no seu posto de trabalho, tradição vinda dos anos quarenta do século passado. Também já foram vendidos no Porto, logo à saída da Estação de S. Bento. Uma delícia estes rebuçados, cuja paladar varia conforme o segredo do fabricante perante os "pósinhos" que lhes adiciona. Uma saqueta com 9 custam apenas 1 euro. Mas cada rebuçado, chupado nas calmas, dá para 10 minutos...

Há dois meses, o largo da Estação estava numa confusão tremenda de obras. Hoje, a confusão continua, mas não vi uma única pessoa a trabalhar e as máquinas lá estacionadas.

O nosso camarada Fernando Súcio esperava-nos. Entretanto havíamos pensado almoçar em qualquer lado e combinamos uma passeio ao Pinhão só a duas dezenas de quilómetros. O Fernando puxou pela carola, enfiou pela velha ponte e já estávamos no concelho de Lamego.
Ligando as duas margens existem 3 pontes, mas estas duas são as que interessam para o caso. A de arcos de ferro, à esquerda, foi construída em 1872 e veio substituir o transporte de pessoas e bens em barcaças entre as margens. Foi ou ainda está a ser recuperada para uso pedonal e de bicicletas. A de pedra é da 2ª vintena do séc. XX. e pensada para trazer o comboio para este lado, vindo da Régua e até Lamego, mas deu em nada o projecto. Passou a ponte rodoviária tendo-se desactivada a de ferro.


Estamos do lado que pertence a Lamego, isto é, na margem esquerda do Douro e por aí vamos seguir até ao Pinhão, para leste. A meia dúzia de quilómetros encontramos a barragem de Bagaúste, finalizada em 1973.


Quis o tempo atrasar as vindimas por todo o País, mas prometendo um ano muito bom. Assim seja. Beber vinho é dar de comer a um milhão de Portugueses, já dizia Salazar. E a maioria dos acidentes rodoviários não é por causa do Vinho Português. Ao longo da estreita estrada, à distância de um braço, as cêpas estão lindas, esperando para breve as mãos que vão colher o seu fruto.
Passaram por nós, apressados, porque é o seu trabalho e nós apenas turistas a parar a todo o momento, carrinhas carregadas com uva branca, essas já no ponto próprio que os especialistas determinaram poderem ser vindimadas.

A foz do Rio Távora, vindo de mais de 50 quilómetros desde Trancoso até junto a Tabuaço ajuda a engrossar o Douro. Está escrito que neste local, no Inverno formavam-se os piores rápidos desde Barca D'Alva até à Régua. Um sorvedouro de Rabelos e Homens.
Passar a repetir-me é o que pode mesmo acontecer. O nosso pára-arranca foi maior do que andar de carro numa cidade desorientada.
As pequenas estradas foram construídas entre os Morros e o Rio, desde há uns anos domado pelas inúmeras barragens que lhe foram construindo no seu percurso. Os Morros, desde tempos suevos e aprimorados pelos romanos, foram uma herança que os naturais souberam aproveitar e ainda mais desenvolver, construindo os seus socalcos em xisto segurando-os com oliveiras e no seu meio meteram-lhe cepas de variadíssimas qualidades, afrontando as pragas que periòdicamente as vinham dizimar, mas juntamente com o clima conseguiram produzir não só vinhos de excelente qualidade mas também azeite e frutas diversas.
Para dentro de cada um rezamos esperando ver um comboio do outro lado. Orações ouvidas e aí ainda mal se descortinava lá ao longe, em uníssono gritamos: Olha o comboiooooo. Paragem obrigatória para captar todas as fotos que nos aprouve. Agradecemos ao deuses, o dos comboios pelo horário; ao do Douro, por podermos olhar mais uma maravilha.
E aí está o Pinhão. Foi só atravessar o Douro para a margem direita e a primeira paragem, debaixo de uma temperatura escaldante, obrigatoriamente tinha de ser para visitar a belíssima Estação Ferroviária, ex-libris da região do Alto Douro Vinhateiro, que viu chegar o primeiro comboio no dia 1 de Junho de 1880.
Os seus magníficos 25 painéis em azulejo da Fábrica Aleluia, de Aveiro, encomendados em 1937, em tons de azul, representam cenas culturais e históricas da faina duriense. Na sala de espera, algumas relíquias dos velhos tempos. E o relógio, esqueci de ver o fabricante (alô amigos, por acaso repararam no pormenor ?), funciona mesmo.

A barriga já estava a dar horas, afinal tinhamo-nos levantado de madrugada, mas uma foto para o nosso Museu Particular das Memórias era superior a todas as vontades.
A primeira porta que batemos tinha bom aspecto, pequenina e com comensais a dar ao dente, mas haviam duas mesas vagas à nossa medida. Como sempre o sentar foi de difícil escolha. O prato do dia, devidamente espreitado para o de um dos comensais, eram Tripas à Moda da Casa. E recolheu a unanimidade.
Embora houvesse Bacalhau e não tive dúvidas sobre a qualidade quando o vi na mesa ao lado, onde dois casais entradotes na idade, camones de origem, desgostavam o bicho; confirmou-se quando a camareira lhes foi perguntar se estava tudo bem e reparei no ar de uma das senhoras, enfartada, expelindo um grande bbfffuuu à mistura. E mais de um lombo da altura da mão travessa, na travessa sobrando.
Haviam na carta, Lombo de Porco, Vitela, Cabrito, ambos confeccionados assados. Mas eram as Tripas e mai'nada. Para aperitivar, queijnhos frescos, presunto fatiado à mão, melão, azeitonas pequenas brancas, curtidas, uma delícia. A sobremesa o tradicional semi-frio, só uma dose como é habitual para o único não doente do grupo, que provei. Vinho tinto muito, da casa, duriense pois claro, de paladar muito simpático, ligeiramente arrefecido. Cafés e Bagaço(s) do patrão, feito de vinho generoso.
No final uma agradável surpresa. Tudo por menos de 38 euros. O que me levou a perguntar se não havia engano. Como a factura se lia mal, quiseram-me descriminar a conta, escrita a tinta. Até compreenderem que me queria referir se o erro estaria contra eles, demorou um pouquinho. Mas estava tudo bem. Cumprimentei o chefe, calculo que esposa e filha em idade escolar, e a Linda Mineira que nos serviu com uma gentileza muito grande.
A casa fica mesmo em frente à estação, ligeiramente descaída para a direita para quem está de costas. Um aviso, mesmo para os que não são benfiquistas: podem entrar à vontade porque qualidade, preços em conta e simpatia não faltam neste Motivo.
Andar um pouquinho fez bem. Lá no alto preparam-se terrenos para novos plantios.

Algum artesanato à venda em vários locais a preços convidativos.

A Estação vista da gare.

Há que voltar à estrada e ver o Rio Pinhão desaguando. Da entrada de uma Quinta, avista-se o monte da Quinta das Carvalhas, uma das mais famosas da região, com a sua casa lá no alto para turista ver e usufruir a belos preços.
As paragens continuaram e há coincidências interessantes.

Sobranceira ao Rio Pinhão, com uma vista fabulosa, existe uma casa onde entramos para fazer perguntas. Conversa aberta e o senhor Tigelas apresenta-se. Barbeiro e Tasqueiro de profissão, tem sido muito requisitado para reportagens. Mostrou-nos a última, da Visão da semana passada com histórias sobre o Douro (publiquei-a no meu espaço do facebook) mas também lá tem um recorte do Jornal de Notícias, feita há uns tempos atrás. Entre palavras, oferece-nos um Bagaço do Patrão. Quis comprar um garrafão mas disse que só tinha pouco mais de meio litro. Nem sempre a vida nos sorri...
A Ponte e o Rio Pinhão visto das traseiras da sua casa que nos abriu totalmente.

Passada a Ponte, um saltinho até mais acima para espreitar o que se passa.

É a foz do Rio e a Ponte Ferroviária.

Pés ao caminho e no sobe e desce, o amigo Teixeira lembrou-se que tinha um amigo por ali a quem quis visitar. O amigo Correia não estava em casa, mas neste mundo nada se perde. E é um outro Douro sem o Rio que encontramos.

E até umas nuvens lindas apareceram no céu azul, deixando sombras nos montes.
Agora as paragens são menos frequentes, já olhamos para o relógio a pensar na Régua e no comboio das 17h14m. Mas Alijó e Favaios são por aqui e estas terras num planalto grandioso a 500/600 metros de altitude pertencem-lhes. Favaios, segundo historiadores, deve o seu nome latino a Flavius, uma antiga povoação romana de Panoias, Vila Real.
Famosíssimo e Internacional é o vinho moscatel que a Adega Cooperativa produz, um excelente aperitivo. Mas também se produzem Vinhos de Mesa, Porto e Espumantes.

Estamos na Régua ainda a tempo para uma loirinha no bar da Estação e comprar os Rebuçados. O Fernando Súcio é uma máquina de controle perfeito.
Ficamos admirados com a quantidade de passageiros. O comboio estava atrelar máquinas e vagões.
As carruagens apresentavam este aspecto magnífico e a composição ficou enorme.

No interior não havia lugares sentados para todos os passageiros. Presumimos por conversas telefónicas que ouvimos a um funcionário e outras trocadas com agentes de turismo, que a CP é uma empresa relaxada, não ligando às reservas que lhe são feitas com antecedência, não cuidando dos interesses nacional-turísticos, um filão que poucos compreendem ou talvez não tenham mesmo interesse em compreendê-los. E assim vai Portugal...

Regressados ao Porto e a Campanhã, depois de um dia escaldante mas belíssimo, cheios de sede, não demorou nada para no Metro duas loirinhas tomarmos e comer uma fatia de bola de carnes para encher.

Desculpem, caros amigos, pelo grafismo péssimo da página. Já estou farto de tentar arrumar e não consigo arrumar nada. Portanto fica assim mesmo.
E não esqueçam de vir ao Douro. Ele é enorme e tem maravilhas para todos os gostos.