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segunda-feira, 28 de março de 2016

242 - Quinta-Feira Santa - II Parte - Igrejas

Recordando a Quinta-Feira Santa da minha mocidade e a visita às Igrejas, lembro-me que se deviam visitar números ímpares: 1, 3, 5 e por aí fora. No caso de ser impossível, deveríamos sair da Igreja e voltar a entrar, completando-se assim os números ímpares de visitas. Mas as visitas podiam completar-se entre a Quinta e a Sexta-feira. Se não estou errado, foi este o conceito que me foi pregado.

As visitas eram feitas acompanhando a minha Avó e por vezes a senhora a quem ela governava a casa, a vida e a mãe. Lembro-me que conheci a Igreja de Santo Ildefonso mesmo antes de conhecer a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Marquês. A do meu lugar.
Talvez uma ou outra visita com o meu Pai mas se o foi aconteceu por curiosidade e casualidade. Ele gozava o fim de semana a partir de Quinta-feira à tarde e por uma razão simples: a dona da empresa onde trabalhava em Campanhã (D. Ilda Paranhos, da Fábrica de Moagem da Granja) era muito religiosa e concedia esse privilégio ao pessoal.

Acabei de saber que é costume antigo visitarem-se 7 Igrejas correspondendo a iguais Passos, com origem provavelmente em Roma. Não sei o que se deve fazer durante a visita. Reparo agora que, curiosa e involuntariamente, visitei 7 Igrejas.
Outra curiosidade, é que se a Igreja de Nossa Senhora da Vitória estivesse aberta, seriam oito. Nesse caso, eu seria castigado por ter contrariado a tradição ?
Deixemos o assunto e vamos à parte séria pois é isso que me faz publicar com prazer nesta página.

O seguimento das imagens estão exactamente pela ordem que visitei as Igrejas.

Igreja dos Congregados
Construída em 1703 no local onde existiu uma Capela dedicada a Santo António (1662-1694). Estava anexa ao Convento da Congregação do Oratório, vulgo os Congregados, construído em 1660.
Durante o Cerco do Porto (Julho1832-Agosto1833) serviu de quartel e arsenal ao Exército Libertador.
Conta-nos Germano Silva que os frades desta Congregação assistiram das janelas do Convento ao enforcamento dos 12 liberais condenados pelos absolutistas de D. Miguel e no local onde temos a Praça da Liberdade, regozijando-se e comemorando comendo Pão-de-ló e bebendo Vinho do Porto.

A Capela-Mor foi reconstruída no séc. XIX recebendo as pinturas murais de Acácio Lino dedicadas à vida de Santo António.

Os azulejos da fachada, igualmente dedicados à vida de Santo António, são da autoria de Jorge Colaço, de 1920.
No alto da fachada, num nicho encontra-se uma imagem do Santo.

Igreja dos Clérigos
Tem como Padroeira Nossa Senhora da Assunção. A Igreja faz parte com a Torre e o antigo Hospital de uma unidade construída por Nicolau Nasoni, obra máxima do Barroco em Portugal.
A primeira pedra da Igreja foi lançada em 23 de Junho de 1732 e a primeira missa rezada em 28 de Julho de 1948.

Ao cimo da Rua dos Clérigos e no patamar das escadas que dão acesso à Igreja, encontra-se uma Capela subterrânea dedicada a Nossa Senhora da Lapa. A imagem feita por Mestre Custódio, custou 11$200 reis foi colocada num retábulo feito por Luíz Pinto e que custou 57$600 reis, em Janeiro de 1756.
Esta capela visível ao público foi desatulhada e restaurada há talvez uns 4 anos.

A construção do templo sofreu muitos revezes, especialmente dirigidos pela Irmandade de Santo Ildefonso, ciumenta da grandeza do conjunto.
Presume-se que a obra tenha sido dada como concluída em 1750.
A monumentalidade do espaço interior acentua-se através do retábulo da Capela-Mor, executado entre 1767 e 1780 pelo arquitecto Manuel dos Santos Porto.

Embora o número de visitantes seja muito grande em qualquer época eram demasiados os que vi. Tentei subir às galerias e à parte museológica, mas a fila para comprar ingresso era tão grande que desisti da ideia.

Dei um saltinho ao Carmo pois pretendia fotografar as fachadas das Igrejas do Carmo e Carmelitas como são mais conhecidas por nós. Uma fotografia capaz é de dificuldade máxima devido aos cabos aéreos, aos sinais de trânsito e outros. Acabei por entrar nas Igrejas embora já as tivesse fotografado anteriormente com intenção única de ver o que se passava no interior.

As igrejas geminadas são Monumento Nacional desde 2013 sendo a dos Carmelitas Descalços - do lado esquerdo e que pertencia ao antigo convento, agora ocupado pela Guarda Nacional Republicana - a mais antiga. A primeira pedra foi lançada em 1619, a igreja concluída em 1628 mas a campanha decorativa só foi dada por concluída em 1650.

Segundo www.monumentos.pt/Site/APP - Igreja e Convento dos Carmelitas, as esculturas da fachada são de barro pintadas a branco a fingir calcário.

A Torre Sineira encontrava-se do lado direito, deslocada para o lado contrário durante a edificação do templo da Ordem Terceira do Carmo, construído em terrenos cedidos pelos Carmelitas em 1751. A primeira pedra da Igreja foi lançada em 1756 e concluída em 1762, depois do aval de Nasoni.
Algumas imagens da Igreja do Carmo:

O retábulo da Capela Mor é de 1773.

 As campanhas decorativas prolongaram-se por muitos anos.

Os Retábulos das seis Capelas laterais remontam a 1771

A fachada é profusamente decorada e o corpo principal ladeado por nichos com as imagens dos profetas Elias e Eliseu. Num nicho central superior a imagem de Sant'Ana em jaspe. Acho estranho, mas se as páginas oficiais o relatam, é porque é.

Muitos visitantes em ambas as Igrejas, formando-se cordões para entrar e sair. Irrita-me um pouco o barulho provocado, nada condizente com as atitudes de reflexão e respeito que se devem ter nos templos de todas as religiões, praticando-as ou não. 

Convido agora para uma visita à Igreja vizinha dos Carmelitas Descalços.

No interior do tempo predomina a talha dourada que extravasa os retábulos das seis capelas laterais e estende-se a determinadas zonas da abóboda. A capela-mor exibe um retábulo de 1767 desenhado pelo Padre Joaquim Teixeira Guimarães e executado por seu pai José Teixeira Guimarães, dois personagens incontornáveis da Cidade do Porto presentes na arte do desenho, cenografia e entalhamento de algumas das igrejas da Cidade, nomeadamente S. Nicolau e da do Convento de S. Francisco. Há ainda o artista José Pereira Campanhã que com ambos colabora na vizinha Igreja do Carmo e também na Vitória. Se estou errado me corrijam.

As pinturas, os entalhes, o ouro ou a prata, as imagens que os santeiros criaram, não adianta tentar explicar porque um leigo não sabe explicar mas sente e julga apreciar a beleza que o rodeia.

Julgava que conhecia estas igrejas e o que elas nos revelam. Puro engano. Há sempre algo novo a descobrir.
  
Regressei ao exterior e para olhar o que nunca cansa ver: O extraordinário painel lateral em azulejos da Igreja do Carmo representando cenas alusivas à fundação da Ordem Carmelita e ao Monte Carmelo. Desenhado por Silvestre Silvestri, pintado por Carlos Branco e executado nas Fábricas do Senhor d'Além e da Torrinha em Vila Nova de Gaia datados de 1912 é uma obra de referência da Azulejaria Portuguesa.

Propus-me um intervalo para refeição e a seguir descer até Belmonte.
No local designado de Boa Vista onde passava a Muralha Fernandina de que se podem ver alguns pormenores e se abria a Porta da Esperança, os Eremitas Calçados de Santo Agostinho iniciaram entre finais do séc. XVI ou princípios do séc. XVII a construção de um Convento e Igreja no local onde existia uma Ermida dedicada a S. João de Belmonte. As obras foram dadas como terminadas apenas em 1779.

A capela mor é coberta por uma abóbada de pedra e o altar foi mandado construir pelo Bispo D. Frei António de Sousa, um frade que pertenceu à ordem.

Capela de Santa Rita de Cássia decorada com azulejos sobre a sua vida.

Não se encontravam visitantes. Uma senhora que deveria pertencer à Igreja e eu éramos os únicos humanos. A única iluminação era dada pela luz que entrava pelas janelas, mas esta minha máquina fotografa até onde não há luz.

 Segui a caminho do Rio e espreitei em S. Nicolau

No local de uma antiga ermida do séc. XIII, foi construída a Igreja de S. Nicolau entre 1671 e 1676. Sofreu um incêndio em 1758 e sua reconstrução terminou em 1762.
No alto da fachada encontra-se um frontão cortado por um nicho contendo a imagem do Padroeiro.
Os azulejos são de 1861.
A igreja está em obras e na altura praticava-se um serviço religioso.

A nave é coberta por uma abóboda de tijolo.

Pormenor de um dos altares laterais, cujos retábulos em talha rococó artisticamente lavrados, são de 1816.

Quase em frente localiza-se a Igreja de S. Francisco, que pertenceu ao extinto Convento onde se encontra o Palácio da Bolsa. Para ela me dirigi e completar o ciclo.

 Monumento Nacional de extraordinária grandiosidade e beleza. Há cerca de 8 anos e meio visitei a Igreja.

Nessa altura (como hoje) não era permitido fotografar e a vigilância não me largou de vista só porque levava a máquina na mão. Era a velha Olympus made in China que fez no dia 9 precisamente 9 anos que a comprei. Fez também precisamente 6 anos que avariou. No dia 10.
Conclusão, porque não me deixaram fotografar a Igreja, raramente me referi a ela. Mas mudei o meu pensamento, mesmo continuando a ser proíbido fotografar.
Entrei de corpo feito e a brincar com o porteiro. Talvez pela quantidade de turistas não me ligou grande importância.
Fui conseguindo algumas imagens entre o aglomerado de pessoas e não ligando importância à luz que é péssima. São as imagens possíveis que não são grande coisa. Não sei se há câmaras de vigilância, mas tive o receio de sentir de um momento para o outro uma mão sobre o ombro, e zás.
Também não sei se irei ter algum problema com a Irmandade por causa da publicação das fotos. Seja o que Deus quiser mas a Igreja fica a ganhar pois resolvi fazer-lhe publicidade.

Profissionalmente, já tinha visitado a igreja em meados dos anos 80 do século passado.
  
Na imagem as duas Igrejas de S. Francisco: à esquerda a da Ordem e à direita a do antigo Convento dos Frades Observantes de S. Francisco.
A sua edificação terá começado em 1244 mas por várias razões arrastou-se no tempo e apenas terá sido construído um pequeno templo de uma só nave.

Nave Central e Capela-Mor
O templo que hoje subsiste teve início em 1383, ano da morte do Rei D. Fernando que concedeu bastante protecção aos Franciscanos. O seu estilo gótico tem características especiais, muito regionais.
A principal campanha de remodelação do templo aconteceu na época barroca, conferindo-lhe o estatuto de Igreja forrada a Ouro.

Uma  má imagem do extraordinário Retábulo na Capela de Nossa Senhora da Conceição e dedicado à Árvore de Jessé, reformulado entre 1718 e 1721 sobre uma obra já existente.

Capela de S. João Baptista
Construída na década de 30 do séc. XVI desenhada por Diogo de Castilho. Num à parte, fico na dúvida se não será João de Castilho, seu irmão. Ambos trabalharam em vários Monumentos em Portugal ligados ao Manuelino. Diogo está escrito na placa informativa junto à Capela, mandada edificar pela família Carneiro. João está referido como o autor na página do Património Cultural referente a S. Francisco.

Pormenor por baixo do Coro Alto e à esquerda o Retábulo dos Santos Mártires de Marrocos.

Foram estas as Igrejas que visitei na Quinta-feira Santa. Se tudo correr normalmente, juntamente com outras Igrejas do meu/nosso Porto farão parte de uma trabalho que há muito ando a programar.
Não lhes senti neste dia aquela mística própria de um templo. Os turistas eram imensos, o barulho bastante e o caminhar pelo corredores distraim, provàvelmente, quem não estava verdadeiramente a fazer turismo.

Mas na passada quinta-feira encontrei outros motivos interessantes que mais tarde contarei e mostrarei.


sexta-feira, 30 de julho de 2010

32 - O Ponto mais alto da Cidade do Porto

Monte Tadeu, Monte dos Congregados ou Monte de Santa Catarina ? A ordem é inversa à antiguidade dos registos que consegui encontrar nas minhas buscas. Quer dizer, do Monte Tadeu só encontrei o nome da rua. E aí não há dúvida que é o ponto mais alto, geograficamente, da cidade do Porto.
Tudo começa em 1680, quando uns frades construíram na Cidade a sua casa, no local onde hoje está a Igreja dos Congregados, em frente à Estação de S. Bento. Obtiveram para seu recreio um vasto espaço com casa que também servia de hospital. Nas abas do Monte de Santa Catarina. Daí é fácil chegarmos ao Monte dos Congregados, ficando como recordação uma rua com este toponímico, datada dos finais dos anos trinta do séc. XIX; e talvez também a Rua do Monte Tadeu (ou Monte do Tadeu ?) seja dessa época. A Quinta ficou na posse da Câmara Municipal por altura da extinção da ordem em 1834. Tendo-a posteriormente vendido, li, que por preço baixo, ao sr. Moreira, um cidadão brasileiro. Que explorou a grande pedreira que ali existia. No alto, foi construído um depósito de águas, explorado por uma companhia francesa (?), concessionária da rede de águas da cidade desde 1887 a 1927. Embora a Câmara e a companhia das Águas tenham aberto um concurso para requalificação não só deste depósito, mas de todos os da cidade, em 2007 e entregue os prémios em 2008, o certo é que está tudo para ali inútil. E segundo li, eram os próprios autores das propostas que tomavam as "despesas" da requalificação ao seu cuidado.
Esta é a Rua do Monte Tadeu, no cimo da qual se podem apreciar belos panoramas sobre a Cidade.

Podemos ver até Gondomar e Gaia, muito desfocado é certo.

Mas o fumo dos incêndios e o céu do Porto, sempre nublado, não permite melhor visão.

A Rua vista de cima para baixo, tendo ao fundo um velho jardim.

Ao fundo da Rua, encontra-se a Travessa com o mesmo nome e mais uma vista sobre o casario do Bonfim.
A direita, vê-se o que presumo serem antigas instalações fabris da Cooperativa dos Pedreiros. Pedi uma informação. Vamos lá ver se vem ou se acontece o mesmo que a todas as outras que pedi, tanto a Juntas de Freguesia como à Câmara Municipal.
Fica este edifício nas traseiras do da Cooperativa dos Pedreiros, no cimo do qual há um restaurante panorâmico. Tem 14 andares.
Colada ao edifício uma estátua que julgo representará um operário pedreiro.
Vale a pena o sacrifício, mesmo em dias de calor, subir ao Monte para apreciar as paisagens. E que a Câmara requalifique esta zona, pois a par de edifícios novos há muitas ruínas e matas selvagens.






















quarta-feira, 16 de junho de 2010

21 - Praça de Almeida Garrett

Esta Praça é uma homenagem ao grande escritor, dramaturgo, Par do Reino, ministro, impulsionador do Teatro (foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa) e o Conservatório de Arte Dramática. Nasceu no Porto em 4/2/1799 e faleceu em Lisboa em 9.12.1854, tendo andado pelos Açores, Coimbra e percorrido meia Europa. Liberal, pornógrafo (naquele tempo chama-se ateu e imoral), casou com uma jovem de 14 anos, que "desonrou", mas mulheres era com ele. O Arco de Sant'Ana ficou famoso pela sua pena e as Viagens na Minha Terra o seu livro ecológico. Isto sou eu a dizer. A sua biografia é extensa e recomendo a sua leitura.
Mas esta Praça que chamada de Almeida Garrett, a muito boa gente portuense e não só, não diz nada, porque será sempre S. Bento. Vem dos nossos antepassados, pois de Largo da Cividade dos tempos medievais passou a Largo e Terreiro de S. Bento. Não li qualquer referencia sobre a data em que foi criada a toponímia actual.
Nela desembocam e começam sete ruas, melhor, oito pois acho que a do Corpo da Guarda também deve contar. A mais recente, a Avenida da Ponte, aberta em 1950, mas que já se chamou de Vimara Peres e agora é de D. Afonso Henriques. Está carregada de história e estórias, mas lá iremos. Este desenho cuja data e origem não consegui apurar, não sei se é um estudo, projecto ou uma vista real de determinada época. Sei que o Convento de S. Bento de Avé Maria já lá está à direita, a Porta de Carros aberta nas muralhas Fernandinas está ao fundo, creio que depois de ter sido já alterada a sua localização primitiva. Fora das muralhas estará o que é hoje a Igreja dos Congregados, antiga capela de Santo António. Dentro das Muralhas distingue-se à esquerda o Convento dos Loios.
Mas vamos por partes.

Vista da Praça desde o Corpo da Guarda. A Estação de S. Bento à direita ocupa o espaço que foi do Convento e Igreja de S. Bento de Avé-Maria ou da Encarnação das monjas de S. Bento. Este por sua vez tomou o espaço das Hortas do Bispo, ou da Cividade.
Estou de costas para a antiga Avenida da Ponte e à direita a Rua do Loureiro. Presumo que seria por aqui que estava a primitiva Porta de Carros. Mas o que leio nas minhas pesquisas deixam-me confuso.
Uma foto antiga, não afirmo mas creio que é do Alvão, em dia de procissão. Nota-se que o Convento já está em ruínas. Mas lá iremos.
De Sul para Norte, vêm-se bonitos prédios, com as varandas tipicamente portuenses, em ferro. Lamentavelmente o prédio mais trabalhado em granito, está em ruína. E logo voltado para a saída principal da Estação de S. Bento.
Uma das características da arquitectura portuense eram os prédios estreitos, altos e fundos. Aqui está outro em ruínas, o mais alto, no meio de edifícios bem conservados. Em obras para um hotel de luxo está o Palácio das Cardosas. Iniciado pela Ordem dos Loios no séc. XVIII, no local do antigo Convento de Santo Elói, mas que nunca chegou a ser terminado, foi adquirido e remodelado por um "brasileiro" continuando depois pela família, tudo mulheres, daí o nome Cardosas pelo qual é conhecido pelos portuenses.
No topo Norte da Praça está a Igreja dos Congregados do séc. XVII. Construída no local onde existia a capela de Santo António da Porta de Carros e do que resta encontra-se na capela-mor.
Frontaria e portais em estilo barroco.
Alguns aspectos do interior.
Para um leigo como eu, são muito confusas as explicações dos pormenores que se lêem.
Mas mesmo para um leigo, olhar o que nos rodeia é muito importante

Altar de Santo António
Através do portal em ferro temos uma outra visão da Praça
À esquerda a Rua de 31 de Janeiro (em homenagem à Revolução Republicana) e que já foi de Santo António, durante a ditadura, e de Santo António dos Congregados inicialmente, vai dar à Praça da Batalha e ao início da Rua de Santa Catarina. Construída em 1784 sobre estacas e arcos não só para dar passagem à mina do Bolhão como também para vencer o declive.
À direita, a velha Rua da Madeira.
Há cerca de 3 anos quando foi novamente aberta aos "eléctricos"
A Rua da Madeira, antigamente chamada Calçada de Santa Teresa e Viela da Madeira,
por onde se fazia todo o movimento para a Batalha e Cimo de Vila,
antes da abertura da Rua de 31 de Janeiro.
Por aqui descia a Muralha Fernandina vinda de Cimo de Vila. À esquerda a estação de S. Bento. Rua ainda hoje famosa pelas suas "tascas", foi local também de vários comércios e pequenas fabriquetas. Ainda se podem ver ruínas de outrora para ali à espera do camartelo. Aqui pequenos mas muitos despachantes, a quem chamava-mos recoveiros, aceitavam mercadorias que transportavam em vagões alugados aos caminhos de ferro, para localidades ao longo das linhas do Douro e Minho. Aos paquetes e serviçais das empresas portuenses que utilizavam os seus serviços, pagavam um copo e uma sande, até uma posta de sável, ali no Quim, no Vizeu, no Madeira, onde estavam localizados os seus escritórios. Também eles me ajudaram a começar o vício pelo petisco e pelo copo.
O Convento de S. Bento no interior da Cerca ou Muralhas Fernandinas, junto à Rua da Madeira. Ao fundo a fachada lateral do que restava do Convento dos Loios. Dizia-se que a proximidade dos dois conventos, ajudava também à aproximação dos monges e das monjas. Escândalos de outros tempos. É só ler um delicioso trecho do áspero Camilo Castello Branco em
A fachada lateral do Palácio das Cardosas, que no meu tempo da juventude albergava o Café Astória de tantas recordações. A fachada principal está voltada para a Praça da Liberdade e também albergava a célebre Adega da Cerca. O portuense quando brincava com um amigo, dizia-lhe: vai para as Cardosas, cujo passeio tinha a fama de ser zona dos "Bon Vivent".
Aqui está, nesta obra, mais uma acusação ao PORTOVIVO. E ao Presidente da Câmara. E não só. É só ler um interessante artigo em
Continuando a andar no sentido dos ponteiros do relógio e voltados para sul, inicia-se a Avenida da Ponte, aberta em 1950 ao trânsito automóvel e que liga à Sé e directamente ao tabuleiro superior da Ponte D. Luíz. Desde há meia dúzia de anos que o trânsito automóvel já não atravessa a Ponte de Cima, como o portuense chama ao tabuleiro superior, pois só o metro o faz. Do lado esquerdo continua a velha pedreira, sustentando a Rua Chá e alguns prédios fazendo esquina com a Rua do Loureiro, que não se percebe como ainda se aguentam em pé. Para além da imundície que se foi (vai) acomolando, é triste, no coração da cidade, local de passagem de muita gente, ver o constante vai-vem dos "trabalhadores" da droga e de quem mete a sua injecção.
À direita é o início da medieval Rua do Corpo da Guarda, com várias obras de requalificação urbana em curso, que vai dar a S. Sebastião, Pelames e lògicamente à Sé.
Continuando,temos o fim das Ruas Mouzinho da Silveira e das Flores.
Um pormenor da junção da Rua das Flores com a Praça Almeida Garrett,
Foto obtida no dia 1 de Maio de 2007.
Olhemos agora para a Estação de S. Bento. Construída no local onde esteve o Convento e Igreja de S. Bento de Avé Maria, o edifício foi projectado pelo arq. Marques da Silva, (com obras importantes por toda a cidade tendo o granito como base de trabalho) foi inaugurado em 1916, embora o primeiro comboio tenha chegado à gare em 7 de Nov. de 1896. O arquitecto teve vários problemas com os homens importantes da cidade (como sempre são eles que mandam) que foi obrigado a reformular todo o projecto tantas as alterações exigidas.
Duas torres, uma de cada lado, com pormenores bem vincados pelo arquitecto como marca sua.
Pormenor da Gare vista da Rua da Madeira.
O átrio é revestido com 20.000 azulejos da autoria de Jorge Colaço. Mostram passagens da História de Portugal, a evolução dos transportes e aspectos bucólicos e populares de Entre Douro e Minho. É um problema permanente a segurança dos azulejos, pois a sua aplicação foi feita com materiais não recomendáveis. O restauro parece complicado. Estão cobertos com uma película para evitar a sua queda. Lamentàvelmente as cores perdem a policromia que autor defeniu. Também não entendo porque essa pelicula está só para cima dos 2 metros, mais ou menos.

A gare tem uma estória curiosa. O autor (?) foi o mesmo da Gare do Norte em Paris, e quis projectar para a cidade do Porto uma com igual grandeza. Mas entre a perfuração do túnel e a gare há a questão de uns dinheiros que recebeu pelo que não fez. E ainda exigia mais, com direitos a concessões, etc... Parece que pegou nas malas e fugiu para o Brasil. Acabo por não saber se o magnífico trabalho em ferro da cobertura e dos pilares é da sua autoria.
A gare hoje em dia apenas recebe comboios regionais e urbanos e sub-urbanos.
Tem 8 linhas.
Uma das saídas para a Praça Almeida Garrett.
Logo com um dos tais edifícios degradados em grande destaque.
Deixei a Rua do Loureiro para o fim, para descrever um pouco o Convento de São Bento de Avé -Maria. Foi mandado construir e pago por D. Manuel I em 1518. Depois o povo foi pagando os acréscimos, e segundo consta, cada abadessa que por ali passou, deixou a sua marca em obras horríveis, de mau gosto e sem nexo. Quer dizer, faltou um homem que soubesse da poda. Mas como era tudo gente de boas famílias, há que deixar estragar e mesmo do pouco Manuelino que parece ter havido, não sobrou nada. Posterior ao Convento, construíu-se a igreja, que segundo li, era obra asseada. Terá sido um erro a cidade ficar sem o que era considerado um monumento.
O Convento sofreu um violento incendio, que juntamente com a abolição das Ordens Religiosas, foi-se degradando. O Estado requereu os edifícios e este ser-lhe-ia entregue após a morte da ultima freira. O que aconteceu em 1892. A partir desta data tudo foi destruído e quando entrou o primeiro comboio ainda havia pedras por todo o lado.
Do lado da Rua do Loureiro ficava a Igreja que era também local de comércio ambulante. O que desagradava aos comerciantes locais. A coisa compôs-se quando os ambulantes foram passados para o Mercado do Bolhão.
A Igreja cuja fachada ficava voltada para a Rua do Loureiro
A Estação de S. Bento actual...
E o Convento na mesma posição fotogénica.
Resta dizer que o pouco que sobrou" do Convento está espalhado por vários Museus, Ordens e igrejas do País. Na Igreja de Santa Clara, no Largo Primeiro de Dezembro, estão dois altares. Nos jardins dos SMAS do Porto, está o Chafariz. Isto conheço.
Quem gostar pode deliciar-se com esta magnífica obra:
O MOSTEIRO DE SAO BENTO DE AVE MARIA DO PORTO, 1518/1899
Formato do ficheiro: PDF/Adobe Acrobatde IMRT Pinho - 2000 -...repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/.../2/000080182.pdf

Uma nota apenas. Creio que se pode dizer sem errar, Convento e Mosteiro. É que nas várias pesquisas encontrei as duas palavras para o mesmo tema. E como não entendido nestas coisas fico sempre na dúvida.