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domingo, 7 de junho de 2015

219 - Restauros e não só

Como me escreveu em tempos a minha amiga Lucineide Brito, oxalá um dia mostres os restauros da tua Cidade.
Aproveitei o comentário para dar o título a esta crónica e mostrar dois restauros que por causa deles andava desde há muito a dar cabo da cabeça aos Presidentes da Câmara para conseguirem uma solução.
Vamos às imagens:
A Fonte da Avenida Montevideu
Esteve abandonada e meio arruinada durante anos. A primeira vez que escrevi sobre a ruína foi em Julho 2007. Não acredito que quem destruiu a Avenida dos Aliados, vendeu Palácios, trouxe Aviões e Automóveis antigos à Cidade, não tenha tido nos cofres uns miseráveis Euros para restaurar a fonte e pô-la a jorrar uns esguichos de água. Um Boata-abaixo ao ex- Presidente Rui Rio. 
Fiquei feliz ao ver por casualidade há dias uma foto da Fonte a "trabalhar". Não descansei enquanto a não fui ver e lembrar-me dos meus tempos de menino que levado pelas mãos do meu pai passeava pelos Jardins da Foz. Parabéns ao Presidente Rui Moreita e um Boata-acima para ele.
 A fonte foi construída em 1931 desenhada pelo arquitecto Manuel Marques (Avintes,1890-1956) e parece que se destinava à Avenida dos Aliados. 
 A volumetria seria grande e foi aconselhada à cidade um local para ela. Em boa hora.
Velhos tempos...

Outra consolação foi ver o edifício fantasma que foi dos STCP , construído em 1912 a acabar de recuperar

Esta placa não é a primitiva. Fui ao longo dos últimos anos "botando" abaixo dos executivos camarários que desleixaram nesta "coisa". O Parque Ocidental da Cidade vem aqui dar e era uma vergonha depararmo-nos com a ruína e seus arredores.
O edifício em 1988 foi cedido pelos STCP ao Colégio Luso Internacional do Porto que após obras de recuperação funcionou entre 1989 e 1998. Em 1990 foi vendido à Câmara do Porto e demorou 25 anos a resolver um destino.
Não gosto da cor. Visto o edifício do Castelo do Queijo inserido no local é francamente aberrante ao olhar. Mas gostos são gostos e a Urbanização e a Cultura e o Ambiente Municipais estão lá, não é verdade ?
Na altura desta foto, em 1988 ou 89, estava o edifício a ser restaurado para o Colégio. Toda a frente está agora ligada ao mar e as traseiras ao Parque Ocidental da Cidade.

 Praça de Gonçalves Zarco e Estátua de D. João VI.
Tem cabimento nesta página a recordação desta Praça e da Estátua ? Tem sim, senhores e senhoras. Passo a explicar: O primeiro ponto tem a ver com o meu querido amigo Eduardo Campos que levantou a questão desta estátua ser uma réplica da que foi oferecida à Cidade do Rio de Janeiro aquando dos 400 anos da sua Fundação e ficando situada no antigo local onde desembarcou a família real em 7 de Março de 1808, fugidos às Invasões Francesas. O local chamava-se Largo do Paço ou Rossio do Carmo. Foi inaugurada em 10 de Junho de 1965, precisamente no Dia de Camões, chamado outrora da Raça.
No Rio de Janeiro, a Estátua na chamada actualmente Praça de 15 de Novembro, se não erro.
Pois bem, eu cheio de dúvidas fui pesquisar e tenho de dar toda a razão ao meu amigo. A do Rio de Janeiro é em bronze aproveitado de canhões antigos. A do Porto é em latão e foi inaugurada em 1966. 
Por curiosidade diga-se que o Cavalo do Rei é um Lusitano de Altér-do-Chão de onde os invasores franceses roubaram 581. Só desta Cudelaria. Para o Brasil foram levados vários Cavalos Lusitanos de Altér, e um deles ofertado pelo Rei a um fazendeiro de Minas. Cruzados com as raças ibéricas já existentes desde o século XVI também levadas para o Brasil, creio que eram já os famosos Marchadores originou os Sublimes. Posteriormente alguns foram trazidos para próximo da corte no Rio e passaram a ser chamados de Mangalarga devido ao nome da Fazenda, no Paty do Alferes, hoje uma Pousada, onde foram desenvolvidos. Vários sites com histórias cruzadas, de fazendas particulares e reais, nome das raças, etc. Adiante.
Agora a nossa Estátua. 
A Praça Gonçalves Zarco, como todas ou quase as Praças e Avenidas eram floridas. Um dia, um Presidente inteligente (não sei qual foi mas sei que foi em finais do séc. XX ou já em princípios do XXI) resolveu acabar com a Praça e fazer um parque subterrâneo para automóveis. Que deu imensos problemas. Como resultado o pedestal - não o primitivo mas um novo - foi rebaixado juntamente com a Estátua e dá-nos a impressão visto de alguns ângulos que o cavaleiro está em cima dos autocarros. Um vergonha de projecto. E sem jardim.

 O Terminal de Paquetes de Cruzeiros do Porto de Leixões
Querem acabar com o único Porto do País que se renova, amplia, mais  produtivo e mais dinheiro faz ganhar ao nosso Estado Lisboeta. Muitas lutas para tentarem levar para o centralismo mais um bem do Norte para encobrir a bancarrota sulista. 
Dentro de breves dias será inaugurado (se o não foi já)  o novo terminal, do lado esquerdo das fotos, da autoria do arquitecto Luís Pedro Silva.
Custou 5 vezes menos do que a Casa da Música; Matosinhos e a Região vão agradecer. E os centralistas também, pois claro.


Esta imagem é só para recordar os velhos e velhas camaradas do Clube da Praia do Castelo do Queijo. Um abraço para eles e elas.

Como se depreende, algumas fotos foram roubadas assim como a pesquisa de textos. A Estátua no Rio é da Wikipédia; Os textos sobre os Cavalos Lusitanos versus Mangalarga apanhei-os em vários sites: Cavalonet. pt., Marchador br.; Mangalarga e claro, socorri-me do meu amigo Gabriel doportoenaosó.blogspot.pt para aprender, roubar textos e fotos.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

187 - Por Estradas e Encruzilhadas de algumas Fontes e Chafarizes do Porto

Por vezes vem-me à ideia que se todos estudássemos por um livro único as coisas eram mais simples. O saber era só um, o pensamento também e seríamos uma bando de carneiros alinhados.
Imaginemos o verso da medalha, mas também o seu reverso.
A cada cabeça a sua sentença, respeitemos a cabeça de cada um. É assim que deve ser.
E se não houvesse verso e reverso nunca andaríamos às voltas com a medalha.

Costumo dizer que a História é de quem a interpreta e muitas das vezes não tem nada a ver com a realidade que foi.
Para um leigo como eu, saber alguma coisa, obriga-me a bater as estradas. Aproveito as que tenho mais à mão. Isto é, à distância de um clique, como agora é uso dizer-se e fica bem. Porque verdadeiramente botar o pé nelas tem que se lhe diga.
Todo este intróito tem a ver com umas estradas que percorri (à distância de um clique) e que me levaram a encruzilhadas, onde fiquei cheio de dúvidas. Embora, qualquer que seja o percurso, o final é sempre o mesmo.

O primeiro bater de estrada tem a ver com uma fonte que existiu na Cidade do Porto, à qual o Povo chamava da Fonte do Olho do Cu. Na realidade era - foi - a Fonte do Laranjal.
O professor Germano Silva, no Jornal de Notícias de 27 de Abril último, escreve: Ao cimo da Avenida dos Aliados, nas imediações da desaparecida viela do Cirne, que ligava directamente com a Cancela Velha (actual Rua de Guilherme da Costa Carvalho) ou seja, sensivelmente no sítio onde agora está aquele tanque... havia uma fonte que tinha um nome, no mínimo pitoresco. Era a Fonte do Olho do C. A estranha denominação tinha a ver com a configuração da Fonte. Ficava a um nível bastante inferior da rua. Lá bem no fundo, havia uma bica que deitava água para uma pia. Para chegar à água era necessário descer alguns degraus em granito. 
(cortesia do meu amigo Fernando Conceição no blogue http://cadernosdalibania.blogspot.pt/)

Um pormenor do lugar "sacado" do Google Earth, desde o Tanque até à Praça da Trindade. 
E porque aparece este "espaço" na encruzilhada ? Então vamos caminhando.

Em 1803 edificava-se a Igreja da Trindade da Ordem que substituíra a de S. Domingos extinta em 1755 e nos alvores do séc. XIX veio a estabelecer-se no Laranjal. Numa planta de 1839 a Praça já se denomina da Trindade, mas em 1877 ainda era conhecida por Laranjal. Houve na Trindade várias Fontes e Chafarizes. (in Toponímia da Cidade, no site da Câmara Municipal do Porto).

Antes de mais um esclarecimento. Para nós, Tripeiros, a Trindade é um espaço grande que vai desde as Traseiras da Câmara até Camões. Com um jeitinho, até Gonçalo Cristóvão. O Laranjal dos tempos idos, também era um espaço muito grande, que começava cá em baixo, salvo erro, onde é o início (de baixo para cima) da Avenida dos Aliados até à Trindade e de larguras várias, desde Liceiras (ainda existe a Travessa) até ao Pinheiro/Mompilher. Mais ou menos. 
Lemos na Dissertação de Mestrado do Professor Diogo Teixeira sobre o Abastecimento da Água na Cidade do Porto nos séc. XVII e XVIII, citando o Padre Baltazar Guedes (1620-1693), ... a Fonte do Laranjal tem este nome devido à grande quantidade de laranjeiras que havia naquele local, que tinha o nome de sítio do Laranjal hoje conhecido como Praça da Trindade. A fonte estava localizada no campo, perto do muro da Quinta do Laranjal e tinha uma arca com vinte palmos de comprimento, cinco de largura e vinte e dois de altura. Era toda emparedada e tinha uma porta e uns degraus que davam acesso à arca. No exterior havia uma pia que vertia água da dita água para uso público.
Continuando a ler o Professor Diogo Teixeira ... sabe-se que devido à sua localização esta fonte era apelidada com uma designação jocosa e no início do séc. XIX havia sido demolida.

Quanto à Fonte, não parece haver dúvidas que é a mesma que os dois Professores referem. Mas quanto à localização ?
O Chafariz que actualmente se encontra na Praça da Trindade, cujo nome inicial era de S. Domingos foi desmontado em 1845 do Largo com o mesmo nome e para aqui trazido em meados da década de 50 do mesmo ano.
Li noutro documento, algures,... para que o povo perdesse o hábito de chamar a Fonte do Olho do C..., no Largo do Laranjal a Câmara mandou erigir um Chafariz com o material que restou da demolição do de S. Domingos a que foi dado o nome de Chafariz do Laranjal.
Não é grave sabermos ao certo a localização, mas eu gosto de saber. Surge outro caminho duvidoso.
A foto é do Alvão, sem dúvidas. Este viveu entre 1872 e 1946. Fico intrigado por não ver a Fonte ou Chafariz do Laranjal/S.Domingos na foto, pois ela deve ser de finais do século XIX princípios do séc. XX. O palacete de D. Antónia Ferreira, ao fundo já existia e a sua construção foi iniciada em 1840. O
Chafariz veio para aqui cerca de 20 anos depois. Mas veio mesmo ?
Porto - Egreja da Trindade I. Newton / A.«O Occidente», 9, 1886, p. 252 
«Segundo uma photographia de E. Biel».
Fotos recolhidas em http://monumentosdesaparecidos.blogspot.pt/

O Chafariz está mais ou menos a uma dúzia de metros da escadaria da Igreja. Teria sido montado primitivamente noutro local ?
Ora bem, estamos na encruzilhada a coçar a cabeça.

Vi uma foto no espaço http://gisaweb.cm-porto.pt/ (Arquivo Municipal do Porto) impossível de mostrar por incapacidade minha de transformar o formato pdf em jpeg. Essa foto tem a legenda Largo do Laranjal e Cancela Velha. É do Editor Tabacaria Rodrigues, do Porto, de 1910.
Mas no blogue amigo http://portoarc.blogspot.pt/ encontrei uma foto muito parecida, acima publicada. O meu amigo Rui Cunha, no texto, começa por descrever a velha Fonte do Olho do C... tal qual já referi antes. Mas continua:  Em meados do séc. XIX, contudo, já não se lobrigavam vestígios desta Fonte.
O Chafariz do Laranjal esteve primeiramente no Largo de S. Domingos, foi modificado e colocado no Laranjal em  Fevereiro de 1854 e passou a receber água do Manancial de Camões. Foi desmontado em 1916 quando da abertura da Avenida dos Aliados. Em 1943 foi reconstruído nos Jardins dos SMAS (Águas do Porto, Nova Sintra). Está actualmente no Largo da Trindade. 

Assim sendo, parece-me que esta encruzilhada da Fonte/Chafariz S. Domingos/Laranjal já não me parece um bicho de sete cabeças.

Sigamos em frente por novo caminho aberto, mas também com encruzilhadas. Continua a não ser nada de grave , mas complicam-me a mioleira as encruzilhadas.

A Praça da Liberdade, entre outras toponímias, foi as Hortas do Bispo, Praça Nova, Praça da Constituição, voltou a Praça Nova, de D. Pedro, Praça da República (por 14 dias), e a partir de 27 de Outubro de 1910 ficou com a toponímia actual.

Não sei porque razão a minha avó lhe chamava Praça Nova. Presumo que gostava do nome antigo embora no tempo dela já se chamasse de D. Pedro. Pudera eu saber o que sei hoje e fazer-lhe muitas perguntas. Ela nasceu em meados/finais da década de 80 do séc. XIX. É a vida.
Mas adiante.

Nestas Hortas e/ou Praças, existiram Fontes. Um delas Chamada Fonte da Arca também conhecida por da Natividade. Encontrava-se encostada à Muralha Fernandina, entre a Porta de Carros (mais ou menos em frente da Igreja dos Congregados) e o Postigo de Santo Elói (mais ou menos onde está o Largo dos Lóios. Talvez junto onde é hoje o Palácio (Hotel) das Cardosas. A primeira parte foi inaugurada em 1608 com o frontispício brulesco.  Lo Primeiro mandò derrobar una torre de la Muralha que alli pendia sobre la fuente y espacio de las escaleras para Coger el Agoa. Y se dispuso de suerte la fachada que lo que antes eran tres fuentes se hiseron quatro, que escupen el agua por los Rostos de quatro Seluages com sus caños de Bronse... Fundada no anno de mil seiscentos e outenta e dous pello semnado da camera.
E no lugar mais supremo da dita fonte que hé de maravilhoza architectura e grandeza a coroa hua imagem da Senhora da Natividade.

Ora bem, a minha fonte (estrada) - de reconhecimentos -  continua a ser o Prof. Diogo Teixeira no seu Mestrado e por várias razões. Refere que não se sabe quando a Fonte foi demolida. mas que ainda exisitia em 1886. E que existem alguns elementos que estão no Jardim do Palácio de Cristal.

Presumo que este ano de 1886 deve ser erro de dactilografia. Camilo, nas suas Memórias do Cárcere, quando recebe o bilhete informando-o que a Polícia anda atrás dele para o prender, escreve,... Em uma risonha tarde de maio de 1860 chilreavam as aves o seu hymno crepuscular e de despedida ao formoso sol d'aquelle dia. Os coretos dos alados cantores eram as amoreiras e acacias floridas da praça de D. Pedro, as quaes vaporavam de suas urnas de branco e roza aromas suavissimos. Por entre o arvoredo se andavam passeando e deliciando os amantes da natureza; e ella, d'elles namorada, parecia guardar-lhes para a noite os seus enfeites de mais primor, como fina amante, que mais se poetisa e doura, e enternece ao pallido luzir das estrellas...  não referindo a Fonte, o que seria normal se ela existisse.
Arranjo com elementos decorativos da fonte da Arca (COUTINHO, Bernardo Xavier – Fontes e chafarizes do Porto
(Bernardo Xavier Coutinho - Sernancelhe, 12.Junho.1909-Porto, 3.Maio.1987, historiador Português, Membro da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História)  

Vamos por agora referir-nos apenas ao frontão. A foto abaixo, no Jardins do Palácio de Cristal, mais concretamente no Roseiral, parece não deixar dúvidas de ser o mesmo reproduzido no desenho acima.
No entanto o Prof. Germano Silva diz que este elemento foi mandado construir para o frontispício da Câmara que funcionou desde 1819 na Praça de D.Pedro (na altura seria ainda Praça Nova) e custou 400 mil reis, pagos em 4 prestações ao pedreiro Manuel Luíz. - ver e ouvir o vídeo em http://www.jn.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=3597233
A foto é do século XX pois a Praça Nova já se chamava de D. Pedro. Vê-se perfeitamente o frontal, encimado pela Estátua do Porto.
Só por curiosidade, a Praça actualmente e chamada da Liberdade.

Agora outro tema, que tem a ver com o segundo desenho, o das Carrancas.
Desenho de Joaquim Villanova de 1833

Essa Fonte, mais conhecida como Chafariz da Praça Nova foi construída entre 1794 e 1797. O local não era o mesmo da Fonte da Arca, mas não andaria longe. Talvez onde está o Banco de Portugal. Creio que foi em 1834, D. Pedro IV mandou destruir a Fonte para que se alargasse a Praça.
Esse chafariz criou várias polémicas, mas na sua construção, lê-se que... .Este chafariz era constituído por um tanque de grandes dimensões, com as paredes côncavas, e um grande espaldar dividido por pilastras a formar cinco panos e arrematado por sete urnas. Cada um dos panos continha uma carranca com bicas de bronze que jorravam água para o tanque
A minha encruzilhada é, se as duas Fontes-Carrancas que estão nos Jardins do Palácio de Cristal (uma delas na foto acima), a qual das duas Fontes pertenceram. Segundo o professor Diogo Teixeira, são da Fonte da Arca. Se sim, uma maravilha com 350 anos. Se não, uma maravilha com 250. Mais ano, menos ano.
Como penso, não é nada de grave e nesta encruzilhada o importante é que estes elementos fazem parte do património da Cidade do Porto e compõem  num espaço cenográfico lindo. Mas que dá prazer ver e tocar-lhes, pensando na sua antiguidade, isso não nego.

Neste meu caminho das Fontes e Chafarizes, estou numa nova encruzilhada e esta parece-me mesmo grave. Já vos explico caros leitores e leitoras o problema da encruzilhada.

Comecemos pela foto do Monumento Nacional, o Chafariz do Passeio Alegre, em S. João da Foz, publicado assim mesmo no Diário do Governo nº 136 de 23.Junho.1910., página 2166. Não tem mais qualquer referência.
Segundo todas as narrativas histórias, o Chafariz que se encontra no Jardim do Passeio Alegre e que deve ter vindo para cá entre os anos 80 e 90 do séc. XIX, foi construído no claustro do Convento de S. Francisco, do qual apenas existe a Igreja, Monumento Nacional.
Agostinho Rebelo da Costa escreveu em 1788..."O convento... com um magnífico e extenso claustro em quadra, rodeado e elevados arcos de esquadria e no meio um grande chafariz que lança perenes jorros de água pública e patente a todos os que quizerem aproveitar-se dela" (in Clube UNESCO da Cidade do Porto).

As minhas dúvidas sobre este Chafariz já vêm de longe. Há quem o atribua a Nicolau Nasoni e a sua primitiva localização na Quinta da Prelada.

Uma tarde formatei-me e fui botar o pé numa outra estrada, o Arquivo Histórico da Cidade, na Casa do Infante, e consultar o que poderia haver sobre Nasoni e o Chafariz. Tive duas ajudas, a da senhora bibliotecária de serviço e do meu amigo Jorge Peixoto. Não encontrei nada. E despiolhamos o Robert C. Smith nas duas obras sobre Nasoni e alguns folhetos editados pela Câmara do Porto, aconselhados pela nossa gentil bibliotecária.
Num aparte, vendo vídeos recentes dos Professores Joel Cleto e Germano Silva em passeios recentes neste espaço da Foz e do Jardim, acho estranho que não mostrem nem falem sobre o Chafariz.

Parado na encruzilhada, leio as Notas sobre o enquadramento urbano do Jardim do Passeio Alegre de Manuel Marques de Aguiar (1978 ?) (http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6526.pdf) o qual confirma... é de assinalar o Chafariz, originário do Convento de S. Francisco...

Então perante as dúvidas, que afinal parecem não haver que o Chafariz é de S. Francisco e não da Prelada; e não havendo qualquer referência sobre a sua autoria atribuída a Nasoni; fico admirado quando leio e transcrevo tal-qual em: http://www.igespar.pt/en/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70686/

Projectado pelo arquitecto que mais marcou o barroco portuense, Nicolau Nasoni, O Chafariz que actualmente decora um trecho do Passeio Alegre foi inicialmente concebido para os jardins da Quinta da Prelada, numa solução cenográfica que deveria integrar outros elementos decorativos a acompanhar o monumental chafariz.
No século XX, com a compra da Quinta pela Câmara Municipal do Porto, a obra de Nasoni acabou por ser desarticulada do conjunto onde se inseria, transitando em seguida para o Passeio Alegre, onde actualmente se encontra, seguindo o mesmo percurso dos dois obeliscos também projectados por Nasoni, que se encontram à entrada do passeio.       

Acompanham esta discrição a Bibliografia com o Title "O Grande Porto"; Local Lisboa; Date 1986; Autor: Hélder Pacheco; mais ainda: Title "Guia de Portugal, v.4, t l:Entre Douro e Minho, Douro Litoral"; Local:Lisboa; Date:1983; Autor: Raul Proença

Ai a encruzilhada que parece ter uma galinha preta e restos de cuecas. Primeiro, acho que a Quinta da Prelada nunca foi comprada pela Câmara do Porto. O seu último dono, em princípios do séc. XX, doou-a à Santa Casa da Misericórdia.
Segundo, nas Memórias Paroquiais de Ramalde, da autoria de Francisco Mateus Xavier de Carvalho, nas páginas 602 e 603 e sobre as Fontes e Tanques da Quinta de Dom António de Noronha de Mesquita e Mello, existentes no Lugar da Prelado (?), não se lê qualquer referência ao Chafariz. (pág.240 e seguintes inscritas na tese de Mestrado do Prof. Diogo Teixeira)    
Terceiro, só o Igespar - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, da Secretaria de Estado da Cultura, logo um organismo do Governo de Portugal - refere que o Chafariz é de Nasoni e que esteve na Prelada.
Não consegui encontrar na net o livro Guia de Portugal, de Raul Proença (Caldas da Raínha, 10.Maio.1884 - Porto, 20.Maio.1941), escritor, jornalista, e um dos membros fundadores da Seara Nova.

Pois aqui vos deixo, amigos, nas encruzilhadas das "minhas" Fontes e Chafarizes. Repito que não vem qualquer mal ao mundo. Mas gosto de saber e os organismos do Estado Português deveriam ser os primeiros a serem justos com a História. Ou serão todos os outros que estão enganados ?

Enquanto escrevia estas encruzilhadas a partir de apontamentos que fui guardando, caminhei por outras estradas que me esqueci de registar. Sem elas não teríamos versos e reversos da mesma medalha.

domingo, 23 de março de 2014

184 - Massarelos e a Velha Fonte

Meus queridos leitores e leitoras, conterrâneos e fregueses Massarelenses, cá estou de novo, divulgando a minha (nossa) freguesia de Massarelos.
Se bem se lembram, na postagem anterior estava na beira rio, no meio do nosso tradicional nevoeiro.
Não se iludam só porque algumas fotos estão cheias de luz. Aproveitei-as de um passeio de há mais de 3 anos. E achei-as dignas de figurar neste escrito, porque mostram uma parte da minha-nossa Freguesia recuperada.
Vou para caminhos que nunca percorri. Lá chegarei.
Dos meus arquivos, esta foto da entrada da Rua da Fonte de Massarelos. Acreditem, meus amigos, que a Câmara Municipal não faz qualquer referência a esta Rua e a sua toponímia. Mas que é antiquíssima, não restam dúvidas.
Mas quero relembrar-vos que a minha busca era a Fonte.
Mas como alguém disse ou escreveu, o caminho faz-se caminhando. E caminhando, encontrei uma memória em homenagem ao Senhor dos Navegantes. Massarelos desde tempos imemoriais ligada ao rio e ao mar, as suas gentes criaram esta memória provavelmente em 1732. Reconstruída em 1907 com obras que incidiram sobre a cobertura, os azulejos e as grades em ferro. A manutenção é feita pelos moradores. Bem, os azulejos não os vi.  
 Vamos prosseguindo pela estreita Rua da Fonte de Massarelos e olhar os seus edifícios.
Estes belos dálmatas - será que são ? - vieram olhar-me e o seu rosnar foi entre o cumprimento e o não te atrevas. Se bem entendo a linguagem canídea.
 Logo à frente deparou-se-me a velha Fonte que procurava.
Mas deixem-me contar uma coisa antes de a descrever. No início da Rua da Fonte de Massarelos, perguntei a um habitante que vinha de comprar o seu pão, onde ficava a Fonte. Acreditem, caros leitores, o senhor disse-me que só havia uma fonte, antiga, e estava logo ali. Não conhecia outra, que andou alguém ligado à Junta de Freguesia há pouco tempo por ali a bisbilhotar, não sabia nada. Foram estas as suas palavras, mais ou menos.
Ora o que o amigo de ocasião me descreveu era um fontanário em ferro, como há ainda alguns espalhados pela cidade, fabricados pela fundição de Massarelos, a partir da primeira década do século passado. Quero com isto dizer que mesmo ao pé da porta não conhecemos o nosso património colectivo.

Ora a nossa Fonte da Rua de Massarelos é uma construção edificada provavelmente em 1637, pois a sua obra foi adjudicada em Janeiro desse ano ao pedreiro Jorge Mendes por 18$000 réis, tendo a cidade fornecido a cal. Naquela altura, a rua deveria chamar-se de Rua da Fonte das Bicas de Massarelos.
Tem incorporados lavadouros públicos de construção recente, mas mantendo a tradição primitiva. Alguém escreveu (parece que um Noronha em 1885) é um manancial abundante, fornece uma fonte com duas caieiras na Rua das Bicas em Massarelos, a mina é aberta em uma propriedade adjacente (do Barão de Massarelos, outro Van Zeller que não terá nada a ver com o Conde de Vilar já antes referido) onde corre a água para tanques próprios para lavagem. 
Para a frente o desconhecido. 
É a Rua do Casal do Pedro, bifurcando à frente com a Rua dos Moínhos. Talvez um dia faça um passeio com muita subida. O que não me agrada.
Na esquina fica uma das "sociedades" tão comuns na cidade do Porto, fundada nos anos 50 do séc. XX. Descobri isso por mera casualidade num blogue cujo autor desconheço mas é de pessoa ligada à música (conjunto musical Tomaoks) e amiga do saudoso Pedro Osório. Lembraste deles, camarada Vilaça ?
A Rua tomou o nome de Casal do Pedro em 1745 a partir de um lugar com o mesmo nome referido já em 1694, mas cuja origem toponímica se desconhece.
Regressamos pelo mesmo caminho, isto é pela Rua da Fonte de Massarelos.  
 E uma nova descoberta. Alminhas de tradição antiquíssima, também ligada aos navegantes. É o Senhor dos Aflitos. Ou será do Senhor Corpo Santo de Massarelos ?  No JN, o Professor Germano Silva/JN/vídeos  e a fotógrafa Joana Bougard/JN em http://www.jn.pt/live/Programas/default.aspx?content_id=3262424&seccao=Passeios, têm de se entenderem para não nos confundirem. 
Escadas e labirintos que nos levam para caminhos também antigos: Por exemplo ao Campo de Rou, que talvez queira dizer descanso. Lembretes do séc. XVII.
A Rua do Outeiro. Que é como se não existisse, a não ser para os seus moradores.
Mas está marcada uma visita por estes trilhos com o meu amigo Manuel Cibrão, um velho habitante da zona. Vai-me mostrá-los e contar histórias. 
A foto acima é da tal passeata de há uns anos. O Sol é de Agosto e marcou o términos de uma viagem-passeio por um dos Caminhos do Romântico. A descer, pois claro, por Entre Quintas. Mas isso são outras histórias.
Estou de novo na Alameda Basílio Teles, aberta no século XIX com o nome de Alameda de Massarelos. Mas muito antes foi a Rua dos Banhos ou Banhos de Massarelos.
Um apontamento de passagem, sobre este lugar. No séc. XIII existiam aqui salinas, as quais motivaram uma intervenção do Rei D. Dinis que por alvará régio de 1280 confirma ao Prior de Cedofeita o privilégio do seu couto tirar o sal das marinhas de Massarelos. 
No princípio do séc. XX já os eléctricos - americanos -  passavam na Alameda. Outra história para breve. Prometo.

Caminho um pouco no sentido do Largo de Massarelos, é obrigatório olhar a Rua da Restauração e lá no alto, escondidos pela neblina, estão os Jardins do Palácio de Cristal. 
No largo de Massarelos encontramos o velho Chafariz com o seu nome, mandado edificar pela Câmara em 1805 e restaurado em 1944. Servia não só a população como para dar de beber aos animais. Muitas Fontes e Chafarizes da Cidade tinham esta dupla função. Velhos são também os álamos que marcam este largo.
Porque já se fazia tarde e era preciso meter umas coisitas para dentro do organismo, apanhei o autocarro 500 que me deixou bem perto da Adega do Olho e matar as saudades das suas famosas Tripas da Quinta-Feira. Passando o autocarro pelo novo, relativamente, viaduto deu para mostrar o chamado Cais das Pedras. Ou uma parte dele.

Massarelos é ou foi uma freguesia que actualmente faz parte da associação (acho que é assim que se chama) das freguesias de Lordelo-Massarelos.
A sua história é bem antiga vinda pelo menos desde o tempo da nacionalidade. Vamos continuar a conhecê-la. Até breve. 

terça-feira, 18 de março de 2014

183 - Massarelos. Do Bom Sucesso ao Rio




terça-feira, 18 de Março de 2014


183 - Massarelos. Do Bom Sucesso ao Rio

No episódio referente à primeira etapa, escrevi que trazia na cabeça um plano mais ou menos definido para um passeio por Massarelos. Esta parte foi cumprida e vamos à segunda, mas devo dizer-vos, caros leitores e leitoras, por desconhecimento, houve alterações de última da hora. Mas nada inultrapassável.
Vamos deixar o lugar do Bom Sucesso tal como o conhecemos actualmente e descer a Rua com o mesmo nome.
Não esqueçamos que toda esta zona era um arrabalde da Cidade e foi transformada em quintas de recreio, principalmente a partir do séc. XVIII e cujos proprietários foram maioritariamente os ingleses do Vinho do Porto. Era conhecida como a Cidade dos Ingleses, segundo o nosso historiador, Prof. Germano Silva.
Chegamos ao cruzamento com a Rua do Campo Alegre e à direita encontramos a antiga Casa de Vilar ou dos Kopke Van Zeller, grande quinta da família do primeiro Conde de Vilar, Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840)
Uma obra prima do trabalho em ferro.
O terreno foi sendo reduzido em sucessivas vendas de lotes e o restante, bem como a casa, vendidos em 1984 à Congregação das Religiosas do Amor de Deus, a quem já estavam arrendados desde 1939.
 Um balcão do lado da Rua do Bom Sucesso.
Actualmente a propriedade vem até à Rua da Raínha D. Estefânia e os edifícios estão dentro da mesma. Não sei se são instalações do Colégio. Nas minhas costas, está a Rua da Piedade.
Para a esquerda é a Rua de Vilar, o Seminário e a Quinta de Vilar de Cima ou do Castanheiro. Já documentada no séc. XVII, emprazada à família Pacheco Pereira por 300 anos. Serão outros caminhos para novo passeio.
No meu programa estavam incluídas tentativas de descobertas de umas "coisitas" que têm a ver com água. Lá chegarei. E começou com uma descoberta que como tal, não conhecia: Uma fonte à entrada, digamos assim, da Rua de Vilar.
A Fonte de Vilar. Não consegui referências dela e curiosamente o nosso Historiador, o Professor Germano Silva, não a refere no seu escrito O Rio e as Azenhas de Vilar publicado no JN em Novembro de 2009.
Passamos por detrás da Fonte e descobri uma rua pequena sem saída. 

Recuei e entre dois edifícios, descobri um miradouro onde mesmo com o dia enevoado podemos ver o Vale de Massarelos com a Rua de D. Pedro V à direita. Ao fundo estão umas ruínas industriais, que presumo terem sido de antigas fundições.
Uma das razões do meu passeio era descobrir a Rua dos Moinhos e a Fonte do Caco. 
A Rua dos Moínhos é um topónimo antigo e o seu nome é derivado aos moínhos que existiam ao longo do Rio de Vilar (um encontro de águas no local mais ou menos onde se situa a Escola Infante D. Henrique, agora um fio de água que ainda corre a céu aberto) e conhecidas como Azenhas de Vilar. 
Nada nos informa se a Rua é ao lado esquerdo da foto, um caminho pelo meio dos terrenos ou aquele pequeno caminho do lado direito. 
Sensivelmente a meio da foto vê-se uma casa que até poderá ser a reconstrução de um desses moinhos antigos. Em 1758 havia nove a funcionar e mais antiga referência que se conhece é de 1559 à Azenha do Moreira do Casal. (Prof. Germano Silva)
Como não há saídas é preciso voltar à Rua de D. Pedro V que começa a descer para o Rio Douro.
Presumo que foi aberta em 1883 e o seu nome anterior foi de Lugar das Azenhas de Vilar. Mas também Rua do Bispo em 1933. Coisas que a Câmara Municipal informa, ou talvez desinforme nos seus vários roteiros da Cidade.
Muros altos graníticos em quási todo o lado direito. Do lado esquerdo o que resta do Vale de Vilar ou de Massarelos.
Vamos então descê-la e entre os dois lados da Rua da Pena, à direita, duas belas casas.
Não posso saber tudo, mas sei que aqui existiu a Quinta da Pena. Se estou certo, a casa - qual delas ? - é de 1885 mandada construir pelo Dr. Augusto Ferreira Novais em terrenos de família. Juntamente com a Quinta de Pacheco Pereira, na encosta em frente, dividiam entre si o Vale.
As informações camarárias no Roteiro de Massarelos não são precisas. Há a Rua da Pena, a dividir as duas casas e terrenos.

Para trás ficam as edificações características desta zona.
Descendo a Rua, espreitamos o local onde se encontra a Fonte do Caco, assim chamada porque primitivamente tinha um caco a fazer de bica para a água cair nos tanques. Esse caco poderia ser uma telha redonda, ou algo parecido.
A sua construção é do século XVIII e foi restaurada em 1899. 
Um grande zoom, permite-nos ver muito mal a Fonte do lado esquerdo, os tanques e o Rio. Estão colocados sob o muro de sustentação da Rua de Vilar cujo vão foi aberto em 1909 para albergar os lavadouros públicos. 
Não desci o caminho para ver a Fonte de perto, porque encostados ao paredão um grupo de estudantes de capa e batina encontrava-se lá e não quis interromper os seus rituais. Até porque um pau com uma careta espetada "marcava" o limite.

 Um olhar para as hortas ao longo do vale.

Do outro lado, os muros graníticos do Monte da Pena. Pela Viela do Picoto, vamos dar à Rua da Pena onde há alguns anos os instruendos da condução automóvel iam treinar. Ao alto as traseiras da Faculdade de Letras. Adoçada ao muro vamos encontrar outra Fonte.
É a Fonte da Rua de D. Pedro V construída em 1884 para aproveitar a abundância das águas da zona.
Numa grande parte da Rua de D. Pedro V, onde não há edifícios e muros, existiram durante anos vedações em chapa que nos escondiam o vale. Escrevi há cerca de 2 anos e meio que achava um perigo, pois com um encosto mais forte sofreríamos uma queda de muitos metros. Reparei agora que em vez da chapa estão arames e há aberturas de "portões" sinal que vão haver obras. Por entre os arames podemos ver as hortas e o alto de Vilar. 
Entre os telhados do primeiro plano e a casa alta, presumo que seja a Rua dos Moinhos.
A D. Pedro V olhada de baixo para cima. À esquerda são residências estudantis. Bem próximo, há as Faculdades de Letras e de Arquitectura, esta um pouco mais longe.
A dois terços da descida, encontramos uma rua industrial cujo nome homenageia um dos mais honestos militares da Revolução de 25 de Abril: Capitão Salgueiro Maia.
Muito ao longe temos Gólgota e as ruínas da Capela que deve ter pertencido à Quinta. Nos seus terrenos está implantada desde 1983 a Faculdade de Arquitectura. Cá está um tema para novos passeios.
Finalmente chegamos ao Rio e verifica-se que o antigo edifício do Frigorífico do Peixe e Lota do Pescado está a ser restaurado. No futuro será mais um hotel. Foi após o 25 de Abril centro de dia da terceira idade e creche, dirigidos pela Associação de Moradores de Massarelos.
Estava já muitíssimo degradado. Não sei se esta Associação tem novas instalações.
Construído entre 1930 e 34, possuía os métodos mais inovadores da conservação e refrigeração do pescado. As instalações frigoríficas eram ligadas ao cais, julgo que era o do Bicalho ou uma sua extensão, por um túnel.

No exterior, baixos-relevos com motivos alusivos à vida piscatória. Espero que sejam recuperadas.

Do outro lado está o actual Museu do Carro Eléctrico, aberto em 1992, instalado na antiga central termo-eléctrica de Massarelos.
Tema para outra viagem. 
Junto ao Rio Douro a neblina mantinha-se o que nem nos permitia ver a Ponte da Arrábida. 
E aqui termina mais uma etapa, que não o passeio da manhã e novas descobertas por Massarelos me aconteceram.
Vamos deixar o lugar do Bom Sucesso tal como o conhecemos actualmente e descer a Rua com o mesmo nome.
Não esqueçamos que toda esta zona era um arrabalde da Cidade e foi transformada em quintas de recreio, principalmente a partir do séc. XVIII e cujos proprietários foram maioritariamente os ingleses do Vinho do Porto. Era conhecida como a Cidade dos Ingleses, segundo o nosso historiador, Prof. Germano Silva.
Chegamos ao cruzamento com a Rua do Campo Alegre e à direita encontramos a antiga Casa de Vilar ou dos Kopke Van Zeller, grande quinta da família do primeiro Conde de Vilar, Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840)
Uma obra prima do trabalho em ferro.
O terreno foi sendo reduzido em sucessivas vendas de lotes e o restante, bem como a casa, vendidos em 1984 à Congregação das Religiosas do Amor de Deus, a quem já estavam arrendados desde 1939.
 Um balcão do lado da Rua do Bom Sucesso.
Actualmente a propriedade vem até à Rua da Raínha D. Estefânia e os edifícios estão dentro da mesma. Não sei se são instalações do Colégio. Nas minhas costas, está a Rua da Piedade.
Para a esquerda é a Rua de Vilar, o Seminário e a Quinta de Vilar de Cima ou do Castanheiro. Já documentada no séc. XVII, emprazada à família Pacheco Pereira por 300 anos. Serão outros caminhos para novo passeio.
No meu programa estavam incluídas tentativas de descobertas de umas "coisitas" que têm a ver com água. Lá chegarei. E começou com uma descoberta que como tal, não conhecia: Uma fonte à entrada, digamos assim, da Rua de Vilar.
A Fonte de Vilar. Não consegui referências dela e curiosamente o nosso Historiador, o Professor Germano Silva, não a refere no seu escrito O Rio e as Azenhas de Vilar publicado no JN em Novembro de 2009.
Passamos por detrás da Fonte e descobri uma rua pequena sem saída. 

Recuei e entre dois edifícios, descobri um miradouro onde mesmo com o dia enevoado podemos ver o Vale de Massarelos com a Rua de D. Pedro V à direita. Ao fundo estão umas ruínas industriais, que presumo terem sido de antigas fundições.
Uma das razões do meu passeio era descobrir a Rua dos Moinhos e a Fonte do Caco. 
A Rua dos Moínhos é um topónimo antigo e o seu nome é derivado aos moínhos que existiam ao longo do Rio de Vilar (um encontro de águas no local mais ou menos onde se situa a Escola Infante D. Henrique, agora um fio de água que ainda corre a céu aberto) e conhecidas como Azenhas de Vilar. 
Nada nos informa se a Rua é ao lado esquerdo da foto, um caminho pelo meio dos terrenos ou aquele pequeno caminho do lado direito. 
Sensivelmente a meio da foto vê-se uma casa que até poderá ser a reconstrução de um desses moinhos antigos. Em 1758 havia nove a funcionar e mais antiga referência que se conhece é de 1559 à Azenha do Moreira do Casal. (Prof. Germano Silva)
Como não há saídas é preciso voltar à Rua de D. Pedro V que começa a descer para o Rio Douro.
Presumo que foi aberta em 1883 e o seu nome anterior foi de Lugar das Azenhas de Vilar. Mas também Rua do Bispo em 1933. Coisas que a Câmara Municipal informa, ou talvez desinforme nos seus vários roteiros da Cidade.
Muros altos graníticos em quási todo o lado direito. Do lado esquerdo o que resta do Vale de Vilar ou de Massarelos.
Vamos então descê-la e entre os dois lados da Rua da Pena, à direita, duas belas casas.
Não posso saber tudo, mas sei que aqui existiu a Quinta da Pena. Se estou certo, a casa - qual delas ? - é de 1885 mandada construir pelo Dr. Augusto Ferreira Novais em terrenos de família. Juntamente com a Quinta de Pacheco Pereira, na encosta em frente, dividiam entre si o Vale.
As informações camarárias no Roteiro de Massarelos não são precisas. Há a Rua da Pena, a dividir as duas casas e terrenos.

Para trás ficam as edificações características desta zona.
Descendo a Rua, espreitamos o local onde se encontra a Fonte do Caco, assim chamada porque primitivamente tinha um caco a fazer de bica para a água cair nos tanques. Esse caco poderia ser uma telha redonda, ou algo parecido.
A sua construção é do século XVIII e foi restaurada em 1899. 
Um grande zoom, permite-nos ver muito mal a Fonte do lado esquerdo, os tanques e o Rio. Estão colocados sob o muro de sustentação da Rua de Vilar cujo vão foi aberto em 1909 para albergar os lavadouros públicos. 
Não desci o caminho para ver a Fonte de perto, porque encostados ao paredão um grupo de estudantes de capa e batina encontrava-se lá e não quis interromper os seus rituais. Até porque um pau com uma careta espetada "marcava" o limite.

 Um olhar para as hortas ao longo do vale.

Do outro lado, os muros graníticos do Monte da Pena. Pela Viela do Picoto, vamos dar à Rua da Pena onde há alguns anos os instruendos da condução automóvel iam treinar. Ao alto as traseiras da Faculdade de Letras. Adoçada ao muro vamos encontrar outra Fonte.
É a Fonte da Rua de D. Pedro V construída em 1884 para aproveitar a abundância das águas da zona.
Numa grande parte da Rua de D. Pedro V, onde não há edifícios e muros, existiram durante anos vedações em chapa que nos escondiam o vale. Escrevi há cerca de 2 anos e meio que achava um perigo, pois com um encosto mais forte sofreríamos uma queda de muitos metros. Reparei agora que em vez da chapa estão arames e há aberturas de "portões" sinal que vão haver obras. Por entre os arames podemos ver as hortas e o alto de Vilar. 
Entre os telhados do primeiro plano e a casa alta, presumo que seja a Rua dos Moinhos.
A D. Pedro V olhada de baixo para cima. À esquerda são residências estudantis. Bem próximo, há as Faculdades de Letras e de Arquitectura, esta um pouco mais longe.
A dois terços da descida, encontramos uma rua industrial cujo nome homenageia um dos mais honestos militares da Revolução de 25 de Abril: Capitão Salgueiro Maia.
Muito ao longe temos Gólgota e as ruínas da Capela que deve ter pertencido à Quinta. Nos seus terrenos está implantada desde 1983 a Faculdade de Arquitectura. Cá está um tema para novos passeios.
Finalmente chegamos ao Rio e verifica-se que o antigo edifício do Frigorífico do Peixe e Lota do Pescado está a ser restaurado. No futuro será mais um hotel. Foi após o 25 de Abril centro de dia da terceira idade e creche, dirigidos pela Associação de Moradores de Massarelos.
Estava já muitíssimo degradado. Não sei se esta Associação tem novas instalações.
Construído entre 1930 e 34, possuía os métodos mais inovadores da conservação e refrigeração do pescado. As instalações frigoríficas eram ligadas ao cais, julgo que era o do Bicalho ou uma sua extensão, por um túnel.

No exterior, baixos-relevos com motivos alusivos à vida piscatória. Espero que sejam recuperadas.

Do outro lado está o actual Museu do Carro Eléctrico, aberto em 1992, instalado na antiga central termo-eléctrica de Massarelos.
Tema para outra viagem. 
Junto ao Rio Douro a neblina mantinha-se o que nem nos permitia ver a Ponte da Arrábida. 
E aqui termina mais uma etapa, que não o passeio da manhã e novas descobertas por Massarelos me aconteceram.