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quinta-feira, 3 de abril de 2014

185 - A Cidade do Porto e o Carro Eléctrico

Na saga dos meus passeios por Massarelos, lembrei-me do Carro Eléctrico. Já em tempos fiz um trabalho que distribui pelos amigos e correspondentes, mas sabe-me bem voltar a  recordar tempos antigos e da utilização deste transporte. E juntando as coisas, entre recordações e história, resolvi dedicar umas linhas ao "Bicho".
Há uns 6 anos e tal, fui visitar o Museu do Eléctrico em Massarelos. Ainda não tinha entrado na "melhor idade" mas já me fazia passar por ela. Vícios antigos. Então a entrada era grátis para os jovens-velhos. Nem me pediram a identificação. A coisa piou mais fino, quando poucos anos depois, convidei o amigo Jorge Peixoto para uma visita e ambos tínhamos alcançado a dita cuja melhor idade. Já não havia descontos e o custo do bilhete de entrada eram 4 euros. Ora, para ver os eléctricos vejo-os na rua e é de borla, disse o Peixoto zangado. Eu também, claro.
Como uma aparição, chegou junto aos dois "vampiros" que nos queriam sugar os euros, uma senhora que além de permitir a entrada, nos acompanhou na visita, durante algum tempo.
Esta história dá para começar com a dos transportes que hão-de ser "eléctricos", mas primeiro tivemos o carroção, puxado por uma junta de bois. E o nosso querido Camilo lá mandou uma farpa à Eça.

Entre politiquice e concessões, em 15 de Maio de 1872 a Companhia Carril Americano do Porto à Foz e Matosinhos inaugura um serviço de Transportes e Passageiros. Com serviços de Socorro, que presumo seriam de manutenção. Francamente, não imagino se os serviços de socorro incluíam levar a palha aos burros. Desculpem a brincadeira, meus amigos e amigas, mas quási a século e meio de distância não consigo imaginar o socorro com uma "máquina" destas. Mas naquele tempo parece que tudo se previa.
Adiante e vamos ao carro de socorro, que se escrevia SOCCORO... Se me explicarem porquê, agradeço.
E com um cartolinha no alto. Ver a imagem abaixo.

Em 27 de Maio de 1873, a Câmara atribui a concessão de se estabelecer o caminho de ferro pelo Sistema Americano pelas ruas da cidade. Surgiu uma segunda empresa com o nome Companhia Carris de Ferro do Porto
Em 27 de Junho de 1878, a Câmara autoriza provisoriamente a tracção a vapor às duas companhias. A companhia do Carril Americano, ficou a ser conhecida pela Companhia de Baixo com central no Ouro.
O percurso passou a ser desde Miragaia (da Porta Nobre ou Nova) até à Foz, prolongada até Matosinhos. A foto superior direita mostra-nos uma locomotiva a vapor, provavelmente entre 1878 e 1880.
A Remise da Boavista, demolida na década de 90 do século passado 
e em cujos terrenos se edificou a Casa da Música.
A Companhia Carris de Ferro, conhecida com a Companhia de Cima, tinha as suas instalações na Boavista. A primeira linha foi entre a Praça de Carlos Alberto até Cadouços, próximo da Foz do Douro, embora a linha tenha sido aumentada
Na Rua de Cadouços, creio que ainda existe um pequeno edifício onde esteve instalada a estação terminal. 
Ambas as fotos, tanto em Massarelos como na Boavista não têm nada a ver com esse período histórico. Mas são como uma espécie de orientação para os meus queridos leitores e leitoras desde aquela época até aos nossos dias.
Em 1893 as duas companhias fundiram-se

O edifício das antigas instalações de Massarelos-Ouro inauguradas em 1915. Para aqui vinha o carvão das Minas de S. Pedro da Cova para a produção da energia termo-eléctrica. Actualmente no edifício da esquerda está o Museu do Carro Eléctrico. No da direita é a recolha.

A primeira linha de tracção eléctrica da Península Ibérica surgiu no Porto em 1895. Fazia a ligação de Massarelos ao Carmo pela Rua da Restauração. Nas fotos a mesma linha actualmente.

Por muitas razões que não vêm ao caso, a Câmara do Porto toma conta da Carris, criando os Serviços de Transportes Colectivos do Porto e que desde 1994 passaram a Sociedade em vez de Serviços. Deu no que deu.
A rede tem a sua maior expansão no ano de 1958 e servia, para além do Porto, alguns lugares dos concelhos de Gondomar, Valongo, Gaia, Matosinhos, Maia, num total de 83.897 quilómetros.
Possuíam os Serviços 192 carros motores, 20 carros atrelados e 31 zorras motoras.

Início-términus da Linha 1 - Infante-Passeio Alegre.
O Eléctrico e a Igreja do Convento de S. Francisco. 
Foto obtida ainda com a minha máquina de rolo
Progressivamente o eléctrico foi sendo substituído por autocarros, posteriormente também por trólei-carros (levantou-se nesse período o problema de que a rede de Gaia dos carros eléctricos estaria a causar efeitos negativos na Ponte D. Luíz) de um e dois pisos mas pouco tempo, relativamente, duraram, regressando os autocarros às linhas que serviam tanto os eléctricos como os posteriores autocarros.
Espero que percebam bem as substituições: Eléctricos, autocarros, trólei-carros, autocarros.Até aos dias de hoje. 
As últimas linhas de eléctricos a desaparecer foram três: 1, Infante-Matosinhos; 18, Boavista-Carmo via marginal; 19, Boavista-Matosinhos. Aconteceu na última metade da década de 80.

Por altura da preparação do Porto, Capital Europeia da Cultura 2001, foram projectadas reaberturas de algumas linhas, até para reduzir o transito automóvel no Centro da Cidade. Essencialmente a parte turística era tida em conta. Tudo corria bem, o Porto pensava e a obra fêz-se, até Rui Rio se tornar Presidente da Câmara.
Abriram-se apenas duas linhas: Infante-Passeio Alegre e Carmo-Massarelos. Por muita pressão, Rui Rio concedeu a abrir uma nova linha: Carmo-Batalha, o que aconteceu em Setembro de 2007, se a memória não me falha. Encheu-se de vaidade pelo feito. E a pensar no Metro a passar pela sua porta. Até hoje é tudo 00000.

A antiga e a actual Alameda de Massarelos, hoje Alameda Basílio Teles. Muito antes teve a topónimo de Alameda dos Banhos de Massarelos.

O Eléctrico e a Cidade, actualmente
A linha Carmo-Batalha subindo a Rua 31 de Janeiro. A foto superior esquerda é do dia da inauguração.

 Miragaia Hoje e há uns 60 anos.
Actual Linha Infante-Passeio Alegre

Centro da Cidade. Linha Carmo-Batalha. Os dois extremos nas fotos superiores. Em baixo passagens pela Praça D. João I e Avenida dos Aliados.


Linha Infante-Passeio Alegre, junto à Cantareira. Pela marginal, uma viagem espectacular a não perder.

 Entre a Cantareira e o Jardim do Cálem nas fotos superiores; A inferior esquerda é junto à Ponte da  Arrábida. A inferior direita é a passagem pela Rua de Santa Catarina.

A Praça da Batalha. Ao fundo o Teatro Nacional de S. João, na altura da foto inferior, anunciando um filme de Orson Weles, creio que o Estrangeiro. Em cena uma peça d'Os Comediantes de Lisboa, empresa dos irmãos António Lopes Ribeiro-Francisco Ribeiro (o Ribeirinho) que durou de 1944 a 1950.

Os Gunas. Nome que damos no Porto aos penduras dos eléctricos. Nunca fui guna. Tinha muito medo, principalmente de uma possível tareia em casa se se soubesse. Mas admirava-os, especialmente os de Serpa Pinto que apanhavam o 20 ou o 21 por alturas do Quartel até à Ramada Alta. Antes de entrarem no largo, os que faziam o percurso no estribo da direita, encolhiam-se de tal forma para não baterem com o corpo nas casas que de tão rentes à linha, eram um perigo.
Os cobradores (ou picas, assim chamados no nosso calão) tinham comportamentos diferentes. Uns ficavam na plataforma traseira a enxotar a rapaziada. Outros iam para o meio do eléctrico a fingir que não viam. Nos carros onde o seu lugar era sentado, abriam a portinhola ou batiam com ela para assustar. Mas nunca vi nenhum a agredir qualquer guna. E havia muitos...até já meios homens.
A foto da direita é na Rua José Falcão. A da esquerda está exposta no Museu do Carro Eléctrico e foi tirada, com certeza, em pose. O local será à saída de Entreparedes para a Batalha. Era o 20 ou o 21. Lembro-me daquelas grades junto ao Teatro.

A chamada Foz, para nós portuenses, vai da Foz do Douro (a famosa e perigosa Barra do Douro) até ao Castelo do Queijo e que liga a Matosinhos. São duas as Avenidas que unem este espaço. A do Brasil (foto superior) e a de Montevideu. Na foto inferior o local chamar-se-ia Estrada de Carreiros.Ou já Rua do Castelo do Queijo, actual Avenida de Montevideu,
Uma das praias é a do Molhe que frequentei desde miúdo. Ia com o pai ao sábado à tarde, ou passar um domingo juntamente com a mãe. Apanhávamos o 20 ou 21 até à Boavista e depois, se não erro era o 18 daqui até ao Molhe. Ou também o 2, mas não me lembro de alguma vez ter viajado no "Pipi".

As casualidades acontecem. Nas pesquisas que vou fazendo, encontro imagens magníficas de outros tempos. 60 anos depois, com os companheiros Peixoto e Quintino, no morro da Santa Catarina em Lordelo, faço um boneco parecido em NOV2011, mostrando o actual Largo e Jardim do Calem, que já foi Largo do Ouro. Na velha imagem aparece-nos o inconfundível Pipi. Na nova, lá vai o 1 a caminho do Passeio Alegre. E da Cantareira celebrada pelo Xico Fininho, mais a barra do Douro.

Imagens feitas de dentro do eléctrico da Linha 1-Infante-Passeio Alegre. É a marginal do Douro. A inferior direita já tinha saído no Infante mas foi feita por causa dos restos da neblina.
As fotos não estão colocadas por ordem de passagem.

Quanto estudei na Gomes e no Infante, na Praça da Galiza apanhar o 500 para o Marquês (ou vice-versa) era um luxo. Desenhado e construído nas oficinas dos STCP entre 1951 e 52 foi um protótipo apenas. Raramente saía para circular. Cheio de inovações técnicas e comodidade para passageiros e guarda-freio, nunca foi levado a sério.
O 2 e o 2 com /, (esta pequena diferença do / - traço - indicava o percurso) é o famoso Pipi. Construíram-se uma série não sei de quantos veículos desenhados e construídos também nas oficinas dos Serviços.
Para a rapaziada do meu tempo, o apelido Pipi derivava de transportar o pessoal da Foz, gente de elite. Os Pipis. Mas o nome Pipi original foi dado pelos Serviços.
Pipi é o mesmo que vaidoso, peneirento, brilhantina, dá para tudo. Lembro que havia um jogador do Benfica dos anos 40-50, o Rogério, cognominado Pipi, porque era um vaidoso "penteadinho. Um dia, na Constituição, o Barrigana estragou-lhe o penteado. E a bunda, rabo, cu, enfim, como queiram chamar à parte traseira do corpo humano, abaixo das costas.
O 2 passava também na Praça da Galiza e era recebido com assobios.

Museu do Carro Eléctrico
Em exposição velhas relíquias. 
O Museu foi fundado em 1992 com o objectivo de preservar e divulgar uma vasta colecção de carros eléctricos, atrelados e veículos de mercadorias de inegável valor patrimonial.
Vou reproduzir a história de alguns deles exactamente como está escrito no site do Museu.
100 -  Este carro é uma réplica de um veículo construído na primeira década deste século que ardeu num grande incêndio que deflagrou na estação da Boavista em Fevereiro de 1928. A reconstrução deste carro de acordo com o original realizou-se em 1995.
22 - Adquirido pela Companhia Carris de Ferro do Porto em 1905 à casa Starbuck Car and Wagon Company of Birkenhead, este veículo era inicialmente um carro atrelado. Com o surgimento da tracção eléctrica em 1895, este carro é motorizado e passa a circular como carro eléctrico. Restaurado de acordo com a sua traça original em 1992.
66 - Zorra - Este carro eléctrico com plataformas abertas, vocacionado principalmente para o transporte de carvão, mercadorias e materiais para obras na via foi construído nas oficinas da Companhia Carris de Ferro do Porto em 1915. Por ter as plataformas abertas, em dias de chuva, o guarda-freio tinha que utilizar um grande capote, chapéu de abas largas, botas de borracha e luvas isolantes que o protegessem da água e do contacto com a electricidade.
80 -  Este veículo atrelado destinado ao transporte de peixe foi construído nas oficinas da Companhia Carris de Ferro do Porto no ano de 1932. Este tipo de veículo era utilizado no percurso entre a lota de Matosinhos e os mercados da cidade do Porto, sendo rebocados por carros eléctricos que transportavam as peixeiras.
Carro Torre Hansa-Lloyd (verde) Este veículo automóvel destinado à reparação da linha aérea foi adquirido na Alemanha, em 1929, pela Companhia Carris de Ferro do Porto. Este automóvel permitia uma maior flexibilidade na reparação das vias aéreas proporcionando uma alternativa aos carros eléctricos também utilizados neste tipo de reparações.
Carro Torre Vagão nº49 Este carro eléctrico de reparação da linha aérea foi construído pela Companhia Carris de Ferro do Porto em 1932. Equipado com uma plataforma elevatória manual e com uma pequena oficina destinava-se a efectuar pequenas reparações nas linhas aéreas e nos carros eléctricos que estavam ao serviço na rua.la


Pormenores da zona de "condução" e de dois veículos.
Há cerca de dois anos, a STCP ofertou à Cidade de Santos, do Brasil, dois eléctricos. Presumo que os modelos são os da foto da série 300-315 e foram fabricados nas oficinas da Carris de Ferro entre os anos 1929 e 30. É o Fumista. Nos meses quentes circulava sem janelas e era permitido fumar no seu interior.

Caros amigos, sempre gostei do eléctrico para além das viagens. Muitas histórias tenho passadas neles e com eles.
Foi num eléctrico - da linha 10 - que conversei com o meu irmão sobre o rebentamento das "escaramuças" em Angola. Estávamos a ler a notícia um jornal da tarde e disse-me ele, isso acaba em pouco tempo. Como estava enganado. 
A primeira vez que fui a S. Pedro da Cova e tomar banho a Belói e comer um rojões numa tasca de quem ninguém se lembra (no Ferreira) foi de eléctrico.
O prazer que dava quando o guarda-freio nos permitia ir na plataforma e deixava-nos mudar a agulha.
O salto dos ardinas em andamento era um espectáculo, principalmente o que fazia a Rotunda da Boavista. Ficou famoso o seu salto "para trás".
Foi a saltar em movimento que caí e rasguei no joelho direito as calças do meu fato da comunhão. 
E possuir o passe escolar, era uma vaidade.
Hoje em dia, o eléctrico é mais para turista ver e usar mas é um roubo o custo dos bilhetes. Assim como o da entrada para o Museu. 
 Mas ponham mais linhas a funcionar. Oxalá o novo Presidente da Câmara, Rui Moreira, dê um empurrãozito

domingo, 23 de março de 2014

184 - Massarelos e a Velha Fonte

Meus queridos leitores e leitoras, conterrâneos e fregueses Massarelenses, cá estou de novo, divulgando a minha (nossa) freguesia de Massarelos.
Se bem se lembram, na postagem anterior estava na beira rio, no meio do nosso tradicional nevoeiro.
Não se iludam só porque algumas fotos estão cheias de luz. Aproveitei-as de um passeio de há mais de 3 anos. E achei-as dignas de figurar neste escrito, porque mostram uma parte da minha-nossa Freguesia recuperada.
Vou para caminhos que nunca percorri. Lá chegarei.
Dos meus arquivos, esta foto da entrada da Rua da Fonte de Massarelos. Acreditem, meus amigos, que a Câmara Municipal não faz qualquer referência a esta Rua e a sua toponímia. Mas que é antiquíssima, não restam dúvidas.
Mas quero relembrar-vos que a minha busca era a Fonte.
Mas como alguém disse ou escreveu, o caminho faz-se caminhando. E caminhando, encontrei uma memória em homenagem ao Senhor dos Navegantes. Massarelos desde tempos imemoriais ligada ao rio e ao mar, as suas gentes criaram esta memória provavelmente em 1732. Reconstruída em 1907 com obras que incidiram sobre a cobertura, os azulejos e as grades em ferro. A manutenção é feita pelos moradores. Bem, os azulejos não os vi.  
 Vamos prosseguindo pela estreita Rua da Fonte de Massarelos e olhar os seus edifícios.
Estes belos dálmatas - será que são ? - vieram olhar-me e o seu rosnar foi entre o cumprimento e o não te atrevas. Se bem entendo a linguagem canídea.
 Logo à frente deparou-se-me a velha Fonte que procurava.
Mas deixem-me contar uma coisa antes de a descrever. No início da Rua da Fonte de Massarelos, perguntei a um habitante que vinha de comprar o seu pão, onde ficava a Fonte. Acreditem, caros leitores, o senhor disse-me que só havia uma fonte, antiga, e estava logo ali. Não conhecia outra, que andou alguém ligado à Junta de Freguesia há pouco tempo por ali a bisbilhotar, não sabia nada. Foram estas as suas palavras, mais ou menos.
Ora o que o amigo de ocasião me descreveu era um fontanário em ferro, como há ainda alguns espalhados pela cidade, fabricados pela fundição de Massarelos, a partir da primeira década do século passado. Quero com isto dizer que mesmo ao pé da porta não conhecemos o nosso património colectivo.

Ora a nossa Fonte da Rua de Massarelos é uma construção edificada provavelmente em 1637, pois a sua obra foi adjudicada em Janeiro desse ano ao pedreiro Jorge Mendes por 18$000 réis, tendo a cidade fornecido a cal. Naquela altura, a rua deveria chamar-se de Rua da Fonte das Bicas de Massarelos.
Tem incorporados lavadouros públicos de construção recente, mas mantendo a tradição primitiva. Alguém escreveu (parece que um Noronha em 1885) é um manancial abundante, fornece uma fonte com duas caieiras na Rua das Bicas em Massarelos, a mina é aberta em uma propriedade adjacente (do Barão de Massarelos, outro Van Zeller que não terá nada a ver com o Conde de Vilar já antes referido) onde corre a água para tanques próprios para lavagem. 
Para a frente o desconhecido. 
É a Rua do Casal do Pedro, bifurcando à frente com a Rua dos Moínhos. Talvez um dia faça um passeio com muita subida. O que não me agrada.
Na esquina fica uma das "sociedades" tão comuns na cidade do Porto, fundada nos anos 50 do séc. XX. Descobri isso por mera casualidade num blogue cujo autor desconheço mas é de pessoa ligada à música (conjunto musical Tomaoks) e amiga do saudoso Pedro Osório. Lembraste deles, camarada Vilaça ?
A Rua tomou o nome de Casal do Pedro em 1745 a partir de um lugar com o mesmo nome referido já em 1694, mas cuja origem toponímica se desconhece.
Regressamos pelo mesmo caminho, isto é pela Rua da Fonte de Massarelos.  
 E uma nova descoberta. Alminhas de tradição antiquíssima, também ligada aos navegantes. É o Senhor dos Aflitos. Ou será do Senhor Corpo Santo de Massarelos ?  No JN, o Professor Germano Silva/JN/vídeos  e a fotógrafa Joana Bougard/JN em http://www.jn.pt/live/Programas/default.aspx?content_id=3262424&seccao=Passeios, têm de se entenderem para não nos confundirem. 
Escadas e labirintos que nos levam para caminhos também antigos: Por exemplo ao Campo de Rou, que talvez queira dizer descanso. Lembretes do séc. XVII.
A Rua do Outeiro. Que é como se não existisse, a não ser para os seus moradores.
Mas está marcada uma visita por estes trilhos com o meu amigo Manuel Cibrão, um velho habitante da zona. Vai-me mostrá-los e contar histórias. 
A foto acima é da tal passeata de há uns anos. O Sol é de Agosto e marcou o términos de uma viagem-passeio por um dos Caminhos do Romântico. A descer, pois claro, por Entre Quintas. Mas isso são outras histórias.
Estou de novo na Alameda Basílio Teles, aberta no século XIX com o nome de Alameda de Massarelos. Mas muito antes foi a Rua dos Banhos ou Banhos de Massarelos.
Um apontamento de passagem, sobre este lugar. No séc. XIII existiam aqui salinas, as quais motivaram uma intervenção do Rei D. Dinis que por alvará régio de 1280 confirma ao Prior de Cedofeita o privilégio do seu couto tirar o sal das marinhas de Massarelos. 
No princípio do séc. XX já os eléctricos - americanos -  passavam na Alameda. Outra história para breve. Prometo.

Caminho um pouco no sentido do Largo de Massarelos, é obrigatório olhar a Rua da Restauração e lá no alto, escondidos pela neblina, estão os Jardins do Palácio de Cristal. 
No largo de Massarelos encontramos o velho Chafariz com o seu nome, mandado edificar pela Câmara em 1805 e restaurado em 1944. Servia não só a população como para dar de beber aos animais. Muitas Fontes e Chafarizes da Cidade tinham esta dupla função. Velhos são também os álamos que marcam este largo.
Porque já se fazia tarde e era preciso meter umas coisitas para dentro do organismo, apanhei o autocarro 500 que me deixou bem perto da Adega do Olho e matar as saudades das suas famosas Tripas da Quinta-Feira. Passando o autocarro pelo novo, relativamente, viaduto deu para mostrar o chamado Cais das Pedras. Ou uma parte dele.

Massarelos é ou foi uma freguesia que actualmente faz parte da associação (acho que é assim que se chama) das freguesias de Lordelo-Massarelos.
A sua história é bem antiga vinda pelo menos desde o tempo da nacionalidade. Vamos continuar a conhecê-la. Até breve. 

terça-feira, 18 de março de 2014

183 - Massarelos. Do Bom Sucesso ao Rio




terça-feira, 18 de Março de 2014


183 - Massarelos. Do Bom Sucesso ao Rio

No episódio referente à primeira etapa, escrevi que trazia na cabeça um plano mais ou menos definido para um passeio por Massarelos. Esta parte foi cumprida e vamos à segunda, mas devo dizer-vos, caros leitores e leitoras, por desconhecimento, houve alterações de última da hora. Mas nada inultrapassável.
Vamos deixar o lugar do Bom Sucesso tal como o conhecemos actualmente e descer a Rua com o mesmo nome.
Não esqueçamos que toda esta zona era um arrabalde da Cidade e foi transformada em quintas de recreio, principalmente a partir do séc. XVIII e cujos proprietários foram maioritariamente os ingleses do Vinho do Porto. Era conhecida como a Cidade dos Ingleses, segundo o nosso historiador, Prof. Germano Silva.
Chegamos ao cruzamento com a Rua do Campo Alegre e à direita encontramos a antiga Casa de Vilar ou dos Kopke Van Zeller, grande quinta da família do primeiro Conde de Vilar, Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840)
Uma obra prima do trabalho em ferro.
O terreno foi sendo reduzido em sucessivas vendas de lotes e o restante, bem como a casa, vendidos em 1984 à Congregação das Religiosas do Amor de Deus, a quem já estavam arrendados desde 1939.
 Um balcão do lado da Rua do Bom Sucesso.
Actualmente a propriedade vem até à Rua da Raínha D. Estefânia e os edifícios estão dentro da mesma. Não sei se são instalações do Colégio. Nas minhas costas, está a Rua da Piedade.
Para a esquerda é a Rua de Vilar, o Seminário e a Quinta de Vilar de Cima ou do Castanheiro. Já documentada no séc. XVII, emprazada à família Pacheco Pereira por 300 anos. Serão outros caminhos para novo passeio.
No meu programa estavam incluídas tentativas de descobertas de umas "coisitas" que têm a ver com água. Lá chegarei. E começou com uma descoberta que como tal, não conhecia: Uma fonte à entrada, digamos assim, da Rua de Vilar.
A Fonte de Vilar. Não consegui referências dela e curiosamente o nosso Historiador, o Professor Germano Silva, não a refere no seu escrito O Rio e as Azenhas de Vilar publicado no JN em Novembro de 2009.
Passamos por detrás da Fonte e descobri uma rua pequena sem saída. 

Recuei e entre dois edifícios, descobri um miradouro onde mesmo com o dia enevoado podemos ver o Vale de Massarelos com a Rua de D. Pedro V à direita. Ao fundo estão umas ruínas industriais, que presumo terem sido de antigas fundições.
Uma das razões do meu passeio era descobrir a Rua dos Moinhos e a Fonte do Caco. 
A Rua dos Moínhos é um topónimo antigo e o seu nome é derivado aos moínhos que existiam ao longo do Rio de Vilar (um encontro de águas no local mais ou menos onde se situa a Escola Infante D. Henrique, agora um fio de água que ainda corre a céu aberto) e conhecidas como Azenhas de Vilar. 
Nada nos informa se a Rua é ao lado esquerdo da foto, um caminho pelo meio dos terrenos ou aquele pequeno caminho do lado direito. 
Sensivelmente a meio da foto vê-se uma casa que até poderá ser a reconstrução de um desses moinhos antigos. Em 1758 havia nove a funcionar e mais antiga referência que se conhece é de 1559 à Azenha do Moreira do Casal. (Prof. Germano Silva)
Como não há saídas é preciso voltar à Rua de D. Pedro V que começa a descer para o Rio Douro.
Presumo que foi aberta em 1883 e o seu nome anterior foi de Lugar das Azenhas de Vilar. Mas também Rua do Bispo em 1933. Coisas que a Câmara Municipal informa, ou talvez desinforme nos seus vários roteiros da Cidade.
Muros altos graníticos em quási todo o lado direito. Do lado esquerdo o que resta do Vale de Vilar ou de Massarelos.
Vamos então descê-la e entre os dois lados da Rua da Pena, à direita, duas belas casas.
Não posso saber tudo, mas sei que aqui existiu a Quinta da Pena. Se estou certo, a casa - qual delas ? - é de 1885 mandada construir pelo Dr. Augusto Ferreira Novais em terrenos de família. Juntamente com a Quinta de Pacheco Pereira, na encosta em frente, dividiam entre si o Vale.
As informações camarárias no Roteiro de Massarelos não são precisas. Há a Rua da Pena, a dividir as duas casas e terrenos.

Para trás ficam as edificações características desta zona.
Descendo a Rua, espreitamos o local onde se encontra a Fonte do Caco, assim chamada porque primitivamente tinha um caco a fazer de bica para a água cair nos tanques. Esse caco poderia ser uma telha redonda, ou algo parecido.
A sua construção é do século XVIII e foi restaurada em 1899. 
Um grande zoom, permite-nos ver muito mal a Fonte do lado esquerdo, os tanques e o Rio. Estão colocados sob o muro de sustentação da Rua de Vilar cujo vão foi aberto em 1909 para albergar os lavadouros públicos. 
Não desci o caminho para ver a Fonte de perto, porque encostados ao paredão um grupo de estudantes de capa e batina encontrava-se lá e não quis interromper os seus rituais. Até porque um pau com uma careta espetada "marcava" o limite.

 Um olhar para as hortas ao longo do vale.

Do outro lado, os muros graníticos do Monte da Pena. Pela Viela do Picoto, vamos dar à Rua da Pena onde há alguns anos os instruendos da condução automóvel iam treinar. Ao alto as traseiras da Faculdade de Letras. Adoçada ao muro vamos encontrar outra Fonte.
É a Fonte da Rua de D. Pedro V construída em 1884 para aproveitar a abundância das águas da zona.
Numa grande parte da Rua de D. Pedro V, onde não há edifícios e muros, existiram durante anos vedações em chapa que nos escondiam o vale. Escrevi há cerca de 2 anos e meio que achava um perigo, pois com um encosto mais forte sofreríamos uma queda de muitos metros. Reparei agora que em vez da chapa estão arames e há aberturas de "portões" sinal que vão haver obras. Por entre os arames podemos ver as hortas e o alto de Vilar. 
Entre os telhados do primeiro plano e a casa alta, presumo que seja a Rua dos Moinhos.
A D. Pedro V olhada de baixo para cima. À esquerda são residências estudantis. Bem próximo, há as Faculdades de Letras e de Arquitectura, esta um pouco mais longe.
A dois terços da descida, encontramos uma rua industrial cujo nome homenageia um dos mais honestos militares da Revolução de 25 de Abril: Capitão Salgueiro Maia.
Muito ao longe temos Gólgota e as ruínas da Capela que deve ter pertencido à Quinta. Nos seus terrenos está implantada desde 1983 a Faculdade de Arquitectura. Cá está um tema para novos passeios.
Finalmente chegamos ao Rio e verifica-se que o antigo edifício do Frigorífico do Peixe e Lota do Pescado está a ser restaurado. No futuro será mais um hotel. Foi após o 25 de Abril centro de dia da terceira idade e creche, dirigidos pela Associação de Moradores de Massarelos.
Estava já muitíssimo degradado. Não sei se esta Associação tem novas instalações.
Construído entre 1930 e 34, possuía os métodos mais inovadores da conservação e refrigeração do pescado. As instalações frigoríficas eram ligadas ao cais, julgo que era o do Bicalho ou uma sua extensão, por um túnel.

No exterior, baixos-relevos com motivos alusivos à vida piscatória. Espero que sejam recuperadas.

Do outro lado está o actual Museu do Carro Eléctrico, aberto em 1992, instalado na antiga central termo-eléctrica de Massarelos.
Tema para outra viagem. 
Junto ao Rio Douro a neblina mantinha-se o que nem nos permitia ver a Ponte da Arrábida. 
E aqui termina mais uma etapa, que não o passeio da manhã e novas descobertas por Massarelos me aconteceram.
Vamos deixar o lugar do Bom Sucesso tal como o conhecemos actualmente e descer a Rua com o mesmo nome.
Não esqueçamos que toda esta zona era um arrabalde da Cidade e foi transformada em quintas de recreio, principalmente a partir do séc. XVIII e cujos proprietários foram maioritariamente os ingleses do Vinho do Porto. Era conhecida como a Cidade dos Ingleses, segundo o nosso historiador, Prof. Germano Silva.
Chegamos ao cruzamento com a Rua do Campo Alegre e à direita encontramos a antiga Casa de Vilar ou dos Kopke Van Zeller, grande quinta da família do primeiro Conde de Vilar, Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840)
Uma obra prima do trabalho em ferro.
O terreno foi sendo reduzido em sucessivas vendas de lotes e o restante, bem como a casa, vendidos em 1984 à Congregação das Religiosas do Amor de Deus, a quem já estavam arrendados desde 1939.
 Um balcão do lado da Rua do Bom Sucesso.
Actualmente a propriedade vem até à Rua da Raínha D. Estefânia e os edifícios estão dentro da mesma. Não sei se são instalações do Colégio. Nas minhas costas, está a Rua da Piedade.
Para a esquerda é a Rua de Vilar, o Seminário e a Quinta de Vilar de Cima ou do Castanheiro. Já documentada no séc. XVII, emprazada à família Pacheco Pereira por 300 anos. Serão outros caminhos para novo passeio.
No meu programa estavam incluídas tentativas de descobertas de umas "coisitas" que têm a ver com água. Lá chegarei. E começou com uma descoberta que como tal, não conhecia: Uma fonte à entrada, digamos assim, da Rua de Vilar.
A Fonte de Vilar. Não consegui referências dela e curiosamente o nosso Historiador, o Professor Germano Silva, não a refere no seu escrito O Rio e as Azenhas de Vilar publicado no JN em Novembro de 2009.
Passamos por detrás da Fonte e descobri uma rua pequena sem saída. 

Recuei e entre dois edifícios, descobri um miradouro onde mesmo com o dia enevoado podemos ver o Vale de Massarelos com a Rua de D. Pedro V à direita. Ao fundo estão umas ruínas industriais, que presumo terem sido de antigas fundições.
Uma das razões do meu passeio era descobrir a Rua dos Moinhos e a Fonte do Caco. 
A Rua dos Moínhos é um topónimo antigo e o seu nome é derivado aos moínhos que existiam ao longo do Rio de Vilar (um encontro de águas no local mais ou menos onde se situa a Escola Infante D. Henrique, agora um fio de água que ainda corre a céu aberto) e conhecidas como Azenhas de Vilar. 
Nada nos informa se a Rua é ao lado esquerdo da foto, um caminho pelo meio dos terrenos ou aquele pequeno caminho do lado direito. 
Sensivelmente a meio da foto vê-se uma casa que até poderá ser a reconstrução de um desses moinhos antigos. Em 1758 havia nove a funcionar e mais antiga referência que se conhece é de 1559 à Azenha do Moreira do Casal. (Prof. Germano Silva)
Como não há saídas é preciso voltar à Rua de D. Pedro V que começa a descer para o Rio Douro.
Presumo que foi aberta em 1883 e o seu nome anterior foi de Lugar das Azenhas de Vilar. Mas também Rua do Bispo em 1933. Coisas que a Câmara Municipal informa, ou talvez desinforme nos seus vários roteiros da Cidade.
Muros altos graníticos em quási todo o lado direito. Do lado esquerdo o que resta do Vale de Vilar ou de Massarelos.
Vamos então descê-la e entre os dois lados da Rua da Pena, à direita, duas belas casas.
Não posso saber tudo, mas sei que aqui existiu a Quinta da Pena. Se estou certo, a casa - qual delas ? - é de 1885 mandada construir pelo Dr. Augusto Ferreira Novais em terrenos de família. Juntamente com a Quinta de Pacheco Pereira, na encosta em frente, dividiam entre si o Vale.
As informações camarárias no Roteiro de Massarelos não são precisas. Há a Rua da Pena, a dividir as duas casas e terrenos.

Para trás ficam as edificações características desta zona.
Descendo a Rua, espreitamos o local onde se encontra a Fonte do Caco, assim chamada porque primitivamente tinha um caco a fazer de bica para a água cair nos tanques. Esse caco poderia ser uma telha redonda, ou algo parecido.
A sua construção é do século XVIII e foi restaurada em 1899. 
Um grande zoom, permite-nos ver muito mal a Fonte do lado esquerdo, os tanques e o Rio. Estão colocados sob o muro de sustentação da Rua de Vilar cujo vão foi aberto em 1909 para albergar os lavadouros públicos. 
Não desci o caminho para ver a Fonte de perto, porque encostados ao paredão um grupo de estudantes de capa e batina encontrava-se lá e não quis interromper os seus rituais. Até porque um pau com uma careta espetada "marcava" o limite.

 Um olhar para as hortas ao longo do vale.

Do outro lado, os muros graníticos do Monte da Pena. Pela Viela do Picoto, vamos dar à Rua da Pena onde há alguns anos os instruendos da condução automóvel iam treinar. Ao alto as traseiras da Faculdade de Letras. Adoçada ao muro vamos encontrar outra Fonte.
É a Fonte da Rua de D. Pedro V construída em 1884 para aproveitar a abundância das águas da zona.
Numa grande parte da Rua de D. Pedro V, onde não há edifícios e muros, existiram durante anos vedações em chapa que nos escondiam o vale. Escrevi há cerca de 2 anos e meio que achava um perigo, pois com um encosto mais forte sofreríamos uma queda de muitos metros. Reparei agora que em vez da chapa estão arames e há aberturas de "portões" sinal que vão haver obras. Por entre os arames podemos ver as hortas e o alto de Vilar. 
Entre os telhados do primeiro plano e a casa alta, presumo que seja a Rua dos Moinhos.
A D. Pedro V olhada de baixo para cima. À esquerda são residências estudantis. Bem próximo, há as Faculdades de Letras e de Arquitectura, esta um pouco mais longe.
A dois terços da descida, encontramos uma rua industrial cujo nome homenageia um dos mais honestos militares da Revolução de 25 de Abril: Capitão Salgueiro Maia.
Muito ao longe temos Gólgota e as ruínas da Capela que deve ter pertencido à Quinta. Nos seus terrenos está implantada desde 1983 a Faculdade de Arquitectura. Cá está um tema para novos passeios.
Finalmente chegamos ao Rio e verifica-se que o antigo edifício do Frigorífico do Peixe e Lota do Pescado está a ser restaurado. No futuro será mais um hotel. Foi após o 25 de Abril centro de dia da terceira idade e creche, dirigidos pela Associação de Moradores de Massarelos.
Estava já muitíssimo degradado. Não sei se esta Associação tem novas instalações.
Construído entre 1930 e 34, possuía os métodos mais inovadores da conservação e refrigeração do pescado. As instalações frigoríficas eram ligadas ao cais, julgo que era o do Bicalho ou uma sua extensão, por um túnel.

No exterior, baixos-relevos com motivos alusivos à vida piscatória. Espero que sejam recuperadas.

Do outro lado está o actual Museu do Carro Eléctrico, aberto em 1992, instalado na antiga central termo-eléctrica de Massarelos.
Tema para outra viagem. 
Junto ao Rio Douro a neblina mantinha-se o que nem nos permitia ver a Ponte da Arrábida. 
E aqui termina mais uma etapa, que não o passeio da manhã e novas descobertas por Massarelos me aconteceram.