A Semana dita Santa traz à minha-nossa Cidade do Porto patoás dos mais diversos. Não quero que confundam as imagens linguísticas do patuá macaense ou os ligados a orixá, nem pouco mais ou menos à destruição que os franceses fizeram da língua patoá negreira africana que consideravam civilizada.
Mas o Patoá que ouvimos nestes dias na Cidade até tem a ver um pouco com isso. Os franceses desqualificaram línguas como o catalão, basco, bretão, corso, alsaciano (alemão falado na zona francesa da Alsácia-Lorena), neerlandês, por causa do patoá (Patoi em francês).
O meu Patoá quer referir-se exactamente à diversidade de idiomas que costumamos ouvir durante a semana santa, misturados especialmente com o de muitos espanhóis de várias regiões, que têm a tradição de nos visitar. É muita boa música para os nossos ouvidos.
É bom passar pelo Mercado do Bolhão mesmo a desfazer-se e ouvir o som cantado da peixeira a apregoar o tão caro como saboroso Sável do nosso Rio.
Os sabores vínicos do Douro e Porto partilhados em amenas cavaqueiras na tasquinha já nossa conhecida.
Os sons das várias línguas intensificam-se junto ao Café Majestic. Avida é difícil para o "mordomo" , atento às entradas e saídas e à gerência de todos os lugares que vão vagando.
Num dos Hoteis da Praça da Batalha trabalhadores alpinistas esmeram-se na limpeza dos vidros.
O lago-lata do lixo já está recuperado e com repuxo. Os Portuenses olham os turistas.
Lavaram a cara ao Cinema Batalha, mas só isso. A Praça da Batalha merecia este espaço aberto. E como seria bom se voltassem a colocar as várias obras de arte que foram desaparecendo. D. Pedro V continua impávido no seu pedestal.
Lá vai sereno o 22 até ao Carmo, conduzido por uma gentil "guarda-freio" .
Os camones aproveitam para fazer recordações da nossa Cidade.
Infelizmente a decoração do 22, embora berrante, não condiz nada com a Cidade.
O novo Hotel do Grupo D. Inês parece que já funciona. Pelo menos a porta está aberta. Mas as cores, balha-me meu deus balha, será para dar colorido à Praça da Batalha ? E são já dois hotéis pintados nestes tons. Como seria a sua cor ao tempo que o José Anastácio Fonseca o mandou construir no séc. XVIII ?
Não sou cinzento, longe disso, mas a cidade a tomar estas cores parece quase o anúncio de uma empresa de telecomunicações que anda a ser divulgado. Será porque já não é do Belmiro ?
Nova passagem por Santa Catarina e o Majestic. Os sons das linguagens e da música misturam-se e estão num patamar elevado. O "mordomo" já está a controlar desde a Rua. Na nova Alvão também com esplanada saboreia-se um Porto.
Santa Catarina, final de tarde, cheia como um ovo.
Chegava a casa mas ainda deu para ver o sol a partir depois de nos deixar um bom calor de 20 graus e uns pósinhos. Foi bom ouvir vibrar a Cidade no seu centro-alto e partilhar juntamente com o meu camarada Jorge Teixeira, o Presidente Bandalho. Claro que houve loirinhas pelo meio mas dessas já rezou a história.
Perguntaram-me vários amigos o que quer dizer "camone", palavra que uso frequentemente.
É uma palavra do calão portuense, presumo já antigo e que seria expressamente referido aos ingleses. E se haviam muitos por cá... Está no Dicionário da Porta Editora. Actualmente, como brincadeira, referimo-nos a quaisquer turistas. Mas também entre nós, quando há algo que não entendemos. Por exemplo, fála-me língua de gente que não entendo camone.
A origem virá do come on inglês que serve para exprimir imensas coisas.
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sexta-feira, 3 de abril de 2015
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
145 - Memórias da Póvoa de Varzim
Prometi trazer de novo a Póvoa de Varzim a este espaço. Pois cá estou.
Não me lembro rigorosamente quando fui a primeira vez à Póvoa, mas julgo que andaria pelos meus 10 anos de idade numa excursão de camioneta com meus pais e padrinhos, excursões essas que se chamavam de 20 amigos. Era como os remediados pobres dos anos 50 e 60 do século passado poderiam conhecer um pouco de Portugal. Cotizavam semanalmente durante um ano para poder ter o prazer de usufruir de um domingo diferente.
Com o passar dos anos, fui visitando a Póvoa, principalmente em grupos de amigos de trabalho. Naquela altura era obrigatória a paragem para tomar o pequeno almoço num dos cafés junto à praia. O Diana Bar, hoje transformado em Biblioteca Pública, é um bonito edifício que segundo os escritos foi onde o José Régio (Vila do Conde, n. 17 de Setembro de 1901. f. 22 de Dezembro de 1969) escreveu parte das suas obras.
As camionetas aparcavam num espaço que já não existe, muito lindo e ajardinado, se bem me lembro, próximo da Estátua do Cego do Maio. Notava um certo respeito quando os adultos olhavam esta estátua e aqui se faziam as primeiras fotos para mais tarde recordar.
Hoje é fácil sabermos que o Cego do Maio (José Rodrigues Maio, ou Ti'Mário) foi um herói Poveiro, nascido em 8 de Outubro de 1817 e falecido em 13 de Novembro de 1884. Pescador e Salva- vidas, será a figura mais representativa desta bela terra, galardoado com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração do Estado. Naquela altura, Reino.
Diz a lenda que quando D. Luís I o condecorou, o Cego do Maio retribuiu o presente com um punhado de conchinhas, dizendo: Tome lá ó Ti'Rei, uns beijinhos para as suas crianças brincarem.
Vários forais reais lhe foram sendo concedidos, reconhecida que foi a importância deste território.
As águas fortemente iodadas e as praias de longos areais, desde o séc. XVIII tornam a Póvoa num centro balnear de excelência. O maior e melhor do Norte de Portugal.
Lembro de alguns nomes que por este clube passaram, no meu tempo, claro: Noé, Fonseca, Horácio, (um dos bébés do Leixões no tempo do Pedroto) Quim, Sidónio, Salvador (tive uns minutos de conversa com ele em Setembro de 2007), Camolas ("meu instruendo" na GACA 3, em Paramos-Espinho e que precisava de licenças para os treinos, dizia ele e sempre concedidas). E do grande Meirim, o treinador que conseguiu feitos louváveis no clube. Lembro-me de ter eliminado o Porto em pleno estádio das Antas da Taça de Portugal, e a um honroso 4º ou 6º lugar, já não lembro, num campeonato da I Divisão.
Se estiver errado, os Poveiros ou amantes do Futebol que me ponham a cabeça no sítio.
Um àparte, fora do contexto: Para mim, José Mourinho, o Number One, será um produto da Escola que Meirim criou. Com a diferença de Meirim nunca ter insultado árbitros ou adversários e muito menos agredi-los. Foi um senhor do Futebol. Conheço alguma gente que lhe passou pelas mãos e nunca ouvi uma palavra de reprovação.
Mas a Póvoa de Varzim tem muito mais que as belas praias, as esplanadas, os passeios. E refiro-me especialmente à Cidade, pois o concelho tem muito por onde passear e descobrir.
A Igreja Matriz actual, ou Igreja de Nossa Senhora da Conceição, foi inaugurada em 1757, obra barroca que marca a vocação marítima da Cidade e a protecção de Nossa Senhora em complementaridade com a Capela existente na Fortaleza.
Os Paços do Concelho, foram aprovados por D. Maria I por indicação de Francisco Almada e Mendonça (Lisboa, 30 (?) de Fevereiro de 1757- Porto, 18 de Agosto de 1804) o homem forte do Porto e do Norte, filho de João de Almada e Melo (Monção, 15 de Agosto de 1703 - Porto, 30 de Outubro de 1786), familiar do Marquês de Pombal e que em 1757 veio para o Porto por causa da revolta dos vinhateiros do Douro e não só, acabando por se fixar definitivamente empenhando-se no desenvolvimento da Cidade, que seu filho continuou.
O edifício em estilo neo-clássico foi inaugurado em 1807. Em 1910, ofertado pelos Amorins, foram-lhe aplicados azulejos que retratam a História da Póvoa desde o séc. X.
Na altura desta foto, em Setembro de 2007, estava a Praça do Almada, o centro cívico, em obras. Ladeada de belas casas tradicionais tem um coreto belíssimo presumo que de finais do séc. XIX ou princípios do séc. XX.
Da mesma altura a foto possível do pelourinho da Póvoa de Varzim, Monumento Nacional, erigido em 1514 e representa a sua emancipação municipal.
Do outro lado da Praça o Monumento a Eça de Queiroz, administrador público, diplomata e romancista enorme, nascido num dos edifícios que a compõem a 25 de Novembro de 1845. Faleceu em Paris em 16 de Agosto de 1900 e os seus restos mortais encontram-se em Santa Cruz do Douro.
A Basílica do Sagrado Coração de Jesus foi dada como concluída em 31 de Outubro de 1948, embora prosseguissem obras em dois altares e na colocação dos 24 sinos das torres.
É um templo Jesuíta, cuja ideia da construção começa em 1888. Os Jesuítas regressaram depois da sua expulsão em 1761, onde na Póvoa tinham uma irmandade de certa grandeza na Fortaleza. Voltaram a ser expulsos aquando da implantação da República em 1910 e novamente regressaram após a Revolução de 28 de Maio de 1926. A obra que tinha sido iniciada em 31 de Agosto de 1890 entrara em ruína, mas foi retomada a construção em 1927.
Alberga actualmente uma pequena comunidade.
A Fortaleza da Póvoa, cuja história contei no meu escrito anterior.
Como escrevi na altura, estava todo entretido a fotografar lá dentro quando um agente da GNR me veio proibir de o fazer. Esta é a foto da altura, em Setembro de 2007 e reproduz uma parte da parada interior.
As fotos eram bem simples, só queria apanhar umas vistas naquele dia de nevoeiro intenso, do alto das muralhas.
Esta é de uma parte do Porto a Norte e da Lota.
As origens do Porto remontam ao séc. XI que não deixou de crescer, mas é com o foral de D. Dinis de 1308, mandando incentivar a agricultura e a utilização do porto para transporte de produtos além da pesca, da qual o Rei tirava os maiores proveitos, que muito se desenvolveu.
No século XVI os pescadores passaram também a desempenhar actividades marítimas como pilotos e mareantes devido aos seus elevados conhecimentos náuticos. Em 1506 os pescadores de Entre-Douro e Minho já pescavam na Terra Nova. Lógicamente, a partir daí o Bacalhau chegou às nossas mesas.
Também se desenvolveram os estaleiros e aqui foi contruída a nau Nossa Senhora de Guadalupe comandada pelo capitão poveiro Diogo de São Pedro que se celebrizou na esquadra reunida em Lisboa para restaurar Pernambuco no dia 15 de Março de 1631, que os holandeses tinham ocupado. Um seu irmão, António Cardia foi piloto-mor da armada portuguesa e já se tinha destacado na defesa e libertação da cidade da Bahía, também dominada pelos holandeses.
A Póvoa guarda outros heróis mareantes, como o Patrão Lagoa (Manuel António Ferreira - Póvoa de Varzim, n. 14 de Junho de 1866/f. 7 de Junho de 1919) especialista em resgates de navios para além de passageiros e tripulantes.
Está na História o do S. Rafael, da Armada Portuguesa naufragado na Foz do Rio Ave em 20 de Novembro de 1911 e do Veronese, Barco a Vapor Inglês, com emigrantes principalmente Galegos, naufragado próximo a Leça da Palmeira. Um relato deste naufrágio e o salvamento de passageiros e tripulantes pode ser lido
http://artigosvozdeleca.blogspot.pt/2008/02/evocao-do-naufrgio-do-veronese.html
Mas há muito mais gente ilustre desta Póvoa de Varzim, que prometo desenvolver num outro trabalho.
Em frente à Baía, o monumento às Peixeiras, uma homenagem à Mulher Poveira que sempre teve grande preponderância na comunidade piscatória.
Para Sul, o bairro piscatório e a nova marina.
Para o fim desta pequena visita à Póvoa Cidade, a Junqueira. Uma espécie de Centro Comercial nascida no séc. XIX, não apenas da Rua com o seu nome mas de uma área que vem desde a Praça do Almada e vai até ao Mar.
Aqui foram encontrados vestígios da época romana. Mas a história da artéria-zona é tão linda e extensa, que proponho aos meus caríssimos leitores - e caríssimas leitoras, pois claro - visualizem http://pt.wikipedia.org/wiki/Rua_da_Junqueira
Uma visita à Capela de S. Roque fundada em 1582, mas que talvez os varzinenses conheçam mais como de S. Tiago. Isto porque uma imagem do santo possivelmente do séc. XV, apareceu na praia e fez crescer o seu culto. A Capela foi reformada e aumentada em 1887 e modificaram-lhe a invocação.
Esta é a Rua da Junqueira, desde 1955 tornada pedonal sendo provàvelmente se não a primeira uma das mais antigas ruas pedonais de Portugal.
Deve o seu nome aos muitos juncos que aqui haviam. Por ela e pela zona passam ainda algumas ribeiras, agora encanadas. Após a implantação da República, desde Julho de 1912 até Janeiro de 1966 chamou-se de 5 de Outubro, retomando o seu nome antigo após esta data.
Para além de outras gentes, aqui nasceu no numero 3, Leonardo Coimbra, filho, em 9 de Abril de 1914, falecido na Guiné (actual Guiné Bissau) em 25 de Julho de 1970 num desastre de helicóptero, quando como deputado se ía inteirar dos assuntos daquela Província Ultramarina Portuguesa. Foi uma pessoa dedicada à Família e à Criança. Não sei se seguiu a filosofia espírita de seu Pai, nascido na Lixa.
No próximo trabalho, prometo umas fotos antigas dos casinos e hotéis que aqui existiram e onde o Camilo fazia grandes paródias, principalmente no Chinês. É o que está escrito.
Agora vou falar de amigos.
Em primeiro lugar, do meu Presidente Bandalho, o Jorge Teixeira, que me alertou para o facto de ter andado por aqui a namoriscar umas primas, pois um seu tio morava na Rua da Junqueira. Só por isso, destinava-se a rua ser histórica.
Lògicamente que me falou de recordações "bacanas". E de boas férias.
Este capanga Teixeira, sempre que dou um passo, lá vem ele com histórias da sua numerosa família. Presumo, pelo menos a Norte do Porto, não haver uma localidade em que tenha nascido, vivido ou vivam parentes do grande amigo.
Não me lembro rigorosamente quando fui a primeira vez à Póvoa, mas julgo que andaria pelos meus 10 anos de idade numa excursão de camioneta com meus pais e padrinhos, excursões essas que se chamavam de 20 amigos. Era como os remediados pobres dos anos 50 e 60 do século passado poderiam conhecer um pouco de Portugal. Cotizavam semanalmente durante um ano para poder ter o prazer de usufruir de um domingo diferente.
Com o passar dos anos, fui visitando a Póvoa, principalmente em grupos de amigos de trabalho. Naquela altura era obrigatória a paragem para tomar o pequeno almoço num dos cafés junto à praia. O Diana Bar, hoje transformado em Biblioteca Pública, é um bonito edifício que segundo os escritos foi onde o José Régio (Vila do Conde, n. 17 de Setembro de 1901. f. 22 de Dezembro de 1969) escreveu parte das suas obras.
Não muito afastado, o Bar da Praia era o outro Café.
Hoje é fácil sabermos que o Cego do Maio (José Rodrigues Maio, ou Ti'Mário) foi um herói Poveiro, nascido em 8 de Outubro de 1817 e falecido em 13 de Novembro de 1884. Pescador e Salva- vidas, será a figura mais representativa desta bela terra, galardoado com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração do Estado. Naquela altura, Reino.
Diz a lenda que quando D. Luís I o condecorou, o Cego do Maio retribuiu o presente com um punhado de conchinhas, dizendo: Tome lá ó Ti'Rei, uns beijinhos para as suas crianças brincarem.
Avenida dos Banhos
O Concelho actual, digamos assim, tem marcas arqueológicas que remontam a 200 mil anos antes de Cristo. As populações foram-se fixando no território entre 4 a 6 mil anos atrás. O mar e o comércio, depois as pescas, tornaram esta região apetecível, pelo que foi fundada uma cidade fortificada cerca de 900 anos A.C.Vários forais reais lhe foram sendo concedidos, reconhecida que foi a importância deste território.
As águas fortemente iodadas e as praias de longos areais, desde o séc. XVIII tornam a Póvoa num centro balnear de excelência. O maior e melhor do Norte de Portugal.
Estádio do Varzim Sport Clube
Outras visitas fui fazendo à Póvoa, algumas profissionalmente, outras por causa do futebol. Campo de difícil deslocação para as equipas visitantes, o Varzim Foot-ball Club, assim foi baptizado em 25 de Dezembro de 1915, alterado em 25 de Março de 1916 para Varzim Sport Club, é a primeira filial do Futebol Clube do Porto.Lembro de alguns nomes que por este clube passaram, no meu tempo, claro: Noé, Fonseca, Horácio, (um dos bébés do Leixões no tempo do Pedroto) Quim, Sidónio, Salvador (tive uns minutos de conversa com ele em Setembro de 2007), Camolas ("meu instruendo" na GACA 3, em Paramos-Espinho e que precisava de licenças para os treinos, dizia ele e sempre concedidas). E do grande Meirim, o treinador que conseguiu feitos louváveis no clube. Lembro-me de ter eliminado o Porto em pleno estádio das Antas da Taça de Portugal, e a um honroso 4º ou 6º lugar, já não lembro, num campeonato da I Divisão.
Se estiver errado, os Poveiros ou amantes do Futebol que me ponham a cabeça no sítio.
Um àparte, fora do contexto: Para mim, José Mourinho, o Number One, será um produto da Escola que Meirim criou. Com a diferença de Meirim nunca ter insultado árbitros ou adversários e muito menos agredi-los. Foi um senhor do Futebol. Conheço alguma gente que lhe passou pelas mãos e nunca ouvi uma palavra de reprovação.
Mas a Póvoa de Varzim tem muito mais que as belas praias, as esplanadas, os passeios. E refiro-me especialmente à Cidade, pois o concelho tem muito por onde passear e descobrir.
A Igreja Matriz actual, ou Igreja de Nossa Senhora da Conceição, foi inaugurada em 1757, obra barroca que marca a vocação marítima da Cidade e a protecção de Nossa Senhora em complementaridade com a Capela existente na Fortaleza.
Os Paços do Concelho, foram aprovados por D. Maria I por indicação de Francisco Almada e Mendonça (Lisboa, 30 (?) de Fevereiro de 1757- Porto, 18 de Agosto de 1804) o homem forte do Porto e do Norte, filho de João de Almada e Melo (Monção, 15 de Agosto de 1703 - Porto, 30 de Outubro de 1786), familiar do Marquês de Pombal e que em 1757 veio para o Porto por causa da revolta dos vinhateiros do Douro e não só, acabando por se fixar definitivamente empenhando-se no desenvolvimento da Cidade, que seu filho continuou.
O edifício em estilo neo-clássico foi inaugurado em 1807. Em 1910, ofertado pelos Amorins, foram-lhe aplicados azulejos que retratam a História da Póvoa desde o séc. X.
Na altura desta foto, em Setembro de 2007, estava a Praça do Almada, o centro cívico, em obras. Ladeada de belas casas tradicionais tem um coreto belíssimo presumo que de finais do séc. XIX ou princípios do séc. XX.
Da mesma altura a foto possível do pelourinho da Póvoa de Varzim, Monumento Nacional, erigido em 1514 e representa a sua emancipação municipal.
Do outro lado da Praça o Monumento a Eça de Queiroz, administrador público, diplomata e romancista enorme, nascido num dos edifícios que a compõem a 25 de Novembro de 1845. Faleceu em Paris em 16 de Agosto de 1900 e os seus restos mortais encontram-se em Santa Cruz do Douro.
A Basílica do Sagrado Coração de Jesus foi dada como concluída em 31 de Outubro de 1948, embora prosseguissem obras em dois altares e na colocação dos 24 sinos das torres.
É um templo Jesuíta, cuja ideia da construção começa em 1888. Os Jesuítas regressaram depois da sua expulsão em 1761, onde na Póvoa tinham uma irmandade de certa grandeza na Fortaleza. Voltaram a ser expulsos aquando da implantação da República em 1910 e novamente regressaram após a Revolução de 28 de Maio de 1926. A obra que tinha sido iniciada em 31 de Agosto de 1890 entrara em ruína, mas foi retomada a construção em 1927.
Alberga actualmente uma pequena comunidade.
A Fortaleza da Póvoa, cuja história contei no meu escrito anterior.
Como escrevi na altura, estava todo entretido a fotografar lá dentro quando um agente da GNR me veio proibir de o fazer. Esta é a foto da altura, em Setembro de 2007 e reproduz uma parte da parada interior.
As fotos eram bem simples, só queria apanhar umas vistas naquele dia de nevoeiro intenso, do alto das muralhas.
Esta é de uma parte do Porto a Norte e da Lota.
As origens do Porto remontam ao séc. XI que não deixou de crescer, mas é com o foral de D. Dinis de 1308, mandando incentivar a agricultura e a utilização do porto para transporte de produtos além da pesca, da qual o Rei tirava os maiores proveitos, que muito se desenvolveu.
No século XVI os pescadores passaram também a desempenhar actividades marítimas como pilotos e mareantes devido aos seus elevados conhecimentos náuticos. Em 1506 os pescadores de Entre-Douro e Minho já pescavam na Terra Nova. Lógicamente, a partir daí o Bacalhau chegou às nossas mesas.
Também se desenvolveram os estaleiros e aqui foi contruída a nau Nossa Senhora de Guadalupe comandada pelo capitão poveiro Diogo de São Pedro que se celebrizou na esquadra reunida em Lisboa para restaurar Pernambuco no dia 15 de Março de 1631, que os holandeses tinham ocupado. Um seu irmão, António Cardia foi piloto-mor da armada portuguesa e já se tinha destacado na defesa e libertação da cidade da Bahía, também dominada pelos holandeses.
A Póvoa guarda outros heróis mareantes, como o Patrão Lagoa (Manuel António Ferreira - Póvoa de Varzim, n. 14 de Junho de 1866/f. 7 de Junho de 1919) especialista em resgates de navios para além de passageiros e tripulantes.
Está na História o do S. Rafael, da Armada Portuguesa naufragado na Foz do Rio Ave em 20 de Novembro de 1911 e do Veronese, Barco a Vapor Inglês, com emigrantes principalmente Galegos, naufragado próximo a Leça da Palmeira. Um relato deste naufrágio e o salvamento de passageiros e tripulantes pode ser lido
http://artigosvozdeleca.blogspot.pt/2008/02/evocao-do-naufrgio-do-veronese.html
Mas há muito mais gente ilustre desta Póvoa de Varzim, que prometo desenvolver num outro trabalho.
Em frente à Baía, o monumento às Peixeiras, uma homenagem à Mulher Poveira que sempre teve grande preponderância na comunidade piscatória.
Para Sul, o bairro piscatório e a nova marina.
Para o fim desta pequena visita à Póvoa Cidade, a Junqueira. Uma espécie de Centro Comercial nascida no séc. XIX, não apenas da Rua com o seu nome mas de uma área que vem desde a Praça do Almada e vai até ao Mar.
Aqui foram encontrados vestígios da época romana. Mas a história da artéria-zona é tão linda e extensa, que proponho aos meus caríssimos leitores - e caríssimas leitoras, pois claro - visualizem http://pt.wikipedia.org/wiki/Rua_da_Junqueira
Uma visita à Capela de S. Roque fundada em 1582, mas que talvez os varzinenses conheçam mais como de S. Tiago. Isto porque uma imagem do santo possivelmente do séc. XV, apareceu na praia e fez crescer o seu culto. A Capela foi reformada e aumentada em 1887 e modificaram-lhe a invocação.
Esta é a Rua da Junqueira, desde 1955 tornada pedonal sendo provàvelmente se não a primeira uma das mais antigas ruas pedonais de Portugal.
Deve o seu nome aos muitos juncos que aqui haviam. Por ela e pela zona passam ainda algumas ribeiras, agora encanadas. Após a implantação da República, desde Julho de 1912 até Janeiro de 1966 chamou-se de 5 de Outubro, retomando o seu nome antigo após esta data.
Para além de outras gentes, aqui nasceu no numero 3, Leonardo Coimbra, filho, em 9 de Abril de 1914, falecido na Guiné (actual Guiné Bissau) em 25 de Julho de 1970 num desastre de helicóptero, quando como deputado se ía inteirar dos assuntos daquela Província Ultramarina Portuguesa. Foi uma pessoa dedicada à Família e à Criança. Não sei se seguiu a filosofia espírita de seu Pai, nascido na Lixa.
No próximo trabalho, prometo umas fotos antigas dos casinos e hotéis que aqui existiram e onde o Camilo fazia grandes paródias, principalmente no Chinês. É o que está escrito.
Agora vou falar de amigos.
Em primeiro lugar, do meu Presidente Bandalho, o Jorge Teixeira, que me alertou para o facto de ter andado por aqui a namoriscar umas primas, pois um seu tio morava na Rua da Junqueira. Só por isso, destinava-se a rua ser histórica.
Lògicamente que me falou de recordações "bacanas". E de boas férias.
Este capanga Teixeira, sempre que dou um passo, lá vem ele com histórias da sua numerosa família. Presumo, pelo menos a Norte do Porto, não haver uma localidade em que tenha nascido, vivido ou vivam parentes do grande amigo.
No dia 14 de Setembro de 1967 conheci pessoalmente dois amigos internautas. O João Carlos, natural da Póvoa, a trabalhar no Brasil. Através de uma amiga que infelizmente já nos deixou.
Há dias andamos de novo a navegar pela região. Já regressou ao Brasil e daqui lhe mando o meu abraço fraterno.
O Quim Verdegaio, residente há muitos anos na Póvoa, foi a Guiné que nos aproximou. Para ele também um grande abraço.
Uma pequena história. Nesse dia de Setembro, depois de uma volta pela Cidade e quando vinha apanhar o Metro, parei num quiosque na Praça do Almada e comprei em promoção A Mensagem do Fernando Pessoa. Passado algum tempo lembrei-me do livro e não o encontrei. Julguei tê-lo deixado no quiosque e telefonei ao Quim a contar o meu desassossego. Uns dias depois, não me lembro como, chega-me o livro às mãos. Hoje, salvo erro, é pertença da Família Teixeira de Matosinhos.
Até breve, boa gente. Espero que venham à Póvoa. Está, pelo menos até final do ano, a 2€65 do Porto, de Metro, o equivalente mais ou menos a 50 minutos.
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