Estou feliz. Acabei de reparar que este espaço, que me é muito querido, ultrapassou as 400 mil visualizações e tem mais de 1500 comentários. Devem estar incluídos aos que respondi, não sei, mas em quase cinco anos de divulgação da minha Cidade e das Regiões que fui percorrendo, acho que valeu a pena.
Hoje vou divulgar mais uns espaços comerciais, não só pela arquitectura e decoração como pelo que representam para a Cidade do Porto.
Comecemos pela antiga Livraria Académica do amigo (poderei considerá-lo assim, oxalá ele me permita) Nuno Canavez. Já a tinha referido no meu poste http://portojofotos.blogspot.pt/2012/03/123-rua-dos-martires-da-liberdade.html , mas nunca tinha entrado.
Quando entrei há dias com uns amigos, o Senhor Nuno Canavez atirou: Cheira-me a Transmontanos. E não se enganou, pois ia acompanhado por dois genuínos filhos daquele bendita região.
A livraria foi fundada em 1912 na Rua das Oliveiras a transferida para este local, no início da Rua dos Mártires da Liberdade por Joaquim Guedes da Silva.
O Senhor Nuno Canavez entrou muito moço para empregado, ficando depois à frente da Livraria. Edita catálogos várias vezes por ano e recomendo uma visita à página http://www.livraria-academica.com/
Mereceu diversas homenagens de amigos e do antigo Presidente da República Dr. Mário Soares aquando da passagem do centenário da Livraria.
Trasmontano de Mirandela, tem o Senhor Nuno Canavez vasta obra escrita dedicada à região. A biblioteca da cidade está recheada de milhares de obras ofertadas pelo seu filho.
Com uma gentileza digna de registo, disponibilizou-se a mostrar-nos a sua casa e as obras que guarda, bem como recordações e homenagens que merecidamente lhe prestaram ao longo da sua vida de 80 e alguns anos.
Foi uma hora bem passada com muita cultura à mistura que não poderia deixar de referir.
Há um ano e alguns meses, passeava com uns amigos brasileiros pela Rua das Flores ainda em obras e muito pó no ar. Numa das poucas ourivesarias que ainda existem nesta rua - de mais de vinte tem agora três ou quatro - viu a esposa do meu amigo uns artigos que quis comprar como recordação.
A ourivesaria em causa foi a Neves & Filha que usa este nome desde 1875, embora inicialmente e desde 1840 se chamasse Leitão & Irmão.
Mantêm-se o estilo arte nova bem como o relógio e barómetro da época inicial da Leitão & Irmão.
Devido ao estado da Rua, a loja não estava nas melhores condições de limpeza e arrumação. Mesmo assim, foi-me autorizado fotografar o que quisesse.
A proprietária actual, desenhadora de jóias, segue a tradição do pai que adquiriu a loja em 1920.
Algumas peças e os meus amigos nas compras. Por razões de segurança, não fotografei os móveis lindíssimos onde estão expostas algumas peças para venda.
Um saltinho até ao Mercado do Bolhão. Não para escrever sobre ele - até me custa - mas sobre umas fotos antigas que encontrei por casualidade na parte superior de uma das poucas lojas ainda em funcionamento.
Nunca encontrei estas fotos na net e tentei captá-las embora com dificuldade pois estão num ponto alto e era já muito tarde num dia cinzento. Com a luz possível, tentei mais ou menos dos mesmos ângulos fazer fotos actuais. Mais de 90 anos as separam.
É assim que se encontra há anos este velho Mercado. A cair, sem soluções, sem clientes, sem bancas.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
205 - A beleza dos nossos estabelecimentos comerciais
Continuo encantado pelas Lojas da minha-nossa Cidade do Porto e espero conseguir passar aos meus queridos leitores-visualizadores esse encantamento. Faço-vos o convite para me acompanharem embora esta série sobre o reconhecimentos de estabelecimentos da Cidade, principalmente os seus interiores, não tenham uma tábua cronológica. Nem das visitas, nem das fotos, nem da publicação.
Rua de 31 de Janeiro. Entramos na Machado Joalheiros, cuja origem comercial começa na Rua do Loureiro onde hoje se encontra a Pastelaria Serrana. Ver a postagem número 200: http://portojofotos.blogspot.pt/2014/12/200-pastelaria-serrana.html
Em 1914 num belo edifício Arte Nova projectado pelo arquitecto Francisco Oliveira Ferreira é inaugurada a Ourivesaria Cunha & Sobrinho.
Não tendo nada a ver com a história e decoração das lojas que tento apresentar, presumo que os novos edifícios foram construídos ou sobre ruínas ou após demolições dos anteriores que já existiriam desde a abertura total da rua em 1805.
Ao projecto inicial da fachada é acrescentado o conjunto escultórico Os Meus Amores, da autoria do irmão José.
A mesma dupla que esteve na origem da Cunha na Rua do Loureiro.
Em 1957 passa da dinastia Cunha para a Machado. Pormenores que não interessam para o caso, pois o que importa e aos amigos visitantes é a beleza do estabelecimento.
Não me foi permitido fotografar pormenores para além desta vista parcial. O que compreendo perfeitamente. Mesmo assim... bastou um sim, a máquina pronta e já está. Poderão os proprietários confirmar que era apenas a decoração e móveis que me interessavam registar. E saber mais pormenores da história da empresa. Para o tema em causa ver as jóias era secundário. Para isso existe a sua perfeita página na net: http://www.machadojoalheiro.com/
Ora, é fácil presumir que o primeiro utilizador do espaço foi a Ourivesaria Miranda e não as Modas Vicent.
Como passou do primeiro para o segundo não sei. Mas podemos ler na página da DGPC que foi construída no período 1914-1915. Não entendo se foi o edifício ou só a fachada.
Havia uma Luvaria Vicent dos finais do século XIX ou princípios do XX ao início da Rua, do lado esquerdo. Cujo dono era um francês. Lembro-me nos anos 60 do século passado ainda existir a Casa Vicent, julgo que mais ou menos no mesmo local. Era onde o guarda livros da empresa onde trabalhava mandava confeccionar as suas camisas de seda sempre em cor creme. E quantas vezes lá fui buscar encomendas para o senhor Gualdino Leite. Não sei se tem a ver alguma coisa uma com a outra.
Entre 1985 e 1995 esteve encerrada.
Foi adquirida pela actual gerência que a remodelou mantendo as cores, traça e estruturas originais
A talhe de foice, digo que se come bem no Restaurante. Ou pelo menos comia-se. Já há uns anos que não almoço aqui. As tripas e o lombo assado eram muito bem confeccionados. E o bacalhau à Braga também. E os preços estavam muito em conta.
O salão é poiso mais ou menos regular de um grupinho muito Abandalhado.
Se olharmos bem, à altura dos tectos para baixo vemos estruturas em ferro forjado de desenhos magníficos. Digo eu. Estão nas portas de ligação aos lavabos e à entrada.
Esta casa tanto quanto consegui ler de fugida foi inaugurada em 1921. Com autorização para fotografar, notam-se por cima dos móveis os roda-tectos e os remates das colunas ao que me dizem restaurados do original.
Tive um vizinho, já falecido, que veio para o Porto trabalhar nesta casa ainda menino. Nunca conheceu outra. Existiu um blogue que tentei reencontrar mas não consegui, onde se lia a história de outro menino que veio da Beira para aqui trabalhar. E como era delicioso ler as suas aventuras pela Cidade quando fazia as entregas dos queijos que esta casa recebia directamente da Serra da Estrela.
A Arcozelo tem ao balcão um casal já de uma certa idade que são encantadores, mas muito desconfiados. Julgo que serão os actuais proprietários. Quando entra alguém - tipo eu - ele refugia-se no interior. Ela baixa a cabeça e fala o menos possível quase sem me olhar. Mas é um prazer olhar os produtos que vendem, principalmente a charcutaria e os queijos. Tenho levado alguns amigos e amigas a visitar e a comprar nesta casa.
Dizia-me há cerca de 2 anos, o amigo Fernando Súcio. Andamos nas feiras a comprar fumeiro e aqui estão a metade do preço.
Pronto, meus queridos amigos, amigas e visitantes. É-foi mais uma voltinha por alguns comércios da minha Invicta.
Mas há muitos mais.
Rua de 31 de Janeiro. Entramos na Machado Joalheiros, cuja origem comercial começa na Rua do Loureiro onde hoje se encontra a Pastelaria Serrana. Ver a postagem número 200: http://portojofotos.blogspot.pt/2014/12/200-pastelaria-serrana.html
Em 1914 num belo edifício Arte Nova projectado pelo arquitecto Francisco Oliveira Ferreira é inaugurada a Ourivesaria Cunha & Sobrinho.
Não tendo nada a ver com a história e decoração das lojas que tento apresentar, presumo que os novos edifícios foram construídos ou sobre ruínas ou após demolições dos anteriores que já existiriam desde a abertura total da rua em 1805.
Ao projecto inicial da fachada é acrescentado o conjunto escultórico Os Meus Amores, da autoria do irmão José.
A mesma dupla que esteve na origem da Cunha na Rua do Loureiro.
Em 1957 passa da dinastia Cunha para a Machado. Pormenores que não interessam para o caso, pois o que importa e aos amigos visitantes é a beleza do estabelecimento.
Não me foi permitido fotografar pormenores para além desta vista parcial. O que compreendo perfeitamente. Mesmo assim... bastou um sim, a máquina pronta e já está. Poderão os proprietários confirmar que era apenas a decoração e móveis que me interessavam registar. E saber mais pormenores da história da empresa. Para o tema em causa ver as jóias era secundário. Para isso existe a sua perfeita página na net: http://www.machadojoalheiro.com/
Devo dizer que me ofereceram uma visita num dia a combinar. De preferência de manhã ao abrir da loja. E que poderia ser logo na segunda-feira seguinte. Mas a minha vida é tão ocupada desde pela manhã que fiquei de regressar após descobrir uma vaga na agenda matinal. E depois das festas.
Ao fundo estão os móveis que vieram da antiga Ourivesaria Cunha, da Rua do Loureiro.
É de ficar perdido a olhar a loja. E pedir que acreditem em nós e não chamem a polícia só porque ficamos sem vontade de sair.
Nas proximidades encontramos a Casa Vicent.
Na trapalhada que lemos na net e na página da Direcção Geral do Património Cultural, presumimos que o edifício Arte Nova, cujo arquitecto se desconhece, tem a fachada em ferro fundido ouro talvez fabricado na Companhia Aliança para a Casa Vicent.Ora, é fácil presumir que o primeiro utilizador do espaço foi a Ourivesaria Miranda e não as Modas Vicent.
Como passou do primeiro para o segundo não sei. Mas podemos ler na página da DGPC que foi construída no período 1914-1915. Não entendo se foi o edifício ou só a fachada.
Havia uma Luvaria Vicent dos finais do século XIX ou princípios do XX ao início da Rua, do lado esquerdo. Cujo dono era um francês. Lembro-me nos anos 60 do século passado ainda existir a Casa Vicent, julgo que mais ou menos no mesmo local. Era onde o guarda livros da empresa onde trabalhava mandava confeccionar as suas camisas de seda sempre em cor creme. E quantas vezes lá fui buscar encomendas para o senhor Gualdino Leite. Não sei se tem a ver alguma coisa uma com a outra.
Lê-se ainda que o interior do estabelecimento mantém todo o mobiliário original incluindo os candeeiros, os tectos estucados e pintados e os pavimentos soalhados a madeira.
Umas pequenas notas: Estupidamente, quando gentilmente me foi permitido fotografar o interior, não o fiz a não ser a foto acima. O meu interesse nessa altura era outro (ver postagem
http://portojofotos.blogspot.pt/2011/04/72-rua-de-31-de-janeiro-ex-de-santo.html
Adiante e mudemos de Rua
Na Rua Formosa mesmo em frente à saída do lado sul do Mercado do Bolhão, encontramos a Confeitaria do Bolhão.
Aberta ao público em 1896 .Entre 1985 e 1995 esteve encerrada.
Foi adquirida pela actual gerência que a remodelou mantendo as cores, traça e estruturas originais
A talhe de foice, digo que se come bem no Restaurante. Ou pelo menos comia-se. Já há uns anos que não almoço aqui. As tripas e o lombo assado eram muito bem confeccionados. E o bacalhau à Braga também. E os preços estavam muito em conta.
O salão é poiso mais ou menos regular de um grupinho muito Abandalhado.
Se olharmos bem, à altura dos tectos para baixo vemos estruturas em ferro forjado de desenhos magníficos. Digo eu. Estão nas portas de ligação aos lavabos e à entrada.
Regressemos à Rua do Loureiro, junto a S. Bento e olhemos descontraídos para uma vizinha da Serrana: A Casa Arcozelo.
O edifício deve ter alguma ligação antiga com o da Serrana, pois a característica das janelas revestidas de gradeamentos em ferro são-lhes comum.Esta casa tanto quanto consegui ler de fugida foi inaugurada em 1921. Com autorização para fotografar, notam-se por cima dos móveis os roda-tectos e os remates das colunas ao que me dizem restaurados do original.
Tive um vizinho, já falecido, que veio para o Porto trabalhar nesta casa ainda menino. Nunca conheceu outra. Existiu um blogue que tentei reencontrar mas não consegui, onde se lia a história de outro menino que veio da Beira para aqui trabalhar. E como era delicioso ler as suas aventuras pela Cidade quando fazia as entregas dos queijos que esta casa recebia directamente da Serra da Estrela.
A Arcozelo tem ao balcão um casal já de uma certa idade que são encantadores, mas muito desconfiados. Julgo que serão os actuais proprietários. Quando entra alguém - tipo eu - ele refugia-se no interior. Ela baixa a cabeça e fala o menos possível quase sem me olhar. Mas é um prazer olhar os produtos que vendem, principalmente a charcutaria e os queijos. Tenho levado alguns amigos e amigas a visitar e a comprar nesta casa.
Dizia-me há cerca de 2 anos, o amigo Fernando Súcio. Andamos nas feiras a comprar fumeiro e aqui estão a metade do preço.
Pronto, meus queridos amigos, amigas e visitantes. É-foi mais uma voltinha por alguns comércios da minha Invicta.
Mas há muitos mais.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
201 - Ourivesaria Reis
Continuando a minha saga de visitas pelos interiores das Casas Comerciais da minha-nossa Cidade do Porto, entro pela Rua de Santa Catarina, esquina com a Rua de 31 de Janeiro e apresento-lhes, caros leitores e leitoras, a Ourivesaria Reis, reconvertida há anos em casa de Moda e Acessórios.
Nada mais sei sobre a história da casa. Mas observem-se as madeiras e os entalhes; as pinturas do tecto e das badanas.
A luz não estará muito bem dirigida, mas quem aqui entra olhará para cima e observará esta beleza ?
Com a casa cheia, não faço ideia como consegui fotografar à la minute.
Não expressarei nas imagens a beleza que vi. Mas deixo o possível para que os meus amigos e amigas tenham um pouco de desfrute.
Não dei fé de assinatura nas pinturas. Fico sem saber quem foi o seu autor.
Não sei se são do século XIX ou XX. Mas que são lindíssimas, não tenho dúvidas.
A Ourivesaria Reis foi fundada em 1880.
Em 1906 é remodelada a fachada. Uma obra em ferro feita pela Companhia Aliança segundo o projecto do arquitecto José Teixeira Lopes e criação do escultor António Teixeira Lopes, seu irmão.
A luz não estará muito bem dirigida, mas quem aqui entra olhará para cima e observará esta beleza ?
Com a casa cheia, não faço ideia como consegui fotografar à la minute.
Não expressarei nas imagens a beleza que vi. Mas deixo o possível para que os meus amigos e amigas tenham um pouco de desfrute.
Não dei fé de assinatura nas pinturas. Fico sem saber quem foi o seu autor.
Não sei se são do século XIX ou XX. Mas que são lindíssimas, não tenho dúvidas.
Não me interessei pelos móveis actuais, pois são um aproveitamento vulgar dos recantos. Mas este pormenor por cima de um expositor é digno da arte do entalhe em madeira bem portuguesa.
Agradeço reconhecidamente a gentileza de um jovem, talvez o gerente da casa, a quem pedi autorização para fotografar. Com um sorriso, disse-me, esteja à sua vontade.
O que realmente foi difícil com a casa cheia. Mas à gentileza devemos retribuir de igual modo.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
200 - Pastelaria A Serrana
Continuando a mostrar alguns estabelecimentos comerciais da Cidade do Porto e o que à sua arquitectura,decoração e antiguidade dizem respeito, batemos hoje à porta da Pastelaria A Serrana, localizada na Rua do Loureiro, quase em frente da saída lateral da Estação Central de Caminho de Ferro de S. Bento
Já tinha aflorado um pouco este estabelecimento quando "passamos" pela Rua do Loureiro numa postagem anterior. (Ver a nº 30)
O interior foi-me "apresentado" pelo meu amigo Álvaro das Gatas em 13 de Julho de 2007. Entramos para tomar uma loirinha e mandou-me olhar em volta, mas para o ar.Depois disso entro periodicamente não só para "fazer despesa" como para mostrar esta preciosidade aos amigos. E bater mais uma chapa.
Numa das ocasiões que por lá passei, creio que em Setembro de 2009, troquei umas impressões com um senhor, que não sei se faz parte da sociedade. Das coisas que falamos sobressaiu o restauro que custou uma "pipa de massa" conforme agora é moda dizemos por cá
Pormenores não sabia mas agora sei de alguns, desde que vi um capítulo dos Caminhos da História do Porto Canal, apresentado pelo Prof. Joel Cleto. Uma das minhas fontes sobre História da minha-nossa Cidade e não só.
Encontra-se num edifício provavelmente do séc. XVIII que sofreu remodelações no séc. XIX, com habitações nos andares e os baixos com lojas.
Presumo ser dessa altura que o actual interior é projectado pelo Arquitecto Francisco de Oliveira Ferreira (1884-1957), sendo as esculturas da autoria do irmão José de Oliveira Ferreira (1883-1942)
A tela do tecto é da autoria de Acácio Lino (1878-1956).
Nos finais do séc. XIX e durante o início do séc. XX o Mosteiro de S. Bento de Avé-Maria é demolido e começam as obras para a construção da Estação de S. Bento no mesmo local. Devido ao estaleiro em que se transformou esta zona da Rua do Loureiro, o sr. Cunha da Ourivesaria muda para um edifício na Rua de 31 de Janeiro, que ainda existe com o nome de Ourivesaria Machado desde 1915.
Entretanto o espaço conhece novos donos e actividades como uma loja de fazendas e um restaurante até que é comprado pela actual sociedade em 1952 mantendo toda a decoração interior.
Olhando os pormenores, estão presentes o ferro na escada, nos postigos e no varandim, coisa inovadora, os estuques, as madeiras, as pinturas, tudo arte nova.
As fotos são de várias épocas.
Uma curiosidade a título de aviso; só podem ser utilizados os quartos de banho por quem faz despesa.
Não liguem à por vezes má cara que a senhora que atende ao balcão nos faz. Sempre a conheci assim. Mas depois isso passa-lhe.
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terça-feira, 5 de novembro de 2013
175 - Museu Nacional de Soares dos Reis
O Museu Nacional de Soares dos Reis está instalado no Palácio dos Carrancas, edifício do século XVIII, situado na Rua D. Manuel II - antiga rua dos Quartéis ou ainda Rua do Triunfo - ao Palácio de Cristal.
É o primeiro Museu Público de Portugal, fundado em 1833. Destinou-se a recolher os bens confiscados aos Conventos e Mosteiros abandonados do Porto e dos extintos de fora do Porto (Santa Cruz de Coimbra e de S. Martinho de Tibães).
Com a designação de Museu Portuense de Pinturas e Estampas ficou instalado no antigo Convento de Santo António, hoje Biblioteca Pública Municipal.
A instalação no Palácio dos Carrancas aconteceu em 1940 e inaugurado com a Exposição A Obra de Soares dos Reis. Mas já em 1911 tomara o seu nome, evocativo do primeiro pensionista do Estado em Escultura pela Academia Portuense de Belas Artes. Em 1932 adquire o estatuto de Museu Nacional.
No princípio da última década do século XX o edifício começa a sofrer remodelações a cargo do arquitecto Fernando Távora, para melhorar a exposição permanente, alargamento dos espaços de reserva, criação de áreas de exposições temporárias, etc. As obras só foram concluídas em 2001 no âmbito do Porto, Capital Europeia da Cultura.
O Palácio é um Imóvel de Interesse Público construído para residência e fábrica de ourivesaria da família Moraes e Castro - os Carrancas - que moravam próximo numa rua que tinha o seu nome. A actual, mais ou menos, Rua de Alberto Aires de Gouveia. O projecto é de Joaquim da Costa Lima Sampaio, cognominado o Arquitecto do Porto, que trabalhou com os ingleses John's Carr e Whitehead, respectivamente no Hospital de Santo António e Feitoria Inglesa.
Durante as Invasões Francesas - ou Guerra Peninsular (1807-1812) - serviu de residência ao general francês Soult, depois quartel-general ao inglês Duque de Wellington, novamente a residência de outro inglês, o general Beresford.
Nas Lutas Liberais e durante o Cerco do Porto (Julho.1832 - Agosto.1833) e por um período de quatro meses, foi Quartel General de D. Pedro IV.
Em 1861 é adquirido por D. Pedro V e instalado o Paço Real. Um velódromo é construído nas suas traseiras e também em terrenos na chamada Quinta do Paço, propriedade de D. Carlos, na última década do século XIX.
D. Manuel II, o último monarca, doa o edifício à Santa Casa da Misericórdia para nele ser construído um hospital. O testamento datado de 1915 só é conhecido após a sua morte em 1932. O Director Vasco Valente negoceia com o Estado e a Santa Casa para a instalação do Museu, que depois de obras de adaptação é inaugurado oficialmente em 1942.
Pelo rés-do-chão é a entrada principal, onda na recepção somos atendidos com gentileza. Há também a cafetaria, loja do Museu, outros serviços e a passagem para os Jardins. Não sei se se podem percorrer todos. O nosso dia de visita estava chuvoso e apenas tínhamos pouco mais de uma hora disponível.
A entrada custa 5 €, metade para a Peste Grisalha e menos 50 cêntimos para o Cartão Jovem. Entrada livre aos domingos e feriados até às 14 horas.
Não sendo um Museu grande é um grande Museu, valioso, de exposição permanente de Cerâmicas, Esculturas, Gravuras, Joalharia e Ourivesaria, Mobiliário, Pinturas, Têxteis e Vidros.
A colecção de Cerâmica é muito importante e uma das maiores do Museu. Predominam as Faianças portuguesas dos séculos XVII ao XX. mostrando a sua evolução ao longo do tempo. Destaque para uma taça de 1621 a peça datada mais antiga que se conhece.
As Porcelanas Orientais e a de Delft - cidade holandesa famosa pelas Porcelanas fabricadas desde o séc. XVII - e que terão influenciado a produção da Europa - encontram-se bem representadas.
Destaque para peças chinesas desde o séc. XVI até ao XIX. E um formoso serviço de jantar de 18 peças que foi pertença do Bispo do Porto, D. António S. José de Castro, com brasão de armas em todas as peças. Este Bispo foi governador do Reino durante a ausência da Corte no Brasil e um dos líderes do Porto em 1808 contra a Invasão Napoleónica. (n.1741-f.1814)
O maior núcleo da Colecção é constituído por faiança a partir do período Pombalino. Destaque para forte representação de Fábricas do Norte, sobretudo de Viana do Castelo, Porto e Gaia. Mas também a do núcleo de Aveiro.
Em destaque uma garrafa antropomórfica em Faiança da Fábrica da Afurada, em Gaia, do séc. XIX. É a reproduzida na imagem à esquerda, cortada.
A Escultura
De Escultura, o espólio do Museu e o depósito da Câmara Municipal ascendem a cerca de 700 peças, com algum significado para o Porto da Idade Média e Moderna.
Um vasto conjunto de obras mantém uma relação com a Cidade, que dizem respeito ao ensino na Academia Portuense de Belas Artes, hoje Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, que recebeu um forte impulso com Soares dos Reis, escultor de renome internacional, patrono do Museu desde 1911.
Ismael, figura em Bronze, de Augusto Santo (n.1868 - f.1907)
Peças religiosas e a Maternidade na arte, algumas antigas do séc. XVI, talhadas em pedra d'ançã - o calcário. Destaque para a imagem de Nossa Senhora do Ó que esteve na Porta da Ribeira e posteriormente, após o derrube da Porta, na fachada da Capela com o mesmo nome, no Largo do Terreirinho. E uma Nossa Senhora de Roc-Amador, provavelmente do séc. XIV.
À direita, a Infância de Caim (1890), de António Teixeira Lopes (n.1866 - f.1942), esculpido em Mármore de Carrara. Foi uma peça do Museu Allen, ofertado, aliás como todo o seu espólio, à Cidade do Porto.
A primazia é dada a António Soares dos Reis (n.1847 - f.1889) na Galeria de Escultura.
O Desterrado é a sua obra-mestra, esculpido em Roma em 1872 como prova final de pensionista.
O material utilizado é Mármore de Carrara
O acervo de Pintura composto de cerca de 2.500 peças, abrange o período do séc. XVI ao XX.
São relevantes as produções nacionais dos séculos XVI e XVII. Destacam-se as pinturas estrangeiras nomeadamente flamenga e holandesa.
O conjunto mais consistente da colecção inicia-se com o Romantismo e atinge particular relevo com o ciclo do Naturalismo.
Destaque para Francisco Vieira (Vieira Portuense), Marques de Oliveira, Henrique Pousão, Silva Porto, Aurélia de Sousa e António Carneiro.
A Cidade do Porto e um retrato de Soares dos Reis.
Obras de Silva Porto
António Carvalho da Silva (n.1850 - f.1893) adoptou o apelido de Silva Porto em homenagem à sua cidade natal.
A formação originária do núcleo de Joalharia data de 1932.
Incorporou vários objectos provenientes do espólio do Paço Episcopal do Porto, que reunia um pequeno grupo de cruzes peitorais e anéis do Bispo.
Posteriormente outros objectos foram incluídos, alguns provenientes de espólios de conventos extintos e de palácios reais, distribuídos pela Fazenda Pública.
Datam as peças mais antigas das épocas Castreja, Romana e Visigótica. As restantes são dos séc. XVIII e XIX.
Guarnição de Corpete do 3º quartel do séc. XVIII. Peça de fabrico Português
A Ourivesaria está representada com peças de carácter civil e religioso do séc. XV ao XX. A maioria das peças é oriunda da Mitra do Porto e do Palácio das Necessidades.
A maioria das peças são em prata de origem nacional.
Ostensório ou Custódia. Séc. XVII-XVIII. Origem nacional.
A Colecção de Vidros é constituída por peças nacionais e estrangeiras dos séc. XVIII e XIX. O copo é da Fábrica de Coina, produzido na primeira metade do séc. XVIII.
Mobiliário, Tapeçarias e Têxteis integram obras desde o séc. XVII
Destaque para um par de Biombos Namba, realizados no Japão nos primeiros anos do séc. XVII, que relatam a presença dos portugueses naquele País.
No interior do Palácio destaca-se a decoração cuidada e os móveis da Sala da Música.
Os estuques e tectos são lindíssimos, mantendo-se originais conforme foram encomendados pelos Moraes e Castro.
São Pantaleão
Para terminar, encontramos as relíquias, ou parte delas, de São Pantaleão. A cabeça, uma peça de ourivesaria, foi aberta em 1999, contendo fragmentos de papel, tecido, dentes e outras coisitas. Foi encontrada numa dependência do Museu aquando das obras.
Aos amigos interessados, deixo o link: http://portojofotos.blogspot.pt/2010/10/47-miragaia-os-armenios-e-s-pantaleao.html#links que vai dar a outros onde a história de São Pantaleão se cruza.As fotos são as possíveis, muitas vezes a luz não é adequada, mas vale a intenção e a recordação. Deixam-nos fotografar à vontade, sem flash. É certo que trazemos sempre alguém atrás, mas podemos aproveitar para nos servir de cicerone.
Textos recolhidos no Igespar e no site do Museu.http://www.museusoaresdosreis.pt/ . Também na Wikipédia.
Recomendo uma visita.
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