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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

43 - Igreja de Nossa Senhora da Vitória - Porto

Situada na actual Rua de S.Bento da Vitória, nos terrenos da antiga Judiaria do Olival, a Igreja de Nossa Senhora da Vitória é uma construção do século XVIII, inaugurada em Agosto de 1769.Foi construída no mesmo local onde existia uma capela de pequenas dimensões que foi demolida para dar lugar a uma nova igreja em 1638. Por sua vez, demolida também, o Bispo D. Frei António de Sousa mandou edificar a actual Igreja. Sofreu danos graves durante o Cerco do Porto (Lutas Liberais) tendo sido reconstruída em 1852. Um incêndio em 1874 destruiu o Altar-Mor e a imagem da Padroeira, obrigando a novas intervenções.
O Brasão utilizado pelo Bispo
Reprodução do Sol
Portão da Entrada lateral que vai dar à Sacristia.
O seu interior em Talha Rococó tem a assinatura de vários grandes artistas portuenses Imponente sanefa sobre o arco cruzeiro encimado pela imagem de Nossa Senhora
Pormenores do Altar-Mor
Porta do Sacrário
Num dos altares, a imagem de Nossa Senhora da Vitória da autoria de Soares dos Reis. No entanto, a cabeça foi retirada sendo substituída por uma outra, executada por um santeiro. Diz-se que o povo não gostava da original, provàvelmente a reprodução do rosto da mãe do escultor, por ser muito humanizado.
Vários altares preenchem as paredes laterais
Púlpitos e altares em talha de grande beleza artística
O Coro alto sobre a Porta da entrada
Um orgão de tubos encimados por imagens, cujos características, razões, materiais de construção e datas, desconheço. Mas são lindísssimas.
Pormenor do lado sul. Separando a Igreja de um largo, a rua da Bataria. Do largo podemos apreciar belas paisagens sobre o Rio Douro, de Gaia à Sé. Passando por cima de grande parte da Zona Histórica e do Património Mundial da Humanidade, de que a Vitória faz parte. Uma visita a não perder




















sábado, 18 de setembro de 2010

42 - A Vitória e a Judiaria do Olival

Pesquisar na net é como o provérbio das palavras e das cerejas. De sítio em sítio, fui dar à estória da Judiaria no Porto.
Mesmo antes do Condado Portucalense, já existiam Judeus na região, naturalmente, porque estavam espalhados pelo que é hoje a Península Ibérica. Ajudaram os "Mouros" na Conquista da Península, tendo-se depois aliado aos "Cristãos" para os expulsar. Séculos de boa história.
No Porto, vivam dentro ou próximo da Cerca Velha (primitiva muralha em Pena Ventosa, o Morro à volta da actual Sé) mas eram autorizados para utilizar as ruas que davam para o Rio (Douro, claro) onde tinham as suas oficinas e comércios. Séculos depois espalharam-se pela cidade e construíram a maior Judiaria em Miragaia. Onde estão as ruínas do Convento de Monchique seria o local da sua Sinagoga. E o cemitério Judeu não ficava longe. Mas é a Judiaria do Olival e a Vitória que quero dar a conhecer. Pelo menos um pouco, na medida em que sou um ignorante profundo de tudo que diz respeito ao tema. Mas adiante.

A actual Rua de S. Bento da Vitória, de quem entra pelos Clérigos.

Em finais do século XIV, D. João I decretou que os Judeus fossem viver para o Olival (local onde hoje se encontra o Jardim da Cordoaria, Clérigos e por aí fora), mas dentro das Muralhas. As Fernandinas. Que não terá sido do seu agrado. Entretanto foram recebidas famílias oriundas de Espanha, expulsas pelo rei não sei quantos e aqui alojadas. O seu espaço terá sido compreendido entre o que é hoje a Rua de S. Bento da Vitória, Rua de S. Miguel, Rua das Taipas até Belmonte. Sempre por dentro das Muralhas.

Há quem escreva que no local onde se encontra a Igreja e Convento de S. Bento foi onde existiu a Sinagoga do Olival. Terá sido encontrada um pedra com escritos Hebraicos lendo-se, mais ou menos, pois transcrevo de cor, Antes de existir a Igreja de Deus dos Monges Negros existiu a Igreja de Israel.
Quando o Rei D. Manuel assinou a ordem da expulsão dos Judeus, em finais do séc. XV,o povo do Porto não a aceitou. Não denunciou os que se esconderam e acolheu os que passaram a ser os Cristãos Novos. Na parede do Convento de S. Bento, está colocada uma placa em Memória dos Judeus expulsos ou que foram obrigados a reconverterem-se.
As actuais ruas de S. Bento da Vitória e S. Miguel (foto) era uma única e chamava-se Rua da Judiaria Nova. Após o decreto da expulsão dos Judeus, passaram a viver aqui juntamente não só a população que quis, talvez até para confundir os decretores de leis, como magistrados e funcionários do Tribunal da Relação. Que estava ali a dois passos.
No prédio nº 9, adquirido há meia dúzia de anos pela paróquia da Vitória para albergar um Lar de Idosos, durante a sua restauração foi encontrada uma parede falsa e nela um nicho ( ekhal, a reentrância onde eram guardados os rolos da Torá, a parte mais sagrada da sinagoga, também conhecida simplesmente como Arca). O arqueólogo Mário Jorge Barroca concluiu que a casa foi uma Sinagoga clandestina, no séc. XVI/XVII. A sua descoberta nesta localização, segundo afirma a historiadora Elvira Mea, enquadra-se nos relatos do rabino Immanuel Aboab – que nasceu e foi criado no Porto – inscritos no seu livro Nomologia o Discursos Legales, publicado em Amsterdão em 1629. (http://ruadajudiaria.com/)
Início da Rua de S. Miguel. À esquerda o prédio nº4 com a frontaria coberta de azulejos do séc. XVII que saíram do Convento de S. Bento. À direita a casa que albergou a Sinagoga Clandestina. Em frente, a Igreja de Nossa Senhora da Maria da Vitória, onde, segundo outros historiadores, poderá ter existido a principal Sinagoga do Olival.
A Rua de S. Bento da Vitória, vista no sentido S/N, do largo encostado à Igreja de Nossa Senhora. Um miradouro por excelência, totalmente degradado.
No largo, dois prédios em ruínas e a sujidade (embora menos que há uns 4 meses atrás) devem ser a razão porque o espaço não é mencionado nos roteiros turísticos. Para não termos vergonha do que possam pensar. Adiante. Aqui existia uma tipografia e encadernação. No dia 14 de Maio passado, ainda ouvia as máquinas a trabalhar e o cheiro das tintas. Hoje (17 de Setembro) já não as ouvi.
Neste outro prédio, reparo no pormenor da arquitectura. Mas leigo como sou destas coisas, passo em frente e sigo a rota da Judiaria do Olival.
De cima do chamado antigamente Morro do Olival, o olhar abrange o velho casario do Porto Histórico. Em frente Gaia e o Douro, mas isso fica para outros escritos.
Em baixo, encontramos a Rua da Vitória - antiga S. Roque ou Viela da Esnoga - que une as Ruas dos Caldeireiros às Taipas, logo ali nas Virtudes, já na freguesia de Miragaia.
Para lá chegarmos, precisamos de calcorrear uma vintena de metros pela Bataria da Vitória, toponímico homenageando a bataria (artilheira, pois claro) que aqui esteve colocada aquando das Lutas Liberais. Salvé D. Pedro IV. O Primeiro do Brasil, o do Grito do Ipiranga. O do coração cá (no Porto, pois onde havia de ser) e do corpo (os restos mortais) lá. No Brasil. Adiante.
Umas escadas, cujo nome desconheço, que nos levam até meio das Escadas da Vitória, antiga Escadas da Esnoga. Nem sei se fazem parte do mesmo toponímico. Vão dar a Belmonte, (já é parte da freguesia de S. Nicolau) onde a Judiaria tinha um ramo importante.
Nem imagino o que é vir de Belmonte, subindo esta escadaria.
Li, num dos vários artigos sobre a Sinagoga Clandestina, que haveria uma entrada também ela clandestina, por uma das casas da Rua da Vitória. Vamos olhando e medindo as alturas.
Um pormenor das Escadas da Vitória, antiga Escadas da Esnoga.
As Escadas entroncando na Rua da Vitória.
Visto desde a Rua da Vitória, o tal prédio de arquitectura curiosa (para mim) cuja fachada está no largo junto à Igreja de Nossa Senhora. Lá em cima. Lembram-se ?
Só mesmo passando no local se pode ter uma ideia da construção destes muros e destas casas.
Pormenor de uma fachada sobressaindo de entre os muros. Não é muito visível. Está localizada a meio da Rua, sensìvelmente entre as Escadas e as Taipas.
Depois da descoberta da Sinagoga Clandestina e do esforço da Historiadora Elvira Mea para que a Câmara do Porto, IPAR, Governo Civil e uns tantos outros organismos, conseguissem desbravar mais sobre esta descoberta e apenas o Pároco esteve pronto a colaborar, não sei como tudo ficou. Já lá vão 5 anos e nada mais li sobre o assunto.

Não sei qual a língua da palavra Esnoga. Até pode ser em português antigo. Sei que quer dizer Sinagoga pois está escrito pela Câmara.

A freguesia da Vitória, nesta zona do chamado antigo Olival é muito rica não só em história como monumental. Aliás, toda ela é rica. Mas infelizmente os cardápios turísticos só referenciam a Torre dos Clérigos. São achas para uma fogueira quando vierem dias mais frios.

Parece não haver grandes escritos legados pelos judeus que nos podessem a dar a conhecer mais história. Nem sequer plantas das suas Sinagogas. Ninguém faz ideia de como eram.

Para quem gostar de saber alguma coisa sobre alguma História do Judaísmo em Portugal recomendo este site:

http://repositorio-aberto.up.pt/.../gcdiaspresencajudeus1000082238.pdf


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

41 - Tristezas da minha Cidade

É comum a tristeza ser descrita como algo amargo, ou como uma dor, ou como sentimento de incapacidade, ou ainda como algo escuro (trevas). - Wikipédia Passei há dias na Rua de Entreparedes - A Praça da Batalha, era um campo chamado do Pombal - porque tinha um pombal no meio - tudo cercado de muros sobre si. E partia, da parte sul, com caminho para S. Lázaro e para Valongo - «estrada que vai entre as paredes» (1590). Com a denominação de Rua de Entreparedes, encontrámo-la num registo paroquial da freguesia de Santo Ildefonso, de 1727. - Toponímia da Câmara Municipal do Porto - e deu-me uma saudade muito grande. Posso dizer que vive aqui, alguns anos da minha juventude, neste prédio hoje em ruínas.
Foi doado nos anos 60 do século passado, à Ordem do Terço. Serviu como residência de estudantes, creio que seminaristas ou ligados à Igreja. Tinha uma placa na porta, mas já não me lembro dos seus dizeres. É um edifício do séc. XIX e com muitas estórias. Minhas também. Mas isso não é para aqui chamado.
Há muitos outros edifícios em ruínas. Não será o caso do antigo Instituto Comercial do Porto, pelo menos exteriormente, onde se formavam os contabilistas, depois de saírem da Escola Comercial. Creio que funcionou como instituição até finais dos anos 80. Com outros nomes mas com a mesma finalidade e novos cursos, que agora têm nomes sonantes. Mas creio que também e juntamente ainda albergou o Instituto Industrial. Hoje não sei o que está lá dentro. Pela meia porta aberta apenas se vê uma enorme escuridão.
Mas muito limpo não está o velho edifício. Adiante
Porque um leitor me escreveu umas tantas coisas, criticando inclusivé a minha defesa da Calçada Portuguesa (comentários no escrito 37 - A Praça e a Avenida ), chamando-me de parôlo, dei comigo a olhar para os passeios e verificar umas tantas inverdades desse leitor. Ora, até nesta Rua meio a desfazer-se e na sua continuação, a Rua do Campinho, os passeios são calcetados com vários desenhos, mostrando assim que há imensos que podem ser feitos e que a Calçada não foi esquecida, não é perigosa e continua linda.
Navegando, fui dar, creio que ao Facebook, com a Escola Comercial Oliveira Martins, a antiga. A tal Universidade Ó Martins. A da Rua do Sol. Porque na Rua das Taipas existia também uma escola comercial. Não conheço as suas estórias, porque na net só há a referência à nova Oliveira Martins, mas que já não o é. O edifício escolar que foi construído ali no Bonfim há uma vintena de anos, está abandonado - segundo li - e a Escola passou para a Soares dos Reis. Que era de artes decorativas. Conclusão. Não sei se há Oliveira Martins ainda ou não.
No tal espaço "saquei" esta velha foto, do antigo edifício na Rua do Sol. Que pura e simplesmente foi destruído.
Parte das traseiras ainda existente, vista do Viaduto de Duque Loulé.
O que resta da fachada da entrada. No espaço interior parece-me que alberga viaturas da Câmara Municipal do Porto.
Tudo condiz nesta Rua do Sol. Que já foi Viela e deu origem à Rua das Taipas, depois Rua da Boavista, posteriormente Rua do Sol em meados do séc. XVIII. Mas segundo a Toponímia da Câmara em 1801, portanto já no séc. XIX, denominava-se Rua Portas do Sol. Confusão ? Acho que sim, mas está lá escrito.
A Rua termina, ou começa, não sei, com a Capela dos Alfaiates.
Como é triste ver à saída da Estação de S. Bento, na esquina com a Rua do Loureiro com a Avenida da Ponte - hoje D. Afonso Henriques ou Vimâra Peres, mas para o caso não interessa nada porque será sempre a Av. da Ponte - este prédio em ruínas. Local de passagem de muita gente - o metro e o comboio estão ali a dois passos - e por onde obrigatòriamente os turistas também o fazem, quer a pé, de carro ou comboio turístico no percurso entre a Sé e S. Bento e a Praça e por aí fora, custa-me ver esta vergonha exposta aos olhos, até porque nas imediações funciona um mercado de droga.
Estão a imaginar a cena...





















terça-feira, 7 de setembro de 2010

40 - Das Muralhas Fernandinas às Fontaínhas

Andavam uns bichinhos a moer na minha cabeça. Quando assim acontece há que bater com ela até os bichinhos se soltarem. Pronto, - como agora se diz - os bichinhos se soltaram e consegui o pleno. Isto é. Três em um. Mas não totalmente. Mas isso é para outra ocasião.
O primeiro de três em um:Vi esta foto num arquivo de Arnaldo Soares. Julgo que de finais do séc. XIX, ou princípios do XX. A legenda diz: Dispensário da Rainha D. Amélia. Conversei com vários amigos sobre esta foto. Para nós, o dispensário com este nome, seria o dos Tuberculosos, na Praça e Edifício que ainda existe, mas para os lados de Santo Izidro. Mas nada batia certo: Será que havia uma Torre defensiva para aqueles lados ? A Capela não se parece nada com a de S. Crispim... As Torres que se vêm à direita parecem as da Sé, mas... O Dispensário da Rainha D. Amélia não tem este aspecto. Então um olhar mais atento leva-nos a concluir que a foto é mesmo junto às Muralhas. Embora em ruínas, presumo, a Torre não têm nada a ver com a estrutura arquitectónica da actual reconstruída. Mas há uma Capela entre a Torre e o edifício do antigo Mosteiro de Santa Clara. Que Capela era esta ? Quem nos sabe informar ?
Para que a confusão com os meus bichinhos fosse maior, recebi uma informação errada, de alguém que é cicerone de um Monumento Nacional. O edifício que se vê nesta foto, à direita, não tem nada a ver com o antigo Convento, pois é uma obra posterior de muitos séculos. Já foi a central dos Correios - Largo 1º de Dezembro - e esconde-nos a Sé.
No meio desta conversa toda, apenas um desejo. Identificar a Cidade.
Como andava por ali com terceiras intenções (uma delas já divulgada no meu escrito anterior) fui espreitar a subida - e a descida - do funicular. Repito-me muito ? é natural. Esta Cidade repete-se e está sempre a renovar-se a cada olhar. E de quem nos visita, é a primeira vez...
Desci pelos Guindais e não resisti a este contraste. A estória deste bairro será em futuro próximo.
Mas do alto dos Guindais, um olhar sobre a serra do Pilar e o seu Convento. Miradouros não faltam na Cidade. Sobre si mesma ou sobre as vizinhas.
Entrando já pelas Fontaínhas, ex-Passeio e/ou Alameda, olhamos para a Serra do Pilar. Que tanta controvérsia deu, sobre a questão dos desmoronamentos. E os despejos aos moradores. Antes de alarmismos e das sanções que o sr Presidente da Câmara de Gaia propôs, não só aos moradores legais ou não, como ao Estado - que falta de honestidade não só política como humana que o Sr. Presidente Meneses demonstrou. E nunca deverá esquecer-se que é médico - deveria fazer-se o que agora está em curso: Regular e proteger a escarpa. Um organismo estatal o disse sempre. O sr Presidente é que não gostava de o ouvir ou ler... Mas porquê ? Agora, depois de toda a polémica, aproveita-se e muito bem, a criação de uma rota turística. Escrevo conhecedor de parte daquele meio ambiente. E aplaudo. Um tasquinho lá no meio também dava geito. Penso eu de que... Bem lá no meio da escarpa, a Capela do Senhor d'Além tem gente à volta. Será que vão haver obras ? Não consigo descrever o quanto é calmante olhar o Rio. Nem tudo será bonito nas escarpas, deste e daquele lado, mas tiremos partido do que podermos. E fumo um cigarro, mesmo debaixo dum sol de mais de 35 graus, imaginando as antigas praias do Aurélio e do Borras, que já não existem, levando-me a recordações de muitos mergulhos nas águas deste Rio Douro. Continuando, agora o segundo dos três em um.
Sempre em conversas com os amigos, de vez enquanto saltam recordações como por exemplo, onde passava e desembocava o comboio Leixões/Alfândega. Fica o pessoal a pensar, e a cabeça a desenrolar a bobine. Pesquisando, vim a saber que alguém pretende reabrir esta linha turisticamente. Cena maluca, com tantas directivas, sugestões, apreciações e etc. que vêm desde 2003, que nem sei se se referem realmente a este ramal. Ou alguém está a inventar.
Agora a sério, aqui vai mais ou menos uma estória.
Em 1889 uma carta real estabelece que deve ser criada uma linha entre a Alfandega (a Nova, claro) e Leixões exclusivamente para mercadorias. Há as velhas confusões de quem deve ser o "dono" da linha. Tudo começa por Campanhã - Pinheiro - e a Alfândega. Depois que o término deve ser em Contumil. Em 1892, ordena-se que deve seguir a Leixões. Agora, como a estória é apaixonante e longa, mando-te amigo e leitor, ver a wikipédia http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramal_da_Alf%C3%A2ndega
Ainda utilizei esta linha em finais dos anos 70 quando fui trabalhar para S. Mamede. Principalmente à sexta-feira. Entrava lá no apeadeiro e saí em Contumil, que era onde acabava a linha.
O ramal foi encerrado em 1989. Mas a GARRA quer reabilitá-la. Força amigos.
É que a linha está preservada e pode ser utilizada a qualquer momento. Ainda há (houve)inteligências nesta Cidade... As actuais não sei se darão seguimento a alguma coisa...
Aqui na foto saquei a saída (ou entrada) de um dos túneis. Que são (eram) três. Este é na Zona das Fontaínhas, a quem este escrito é dedicado e também ao meu amigo Adriano Moreira, que ía para aqueles lados dar uns chutos na bola de trapos. Ou seria para o túnel do Seminário ? Adiante.
Lembrem-se, caros leitores, que estamos nas Fontaínhas. E então apreciem as belas Pontes sobre o Douro. Confusão ? Nenhuma. É uma questão de "olhares". Infante, D. Maria e S. João, são as Pontes visíveis deste ângulo.
Uma parte das nossas Fontaínhas, um antigo bairro populacional de Campanhã - ou do Bonfim ? ou das duas freguesias ? - que albergava os operários (agora diz-se trabalhadores) das muitas industrias que no princípio e meados do séc. XX começaram a proliferar pela zona.
A actual Rua da Corticeira. Há um século não sei como se chamava A antiga Calçada da Corticeira. Hoje Rua das Carquejeiras. Mas Corticeira, porquê ? a Câmara Municipal não sabe porque assim se chamava. Talvez morasse lá alguém que trabalhava numa fábrica de cortiça. Mas até coloca a hipótese de ter existido por ali uma fábrica daquele produto, a cortiça. Lá no fundo está uma ruína com todo o aspecto de ter sido uma fábrica. Embora tenha descido (e subido) esta calçada imensas vezes para atravessar o Rio no caíco (ou deverá escrever-se caíque ?) que me levava até à Praia do Aurélio, nunca olhei para a fábrica. Ou se olhei... Mas nessa altura era eu um menino de 10 anos e só queria a água do Douro.
O certo é que havia um cais junto ao Rio e por esta íngreme Calçada, com uma inclinação de 40%, subiam, com a carqueja descarregada de Rabelos e Batelões, mulheres (e talvez homens, não sei),com ela à cabeça, destinada aos vários fornos das industrias da região e também de outros pontos da cidade.
À esquerda, o Colégio dos Órfãos. Agora, o terceiro dos três em um. Nas velhas discussões com os amigos, perguntava-mo-nos (será que é assim que se escreve ?) como se chamava este edifício e para que serviu. Das vezes que por aqui passava, inquiria dos mais velhos senhores que por ali estavam o que foi, mas só me diziam que era um Lar. Agora é mesmo um Lar, sim. Mas eu queria saber qual a sua antiga função. Diziam-me que estava ligado aos Lázaros. Outros aos Orfãos. A razão dos primeiros não podia ser. Os Lázaros estavam ligados ao Hospital, hoje Biblioteca Municipal. Os Orfãos estão lá na ponta de Campanhã. As orfãs estão juntas ao Jardim de S. Lázaro. Na Nossa Senhora da Esperança.
Entrei no edifício, e então descobri que foi criado como Asilo de Mendicidade cuja origem veio de Lisboa para que se seguisse o seu exemplo. Para acabar com a mendicidade pelas ruas e proteger os inválidos e necessitados, recolhendo os indigentes e pobres. Distribuindo alimentos a quem não pudesse sair de casa. Está lá escrito num folheto. (séc.XIX).
Não sei se era esta a casa que abria as suas portas, no meu tempo de menino, para se visitarem os velhinhos. A minha memória só recorda as palavras da minha avó e pais.
Mas o edifício tem estória. Começa assim: Séc. XVI. O Açougue da cidade, ali na Sé - no actual Largo de Pedro Vitorino - começa a deitar muitos cheiros. A capacidade para matar 180 bois é pequena. Faz-se um novo açougue na Porta do Sol - mais ao menos onde é hoje o Largo Actor Dias, Capela dos Alfaiates, por aí -. Mas o espaço continua a não servir. As gentes bem da altura residentes no local, sentem-se mal. Então em 1796 começa-se a construção de um novo edifício nas Fontaínhas. Que é utilizado até 1840, quando passa para o Carvalhido. ( Para o pessoal do meu tempo, lembrai-vos do Canil, em S. Dinis ? Pois foi aí que ficou o Matadouro/Canil, até ser mudado para a Corujeira. Já nos nossos anos 50. Claro, do século passado.)
Concluindo, aquele edifício que foi criado para ser Matadouro Municipal (?), devidamente restaurado passou a ser o Asilo da Mendicidade. A foto lá em cima será de Arnaldo Soares. Pormenor do topo da fachada. Não sei quem foi o autor.
Não sei mais pormenores. Nem imaginam como consegui descobrir estas coisas.
Não foi trabalho, só casualidades. E de casualidade em casualidade, o JN tem sempre uma estória publicada. Pode ter 10, 20 anos, mas lá vamos dar.
E já que estamos nas Fontaínhas, olhai a Fonte, que no S. João é escondida para nos mostrar a Cascata "S. João a baptizar Cristo". Fontaínhas quer dizer Fontinha, isto é, local por onde corre muito água ou é nascente. Por aqui correu água para os Bispos e vejam lá, só agora o soube, pela Porta das Verdades, que além de ser local de passagem (e portagem) de quem subia pelo Codeçal (ou Codessal, palavra com dois significados, mas isso é outra estória) para entrar na Cidade Medieval, foi também aqueduto.
Este é o meu Porto surpreendente em cada esquina.