Vi esta foto num arquivo de Arnaldo Soares. Julgo que de finais do séc. XIX, ou princípios do XX. A legenda diz: Dispensário da Rainha D. Amélia. Conversei com vários amigos sobre esta foto. Para nós, o dispensário com este nome, seria o dos Tuberculosos, na Praça e Edifício que ainda existe, mas para os lados de Santo Izidro. Mas nada batia certo: Será que havia uma Torre defensiva para aqueles lados ? A Capela não se parece nada com a de S. Crispim... As Torres que se vêm à direita parecem as da Sé, mas... O Dispensário da Rainha D. Amélia não tem este aspecto.
Então um olhar mais atento leva-nos a concluir que a foto é mesmo junto às Muralhas. Embora em ruínas, presumo, a Torre não têm nada a ver com a estrutura arquitectónica da actual reconstruída. Mas há uma Capela entre a Torre e o edifício do antigo Mosteiro de Santa Clara. Que Capela era esta ? Quem nos sabe informar ?
Desci pelos Guindais e não resisti a este contraste. A estória deste bairro será em futuro próximo.
Mas do alto dos Guindais, um olhar sobre a serra do Pilar e o seu Convento. Miradouros não faltam na Cidade. Sobre si mesma ou sobre as vizinhas.
Entrando já pelas Fontaínhas, ex-Passeio e/ou Alameda, olhamos para a Serra do Pilar. Que tanta controvérsia deu, sobre a questão dos desmoronamentos. E os despejos aos moradores. Antes de alarmismos e das sanções que o sr Presidente da Câmara de Gaia propôs, não só aos moradores legais ou não, como ao Estado - que falta de honestidade não só política como humana que o Sr. Presidente Meneses demonstrou. E nunca deverá esquecer-se que é médico - deveria fazer-se o que agora está em curso: Regular e proteger a escarpa. Um organismo estatal o disse sempre. O sr Presidente é que não gostava de o ouvir ou ler... Mas porquê ? Agora, depois de toda a polémica, aproveita-se e muito bem, a criação de uma rota turística. Escrevo conhecedor de parte daquele meio ambiente. E aplaudo. Um tasquinho lá no meio também dava geito. Penso eu de que...
Bem lá no meio da escarpa, a Capela do Senhor d'Além tem gente à volta. Será que vão haver obras ?
Não consigo descrever o quanto é calmante olhar o Rio. Nem tudo será bonito nas escarpas, deste e daquele lado, mas tiremos partido do que podermos. E fumo um cigarro, mesmo debaixo dum sol de mais de 35 graus, imaginando as antigas praias do Aurélio e do Borras, que já não existem, levando-me a recordações de muitos mergulhos nas águas deste Rio Douro.
Continuando, agora o segundo dos três em um.
Lembrem-se, caros leitores, que estamos nas Fontaínhas. E então apreciem as belas Pontes sobre o Douro. Confusão ? Nenhuma. É uma questão de "olhares". Infante, D. Maria e S. João, são as Pontes visíveis deste ângulo.
Uma parte das nossas Fontaínhas, um antigo bairro populacional de Campanhã - ou do Bonfim ? ou das duas freguesias ? - que albergava os operários (agora diz-se trabalhadores) das muitas industrias que no princípio e meados do séc. XX começaram a proliferar pela zona.
A actual Rua da Corticeira. Há um século não sei como se chamava
A antiga Calçada da Corticeira. Hoje Rua das Carquejeiras. Mas Corticeira, porquê ? a Câmara Municipal não sabe porque assim se chamava. Talvez morasse lá alguém que trabalhava numa fábrica de cortiça. Mas até coloca a hipótese de ter existido por ali uma fábrica daquele produto, a cortiça. Lá no fundo está uma ruína com todo o aspecto de ter sido uma fábrica. Embora tenha descido (e subido) esta calçada imensas vezes para atravessar o Rio no caíco (ou deverá escrever-se caíque ?) que me levava até à Praia do Aurélio, nunca olhei para a fábrica. Ou se olhei... Mas nessa altura era eu um menino de 10 anos e só queria a água do Douro.
Agora, o terceiro dos três em um. Nas velhas discussões com os amigos, perguntava-mo-nos (será que é assim que se escreve ?) como se chamava este edifício e para que serviu. Das vezes que por aqui passava, inquiria dos mais velhos senhores que por ali estavam o que foi, mas só me diziam que era um Lar. Agora é mesmo um Lar, sim. Mas eu queria saber qual a sua antiga função. Diziam-me que estava ligado aos Lázaros. Outros aos Orfãos.
A razão dos primeiros não podia ser. Os Lázaros estavam ligados ao Hospital, hoje Biblioteca Municipal. Os Orfãos estão lá na ponta de Campanhã. As orfãs estão juntas ao Jardim de S. Lázaro. Na Nossa Senhora da Esperança.
Pormenor do topo da fachada. Não sei quem foi o autor. Não foi trabalho, só casualidades. E de casualidade em casualidade, o JN tem sempre uma estória publicada. Pode ter 10, 20 anos, mas lá vamos dar.
E já que estamos nas Fontaínhas, olhai a Fonte, que no S. João é escondida para nos mostrar a Cascata "S. João a baptizar Cristo". Fontaínhas quer dizer Fontinha, isto é, local por onde corre muito água ou é nascente. Por aqui correu água para os Bispos e vejam lá, só agora o soube, pela Porta das Verdades, que além de ser local de passagem (e portagem) de quem subia pelo Codeçal (ou Codessal, palavra com dois significados, mas isso é outra estória) para entrar na Cidade Medieval, foi também aqueduto.
E aí sim, temos um belíssimo Miradouro sobre o Rio Douro e do outro lado a escarpa da Serra do Pilar. Ao fundo, as Pontes do Infante, D. Maria - que nunca mais ata nem desata sobre o seu aproveitamento turístico, tipicamente Coisas à moda de Portugal - e a de S. João.











Uma foto de Tavares da Fonseca, de finais dos anos 70. Em primeiro plano a Praça da Liberdade, seguindo-se a Avenida dos Aliados e junto à Câmara a actual Praça General Humberto Delgado. Também esta era calcetada com a "Calçada Portuguesa".










