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domingo, 28 de junho de 2015

220 - Uma visita a Braga que foi uma lição

Após o passeio no verão passado que fiz com os meus queridos ex-camaradas e amigos do Bando do Café Progresso a Braga, concretamente ao Bom Jesus e ao Sameiro, foi-me oferecida uma viagem por Braga. A altura proporcionou-se e lá fui eu de abalada até à Cidade dos Arcebispos no Urbano que apanhei em São Bento. Viagem barata, ida e volta 3 euros e pouco.
Não faço ideia das vezes que fui a Braga. Tanto profissionalmente (saudades do Arminho e do "maluco" do Ermelando Sequeira e das suas subidas à Falperra pela esquerda no Golfe prego a fundo e em derrapagem, para me oferecer o almoço. Nunca fiquei "cagado" como ele me perguntava, mas não andaria longe...) como em passeios nas excursões de domingo de verão com grupos dos 20 amigos.
Mas agora foi diferente, embora o passeio fosse em tempo reduzido. Vamos indo e vamos escrevendo as minhas sensações.

Digamos que o passeio começou no Bom Jesus com um pic-nic excelente. Lembrei-me do Neca Rafael e do seu Fado Bom Jesus dedicado à sogra: E no Bom Jesus, maluco me pus ao vê-la comer. etc e tal.
Descendo para Braga uma placa chamou-me a atenção. Anotei o Castelo apenas por curiosidade
e fui fotografando o que vi.

Existe mesmo um edifício com nome de Castelo do Bom Jesus. É uma construção do séc. XVIII (?) atribuída a Ernesto Korrodi, arquitecto Suíço nascido em 1870 que veio para Portugal e se naturalizou. Chegou a ser professor em Braga onde deixou algumas obras. Mas esta não pode ter sido dele, pois não está referida na sua biografia. E se é do séc. XVIII  muito menos ainda.
Ainda bem que vou tendo alguma memória para ter dúvidas e confirmar factos.
Confusões, mas adiante.
O edifício e o parque anexo (que é lindíssimo visto no Google Eart) é actualmente um estabelecimento hoteleiro. A foto mostra o portão da entrada, agora fechado.
Vamos para a Cidade e ao Centro Histórico.
O Jardim de Santa Bárbara, um dos ex-libris deixa-me recordações. Junto ao Chafariz que se encontra ao centro (não posso publicar todas as fotos) fotografei os meus compadres Russel e Fernanda há cerca de 50 anos. Muito depois disso já por aqui andei e tinha uma ideia belíssima do Jardim.
Francamente fiquei desiludido ao vê-lo actualmente. Sem cor, sem flores com excepção de algumas roseiras. É certo que andavam a plantar flores, que florescerão daqui a 15-20 dias. Mas a arte de jardinagem não me pareceu nada com a que tinha na memória e vi em muitas fotos. Mas posso estar errado.
Ao fundo a Ala Medieval do Paço no Palácio dos Arcebispos construída nos séc. XIV e XV, com a aparência de uma fortificação.
Antes de prosseguir e para não me repetir, o aspecto da patine temporal de muitas das edificações religiosas, deixa-nos o aspecto de sujidade que só vi igual em edifícios em Milão à volta do Scala. Se nesta cidade se pode concluir (?) que será o efeito da poluição automóvel - a sujidade vai em degradê de baixo para cima - , não me parece que seja a mesma razão do Centro Histórico de Braga.
Sei que o granito se suja muito, mas será que a Cidade Rica do Clero anda a perder valores ?
Adiante.
 Chamo-lhe anexo ao Jardim de Santa Bárbara ao largo com edifícios de arquitectura impróprios (na minha opinião, claro) para um Centro Histórico. Num lago com repuxos admiro a coragem de terem colocado um Dragão de Azul  mais ou menos em tom Carolina numa Cidade vermelha por todos os lados.

Formando o Largo do Paço, duas Alas do Paço Bracarense que foram construídas ao longo dos séculos. Aqui fiquei irritado. A luz estava péssima para fotografar e os fios que atravessam o espaço não deixam escolher o melhor ângulo.
Inadvertidamente e por causa dos fios, soltei uma bacorada no momento em que passavam dois eclesiásticos. Olhei para a cara deles e pedi desculpa baixinho...
Na realidade e para quem gosta destas coisas, o conjunto é lindíssimo e cheio de pormenores, cada um com a sua história como vim a descobrir.

Mas porque será que não enterram os fios ? Custava muito ? Sei que é uma coisa muito comum os fios aéreos, mas que diabo, pensem nas imagens que ficam gravadas nas câmaras dos turistas. Em Braga como em todos os lugares de Portugal.
Nestes edifícios está a Reitoria da Universidade do Minho.

Uma confusão, para mim, de edifícios estão anexos à Sé de Braga. Claro que fui bem ciceroneado porque senão não entendia nada. Depois a pesquisa levou-me à conclusão que cada Arcebispo e o Cabido quiseram deixar a sua marca ao longo dos séculos resultando que da original Sé pouco existirá.
São Capelas e Igrejas edificadas, claustros extintos e claustros novos, arqueologia e muitas pedras à solta.
Se nos lembrarmos que aqui estiveram os Romanos que expulsaram os  Brácaros no ano 16 antes de Cristo, e depois capital política e intelectual do Reino dos Suevos, nem imagino as relíquias - não só de santos, que parece serem muitas e espalhadas pelas Igrejas e Capelas -, arqueológicas que devem existir e muito mais credíveis dando-nos a conhecer as civilizações que fizeram a história de Braga.
Mas não houve tempo para ver tudo que já foi descoberto.

 Presume-se (ai o IPPAR) que é uma absidíola do projecto inicial da Sé. A abóbada é coberta por uma pintura do séc. XV. Só a descobri por casualidade e não sei se é uma preciosidade mas sei que está em muito mau estado de conservação.
 Este conjunto mostra um personagem parecido com um macaco a colocar a Mitra a um dignitário da Igreja. Como em tudo o que se vê espalhado pelos pátios da Sé, não existe qualquer referência. Sejam de Capelas, das Pedras, do Pelourinho de Braga, da Absidíola etc. E são imensas peças de arqueologia. Pode não interessar para nada, mas eu gostava de ler e pronto. Umas coisas encontrei em pesquisas que por sorte me apareceram. Sobre este conjunto não encontrei nada.
Se algum visitante deste espaço souber o que representa, agradeço a informação.
Pelourinho de Braga. Segundo li no Igespar deverá ser do séc. XV. Foi colocado em vários locais da cidade até que chegou aqui o que resta dele.

 Casa dos Paivas . Edifício construído no séc. XVI com materiais de edificações anteriores. No final do séc. XIX a Câmara aluga-o para instalar o Hospício dos Expostos ou Casa da Roda.
Já foi sede de Junta de Freguesia, que pelos vistos está a vagar aos poucos.

 Um bonito edifício em S. João do Souto

Um pormenor da Casa dos Coimbras. 
Antes de mais uma divagação. Há coisas que não se entende porque ficam guardadas dentro de nós. Como já referi algumas vezes, trabalhei desde os 13 anos numa grande empresa gráfica não só do Porto como de Portugal. Uma das suas especialidades era a reprodução de postais ilustrados para muitos e vários fotógrafos editores de Portugal (Continental e Ilhas). Recordo-me de tantos, alguns conheci pessoalmente e talvez venha deles o meu bichinho pela fotografia.
Nos anos 60 do século passado, um dos editores era a Livraria Cruz, de Braga. Uma das séries de postais incluía a Capela e Casa dos Coimbras, imagem que nunca esqueci. Ao passar agora por elas bastou um relance para reconhecer as edificações.
Mas a história conheci-a agora também.
Presume o Ippar (ai o Ippar ou Igespar como lhe queiram chamar...) que a Casa é uma edificação do séc. XV tendo sido adquirida em 1505 por D. João de Coimbra, Provisor da Mitra de Braga. Tem uma Capela anexa evocando Nossa Senhora da Conceição que foi construída em 1525.
Por causa da urbanização do local, demoliram em 1906 o palacete, guardaram os elementos arquitectónicos Manuelinos e reconstruíram-no junto à Capela do outro lado da Rua, chamemos-lhe assim, cujas obras terminaram em 1931.
O conjunto é Monumento Nacional.

A Casa anterior à demolição.

O Conjunto edificado. À esquerda é a Igreja de S. João do Souto, construída no séc. XVIII

Igreja do Hospital ou Igreja de S. Marcos. Construída no séc. XVIII sob risco do arquitecto Carlos Amarante (Braga, 30.10.1748 - Porto, 22.Janeiro.1815).
Reparem no edifício do lado esquerdo.

Vizinha, a Igreja de Santa Cruz
Templo construído no século XVII, mas a demora nas obras  arruinaram-no prematuramente. Foi demolido com excepção da Fachada. As obras foram concluídas em 1739.

Gostando Braga de se classificar como a Capital do Barroco como podem ter permitido nesta Praça do lado esquerdo, edifícios de aspecto horrível de fachadas em cimento branco e vidro. Fotografei-os mas a luz forte incidindo nos brancos e espelhos deu uma borrada.
Mas quem sou eu...com a minha mania de gostar de calhaus.


Uma recordação para os amigos da minha idade.
Desde 1948, o Cardoso da Saudade era um especialista em confecção de samarras, se bem me lembro.
Na fábrica antiga, não sei se existe uma nova, foram encontrados importantes elementos arqueológicos.

Em época de S. João, Braga ornamenta-se como terrinha de província no largo do Município. Desculpem amigos Bracarenses, mas é a minha opinião para as Bandeirinhas nesta bela Praça.

Lá vamos nós a caminho do antigo Campo da Vinha. Aquele enorme espaço onde paravam as camionetas das excursões domingueiras e que foi lugar de feira semanal.
Chama-nos a atenção uma escultura redonda que parece ser em alumínio. Voltada para a Praça Conde Agrolongo - Campo da Vinha - a imagem de Salgado Zenha.
Em pesquisa posterior li que se chama Silo da Memória do escultor bracarense Alberto Vieira e é uma homenagem evocativa dos 40 anos do 25 de Abril e simultâneamente a Salgado Zenha.
Se gosto ou não do "zigurate sumério" é coisa que não interessa aos bracarenses.
A foto inferior direita mostra-nos mais uma arquitectura esquisita no centro de uma zona ajardinada e pedonal que é o antigo Campo da Vinha; à esquerda o Convento do Salvador do séc. XVII e o novo edifício de inícios do século passado que abrigou o Asilo de Mendicidade e hoje é um Lar que tem o nome do seu fundador, o Conde de Agrolongo.

Campo da Vinha em Dia de Feira
O ângulo desta foto é quase coincidente com a minha.

Igreja e Convento do Pópulo, construído desde os finais do séc. XVI até ao XIX.  A partir de 1841 as instalações do Convento acolhem o Regimento de Infantaria 8; e Estátua do Marechal Gomes da Costa.
 Deste local partiram as forças comandadas por Gomes da Costa em 28 Maio de 1926  a caminho de Lisboa tomando o Governo. Acontece que o Carmona achou que ele era um fraco, exilou-o nos Açores e chamou-lhe Marechal. A partir daqui, o Salazar em 1928 regressa ao Ministério das Finanças até 1932, ele que tinha sido deposto pelo Gomes da Costa em 1926. Até ao Estado Novo foi sempre a andar. O resto da história é bem conhecida.
Foi o local onde se principiaram a dar os primeiros pontapés na bola em Braga e também usado para outros desportos. 

Neste pobre escrito quis apenas deixar a minha opinião sobre o que fui vendo e associando a algumas recordações antigas. Na realidade não conhecia Braga, nem conheço, mas já foi uma grande ajuda de S. Meneses a quem reconhecidamente estou muito grato.

Mais detalhado é um trabalho em pps, onde mostro alguns monumentos e um pouco de história, naturalmente pesquisada em vários sites.

domingo, 7 de junho de 2015

219 - Restauros e não só

Como me escreveu em tempos a minha amiga Lucineide Brito, oxalá um dia mostres os restauros da tua Cidade.
Aproveitei o comentário para dar o título a esta crónica e mostrar dois restauros que por causa deles andava desde há muito a dar cabo da cabeça aos Presidentes da Câmara para conseguirem uma solução.
Vamos às imagens:
A Fonte da Avenida Montevideu
Esteve abandonada e meio arruinada durante anos. A primeira vez que escrevi sobre a ruína foi em Julho 2007. Não acredito que quem destruiu a Avenida dos Aliados, vendeu Palácios, trouxe Aviões e Automóveis antigos à Cidade, não tenha tido nos cofres uns miseráveis Euros para restaurar a fonte e pô-la a jorrar uns esguichos de água. Um Boata-abaixo ao ex- Presidente Rui Rio. 
Fiquei feliz ao ver por casualidade há dias uma foto da Fonte a "trabalhar". Não descansei enquanto a não fui ver e lembrar-me dos meus tempos de menino que levado pelas mãos do meu pai passeava pelos Jardins da Foz. Parabéns ao Presidente Rui Moreita e um Boata-acima para ele.
 A fonte foi construída em 1931 desenhada pelo arquitecto Manuel Marques (Avintes,1890-1956) e parece que se destinava à Avenida dos Aliados. 
 A volumetria seria grande e foi aconselhada à cidade um local para ela. Em boa hora.
Velhos tempos...

Outra consolação foi ver o edifício fantasma que foi dos STCP , construído em 1912 a acabar de recuperar

Esta placa não é a primitiva. Fui ao longo dos últimos anos "botando" abaixo dos executivos camarários que desleixaram nesta "coisa". O Parque Ocidental da Cidade vem aqui dar e era uma vergonha depararmo-nos com a ruína e seus arredores.
O edifício em 1988 foi cedido pelos STCP ao Colégio Luso Internacional do Porto que após obras de recuperação funcionou entre 1989 e 1998. Em 1990 foi vendido à Câmara do Porto e demorou 25 anos a resolver um destino.
Não gosto da cor. Visto o edifício do Castelo do Queijo inserido no local é francamente aberrante ao olhar. Mas gostos são gostos e a Urbanização e a Cultura e o Ambiente Municipais estão lá, não é verdade ?
Na altura desta foto, em 1988 ou 89, estava o edifício a ser restaurado para o Colégio. Toda a frente está agora ligada ao mar e as traseiras ao Parque Ocidental da Cidade.

 Praça de Gonçalves Zarco e Estátua de D. João VI.
Tem cabimento nesta página a recordação desta Praça e da Estátua ? Tem sim, senhores e senhoras. Passo a explicar: O primeiro ponto tem a ver com o meu querido amigo Eduardo Campos que levantou a questão desta estátua ser uma réplica da que foi oferecida à Cidade do Rio de Janeiro aquando dos 400 anos da sua Fundação e ficando situada no antigo local onde desembarcou a família real em 7 de Março de 1808, fugidos às Invasões Francesas. O local chamava-se Largo do Paço ou Rossio do Carmo. Foi inaugurada em 10 de Junho de 1965, precisamente no Dia de Camões, chamado outrora da Raça.
No Rio de Janeiro, a Estátua na chamada actualmente Praça de 15 de Novembro, se não erro.
Pois bem, eu cheio de dúvidas fui pesquisar e tenho de dar toda a razão ao meu amigo. A do Rio de Janeiro é em bronze aproveitado de canhões antigos. A do Porto é em latão e foi inaugurada em 1966. 
Por curiosidade diga-se que o Cavalo do Rei é um Lusitano de Altér-do-Chão de onde os invasores franceses roubaram 581. Só desta Cudelaria. Para o Brasil foram levados vários Cavalos Lusitanos de Altér, e um deles ofertado pelo Rei a um fazendeiro de Minas. Cruzados com as raças ibéricas já existentes desde o século XVI também levadas para o Brasil, creio que eram já os famosos Marchadores originou os Sublimes. Posteriormente alguns foram trazidos para próximo da corte no Rio e passaram a ser chamados de Mangalarga devido ao nome da Fazenda, no Paty do Alferes, hoje uma Pousada, onde foram desenvolvidos. Vários sites com histórias cruzadas, de fazendas particulares e reais, nome das raças, etc. Adiante.
Agora a nossa Estátua. 
A Praça Gonçalves Zarco, como todas ou quase as Praças e Avenidas eram floridas. Um dia, um Presidente inteligente (não sei qual foi mas sei que foi em finais do séc. XX ou já em princípios do XXI) resolveu acabar com a Praça e fazer um parque subterrâneo para automóveis. Que deu imensos problemas. Como resultado o pedestal - não o primitivo mas um novo - foi rebaixado juntamente com a Estátua e dá-nos a impressão visto de alguns ângulos que o cavaleiro está em cima dos autocarros. Um vergonha de projecto. E sem jardim.

 O Terminal de Paquetes de Cruzeiros do Porto de Leixões
Querem acabar com o único Porto do País que se renova, amplia, mais  produtivo e mais dinheiro faz ganhar ao nosso Estado Lisboeta. Muitas lutas para tentarem levar para o centralismo mais um bem do Norte para encobrir a bancarrota sulista. 
Dentro de breves dias será inaugurado (se o não foi já)  o novo terminal, do lado esquerdo das fotos, da autoria do arquitecto Luís Pedro Silva.
Custou 5 vezes menos do que a Casa da Música; Matosinhos e a Região vão agradecer. E os centralistas também, pois claro.


Esta imagem é só para recordar os velhos e velhas camaradas do Clube da Praia do Castelo do Queijo. Um abraço para eles e elas.

Como se depreende, algumas fotos foram roubadas assim como a pesquisa de textos. A Estátua no Rio é da Wikipédia; Os textos sobre os Cavalos Lusitanos versus Mangalarga apanhei-os em vários sites: Cavalonet. pt., Marchador br.; Mangalarga e claro, socorri-me do meu amigo Gabriel doportoenaosó.blogspot.pt para aprender, roubar textos e fotos.

domingo, 10 de maio de 2015

218 - Casualidades

O título já foi título em outras ocasiões. Mas não consigo escolher melhor para ocasiões que não foram programadas.
Depois do convívio (ontem, 9.05) excelente no Choupal dos Melros com a velha tropa da Tabanca dos Melros que reúne pessoal não só Gondomarense como de vários pontos do País, entre boas comidas e bebidas e anedotas mais ou menos picantes, velhas e novas, a convite do Fernando Súcio fomos reconhecer um local de sacrifício, onde espero que hoje só tenham acontecido coisas boas.

 O destino era Crestuma, mas já que passávamos pela marginal 108 - EN 108, que liga o Porto à Régua acompanhando a margem direita do Rio Douro - tinha de fixar algumas fotos que irão servir para um próximo trabalho sobre Vila Nova de Gaia. Casualidades. Arnelas do outro lado do Rio. Agora sei que é Arnelas porque a partir de uma foto com cerca de 5 anos que distribui pelos amigos Zé Ferreira e Antero Silva, o lugar foi reconhecido.
Passamos pelo Vigário a correr não fosse o diabo tecê-las. 

 A Ponte da Foz do Sousa, um dos Rios que dão de beber à região do Porto. Sempre em movimento a captação das fotos. Não deu para mais. Era uma pressinha com que estávamos.

 Vista do lado de Gondomar a barragem de Crestuma-Lever.
Atravessando a estrada da Barragem a caminho de Lever e depois Crestuma
A caminho de Crestuma. Um pouco antes um paquete vindo do Douro Vinhateiro tinha atravessado a eclusa. Não foi possível registar o momento. Um atraso de poucos minutos, mas as casualidades não são programadas.

Mas não foi só por causa destas casualidades que resolvi "meter" esta converseta.
Meios perdidos em Crestuma à procura dos Bombeiros, vindo nós da marginal. Nem uma seta, uma informação que seja se vêm por aqui.
Por isso deixo aqui o meu pedido ao Zé Ferreira, que tanto brio e vaidade tem nesta terra, para pedir a quem de direito que sinalize o quartel dos Bombeiros.
Valeu-nos, primeiro, uma informação de um transeunte que nos apontou o cemitério como ponto de referência. Depois, o de uma senhora condutora no largo em frente ao edifício da Junta, encostada ao cemitério. Tudo a bater certinho, só o que se julga ali próximo são uns quilómetros de percurso. Para além de muitas ruas-estradas que confundem o itinerário.
Pensávamos que já tínhamos chegado por causa de umas bandeiras vermelhas e brancas, mas era o Pavilhão desportivo.
Aí valeram-nos duas crianças, talvez de uns 10 anos de idade. Embora não sabendo onde era o Quartel dos Bombeiros, foram perguntando a toda a gente que por ali passava. Ninguém sabia até que acertaram e um cavalheiro ainda jovem acercou-se de nós e disse: Sigam-me. Certinho e Direitinho; Quartel dos Bombeiros à vista e já agora diga-nos a saída para o Porto. Prontos.
Embora não me impressionasse a solidariedade, coisa comum no Povo Português, fiquei feliz por ver duas crianças tentando ajudar. E assim se vê, ou revê, a nossa gente.

Espero que o sacrifício onde amigos meus se integraram (a esta hora já estão mais que integres e sacrificados), não tenha sido em vão. 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

217 - A vida com amigos é outra coisa

Não era dia de Bando mas até parecia, mas nem só do Bando vivem os Bandalhos e um passeio redondo por Santa Catarina numa tarde agradável, sabe muito bem.
O encontro estava marcado junto à Capela das Almas e logo a seguir vai um cafézinho, um bagaço e uma morena para o Peixoto. Que mais parecia ter pernas, tanto a garrafa se mexia. Deveria ser por causa da inclinação da Rua.
A Confraria da Capela das Almas se resolvesse cobrar 10 cêntimos por cada foto aos seus azulejos ganhava uma fortuna. Imagino quanto gastaram pelo último restauro. Oxalá não voltem a roubá-los como recordação.
O Zé Catió não perdeu a oportunidade para mandar um click.
Parecem um Bando de Pardais...os Putos...
E lá vão eles Santa Catarina abaixo.
Enquanto o Cibrão resolvia um problema com a operadora telefónica que não mais tinha fim - com NOS é assim mas irritou-o profundamente fazendo-o até perder o código - aproveita-se para um olhar à volta e marcar o 22. À direita  o Palladium, em frente o edifício da antiga Casa Inglesa, agora Marcolino dos Rolex (o Peixoto não se lembrou de ir ver a montra) e para cima a Rua de Passos Manuel.
As escadas do Coliseu deram para descansar enquanto aguardávamos o Quintino que foi à loja e o Admor pagar a conta.
Enquanto isso, marcou-se o destino que seria nos Poveiros.
O Zé Catió, desconhecedor destas coisas, julgou que os tínhamos perdido. Estava impaciente por uma loirinha.
Finalmente elas, as loirinhas e morenas, chegaram no antigo D. Pasollini, agora Solar do Cachorro ou algo parecido com este nome comercial para acompanhar umas coisitas picantes.
O cachorro foi o preferido mas Zé Catió, mais fino, preferiu uma Francesinha que sem dúvida estava a preceito com o queijo bem derretido e o molho apurado.
 Dois pidões (que lindo nome nos arranjaram) aguardando a segunda dose.
As mão calejadas do Zé e um grande plano artístico do Quim Silva.
Que raiva, disse o Cibrão. Não sabemos a que se referia, mas prontos.
Contra o habitual, o J.Teix. acabou muito cedo. Presumimos que anda de dieta, bem como o Admor, também ele já terminado.
A casualidade de um espelho com o arco-íris (agora não é preciso o hífen, dizem as iluminadas criaturas que criaram o AO, mas que se lixe - não as eleições como diz o tótó do primeiro ministro - não vou a exame. Mas que o Peixoto está muito bem, não há dúvidas.
O J.Teix. apresentou um plano sobre como dividir a dívida. Muito expressionista. Então paguemos e não bufemos e não sejemos (linda palavra) piegas, como voltará a dizer o nosso caloteiro PM.o PPC,, daqui a uns dias. Corroborado pelo PP. Já que o PR não liga a essas minudências. 
Retomamos a caminha,cada um para o seu lado e já Santa Catarina está debaixo dos nossos olhares com os comércios fechados.
Os sobrantes caminhadores olham um artista de rua e a sua arte. Interessante a expressão curiosa do pequenino assistente.
Os que sobraram, regressaram ao ponto de partida. Uma gentil apaixonada por fotografia fez o boneco para recordação com a Capela das Almas em fundo.
Foi uma correria até conseguir um estabelecimento aberto para descarga dos excedentes líquidos. Foi no Lua Nova porque todos os outros já estavam fechados.
  Diga-se de passagem que servem um bom café e bagaço. Cheiinhos ambos, tudo por 1€.. Mai'nada.
Retornando, noite quase fechada,e a Lua saiu da Nova para Crescente.
E já está contada a história de uma tarde mais ou menos Bandalha. Que por não ser do Bando, vai por aqui mesmo quase toda explicada. Quase, claro, não se pode contar tudo.

Aproveito para explicar:
Não sejemos piegas e que se lixem as eleições, são frases do PM - Primeiro Ministro. PPC - Pedro Passos Coelho.
PP, Paulo Portas, o viajante dos aviões e submarinos mais conhecido pelo Paulinho das Feiras de peito ao leu e também como o Irrevogável.
PR o mesmo que Presidente da República, mais conhecido pelos seus gostos por Bolo-rei comido com a boca aberta, por Vaquinhas a comer nos Açores de boca fechada e por Cagarras das Ilhas Madeirenses.
Alguém que não gosta de minudências
AO - mais conhecido como Aborto Ortográfico.

Como agora é muito in - queresse dizer muito na moda - qualquer comentário de um qualquer comentador político têm de conter uma frase ou muitas, porque ficam muito bem e ilustram os seus textos ou conversas e quantas mais, mais julgam que os admiramos, de alguém estrangeiro muito famoso seja um economista, psicólogo, historiador etc..
Por isso, à força de tanto ler (ouvir muito pouco ca té tenho medo), ganhei a sabedoria desses comentadores escritores-faladores para meter as frases mui sapientes do nosso famoso Primeiro Ministro.
Agora não digam que não expliquei.