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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

168 - Casualidades

A historieta ou estorieta que vai ser escrita por aqui abaixo ao correr da pena é ligada por puras casualidades. Nem duvidem. Tenho testemunhas.
O Peixoto que está a maior parte do tempo no ar condicionado do Parque de Campismo de Medas, (ontem deve ter levado com um susto dos antigos), telefonou-me a informar que viria ao Porto. Encontro definido para o Bolhão cerca das 13 horas. Isso foi a 29 do mês passado se a memória não falha.
Telefonemas para os amigos, uns de férias, outros nem sim nem não, mas claro dei a primazia ao querido Presidente do Bando do Café Progresso, Jotex como lhe chama o Zé Catió, que depois de ter demorado uma infinidade de tempo a consultar a sua agenda chegou à conclusão não lhe ser possível alterar compromissos já assumidos anteriormente.
O encontro demorou um pouco mais a acontecer devido a um acidente na Marginal e já o Zé Catió me tinha feito umas tantas chamadas de confirmação e porque também andava perdido ou cousa que o valha, mais o seu compadre Romualdo Silva.
Onde vamos matar a desalmada foi resolvido de imediato. Pessoalmente já andava com saudades de umas tripas e a lógica ia dar ao Olho. Já os meus queridos amigos e leitores conhecem a História desta casa centenária, mas sempre se descobre uma relíquia, neste caso, de um grupo de amigos que já não devem estar deste lado do mundo e gravaram para a posteridade a sua passagem por aqui.
Por falar nisso as Tripas estavam como habitualmente, o melão também, o bagaço é que o Sousa torceu o nariz e lá veio uma Ponte de Amarante, que caté o Peixoto achou uma delícia de doce. Quando um gajo já tem o casco muito lavado por anos de utilização diz cada coisa caté assombra.
Tudo casualidades e adiante.

 Aos poucos, a zona envolvente ao Olho vai sendo recuperada e alindada.

Problemas seguintes eram os programas para desenfartar. O compadre do Zé anulou uma visita à Justiça para os lados de Gonçalo Cristóvão. Um problema a menos. O Zé queria ir à Rua Escura bater umas chapas para incluir no seu Livro de Memórias. O Peixoto, nim, e eu queria ir à Alfandega ver como era O Porto dos Comes e da Cerveja artesanal para provar, recomendada por um amigo Faceboqueiro. Que em breve espero conhecer pessoalmente. Ganhei desempatando no último minuto com o argumento, Subir à Sé com este calor e a falta de água que há por causa dos incêndios nem pensar. É desenfardanço a mais. Na Alfândega não falta água, até porque o Rio Douro lhe banha os alicerces.  
Começamos a descer Mouzinho da Silveira e em S. Domingos o Peixoto encontrou o que procurava há anos: Um fogareiro em ferro fundido, como os de antigamente. Reserva efectuada e prossigamos.

Toda a zona de Mouzinho, S. Domingos, Ferreira Borges está um rebuliço. Os arranjos das Ruas fizeram surgir coisas que os arqueólogos tratam com carinho. Lá estivemos um pouco a ver a calma daquela gente a limpar as pedrinhas. Já o Prof. Joel Clero fez uma reportagem filmada embora pequena dos arcos e gravações agora descobertos e descobertas junto ao Rio da Vila, que passa bem próximo.

Lembrei-me então de uma troca de emails que tive há relativamente pouco tempo com uma senhora brasileira a viver nos USA, descendente de alguém que foi importante no séc. XVI ou XVII e que viveu na antiga Rua da Ferraria de Baixo ou Ferraria Nova conforme também era conhecida.
Sinceramente, esqueci o nome da Família e perdi o contacto com a Senhora. Na altura enviou-me uma foto de um edifício amarelo onde terá nascido ou vivido o seu familiar.  Hoje lamento o facto, mas nada posso fazer, a não ser que ela me volte a encontrar aqui.
Uma imagem da Rua, descendo-a, de quem vem da Ferreira Borges 
O nome actual da Rua vem-lhe do Jornal O Comércio do Porto que aqui teve as suas instalações por volta de 1857. O Jornal saiu com o nome de O Commércio em 2 de Junho de 1854, era trissemanário e até à sua extinção em 30 de Julho de 2005 sempre foi assim conhecido. 151 anos de publicação, era o segundo Jornal mais antigo do País, depois do Açoreano http://www.acorianooriental.pt/  a quem desejo longa vida.
Era o Jornal que meu pai comprava às segundas-feiras por causa do Desporto. Lembro-me das grandes reportagens do domingo anterior, com três fotos magníficas na última página. Duas na horizontal e a do meio na vertical. Comprava-o também à quinta-feira. E como eu gostava dos quadradinhos com as aventuras do Ferdenand'.

É uma rua com belos prédios e em bom estado de conservação, salvo uma ou outra excepção. Entretanto descobri que Bento Carqueja, sobrinho do fundador do Jornal também aqui morou, saído da sua terra natal, Oliveira de Azeméis, com 10 anos para viver com os tios Francisco e Paulina. Foi ele o grande impulsionador do Jornal, mas creio que as suas instalações seriam só as redactoriais, pois ele imprimia-se numa Tipografia em Belmonte. Mas isso a História do Jornal, na net, não nos confirma. O seu arquivo está à guarda da Câmara de Gaia e o título pertence à mesma empresa do Faro de Vigo.
Bento Carqueja é uma referencias da Cidade do Porto. Além das obras sociais que nos legou - ou o seu Jornal - e não só no Porto como em Gaia e especialmente em Oliveira de Azeméis. Nasceu em 6 de Novembro de 1860 e faleceu na Rua do Molhe, à Foz do Douro em 2 de Agosto de 1935.
Foto de Bento Carqueja roubada do blogue http://anaisagaleria.blogspot.pt

Mais um bonito edifício com a fachada em azulejo relevado

E descobri mais. O grande Agostinho da Silva foi Portuense de nascimento e morou nesta rua. Nascido no Porto em 1906, foi nesse mesmo ano para Barca D'Alva e regressou ao Porto 6 anos depois, onde iniciou a primária na Escola de S. Nicolau. Passou pela Escola Industrial Mouzinho da Silveira e depois pelo Liceu Rodrigues de Freitas. Fez Filologia Clássica na Universidade do Porto e é doutorado em 1929. Pouco depois partiu para o Mundo e creio que nunca mais viveu no Porto.

As imagens dos edifícios estão colocadas de modo aliatório conforme desciamos a Rua. Não sei onde viveram as personagens referidas nem as instalações do Jornal, porque não há placas identificativas. E podem crer que passei muito tempo a olhar para o ar. A Câmara Municipal do Porto não tem tempo para minudências.
Só por curiosidade refiro que a Ferraria de Baixo é topónimo antiquíssimo e ferreiros que aqui trabalhavam estiveram na construção da armada que foi conquistar Ceuta em 22 de Agosto de 1415. Embora não tenha ligação directa com este escrito, cá vai a lembrança: é a partir desta data que somos conhecidos por Tripeiros. Só faltam 2 anos para se comemorarem os 600 anos dessa efeméride. Espero nessa altura, se cá estiver, assistir a Grandes Comemorações Tripeiras e não só.
Mas a rua só começa a ser edificada no séc. XVI.

Hospital da Ordem de S. Francisco é dos anos 30-40 do século XVIII,
e foi sofrendo aumentos sucessivos.

A Janela que é uma referência artística 

Passando por S. João Novo só para lembrar que a norte do largo está um Palácio a desfazer-se. Alberga, segundo a Câmara Municipal, o Museu de Etnografia de Entre-Douro e Minho. O que eu não acredito, pois lá nada se passa. Onde pára o seu espólio que entendidos dizem ser o mais valioso do género em Portugal ?

Pormenor da Rua, vista de baixo para cima. O Hospital à direita

Continuando a descer, depois de passarmos a Rua da Bolsa e quási em frente, podemos apreciar a magia do Sr. Manuel Andrade. 
Interessados em artesanato em madeira é só contactar pelo telefone 918606369 
Algumas peças em exposição


Mais alguns pormenores da Rua

Cá está O Bom Talher há 30 anos a servir comidinhas. Não tem nada que enganar. Está localizado próximo do princípio da Rua que nasce na Rua da Alfândega. Do lado direito de quem desce. Preços bem razoáveis para cozinha muito portuguesa. A especialidade é o Polvo mas na montra apresentava alguns espécimenes de Gadus morhua originais, de lombo do alto. Vi a etiqueta que não engana. Este veio dos Mares do Norte. E o nosso Fiel Amigo é servido com honras de Liberdade.
Para quem reclamar, é-lhe apresentada a original bengala de Baião, terra da D. Natércia  
Gente ilustre tem passado por esta respeitável casa. O saudoso Prof. Hermano Saraiva foi seu cliente assíduo. O salão não é grande, mas muito acolhedor e aceita reservas pelos telefones 222056232 e 964049935.

Chegados à Rua de S. Francisco, na parte baixa, impossível não olhar para o edifício de mais de 40 metros e que foi a antiga Fábrica dos Chumbinhos. 

Mas nesta Rua de S. Francisco também há com que satisfazer as necessidades dos Pescadores. Pensei que a rapaziada se tinha perdido, mas descobri que estavam todos lá dentro a fazer compras.

É quási o fim, ou correctamente dizendo, o princípio da Rua do Comércio do Porto. Mais uma foto,  e então reparei na única placa da rua, salvo melhor visão, que poderia identificar um edifício.

Afinal é uma placa vaidosa publicitando um prémio de arquitectura. Dentro é soturno, uma mesa e uma senhora, dois cavalheiros a quem me dirigi para saber o que albergava o edifício. Pois alberga mais uma instituição camarária, cujo nome esqueci. Mas conversa vai, conversa vem, fiquei conhecedor de uma história.
Há algum tempo esteve aqui (no edifício) uma senhora que disse ter ele pertencido a um seu familiar antigo. E até chorou. Eles não sabiam absolutamente nada sobre antigos ou recentes proprietários, nem se lembravam já do episódio que só por acaso lhes ressuscitei. E a Senhora também não lhes ficou na memória. 

Não podemos passar sem recordar a antiguidade do Forno Velho. Beco, Calçada ou Escadas, não interessa, porque teve ou tem todos estes topónimos. Na placa identificativa é Calçada. Por aqui existiu um forno que terá sido dos tempos Judaicos ou Arménios mas só referenciado em 1584 em prazos da Misericórdia. 
Os Judeus foram expulsos de Portugal nos finais do séc. XV e não custa a crer que o forno já existisse, pois bem próximo há a Rua de ou da Atafona que quer dizer do árabe Tamane, moer, ou do hebraico Tahane, mó, lembrando moinho de cereais. 
Em 1590 parece que o Forno Velho pertencia a Isabel da Costa, Dona Viúva e era na Boavista, como se conhecida então o Monte de Belmonte, hoje mais ou menos S. João Novo. Este caminho seria a serventia para chegar ao Forno. Coisas lidas aqui e ali.
Esse Forno cozeu pão para a guarnição militar que servia na Porta Nova, que foi aqui ao lado, em Miragaia.
Caminhos já percorridos neste espaço, mas que gosto de recordar.
 
O início da Rua do Comércio do Porto é aqui. Prontos. A Junta de Freguesia de S. Nicolau, daqui a menos de um mês vai-se unificar com algumas outras da Cidade. É o que provoca a desertificação humana, políticas de pé-de-escada sem senso nem consenso e o deixa andar. Toda a gente vai ganhar, menos a população. Mas isso não vem ao caso por agora. O edifício não sei para que vai servir. Depois vê-se.

Hora de tomar rumo à Alfândega. Toda a Rua Nova da Alfândega e o que lhe está próximo é um atulho arqueológico que por medo ninguém lhe quer mexer. Para o caso não interessa nada porque me encantam as gentis condutoras dos nossos eléctricos. Todas elas já me devem conhecer, de vista claro, mas sempre param o seu transporte para mais uma foto.

Chegados finalmente  à Alfandega. Surpresa a recepção por gente "Pombalina". Juro que é um instantâneo. Quando pedi a pose, não ficou tão natural. Era a publicidade à Vindouro, Festa Pombalina que passou no último fim de semana em S. João da Pesqueira. Lá no coração do Douro, pois claro.

Comes e bebes logo à entrada, mas só para comprar.

Mas os olhos começaram a mandar sinais quando viram estes belos queijinhos.

Um prazer ver as obras do meu amigo AlBerto que se dedica ao artesanato. Uma beleza. Aqui fica o seu contacto: Tel: 917023268;  http://www.asdrovia.pt.vu/ e as imagens de outros artesanatos.

Outras publicidades. Mas para quem não saiba, aqui fica a sugestão: No Edifício da Alfândega está uma bela Colecção de automóveis antigos digna de uma visita. Para além do original da Ribeira Negra de Júlio Resende e do Museu das Comunicações. A não perder.

Um olhar sobre um pouquinho da histórica Miragaia

Voltando aos comes e bebes do Agosto no Porto esta é a Sala à Sombra. 

A Sala ao Sol deve ser boa a partir do Pôr do Sol.
Ou para quem goste de banhos do dito.

Um amigo tinha-me falado numa Cerveja artesanal fabricada no Porto e foi com a promessa da prova que convidei os amigos para os copos na Alfandega. Segundo me informaram, a tasquinha que vendia a cerveja só esteve alguns dias. Portanto, para a provar, fico à espera de um convite.

Mas claro que os queijinhos nos deram fome. Junto a um salpicão saborosíssimo acompanhado por pão do mesmo calibre, lá fomos acertando os roncos estomacais. Cerveja só a desenxabida Sagres. Meio litro 3 €. Um roubo. Ainda se fosse Super-Bock, a gente perdoava pelo bem que nos saberia. 

Antes que esqueça, o queijo, o salpicão e o pão vendiam-se numa loja de sabores transmontanos. Vinho só se vendia em garrafas de 75 cl. Seria mais a contento do Peixoto, mas sobrava muito e ele não queria levar a sobra para o campismo. E como ele é um nim, passou sede que se fartou. 

Para a posteridade a foto da praxe. 
Desculpem outros amigos por não ter havido convites mais extensivos. Mas na realidade foi tudo uma rápida e grande casualidade. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

167 - Campanhã - A Oriente da Cidade do Porto.

Havia prometido aos meus amigos um reconhecimento das Grandes Quintas de Campanhã.
Três delas já as havia referido nas postagens 126 e 157. Ficam aqui as suas imagens só para relembrar.
 Quinta das Areias. Hoje é o Horto Municipal. Alguém sabe se é visitável ?
Escrevi ao Município mas até hoje sem resposta.
Quinta de Bonjoia
Quinta de Vila Meã
Hoje um espaço abandonado, a ruir, quer queiram quer não os Amigos da Natureza. E o meu amigo Quintino Monteiro a ver uma casa cheia de recordações neste estado.Só eu sei a dor que lhe senti na alma quando me explicou o que era esta Quinta e esta Casa.

Adiante, porque lhes quero apresentar mais duas Quintas, meus amigos. E tanto quanto possível, contar-lhes umas simples estórias pessoais junto às histórias das Quintas. Mas devo-lhes dizer que quási todas as fotos são do meu período pré-histórico da fotografia digital e das viagens a pé e a pedir por este escondido e meio-ignorado lugar de Campanhã. 
Vou tentar dar a conhecer com mais esta postagem a freguesia que me acolheu durante uns anos e que só há bem pouco tempo fui descobrindo. CAMPANHÃ tem várias postagens minhas. É fácil de encontrar. 
Prossigamos então:
Já referi anteriormente que Campanhã era um lugar essencialmente agrícola, onde nobres e proprietários abastados estabeleceram Quintas e Casas de Campo. 

 Quinta da Revolta
Não se sabe ao certo o porquê do nome. Poderá derivar de uma revolta que se deu aqui durante as invasões francesas mas também pode ter sido durante o reinado de D. Maria. Presumo que o historiador de Campanhã se deve querer referir à segunda Maria Rainha, filha de D. Pedro IV. e não à primeira, filha de D. José I. No entanto o nome de Revolta já é conhecido em 1690, morando nela o Álvo Brandão. Por conseguinte, em qualquer um dos reinados de uma das Marias se poderia ter dado uma revolta. 
Mas o nosso historiador simplifica a coisa e diz que talvez a revolta seja de uma curva e contra-curva que a quinta incorporava. Volta e revolta. 
Não sei se alguém a conhece com o nome de Revolta. Mas se ouvirem Horto Moreira da Silva ou Horto do Freixo, todos saberão. Pois comigo foi igual. O nome do Horto ouvi-o desde pequenino pela voz do meu Pai. Era de lá que trazia plantas simples para o nosso quintal, o pinheiro do Natal, às vezes um enorme pinheiro, o musgo para a cascata de S. João. Pelas conversas dele, calculava ser um espaço enorme. E deve ter sido.
Não tenho a certeza, mas a quinta - o que foi dela -  deve estar muito cortada. O Rio Tinto passa-lhe ao lado ou pelo meio, não sei, e o enorme espaço onde está actualmente uma central de tratamentos de resíduos ou esgotos deve-lhe ter pertencido. E parte da Estrada da Circunvalação. Pois chegou a ir até Bonjoia, de onde anexaram uns terrenos.

O edifício apalaçado simples será do séc. XIV ou XV e a Capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição - a minha santinha - é referida em 1758. A pedra de armas é do séc. XVIII. A quinta vai passando de herdeiros em herdeiros, uns por casamentos que se juntam a outras famílias, os Azevedos, talvez os de Campanhã, depois o Visconde de Balsemão (o do Palacete da Praça de Carlos Alberto) até que fica abandonada e em ruínas o palacete.
É emprazada em 1851 que não resolveu nada e em 1866 é vendida a José Duarte Oliveira, próspero comerciante do Porto que a deixou a seu filho Júnior, um viticultor afamado e ilustre escritor-investigador agrícola. Junto com o dono do famoso Horto das Virtudes José Marques Loureiro, fundam e produzem o Jornal de Horticultura Prática durante cerca de 20 anos.
Por essa altura a quinta dava 300 a 400 pipas de vinho. Deveria ser obra.

Em 1921 passa finalmente para as mãos de Alfredo Moreira da Silva, Horticultores e Fluricultores. Lembram-se com certeza os meus amigos e não só os portuenses, do Horto Moreira da Silva próximo do Palácio, na Rua Júlio Dinis, cuja pedra junto à entrada ainda mostra a mancha da pêra que foi nela gravada. Paredes meias com o CICA 1 (?) antigo Metralhadoras 3, hoje um anexo do Hospital de Santo António/Universidade do Porto, creio. E que afinal era a entrada do Horto das Virtudes, totalmente retalhado hoje em dia mas onde existe uma parte chamada Jardim das Virtudes. Umas vezes aberto outras fechado. Hoje não sei. Outras histórias.

Não sei qual o espaço existente hoje da Quinta. Mas de Horto e Fluricultura quem passa por lá pouco ou nada vê. Disse-me um empregado que o horto é em Coimbra actualmente. 

Muito próximo fica a Quinta do Freixo. Provàvelmente poucos portuenses conhecerão ou ligarão o seu nome ao Palácio. Mas nunca há uma coisa sem a outra.
Brasão de Afonso Cunha que substituiu o dos Távoras, mandado picar aquando do processo.
Ler adiante

Vamos por partes. Conta a história de Campanhã que a quinta era enorme, até englobando a de Vilar d'Allen (mais tarde lá hei-de ir). Pertencia em 1646 ao Capitão António Pires Picão, morador em Miragaia, mas que era aforada ao Cabido da Sé. É o que entendo. Em 1671 o filho Roque obtém a renovação do prazo e uma filha dele casa em 1683 com António Távora de Noronha Leme Cernache, opulento fidalgo da Casa Real e senhor de numerosos bens.
Reparem os meus amigos atentos quantas vezes escrevi ao longo destas minhas simples postagens o nome dos Távoras. Que já vêm desde antes da nossa nacionalidade. E com origem em Castela (España) Para o caso não interessa nada e prossigamos.   
Do casamento nasce o filho Jerónimo que virá a ser futuro Deão da Sé do Porto, Provedor da Misericórdia do Porto e Presidente da Irmandade dos Clérigos pobres. Dotado de grandes recursos financeiros manda vir de Malta onde se encontrava a trabalhar um tal Nicolau Nasoni. 
Pretendendo mandar construir na sua Quinta do Freixo um sumptuoso palácio, D. Jerónimo encomenda a obra ao tal Nasoni. Obra limpa, que deve ter começado a construir-se por volta de 1742, a parte da pedraria deve ter terminado em 1750 quando começaram as obras de madeiras. 
A Obra dos Jardins devem ter sido ajustadas por volta de 1744, cuidadosamente talhados à moda italiana, que desciam em patamares até ao Rio Douro.

As fachadas apresentam desenhos em três níveis diferentes, ditados pelos três terraços que ocupam. Coisa única em Portugal e adoptada para o Petit Trianon em Versalhes. França. 
Façamos um intervalo na história do Palácio do Freixo e deixem-me contar as minhas histórias.

Não lembro o ano, mas vimos e lemos todos os portugueses uma reportagem sobre uma festa qualquer (a minha falta de memória) relacionada com a União Europeia passada nos Jardins do Palácio do Freixo e quem a dirigiu foi José Manuel Durão Barroso. Achei lindos os Jardins, cheios de relva verde e a fonte com repuxo de água, etc.

Sei que foram pedidos fundos para a requalificação da Zona do Freixo - entre muitos outros - e que incluía a recuperação deste Palácio e Jardins. Em 1997 criou-se uma sociedade com o nome de APOR-Agência para a Modernização do Porto, SA para o fim. Na altura da festa (as reportagens assim mostravam) pensei que o Palácio e Jardins já estavam recuperados. Então um dia resolvi ir visitá-los. Santa ignorância a minha. Estava tudo encerrado. As fotos possíveis que fui fazendo do edifício foram do lado do rio, trepando ao muro. As da fachada leste, saltei pela Fábrica Harmonia, depois por trás do edifício programado para ser o Museu da Indústria e em equilíbrio precário lá fui batendo umas chapas. 

Passado uns tempos, soube que iria ser mostrada uma exposição sobre Salvador Dali. Agucei o dente e pensei que poderia ser uma espécie de dois em um. Lá fui todo contente, mas alegria durou pouco, só consegui fazer uma foto da sala de entrada, porque de imediato saltaram-me em cima os seguranças proibindo-me de fotografar. Francamente, assustei-me, pois tantos os meninos como as meninas além de não serem nada gentis, mostravam-me caras de pitbull. Só pode fotografar o exterior se quiser.
No entanto ainda consegui fazer umas 3 ou 4 fotos clandestinamente, nas varandas que se encontravam abertas. Péssimas.
Concluindo, o Palácio não estava recuperado, havia paredes com manchas em cima das pinturas desbotadas, salas onde não se podia entrar.   
Fachada Oeste
Lá vim até aos jardins para sofrer nova desilusão. Nada recuperados. Ficam as fotos para os amigos imaginarem como eram na altura. Mas adiante com a história. 

Por causa do processo dos Távoras movido pelo Marquês de Pombal, o Palácio fica decadente e passa para os Viscondes de Azurara sendo vendido em 1850 por 15 contos a António Afonso Velado, abastado comerciante do Porto enriquecido no Brasil, agraciado por D. Luíz I como Barão e depois Visconde do Freixo. (1865 e 1872). O tal que mandou fazer o Brasão da primeira foto.
Este Barão/Visconde altera a característica do Palácio, tanto exterior como interiormente e instala uma fábrica de sabão nos jardins...Faz uma grandiosa recepção à família real que vieram assistir às obras da Linha do Minho em S. Roque em Julho de 1872. 
Após o falecimento do Visconde a viúva vende tudo a um súbdito alemão, Gustavo Peters, que junto ao Palácio monta uma destilaria de cereais. Aquilo um dia ardeu tudo e em 1890 parte da quinta e o palácio foram vendidos a José Maria Formigal. O restante foi vendido a outros particulares.
Mais tarde, as Moagens Harmonia compraram casa e terrenos, fizeram silos e novos silos e nova fábrica e tudo o conjunto se perdeu. Até o portão que dizem ser monumental, foi vendido para uma quinta em Ponte de Lima.
Em 1986 a Secretaria de Estado e Formação Profissional comprou o Palácio à Moagem Harmonia para montar um centro de formação profissional. Belo dia uns energúmenos pegaram fogo ao Palácio e destruíram todo o património artístico.
Uma das salas da exposição Dali
A Câmara Municipal do Porto tomou posse do conjunto que foi recuperado pelo arquitecto Fernando Távora e seu filho Bernardo, descendentes dos primitivos donos. Entre 2000 e 2003. Bom, isto não será totalmente verdade, pois as minhas fotos são de Outubro 2007 e recuperada, julgo eu, vi a sala da entrada. E alguns pormenores em outras salas. Tudo o resto foi como encontrei e contei.     

A Câmara Municipal vendeu todo o conjunto, incluindo o edifício onde deveria ser instalado o Museu da Indústria (edifícios cor de rosa) ao grupo Pestana que aí fez uma estalagem 5 estrelas. Gostava de conhecer. Pode ser que um dia me encha de coragem e vá até lá a ver se sim.
Na foto, os silos da Harmonia em destaque, o Palácio meio escondido e pormenores da Marina e da Ponte do Freixo.
O Palácio é Monumento Nacional desde 1910.

Textos compilados em Wikipédia, Monografia de Campanhã http://www.j-f.org/monografia/, Dias com Árvores em http://dias-com-arvores.blogspot.pt/ e Igespar - Palácio do Freixo
Localização das duas Quintas






domingo, 25 de agosto de 2013

166 - Coisas da Vida

Hoje até que acordei bem disposto. Depois do café e da higiene matinal, lá vim ver os emails para deitar fora, mais as mensagens piedosas e a visita trivial ao Face e o que vejo: O meu amigo Peixoto de Penafiel, sim, esse o Compadre, diz-me que é dia do Diabo. Ainda por cima com um comentário do J.Teixeira que mija nas amoras. Não me preocupa nada porque vozes de Teixeiras não chegam aos Diabos. Mas...Cuida-te Jorge...
Mas que os há haverá, os diabos, sei lá, e então a minha mona começou a trabalhar. Porque diabo há um ano e pouco o Peixoto Compadre se referia à história do Diabo quando me levou a ver o S. Bartolomeu à Basílica? E até disse, não olhes muito. Na altura pensei que como era uma foto clandestina, seria o sacristão que me vinha acertar na mona ? (Mona = Cabeça=Alto do Toutiço, não vem no novo Portográfico mas até que se pode incluir)
Claro que não liguei nada, mas fiquei a moer para mim porque é que ele, o Compadre Peixoto me levou a ver esta mamoa ?
E que mais tarde me fez enfeitiçar por uma Pavoa cheia de Pavoanço. Quer dizer cagança. Diabos levem se estas coisas, agora, não me vieram todas à mona e zás, interliguei-as. A postagem do Peixoto, o comentário do J. Teixeira, as amoras que vi por aí algures.
Não sou dado a Diabos e Bruxarias: Mas estive eu e amigos olhando estas amoras há bem pouco tempo. Porque é que o J. Teixeira diz que o diabo mijou nas amoras? Em Bruxinhas só acredito em uma. Em diabos só aqueles das figurinhas do Skype. Mas que é preciso cuidado lá isso é.

Fiquei a pensar nestas coincidencias, mas valeu-me um pouco de uma tarde maravilhosa. Fui capinar o meu quintal, depois despejar o lixo e dediquei-me a ver o Porto Canal. E o que é que me sai ?
O Doutor Daniel Serrão, provavelmente numa entrevista de há séculos. Se há coisas horríveis para ver é a TV nestes dias. Se não são os fogos e milhentas reportagens de como tudo aconteceu, são as opiniões políticas. Mais vale andar a navegar no AXN ou na FOX, na Odisseia ou no Canal História mas na realidade não há nada que se aproveite.
Mas fiquei surpreso pelas muitas confissões do Doutor.
De entre elas fiquei a saber que o seu filho Manuel é uma aberração da natureza desde que nasceu. E continua, pelos vistos. Isto é, esteve quási quási a morrer à fome. Mas se puderem ouçam a entrevista neste canal aberração. Claro que esta coisa de eu escrever aberração é minha.
(Ó Manel, não fiques aborrecido comigo. Ainda estou à espera que me expliques aquela postagem no JN sobre os bandalhos (impropério meu) brasileiros de S. Paulo que fizeram boicote à exposição (?) da moda que foi de Portugal. Escrevi-te para o JN para saber certinho como foi, porque o teu blogue Faceboqueiro não permite nada - até parece o dos Melros - para saber as coisas corretas. É que disseste tão mal dos Paulistanos, quando estavam em greve, que levaste tudo a eito. Assim me pareceu. Por isso quis saber. E os e as amigos e amigas brasileiros quiseram saber. E têm o seu direito porque publiquei o teu comentário na minha página. Mas és um deus e difícil de contactar.)
Olha, tudo isto no dia do Diabo...
Pois então, para me sentir mais livre do dito Diabo ou Diabos, fui aos meus arquivos ver se alguém se tinha lembrado de me despegar deles. E olhem o que encontrei. Não é de hoje, mas tem pouco tempo este oferecimento. Há coisas.... adiante
Adiante, estava com as dores e quando elas acontecem aí vou eu para a cozinha.
Ando de desejos. Será que essa coisa se apega ? Ontem recheei uma santola, que comprei congelada, mas que ficou sublime mas que esqueci de fotografar. Coisa grandiosa. Hoje apeteceram-me umas iscas de bacalhau. Até que tenho guardada umas tábua pequenina de queijos e mais uns fumadinhos. Mas não me apeteceram.
Olha, se tudo isto foi do Diabo, o dia dele já acabou. Pelo menos cá. Passam 10 minutos do tal e sem ninguém dar fé, só a minha amiga Carminha se lembrou que fez hoje anos a revolução do Porto de 24 de Abril de 1820. Que ajudaria a mudar a História de Portugal.

Minha gente, este escrito foi escrito ainda no dia do Diabo. Não liguem se vai mal escito. Queria acabá-lo antes do dia acabar, Não deu. paciência, vai como veio todo à maneira.