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segunda-feira, 11 de julho de 2011

84 - Farois do Porto - O Farol de Felgueiras

O farol de Felgueiras, na barra do Douro, é pouco conhecido por este nome pela maioria dos portuenses. Foi construído na ponta de um molhe no local de Felgueiras - ou Felgueira como também já li - e cujo nome originário se deve a umas pedras a oeste. 
Está desactivado na iluminação desde que os novos molhes da Barra entraram em funcionamento há dois anos. Apenas funciona o "ronco", que é como quem diz, o sinal sonoro.
A barra do Douro era extremamente perigosa para a navegação. Em 1790 é ordenada por carta régia a construção do molhe e o farol é construído em 1886. Tem 10 metros de altura.
Antes era o Farol da Luz - ver postagem anterior - que orientava os mareantes. Esse Farol foi desactivado, divergindo as datas desde quando ...e o porquê: Se por entrada em actividade do Farol de Leça ou porque este Farol de Felgueiras foi remodelado na sua iluminação tornando-o dispensável.  
Foto de Maio de 2007, a partir do molhe, sobre as praias e o casario da chamada Foz Velha.  
Da mesma data, uma vista do Farol e o Porto de Leixões ao fundo. Foto obtida desde o novo molhe, na altura ainda em construção. 
Quási do mesmo local uma foto actual. 
Em 1979 foram iniciadas as automatizações do farol de Felgueiras à entrada da barra do Douro e dos farolins do porto de Leixões (Quebra-mar, Molhe Norte e Molhe Sul) Estes farolins, passaram a ser controlados à distância a partir do farol de Leça, por meio de equipamento concebido para o efeito. Foi a primeira rede de farolins telecomandados da costa portuguesa.
Na foto, uma fase da construção do novo molhe. Outubro de 2007.
O novo Molhe estava por altura da data desta foto, quási em vias de inauguração 
Julgo que esta pequena enseada se chama Praia da Pastora. Em Maio de 2007 já estava entre os dois molhes.
Actualmente já não tem tanto sargaço nem lixo que ali iam parar. Pelo menos hoje (4.07.2011)
Dias de tempestade. Dezembro de 2009. Um barco acabado de sair da barra. E eu fiquei encharcado até aos joelhos. Vista a partir do novo molhe, com cerca de 500 metros de comprimento.
Era muito difícil a navegação na Barra do Douro. Aqui se deram imensos desastres. Os novos molhes vieram facilitar o acesso ao Douro. 
O mar aqui tem acessos de fúria difíceis de prever. No último inverno, uma tempestade repentina, fez galgar o mar até à Avenida de D. Carlos, em frente ao Castelo da Foz, fazendo imensos estragos. 
O Mar bravo também é belo. 

A Barra do Douro e o Farol de Felgueiras. Há 100 anos e Hoje. A foto antiga roubei-a do blogue do meu amigo Rui Amaro  http://naviosavista.blogspot.com/ cuja visita recomendo.
Passear pelo paredão, sim, mas cuidado. Este mar é bravo. 

Comparações com dezenas de anos de diferença. Vale a pena um passeio até à Barra do Douro.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

83 - Farois do Porto - Farol da Luz

Navegar pela net tem destas coisas. Descobrir o desconhecido. E só por casualidade encontrei uma referencia a este farol, pelo qual já tinha passado algumas vezes bem perto. É também conhecido pelo Farol da Nossa Senhora da Luz e Farol do Monte da Luz. Para os interessados na sua descoberta aqui ficam as coordenadas. Fica bem próximo da Praça de Liège. Do lado nascente, desce-se no sentido do mar uma pequena distância. Ultrapasse-se a Rua de Sá de Albergaria e logo entroncamos nas Rua do Farol e Rua Monte da Luz. É só voltar à direita. Devo dizer que três habitantes do lugar não conheciam o espaço.

Vamos à história. O Farol já existiria em finais do séc. XVII mantido pela confraria da Senhora da Luz. Em 1 de Fevereiro de 1758 por alvará do Marquês de Pombal, é ordenada a construção de um farol devido às dificuldades da entrada da Barra do Douro. Em 1761 estava já construído e dotado de estruturas para ser considerado Farol. Escreve-se que foi o primeiro Farol da Costa Portuguesa. Aqui começam as minhas dúvidas, pois também leio que o Farol de S. Miguel o Anjo, nos Pilotos, foi construído no séc. XV.

O local escolhido foi este Monte e era constituído por uma pequena torre hexagonal no cimo de um torreão quadrangular no lado Oeste de um edifício de dois andares, encimado por uma lanterna verde, hoje já retirada e substituída por um telhado.

No local existia a Ermida da Senhora da Luz, destruída, não sei se para a construção do Farol. Recentemente foram descobertas gravuras rupestres no afloramento granítico. Sofreu várias alterações, logo a primeira em 1814, pois foi destruído por um raio. Em 1865 foi substituído o sistema de luzes. Em finais de 1913 é iniciada nova reforma, passando a emitir sinais de luz de 5 em 5 segundos, com um alcance de 38 milhas. Foi desactivado segundo a Marinha, em 1926; ou em 1927, referido por J. Teixeira de Aguilar. Em ambos os casos por ter entrado em actividade o Farol de Leça. Segundo a Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, foi mesmo este o ano que entrou em funcionamento este Farol. Já o IPPAR e o IHRU indicam o ano de 1945 como o ano da sua desactivação, devido às obras de modernização do Farolim de Felgueiras. O que está na Barra do Douro. E esta hem ...!!!

Ao lado existe uma torre octogonal de cerca de 5 m, com dois pisos.


A subida embora íngreme, não custa nada fazê-la... O pior é andar lá em cima. Os pés quási não cabem no passeio e o parapeito em ferro não chega à barriga.

Em http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/71051/ lê-se que o farol é esta torre. Uma senhora com quem conversei, moradora na casa anexa, disse que está errado. Esta é uma torre de vigia. Curiosamente nas fotos da página, as legendas estão certas. Vá-se lá entender este Igespar. É mais um instituto e está tudo dito.

Embora tenha rogado umas pragas ao construtor, e à inoportunidade de uma chamada exterior que me fez tremer e berrar, aliada a uma aragem de certo respeito, vale a pena espreitar lá de cima. À direita o Porto de Leixões.

Navegação ao largo. Disse-se na altura da construção, que se via até Espinho. Por mar e a direito não sei quantas milhas são. Por terra estão marcados 20 km.

Sem dúvida que é muito mar para ver. Um prazer sem fim.

À esquerda a Barra do Douro e as Praias de Gaia

No interior da torre, alguém deve desfrutar de um bom descanso.

Só queria saber como seria a vista lá de dentro, mas visto por fora. A porta não abriu. Também não forcei.

O terreiro tem mato pronto a arder. É só chegar um fósforo.

Pormenores com o mar sempre em fundo.

O portão da entrada parece que está fechado, mas não. É só empurrar. Por ali não há ninguém. E também não vale a pena assustar com o mato.

Uma última espreitadela. Essa rua é a do Monte da Luz.



82 - Os Castelos da Cidade do Porto - O Castelo do Queijo

Quási junto ao Parque Ocidental da Cidade, na sua zona de ligação ao Mar, o Castelo do Queijo como vulgarmente é conhecido, é um edifício do séc. XVII, mandado construir pelo Rei D. João IV, sobre as ruínas de uma anterior fortificação do séc. XV. Mas o dinheiro saiu do Cofre da Câmara. Conta a lenda que o enorme Pedra do Queijo foi o local de culto dos Draganes, uma tribo celta que havia chegado à Península Ibérica no séc. VI a.C.

O seu nome actual é Forte de S. Francisco Xavier, mas há quem lhe acrescente do Queijo, recordando o tempo em que era Castelo. Foi construído com a finalidade de nos defender dos Espanhóis e da sua Armada Galega, durante a Guerra da Restauração. Presume-se que tenha acabado a sua construção em 1661 ou 62.

Em 1717 a Câmara do Porto pediu a sua desactivação ao Rei D. Afonso V, devido aos custos dos soldos da guarnição, que ainda por cima não vivia no Castelo mas abusava deste rendimento extra. O parecer do Concelho de Guerra do Rei, em 1720 indeferiu o pedido. (Tal e qual como desde tempos remotos, o Porto e o Norte pagam para o bem estar da Nação. E das corporações, pois então).

Um fosso foi construído do lado Norte, bem como uma Ponte Levadiça. Que ainda existem. O monumental portão é encimado por um escudo com as armas de Portugal.

O escudo perdeu elementos, que acho não serem difíceis de reconstruir. Mas isso sou eu a divagar.


Durante as Lutas Liberais, foi ocupado pelas tropas de D. Miguel ficando bastante danificado pelos bombardeamentos tanto da Luz - presumo ser referente ao Castelo da Foz - como da armada de D. Pedro IV.

Aquando do abandono pelas tropas de D. Miguel, foi assaltado e saqueado pela população. Entregue à guarda da Companhia de Veteranos em 1839. Durante a revolta da Maria da Fonte em 1846, foi ocupado pelas tropas da Junta do Porto. Foi alvejado pela fragata Íris, fiel ao governo de D. Maria II. Em 1890, ficou entregue à Guarda Fiscal que a conservou até 1910.

Sala de Comando, onde existiu um oratório em honra de S. Francisco Xavier. Onde parará ?

Aspecto do pátio interior. Existe um pequeno Museu com exposição de algumas armas militares pessoais, fardamentos, mapas, munições e um espólio da Associação de Comandos. Funciona um bar de apoio, com preços módicos.

No terraço amplas plataformas de tiro, com canhões históricos, bem conservados. É pena não haver informações sobre as suas épocas. É um miradoiro excelente desfrutando-se à esquerda algumas praias do Porto e a Barra do Douro e à direita a praia de Matosinhos, até ao Porto de Leixões. Um infinito Mar está à nossa frente.

Abrigou a sede da Junta de Freguesia de Nevogilde de 1944 a 1949 tendo sido despejada para cedência ao núcleo da Armada da Guarda Fiscal, que aí se manteve até 25 de Abril de 1974. Fechado e meio arruinado, sofreu obras de restauro e está actualmente à guarda do núcleo do Norte da Associação de Comandos, aberto ao Público.

Peças de vários calibres estão expostas em bom estado de conservação. Disse-me em tempos um elemento da direcção da Associação, que a conservação é feita pelos associados.

Ao fundo, a entrada do Porto de Leixões e o Molhe Norte.

A Praia de Matosinhos e parte do mamarracho do Edifício Transparente.




Alguns canhões têm gravadas as armas de Portugal da sua época.


Uma entrada no Porto de Leixões

A roldana que movimenta a Ponte Levadiça

Algumas das Praias do Porto

Nunca este Castelo, ou Forte, foi bem aceite pela Cidade, por desnecessário. A costa por si só já era uma defesa, porque não permitia desembarques. E pelos custos que foi obrigada a pagar durante séculos.

Contra as muralhas naturais da costa desfizeram-se muitas embarcações.

Três apontamentos. 1. Quando a Avenida da Boavista chegou a esta zona em 1916, a Câmara do Porto comprou à tropa que na altura detinha a posse do Castelo, a esplanada para arranjo urbanístico, pelo valor de 259.250 escudos. Reparem como alguém andou séculos a mamar nos dinheiros municipais. Felizmente que agora parecem, digo parecem com três pontinhos à frente, ser só a Porto Vivo, e a Porto Lazer. E claro, os automóveis de corrida. Nesta zona do Castelo, claro. Mas isso é para o prazer pessoal do nosso querido presidente, que com o dinheiro que gasta aqui para dar duas voltas à pista, bem podia ir para o autódromo do Algarve que nos ficava bem mais barato.

2. Junto ao Castelo construiu-se o primeiro aeródromo da cidade em 1912, que encerrou ao fim de 9 voos.

Claro que todas estas estórias da História foram pesquisadas aqui e ali.

3. Esta não foi pesquisada: Sendo o Castelo, Forte ou como lhe queiram chamar, aberto ao público, porque se cobra um bilhete à entrada ? Claro que nunca paguei das muitas vezes que o visitei, mas turista está fod.... Se não pagar não entra. Ontem apreciei a cara de alguns camones que quási esbarraram comigo na entrada/saída, furiosos, resmungando, o que eu presumo ter sido um "ide p'ró car..." bem à nossa moda, na sua língua natal.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

81 - Os Castelos da Cidade do Porto - O Castelo da Foz

Débil luz matinal vence lentamente o espesso nevoeiro descido sobre a costa, mais denso no mar. No caminho de ronda do Castelo de S. João da Foz o Governador, tenente Carvalhais, cumpre funções de rotina, dá a sua volta da madrugada, mais atento ao curto horizonte brumoso. A fortaleza erguera-se na barra do Douro para isso mesmo, vigiar o Atlântico. Numa daquelas mutações típicas do nevoeiro, mas sempre surpreendentes, abre-se largo hiato de névoa, ilumina-se de azul o longe pardo e revela três navios em estranhas evoluções. Suspeitoso, Carvalhais não consegue identificá-los e chama o piloto da barra, cujos olhos não se enganam - são navios de combate... e turcos, os mais temíveis visitantes. Armados pelo sultão da Turquia, os navios piratas norte-africanos zarpam das suas bases de Argel, Tunes, Salé, Safim, Mogador, Trípolis, Gerba, assaltam barcos e povoações, espalham terror e miséria nesta Europa de 1727. Um dos seus principais objectivos é levar prisioneiros para abastecer mercados de escravos e, no meio deste nevoeiro, andam à faina muitos pescadores...

Com um óculo, o tenente vê arriarem de um dos navios uma lancha com homens armados. Não há tempo a perder! Dispara-se um tiro de pólvora seca, sinal de perigo iminente para os pescadores. O próprio tenente dispara mais dois tiros de artilharia e quase atinge a lancha. Os piratas retrocedem. Começam a surgir do nevoeiro barcos de pesca lançados em regata de desespero. Do castelo continua a artilharia atirando sobre os navios piratas, que por fim viram de bordo para onde a bruma é ainda cerrada, mas não levam pescador algum capturado. Bastaria esta acção para justificar a existência da fortaleza.

(texto copiado do http://ecodanoticia.net/ referindo Os Mais Belos Castelos de Portugal, da Verbo)


Não resisti à tentação de roubar este texto e publicá-lo. Nunca tinha entrado neste Forte, Castelo, Fortaleza, enfim o que lhe queiram chamar pois já foi isso tudo. Mas lá irei. Passeando no exterior, a única parte possível para visitar além de um corredor interior, imaginei-me o Tenente não só a defender a costa como a vida dos Pescadores a partir da fortaleza. E nem julguei que a pirataria daquela época chegasse tão próximo de nós. Entrada/Saída da Fortaleza. O Portal é de 1796 e teve Ponte Levadiça.

Aqui é S. João da Foz e o território pertencia à Infanta D. Mafalda, provàvelmente filha de D. Afonso II, que em 1211 o ofereceu aos Beneditinos de Santo Tirso. Estes contruíram no local um Convento e Igreja, com a ajuda do Bispo de Viseu. Seria o princípio da arquitectura renascentista.

Estes arcos "arruínados" serão provàvelmente o que resta do primitivo edifício


Em 1560, D. Catarina, Raínha regente e mãe de D. Sebastião, mandou construir uma fortaleza para a defesa da Barra do Douro. O local escolhido foi este e não adiantou o barulho quer dos Frades quer do Povo do Porto que teve de suportar os custos da construção. Foi sofrendo alterações mesmo durante o período Filipino e ampliações já no reinado de D. João IV, tendo sido terminada em plena guerra da Restauração. Com medo que os Espanhois voltassem a invadir Portugal agora pelo Norte.


À esquerda da segunda entrada estão estas placas, provàvelmente memoriando batalhas ou guerras. Não sei. Mas sei que faltam imensas letras e a "patine" do tempo destruiu o que não custava limpar. Mas como o edifício pertence ao Instituto de Defesa Nacional (o que será este Instituto ?) que aqui tem serviços (?), logo a um Ministério, por conseguinte, coisa pública, logo, deixa estragar. É da tropa...
Continuando pela história, os beneditinos viram os seus protestos compensados com a construção da Igreja de S. João da Foz, ali próximo, inaugurada em 1647, levando ainda como ajudas de custo 6.000 cruzados dados pelo rei. O D. João IV, relembrando, se é que não perdemos o fio à meada. A Capela-mor da antiga Igreja conservou-se dentro da Fortaleza funcionando como Capela Militar. Cujas ruínas só podem ser vistas através de uma porta de vidro couraçada com barras de ferro.
Entre o muro exterior da fortificação e o edifício central, presumo que as valas e outros muros em ruínas, cheios de silvas, deveriam ser fossos, paióis, prisões. Aqui estiveram presos Passos Manuel e o Duque de Terceira no período liberal.


Velhas peças de artilharia estão para ali abandonadas, ferrugentas. Uma pelo menos está pousada numa plataforma de um buraco, dando ideia para que servia.


O único local interior por onde podemos vaguear é este corredor. Bem conservado, sem dúvida. Mas com bastantes galerias laterais, enfaixadas interiormente. Exteriormente, os seus buracos, também foram entaipados com placas do chamado Platex, que estão todas as desfazer-se. Mas lá se vão vendo umas garrafas de cerveja vazias e outros lixinhos. Quem entra no corredor, à direita, encontra uma porta de vidro indicando proíbida a passagem. À esquerda, umas escadas que levam a "entrevistas". Nem me atrevi a entrar nem a passar, porque com a tropa não se brinca. Muito menos com a Defesa Nacional. Até porque é Instituto.

Umas pedras bonitinhas, com rebordos e coisas nelas marcadas encontram-se nos muros e suportes dos arcos.

Todas as passagens que dão para o átrio onde se encontram as ruínas da Capela, estão obstruídas com painéis de vidro. Estão lá outras pedras também bonitinhas. Tudo aquilo com tanto vidro, faz-me lembrar um aquário. Será que é para os visitantes não estragarem nada ? Mas haverá visitantes a este edifício triste, a não ser para comesainas de alguma tropa de elite ? Pelo menos as placas sobre isso há à entrada do corredor. Mas no dia em que visitei o Castelo, haviam outros visitantes. Automóveis não faltavam por ali espalhados (Foto 2).


Há 100 anos, mais ano menos ano, Alberto Ferreira (Praça da Batalha nº 2) editou este postal onde se vê o areal que vinha até ao Castelo. E presumo que a mancha à direita será um esporão que foi destruído.


As imagens de cima são exteriores. As de baixo interiores. A cúpula branca é da Capela.


Por cima dos tais buracos, há uma parede alta. Não se vê o que está para lá. Mas elevando os braços com a máquina fotográfica, vê-se bem a Foz do Douro e o Farol de Felgueiras.


Existiu uma ponte levadiça, baluarte redondo a norte e um esporão que ligava aos penedos da embocadura do rio. Essas novas construções começaram em finais do séc. XVIII e ainda em 1827 não tinham terminado. Mas segundo as crónicas tudo se desmantelou devido a uma rectificação urbana. Fico cheio de dúvidas, lendo as informações dispersas, principalmente sobre as datas e os locais.


Dúvidas não teve Camilo Castelo Branco que em 1854 bailava nos brilhantes saraus do Castelo da Foz, nos quais "...fugiam as noites e alvoreciam as manhãs, esmaiando, sem poder quebrantar, a formosura das graciosas damas...".


Também não teve dúvidas o sargento Raimundo Pinheiro, que tomou o forte (será que era quartel dos franceses de Napoleão ou estava abandonado ?) e hasteou a bandeira nacional em 6 de Junho de 1808. Pouco antes dos ditos franceses se porem a correr daqui para fora. Nessa altura não ficou a CEE nem o FMI, mas ficaram os ingleses. Mas isso é de outra história.


Foi a Fortaleza moradia de Florbela Espanca, já no séc. XX, esposa na altura de um oficial da guarnição.


Porque me referi a este edifício como Forte, Fortaleza, Castelo, tudo isso tem significado. O nome oficial actualmente é Forte de S. João Baptista da Foz. Foi também Castelo de S. João Baptista da Foz. Mas tudo começou como uma simples estrutura abaluartada, envolvendo o hospício (mosteiro) e a igreja dos beneditinos de Santo Tirso (Igreja Velha) antigas estruturas medievais.


Para nós Portuenses, é apenas o Castelo da Foz.


Uma nota final: Há cerca de ano e meio, foi neste edifício solenemente apresentada a maqueta de uma placa para relembrar os Portuenses Mortos em combate na Guerra de África.
O local para a sua colocação ficou definido que seria aqui, neste Castelo. Até hoje, não sei como está o assunto. Será falta de dinheiro da Câmara ? O arquitecto morreu e com ele a maqueta ? Não há espaço ? Como está triste a minha Cidade.