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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

41 - Tristezas da minha Cidade

É comum a tristeza ser descrita como algo amargo, ou como uma dor, ou como sentimento de incapacidade, ou ainda como algo escuro (trevas). - Wikipédia Passei há dias na Rua de Entreparedes - A Praça da Batalha, era um campo chamado do Pombal - porque tinha um pombal no meio - tudo cercado de muros sobre si. E partia, da parte sul, com caminho para S. Lázaro e para Valongo - «estrada que vai entre as paredes» (1590). Com a denominação de Rua de Entreparedes, encontrámo-la num registo paroquial da freguesia de Santo Ildefonso, de 1727. - Toponímia da Câmara Municipal do Porto - e deu-me uma saudade muito grande. Posso dizer que vive aqui, alguns anos da minha juventude, neste prédio hoje em ruínas.
Foi doado nos anos 60 do século passado, à Ordem do Terço. Serviu como residência de estudantes, creio que seminaristas ou ligados à Igreja. Tinha uma placa na porta, mas já não me lembro dos seus dizeres. É um edifício do séc. XIX e com muitas estórias. Minhas também. Mas isso não é para aqui chamado.
Há muitos outros edifícios em ruínas. Não será o caso do antigo Instituto Comercial do Porto, pelo menos exteriormente, onde se formavam os contabilistas, depois de saírem da Escola Comercial. Creio que funcionou como instituição até finais dos anos 80. Com outros nomes mas com a mesma finalidade e novos cursos, que agora têm nomes sonantes. Mas creio que também e juntamente ainda albergou o Instituto Industrial. Hoje não sei o que está lá dentro. Pela meia porta aberta apenas se vê uma enorme escuridão.
Mas muito limpo não está o velho edifício. Adiante
Porque um leitor me escreveu umas tantas coisas, criticando inclusivé a minha defesa da Calçada Portuguesa (comentários no escrito 37 - A Praça e a Avenida ), chamando-me de parôlo, dei comigo a olhar para os passeios e verificar umas tantas inverdades desse leitor. Ora, até nesta Rua meio a desfazer-se e na sua continuação, a Rua do Campinho, os passeios são calcetados com vários desenhos, mostrando assim que há imensos que podem ser feitos e que a Calçada não foi esquecida, não é perigosa e continua linda.
Navegando, fui dar, creio que ao Facebook, com a Escola Comercial Oliveira Martins, a antiga. A tal Universidade Ó Martins. A da Rua do Sol. Porque na Rua das Taipas existia também uma escola comercial. Não conheço as suas estórias, porque na net só há a referência à nova Oliveira Martins, mas que já não o é. O edifício escolar que foi construído ali no Bonfim há uma vintena de anos, está abandonado - segundo li - e a Escola passou para a Soares dos Reis. Que era de artes decorativas. Conclusão. Não sei se há Oliveira Martins ainda ou não.
No tal espaço "saquei" esta velha foto, do antigo edifício na Rua do Sol. Que pura e simplesmente foi destruído.
Parte das traseiras ainda existente, vista do Viaduto de Duque Loulé.
O que resta da fachada da entrada. No espaço interior parece-me que alberga viaturas da Câmara Municipal do Porto.
Tudo condiz nesta Rua do Sol. Que já foi Viela e deu origem à Rua das Taipas, depois Rua da Boavista, posteriormente Rua do Sol em meados do séc. XVIII. Mas segundo a Toponímia da Câmara em 1801, portanto já no séc. XIX, denominava-se Rua Portas do Sol. Confusão ? Acho que sim, mas está lá escrito.
A Rua termina, ou começa, não sei, com a Capela dos Alfaiates.
Como é triste ver à saída da Estação de S. Bento, na esquina com a Rua do Loureiro com a Avenida da Ponte - hoje D. Afonso Henriques ou Vimâra Peres, mas para o caso não interessa nada porque será sempre a Av. da Ponte - este prédio em ruínas. Local de passagem de muita gente - o metro e o comboio estão ali a dois passos - e por onde obrigatòriamente os turistas também o fazem, quer a pé, de carro ou comboio turístico no percurso entre a Sé e S. Bento e a Praça e por aí fora, custa-me ver esta vergonha exposta aos olhos, até porque nas imediações funciona um mercado de droga.
Estão a imaginar a cena...





















terça-feira, 7 de setembro de 2010

40 - Das Muralhas Fernandinas às Fontaínhas

Andavam uns bichinhos a moer na minha cabeça. Quando assim acontece há que bater com ela até os bichinhos se soltarem. Pronto, - como agora se diz - os bichinhos se soltaram e consegui o pleno. Isto é. Três em um. Mas não totalmente. Mas isso é para outra ocasião.
O primeiro de três em um:Vi esta foto num arquivo de Arnaldo Soares. Julgo que de finais do séc. XIX, ou princípios do XX. A legenda diz: Dispensário da Rainha D. Amélia. Conversei com vários amigos sobre esta foto. Para nós, o dispensário com este nome, seria o dos Tuberculosos, na Praça e Edifício que ainda existe, mas para os lados de Santo Izidro. Mas nada batia certo: Será que havia uma Torre defensiva para aqueles lados ? A Capela não se parece nada com a de S. Crispim... As Torres que se vêm à direita parecem as da Sé, mas... O Dispensário da Rainha D. Amélia não tem este aspecto. Então um olhar mais atento leva-nos a concluir que a foto é mesmo junto às Muralhas. Embora em ruínas, presumo, a Torre não têm nada a ver com a estrutura arquitectónica da actual reconstruída. Mas há uma Capela entre a Torre e o edifício do antigo Mosteiro de Santa Clara. Que Capela era esta ? Quem nos sabe informar ?
Para que a confusão com os meus bichinhos fosse maior, recebi uma informação errada, de alguém que é cicerone de um Monumento Nacional. O edifício que se vê nesta foto, à direita, não tem nada a ver com o antigo Convento, pois é uma obra posterior de muitos séculos. Já foi a central dos Correios - Largo 1º de Dezembro - e esconde-nos a Sé.
No meio desta conversa toda, apenas um desejo. Identificar a Cidade.
Como andava por ali com terceiras intenções (uma delas já divulgada no meu escrito anterior) fui espreitar a subida - e a descida - do funicular. Repito-me muito ? é natural. Esta Cidade repete-se e está sempre a renovar-se a cada olhar. E de quem nos visita, é a primeira vez...
Desci pelos Guindais e não resisti a este contraste. A estória deste bairro será em futuro próximo.
Mas do alto dos Guindais, um olhar sobre a serra do Pilar e o seu Convento. Miradouros não faltam na Cidade. Sobre si mesma ou sobre as vizinhas.
Entrando já pelas Fontaínhas, ex-Passeio e/ou Alameda, olhamos para a Serra do Pilar. Que tanta controvérsia deu, sobre a questão dos desmoronamentos. E os despejos aos moradores. Antes de alarmismos e das sanções que o sr Presidente da Câmara de Gaia propôs, não só aos moradores legais ou não, como ao Estado - que falta de honestidade não só política como humana que o Sr. Presidente Meneses demonstrou. E nunca deverá esquecer-se que é médico - deveria fazer-se o que agora está em curso: Regular e proteger a escarpa. Um organismo estatal o disse sempre. O sr Presidente é que não gostava de o ouvir ou ler... Mas porquê ? Agora, depois de toda a polémica, aproveita-se e muito bem, a criação de uma rota turística. Escrevo conhecedor de parte daquele meio ambiente. E aplaudo. Um tasquinho lá no meio também dava geito. Penso eu de que... Bem lá no meio da escarpa, a Capela do Senhor d'Além tem gente à volta. Será que vão haver obras ? Não consigo descrever o quanto é calmante olhar o Rio. Nem tudo será bonito nas escarpas, deste e daquele lado, mas tiremos partido do que podermos. E fumo um cigarro, mesmo debaixo dum sol de mais de 35 graus, imaginando as antigas praias do Aurélio e do Borras, que já não existem, levando-me a recordações de muitos mergulhos nas águas deste Rio Douro. Continuando, agora o segundo dos três em um.
Sempre em conversas com os amigos, de vez enquanto saltam recordações como por exemplo, onde passava e desembocava o comboio Leixões/Alfândega. Fica o pessoal a pensar, e a cabeça a desenrolar a bobine. Pesquisando, vim a saber que alguém pretende reabrir esta linha turisticamente. Cena maluca, com tantas directivas, sugestões, apreciações e etc. que vêm desde 2003, que nem sei se se referem realmente a este ramal. Ou alguém está a inventar.
Agora a sério, aqui vai mais ou menos uma estória.
Em 1889 uma carta real estabelece que deve ser criada uma linha entre a Alfandega (a Nova, claro) e Leixões exclusivamente para mercadorias. Há as velhas confusões de quem deve ser o "dono" da linha. Tudo começa por Campanhã - Pinheiro - e a Alfândega. Depois que o término deve ser em Contumil. Em 1892, ordena-se que deve seguir a Leixões. Agora, como a estória é apaixonante e longa, mando-te amigo e leitor, ver a wikipédia http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramal_da_Alf%C3%A2ndega
Ainda utilizei esta linha em finais dos anos 70 quando fui trabalhar para S. Mamede. Principalmente à sexta-feira. Entrava lá no apeadeiro e saí em Contumil, que era onde acabava a linha.
O ramal foi encerrado em 1989. Mas a GARRA quer reabilitá-la. Força amigos.
É que a linha está preservada e pode ser utilizada a qualquer momento. Ainda há (houve)inteligências nesta Cidade... As actuais não sei se darão seguimento a alguma coisa...
Aqui na foto saquei a saída (ou entrada) de um dos túneis. Que são (eram) três. Este é na Zona das Fontaínhas, a quem este escrito é dedicado e também ao meu amigo Adriano Moreira, que ía para aqueles lados dar uns chutos na bola de trapos. Ou seria para o túnel do Seminário ? Adiante.
Lembrem-se, caros leitores, que estamos nas Fontaínhas. E então apreciem as belas Pontes sobre o Douro. Confusão ? Nenhuma. É uma questão de "olhares". Infante, D. Maria e S. João, são as Pontes visíveis deste ângulo.
Uma parte das nossas Fontaínhas, um antigo bairro populacional de Campanhã - ou do Bonfim ? ou das duas freguesias ? - que albergava os operários (agora diz-se trabalhadores) das muitas industrias que no princípio e meados do séc. XX começaram a proliferar pela zona.
A actual Rua da Corticeira. Há um século não sei como se chamava A antiga Calçada da Corticeira. Hoje Rua das Carquejeiras. Mas Corticeira, porquê ? a Câmara Municipal não sabe porque assim se chamava. Talvez morasse lá alguém que trabalhava numa fábrica de cortiça. Mas até coloca a hipótese de ter existido por ali uma fábrica daquele produto, a cortiça. Lá no fundo está uma ruína com todo o aspecto de ter sido uma fábrica. Embora tenha descido (e subido) esta calçada imensas vezes para atravessar o Rio no caíco (ou deverá escrever-se caíque ?) que me levava até à Praia do Aurélio, nunca olhei para a fábrica. Ou se olhei... Mas nessa altura era eu um menino de 10 anos e só queria a água do Douro.
O certo é que havia um cais junto ao Rio e por esta íngreme Calçada, com uma inclinação de 40%, subiam, com a carqueja descarregada de Rabelos e Batelões, mulheres (e talvez homens, não sei),com ela à cabeça, destinada aos vários fornos das industrias da região e também de outros pontos da cidade.
À esquerda, o Colégio dos Órfãos. Agora, o terceiro dos três em um. Nas velhas discussões com os amigos, perguntava-mo-nos (será que é assim que se escreve ?) como se chamava este edifício e para que serviu. Das vezes que por aqui passava, inquiria dos mais velhos senhores que por ali estavam o que foi, mas só me diziam que era um Lar. Agora é mesmo um Lar, sim. Mas eu queria saber qual a sua antiga função. Diziam-me que estava ligado aos Lázaros. Outros aos Orfãos. A razão dos primeiros não podia ser. Os Lázaros estavam ligados ao Hospital, hoje Biblioteca Municipal. Os Orfãos estão lá na ponta de Campanhã. As orfãs estão juntas ao Jardim de S. Lázaro. Na Nossa Senhora da Esperança.
Entrei no edifício, e então descobri que foi criado como Asilo de Mendicidade cuja origem veio de Lisboa para que se seguisse o seu exemplo. Para acabar com a mendicidade pelas ruas e proteger os inválidos e necessitados, recolhendo os indigentes e pobres. Distribuindo alimentos a quem não pudesse sair de casa. Está lá escrito num folheto. (séc.XIX).
Não sei se era esta a casa que abria as suas portas, no meu tempo de menino, para se visitarem os velhinhos. A minha memória só recorda as palavras da minha avó e pais.
Mas o edifício tem estória. Começa assim: Séc. XVI. O Açougue da cidade, ali na Sé - no actual Largo de Pedro Vitorino - começa a deitar muitos cheiros. A capacidade para matar 180 bois é pequena. Faz-se um novo açougue na Porta do Sol - mais ao menos onde é hoje o Largo Actor Dias, Capela dos Alfaiates, por aí -. Mas o espaço continua a não servir. As gentes bem da altura residentes no local, sentem-se mal. Então em 1796 começa-se a construção de um novo edifício nas Fontaínhas. Que é utilizado até 1840, quando passa para o Carvalhido. ( Para o pessoal do meu tempo, lembrai-vos do Canil, em S. Dinis ? Pois foi aí que ficou o Matadouro/Canil, até ser mudado para a Corujeira. Já nos nossos anos 50. Claro, do século passado.)
Concluindo, aquele edifício que foi criado para ser Matadouro Municipal (?), devidamente restaurado passou a ser o Asilo da Mendicidade. A foto lá em cima será de Arnaldo Soares. Pormenor do topo da fachada. Não sei quem foi o autor.
Não sei mais pormenores. Nem imaginam como consegui descobrir estas coisas.
Não foi trabalho, só casualidades. E de casualidade em casualidade, o JN tem sempre uma estória publicada. Pode ter 10, 20 anos, mas lá vamos dar.
E já que estamos nas Fontaínhas, olhai a Fonte, que no S. João é escondida para nos mostrar a Cascata "S. João a baptizar Cristo". Fontaínhas quer dizer Fontinha, isto é, local por onde corre muito água ou é nascente. Por aqui correu água para os Bispos e vejam lá, só agora o soube, pela Porta das Verdades, que além de ser local de passagem (e portagem) de quem subia pelo Codeçal (ou Codessal, palavra com dois significados, mas isso é outra estória) para entrar na Cidade Medieval, foi também aqueduto.
Este é o meu Porto surpreendente em cada esquina.










































































domingo, 5 de setembro de 2010

39 - O Passeio das Fontaínhas - Freguesia da Sé - Porto

Há dias andava por aí a percorrer uns caminhos só para bisbilhotar e confirmar umas coisitas. Sabem como é, quando entra uma coisa na cabeça, a gente não descansa enquanto não se esclarece. Mas isso fica para outra altura.
Como estava por ali próximo, entrei pelos Guindais e resolvi percorrer a Rua do Miradoiro, o que nunca tinha acontecido. Dizem os livros que esta rua tomou o nome, porque as Freiras do Convento de Santa Clara, do torreão das Muralhas Fernandinas que ali fica bem próximo, fizeram um Miradoiro. Penso eu de que, pela simples razão de confirmarem os barcos que chegavam pelo Rio Douro para logo correrem a ir cobrar a portagem. Gananciosas com eram e ainda por cima com o consentimento do Rei, não deixavam escapar um.
Fiquei desiludido, pois da Rua não há miradouro algum. As casas, que nem o aspecto de antigas têm, correm dos dois lados. É natural que das traseiras das que estão voltadas para o Rio, as miragens sejam mesmo verdadeiras. Mas sabia que esta Rua vai (ía...) dar ligação com o Passeio das Fontaínhas. Aí começo a desconfiar.
O término da Rua está emparedada (como os proprietários dos edifícios degradados da Cidade fazem) e do Passeio das Fontaínhas apenas resta a Placa. Há que voltar ao Largo Actor Dias, entrar no Parque de estacionamento, percorrê-lo e vamos encontrar já a Alameda das Fontaínhas. Até aí nada de especial. 100 metros mais a percorrer.
E aí sim, temos um belíssimo Miradouro sobre o Rio Douro e do outro lado a escarpa da Serra do Pilar. Ao fundo, as Pontes do Infante, D. Maria - que nunca mais ata nem desata sobre o seu aproveitamento turístico, tipicamente Coisas à moda de Portugal - e a de S. João.Mas o que me trouxe até aqui foi por ter visto o horror que é aquele ex-Passeio das Fontaínhas. Pesquisando, fui recuar aos anos de 2.000 e 2001, quando a escarpa foi cedendo. Daqui até à Ponte D. Maria. Um estudo de 2003 do Gabinete de Estruturas e Geotecnia recomenda à Câmara que se tomem as medidas adequadas. Ver os estudos, o que foi feito e conclusões em
Posteriormente houve ali um incêndio que obrigou a desalojar creio que cerca de 50 famílias.
Todo o aspecto ruinoso desta zona é triste, pois logo a seguir temos casas reconstruídas que provocam um contraste confrangedor.
Fiquei a saber que até Agosto, data em que foi emparedado, o Passeio era utilizado por tóxicodependentes e principalmente por quem se dirigia até ao cemitério do Prado Repouso. Logo, a voz de um partido político a fazer ressonância. http://www.cidadedoporto.pcp.pt/?tag=fontainhas
Bom, eu não andaria ali no meio do lixo, nem no espaço reduzido, em declive, com uma inclinação de mais de 50% . Logo, a demagogia a funcionar. Pois não estou a ver as velhinhas metidas por ali com riscos de vida, muito menos para irem ao cemitério pelo seu pé. O desvio de uns 100 m. não custará assim tanto.
Mas acredito (se o PCP não mente naquele site) que há qualquer coisa com as verbas que já vêm de há uns anos para se fazer algo neste espaço. Mas é pena a Alameda estar destruída, bem como o Muro e os Banquinhos do Miradouro que ali ainda têm vestígios. Segundo tomei conhecimento pelo que li no JN, este local já era passeio de famílias aos fins de semana e dias santificados nos anos trinta do séc. XIX - http://jn.sapo.pt/VivaMais/Interior.aspx?content_id=1488549 -
Será que algum dia irei dizer bem da Câmara do Porto, por algo realmente impressionante que tenha feito de bom durante estes mandatos do Sr. Rui Rio ? (Não, as corridas dos F1 de museu não contam, até porque temos de pagar aos pilotos, marcas e etc. uma fortuna pela publicidade que fazem com o nome do sr Presidente. Ainda se fosse com o nome da Cidade Invicta, vá lá. Mas este invento é um passatempo do Sr. Presidente. É aviltante. Não conta como obra).
Estou (estamos) à espera que o senhor, ou senhora, AVLIS49 nos traga a informação da "bastíssima" obra desta Câmara. Ou de qualquer outro meu leitor. Será um prazer "blogar" fazendo juz a essas coisas dignas.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

38 - A Capela dos Alfaiates

A Capela dos Alfaiates está localizada desde 1953 entre as Ruas do Sol e a de S. Luís, junto ao Recolhimento da Porta do Sol, actual Universidade Moderna, depois de ter sido apeada em 1936 do seu local primitivo, o largo fronteiro à Sé. Mas ainda antes da sua construção, a veneração da Senhora de Agosto era feita nos chamados Celeiros do Cabido A sua história remonta a meados do séc. XVI, que veremos mais à frente. Copiada. Também conhecida por Capela de Nª Senhora de Agosto, é Monumento Nacional, reconhecido pelo IPA com o nº PT011312140015, Protecção MN, Dec. nº 14 425, DG 228 de 15 Outubro 1927. Sobre este pequeno pormenor, a Câmara Municipal do Porto, nada refere.
A sua história é descrita nas páginas monumentos.pt da IHRU como segue: 1554 / 1555 - Início da construção da Capela no Bairro da Sé, pela irmandade dos Alfaiates, em casas doadas pelo bispo D. Rodrigo Pinheiro; 1559 - ainda não estava concluída; a Irmandade tinha como patrono Santo Homem Bom (nome errado, digo eu, pois na base da imagem está escrito Santo Bom Homem); 1932 - a Associação dos Alfaiates Portuenses oferece ao Estado a venda do recheio da Capela; 1934 - a C. M. pretende urbanizar o Largo fronteiro à Sé pelo que propõe a sua reconstrução num outro local; 1936 - apeamento completo da Capela pela DGEMN; 1940 - as obras são suspensas pelo Governo; 1949 - a Câmara oferece-se para efectuar a reconstrução da Capela no actual local; 1951 - projecto de reconstrução da capela apresentado pelos Serviços de Obras Municipais e Habitações Populares da C. M. do Porto ( exigência da DGEMN ); 1953 - reedificação da capela no actual local.

Mesmo sendo Monumento Nacional desde 1927 o Estado acabou por se desinteressar do pobrezinho.

O portal é rematado por um nicho com decoração flamenga, desenhado por Manuel Luís, em que se abriga uma imagem de barro de Nossa Senhora de Agosto.
A abóbada elevada sobre o espaço quadrado da nave é de cruzaria tardo-gótica, mostrando já motivos ornamentais maneiristas.
O retábulo da capela-mor, também maneirista, divide-se em oito painéis que representam cenas da vida da Virgem e, iconograficamente, respeitam as prescrições do Concílio de Trento, divulgadas em Portugal, sobretudo a partir de 1580. As pinturas são atribuídas, entre outros, a Francisco Correia tendo sido executadas provavelmente entre 1590 e 1600. Foram restauradas por Abel de Moura após a sua nova localização.
Pormenor do Frontal do Retábulo.
Imagem calcária de Nossa Senhora de Agosto, que já se venerava antes da construção da primitiva capela.
Imagem em madeira do Senhor Bom Homem também do séc. XVI.
Pormenor do Sacrário
Para um leigo como eu, não imagina o que representa esta Capela em termos estilísticos. No entanto foi (ou ainda é, penso eu) muito importante pois é um exemplar único no Norte do País, ente os tardo-gótico e as ideias maneiristas de inspiração flamenga.
Uma boa notícia para quem quizer visitar. Está aberta de tarde - não sei se ao domingo também - e uma senhora muito simpática, presta-nos todas as informações.


sábado, 28 de agosto de 2010

37 - A Praça e a Avenida.

Peguei nas minhas memórias (recentíssimas) fotográficas da Praça e da Avenida - para os não naturais da cidade e região, quer dizer Praça da Liberdade e Avenida dos Aliados - para lhes juntar uns textos que li por aí.

Foto retirada do blogue http://avenida-dos-aliados-porto.blogspot.com/

Mas antes disso, uma pequena achega. Eu, como muitos portuenses e não só, achamos aberrante o que o Arq. Siza Vieira (e li agorinha mesmo, que também do Arq. Souto Moura) e o Presidente Rui Rio fizeram neste espaço. Pura e simplesmente destruíram a calçada portuguesa, construída com desenhos únicos em pedra calcária e basáltica, cuja arte foi criada em meados do séc. XIX.

Foto de Manuela Ramos
Não satisfeitos apenas com esta destruição, resolveram juntar-lhe os jardins. Que sempre existiram desde que a Praça foi rasgada para a abertura da Avenida. Agora existe, desde a Praça até à Câmara, incluindo as faixas de rodagem, um calcetamento em pedras de granito, que provàvelmente vieram da China. Digo eu. De notar que o IPPAR levantou reservas sobre esta "aberração" mas o certo é que a belíssima obra lá está. Com a ajuda simpática e nada política do Dr. Oliveira do Metro Uma foto de Tavares da Fonseca, de finais dos anos 70. Em primeiro plano a Praça da Liberdade, seguindo-se a Avenida dos Aliados e junto à Câmara a actual Praça General Humberto Delgado. Também esta era calcetada com a "Calçada Portuguesa".
Tendo como pano de fundo as obras das Cardosas, a Menina Nua - Obra do Escultor Henrique Moreira em 1929 - e a Estátua de D. Pedro IV, que um dos famosos autores do novo espaço não percebia porque raio tinha de estar de cu para a Câmara e por isso queria mudá-la. Ignorância de quem não sabe história.
Alguém lhe deve ter dito que esta posição voltada para sul tem duas razões: A afronta ao absolutismo lisboeta, representado pelo irmão D. Miguel e a luminosidade solar. Admira-me que um arquitecto tenha feito uma observação tão estúpida, porque é uso pelo menos em toda a Europa praticar-se esta posição. Embora à noite, esteja totalmente às escuras. Como escuro é todo este espaço, valendo-lhe as luzes dos edifícios do Banco de Portugal e da Caixa (o antigo BNU). Pobre D. Pedro, provàvelmente um dia, o povo vai fazer uma nova subscrição desta vez para te alumiar.
A Estátua foi paga em grande parte por subscrição pública e foi construída para comemorar o 30º aniversário do desembarque das tropas liberais. É da autoria do francês Calmels e foi fundida em Bruxelas.

Foi colocada a primeira pedra do pedestal em meados de 1862 na Praça, então chamada Nova, posteriormente de D. Pedro e hoje é da Liberdade. A inauguração deu-se em 19 de Outubro de 1866, com a presença do seu neto D. Luíz I.
Para amenisar a feieza do "chão", os topos de alguns edifícios ao longo da Praça/Avenida são de uma beleza extraordinária. Eu o digo e escrevo. Se ninguém concordar, está no seu direito.
A Torre da Câmara também está incluída, embora o céu estivesse da sua cor. Tem 70 metros de altura.
A Abundância e os Meninos, também da autoria de Henrique Moreira, de 1931
A Menina Nua - A Juventude - e a Câmara lá ao fundo. O edifício foi projectado pelo Arq.Correia da Silva, com alterações posteriores do Arq. Carlos Ramos e começou a ser construído em 1920, ficando operacional apenas em 1957. É uma obra da Cooperativa dos Pedreiros, que andaram a trabalhar de "borla" durante muito tempo. Li isto no site da Coop, há algum tempo. A fachada é de granito retirado das pedreiras de S. Gens e Fafe no início do séc. XX e é decorada com uma dúzia de esculturas, da autoria de José Sousa Caldas e Henrique Moreira representando as várias actividades ligadas desde sempre ao Porto, como a viticultura, a industria e a navegação. Os interiores são em mármore e granito, ricamente decorados. Este texto recolhi-o na Wikipédia.

Lá no fundo, estará a Estátua de Garrett, (?) sempre escondida por qualquer coisa. Sim, porque estes espaços foram criados não para o Povo, contràriamente ao que prometeu Rui Rio, mas para dar dinheiro. E mainada. Quem não estiver de acordo que vá dar banho ao cão, lá no lago.
Mais alguns pormenores de edifícios