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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

257 - Casas e Gente Ilustre

Um pequeno roteiro de algumas Casas da Cidade do Porto onde nasceu, viveu e trabalhou gente ilustre.
Rua da Fábrica
Nasceu Afonso de Bragança em 18.12.1897 e faleceu a 2. 11.1922 
Afonso de Bragança foi um jornalista, jovem colaborador do Diário de Lisboa tendo o seu nome atribuído a um prémio de Jornalismo do Secretariado de Propaganda Nacional, uma década após a sua morte.

 Nas Águas Férreas a Casa da Pedra
A Casa da Pedra é um singelo edifício urbano construído no séc. XVIII na zona onde uma nascente de águas sulfúreas havia dado origem ao topónimo. No último quartel do séc. XIX serviu de residência ao escritor e filósofo Oliveira Martins, durante a sua estada no Porto para dirigir a construção da via férrea do Porto à Póvoa de Varzim e Vila Nova de Famalicão.
A casa celebrizou-se então por ser o local de encontro dos intelectuais da Geração de 70 em tertúlias dinamizadas por Antero de Quental, Eça de Queiróz, Guerra Junqueiro e Ramalho Ortigão, os quais, com Oliveira Martins compunham o célebre Grupo dos Cinco. Foi nesta casa que Antero de Quental se tentou suicidar pela primeira vez.
Na parede da entrada para os jardins, uma homenagem da Câmara Municipal a Oliveira Martins da autoria de José Rodrigues.

A Casa de Germalde, à Lapa 
José Duarte Ramalho Ortigão, escritor, nasceu no Porto, na Casa de Germalde, freguesia de Santo Ildefonso em 24 de Outubro de 1836 e faleceu em Lisboa em 27 de Setembro de 1915.
Viveu a sua infância numa quinta do Porto com a avó materna e a educação a cargo do tio-avô e padrinho Frei José do Sacramento. Em Coimbra, frequentou brevemente o curso de Direito. Ensinou francês e dirigiu o Colégio da Lapa no Porto, do qual seu pai havia sido director. Iniciou-se no jornalismo colaborando no Jornal do Porto e no jornal de cariz monárquico O Correio (1912-1913). Também foi colaborador em diversas publicações periódicas.
Ainda no Porto, envolveu-se na Questão Coimbrã com o folheto "Literatura de hoje", acabando por enfrentar Antero de Quental num duelo de espadas, a quem apodou de cobarde por ter insultado o cego e velhinho António Feliciano de Castilho. Ramalho ficou fisicamente ferido no duelo travado, em 6 de Fevereiro de 1866, no Jardim de Arca d'Água.
Reencontra em Lisboa o seu ex-aluno Eça de Queirós e com ele escreve O Mistério da Estrada de Sintra (1870), que marca o aparecimento do romance policial em Portugal. Ainda em parceria com Eça de Queirós, surgem em 1871 os primeiros folhetos de As Farpas, de que vem a resultar a compilação em dois volumes sob o título Uma Campanha Alegre.

Quinta do Campo Alegre, Jardim Botânico
Sophia de Mello Breyner Andresen, poetisa desde a sua infância, nasceu a 6 de novembro de 1919 no Porto e faleceu em Lisboa em 2 de Junho de 2004. Filha de Maria Amélia de Mello Breyner e de João Henrique Andresen, tem origem dinamarquesa pelo lado paterno. O seu bisavô, Jan Andresen, desembarcou um dia no Porto e nunca mais abandonou esta região, tendo o seu filho João Henrique, em 1895, comprado a Quinta do Campo Alegre, hoje Jardim Botânico do Porto. Como afirmou em entrevista, em 1993,essa quinta "foi um território fabuloso com uma grande e rica família servida por uma criadagem numerosa".
Foi a primeira mulher portuguesa a receber o maior galardão literário da Língua Portuguesa, o Prémio Camões. Em 1998.
Os seus restos mortais repousam no Panteão Nacional desde 2014.

Muro dos Bacalhoeiros, Ribeira do Porto.
Alguns pratos tradicionais de culinária recebem o nome dos seus criadores. É o caso do bacalhau à Gomes de Sá, receita tradicional em Portugal, da autoria de José Luís Gomes de Sá Júnior.
Nasceu no Porto a 7 de Fevereiro de 1851 tendo falecido no ano de 1926. Negociante de bacalhau, sediou o seu negócio num armazém da Rua do Muro dos Bacalhoeiros, na Ribeira do Porto.
É um prato de muito impacto em todo o território português bem como no Brasil, herança cultural das povoações do Norte de Portugal. Por essa razão, o Cônsul do Brasil no Porto, em 1988, João Frank da Costa, decidiu homenagear o criador da receita mandando colocar uma placa na parede da casa onde nasceu, na Rua do Muro dos Bacalhoeiros.
Em vários mercados do Brasil, o bacalhau é vendido como Bacalhau do Porto, devido a esta história relacionada com o Bacalhau à Gomes de Sá.

S. Nicolau, Ribeira
Nesta casa nasceu o Comandante Carvalho de Araújo em 18 de Maio de 1881.
Faleceu no Oceano Atlântico em 14 de Outubro de 1918.
Ficou célebre por ter conseguido, no comando do caça-minas NRP Augusto de Castilho, proteger o vapor São Miguel de ser afundado pelo submarino alemão U-139, comandado pelo ás dos ases dos submarinos, Lothar von Arnauld de la Perière, em 14 de Outubro de 1918.
Ingressou na Marinha como Aspirante em 12 de Outubro de 1895. 

Rua da Ponte Nova, Freguesia da Sé
António Carvalho da Silva (Porto, 11 de Novembro de 1850 - Lisboa, 1 de Junho de 1893) foi um pintor português que mais tarde adoptaria para apelido o nome da sua cidade natal, ficando conhecido por Silva Porto.
Estudou na Academia Portuense de Belas Artes, estagiou em Paris (1876-1877) e em Itália (1879) tendo regressado a Portugal aureolado de prestígio. Foi convidado para ensinar na Academia de Lisboa como mestre de Paisagem.
Em 1880 realiza uma exposição de quadros paisagísticos inundados de luz. Fez parte do chamado Grupo do Leão, juntamente com António Ramalho, João Vaz, José Malhoa, Cesário Verde, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro. Entre outros galardões, recebeu a medalha de ouro da Exposição Industrial Portuguesa de 1884 e a primeira medalha do Grémio Artístico.
Encontra-se largamente representado no Museu do Chiado, em Lisboa e no Museu Nacional de Soares dos Reis no Porto.
Não sei como está o edifício actualmente. Esta foto é de 2010.

Miragaia, casa onde nasceu em 11 de Agosto de 1744
Tomás António Gonzaga
Seu nome arcádico é Dirceu, foi jurista, poeta e activista político participante da Inconfidência Mineira, movimento pela independência de Minas Gerais, precursor do processo que conduziu à separação do Brasil de Portugal. Considerado o mais proeminente dos poetas árcades, é ainda hoje estudado em escolas e universidades por seu "Marília de Dirceu".
Filho de mãe portuguesa (de ascendência inglesa, Tomásia Isabel Clarque) e pai brasileiro, nordestino (João Bernardo Gonzaga) ficou órfão de mãe no primeiro ano de vida. Mudou-se com o pai, magistrado, para Pernambuco em 1751 e depois para a Bahía, onde estudou no Colégio dos Jesuítas.
Em 1761 voltou a Portugal para cursar Direito na Universidade de Coimbra, tornando-se bacharel em Leis em 1768. Com intenção de leccionar naquela universidade, escreveu a tese Tratado de Direito Natural, no qual enfocava o tema sob o ponto de vista tomista, mas depois trocou as pretensões ao magistério superior pela magistratura. Exerceu o cargo de juiz de fora na cidade de Beja, em Portugal.
Quando voltou ao Brasil, em 1782, foi nomeado Ouvidor dos Defuntos e Ausentes da comarca de Vila Rica, actual cidade de Ouro Preto. Conhece a adolescente de apenas dezasseis anos Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, a pastora Marília numa das possíveis interpretações de seus poemas, que acabaria imortalizada na sua obra Marília de Dirceu.
Morreu em 1810 na Ilha de Moçambique para onde tinha sido exilado.

Praça Marquês de Pombal
Sede do Instituto Marques da Silva
José Marques da Silva nasceu no n.º 113 da Rua de Costa Cabral em 18 de Outubro de 1869, bem próximo da casa onde habitou.
Iniciou a sua formação como arquitecto na Academia Portuense de Belas-Artes, onde foi aluno, entre outros, de António Geraldes da Silva Sardinha, Marques de Oliveira e Soares dos Reis. Em 1889 partiu para Paris com o objectivo de ingressar na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts, cidade onde permaneceu até obter o grau de Arquitecto Diplomado pelo Governo Francês, em 10 de Dezembro de 1896.
Regressou a Portugal para iniciar uma intensa actividade profissional que rapidamente lhe granjeou o reconhecimento público.
Com projectos como a Estação de S. Bento (1896), o Teatro Nacional de S. João (1910), o Edifício das Quatro Estações (1905), o Liceu Alexandre Herculano (1914), a "Casa da Irmandade da Lapa", (c. 1910-1915), Liceu Rodrigues de Freitas (1919), os Armazéns Nascimento (1914), a Casa de Serralves (1925-1943) ou o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular (1909), moldou a fisionomia da cidade do Porto.
Mas a sua actuação também se estendeu a outra regiões do norte do país, em particular a Guimarães, cidade para a qual viria a projectar vários edifícios emblemáticos tais como a sede da Sociedade Martins Sarmento, o Mercado Municipal e o Santuário da Penha.
A actividade docente de Marques da Silva iniciou-se em 1900, na qualidade de Professor de Desenho e Modelação no Instituto Industrial e Comercial do Porto. Em 1906 é nomeado professor de arquitectura na Academia Portuense de Belas-Artes, vindo a ocupar posteriormente o lugar de director da então já designada Escola de Belas-Artes do Porto (1913-1914; 1918-1939). Será ainda director e professor da Escola de Arte Aplicada Soares dos Reis (1914-1930).
Marques da Silva faleceu em 6 de Junho de 1947, na sua residência à Praça Marquês de Pombal, deixando um legado duradouro na cultura arquitectónica portuense na paisagem da cidade

 Rua do Corpo da Guarda
Casa onde residiu Alexandre Herculano
Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo (Lisboa, 28 de Março de 1810 — Quinta de Vale de Lobos, Santarém, 18 de Setembro de 1877) foi um escritor, historiador, jornalista e poeta português da era do romantismo.
Como liberal teve como preocupação maior, estabelecida nas suas acções políticas e seus escritos, condenar o absolutismo e a intolerância da coroa para denunciar o perigo do retorno a um centralismo da monarquia em Portugal.
Na sua infância e adolescência foi profundamente marcado pelos dramáticos acontecimentos da sua época: as invasões francesas, o domínio inglês e o influxo das ideias liberais, vindas sobretudo da França, que conduziriam à Revolução de 1820.
Alistado como soldado no Regimento dos Voluntários da Rainha, é um dos 7.500 "Bravos do Mindelo", assim designados por terem integrado a expedição militar comandada por D. Pedro IV que desembarcou, em 8 de Julho de 1832, na praia do Mindelo a fim de tomar a cidade do Porto.
Como soldado, participou em acções de elevado risco e mérito militar.
Nomeado por D. Pedro IV como segundo bibliotecário da Biblioteca do Porto, aí permaneceu até ter sido convidado a dirigir a revista O Panorama (1837-1868), de Lisboa, revista de carácter artístico e científico de que era proprietária a Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, patrocinada pela própria rainha D. Maria II e de que foi redactor principal de 1837 a 1839.
Em 1842 publicou Eurico o Presbítero, obra maior do romance histórico em Portugal no século XIX. Também exerce intensa colaboração em diversos jornais revistas. 

Freguesia da Vitória, Rua Dr. Barbosa de Castro - Antiga Rua do Calvário.
Nasceu a 4 de Fevereiro de 1799 João Leitão da Silva
que mais tarde adoptaria os apelidos Almeida Garrett.
Escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português. Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
No período de sua adolescência foi viver para os Açores, na ilha Terceira, quando as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal. Em 1816 foi para Coimbra onde acabou por se matricular no curso de  Direito. Em 1821 publicou O Retrato de Vénus, trabalho que fez com que fosse processado por ser considerado materialista, ateu e imoral, tendo sido absolvido.
Participou na revolução liberal de 1820 e em 1823 foi para o exílio em Inglaterra após a Vila-francada. Foi em Inglaterra que tomou contacto com o movimento romântico, descobrindo Shakespeare e Walter Scott entre outros autores. Visita castelos feudais e ruínas de igrejas e abadias góticas, vivências que se reflectiriam na sua obra posterior.
Tomou parte no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto em 1832 e 1833 integrado no exército de D. Pedro IV.
Falece a 9 de dezembro de 1854 na sua casa situada na atual Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, Lisboa. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, tendo sido trasladado a 3 de Maio de 1903 para o Mosteiro dos Jerónimos. Os seus restos mortais foram posteriormente trasladados para o Panteão Nacional da Igreja de Santa Engrácia em princípios de Dezembro de 1966.
De entre as suas obras destaque para o Arco de Santana em dois volumes, publicados em 1845 e 1850.

Rua de Cedofeita
Um dos edifícios onde D. Pedro IV viveu e comandou as suas tropas aquando das 
Lutas Liberais e Cerco do Porto.

Textos recolhidos nas biografias dos Ilustres

terça-feira, 1 de novembro de 2016

256 - O Mosteiro da Serra do Pilar.

Iniciada a reforma da Ordem dos Agostinhos por ordem de Dom João III, sob a direcção de Frei Brás de Barros, os monges de São Salvador de Grijó foram transferidos para a Serra do Pilar em Gaia. 
Foi então iniciada em 1537 a construção de um novo mosteiro, segundo projecto da autoria de Diogo de Castilho e João de Ruão. Em 1542 trabalhava-se na edificação dos alicerces da igreja e do claustro, bem como das salas do capítulo e do refeitório. A primeira fase da obra estaria terminada em 1567 e em 1576 iniciava-se a construção do claustro circular, terminado nos primeiros anos da década de 80 já no período Filipino. Filipe I de Portugal, segundo de Espanha, grande devoto de Nossa Senhora do Pilar e que terá impulsionado a finalização das obras.
O Mosteiro encontra-se actualmente ao cuidado da unidade militar. A Igreja não é visitável tanto quanto eu saiba.
Não tenho a certeza mas gostava de saber se os arcos são arqueologia de um aqueduto que transportava água para o Mosteiro. E seria o mesmo aqueduto do qual existem uns arcos no Sardão, Oliveira do Douro ?
O blogue amigo http://monumentosdesaparecidos.blogspot.pt/2016/01/aqueduto-do-mosteiro-da-serra-do-pilar.html dá-nos muito boas achegas.
A foto é a partir do Jardim do Morro.

No panorama da arquitectura contra-reformada, no qual se apresenta como um projecto sem paralelo, o mosteiro de Santo Agostinho da Serra do Pilar é considerado "um dos mais notáveis edifícios da arquitectura clássica europeia de todos os tempos devido à sua igreja e ao seu claustro, ambos circulares e da mesma dimensão em planta" (GOMES, Paulo Varela,2001,p.79). 
Durante o século XX, o mosteiro foi objecto de diversas campanhas de obras de conservação e restauro e está abrangido pelo Centro Histórico do Porto, inscrito pela Unesco na Lista do Património Mundial. Aqui funciona actualmente o espaço de divulgação "Património a Norte" e é um dos melhores miradouros para o rio Douro e zonas históricas do Porto e Vila Nova de Gaia.
 Claustro
 Sepulturas ao longo do passeio do Claustro, umas apenas numeradas outras referenciadas.
A exposição




D. Afonso Henriques, padroeiro do Exército.

Alguma História em fotos.

Esta estátua não tem nada a ver com a das fotos anteriores. Estupidamente não tomei nota da legenda.
Está no Salão Nobre da Unidade Militar.

Antes da Igreja circular actual, foi construída uma Capela que foi abandonada por não ser do gosto de alguém. Não sei se é esta a Capela primitiva e a torre sineira, que foram abandonadas
É a entrada para a exposição.
Mas em 1140, foi fundado um mosteiro neste local em que as freiras seguiam a norma de reclusas emparedadas. Durou até ao séc. XIV quando deixou de haver freiras com esta vocação. Também viver entre quatro paredes, mais tecto e chão, só com um buraco para se lhes ser servida a refeição... durante o resto das suas vidas...
A Igreja do Mosteiro


A Unidade Militar
Para os meus camaradas a caminho do Ultramar que por aqui passaram nos velhos tempos do chamado RAP2, criado em 1939, um abraço apertado.
É sempre com emoção quando visitamos a Unidade.
Mas esta unidade foi primitivamente o Regimento de Artilharia do Porto, passando a Regimento de Artilharia nº 4 em 1806 e extinto em 1829. Teve muitos outras nomes desde que foi criado por Decreto da Rainha D. Maria II em 1835, por ter o Mosteiro da Serra do Pilar grande destaque como fortificação do Porto durante a Guerra Civil. Entre Penafiel e Gaia, várias unidades foram transferidas de lá para cá e vice-versa. Em 1975 passou a RASP, em 1993 a RA5 e agora é apenas o Quartel da Serra do Pilar, com várias valências.
Voltarei à História da Unidade
São muitas as homenagens que as Companhias que prestaram serviço no antigo Ultramar Português durante as guerras de África - 1961-1974 - fazem nas instalações da unidade.
Recordando os nossos mortos.

Salão Nobre e exposição de Guiões de quase todas as unidades que prestaram serviço no Ultramar. juntamente com algumas peças militares de outros tempos.
 Casernas de Pessoal e Serviços. Creio que terão sido aproveitadas das instalações do Mosteiro.
 Uma imagem sobre o Porto
Em 1809 o espaço do mosteiro foi ocupado pelas tropas de Wellington, quando foi planeado o ataque do exército português à cidade do Porto, então ocupada pelas tropas de Napoleão.
Posteriormente, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), aquando do Cerco do Porto (Julho de 1832 - Agosto de 1833), as tropas liberais instalaram-se nas dependências do mosteiro, proporcionando suporte às forças liberais sitiadas do outro lado do rio Douro.
No dia 8 de Setembro de 1832 os realistas começaram os seus ataques em força, assaltando a Serra do Pilar, valorosamente defendida pelos voluntários cognominados "os polacos" (guerrilheiros famosos) , iniciando-se no dia seguinte o bombardeamento do Porto, baptismo de fogo da cidade, que muitos outros iria suportar durante o cerco.
A designação de “Polacos da Serra” foi atribuída em 1832, em reconhecimento do mérito em combate, ao 3º Batalhão do Exército que ficou famoso pelas lutas heróicas no alto da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia, durante a Guerra Civil da sucessão ao trono entre D. Pedro e D. Miguel.
O Porto encontrava-se então sob o domínio das forças Miguelistas e era o reduto da Serra do Pilar que defendia o acesso à cidade. Muito embora nas fileiras do Batalhão não houvesse polacos a combater, toda a Europa já ouvira falar da valentia dos insurrectos polacos de Novembro de 1830.
A atribuição da denominação de “Polacos da Serra” ao batalhão português elevava os seus militares à categoria de heróis e constituía uma nobilitação especial. Até hoje não se sabe se a denominação foi atribuída ao batalhão pelo próprio D. Pedro ou se pelos habitantes da cidade, orgulhosos com os feitos dos seus conterrâneos, que aliás eram simples voluntários. Nos arquivos militares conservou-se o decreto de 18 de Julho de 1832, que descreve a farda dos “Polacos da Serra”: «calças azul-escuras e casaco com gola e punhos azuis-claros, galão dourado do lado esquerdo e boina sem pala com debrum azul-claro».
Copiado este texto da página http://www.lizbona.msz.gov.pl/resource/c7749e43-d52e-4fa6-bb11-690bf9a6559c:JCR

Quase no final da descida da Serra do Pilar, pode-se captar esta imagem do Mosteiro, agora com as instalações aos serviço da unidade.
Pormenor noturno feito em 23 de Junho de 2007.



sábado, 29 de outubro de 2016

255- Igreja do Mosteiro de Leça do Balio

O itinerário das peregrinações a Compostela ou Caminhos de Santiago a partir do Porto, segue muitas vezes o caminho da antiga Estrada Romana que ligava Braga a Lisboa. Para os interessados recomendo a leitura do extraordinário trabalho em Itinerário das Vias Romanas em Portugal.
A pouca distância da saída do Porto para Norte no sentido de Braga, encontra-se em Leça do Balio a Ponte da Pedra, no concelho de Matosinhos, de origem românica.
A sua construção remonta ao século II. É uma ponte com tabuleiro plano formada por um único arco de volta perfeita.
Atravessando esta ponte sabiam os peregrinos que em breve receberiam hospitalidade.
Segundo as crónicas, no local existiria em cerca de 900 a edificação de um pequeno mosteiro com igreja sob a invocação de São Salvador do Mundo e provavelmente arrasados em 1003 durante a invasão árabe de Almançor, governador do al-Andaluz, designação em Árabe da Península Ibérica.
Terá sido no séc. XII a primeira sede da Ordem Militar dos Cavaleiros-Monges do Hospital em Portugal que desempenharam um papel importante na assistência aos peregrinos. A doação do Mosteiro é feita por Dona Teresa em 1122.
Em 1123 o filho e nosso primeiro Rei. Dom Afonso Henriques deu-lhes carta de Couto, separada do Porto. Aqui residiu com a esposa a Rainha Dona Mafalda algum tempo.
Dá-se início à construção do Mosteiro românico pelos Monges da Ordem do Hospital, que não foi concluído.
Em 1294 entra para a Ordem Frei D. Estêvão Vasques Pimentel, eleito em 1306 Bailio de Leça que inicia no primeiro terço do séc. XIV a construção da actual Igreja Gótica "Cheia de Luz" e o mosteiro no lugar do arruinado românico.
A Igreja de planta cruciforme, ladeada por uma alta torre quadrangular, provida de balcões com matacães, a meia altura e no topo, em ângulo, seteiras, dando à igreja um aspecto de verdadeira fortaleza militar.
Fachada sul da Igreja, que ligava ao Mosteiro e ao restante complexo conventual, segundo descrições anteriores às demolições de 1844.
No início do séc. XVII o bailio pertence à família dos Távoras que iniciou grandes obras na Igreja e Mosteiro.
Em 1834 dá-se a extinção das ordens religiosas e a Igreja fica abandonada e em progressiva ruína. Em 1934 iniciam-se obras de restauro efectuadas pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
Em 1993/98 assinatura de protocolo com a Unicer para a comparticipação de obras de recuperação do Imóvel.
Entretanto, já no séc. XX, o Mosteiro e terrenos foram adquiridos pelo Engenheiro Ezequiel de Campos (12.Dez.1874 - 11.Junho.1965). Actualmente pertencem à companhia Leonesa.
Capela-mor
A estrutura da Igreja gótica remontam ao séc. XIV durante as obras de remodelação e ampliação.


Tem a Igreja duas lendas associadas. D. Frei Garcia Martins, antigo bailio cujo túmulo está encostado à parede norte (consegue-se ver um pormenor) faleceu em 1306. Passados 40 anos após a sua morte, começou a notar-se um cheiro intenso e agradável. O povo curioso levantou a tampa do túmulo e surpreso não só pelo cheiro que continuava a soltar-se, mas porque o cabelo, a barba e as unhas tinham crescido. E o corpo continuava intacto.
Foi considerado de imediato de Homem Santo e a quem foram atribuídos muitos milagres. O mais importante talvez seja o da Prova do Ferro-Caldo.
Capela do Ferro
Segundo a narrativa popular, a mulher do ferreiro de um lugar próximo foi acusada de adultério. Para provar a sua inocência submeteu-se à prova do ferro caldo que consistia em andar 8 pés com um ferro em brasa nas mãos sem exclamar um queixume. A mulher não só andou mais metros com o ferro e em direcção ao túmulo do seu padrinho o Santo Homem Bem Cheiroso, como as mãos estavam livres de queimaduras. 
Segundo o Historiador Joel Cleto, a Capela chama-se do Ferro porque terá existido à entrada um portal em ferro que unia as duas paredes laterais.
Mais pormenores em Caminhos da História, http://videos.sapo.pt/oE87Fu7U2cbe12Iyg1uj e em 
http://portocanal.sapo.pt/um_video/WwLedcFADRBhqYCGOEbL

Na Capela do Ferro, o túmulo de Frei Jerónimo Coelho da autoria de Diogo Pires, o Moço, escultor máximo do estilo manuelino.

Fez-se sepultar em campa rasa nesta capela Frei Estêvão Vasques Pimentel, o responsável pela edificação da nova Igreja.

No entanto uma homenagem foi-lhe prestada numa bem trabalhada artísticamente placa em bronze, produzida provavelmente na Flandres, com diversos motivos decorativos e o epitáfio em caracteres leoneses.

Na Capela Mor o túmulo de Frei Cristóvão de Cernache.

Outros túmulos de bailios estão espalhados pela Igreja.

Pia Baptismal também de Diogo o Moço

Pormenores

Do lado Sul, presumo que estas paredes farão parte do Mosteiro, agora em mãos particulares.
 Do portão podemos ver alguma arqueologia.
Imagem do lado oposto
Imagem das paredes do lado norte
A fonte bem como algum acervo espalhado pelos terrenos da Igreja devem fazer parte das obras de restauro que se foram fazendo.
Contrariando a vontade popular, D. Fernando I de Portugal casa em 15 de Maio de 1372 com Leonor Teles de Menezes na Igreja de Leça do Balio. Este episódio veio a criar a crise de 1383-1385.
O conjunto escultórico é de Irene Vilar (1930-2008).

Há quem refira que o Infante D. Henrique nasceu no Mosteiro, pois tinha melhores acomodações para receber os Reis do que o edifício da Alfândega Velha do Porto.

Balio ou Bailio. A quem é confiada a defesa dos bens. A sua área de jurisdição era o Bailiado.