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domingo, 2 de agosto de 2015

223 - O ciclismo e uma lágrima ao canto do olho

Por ordem de preferências atlético-desportivas de quando era menino, à frente do futebol, do andebol, do hóquei em patins, esta foi a ordem de trás-para-a-frente, o ciclismo era a minha modalidade preferida.
Peso da Régua
Li sobre as rivalidades de outrora entre Nicolau-Trindade, coisa mais de clubes Sporting-Benfica o que para o Norte parece não ter representado grande coisa. Mas o ciclismo começou para mim com os mitos Alves Barbosa-Ribeiro da Silva, representantes de clubes pobres, como foram o Sangalhos e o Académico do Porto.  
Santa Marta de Penaguião
Li há dias no JN uma crónica sobre a volta a Portugal e a sua chegada a Vila Real nos anos 50 e 60 pelo embaixador Seixas da Costa ( http://www.jn.pt/opiniao/default.aspx?content_id=4708575 ) que é uma espécie de visão de como eu imaginava as maravilhas dos Reis da Estrada, para além das espreitadelas que dava para ver os homens em carne e osso, principalmente os do Porto no Café Excelsior. O meu pai rememorava o Café dos Ciclistas pois as lembranças são poucas.
Entre Santa Marta de Penaguião e Vila Real
Depois apareceram outros mitos ciclistas portugueses que acompanharam o meu crescimento como Emídio Pinto, Américo Raposo, Artur Coelho, Sousa Cardoso, Jorge Corvo, Lima Fernandes, Henrique Castro, António Baptista, Alberto Carvalho, aliados já nessa altura aos estrangeiros Bahamontes, Anquetil, Van Looy, Bobet, que vi actuar em exibições ciclistas na Pista do Estádio do Lima, local de muitas chegadas e finais de voltas.
Aproximação a Vila Real
 Na minha fase de adulto-velho apareceram o Peixoto Alves, o José Pacheco, o Marco Chagas e o maior de todos o saudoso Joaquim Agostinho.
Porquê o relembrar destas coisas do ciclismo ?
Vila Real
Porque agora para além de apreciar o esforço de alguns ciclistas, que só de olhar pela TV me cansa, vislumbro imagens de sítios por onde nunca andei e outros que tenho bem frescos na memória.
A Caminho da Barragem do Alvão
Nunca me canso de dizer-escrever que o meu Portugal tem locais deslumbrantes dignos de serem vistos e apreciados. Sei que muitos portugueses tecem imensos louvores ao que há lá por fora e não o contradigo. Mas creio que a maioria nunca olhou para nós cá dentro.
Barragem do Alvão
Não é por ser nortenho, mas tem o norte maravilhas únicas e não me refiro apenas às paisagens. Sou um especial admirador da Região Transmontana-Duriense que em tempos muito calcorreei (bem como quase todas as regiões de Portugal) mas nunca admirei devidamente por falta de poder descansar o olhar.
Fisgas do Ermêlo
Ora hoje os ciclistas vieram lá da Beira e atravessaram o Douro na Régua para acabar no Monte da Senhora da Graça.
A caminho de Mondim de Basto. O Monte da Senhora da Graça recortado no fundo
 Eles não tiveram oportunidade de olhar o que os rodeava, mas eu fui matando saudades pelo que ia vendo através da TV, refastelado e acompanhado pelo D. Helena, aquele brandy maravilhoso que o Luís Bateira há pouco me ofereceu.

Foto acabada de roubar na net. Ao fundo a Senhora da Graça
 O templo no alto do Monte da Senhora da Graça, um dos Caminhos de Santiago, foi há dias local de rememorar tempos idos com uma peregrinação das gentes de Mondim de Basto e não só.
Foi final da etapa.
 Não sei que montanhas vemos em redor. Mas sei que estão unidas umas às outras: Peneda, Gerês, Soajo, Amarela, Larouco, Barroso, Marão, sei lá. A minha memória já não me deixa debitar todas nem a ordem porque vinham nos livros de Geografia da minha-nossa infância.
 Para o caso não interessa nada. Portugal a Norte-Noroeste é isto.
 Viva o ciclismo e o meu amigo Fernando Súcio que me tem proporcionado viagens maravilhosas pelo Reino Encantando, como escreveu Miguel Torga.
As fotos seguiram o itinerário que os ciclistas da Volta a Portugal fizeram hoje. Desde que atravessaram o Douro, vindos dos lados de Lamego.
As últimas são uma pequenina parte do que podemos apreciar do alto da Senhora da Graça.

Agora vai uma loirinha porque estou com muita, muita sede. E cansado.

terça-feira, 14 de julho de 2015

222 - Penafiel em passeio rápido

Conviver é uma arte. Li algures há muito esta frase e concordo. Com amigos de longa data convivo sempre que a ocasião se proporciona, mas também temos os nossos dias mensais para o efeito.
Neste mês, aceitamos o passeio, almoço e pequena viagem cultural em Penafiel, proporcionados pelos camaradas Zé Cancela e Quim Peixoto.
Aqui ficam as minhas impressões.
 O percurso entre o Porto e Penafiel e depois a volta, foi feito de comboio. À chegada fiz a comparação das vistas e do parque de estacionamento entre Janeiro de 2012 (um convite dos mesmos amigos Cancela e Peixoto) e actualmente.
As árvores escondem agora a paisagem, há carros estacionados e as ervas-mato cresceram.

 Os convívios devem ter momentos reunidos à volta de uma mesa. Fomos levados até um pequeno restaurante no lugar de Rande - Milhundos.
Casa cheia em duas salas e mesa reservada para nós com muitas e boas surpresas culinárias que não couberam todas nas fotos.
Das entradas aos finalmentes que incluíram frutas e doces, passando por vinhos, cafés e digestivos, o serviço foi de tal maneira eficiente e rápido sem atafulhar a mesa, que gostaria de ver igual em todos os restaurantes. O "pessoal" da casa é composto por cozinheira, que infelizmente não conheci, e por um casal jovem. O preço foi de 11€ por amigo e só lamentamos o excesso de comida. 
Parabéns ao Regula.
Regressámos ao centro da Cidade de Penafiel para uma visita rápida que terminou no Museu.
O edifício setecentista pertencente ao Barão das Lages situado na Rua do Paço, recuperado e adaptado a Museu de Penafiel pelo arquitecto Fernando Távora - falecido em 2005 - e terminado pelo seu filho Bernardo, foi escola desde 1881 até 1968, data da fundação do Liceu de Penafiel.
Por aqui passaram entre outros os alunos Américo Monteiro de Aguiar mais conhecido como Padre Américo, o Homem da grande Obra da Casa do Gaiato; Abílio Miranda, farmaceutico, arqueólogo, etnógrafo, historiador; Leonardo Coimbra, professor, filósofo, político, grande combatente do analfabetismo. Quando ministro, fundou a Faculdade de Letras do Porto. Foi um dos maiores impulsionadores do Espiritismo em Portugal. 
Inaugurado em Março de 2009, foi considerado em 2010 o melhor Museu de Portugal. O seu site em 2012 foi considerado o melhor pela Associação Portuguesa de Museologia.
Ver www.museudepenafiel.com 
Pagamos pela visita 1€ , cada um, claro. Ciceroneada a preceito, embora na confusão de 14 amigos muitos com máquinas fotográficas, demora a visita cerca de 2 horas. 
Nas cinco salas temáticas podemos apreciar o acervo constituído por colecções de arqueologia, etnografia e história local que foram sendo reunidas desde finais do século XIX.
Na arqueologia um grande destaque para a exposição de peças descobertas no Castro do Monte Mozinho, o maior e mais importante da Península Ibérica.
Prometo nova visita mais calma.
Pelo correr da rua, casas de aspecto senhorial com os seus brasões.
O edifício do Museu visto de outro ângulo.
Penafiel não é pródigo em páginas oficiais na internet. Os sites que encontramos são pobres, incluindo o da Câmara Municipal. Bastante melhores os que referenciam o Concelho. 
Sobre este edifício, encontrei uma nota por casualidade. Li que é o antigo Paço Episcopal.
A Diocese de Penafiel é uma coisa mais ou menos fantasma, pois parece que nunca existiu. Isto é, existiu mas não existiu. Foi mais uma das "cenas" do Marquês de Pombal desta vez contra o Bispo do Porto. Mandou elevar a vila de Arrifana de Sousa a Cidade com o nome de Penafiel e criou a Diocese por bula do Papa Clemente XIV em 1 de Junho 1770.

Foi nomeado para prover o cargo episcopal, o Inquisidor-geral Português D. Frei Inácio de São Caetano, confessor da Princesa D. Maria. Quando esta subiu ao trono em 1777, conseguiu a renúncia do Frei e a abolição da diocese integrando-a novamente na do Porto.
Morreu em 1778 e, mais uma presunção minha, nunca chegou a Penafiel.
Sobre o edifício não há referências nem sequer sabemos se chegou a ser utilizado e com que fins. Mas parece que agora é uma escola de enfermagem retirada a Paredes há meia dúzia de anos. Encontrei este apontamento num jornal por casualidade. 

Percorrendo o quarteirão, encontramos o Largo da Misericórdia e a Praça do Município à direita. Em destaque um complexo a que chamam Igreja da Misericórdia.
A igreja é a parte mais importante do complexo. É um templo seiscentista criado para acomodar as exigências de uma irmandade em crescimento com a concessão de privilégios que o alvará régio de 1614 aprovou, tornando a instituição um potentado. Isto é o que depreendo lendo a página da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel. Ainda o lugar se chamava Arrifana de Sousa.
Sofreu várias alterações ao longo dos séculos.

A sua história esteve ligada à diocese durante os 7 ou 8 anos que existiu, pois foi a escolhida para funcionar como Sé do novo bispado, sob a invocação de São José e Santa Maria.
Cadeiral Barroco
Ladeando a Igreja, voltada para a Câmara Municipal, encontramos uma frontaria inacabada em estilo rocaille, com obras iniciadas em 1764 e interrompidas em 1769 que  foram pagas pelas esmolas a Nossa Senhora da Lapa cujo culto chegou a ter uma expressão significativa. 
Abriga o Museu de Arte Sacra. 
Tendo esmorecido o culto à Senhora da Lapa, encontraram a solução de construir uma capela a ela dedicada junto da fachada inacabada, mas agora dedicada a S. Cristóvão.
Em frente, a Câmara Municipal instalada num edifício do séc. XVIII, julgo que construído para este fim. Não tendo a certeza do que li mas presumo: foi pensada em 1741 mas construída em 1770 após a criação da Cidade de Penafiel.Teve a Cadeia no andar inferior.
Na frontaria os brasões com as armas de Portugal e o da Cidade. Por cima da porta uma dedicatória à Rainha D. Maria I que mandou fazer a obra e tem a data de 1782.

Repito que presumo estar correcto ao encaixar este texto no edifício. O que lêmos nem sempre é explícito.


Nas traseiras do complexo da Misericórdia, encontra-se uma das três Capelas que ainda existem recordando os Passos de Jesus. Esta parece que representa Simão Cirineu ajudando Cristo a carregar a cruz.

Um outro edifício brasonado
Curioso adossado entre edifícios, com passagem pedonal
Regressando ao Largo da Misericórdia.
A Quinta da Aveleda vista em boa velocidade.
Deixo aqui o agradecimentos aos camaradas e amigos que me proporcionaram a visita.
Sobre o Museu de Penafiel irei fazer um pps (espécie de vídeo) o mais informativo de que for capaz.
Alguns blogues ajudam a conhecer Penafiel. Um obrigado aos autores por me ajudarem.

terça-feira, 7 de julho de 2015

221 - Histórias e Historiadores; Ajudas e boas leituras

Poderá ser confuso o conjunto destes apontamentos. Mas tudo tem uma razão de ser. E as confusões fazem parte da vida. De preferência com fotos.
Na última postagem, referi-me à imagem acima visível num dos espaços da Sé de Braga. Escrevi que não há uma informação sobre a mesma o que é de lamentar.
Mas quem tem amigos não morre na Cadeia - sempre o disse e não me canso de o afirmar - a minha amiga Conceição meteu pés a caminho e foi à Sé perguntar quem representa a figura.
Informaram-na e ela passou-me que é de Santo Ovídio. Que estava num altar de onde foi retirada para se colocar lá outro santo.
Ora na Wikipédia lê-se que Ovídio foi um cidadão romano de origem siciliana e segundo a tradição o Papa Clemente enviou para Bracara Augusta na Galécia, onde foi terceiro Bispo no ano 95. Foi mártir pela sua Fé no ano 135. Foi sepultado na Sé de Braga.
Segundo as Memórias Gaienses, tem Festa no primeiro domingo de Setembro. O culto remonta pelo menos ao séc. XVIII. Curioso como festejam em Setembro se o dia do Santo é em 3 de Junho. Para o caso não interessa nada mas interessa que na tradição religiosa popular é conhecido como Santo Ouvido, advogado contra as dores de ouvidos e maridos infiéis.
Os fieis com os males e na esperança de serem atendidos, faziam-lhe promessas de oferendas em dinheiro, objectos de cera como ouvidos e cabeças e telhas. Estas últimas também era de tradição ofertarem-se a outros Santos.
Falta-me saber que objectos ofertavam contra os maridos infieis. Mas a história ou os historiadores nunca nos contam tudo, não é verdade ? Provàvelmente por causa das vergonhas.

Mudando de temas e passando para as leituras curiosas que vou fazendo.
Li na página de um jornal dedicado à gastronomia que os pimentos têm sexo. Se tiverem três maminhas, são do feminino. Se tiveram 4 são do masculino. A recomendação tem a ver com o picante. Já não me lembro qual é o mais e o menos. No caso dos pimentos femininos deve-se dizer pimentas ? Como raramente encontro um (ou será uma ) mais ou menos picante, pelo contrário são sempre adocicados, presumo que só cômo um dos sexos. Desculpem o uso da cartolinha mas é para não os fazer voltar a trás para entenderem a frase direitinho. 
Como não sei qual é - estávamos a pensar em sexos, não se distraiam meus amigos e amigas - fui investigar os meus pimentos e as minhas pimentas. Acreditem, fiquei todo baralhdo. Então não é que encontrei 5 maminhas ? Por isso não escrevo que me apareceu um pimento ou uma pimenta, pois não sei o sexo. Os gourmetes ou gourmetas que definam.
Tal como na história do Santo Ovídio ou Ouvidos os estes ou estas também escondem muita coisa debaixo do avental da sua sapiência.

Continuando no tema comida ou as suas origens, li  na Revista de domingo passado do Jornal Público uma reportagem excelente de Alexandra Prado Coelho - muito bom o seu blogue mais olhos que barriga e também a página http://.publico.pt/autor/alexandra-prado-coelho - sobre o Bacalhau.
A foto abaixo sem a devida autorização para a publicar está na Revista do Jornal Público. Espero que não se zanguem comigo, bem como a Alexandra.
Os meus amigos e amigas se se deram ao cuidado de ler esta reportagem (não se esqueçam de dizer se querem que continue a enviar o jornal ), estarei a repeti-la. Mas prometo que a finalidade destas linhas tem o seu quê de político e pouco a ver com o nosso Fiel Amigo da reportagem. Lá irei.
A história da reportagem passa-se na Islândia, aquele País nórdico insular com uma ilha maiorzita e algumas pequenas localizadas no Oceano Atlântico Norte. Tornou-se independente reconhecido da Dinamarca em 1 de Dezembro de 1908. Tem cerca de 320 mil habitantes (mais ou menos a população da minha-nossa Cidade do Porto... há 30 anos) para uma área de aproximadamente 103 mil quilómetros quadrados.
Segundo a autora, Portugal seria para a grande maioria dos Islandeses talvez uma palavra. Mas para a população da localidade de Hûsavik na costa norte significa Bacalhau e Economia.
Aqui entra o que eu referi o seu quê de  político. Per capita em Portugal consumimos 7 kg/ano de Bacalhau o que acho muito pouco ou há imensos portugueses que não comem bacalhau. E ainda temos os turistas e a exportação não sei se está incluída. Mas há muito português que infelizmente só deve comer bacalhau no Natal durante as refeições de solidariedade. À minha parte tenho a certeza de comer cerca de 10 a 12 Kg./ano.
De qualquer forma, comemos 30% do Bacalhau Pescado no Mundo. O que quer dizer que fazemos felizes e econòmicamente favorecidas milhares de pessoas perdidas lá no Norte do Mundo.
Independentemente da solidariedade dos nos governantes, brincadeirinha, o Povo Português é muito mais do que aquilo que nos pintam. E não só cá dentro...Mas claro que a história e os historiadores não nos contam tudo...
Preparem-se os amigos Brasileiros (e amigas, pois claro) porque a empresa que promoveu o encontro de jornalistas na Islândia, está a preparar um produto especificamente para o Brasil.
Leiam a reportagem na íntegra. Se quiserem saber mais, tenho um pps sobre a história (historiei o que li) do Bacalhau num pps ao vosso dispor.

E como é bom um bacalhau assado na brasa com pimentos ou pimentas ou assim-assim. E que S. Martinho seja pródigo no bom acompanhamento.

domingo, 28 de junho de 2015

220 - Uma visita a Braga que foi uma lição

Após o passeio no verão passado que fiz com os meus queridos ex-camaradas e amigos do Bando do Café Progresso a Braga, concretamente ao Bom Jesus e ao Sameiro, foi-me oferecida uma viagem por Braga. A altura proporcionou-se e lá fui eu de abalada até à Cidade dos Arcebispos no Urbano que apanhei em São Bento. Viagem barata, ida e volta 3 euros e pouco.
Não faço ideia das vezes que fui a Braga. Tanto profissionalmente (saudades do Arminho e do "maluco" do Ermelando Sequeira e das suas subidas à Falperra pela esquerda no Golfe prego a fundo e em derrapagem, para me oferecer o almoço. Nunca fiquei "cagado" como ele me perguntava, mas não andaria longe...) como em passeios nas excursões de domingo de verão com grupos dos 20 amigos.
Mas agora foi diferente, embora o passeio fosse em tempo reduzido. Vamos indo e vamos escrevendo as minhas sensações.

Digamos que o passeio começou no Bom Jesus com um pic-nic excelente. Lembrei-me do Neca Rafael e do seu Fado Bom Jesus dedicado à sogra: E no Bom Jesus, maluco me pus ao vê-la comer. etc e tal.
Descendo para Braga uma placa chamou-me a atenção. Anotei o Castelo apenas por curiosidade
e fui fotografando o que vi.

Existe mesmo um edifício com nome de Castelo do Bom Jesus. É uma construção do séc. XVIII (?) atribuída a Ernesto Korrodi, arquitecto Suíço nascido em 1870 que veio para Portugal e se naturalizou. Chegou a ser professor em Braga onde deixou algumas obras. Mas esta não pode ter sido dele, pois não está referida na sua biografia. E se é do séc. XVIII  muito menos ainda.
Ainda bem que vou tendo alguma memória para ter dúvidas e confirmar factos.
Confusões, mas adiante.
O edifício e o parque anexo (que é lindíssimo visto no Google Eart) é actualmente um estabelecimento hoteleiro. A foto mostra o portão da entrada, agora fechado.
Vamos para a Cidade e ao Centro Histórico.
O Jardim de Santa Bárbara, um dos ex-libris deixa-me recordações. Junto ao Chafariz que se encontra ao centro (não posso publicar todas as fotos) fotografei os meus compadres Russel e Fernanda há cerca de 50 anos. Muito depois disso já por aqui andei e tinha uma ideia belíssima do Jardim.
Francamente fiquei desiludido ao vê-lo actualmente. Sem cor, sem flores com excepção de algumas roseiras. É certo que andavam a plantar flores, que florescerão daqui a 15-20 dias. Mas a arte de jardinagem não me pareceu nada com a que tinha na memória e vi em muitas fotos. Mas posso estar errado.
Ao fundo a Ala Medieval do Paço no Palácio dos Arcebispos construída nos séc. XIV e XV, com a aparência de uma fortificação.
Antes de prosseguir e para não me repetir, o aspecto da patine temporal de muitas das edificações religiosas, deixa-nos o aspecto de sujidade que só vi igual em edifícios em Milão à volta do Scala. Se nesta cidade se pode concluir (?) que será o efeito da poluição automóvel - a sujidade vai em degradê de baixo para cima - , não me parece que seja a mesma razão do Centro Histórico de Braga.
Sei que o granito se suja muito, mas será que a Cidade Rica do Clero anda a perder valores ?
Adiante.
 Chamo-lhe anexo ao Jardim de Santa Bárbara ao largo com edifícios de arquitectura impróprios (na minha opinião, claro) para um Centro Histórico. Num lago com repuxos admiro a coragem de terem colocado um Dragão de Azul  mais ou menos em tom Carolina numa Cidade vermelha por todos os lados.

Formando o Largo do Paço, duas Alas do Paço Bracarense que foram construídas ao longo dos séculos. Aqui fiquei irritado. A luz estava péssima para fotografar e os fios que atravessam o espaço não deixam escolher o melhor ângulo.
Inadvertidamente e por causa dos fios, soltei uma bacorada no momento em que passavam dois eclesiásticos. Olhei para a cara deles e pedi desculpa baixinho...
Na realidade e para quem gosta destas coisas, o conjunto é lindíssimo e cheio de pormenores, cada um com a sua história como vim a descobrir.

Mas porque será que não enterram os fios ? Custava muito ? Sei que é uma coisa muito comum os fios aéreos, mas que diabo, pensem nas imagens que ficam gravadas nas câmaras dos turistas. Em Braga como em todos os lugares de Portugal.
Nestes edifícios está a Reitoria da Universidade do Minho.

Uma confusão, para mim, de edifícios estão anexos à Sé de Braga. Claro que fui bem ciceroneado porque senão não entendia nada. Depois a pesquisa levou-me à conclusão que cada Arcebispo e o Cabido quiseram deixar a sua marca ao longo dos séculos resultando que da original Sé pouco existirá.
São Capelas e Igrejas edificadas, claustros extintos e claustros novos, arqueologia e muitas pedras à solta.
Se nos lembrarmos que aqui estiveram os Romanos que expulsaram os  Brácaros no ano 16 antes de Cristo, e depois capital política e intelectual do Reino dos Suevos, nem imagino as relíquias - não só de santos, que parece serem muitas e espalhadas pelas Igrejas e Capelas -, arqueológicas que devem existir e muito mais credíveis dando-nos a conhecer as civilizações que fizeram a história de Braga.
Mas não houve tempo para ver tudo que já foi descoberto.

 Presume-se (ai o IPPAR) que é uma absidíola do projecto inicial da Sé. A abóbada é coberta por uma pintura do séc. XV. Só a descobri por casualidade e não sei se é uma preciosidade mas sei que está em muito mau estado de conservação.
 Este conjunto mostra um personagem parecido com um macaco a colocar a Mitra a um dignitário da Igreja. Como em tudo o que se vê espalhado pelos pátios da Sé, não existe qualquer referência. Sejam de Capelas, das Pedras, do Pelourinho de Braga, da Absidíola etc. E são imensas peças de arqueologia. Pode não interessar para nada, mas eu gostava de ler e pronto. Umas coisas encontrei em pesquisas que por sorte me apareceram. Sobre este conjunto não encontrei nada.
Se algum visitante deste espaço souber o que representa, agradeço a informação.
Pelourinho de Braga. Segundo li no Igespar deverá ser do séc. XV. Foi colocado em vários locais da cidade até que chegou aqui o que resta dele.

 Casa dos Paivas . Edifício construído no séc. XVI com materiais de edificações anteriores. No final do séc. XIX a Câmara aluga-o para instalar o Hospício dos Expostos ou Casa da Roda.
Já foi sede de Junta de Freguesia, que pelos vistos está a vagar aos poucos.

 Um bonito edifício em S. João do Souto

Um pormenor da Casa dos Coimbras. 
Antes de mais uma divagação. Há coisas que não se entende porque ficam guardadas dentro de nós. Como já referi algumas vezes, trabalhei desde os 13 anos numa grande empresa gráfica não só do Porto como de Portugal. Uma das suas especialidades era a reprodução de postais ilustrados para muitos e vários fotógrafos editores de Portugal (Continental e Ilhas). Recordo-me de tantos, alguns conheci pessoalmente e talvez venha deles o meu bichinho pela fotografia.
Nos anos 60 do século passado, um dos editores era a Livraria Cruz, de Braga. Uma das séries de postais incluía a Capela e Casa dos Coimbras, imagem que nunca esqueci. Ao passar agora por elas bastou um relance para reconhecer as edificações.
Mas a história conheci-a agora também.
Presume o Ippar (ai o Ippar ou Igespar como lhe queiram chamar...) que a Casa é uma edificação do séc. XV tendo sido adquirida em 1505 por D. João de Coimbra, Provisor da Mitra de Braga. Tem uma Capela anexa evocando Nossa Senhora da Conceição que foi construída em 1525.
Por causa da urbanização do local, demoliram em 1906 o palacete, guardaram os elementos arquitectónicos Manuelinos e reconstruíram-no junto à Capela do outro lado da Rua, chamemos-lhe assim, cujas obras terminaram em 1931.
O conjunto é Monumento Nacional.

A Casa anterior à demolição.

O Conjunto edificado. À esquerda é a Igreja de S. João do Souto, construída no séc. XVIII

Igreja do Hospital ou Igreja de S. Marcos. Construída no séc. XVIII sob risco do arquitecto Carlos Amarante (Braga, 30.10.1748 - Porto, 22.Janeiro.1815).
Reparem no edifício do lado esquerdo.

Vizinha, a Igreja de Santa Cruz
Templo construído no século XVII, mas a demora nas obras  arruinaram-no prematuramente. Foi demolido com excepção da Fachada. As obras foram concluídas em 1739.

Gostando Braga de se classificar como a Capital do Barroco como podem ter permitido nesta Praça do lado esquerdo, edifícios de aspecto horrível de fachadas em cimento branco e vidro. Fotografei-os mas a luz forte incidindo nos brancos e espelhos deu uma borrada.
Mas quem sou eu...com a minha mania de gostar de calhaus.


Uma recordação para os amigos da minha idade.
Desde 1948, o Cardoso da Saudade era um especialista em confecção de samarras, se bem me lembro.
Na fábrica antiga, não sei se existe uma nova, foram encontrados importantes elementos arqueológicos.

Em época de S. João, Braga ornamenta-se como terrinha de província no largo do Município. Desculpem amigos Bracarenses, mas é a minha opinião para as Bandeirinhas nesta bela Praça.

Lá vamos nós a caminho do antigo Campo da Vinha. Aquele enorme espaço onde paravam as camionetas das excursões domingueiras e que foi lugar de feira semanal.
Chama-nos a atenção uma escultura redonda que parece ser em alumínio. Voltada para a Praça Conde Agrolongo - Campo da Vinha - a imagem de Salgado Zenha.
Em pesquisa posterior li que se chama Silo da Memória do escultor bracarense Alberto Vieira e é uma homenagem evocativa dos 40 anos do 25 de Abril e simultâneamente a Salgado Zenha.
Se gosto ou não do "zigurate sumério" é coisa que não interessa aos bracarenses.
A foto inferior direita mostra-nos mais uma arquitectura esquisita no centro de uma zona ajardinada e pedonal que é o antigo Campo da Vinha; à esquerda o Convento do Salvador do séc. XVII e o novo edifício de inícios do século passado que abrigou o Asilo de Mendicidade e hoje é um Lar que tem o nome do seu fundador, o Conde de Agrolongo.

Campo da Vinha em Dia de Feira
O ângulo desta foto é quase coincidente com a minha.

Igreja e Convento do Pópulo, construído desde os finais do séc. XVI até ao XIX.  A partir de 1841 as instalações do Convento acolhem o Regimento de Infantaria 8; e Estátua do Marechal Gomes da Costa.
 Deste local partiram as forças comandadas por Gomes da Costa em 28 Maio de 1926  a caminho de Lisboa tomando o Governo. Acontece que o Carmona achou que ele era um fraco, exilou-o nos Açores e chamou-lhe Marechal. A partir daqui, o Salazar em 1928 regressa ao Ministério das Finanças até 1932, ele que tinha sido deposto pelo Gomes da Costa em 1926. Até ao Estado Novo foi sempre a andar. O resto da história é bem conhecida.
Foi o local onde se principiaram a dar os primeiros pontapés na bola em Braga e também usado para outros desportos. 

Neste pobre escrito quis apenas deixar a minha opinião sobre o que fui vendo e associando a algumas recordações antigas. Na realidade não conhecia Braga, nem conheço, mas já foi uma grande ajuda de S. Meneses a quem reconhecidamente estou muito grato.

Mais detalhado é um trabalho em pps, onde mostro alguns monumentos e um pouco de história, naturalmente pesquisada em vários sites.