O dia de S. Gonçalo celebra-se a 10 de Janeiro, mas em Gaia há a tradição velha de séculos de ser festejado no primeiro domingo a seguir ao dia.
Nesta Festa-romaria, inclui-se S. Cristóvão e S. Roque
S. Gonçalo é o protector dos Mareantes e S. Cristóvão o protector dos Barqueiros. S. Roque é o protector da Peste.
O rufar dos tambores que nesse domingo saem à rua e enchem de som a velha zona ribeirinha de Gaia em Santa Marinha, está a cargo dos Mareantes do Rio Douro, Associação que se presume ter mais de 300 anos. No seu estandarte está registado o séc. XVII.
A cabeça de S. Cristóvão e a imagem de S. Gonçalo são apresentadas por maiorais vestidos a rigor, acompanhadas por uma figura de bordão e cabaça, representando S. Roque. (Foto recolhida em http://falcaosossegado.blogs.sapo.pt/) que inclui mais história sobre os Mareantes.
Estas "figuras" humanas são de Mafamude, e representam duas comissões, a Nova e a Velha da Rasa. Umas levam as cabeças, outras as imagens e toda a gente se encontra na Igreja de Mafamude onde as imagens se encontram e entram para receber as oferendas do Povo, mas sempre voltadas para a Porta.
A Festa termina na Beira-Rio.
Textos recolhidos em http://memoriasgaiensesbibliotecadegaia.blogspot.pt/ onde podemos ler a história completa.
No Bar da sede dos Mareantes encontram-se expostas a cabeça de S. Cristóvão e as imagens de S. Roque e S. Gonçalo.
Uma foto dos anos 60 com o Grupo em dia de Romaria, em exposição no mesmo Bar. Onde vale a pena comer um lanche e beber uma cerveja, até porque os preços são bem baratinhos.
Segundo a história, D. Pedro IV em Janeiro de 1833 decreta que dois Batalhões de Mareantes sejam formados. Um com artífices e outro com mareantes.Talvez seja a partir da união que se criou que as Festas começaram a ser organizadas tal qual as conhecemos hoje.
Hoje é o dia de S. Gonçalo e domingo há Festa rija. Não percam.
O Santo é nosso e é e é e é...
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
147 - Olhando para trás
Quando a preguiça aperta, dou-me uma qualquer desculpa e então ponho-me a olhar para trás a espreitar o que fiz para um dia recordar.
Dou voltas à net para encontrar histórias e escritos de Portuenses menos preguiçosos do que eu e me deixam ler o que escrevem e assim roubar os seus escritos para colocar nas fotos que faço dos meus passeios.
Sim, fotográfo (é uma maneira de dizer, clicar no botão da máquina é mais correto) "ao calhas", porque um dia logo se verá para que serve a imagem gravada.
Bom, a nossa Sala de visitas, a Praça da Liberdade-Avenida dos Aliados, parece que esteve muito bonita na época do Natal. Francamente, com tanto que fazer nessa época (leia-se tomar uns copos com os amigos) não passei por lá. Nem o fogo de artifício pela TV - Porto Canal - vi na passagem do ano. Já não tenho idade para essas coisas.
Mas sempre que olho para ela, comparando de como a conheci em qualquer época do ano, durante dezenas de anos, todos os dias, fico triste. Deram muitas voltas a este espaço, principalmente por causa do trânsito automóvel, mas o seu centro sempre esteve engalanado para receber não só os Portuenses como a quem nos visitava.
Até teve um enorme espaço subterrâneo destinado a quem precisasse de descarregar as suas necessidades fisiológicas, fosse homem ou mulher. E se bem me lembro, também existiu um espaço destinado aos empregados da Carris-STCP, como zona de apoio e descanso.
Portanto, não vale a pena bater mais nos ceguinhos RUI RIO - SIZA VIEIRA e ao Metro da Região, porque tudo teve de ser "arrumado". Infelizmente, muito mal arrumado. Penso eu de que...
Olhando as minhas pequenas coisas e vendo-as com as dos amigos, juntei estas duas fotos publicada em http://foiassimk.blogspot.pt/
Este meu amigo teve uma vivência quási diária da recuperação da Zona Histórica.
Fundou-se na Cidade acho que em fins da década de 70 ou princípios da de 80 do século passado, uma coisa chamada CRUARB. Destinou-se o organismo à recuperação da Zona Ribeira-Barredo e se não estou em erro estendeu-se a outras Zonas Ribeirinhas da Cidade. Essa coisa ajudou a levar a Zona Histórica (e não só) a Património Mundial da Humanidade.
A recuperação foi feita casa a casa, rua a rua, de toda (ou quási) Cidade medieval, chamemos-lhe assim.
Lògicamente, a Câmara Municipal era a interessada (afinal, a Câmara somos todos nós, os Portuenses) e tentou integrar os antigos habitantes nas suas casas a rendas compatíveis. Até à chegada do Senhor Rui Rio, o novo senhor feudal da Cidade, que achou terem-se gasto muitos milhões de escudos sem proveito e logo desactivou esta entidade em 2003 para criar uma outra em 2004 com o nome de PORTO VIVO-SRU ou IHRU que mais parece uma sociedade secreta porque até hoje não é reconhecida como verdadeira parte interessada, realmente, dos interesses dos munícipes mas sim de entidades particulares. E segundo parece, nem sequer estatuto jurídico tem. Mas eu não entendo nada dessas coisas, porque sou um simples Portuense de gema.
Quem tiver paciência para essas coisas pode interessar-se por descobrir http://www.portovivosru.pt/
Que fazem os edílicos nos seus gabinetes para recuperar a Cidade das muitas doenças que ela tem ? e da sua promoção ? que propõem de investimento para a Cidade tão carenciada? e porque não tentam trazer para a Cidade os seus habitantes naturais e outros que eventualmente estivessem interessados nela habitar ou investir ?
Basta olhar os orçamentos da Cidade dos últimos anos e para o do corrente ano.
Diz o sr Presidente Rui Rio que a Cidade tem agora uma noite como nunca se viu. Mas será que ele vem à Cidade à noite ? É à Cidade dos bêbados e arruaceiros da zona dos Clérigos a que se quer referir ? Pobre Cidade que perdeu mais de 10% dos seus habitantes no espaço de tempo em que é Presidente da Autarquia.
E os que vêm de fora para se divertir só encontram os Clérigos, Carmelitas, Galeria de Paris ?
Claro que temos outras pequenas manchas de diversão, mas feitas à custa dos particulares, que não com a ajuda da autarquia para divulgação do Porto à Noite.
Mas adiante, que o tempo é de paz e ele (o Sr. Presidente dos Automóveis) já vai embora este ano. E oxalá venha alguém que nos mereça e não seja de outra banda.
Este é um rótulo igual aos que se colavam nas malas dos clientes e uma referência para quem era muito viajado. Foi arrematado num leilão há dias por 1 euro (200 escudos e 482 cêntímos se bem me lembro da conversão Esc-€).
Um anúncio publicitado numa Revista, esqueci de anotar qual, mas creio que o recolhi num destes espaços: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/. ou
Houve também um famoso Café no local e com o mesmo nome, cuja esplanada se estendia pelo passeio da Avenida dos Aliados. Podemos ver uma foto horrível e ler a notícia no (CafésDoPorto.pdf.texto.pdf) de Maria Teresa de Castro Costa.
Mas como era bonito este texto de 2005:
"Hotel ficcionado" ressuscita Pensão Monumental
CasaPorto e SRU juntam-se na requalificação da antiga pensão dos Aliados. Espaço inaugura hoje com uma mostra de "design" de interiores.
O conceito e o espírito apresentados pela CasaPorto agradaram aos responsáveis pela SRU – Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana. "Tínhamos como objectivo instalar a exposição CasaPorto 2005 na Foz ou na Boavista já que o 'target' é a classe alta", explica ao JPN João Silva, da CasaPorto e responsável pela requalificação da Pensão Monumental situada em plena Avenida dos Aliados.
Não inventei nada, está em
Navega há uns tempos largos na net uma foto das Pontes Luís I e Pênsil. Atribuída a George Tait. Será um familiar dos Tait dos Vinhos do Porto e últimos donos da Casa Tait-Quinta do Meio, na Rua de Entre Quintas, junto aos Jardins do Palácio e à Quinta da Macieirinha-Museu Romântico ?
Francamente, custa-me a acreditar que seja verdadeira esta foto. Já tentei pedir ajuda a quem talvez saiba destas coisas. Mas fico-me pelo que leio. O Tabuleiro inferior da Ponte D. Luís, (chamemos-lhe assim) foi inaugurado em 31 de Outubro de 1888 e a Ponte Pênsil foi desmontada em 1887. É certo que o Tabuleiro superior foi inaugurado em 31 de Outubro de 1886, mas só posteriormente o tabuleiro inferior veio a ser construído.
Não será importante, mas gosto de saber ao certo estas coisas e de não enfiar barretes.
Dos Tait desta casa não encontro cronologia e a única informação disponível é que foi comprada por William Tait em 1900. Do George, apenas aparece por aí como jogador de futebol irlandês, salvo erro, desse tempo, mais ou menos.
É certo que a Quinta e Casa foram vendidas por Muriel Tait - não sei quem é ou foi, a Senhora, já que a Wikipédia dá-nos conta de imensas Muriel Tait, tudo em língua de camone, - à Câmara do Porto para aí instalar o museu de numismática, o qual já há muito tempo que deixou de existir aqui. Os jardins são públicos. A última vez que visitei o interior, o aspecto da Casa e Jardins, francamente, tudo me pareceu abandonado, em ruínas.
O que resta da Ponte Pênsil. Os Pegões do lado da Cidade do Porto. Não sei porque razão os do lado de Gaia foram destruídas. Os Gaienses saberão ?
Adiante.
Escrevia-me há tempos um amigo, referente à minha postagem sobre a abertura da Avenida da Ponte, que lhe parecia estranho estar um edifício em ruínas desde esse tempo. Pois é caro amigo. Como pode ver nas fotos acima, especialmente feitas há cerca de dois meses para o amigo confirmar a ruína.
Para ser franco, também desconhecia a sua história e não entrava nele há muitos anos. E só aconteceu porque os urinóis debaixo das Escadas que ligam 31 de Janeiro à Rua da Madeira estavam fechados e eu precisava de desaguar águas.
Pois este Café tem imensa história. Inaugurado em 1859 era frequentado por uma elite de políticos, escritores e intelectuais da Cidade, como Guilherme Braga, Paulo Falcão, Sampaio Bruno, Arnaldo Leite, Ramalho Ortigão. Que tinham as suas mesas de dominó privativas e denominadas a dos Cardeais e a dos Indígenas.
Imagem e textos no pdf antes referido dos CafésdoPorto.
Num "trabalho" anterior - que não neste espaço mas em formato PPS - referi o Elevador do Barredo. Embora não esteja incorrecto totalmente, também o podemos chamar Ascensor da Ribeira. Mas a verdade é que o seu nome de baptismo é Elevador da Lada, conforme está escrito em azulejos à entrada da casinha.
Mas o nosso hábito portuense de darmos o nome que melhor se ajusta ao local ou às coisas, vai passando e é a melhor referencia para localizarmos algo.
Um exemplo, nunca dizemos vou apanhar o autocarro à Praça Almeida Garrett mas sim vou apanhar o autocarro a S. Bento.
Infelizmente a serventia deste Elevador é pequena, a não ser para os pequenitos e familiares que frequentam o Centro Social do Barredo. São cerca de 130 escadas mas poupam as suas ainda frágeis perninhas.
Não sei a data certa da sua inauguração mas deve ter sido nos princípios dos anos 80 do século passado.
Infelizmente, há uma porta sempre fechada que não nos permite subir ou descer por este lado para/ou do alto do Barredo. Dizem que é uma precaução para que alguma criança do Centro não possa sumir-se.
Claro que esta obra foi da responsabilidade da tal coisa chamada CRUARB, bem como a requalificação do largo onde se insere e das ruas adjacentes. Coisas sem importância a partir de 2003. Esteve o Elevador inoperacional entre 2008 e 2010, sabe-se lá porquê. Na altura disseram-me que a Câmara o fechou porque energúmenos o vandizavam.
A subida, embora pequena, vale a pena, pois podemos olhar os telhados da Ribeira, o Rio e Gaia de maneira diferente e as Pontes a montante do Douro. E é grátis, pelo menos até ver.
No morro da Lada, vêm-se umas hortas que dão uma aspecto diferente ao local.
Entrando pelos Arcos da Ribeira, junto às "Alminhas da Ponte", encontramos o tal largo ou terreiro reabilitado. Presumo que lhe chamam Largo da Ribeira. Ao fundo a casinha da entrada para o Ascensor.
Atravessando a Ponte Luíz I, neste caso pelo tabuleiro inferior, encontram-se uma série de aloquetes (nome nortenho a estes objectos que ajudam a fechar e à segurança de algo e que no sul de Portugal lhes chamam cadeados), que normalmente representam como uma jura de amor. A novidade não será grande, mas francamente, sinto-me comovido ao ver estes pequenos objectos com dedicatórias.
É como aquele beijo para nunca mais esquecer...
Infelizmente, quando se quer fazer um boneco artístico à la minute, nem tudo pode sair bem. Estes aloquetes tinham um simbolismo especial escrito. Não deu para fazer o boneco artístico com nitidez, mas paciência.
Nos muros da Igreja do extinto Convento de S. Francisco, no início da Rua da Alfândega Nova, ou Nova da Alfândega, ao certo não sei como se chama, existe um antigo Oratório - anteriormente estava na Rua de S. Francisco - que pertencia ao Convento dos Grilos. Eram cinco os Oratórios e estavam nas Ruas por onde passava a Procissão do Senhor dos Passos, na Quaresma, organizada pelos frades do Convento (Grilos é nome Portuense centenário, correctamente é de S. Lourenço). Hoje existem apenas dois. Este e o que está em S. Sebastião. Presume-se que algumas imagens terão vindo de outros oratórios, os extintos. É edifício de Interesse público (http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1098), mas a realidade é que o interior está péssimo de conservação. O de S. Sebastião não. As imagens são muito expressivas e vale a pena olhá-las. E devem ter uns anos largos de vida.
Dou voltas à net para encontrar histórias e escritos de Portuenses menos preguiçosos do que eu e me deixam ler o que escrevem e assim roubar os seus escritos para colocar nas fotos que faço dos meus passeios.
Sim, fotográfo (é uma maneira de dizer, clicar no botão da máquina é mais correto) "ao calhas", porque um dia logo se verá para que serve a imagem gravada.
Bom, a nossa Sala de visitas, a Praça da Liberdade-Avenida dos Aliados, parece que esteve muito bonita na época do Natal. Francamente, com tanto que fazer nessa época (leia-se tomar uns copos com os amigos) não passei por lá. Nem o fogo de artifício pela TV - Porto Canal - vi na passagem do ano. Já não tenho idade para essas coisas.
Mas sempre que olho para ela, comparando de como a conheci em qualquer época do ano, durante dezenas de anos, todos os dias, fico triste. Deram muitas voltas a este espaço, principalmente por causa do trânsito automóvel, mas o seu centro sempre esteve engalanado para receber não só os Portuenses como a quem nos visitava.
Até teve um enorme espaço subterrâneo destinado a quem precisasse de descarregar as suas necessidades fisiológicas, fosse homem ou mulher. E se bem me lembro, também existiu um espaço destinado aos empregados da Carris-STCP, como zona de apoio e descanso.
Portanto, não vale a pena bater mais nos ceguinhos RUI RIO - SIZA VIEIRA e ao Metro da Região, porque tudo teve de ser "arrumado". Infelizmente, muito mal arrumado. Penso eu de que...
Olhando as minhas pequenas coisas e vendo-as com as dos amigos, juntei estas duas fotos publicada em http://foiassimk.blogspot.pt/
Este meu amigo teve uma vivência quási diária da recuperação da Zona Histórica.
Fundou-se na Cidade acho que em fins da década de 70 ou princípios da de 80 do século passado, uma coisa chamada CRUARB. Destinou-se o organismo à recuperação da Zona Ribeira-Barredo e se não estou em erro estendeu-se a outras Zonas Ribeirinhas da Cidade. Essa coisa ajudou a levar a Zona Histórica (e não só) a Património Mundial da Humanidade.
A recuperação foi feita casa a casa, rua a rua, de toda (ou quási) Cidade medieval, chamemos-lhe assim.
Lògicamente, a Câmara Municipal era a interessada (afinal, a Câmara somos todos nós, os Portuenses) e tentou integrar os antigos habitantes nas suas casas a rendas compatíveis. Até à chegada do Senhor Rui Rio, o novo senhor feudal da Cidade, que achou terem-se gasto muitos milhões de escudos sem proveito e logo desactivou esta entidade em 2003 para criar uma outra em 2004 com o nome de PORTO VIVO-SRU ou IHRU que mais parece uma sociedade secreta porque até hoje não é reconhecida como verdadeira parte interessada, realmente, dos interesses dos munícipes mas sim de entidades particulares. E segundo parece, nem sequer estatuto jurídico tem. Mas eu não entendo nada dessas coisas, porque sou um simples Portuense de gema.
Quem tiver paciência para essas coisas pode interessar-se por descobrir http://www.portovivosru.pt/
Fotos em tempo de inverno
Felizmente a Cidade continua a ter e mais do que nunca a visita de milhares de turistas. Quantos de nós, blogueres anónimos, temos contribuído mais do que os responsáveis da Cidade, para isso ?
Rua do Bonjardim, junto da antiga Cervejaria Stadiun.
Porquê deixar degradarem-se estes edifícios, que estão neste estado
há anos.
ex-Solar do Conde de Bolhão
Há anos que o edifício entrou em recuperação para albergar a Academia Contemporânea do Espectáculo e o Teatro do Bolhão. Uma fase foi concluída segundo me apercebi. E o resto ? Será que há más vontades ? da Escola, da Câmara, da Freguesia ? Coisas à moda do Porto.
Famosa é a estátua de Mercúrio colocada lá no alto a quem colocaram uma pulseira, ou será uma relógio (?) a contar o tempo tipo Projectos Polis ?
Que fazem os edílicos nos seus gabinetes para recuperar a Cidade das muitas doenças que ela tem ? e da sua promoção ? que propõem de investimento para a Cidade tão carenciada? e porque não tentam trazer para a Cidade os seus habitantes naturais e outros que eventualmente estivessem interessados nela habitar ou investir ?
Basta olhar os orçamentos da Cidade dos últimos anos e para o do corrente ano.
Diz o sr Presidente Rui Rio que a Cidade tem agora uma noite como nunca se viu. Mas será que ele vem à Cidade à noite ? É à Cidade dos bêbados e arruaceiros da zona dos Clérigos a que se quer referir ? Pobre Cidade que perdeu mais de 10% dos seus habitantes no espaço de tempo em que é Presidente da Autarquia.
E os que vêm de fora para se divertir só encontram os Clérigos, Carmelitas, Galeria de Paris ?
Claro que temos outras pequenas manchas de diversão, mas feitas à custa dos particulares, que não com a ajuda da autarquia para divulgação do Porto à Noite.
Mas adiante, que o tempo é de paz e ele (o Sr. Presidente dos Automóveis) já vai embora este ano. E oxalá venha alguém que nos mereça e não seja de outra banda.
Foto do "Monumental" em princípios de Dezembro
Mas não se pode esquecer a degradação deste "Monumento" que é o edifício de António Lopes de Almeida Cunha, projectado pelo arquitecto M.Soa.
Para o Tripeiro, além da ruína, os nomes não nos dizem nada. Também não encontrei qualquer referencia para melhor elucidação. Para o caso não interessa nada, mas diz-nos muito se nos lembrarmos da Pensão Monumental. Da Avenida dos Aliados
Um anúncio publicitado numa Revista, esqueci de anotar qual, mas creio que o recolhi num destes espaços: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/. ou
Houve também um famoso Café no local e com o mesmo nome, cuja esplanada se estendia pelo passeio da Avenida dos Aliados. Podemos ver uma foto horrível e ler a notícia no (CafésDoPorto.pdf.texto.pdf) de Maria Teresa de Castro Costa.
Mas como era bonito este texto de 2005:
"Hotel ficcionado" ressuscita Pensão Monumental
CasaPorto e SRU juntam-se na requalificação da antiga pensão dos Aliados. Espaço inaugura hoje com uma mostra de "design" de interiores.
O conceito e o espírito apresentados pela CasaPorto agradaram aos responsáveis pela SRU – Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana. "Tínhamos como objectivo instalar a exposição CasaPorto 2005 na Foz ou na Boavista já que o 'target' é a classe alta", explica ao JPN João Silva, da CasaPorto e responsável pela requalificação da Pensão Monumental situada em plena Avenida dos Aliados.
Não inventei nada, está em
Cá está a dita SRU-Porto Vivo. Nada a declarar, a não ser que o edifício continua cada dia mais em ruína.
Francamente, custa-me a acreditar que seja verdadeira esta foto. Já tentei pedir ajuda a quem talvez saiba destas coisas. Mas fico-me pelo que leio. O Tabuleiro inferior da Ponte D. Luís, (chamemos-lhe assim) foi inaugurado em 31 de Outubro de 1888 e a Ponte Pênsil foi desmontada em 1887. É certo que o Tabuleiro superior foi inaugurado em 31 de Outubro de 1886, mas só posteriormente o tabuleiro inferior veio a ser construído.
Não será importante, mas gosto de saber ao certo estas coisas e de não enfiar barretes.
Dos Tait desta casa não encontro cronologia e a única informação disponível é que foi comprada por William Tait em 1900. Do George, apenas aparece por aí como jogador de futebol irlandês, salvo erro, desse tempo, mais ou menos.
É certo que a Quinta e Casa foram vendidas por Muriel Tait - não sei quem é ou foi, a Senhora, já que a Wikipédia dá-nos conta de imensas Muriel Tait, tudo em língua de camone, - à Câmara do Porto para aí instalar o museu de numismática, o qual já há muito tempo que deixou de existir aqui. Os jardins são públicos. A última vez que visitei o interior, o aspecto da Casa e Jardins, francamente, tudo me pareceu abandonado, em ruínas.
O que resta da Ponte Pênsil. Os Pegões do lado da Cidade do Porto. Não sei porque razão os do lado de Gaia foram destruídas. Os Gaienses saberão ?
Adiante.
Escrevia-me há tempos um amigo, referente à minha postagem sobre a abertura da Avenida da Ponte, que lhe parecia estranho estar um edifício em ruínas desde esse tempo. Pois é caro amigo. Como pode ver nas fotos acima, especialmente feitas há cerca de dois meses para o amigo confirmar a ruína.
Café Brasil
Poucos de nós, Portuenses e aqueles que desembarcam - ou desembarcaram - em S. Bento vindos de outros paragens, ligam alguma importância a este simples Café.Para ser franco, também desconhecia a sua história e não entrava nele há muitos anos. E só aconteceu porque os urinóis debaixo das Escadas que ligam 31 de Janeiro à Rua da Madeira estavam fechados e eu precisava de desaguar águas.
Pois este Café tem imensa história. Inaugurado em 1859 era frequentado por uma elite de políticos, escritores e intelectuais da Cidade, como Guilherme Braga, Paulo Falcão, Sampaio Bruno, Arnaldo Leite, Ramalho Ortigão. Que tinham as suas mesas de dominó privativas e denominadas a dos Cardeais e a dos Indígenas.
Imagem e textos no pdf antes referido dos CafésdoPorto.
Num "trabalho" anterior - que não neste espaço mas em formato PPS - referi o Elevador do Barredo. Embora não esteja incorrecto totalmente, também o podemos chamar Ascensor da Ribeira. Mas a verdade é que o seu nome de baptismo é Elevador da Lada, conforme está escrito em azulejos à entrada da casinha.
Mas o nosso hábito portuense de darmos o nome que melhor se ajusta ao local ou às coisas, vai passando e é a melhor referencia para localizarmos algo.
Um exemplo, nunca dizemos vou apanhar o autocarro à Praça Almeida Garrett mas sim vou apanhar o autocarro a S. Bento.
Infelizmente a serventia deste Elevador é pequena, a não ser para os pequenitos e familiares que frequentam o Centro Social do Barredo. São cerca de 130 escadas mas poupam as suas ainda frágeis perninhas.
Não sei a data certa da sua inauguração mas deve ter sido nos princípios dos anos 80 do século passado.
Infelizmente, há uma porta sempre fechada que não nos permite subir ou descer por este lado para/ou do alto do Barredo. Dizem que é uma precaução para que alguma criança do Centro não possa sumir-se.
Claro que esta obra foi da responsabilidade da tal coisa chamada CRUARB, bem como a requalificação do largo onde se insere e das ruas adjacentes. Coisas sem importância a partir de 2003. Esteve o Elevador inoperacional entre 2008 e 2010, sabe-se lá porquê. Na altura disseram-me que a Câmara o fechou porque energúmenos o vandizavam.
A subida, embora pequena, vale a pena, pois podemos olhar os telhados da Ribeira, o Rio e Gaia de maneira diferente e as Pontes a montante do Douro. E é grátis, pelo menos até ver.
No morro da Lada, vêm-se umas hortas que dão uma aspecto diferente ao local.
Entrando pelos Arcos da Ribeira, junto às "Alminhas da Ponte", encontramos o tal largo ou terreiro reabilitado. Presumo que lhe chamam Largo da Ribeira. Ao fundo a casinha da entrada para o Ascensor.
Atravessando a Ponte Luíz I, neste caso pelo tabuleiro inferior, encontram-se uma série de aloquetes (nome nortenho a estes objectos que ajudam a fechar e à segurança de algo e que no sul de Portugal lhes chamam cadeados), que normalmente representam como uma jura de amor. A novidade não será grande, mas francamente, sinto-me comovido ao ver estes pequenos objectos com dedicatórias.
É como aquele beijo para nunca mais esquecer...
Infelizmente, quando se quer fazer um boneco artístico à la minute, nem tudo pode sair bem. Estes aloquetes tinham um simbolismo especial escrito. Não deu para fazer o boneco artístico com nitidez, mas paciência.
Nos muros da Igreja do extinto Convento de S. Francisco, no início da Rua da Alfândega Nova, ou Nova da Alfândega, ao certo não sei como se chama, existe um antigo Oratório - anteriormente estava na Rua de S. Francisco - que pertencia ao Convento dos Grilos. Eram cinco os Oratórios e estavam nas Ruas por onde passava a Procissão do Senhor dos Passos, na Quaresma, organizada pelos frades do Convento (Grilos é nome Portuense centenário, correctamente é de S. Lourenço). Hoje existem apenas dois. Este e o que está em S. Sebastião. Presume-se que algumas imagens terão vindo de outros oratórios, os extintos. É edifício de Interesse público (http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1098), mas a realidade é que o interior está péssimo de conservação. O de S. Sebastião não. As imagens são muito expressivas e vale a pena olhá-las. E devem ter uns anos largos de vida.
Uma imagem quási de fim de ano
Desde a circunvalação em S. Roque até às Antas.
A partir de Rio Tinto.
Foi uma noite gelada em que o Porto esteve próximo do negativismo...
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
146 - A Rua de Sá da Bandeira
A Rua de Sá da Bandeira é para mim a artéria da Cidade do Porto, a par com o espaço Praça da Liberdade-Avenida dos Aliados, que mais belos edifícios possui. Vi terminá-la e tenho boas recordações dela.
É uma homenagem a Sá da Bandeira, o Maneta, (1795 - 1876), figura proeminente da história de Portugal do séc. XIX, grande combatente tanto na Guerra Peninsular (Invasões Napoleónicas) como nas Lutas Liberais, ao lado de D. Pedro IV. Para os curiosos, ver a sua vida em http://www.arqnet.pt/dicionario/sabandeira1m.html
A Rua começou a ser aberta em 1836, de Sul para Norte, digamos assim, através dos terrenos abandonados do Convento dos Congregados, que fugiram quando D. Pedro IV tomou a Cidade.A intenção era a abertura de uma artéria que ligasse a Praça de D. Pedro, hoje Praça da Liberdade, à Rua do Bonjardim que estava ali próxima. Actualmente a artéria chama-se Rua de Sampaio Bruno (José Pereira de Sampaio, 1857 - 1915, de pseudónimo Bruno e assim ficou para a posteridade este portuense, escritor, filósofo e ensaísta). Foi o início da Rua de Sá da Bandeira, depois chamou-se Travessa.
As primeiras casas começaram a ser construidas em 1843 e as traseiras ficaram voltadas para a Viela dos Congregados, hoje Travessa, que era extensa. A única entrada desta artéria vê-se à direita na foto e nela estavam instalados Restaurantes e Tascas que serviam boa comida a preços baixos e "Fora de Horas". A rapaziada do meu tempo deve lembrar-se das Tripas e dos Bifes da Flor dos Congregados, da Viúva ou do Paris, depois do cinema ou do teatro.
Havia também o Girassol frequentado pela gente do teatro e que oferecia um jantar ao "jogador que marcasse o primeiro golo" nos desafios que Porto e Salgueiros realizavam em "casa". Nessa altura, meados e finais dos anos 50 do século passado, um jantar à maneira deveria ficar pelos 20 escudos. O que era muito bom, se olharmos que um copo de vinho, o célebre negus, custava 5 tostões.
Hoje, o actual início da Rua é junto à Igreja dos Congregados e só muito mais tarde foi iniciada a sua abertura, concluída em 1916, quando se começaram as obras para a abertura da Avenida dos Aliados. Anteriormente parece-me que se incluía esta parte na velha Rua do Bonjardim.
O edifício do lado direito foi a sede do Banco Borges e Irmão, transferida do edifício que tinham no gaveto do Bonjardim com os Congregados. Num dos andares da frente voltada para a Praça da Liberdade mesmo no gaveto das Ruas de Sá da Bandeira à esquerda e de Santo António (ou 31 de Janeiro) à direita ficava a delegação de um Jornal lisboeta cujo título não me lembro.
Nesse edifício, à esquerda na foto, onde se encontram as actuais instalações da Sousa Ribeiro, era o Café Excelsior, também conhecido pelo Café dos Ciclistas.
Presumo que a Rua nessa altura iria pouco além do local onde está o Teatro Sá da Bandeira. Em 21 de Fevereiro de 1858 foi inaugurado o Teatro Baquet com entrada pela Rua de Santo António (actual 31 de Janeiro) mas com ligação por uma artéria estreita - hoje fechada com um portão a cadeado - à Rua Sá da Bandeira. O Teatro Baquet ficou destruído num incêndio em 20 de Março de 1888 e no mesmo local, creio que nos princípios de 1890 foram inaugurados os Armazéns Hermínios, com fachada e entrada também pela Rua de Sá da Bandeira. Hoje esse local tem um prédio - na minha opinião mamarracho, de frontaria toda espelhada, contrastando com a arquitectura local - que alberga o Hotel Teatro.
No local do edifício do Teatro Sá da Bandeira construiu-se primitivamente um barracão de madeira como Teatro de Cavalinhos, em 4 de Agosto de 1855. Em 1867 foi demolido para ser construído um em pedra que 10 anos depois foi substituído pelo actual edifício. Mas a fachada para esta rua só foi construída em finais da década de 1870. Chamava-se Teatro-Circo do Príncipe Real tendo sido alterado o nome após a revolução de 5 de Outubro de 1910.
Teatro de grande importância na vida cultural da cidade - era o único na altura pois o Real Teatro de S. João tinha ardido e a construção do novo e actual Teatro Nacional de S. João só em 1920 foi inaugurado - teve como empresário o grande Arnaldo Rocha Brito, o livre-pensador, o "Bonito" (bonito, bonito, é o Rocha Brito, diziam as senhoras numa rábula de revista) desde 1910 até à sua morte em 1970.
No dia dos meus 17 anos os meus pais ofertaram-me o almoço no Abadia e uma entrada para a Revista à Portuguesa, cujo nome não me lembro, sendo cabeça de cartaz Camilo de Oliveira. A entrada não era permitida a menores de 18 anos e constava-se que no ano seguinte entraria em vigor a lei que proibia a prostituição. Nunca a canção de Gilbert Becaud, de 1961, Et Maintenant foi tão ouvida e glosada.
Em frente, fazendo esquina com a Rua do Bonjardim, o edifício de A Brazileira, creio que, tal qual o vemos hoje é de 1938. Foi inicialmente concebido pelo arquitecto Oliveira Ferreira (1884 - 1957) julgo que em 1914.
A Brazileira foi fundada em 4 de Maio de 1903 por Adriano Telles, farmacêutico do Porto, tendo ainda jovem emigrado para o Brasil, enriquecendo com o negócio do café. Regressado, montou uma torrefacção e oferecia uma chávena de café a quem comprasse uma saquinho dele. Adquiriu os prédios à volta até chegar ao edifício de hoje. A Sala Pequena foi comprada há poucos anos pelos Caffè di Roma e a Sala Grande é Restaurante.
Era o Café preferido pelos jogadores de futebol da Cidade e pelos artistas lisboetas e não só que se apresentavam no Teatro Sá da Bandeira.
De costas para o Teatro e divididos pela Rua de Sampaio Bruno, à esquerda o edifício do antigo-relativamente-recente Banco Pinto de Magalhães. Nacionalizado após o 25 de Abril de 1974, várias forças se conjugaram para o levar à falência. Sem o primitivo dono, o saudoso, para mim, Afonso Pinto de Magalhães.
Para os interssados ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Pinto_de_Magalh%C3%A3es e especialmente para os amigos brasileiros http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_Pinto_Magalh%C3%A3es
Edifício mamarracho, cheio de espelhados, foi construído, se bem me lembro, na década de 60. Não sei se o anterior foi o que tinha na frente voltada para Sá da Bandeira uma fonte, construída após a abertura do troço da actual Sampaio Bruno.
Do lado direito, o edifício onde se alojou pimitivamente o Banco Borges (antes, casa bancária). Por baixo existia o Bar Borges, local preferido de "africanistas e brasileiros" e por cima, do lado da actual Sampaio Bruno, o Hotel Aliança. Destes comércios ainda me lembro das fachadas.
O edifício antigo e a Fonte anteriormente referida
Só em 1876 continuou a abertura da Rua. A de Passos Manuel já existia desde 1874 e era - é - a primeira à direita de quem sobe.
Pensou-se entretanto na abertura de um espaço que ligasse a Rua de Passos Manuel com a Avenida dos Aliados. Em 1944 nasce o projecto para a abertura da Praça D. João I. Incluía de cada lado da Praça própriamente dito, a colocação das Estátuas do Rei D. João I e da Rainha D. Filipa de Lencastre. Figuras queridas da Cidade desde o séc. XIV. Mas Salazar proíbiu, só porque Álvaro Cunhal escreveu algo sobre o Rei. Pelo menos é o que se escreve. Os pedestais estiveram anos sem dono até 1957, onde foram colocados "Os Córceis" da autoria de João Fragoso.
A sul da Praça ergue-se o edifício Rialto, inaugurado em finais da década de 40. É o conhecido e simbólico arranha-ceus da Cidade com 8 andares, projectado por Rogério de Azevedo (1988 - 1983). No rés-do-chão e cave, o Café Rialto, luxuoso, foi projectado por Artur Andrade (1913 - 2005). No interior, murais de Guilherme Camarinha, Dórdio Gomes e Abel Salazar. Um baixo relevo de João Fragoso desapareceu quando o Café foi comprado para nele se instalar uma agencia bancária. Foi o que li, pois nunca lá mais entrei.
Na cave eram famosos os sofás em couro gravado, elegantes e confortáveis, onde a malta podia estudar mas só até às 17 horas, Hora do Chá.
Em frente, nascia o edifício sede do ex-Banco Português do Atlântico, de Artur Cupertino de Miranda (1892 - 1988) inaugurado em 1951. Possuí-a imensas obras de arte, vi algumas. Depois de adquirido por outro banco não sei se ainda existem.
Em frente ao edifício passa uma artéria que liga Bonjardim a Sá da Bandeira. Por baixo existiam instalações do Banco com uma espécie de multibanco actual, através do qual eram permitidas fazer transações; uma Cervejaria pertencente ao Carvalho, ex-jogador do Porto e depois do Salgueiros; e um Café, o Odin, chamado dos Salgueiristas. Aos sábados à tarde, eu menino, era companhia do meu pai, vindos desde o Marquês a pé, por Santa Catarina, dobrando Gonçalo Cristovão e embicando a Sá da Bandeira, pela parte nova. No retorno era o mesmo caminho.
Naquela altura não me custava subir, principalmente depois de um lanche.
A Poente a Praça ganhou o Teatro Rivoli, que quanto me lembro. só era Cinema. Ganhou algum Teatro mas só quando Filipe la Féria o alugou passou a ter Teatro de casas cheias. Já me referi ao edifício quando "tratei" da Rua do Bonjardim. A nascente, formando ângulo, por acaso redondo, entre as Ruas Sá da Bandeira e Passos Manuel, é construído o edifício da Confidente, a maior organização do País na Compra e Venda de Propriedades. Assim diziam os calendários e cartazes promocionais e anúncios na Rádio.
Pois o dono, o Antero da Confidente como era conhecido, no largo da Praça D. João I mandou construir uma Fonte Luminosa. Poucas vezes a vi, pois raramente o meu pai ía à Baixa à noite. A Praça no piso central também teve uma rosa dos ventos, colorida, linda. Depois de várias reformas, está feia e serve para armar barracas principalmente no Natal. A Fonte, não sei se luminosa, está no Jardim da Praça do Marquês de Pombal. E a rosa dos ventos ? sei lá...
Em 1880 a Rua Sá da Bandeira chega à Rua Formosa, chamada antigamente Rua da Neta, já aberta nessa altura. Alguns graníticos e belos edifícios nem todos bem conservados, acompanham a Rua.
Foto de Agosto de 2007 da Viela da Neta
Mas para chegar à Rua Formosa (da Neta antigamente) é destruída a Viela da Neta, sobrando hoje uma pequena parte. Parece que ninguém conheceu a Neta e o porquê de assim se chamarem as artérias. Escreveu Andrea da Cunha Freitas, o velho historiador do Porto (1912 - 2000) que já eram conhecidos estes nomes desde 1774 referidos nuns documentos como uma rua e viela do Pai Ambrósio da Neta.Essa famosa Viela vinha desde lá de baixo próximo do Bonjardim e acabava nas Liceiras, onde nas trazeiras da sua residencia no Porto, ao Largo da Trindade, Dona Antónia Ferreira, a famosa Ferreirinha, a dos Vinhos (1811 - 1896) vendia produtos das suas quintas.
A Viela, agora conhecida como Travessa da Rua Formosa, para além duma grande tasca/restaurante bem jeitoso e antigo, albergava as traseiras e armazéns de duas casas comerciais importantes da Cidade: a Casa Forte, "Forte nos sortidos, fraca nos preços" era o slogan, e onde chegou a abrir uma loja de artigos de desporto e campismo; e a Lã Maria, uma espécie de tem tudo a preços familiares. As casas comerciais fecharam nos anos 80/90, os edifícios degradaram-se até ter acontecido um desmoronamento que obrigou ao encerramento da Viela.
Na esquina das Ruas Formosa e Sá da Bandeira, o edifício Singer. Já não existe a Singer nem o oculista que lhe seguiu; agora, está tudo fechado, incluindo a Villares do célebre Samarra, grande benemérito do Porto (clube) do lado da Rua Formosa.
Do outro lado da Rua, a velha Ourivesaria do Bolhão com o relógio parado há anos, num dos tais edifícios degradados, que pelo menos exteriormente, é um dos poucos nesse estado ruinoso. Em frente o edifício Tamegão, assim conhecido porque nos seus baixos existia a Casa com o mesmo nome que talvez tenha sido a maior do Porto na venda de cutalerias, louças, etc.
Ao lado, o Solar do Conde de Bolhão, edificado em meados do séc. XIX, a mando de António Alves de Sousa Guimarães. Para além de intensa actividade social que dentro de portas se desenrolou, aqui foi recebida a Rainha D. Maria II e a família real. Num anexo dos Jardins foi construída uma das primeiras cinematecas do País.
No início do séc. XX foi vendido à Litografia do Bolhão, que para o adaptar à indústia, destruiu uma parte do res-dochão e dos jardins. Esta gráfica funcionou até princípios da década de 90.
Li já há uns anos que o edifício entrou em recuperação para albergar a Academia Contemporânea do Espéctaculo e o Teatro do Bolhão. Uma fase foi concluída, mas parece que faltavam 300 mil euros para completar o valor de fundos comunitários para concluir a obra. Presumo que foi tudo por água abaixo.
Famosa é a estátua de Mercúrio colocada lá no alto.
Mais um mamarracho espelhado do lado esquerdo da Rua de quem sobe, cujo novo troço até à Rua de Fernandes Tomás começou a ser aberto em 1904.
Toda a planta baixa desses edifícios são comércios, destacando-se as mercearias finas da Casa Ramos e da Casa Chinesa talvez dos anos 50. Um pouco acima, a Casa Christina cujo início é de 1804 na antiga Rua do Bispo, em Liceiras, com torrefação de Cafés e Fábrica de Chocolates. Mudou-se para a Rua Sá da Bandeira em 1920.
Do outro lado é o Mercado do Bolhão, cuja origem remonta a 1839. Depois de várias adaptações chega ao edifício que hoje conhecemos, construído em 1914, considerado uma obra de vanguarda para a época. Na década de 40 foi construído o piso superior que liga as Ruas de Alexandre Braga, a nascente e Sá da Bandeira.
Toda esta zona assentava num lameiro, atravessado por um riacho que neste local formava uma bolha de água e daí veio o nome para o Mercado do Bolhão.
Está há anos degradado a precisar de urgentes reformas, mas não se ata nem desata com a sua recuperação.
A rua parou na de Fernandes Tomás e só nos anos 50 do séc. XX se vai prolongar até à de Gonçalo Cristovão. Eram terrenos agrícolas, e existiam duas fábricas importantes: uma tecelagem cujo nome desconheço e a Fundição do Bolhão, de 1848. Nela se produziu uma memória em honra de D. Pedro V, o Bem Amado (1837-1861), - creio que se encontra em Leça da Palmeira - colocada à entrada do Mercado do lado de Fernandes Tomás; e a coroa que encima a torre sineira do Santuário de Fátima, com 7 mil quilos.
Destaca-se o edifícío do Palácio do Comércio contruído entre 1944 e 1954 (que ocupa todo um quarteirão e é o centro de quatro ruas) projecto dos arquitetos David Moreira da Silva (1909-2002) e sua esposa Maria José Marques da Silva (1914-1996), para o industrial Delfim Ferreira.
No topo uma escultura denominada O Triunfo da Indústria do mestre Henrique Moreira (1890 - 1979).
O troço entre Fernandes Tomás até ao final em Gonçalo de Cristovão, atravessando a Rua da Firmeza.
Vários edifícios vão sendo construídos.
Pormenores interiores e exteriores
Na esquina da Rua da Firmeza, aberta totalmente em 1885, foi construído o Edifício Emporium projecto do arquitecto Arthur de Almeida Junior em 1939, que alberga a Confeitaria Cunha, mudada de Santa Catarina nos anos 80. Era famoso o seu Bolo-Rei e na véspera do dia da Natal, quando por hábito fazemos a ceia da consoada, formava-se uma fila enorme para o comprar.
Aqui é Fradelos, topónimo do séc. XIII, onde existiam Casais com terrenos agrícolas, sendo um deles da família de Brás Cubas (Porto, 1507-1592), o fundador da Cidade de Santos e o descobridor de ouro e metais no Brasil: http://pt.wikipedia.org/wiki/Br%C3%A1s_Cubas
Segundo a lenda, em tempos antigos existiu um hospício dos monges bentos que mandavam os doentes para este sítio por ser saudável. A capela actual é setecentista.
Em 1955 a Câmara promove um concurso público para remate deste troço, que é ganho pelos arquitectos Agostinho Rica (1915-2010) e Benjamim do Carmo. A solução é de um edifício que remata o quarteirão, um edifiío-ponte sobre o final da Rua e que liga à de Goncalo Cristovão e um jardim a poente. Coitadito do Jardim, quanto pobrezito ele é. Nele está colocado uma estátua em bonze, a Maturidade, de João Charters d'Almeida. Dei fé desta estátua apenas há alguns dias.
De um dos andares do edifício que remata a rua, uma vista para sul que para além da Capela de Fradelos, permite ver o edifício chamado DKW por aquí se terem instalados os escritórios e o stand de automóveis daquela marca, nos anos 50. O projecto é de Arménio Losa (1908-1988) e Cassiano Branco (1897-1970)
Do mesmo andar, uma vista para norte
Muitas foram as fontes onde recolhi imagens e textos. Para além da Wikipédia, destaco:
Outras fontes foram as minhas memórias do sítio
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