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terça-feira, 12 de julho de 2011

85 - Farois do Porto - Farol-Ermida de S. Miguel-o-Anjo - Cantareira

O couto de S. João da Foz pertencia aos Beneditinos de Santo Tirso, doado por D. Mafalda no séc. XII.
A crescente actividade comercial da Cidade do Porto ligada ao mar e ao rio, obrigava a condições de melhor navegabilidade da Barra do Douro, bastante estreita e perigosa.
Em 1527 concluiu-se um pequeno farol-ermida, mandado erguer por D. Miguel da Silva, futuro Bispo de Viseu, abade do Mosteiro Beneditino de Santo Tirso, que gostava de se recolher na cidade. Entrava pelo rio. Hoje chama-se cais do Marégrafo onde está localizado, na Cantareira.
A ermida funcionava como farol de fogo e facho. É uma construção quadrangular; interiormente octogonal, com nichos onde provavelmente haveriam imagens de culto religioso. Presume-se que tenha existido também um altar barroco do séc. XVIII, junto ao nicho maior.
Gravado nas pedras da parede voltada para o Rio, está a inscrição latina: D. Miguel da Silva, Bispo eleito de Viseu, fez esta Torre para governo da entrada dos navios e deu e consignou campos comprados com o seu dinheiro para que do seu rendimento se acendessem perpétuamente fogos.Havia uma outra pedra com a inscrição Desejo que voltem sãos e salvos. Deve ter ido à vida dela esta pedra. As inscrições que aqui copio, são de mais ou menos, diferindo um pouco de site para site mas no fundo dizem o mesmo.
Claro que o Bispo arranjou um esquema para que nunca faltasse a luzinha da Barra. Isto é, cada navio entrado pagava um imposto. O Farol foi desactivado quando entrou em funcionamento o Farol da Luz. (ver Postagem 83). Portanto, desde 1527 a 1882 que funcionou como anjo da guarda das gentes do Rio e do Mar. Passando então a guardar apetrechos de pesca dos pescadores da Cantareira. 
Em 1852 foi construída uma torre anexada ao Farol, para ser instalada uma estação telegráfica. É um edifício que está meio arruinado e diz quem sabe que por dentro está a cair. O cartaz com o alvará para a recuperação está lá há anos, por uma bagatela de euros. Coisas à moda do Porto. E da cultura. 
Em 1841 foi construído um edífício anexo para instalar um posto da Guarda Fiscal. Acolheu também os Pilotos da Barra do Douro e do Porto de Leixões. Desde há uns anos está instalada uma secção do Instituto de Socorros a Náufragos. O edifício foi recentemente limpo e pintado, mas energúmenos já o resolveram sujar.  
Em 1915 foi colocado no local onde havia um poste pintado a branco - na foto antiga, inicial, vê-se nitidamente - um farolim, chamado da Cantareira, que fazia luz de enfiamento com o Farol de Felgueiras (ver postagem anterior). Foi apagado em 2007 e desactivado em 2009, quando entraram em funcionamento os farolins dos novos molhes da Barra do Douro.  
A nova Barra do Douro destacando-se os dois novos farolins e à direita o Farol de Felgueiras.
O Cais do Marégrafo, deve o seu nome à estação que ali foi construída. Não consegui descobrir a data em que isso aconteceu. Sei que o aparelho inicial foi roubado. Hoje está lá um outro que parece funcionar. 
A medição das marés era importante porque o rio apresenta - ou apresentava - aqui profundidades muito oscilantes. Informação necessária para os pilotos, quando os grandes barcos passavam a barra. 
Passei há dias um pouco de tempo a conversar com o amigo e ex-camarada Tavares, Fozense natural, que encontrei por acaso, sobre as gentes deste lugar. Caminhamos um pouco ao longo das Palmeiras e acabamos por nos juntar à conversa com pessoal do Mar. Relembrando outro amigo e ex-camarada comum, o Carlos Filipe; e ainda o Rui Amaro, escritor e também ele homem do Mar.
Eu chamo-lhe a Baía da Cantareira. Imagens de sonho a partir do Cais do Marégrafo. Gaia, Arrábida, Lordelo, Cantareira, só lá estando para ver. 
A Capela de Nossa Senhora da Lapa, padroeira dos Pilotos da Barra e dos Pescadores da Foz do Douro, encontra-se do outro lado da Rua.
Portanto, é este Farol de S. Miguel-o-Anjo o mais antigo de Portugal e talvez da Europa. Para além dos textos compilados em vários sites, (IGESPAR e PORTO XXI, principalmente) não posso deixar de referir novamente o blogue do Rui Amaro. (http://naviosavista.blogspot.com/).
Para melhor apreciar todo o Douro, do Infante até à Barra, nada melhor que uma viagem de eléctrico.
Vão e digam-me depois.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

84 - Farois do Porto - O Farol de Felgueiras

O farol de Felgueiras, na barra do Douro, é pouco conhecido por este nome pela maioria dos portuenses. Foi construído na ponta de um molhe no local de Felgueiras - ou Felgueira como também já li - e cujo nome originário se deve a umas pedras a oeste. 
Está desactivado na iluminação desde que os novos molhes da Barra entraram em funcionamento há dois anos. Apenas funciona o "ronco", que é como quem diz, o sinal sonoro.
A barra do Douro era extremamente perigosa para a navegação. Em 1790 é ordenada por carta régia a construção do molhe e o farol é construído em 1886. Tem 10 metros de altura.
Antes era o Farol da Luz - ver postagem anterior - que orientava os mareantes. Esse Farol foi desactivado, divergindo as datas desde quando ...e o porquê: Se por entrada em actividade do Farol de Leça ou porque este Farol de Felgueiras foi remodelado na sua iluminação tornando-o dispensável.  
Foto de Maio de 2007, a partir do molhe, sobre as praias e o casario da chamada Foz Velha.  
Da mesma data, uma vista do Farol e o Porto de Leixões ao fundo. Foto obtida desde o novo molhe, na altura ainda em construção. 
Quási do mesmo local uma foto actual. 
Em 1979 foram iniciadas as automatizações do farol de Felgueiras à entrada da barra do Douro e dos farolins do porto de Leixões (Quebra-mar, Molhe Norte e Molhe Sul) Estes farolins, passaram a ser controlados à distância a partir do farol de Leça, por meio de equipamento concebido para o efeito. Foi a primeira rede de farolins telecomandados da costa portuguesa.
Na foto, uma fase da construção do novo molhe. Outubro de 2007.
O novo Molhe estava por altura da data desta foto, quási em vias de inauguração 
Julgo que esta pequena enseada se chama Praia da Pastora. Em Maio de 2007 já estava entre os dois molhes.
Actualmente já não tem tanto sargaço nem lixo que ali iam parar. Pelo menos hoje (4.07.2011)
Dias de tempestade. Dezembro de 2009. Um barco acabado de sair da barra. E eu fiquei encharcado até aos joelhos. Vista a partir do novo molhe, com cerca de 500 metros de comprimento.
Era muito difícil a navegação na Barra do Douro. Aqui se deram imensos desastres. Os novos molhes vieram facilitar o acesso ao Douro. 
O mar aqui tem acessos de fúria difíceis de prever. No último inverno, uma tempestade repentina, fez galgar o mar até à Avenida de D. Carlos, em frente ao Castelo da Foz, fazendo imensos estragos. 
O Mar bravo também é belo. 

A Barra do Douro e o Farol de Felgueiras. Há 100 anos e Hoje. A foto antiga roubei-a do blogue do meu amigo Rui Amaro  http://naviosavista.blogspot.com/ cuja visita recomendo.
Passear pelo paredão, sim, mas cuidado. Este mar é bravo. 

Comparações com dezenas de anos de diferença. Vale a pena um passeio até à Barra do Douro.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

82 - Os Castelos da Cidade do Porto - O Castelo do Queijo

Quási junto ao Parque Ocidental da Cidade, na sua zona de ligação ao Mar, o Castelo do Queijo como vulgarmente é conhecido, é um edifício do séc. XVII, mandado construir pelo Rei D. João IV, sobre as ruínas de uma anterior fortificação do séc. XV. Mas o dinheiro saiu do Cofre da Câmara. Conta a lenda que o enorme Pedra do Queijo foi o local de culto dos Draganes, uma tribo celta que havia chegado à Península Ibérica no séc. VI a.C.

O seu nome actual é Forte de S. Francisco Xavier, mas há quem lhe acrescente do Queijo, recordando o tempo em que era Castelo. Foi construído com a finalidade de nos defender dos Espanhóis e da sua Armada Galega, durante a Guerra da Restauração. Presume-se que tenha acabado a sua construção em 1661 ou 62.

Em 1717 a Câmara do Porto pediu a sua desactivação ao Rei D. Afonso V, devido aos custos dos soldos da guarnição, que ainda por cima não vivia no Castelo mas abusava deste rendimento extra. O parecer do Concelho de Guerra do Rei, em 1720 indeferiu o pedido. (Tal e qual como desde tempos remotos, o Porto e o Norte pagam para o bem estar da Nação. E das corporações, pois então).

Um fosso foi construído do lado Norte, bem como uma Ponte Levadiça. Que ainda existem. O monumental portão é encimado por um escudo com as armas de Portugal.

O escudo perdeu elementos, que acho não serem difíceis de reconstruir. Mas isso sou eu a divagar.


Durante as Lutas Liberais, foi ocupado pelas tropas de D. Miguel ficando bastante danificado pelos bombardeamentos tanto da Luz - presumo ser referente ao Castelo da Foz - como da armada de D. Pedro IV.

Aquando do abandono pelas tropas de D. Miguel, foi assaltado e saqueado pela população. Entregue à guarda da Companhia de Veteranos em 1839. Durante a revolta da Maria da Fonte em 1846, foi ocupado pelas tropas da Junta do Porto. Foi alvejado pela fragata Íris, fiel ao governo de D. Maria II. Em 1890, ficou entregue à Guarda Fiscal que a conservou até 1910.

Sala de Comando, onde existiu um oratório em honra de S. Francisco Xavier. Onde parará ?

Aspecto do pátio interior. Existe um pequeno Museu com exposição de algumas armas militares pessoais, fardamentos, mapas, munições e um espólio da Associação de Comandos. Funciona um bar de apoio, com preços módicos.

No terraço amplas plataformas de tiro, com canhões históricos, bem conservados. É pena não haver informações sobre as suas épocas. É um miradoiro excelente desfrutando-se à esquerda algumas praias do Porto e a Barra do Douro e à direita a praia de Matosinhos, até ao Porto de Leixões. Um infinito Mar está à nossa frente.

Abrigou a sede da Junta de Freguesia de Nevogilde de 1944 a 1949 tendo sido despejada para cedência ao núcleo da Armada da Guarda Fiscal, que aí se manteve até 25 de Abril de 1974. Fechado e meio arruinado, sofreu obras de restauro e está actualmente à guarda do núcleo do Norte da Associação de Comandos, aberto ao Público.

Peças de vários calibres estão expostas em bom estado de conservação. Disse-me em tempos um elemento da direcção da Associação, que a conservação é feita pelos associados.

Ao fundo, a entrada do Porto de Leixões e o Molhe Norte.

A Praia de Matosinhos e parte do mamarracho do Edifício Transparente.




Alguns canhões têm gravadas as armas de Portugal da sua época.


Uma entrada no Porto de Leixões

A roldana que movimenta a Ponte Levadiça

Algumas das Praias do Porto

Nunca este Castelo, ou Forte, foi bem aceite pela Cidade, por desnecessário. A costa por si só já era uma defesa, porque não permitia desembarques. E pelos custos que foi obrigada a pagar durante séculos.

Contra as muralhas naturais da costa desfizeram-se muitas embarcações.

Três apontamentos. 1. Quando a Avenida da Boavista chegou a esta zona em 1916, a Câmara do Porto comprou à tropa que na altura detinha a posse do Castelo, a esplanada para arranjo urbanístico, pelo valor de 259.250 escudos. Reparem como alguém andou séculos a mamar nos dinheiros municipais. Felizmente que agora parecem, digo parecem com três pontinhos à frente, ser só a Porto Vivo, e a Porto Lazer. E claro, os automóveis de corrida. Nesta zona do Castelo, claro. Mas isso é para o prazer pessoal do nosso querido presidente, que com o dinheiro que gasta aqui para dar duas voltas à pista, bem podia ir para o autódromo do Algarve que nos ficava bem mais barato.

2. Junto ao Castelo construiu-se o primeiro aeródromo da cidade em 1912, que encerrou ao fim de 9 voos.

Claro que todas estas estórias da História foram pesquisadas aqui e ali.

3. Esta não foi pesquisada: Sendo o Castelo, Forte ou como lhe queiram chamar, aberto ao público, porque se cobra um bilhete à entrada ? Claro que nunca paguei das muitas vezes que o visitei, mas turista está fod.... Se não pagar não entra. Ontem apreciei a cara de alguns camones que quási esbarraram comigo na entrada/saída, furiosos, resmungando, o que eu presumo ter sido um "ide p'ró car..." bem à nossa moda, na sua língua natal.